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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Para onde vamos?

Fui acompanhar uma amiga para ver "residências para idosos”, para os pais dela. Voltei deprimida. Quase chorei na frente do homem que nos mostrava um desses lugares. Segurei-me, e disfarcei. Tem tantos idosos nestas casas... É uma solução, mas visto amplamente é triste. Quero que entendam que não estou julgando ninguém, nem tão pouco sei as circunstâncias de cada um para tomar tal atitude, apenas resolvi refletir um pouco sobre outro aspecto: o lado de lá.

Por melhor que seja o lugar e as companhias, nunca será a sua casa, não terá a liberdade do seu lar, do seu cantinho, onde tem lugar para cada uma das suas recordações. Esta bem, eu sei que devem estar me dizendo: - “quem vive de passado é museu”. Não é por aí que vamos refletir.

Então, pensemos que para cada um de nós que escaparmos de morrer na juventude, terá mais um idoso, ou melhor, mais alguém da “melhor idade”, (não sei por que chamam de melhor), para cavar seu lugar ao sol neste mundo sem tempo para o próximo.

Li faz pouco tempo, que “uma mãe cuida de dez filhos, e dez filhos não conseguem cuidar de uma mãe”. Cada vez mais isso é fato. Não é computado isso pelo número de filhos que cada casal tem, e sim pelo fator do incômodo, cada vez maior, que nossos “velhos” nos proporcionam.

Em vários países já se criou um esquema para essas pessoas, dando melhores condições de vida, e assim prolongando a vida útil de cada idoso, sem precisar estar num lar de idosos. Entre nós, em nosso país, ainda consideram-se privilegiados os que podem pagar por esses lares da terceira idade, ou qualquer outro nome bonito que queiram pintar a velhice, lugares limpos, com muitos profissionais especializados em terceira idade e suas doenças; com conforto relativo, uma boa cama, um armário, uma mesinha e até um banheiro para cada dois.

O problema que vejo no esquema é retirar o idoso do convívio geral de todas as idades, a reclusão que passam a ficar, mesmo tendo diversões para sua idade.

 Os que sofrem de Alzheimer, ou perderam a memória, talvez não sintam tanto, (quem sou eu para avaliar?), mas essas casas estão repletas de idosos lúcidos, mas que por alguma razão não podem mais desfrutar do convívio da família, dos vizinhos, das ruas, e principalmente dos jovens e crianças. Como isso faz falta a uma pessoa de qualquer idade! Não gosto da ideia de excluir por idades, ou melhor, de juntar por idades.  A mistura é bem mais enriquecedora.

Com o passar dos anos podemos querer mais sossego, mais tranquilidade, e aí então, podemos morar em um lugar menor, mais prático, acho que essa transição é mais fácil, menos agressiva, para aqueles que estão lúcidos e podem sofrer mais pela rejeição.
Cuidemos dos nossos, pois chegará a nossa hora, e não queiramos para eles o que não vamos desejar para nós.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Principal causa da confusão mental no idoso

Recebi de uma amiga este texto e achei muito esclarecedor para quem tem idosos em casa e deve cuidar da saúde deles. O texto é do Dr Arnaldo Lichtenstein:

Sempre que dou aula de clínica médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta:

- Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?

Alguns arriscam: "Tumor na cabeça".

Eu digo: "Não".

Outros apostam: "Mal de Alzheimer" .

Respondo, novamente: "Não".

A cada negativa a turma se espanta... E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns:

- diabetes descontrolado;

- infecção urinária;   
 
- a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os idosos ficaram em casa.

Parece brincadeira, mas não é. Constantemente, vovô e vovó, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos. Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos ("batedeira"), angina (dor no peito), coma e até morte. Insisto: não é brincadeira.

Na melhor idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento. Portanto, o idoso tem menor reserva hídrica.
Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilí­brio interno não funcionam muito bem.

Conclusão: idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas, e funções de todo o seu organismo.

Por isso, aqui vão dois alertas:

1 - O primeiro é para vovôs e vovós: tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite, sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam. O importante é a cada duas horas, botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!

2 - Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos idosos. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção! É quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação. "Líquido neles, e rápido para um serviço médico".

(*) Arnaldo Lichtenstein (46), médico, clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clí­nica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Qual o problema com a idade?

Desde criança aprendi que faz parte das boas maneiras jamais perguntar diretamente a idade de uma pessoa aparentemente mais velha, especialmente se esta pessoa for mulher. Embora eu seja muito ligada a coisas de etiqueta e boas maneiras, essa é uma regra que eu não consigo compreender nem aceitar naturalmente, pois acredito que ela é baseada em conceitos distorcidos sobre a vida.

Quando perdemos nossa essência e não temos noção da nossa dignidade, acabamos dando valor excessivo a coisas exteriores que camuflam o que somos de verdade. Sempre penso nisso quando ouço sobre essa regrinha de não perguntar a idade de certas pessoas. As fases da vida existem e não podemos negá-las: fingir que não existem ou que não chegarão pra nós é um erro.

Claro que há pessoas bem mais velhas e com disposição de um jovenzinho. E pessoas mais jovens com tantas limitações físicas quanto as de um idoso. Mas isso não inverte as idades reais e ser jovem não é mais importante que ser velho. A virtude está em se reconhecer e viver com dignidade cada fase - com suas vantagens e desvantagens.

Como resultado de uma mentalidade segundo a qual envelhecer só traz coisas ruins, dissemina-se a ideia de que as pessoas mais velhas devem ser descartadas, e a vida começa a não ser mais pensada mais para essa fase da vida. No que tange ao físico até se pode disfarçar a ação do tempo, mas não para sempre – uma hora haveremos de encará-la... mas devemos nos comportar segundo a nossa fase – que triste é constatar que existem pessoas aos 60 anos se comportando como adolescentes!

Se aceitar é fundamental e viver com dignidade cada etapa da vida é o auge da maturidade. Vivamos cada dia conforme nos é permitido e extraiamos o que de bom cada idade proporciona.

Lívia W. de Melo Costa - paraibana, católica, casada, mãe de um bebê que hoje mora com Deus,  tem formação em Gestão Financeira,  embora atualmente tenha decidido se dedicar exclusivamente ao lar. Gosta de bordar nas horas vagas e ler sobre cuidados com o lar, etiqueta,  moda e política.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Quem diria – a pipoca!

