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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ENTREVISTA com uma Mãe de família (Quase) Numerosa

Com Valéria Laval
Ela preferiu colocar "quase" numerosa, porque como conhece famílias com um número maior de filhos ainda não acha a sua muito grande!!!

1 - Apresente-se para nós, de forma livre, de acordo com aquilo que acha importante
Olá, sou Valeria, casada há dezesseis anos e já estamos indo para o quinto filho, que deve chegar em janeiro de 2010.A turma por enquanto está com 3 meninos e 1 menina , o bebê é homem também. As idades são 15, 12, 8 e 1 ano e 7 meses.Sou arquiteta,moro em Brasília e trabalho numa empresa que investe em imóveis. Meu marido é militar e gosta muito de estudar, agora está fazendo doutorado, sua ajuda é muito importante para nosso equilíbrio como casal e família.


2 - Conte sobre seus partos dificuldades e facilidades.
Meus partos, até agora, foram todos normais, as crianças nasceram saudáveis, o terceiro teve um problema de refluxo urinário, que descobrimos ainda na gravidez. Depois do acompanhamento, ele fez uma cirurgia com 1 ano e 3 meses que solucionou o problema, evitando conseqüências graves no futuro. Acredito que o parto normal é sempre melhor para a mãe e o bebê. Infelizmente hoje, pelo medo do inesperado e do sofrimento, muitas mulheres e médicos tem optado pela cesariana, só pelo “conforto” de poder marcar a data e horário, não ter a dor das contrações e outros motivos que nossas avós nem pensavam que apareceriam.

3 - Em sua opinião qual fase é mais difícil de educar? Onde você encontra mais dificuldade para educar e passar valores?
Até agora não passei por uma adolescência inteira para poder dizer se é a fase mais difícil ou não. Pelo que já experimentei, acredito que seja a fase mais difícil, pois é quando temos que aceitar que os filhos começam a caminhar sozinhos em suas escolhas, com conseqüências que já não poderemos administrar e que seus questionamentos vão desafiar nossos limites, nossos defeitos. Já não somos mais os super pais que eles pensavam. E nós vamos perceber com mais clareza algumas falhas na nossa atuação. Não que ainda não dê tempo de corrigir, mas vai custar mais.

4 - Como lidar com as pessoas que perguntam se não há TV na sua casa?
Geralmente, as pessoas fazem esta perguntam quando sabem que já passamos do número 3. O impressionante é que é quase mecânico, como se houvesse um padrão para o número de filhos. Tento explicar que nunca me limitei a este número que a sociedade tem imposto, e que, desde que casei, esperávamos ter uma família grande, e quando perguntam se a fábrica vai fechar, digo que ainda não, e que vamos vendo o que Deus quer e permite. E que é um de cada vez, mesmo que o número espante um pouco.

5 - Na sua família existe respeito à individualidade e diálogo?

Posso dizer que tentamos que isso aconteça. A individualidade é valorizada quando explicamos a cada um por que tem que agir de tal ou qual maneira, e ele pergunta: mas o fulano faz assim! Dizemos: mas você não é o fulano, e explicamos porque pode fazer ou não daquele jeito. Diálogo sim, dependendo da idade e do tema temos mais margem para argumentar, justificar, mas tem hora que é preciso ser incisivo para cortar alguma teimosia. Com os pequenos, a palmada pedagógica também é necessária (Se não é um ato de revide ou impulsividade e posteriormente é explicada tem um efeito positivo e não traumatiza ninguém).

6 - Quais as brincadeiras e jogos mais comuns que você faz com seus filhos com mais freqüência? Como são as refeições em casa?
Meu horário de trabalho é de 8h por dia, moro perto de meu trabalho e quase todos os dias consigo ir almoçar em casa, é “corridíssimo”, mas é o que eu consigo. Nesse tempo almoço com o de oito, vejo as tarefas que ele tem para tarde, a de 12 está na escola e fico um pouco com ela e com pequeno antes de ir para o trabalho pela manhã. À noite tento ver com o mais velho se está precisando de alguma ajuda. Neste ponto, meu marido ajuda muito, pois também acompanha as tarefas e algumas atividades esportivas deles. Tentamos que no fim de semana haja as refeições em conjunto e muitas vezes conseguimos ficar um pouco junto, conversando depois da refeição, trocando impressões sobre a semana,, algum evento que um deles esteja participando.Vamos nos adaptando, a flexibilidade é necessária com tanta gente.

7 - Como é a organização familiar e que papéis/responsabilidades são atribuídos a cada membro da família?
Eles não têm tarefas, vou pedindo uma coisa e outra e geralmente vão fazendo, nem sempre com boa cara. No momento tenho que contar com duas empregadas, por causa da idade do mais novo, que precisa de cuidado o tempo todo. A outra cuida das coisas da casa sob a minha administração. Tento colocar algumas atividades para que eles participem da arrumação e limpeza na medida das suas possibilidades.