Uma notícia que pode ser de interesse geral para a família: pipoca tem substância que combate o envelhecimento. Vejam abaixo.

RIO - A pipoca já foi apontada como um bom alimento para a dieta devido a seu baixo teor calórico. Mas agora um grupo de cientistas afirma que ela talvez ultrapasse frutas e vegetais no número de antioxidantes, ou polifenóis, que têm uma série de benefícios para a saúde, inclusive o combate ao envelhecimento, uma vez que ajudam no combate a moléculas danosas que podem prejudicar as células.

Especialistas americanos desconfiaram do potencial da pipoca porque é composta de apenas 4% de água, enquanto que os antioxidantes estão mais diluídos em frutas e vegetais, que possuem até 90% de água. Uma porção do alimento tem até 300mg de antioxidantes - praticamente o dobro dos 160mg das porções de frutas.

Eles também descobriram que a casca crocante da pipoca tem a mais alta concentração de antioxidantes e fibra. Os cientistas da Universidade de Scranton, na Pensilvânia, revelaram a sua descoberta em uma reunião da Sociedade Química Americana, em San Diego, nos Estados Unidos.
- Essas cascas merecem mais respeito. Nutricionalmente, elas são pepitas de ouro - disse o pesquisador Joe Vinson ao jornal "Daily Mail".

Mas Vinson alertou que as pessoas não devem abrir mão de consumir frutas e legumes para viver à base de pipoca, que não contém vitaminas e nutrientes vitais encontrados nestes alimentos. No entanto, acrescentou que a pipoca tem muitos outros benefícios para a saúde:

- A pipoca pode ser o aperitivo perfeito. Trata-se do único lanche feito 100% de grãos não processados. Todos os outros são processados e diluídos com outros ingredientes. Uma porção de pipoca proporciona mais de 70% do consumo diário de grãos integrais. Uma pessoa comum costuma receber apenas metade da porção indicada de grãos integrais por dia, e a pipoca pode preencher esta lacuna de uma forma muito agradável.

Os cientistas avisaram que o modo de preparo é a chave para ter acesso aos benefícios da pipoca para a saúde.

- Pipoca de panela tem o menor número de calorias enquanto que a de micro-ondas tem duas vezes o número de calorias da tradicional.

http://oglobo.globo.com/saude/pipoca-pode-ajudar-combater-envelhecimento-4418264

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Quando os filhos amam seus pais

Conheço uma família que deveria servir de exemplo para muitas outras.  Os filhos amam verdadeiramente seus pais e o demonstram com atitudes concretas de carinhos e cuidados. Reconhecendo assim todo o trabalho e dedicação que seus pais tiveram com eles ao longo da vida.

O casal, já bem idoso, precisa de cuidados maiores, a mãe sofreu um acidente faz cinco anos e passou por uma cirurgia difícil de cérebro, e o pai de idade bem avançada sofre de diabetes e necessita de controle diário com exames e remédios.

Diante deste quadro os filhos se impuseram algumas regras para que nunca faltasse todo o tipo de cuidados que precisassem. E o mais importante de tudo é que resolveram entre eles com amor. Sem brigas, sem discussões, e a cada um ficou reservado um tempo de revezamento para o cuidado dos velhinhos.

Fizeram um quadro de horários, para que eles não ficassem em nenhum momento do dia e da noite sozinhos.

É linda, e emocionante de se ver, essa união entre os irmãos, e a dedicação de todos em torno destes pais que já deram tanto de si.

Numa época onde as famílias sofrem tanto com o desamparo, com as brigas entre os irmãos, com o egoísmo reinando, essa família em especial, serve de exemplo para tantas outras. Mostram com suas atitudes como devemos amar nossos pais.

Fiquei de fato impressionada de assistir o carinho e a dedicação deles, e como se amam entre si esses irmãos.

Cada um do seu jeito tenta fazer o melhor nos cuidados, levando-os para passear, ministrando seus remédios, dormindo a noite com eles, tendo longas conversas e escutando-os.

Quem dera que cada um de nos pudesse ter um dia, o carinho e o amor de nossos filhos demonstrado da mesma forma que nesta família.


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

EmContando – 60 - O velho e seu neto

                           (Irmãos Grimm, tradução de Ana Maria Machado)

Era uma vez um velho muito velho, quase cego e surdo, com os joelhos tremendo. Quando se sentava à mesa para comer, mal conseguia segurar a colher. Derramava sopa na toalha e, quando, afinal, acertava a boca, deixava sempre cair um bocado pelos cantos.

O filho e a nora dele achavam que era uma porcaria e ficavam com nojo. Finalmente, acabaram fazendo o velho se sentar num canto atrás do fogão. Levavam comida para ele numa tigela de barro e – o que era pior – nem lhe davam bastante.

O velho olhava para a mesa com os olhos compridos, muitas vezes cheios de lágrimas.

Um dia, suas mãos tremeram tanto que ele deixou a tigela cair no chão e ela se quebrou. A mulher ralhou com ele, que não disse nada, só suspirou.

Depois ela comprou uma gamela de madeira bem baratinha e era aí que ele tinha que comer.

Um dia, quando estavam todos sentados na cozinha, o neto do velho, que era um menino de quatro anos, estava brincando com uns pedaços de pau.

“O que é que você está fazendo? – perguntou o pai.

O menino respondeu:

“Estou fazendo um cocho, para papai e mamãe poderem comer quando eu crescer.

O marido e a mulher se olharam durante algum tempo e caíram no choro. Depois disso, trouxeram o avô de volta para a mesa. Desde então passaram a comer todos juntos e, mesmo quando o velho derramava alguma coisa, ninguém dizia nada.


Agnes G. Milley

terça-feira, 2 de julho de 2013

Amadurecer nem sempre significa envelhecer

Pensar no amadurecimento feminino causa muitas confusões, pois diz respeito a uma trajetória de vida que nem sempre culmina no envelhecer. O amadurecer é um processo de mudança biopsicossocial que está ligado a mecanismos que envolvem o emocional das pessoas.

O conceito de amadurecimento leva em conta as diferentes fases da vida da mulher, na qual as etapas que se sucedem podem ou não ser entendidas e elaboradas ou, até mesmo, fazerem parte de um processo de luto.

“Para algumas mulheres a experiência dos filhos saírem de casa para estudar fora ou construírem suas próprias vidas, por exemplo, sempre causa dor. Por mais resolvida que seja a relação entre eles, momentos de transição podem também reviver antigas feridas e episódios que não puderem estar bem reparados internamente. As crises ligadas a mudanças provocam desconforto, gerando inúmeras ansiedades, assim como medo do que nós desconhecemos”, explica a psicanalista mestre em gerontologia Dorli Kamkhagi.

Definir novos rumos - Esta fase também anuncia a possibilidade de viver com novos e diferentes espaços. A chamada crise do “ninho vazio” pode ser vivenciada com muita dor, assim como vir acompanhada de um sentimento de perda da identidade de “mãe-cuidadora”. Nesta fase acontecem as mudanças físicas, hormonais e a sensação de que uma etapa está terminando. Também cabe a algumas mulheres contemporâneas que possuem pais idosos tomar a difícil decisão de cuidar deles ou contar com a ajuda de enfermeiros.

A psicanalista explica que este momento pode representar conflitos e sentimentos de perda e impotência, embora para muitas mulheres também possa ser o instante de se voltar aos seus desejos. “Os acontecimentos podem ser um detonador para que novos projetos de vida ou mesmo antigos sonhos se concretizem. Elas descobrem criatividades que estavam presas e que agora podem aflorar, pois possuem um local e amplitude para se expressar”, fala Dorli.

Para as que têm uma identidade profissional bem estabelecida, por exemplo, esta nova fase pode ser de recuperação de identidades e reencontros esquecidos e trancafiados nos porões dos medos.
A passagem do tempo instaura em cada ser uma sensação ligada a sua subjetividade e acaba levando a novas formas de temporalidade. O processo de amadurecimento se dá por meio da aceitação destas mudanças, de uma grande reflexão e novas significações da vida.

“Transformar significa mudar, crescer e ter outra forma de ser. Sempre digo a minhas pacientes que talvez agora seja tempo de escrever um outro capítulo de suas vidas, com novas cores e tintas. Assim se faz o amadurecer, um crescimento por meio da elaboração de lutos, dando um caminho para que outros percursos se instalem”, finaliza a especialista..

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Centro Diurno para Idosos Necessitados em Roma

Ajudar os outros é um compromisso que implica passar das palavras aos fatos. Os responsáveis pelo Campus Biomédico de Roma - uma obra corporativa do Opus Dei - e o ator de cinema Alberto Sordi compartilhavam o desejo de ajudar aos idosos da cidade. E assim surgiu o CESA.

Uma revista em cores, uma companhia de teatro, um ateliê de alta costura; excursões culturais, passeios pela natureza, férias de verão; um ambiente agradável, um grupo de amigos, uma ocasião para trabalhar em equipe...

Esta é uma pequena amostra do que o Centro Diurno para Idosos Necessitados de Trigoria oferece; mas — e isso é o mais importante— o centro é um lugar onde o ancião é valorizado e recebe ajuda para continuar crescendo como pessoa.

Em 2002, Ruggero, Ennio e Adriano constituíram com alguns amigos a Associação Alberto Sordi. Na sua origem, está o desejo de ajudar as muitas pessoas de idade avançada que já não podem viver completamente por si mesmas. 

Nesta iniciativa, o idoso é valorizado e recebe ajuda para continuar crescendo como pessoa.
Em não poucas ocasiões, pelo ritmo de vida acelerado que se leva na sociedade ocidental atual, os anciãos acabam não recebendo a devida atenção por parte das suas famílias; e, não raro, os problemas econômicos e assistenciais que costumam aparecer nessas situações levam ao esquecimento de que o idoso, em primeiro lugar é uma pessoa frágil e necessitada.
Em consequência disso, muitos idosos sentem-se sós ou inúteis, vivem enclausurados num mundo de preocupações, de insegurança afetiva ou econômica, e vislumbram o futuro com medo ou sem qualquer perspectiva.

No ano de 2001, a Universidade Campus Biomédico de Roma - uma obra corporativa do Opus Dei - pôs em andamento em Trigoria o CESA: Centro para a Saúde do Ancião, dedicado à assistência médica e à pesquisa sobre patologias da terceira idade.

Juntamente com a atenção médica e sanitária, nessas instalações desenvolve-se também um trabalho de caráter social.
Ninguém duvida de que vale a pena investir na formação das crianças, dos adolescentes e dos adultos. No Centro Diurno, dá-se um passo a mais: também se aposta na formação do idoso, que retém muitas potencialidades e que sempre pode crescer como pessoa.

O objetivo primário é ajudar a manter — e, quando, é possível recuperar e potencializar — as capacidades psicofísicas, para que, na medida de suas possibilidades, o idoso tenha uma vida ativa e gratificante. No fundo, trata-se de conseguir que as pessoas idosas recuperem sua dignidade, se sintam úteis e vivam felizes.

Muitos estudos demonstraram que a perda das faculdades mentais não se deve tanto à elevada idade, mas à falta de exercício, de estímulos intelectuais e de vida social. Por isso, seguindo a metodologia do fazer, são organizadas atividades que ajudam a manter em exercício as faculdades pessoais. São atividades variadas, desenvolvidas em grupo.

A ênfase das atividades é posta no fazer, e busca-se que todos sejam protagonistas e não meros espectadores. Não são um fim em si mesmas, nem servem meramente para ocupar o tempo; o objetivo é contribuir para o desenvolvimento da pessoa em todas as suas dimensões: espiritual, relacional-afetiva, intelectual e corporal.