8 - Como você dispõe de seu tempo para dar conta de todos os afazeres domésticos e ainda trabalhar fora de casa?
Não é fácil, hoje trabalho fora por necessidade econômica e percebo como uma atuação em casa mais próxima seria o ideal. Porém, nossa vida nem sempre é aquela ideal em que pensamos, planejamos e temos que nos ajustar para conseguir chegar a tudo. Peço sempre a Deus ajuda para discernir o que é realmente importante. Como já disse, a ajuda e apoio do marido são fundamentais.



9 - Como administram as despesas gerais? Como priorizam?
Temos uma conta única para tudo, tudo o que eu e meu marido recebemos é para a família toda, geralmente as contas não fecham, mas acreditamos na providência Divina, nunca falhou , pode parecer imprudência, mas tem dado certo. Lógico que tentamos não fazer extravagâncias. Almoçamos fora de vez em quando em locais mais baratos, fazemos viagens por perto, presentes só em ocasiões especiais. Tentamos mostrar para as crianças que o dinheiro é fruto do trabalho e não vem sem esforço. Os mais velhos estão no colégio militar, que é pago, mas nada comparado ao nível de um colégio similar particular, isso ajuda as despesas.

10 - Qual recado mandaria para um casal recém casados?
Quando casei não tínhamos nada, a não ser alguns móveis, eu estava na faculdade e meu marido também estudava e trabalhava. Logo veio o primeiro filho e, quando me formei, o segundo. Não me arrependo de ter tido filhos cedo, logo no início do casamento, eles nos ajudaram a solidificar a base do nosso matrimônio e nos aproximaram, pois sempre nos dedicamos juntos a eles. Uma coisa muito boa para nós, e que criou laços mais fortes, foi participar de cursos de orientação familiar desde o inicio do nosso casamento.Os cursos ajudaram a nivelar as informações e traçar planos para educação dos filhos , além de descobrir as diferenças entre homem e mulher que parecem ser óbvias, mas não são.

11 - Segundo uma Universidade de Glasgow, casais que têm filhos são mais felizes. E quanto maior o número de filhos, maior é a satisfação. Isso é verdade na prática?
Acho que não é a quantidade que faz a felicidade, pois há casais que não tem condições físicas, econômicas ou psicológicas de ter muitos filhos. Acredito que é a generosidade, o espírito de abertura à vida é que traz consigo a capacidade de ser feliz. Que o cuidado da família posto em primeiro lugar faz esquecer muitos egoísmos que só trazem infelicidade. Hoje essa padronização de vida, de beleza, de status, que se divulga como ideal, só faz com que as pessoas fiquem infelizes, e limita a capacidade infinita de fazer o bem e se doar que as pessoas têm.
Todos os meus cinco, até o que está ainda na barriga, me dão dores e alegrias, mas essa perspectiva de transformá-los em pessoas dignas me faz ir em frente, sempre apoiada em Deus.

6 comentários:

Márcia Tominaga disse...

Que este relato incentive as famílias a romper a barreira da padronização, para que possam vivenciar esta riqueza de experiências que foram maravilhosamente narradas. Parabéns pela excelente entrevista!

João Felipe disse...

Muito boa a entrevista!
Que as pessoas vejam que vale a pena estar aberto à vida! Como a Márcia relatou, é importante quebrar alguns paradigmas atuais da sociedade! =)

Odete A. Stingrer disse...

Adorei! Caras lindas, família bonita e bem resolvida! Um casal de dar inveja. Quem não quer uma família assim? Mas para ser assim é preciso muita coragem, ser gente de verdade e estar para o que der e vier.
Parabéns Valéria!

Stella Halley disse...

Me senti super feliz ao ler o depoimento da Valéria sobre mais uma família numerosa (hoje em dia 5 já é numerosa!) harmoniosa e feliz. Provavelmente vc não vai achar complicada a adolescência. Educar é difícil em qualquer idade, eu acho. Não me sentia preparada para formar meus filhos e cometi quase todos os erros possíveis. Com muito amor vamos tentando solucionar os problemas que aparecem. Gostaria de ter tido antes a ajuda desses cursos que a Valéria sugeriu. Suavizam o caminho dos pais. Parabéns pelo novo menininho que trarão ao mundo! Um beijo,
stella

Humberto L. Vieira disse...

Sou casado há 48 anos e tenho 8 filhos (quase familia numerosa. São 4 homens e 4 mulheres o manis novo está com 27 anos. Os 5 flhos casados já me deam 13 netos.
Sou muito feliz por ter 8 filhos. Não aceito a padronizaçao de 2 (ou 3) filhos. Essa padronizaçao não foi por acaso e sim determinado pelo famoso Relatório Kissinger (NSSM200) que fez com que os meios de comunicação (Tv novelas, jornais etc) promovesse o casal com 2 flhos
Parabéns pela sua entrevista Valéria!

João Felipe disse...

Como a Valéria comentou a importância de cursos de orientação familiar, para quem é de Ribeirão Preto, SP ou proximidades, haverá um no dia 28 de novembro:
http://www.serfamilia.com.br/seminario-de-capacitacao.html

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