"Após muito tempo, minha mãe quis voltar ao cabeleireiro. Há um ano, lia poesias ao meu avô... Agora sou eu quem o escuta recitá-las". Frases como essas são comuns na boca dos parentes dos idosos que vêm ao Centro. É um fenômeno que se comprova uma e outra vez: com o passar do tempo, muitos anciãos recuperam a alegria de viver. Em princípio, os frequentadores vão ao Centro três dias por semana, mas é possível ampliar para cinco, se o idoso assim o quiser. A inscrição nunca é inferior a três meses: tempo mínimo para introduzir-se no ambiente e aproveitar as atividades oferecidas.
Mais informações sobre o Centro Diurno Anziani Fragili (em italiano).
http://www.fondazionealbertosordi.it/auto.asp?sID=3&sF=3
 Artigos relacionados
  http://www.opusdei.org.br/img/ra.gif    Vídeo exibido em 2011 pela Rede de Televisão RAI sobre o Centro de Anciãos (em italiano).
http://www.opusdei.org.br/art.php?p=51849

domingo, 9 de dezembro de 2012

Como conviver com a artrite

As causas da artrite reumatoide são desconhecidas, as pesquisas mais recentes indicam somente que se trata de uma doença inflamatória e autoimune, isso significa que o próprio corpo produz anticorpos que atacam as articulações - sobretudo as menores, como os dedos, punhos e articulações dos pés e dos tornozelos. A reumatologista Lícia Maria Henrique da Mota, coordenadora da Comissão de Artrite Reumatoide, da Sociedade Brasileira de Reumatologia, explica que, se não for adequadamente tratada, a artrite reumatoide destrói as articulações, aumentando a sua dependência para realizar as tarefas diárias. E quando as deformidades progridem, é hora de lançar mão de alguns hábitos e até dispositivos que facilitam a sua vida. Em 30 de outubro, o calendário marca o Dia Nacional de Luta contra as Doenças Reumáticas. Conviver bem com a doença é o primeiro passo vencê-la, informe-se a seguir e junte-se a nós nesse combate!

Substituir maçanetas e torneiras arredondadas
Uma mudança simples que faz toda a diferença. As torneiras e maçanetas em formato de bolinha são muito mais difíceis de serem giradas por quem tem artrite reumatoide. Isso porque esse tipo de dispositivo exige o movimento de prensa da mão, que solicita exatamente as articulações mais prejudicadas. Para abrir maçanetas e torneiras em formato de cabo, basta um empurrão, para baixo ou para cima, bem mais fácil de ser realizado. O reumatologista Fábio Leandro Parmigiani, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, explica que essa alteração faz muita diferença na qualidade de vida dos pacientes, que podem fazer atividades básicas com mais independência.

Usar velcro nas roupas
Vestir-se sozinho parece simples? Pois pode ser um desafio para quem tem artrite reumatoide. Adquirir roupas que tenham velcro no lugar de zíperes, botões e laços - ou até mesmo fazer a mudança com a ajuda de um costureiro - aumenta a independência do paciente com artrite reumatoide, já que exige menos o chamado movimento de pinça dos dedos, de difícil execução nesses casos. O reumatologista Fábio conta qual é a maior vantagem do uso desse aparato: "Ele permite que os pacientes não se sintam limitados para atividades básicas de cuidado pessoal, o que melhora, e muito, a autoestima".

Usar mais os braços
O educador físico Diego Roger, professor da Universidade Gama Filho e mestrando em ciências aplicadas à reumatologia, explica que, na fase de adaptação à doença, é fundamental resguardar articulações comprometidas e tentar utilizar os acessórios (neste caso, o braço) para realizar as atividades diárias. "Contudo, é preciso cuidado para não sobrecarregar as articulações que estão boas, comprometendo-as no longo prazo, ou assumir posturas viciosas, como manter a coluna curvada".

Usar um carrinho

Sabe esses carrinhos usados para fazer compras no supermercado? Eles podem ser ótimos aliados no lar de quem convive com a artrite reumatoide. Fábio Parmigiani explica que o transporte excessivo de peso evita que estes pacientes desencadeiem lesões musculares e agravamento do quadro de dor nas juntas. Por isso, use os carinhos e evite essas agressões.

Forrar utensílios manuais
Facas, garfos e escova de dente não precisam ser um desafio para o portador de artrite reumatoide. Lícia Maria explica que atualmente existem dispositivos que se encaixam a esses, e outros, objetos, garantindo a sua usabilidade por quem tem a doença. "Os adaptadores melhoram muito a capacidade dos pacientes terem uma vida normal, muitas vezes um simples adaptador colocado no cabo de uma faca facilita a utilização do utensílio e evita que o paciente se sinta incapaz de ter uma vida normal", afirma o reumatologista Fábio. Para quem quiser um método diferente de fazer a adaptação, a reumatologista Lícia dá a dica: "Vale colocar aqueles espaguetes usados na piscina em torno do cabo da faca, por exemplo, para isso, basta introduzir o objeto dentro do espaguete e descascá-lo até que ele chegue ao diâmetro ideal para a pegada".

Usar a tecnologia a seu favor
Fábio Parmigiani explica que tudo que ajuda o paciente a proteger a junta inflamada e, desta forma conservar a energia, é uma opção benéfica. Escovas de dente e facas elétricas são algumas das opções que ajudam a evitar a lesão das articulações - aposte nelas.

Evitar as quedas
A reumatologista Lícia Maria explica que o risco de osteoporose é maior nos pacientes com artrite reumatoide. Por isso, além do acompanhamento médico e avaliação da densidade óssea constantes, a especialista recomenda que sejam feitas algumas adaptações na casa desse paciente, a fim de evitar quedas: "Colocar barras no banheiro, preferir sabonetes líquidos (em vez da versão em barra, que pode escorregar e cair no chão) e evitar o uso de tapetes são medidas simples que previnem o problema".

Pedir ajuda quando precisar
Nem todo esse aparato substitui a ajuda - e o carinho - que um amigo, um familiar ou mesmo um cuidador pode te dar. "Todos que convivem com uma pessoa que tem artrite devem se esclarecer sobre as possíveis limitações causadas pela doença e, portanto, melhorar o convívio", afirma o reumatologista Fábio Parmigiani. Sinta-se confortável em solicitar a ajuda de outros sem sentir constrangimento, pois a exigência de ser independente, às vezes, pode ser excessiva e acabar em frustração.
Do site www.msn.minhavida.com.br

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Avós e Avôs em outras culturas

Por Agnes Gabriella Milley

Nas culturas africanas, as avós e os avôs são as pessoas mais importantes da família. Na tradição Bantu, quando precisam tomar alguma decisão importante,as avós e os avôs se reúnem ao redor de uma árvore especial para se aconselharem com seus antepassados. Chamada de Árvore dos Antepassados, geralmente é plantada pelo homem mais velho da família.

Os povos lorubás que vieram para o Brasil do Benin, Nigéria e Tongo, tinham em sua cultura akpalô, palavra que significa "fazedora de alô".As akpalôs eram senhoras idosas que andavam de engenho em engenho contando histórias para outras negras e para os meninos brancos - eram "vovós" negras que ajudaram a transmitir sua cultura e a transformar a língua portuguesa. Muitas das palavras usadas pela linguagem infantil nasceram dessa troca entre as akpalôs e os meninos brancos: dodói, miau, au-au, dindinha, pipi, bumbum.

As crianças indígenas têm uma relação muito próxima com suas avós e avôs. Com eles aprendem muitas coisas, como, por exemplo, cuidar bem da natureza, dos animais, dos rios e das plantas. Desde cedo, as meninas cozinham com suas avós, e meninos e meninas aprendem muitas brincadeiras com os avôs.

Para os povos orientais, as avós e os avôs são considerados os guardiões do saber familiar e, por isso, têm um papel fundamental na educação de seus netos. Quando os filhos se casam procuram morar próximo aos pais, para que os netos convivam com os avós cotidianamente. No Japão, diz-se que a morada dos filhos deve ficar a uma distância dos pais que permita levar o missoshio - sopa feita com pasta de soja - sem esfriar.

Texto impresso em folheto que acompanhou produtos da Natura em 2011, por ocasião do dia das Avós e dos Avôs - www.natura.net

Agora fica a pergunta: como nos relacionamos, atualmente, com os idosos, em nossa cultura? Não seria um bom tema para estudo e discussão?

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A importância do geriatra

Por Maria Teresa Serman

A geriatria ainda é uma especialidade nova, tão recente que não existem concursos públicos para eles, não há a figura do geriatra na saúde pública. Muitos idosos resistem a se consultar com esses profissionais, preferindo cardiologistas ou neurologistas, o que é uma pena, pois o geriatra abarca todos os aspectos, tendo como referencial a idade. Em caso de doenças mais graves, o paciente será encaminhado a um especialista, que irá atendê-lo junto com o geriatra.

A assistência desse médico deve começar mais cedo do que a faixa etária recomendaria, praticando-se, assim, o que se chama "geriatria preventiva". No mais, é preciso ressaltar que o Brasil não será brevemente um país de população predominantemente velha, ele já é, pois a taxa de natalidade despencou e a perspectiva de vida aumentou.

Também é de extrema importância que os filhos, que estão envelhecendo junto com os pais, pois a longevidade destes proporciona isso, se preparem para cuidar e lidar com um quadro ambivalente: a velhice dos pais, que espelha o próprio futuro dos filhos. Acontece, então, um envolvimento emocional mais profundo, com duplo efeito; por um lado, isso desperta mais compreensão dos que cuidam, mas, por outro, gera apreensão, porque há o receio, sempre latente, de repetir a história paterna ou materna, com as implicações que doenças degenerativas e incapacitantes trazem, tanto a uns quanto a outros.

Um bom geriatra é um bálsamo na vida de idosos e cuidadores. Ele não só trata, como ensina os filhos e auxiliares a lidar com os mais velhos. Estes vão perdendo, com a idade, a força física, a memória, a autonomia. Passam a depender de decisões alheias, e isso lhes causa muito sofrimento, e não pouca rebeldia. Cabe ao filho negociar, ter paciência e esperteza para driblar os impasses que frequentemente se instalam. Aí entram, felizmente, a competência e sensibilidade do geriatra, que pode aconselhar o modo de mais facilmente conviver com o idoso, extraindo dessa convivência aprendizagem e sabedoria, e não somente ordens e brigas.

O organismo do idoso não funciona como o de uma pessoa madura, requer mais atenção a detalhes pequenos que podem indicar doenças graves. Com o acompanhamento geriátrico, o paciente fica melhor monitorado, e se investe mais em atividades pró-ativas, como fisioterapia e ginásticas, vitaminas e remédios novos, do que o geriatra, mais do que outros médicos, está a par. Além disso, ele pode indicar terapeutas para idosos e seus cuidadores, o que ajuda muitíssimo na tarefa amorosa, mas delicada, de cuidar de quem cuidou de nós.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Boa notícia: dieta rica em cálcio previne osteoporose!

Hoje, DIA MUNDIAL DA OSTEOPOROSE, precisamos estar atentos a essa perda de massa óssea, a partir da meia idade, que atinge principalmente as mulheres depois da menopausa. Os cuidados começam por diagnóstico e prevenção.

O risco pode ser amenizado com uma dieta adequada, rica em cálcio e vitamina D, e prática de atividades físicas e exposição ao sol em horários adequados. - E quanto mais variada a dieta melhor.

Recomenda-se consumir alimentos ricos em cálcio, como, por exemplo, leite, iogurte, queijo, sardinha e brócolis. Além desses, não podem faltar alimentos ricos em vitamina D, como, ovo, salmão, atum e bacalhau, pois esse nutriente é essencial para a absorção do cálcio ingerido, e os com vitamina K, encontrada em brócolis, lentilha, repolho e couve-manteiga; e o mineral magnésio, presente em acelga, espinafre, quiabo, beterraba e amêndoa são importantes.A vitamina K participa da formação óssea e o magnésio também ajuda na absorção do cálcio.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Boa notícia: idosos mais felizes no Brasil!

Ao implementar políticas corretas, o Brasil e a África do Sul melhoraram o bem-estar dos seus cidadãos mais idosos, aumentando, assim, seu nível de felicidade.

As famílias que contam com o rendimento dos familiares mais velhos também ascenderam socialmente, aumentando com isso a autoestima dessas pessoas.

sábado, 3 de setembro de 2011

Li por aí- (21)Vovós usam a Internet para combater solidão no Japão

Um assunto que ao mesmo tempo mostra o avanço tecnológico e a tristeza dos idosos rejeitados.

Um tema bom pra ser meditado e vermos as vantagens da tecnologia para todos estarem ligados e usufruírem da melhor maneira possível. Como vamos querer o nosso futuro familiar: deixados de lado e sozinhos como estão estes japoneses atualmente, ou inseridos numa família onde se ensinou a amar e respeitar os idosos?

Por Yuko Takeo

TÓQUIO (Reuters) - Há 15 anos, uma sensação de isolamento cada vez maior causada pelo envelhecimento levou Kayoko Okawa, então com 66 anos, a procurar um centro local de voluntários e perguntar timidamente se alguém da idade dela poderia criar uma comunidade online para idosos.

A enérgica Okawa, agora com 81, hoje é presidente do 'Grupo das Avós do Computador', e diz que usar a Internet pode aliviar a solidão do crescente número de idosos que vivem sozinhos no Japão e, mais importante, evitar uma morte solitária -- o que muitas vezes passa despercebido por longos dias.

'Gosto de lembrar da época em que escrevia cartas e enviava desenhos e fotos', diz Okawa. 'Era o toque pessoal que importava.'

Rejeitada 15 anos atrás por muitos grupos, com comentários do tipo 'não há como uma vovó como você fazer uma coisa assim', as perguntas hesitantes de Okawa terminaram por ser respondidas com entusiasmo amistoso e conselhos por dois jovens, que imediatamente se ofereceram para ajudar a montar a rede e imprimir cartões de visita para a fundadora.

Defendendo um maior uso da tecnologia da informação pelos idosos, as 'Vovós da Computação', grupo que hoje congrega mais de 250 mulheres e -- homens -- de todo o Japão, promovem duas aulas mensais para ensinar os idosos a usar a Internet. Também operam uma lista de discussões que se tornou uma movimentada comunidade online.

'Suponho que a expansão aconteceu porque todo mundo se sentia solitário. É um momento da vida em que todos, homens e mulheres, se sentem um pouco sozinhos', disse Okawa.

'Falamos sobre a 'sociedade em envelhecimento' e sobre a 'necessidade de apoio psicológico' e coisas assim... mas a verdade é que todo mundo se sente um pouco sozinho', acrescenta.

Quando Okawa começou sua jornada, os computadores pessoais ainda eram bem caros, com preços de mais de 600 mil ienes (7,8 mil dólares em dinheiro atual), bem além do alcance dos aposentados.

Ela e um grupo de voluntários solicitaram doações de computadores usados a empresas, e conseguiram o que precisavam em uma visita à subsidiária japonesa da Microsoft.

'Entrar no depósito deles foi como entrar em uma caverna do tesouro', disse Okawa.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Honrar e agradecer

Por Maria Teresa Serman

O quarto mandamento é honrar pai e mãe. Não amar diretamente, é interessante observar isso. Como foi Deus quem ditou o Decálogo a Moisés, e Ele escolheu precisamente essa palavra, é bom aprofundarmos no seu sentido. Honrar significa prestar honra e respeito a; venerar, reverenciar. Mas por que será que o Pai do céu preferiu honrar a amar? Este não seria mais simples?

Não, seria mais complicado! O Senhor, que nos conhece bem, e é mais amoroso do que a melhor das mães, dignou-se reconhecer a nossa incapacidade crônica - que podemos transformar em dom magnífico, se O tivermos como fonte e modelo - para levar a cabo tarefas movidos unicamente por um sentimento, por melhor que seja. Precisamos do dever, do elo do fazer com a consciência.

Há o aspecto desagradável e felizmente raro, de pais que não inspiram amor a seus filhos. Mesmo assim devem ser honrados, sem exceção. Mandamentos divinos não são cláusulas contratuais em que os advogados inserem brechas. Permitem-se, no máximo, atenuantes.

Colocamos, junto a esta introdução, um link para um texto em inglês que circula na internet, sob o título * What She Has to Offer (O que ela tem a oferecer ). Trata desse assunto com muita delicadeza e emoção, principalmente para aqueles que cuidam de idosos amados, que já não são tão ativos quanto costumavam ser. Faz-nos pensar também no nosso futuro, quando nossa velocidade e iniciativa para servir estiverem comprometidas. E a conclusão é um bálsamo para ambos os corações, dos cuidados e dos cuidadores.

A autora resume essa mensagem em uma frase inesquecível, para mim: "I know it must be terrible to grow old and infirm and to lose your intellect, but I want my mother to know she is valuable because she is loved, not because she is useful. ( Eu sei que deve ser terrível envelhecer, perder o vigor e o intelecto, mas eu quero que minha mãe saiba que ela é valiosa porque é amada, não porque é útil".

Eu acrescentaria: "e porque continua amando". É importante dar tarefas àqueles que já não fazem seus trabalhos como antes; porém, mais fundamental ainda é que se sintam amados e que percebam que sua capacidade de amar e dar exemplo de dignidade não corresponde à atual fraqueza de seu corpo. Ser ouvido e admirado por sua experiência de vida fortalece muito seu amor próprio.

Minha mãe me agradece cada coisa que tenho o privilégio de fazer por ela ( e o de tê-la comigo), e nesses momentos eu me lembro de quanto trabalho e dedicação ela sempre teve com a minha saúde, na minha infância e adolescência (sou asmática). Mas eu a deixo agradecer, embora brinque com ela, como essa autora. É vital e benéfico para as pessoas agradecer, pois pressupõe que há quem as ame e as mime (um pouco de mimo é delicadeza, não faz mal). A gratidão reconhece um ato de amor que aconteceu antes. É, portanto, um duplo bem.

sábado, 9 de julho de 2011

Ótimo filme:" Minhas Tardes com Margueritte”,

Por Patricia Carol Dwyer

“Minhas Tardes com Margueritte”, de Jean Becker (La Tête en Friche, França, 2010)
Atores: Gérard Depardieu/Gisèle Casadesus.

Linda estória de um homem que fora criado por mãe bastante instável de humor, que por tê-lo rejeitado e criticado sempre, deixou-o inferiorizado, complexado por ter dificuldade para ler e lentidão para compreender, e negando-lhe a informação de quem seria seu pai.

Apesar disso, Germain, tendo um grande coração, tentava ajudar os amigos, todos gozadores, já que dizia muita bobagem e fazia confusão para se expressar adequadamente. Essa parte é bem comédia, mas o que é central na estória, é a sua transformação para melhor, através de um encontro no parque com uma senhora muito gentil e sensível, que dava comida aos pombos, como ele também gostava de fazer.

Com o aprofundamento dessa nova amizade, ele aprendeu a ler adequadamente e a compreender o sentido dos pensamentos das poesias lidas em voz alta pela senhora, a qual vivia numa casa de repouso para idosos, já que seus sobrinhos, únicos parentes, não queriam que morasse com eles, embora pagassem as suas despesas.

Há vários relacionamentos paralelos entre outros personagens, amigos, namorada, levando a um final ainda mais surpreendente e comovente, reconfortante!

Acredito que um público de jovens mais amadurecidos, adultos em geral e idosos, todos aproveitarão muito as lições de bondade, simplicidade, humildade e generosidade que superam qualquer maldade nessa estória.

sábado, 16 de abril de 2011

As crianças frente á morte

Em um artigo da acidigital encontramos excelentes sugestões de como nos preparar e preparar nossos filhos para a morte de um ente querido

* É importante explicar de forma clara a nossos filhos o acontecido. Não é bom dizer que a pessoa falecida foi viajar, nem dizer que dormiu. Ambas afirmações criam nas crianças a idéia de que esta pessoa retornará de sua viagem ou despertará de seu sono. Sabe-se também que algumas crianças que temem dormir porque identificaram o sono com a morte.
Não se deve temer o uso de palavras como "morte" ou "morto" que, nas crianças maiores, dará uma idéia clara do que aconteceu

* Não é bom ser muito detalhado sobre como aconteceu a morte do ser querido, a explicação deve ser breve e clara.

* Deve-se estar atento e esquadrinhar os sentimentos das crianças já que, os mais pequenos, costumam ter a sensação de ser culpáveis da morte do ser querido. Deve ser explicado de forma clara que o que eles tenham dito ou pensado não provocou a morte do ser querido.

* As crianças, segundo suas idades, entendem a morte de diversas maneiras. Em geral os mais pequenos não entendem o significado da morte até os três anos. Entre os três e os cinco anos costumam considerar a morte como um estado reversível e temporário. Depois dos cinco anos entendem que a morte é um estado definitivo, mas até os dez anos não acreditam que possa acontecer com eles. Então aos dez anos costumam entender que a morte é um estado definitivo e que necessariamente todos chegamos a ela. Claro que isto não é matemático e muitas das crianças que já passaram pela triste experiência que significa perder um ser querido, costumam ser muito adiantados na compreensão deste fenômeno.

* Acredito que não se deve impedir que participem do velório enterro, embora tampouco se deva obrigar a participar disso. No caso de que eles queiram estar presentes, deve ser-lhes explicado anteriormente o que vão ver nesse momento. Ao permitir-lhes participar destes eventos lhes damos a possibilidade de experimentara sensação de uma despedida definitiva.

* Não devemos temer chorar diante de nossos filhos, eles compreenderão e nos acompanharão na dor, mas acredito que devemos evitar situações de gritos escandalosos e sinais de desesperação, podem deixar neles uma imagem sumamente negativa e desesperançada.

* Se a criança sente desejos de expressar sua dor, não devemos impedi-lo. Talvez o melhor seja ajudá-lo a que o fazem comunicando-lhes que nós também compartilhamos essa pena.Quando a dor não é exteriorizada pode se manifestar de maneiras não conscientes (pesadelos, dificuldades na escola, etc.)

* As crianças se sentem mais consolados com um abraço que com palavras sentidas.

* Se tem fé e se acredita na vida eterna, a questão será mais simples, menos penosa. Porque essa separação definitiva, se transforma na esperança de nos reunirmos com a pessoa amada no final de nossos dias na presença do Pai Eterno.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

10 Mandamentos para a 3ª Idade

Por Maria Teresa Serman

Estes são mandamentos para os que estão na maturidade se prepararem para a chamada 3ª Idade. Foram adaptados de um e-mail que circula na internet:

1- Não se aposente para se tornar a praga da família: a gente se aposenta do trabalho profissional externo, não das outras atividades, nem da vida. E não pode exercer uma nova profissão - a de chato do lar.

2- Preserve sua independência. "Melhor é usar suas economias para ter uma vida feliz e tranquila. Não economize no item moradia. Usufrua de conforto e segurança, não seja mesquinho consigo mesmo. Há coisas que não são luxo em certa idade, mas bem-estar.

3-Mantenha o governo de usas finanças. Ajude os filhos e quem precisar, seja generoso, porém prudente. Reserve um montante para emergências e pague o melhor plano de saúde que puder.

4-Cultive as amizades, faça novas, não fique recluso e macambúzio, achando que não há mais nada a acrescentar à sua vida. Você se surpreenderá se sair do casulo e se comunicar.

5-Cuide da aparência e da mente, mantenha-se ativo e interessante, interna e externamente. Continue indo regularmente ao cabeleireiro, barbeiro, pedicure, manicure. Vá ao teatro e ao cinema.

6-Seja cordial com os vizinhos. Não se torne o (a) “mala" do condomínio, aquele que reclama de tudo e a todos critica. Aprenda a usar um MP3 e afaste-se dos ruídos indesejáveis, mas não das pessoas. Sorria, cumprimente, ajude.

7-Não se intrometa na vida alheia, nem na dos filhos. Deixe seu nariz no rosto e a língua dentro da boca. Só dê conselhos quando solicitado e, mesmo assim, com parcimônia e delicadeza. Elogie, faz bem, principalmente noras, genros e netos.

8-Mais idade não significa presunção. Seja moderno, atualize-se, sem bancar o garotão ou a gatona. Demonstre humildade e aprenda com os jovens, pois isso rejuvenesce a mente e pacifica a alma.

9-Fora com a ranzinzice. A idade não nos dá o direito de sermos desagradáveis, reclamadores. Não queira que os outros desejem vê-lo(a) pelas costas, ou pior, a sete palmos.

10-Não fique falando de si mesmo(a), pois corre o risco de repetir “trocentas” vezes aquela história que ninguém mais aguenta ouvir. Fale menos, ouça mais. Sua vida será mais útil, e divertida.

A esses acrescento mais um, que considero o primeiro. Reze, aproxime-se de Deus, ou reaproxime-se, se andou distante. O Pai acolhe sempre os seus filhos, pródigos ou não. Ele é a fonte da eterna juventude e nos faz andar por "verdes pastagens" e caminhos seguros. Feliz quem a Ele se confia.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Prepare o seu futuro (2) - respeite o ritmo dos idosos

Por Maria Teresa Serman

Com o passar do tempo, o ritmo mental e físico se altera inexoravelmente. Alguns ainda continuam aptos para os afazeres normais; porém, a memória do corpo, como costumo me referir ao cansaço e às sequelas que o trabalho, as exigências e os sofrimentos da vida vão imprimindo em nós com o passar dos anos, essa nunca esquece, está lá, para lembrar que já não somos jovens e que a nossa história permanece viva em nossa mente, em nossos membros, em nossa alma. É prudente respeitar essa memória, em nós mesmos e principalmente nos outros.

Os idosos tendem a ficar mais lentos e prolixos, é natural. Alguns, por sofrerem de solidão, puxam conversa em qualquer ocasião - nas filas, com o caixa, com o atendente do banco - enfim, às vezes nos atrasam e nem se dão conta disso. Haja paciência, mas é preciso tolerar esses atrasos sem perder a linha, pois também nós ficaremos assim. Embora não gostemos da idéia, é claro. Um ouvido disponível e um sorriso podem fazer um pouco de companhia a alguém que não tem com quem conversar.

As ruas são ameaças para idosos e portadores de necessidades específicas, com seus buracos, sinais rápidos demais e pessoas se esbarrando, na pressa de chegar mais cedo não se sabe aonde, para fazer mais depressa não sei o quê. Não custa ajudar, DISCRETAMENTE, para que não se sintam humilhados, seja fazendo sinal para os carros esperarem enquanto acabam de atravessar, ou cedendo um lugar melhor, ou ainda facilitando sua passagem. Gentileza gera gentileza, não é o que se diz? Pura verdade.

Se com estranhos é difícil ter tolerância, imagine em casa, com aqueles com quem convivemos diariamente. Quando perceber que vai perder a paciência, pense em tudo que ele, ou ela, já fez por você em particular e pela família em geral. Idosos são teimosos, não é uma rima, mas a realidade. O que não puder ou não conseguir mudar neles não deve tirar-lhe a paz. Mude a estratégia, leve na brincadeira, não dê tanta importância às rabugices, geralmente elas não fazem muita diferença no que é realmente fundamental. Frequentemente, o cuidador principal, filho ou neto, sofre muito desgaste pois está sempre atento para mil detalhes, desde remédios até compras domésticas. É vital pedir ajuda, contratar pessoas idôneas, se aconselhar com quem entende. Sem isso, fica impossível dar conta e estar feliz, fazendo a outra pessoa feliz também.

Velhice não é castigo, e sim o tempo de usufruir da sabedoria que a experiência semeou. Tempo de aproveitar com tranquilidade a família que construiu; de descansar, após tantos anos de trabalho e esforço; de passear por lugares que estejam preparados para lhe dar conforto e segurança. Tempo, antes de tudo, de agradecer a Deus pelas graças abundantes que lhe foram e são concedidas cotidianamente, minuto a minuto.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Prepare o seu futuro (1) - valorize sua família

Por Maria Teresa Serman

Vivemos nossa vida como se não houvesse o mais tarde. Podemos ser precavidos em relação a pecúlios e previdências privadas, mas negligenciamos nosso futuro afetivo. Não procuramos investir no amor que temos, de modo que ele nos proteja em tempos mais difíceis. E, sem dúvida, o que colhemos na maturidade e na velhice depende diretamente do carinho que prodigalizamos ao longo da vida.

Quando se vêem idosos abandonados em casas geriátricas, sem visitas de parentes, é comum acusar de ingratos filhos e netos, sem atentar para a história anterior do relacionamento familiar. Não que não haja abandono e descaso por simples negligência, e nem deveria haver nada do gênero, mas, na absoluta maioria dos casos- quem trabalha no meio sabe bem - a causa está na reciprocidade. Lembram da frase de S. João da Cruz, citada em texto passado, "Põe amor e encontrarás amor" ? Pois é, a fórmula não é matemática; porém, quase infalível. Se, com o passar dos anos, a tendência é ficarmos mais teimosos, ranzinzas e pessimistas, podemos começar por ir contra a corrente, contrariando desde cedo essa "obrigatoriedade": vamos procurar ser mais dóceis, otimistas e generosos.

Não dá para confiar somente no bom gênio de cada um, é preciso lutar e combater a deteriorização que os anos trazem ao humor. Sei que há jovens já azedos e rabugentos, assim como anciãos alegres e benfazejos. São estes uma benção para suas famílias, pois aliam ao tesouro de sabedoria que carregam uma roupagem atraente que faz com que todos queiram beber desse elixir de juventude. São estes os pais que criaram com amor e presença seus filhos, sem economizar tempo ou trabalho para lhes demonstrar o quanto eles e Deus os ama. São estes também os filhos que cuidaram com detalhes de delicadeza dos seus próprios pais, e, por isso, conforme a promessa sagrada, "terão vida longa sobre a terra". São ainda os que não se limitaram ao núcleo mais íntimo, mas foram além, e seu afeto alcançou tios, sobrinhos, amigos, colegas, empregados.

E se descobrimos casais que continuam caminhando juntos pela vida e pelas calçadas esburacadas, apoiando-se um no outro, com a marca inconfundível da fidelidade entrelaçando os braços, podemos ter certeza de que isso deve ter lhes custado muito em vários momentos do seu conto de amor. Contudo, perseveraram e podem desfrutar agora desse companheirismo que aquece seus corações. Felizmente todos nós conhecemos e, grande benção! , temos a honra de ter alguns desses esplêndidos exemplares da espécie humana em nossa família. Dá para continuar acreditando na humanidade, é uma prova palpável da existência de um Pai que ensina seus filhos a amar até a eternidade. Desculpem se sou piegas, mas o tema é, realmente, um negócio de família. E, para completar a pieguice, dedico este texto a meus pais e a meus sogros, as minhas bênçãos mais próximas. Dediquem vocês também, em seus corações, aos que incluem nesse quadro, vivos ou não, e vamos procurar imitá-los.