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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Palavras para dizer mais vezes




Perdão - a cada filho pelas palmadas que dei.  Sei que os forjaram homens e mulheres fortes. Mas com certeza foi a duras penas. Não vou dizer que doeram mais em mim do que neles. Porque na hora da raiva nem o remorso havia. A desculpa era de que sendo muito jovem, acabávamos brigando quase de igual pra igual. Sem noção dos estragos que poderia causar com essas atitudes. 

O "aprontou, levou" - Poderia ter sido feito de outra maneira. Atitudes diferentes fariam toda a diferença.  Hoje peço perdão. 

Eu te amo - uma frase bonita, diz tudo em três palavras, porém muito difícil de dizer com naturalidade, ainda mais na correria diária. Com certeza devia dizer mais vezes ao pé do ouvido de cada filho e do marido. Quantas oportunidades perdemos, as atitudes mostravam esse amor, mas as palavras com certeza teriam um peso bem maior. 

Obrigado - pelo tanto de coisas que aprendi com eles. Quantos obrigados deixaram de ser dito.  Como mãe ensinamos muito a agradecer, mas às vezes a gratidão por serem carinhosos, ou por querem estar sempre perto de nós, ou pedindo nossa companhia, não foram bem agradecidas. 
                                      
O tempo passa muito rápido.  Vamos aproveitar cada momento com esses seres que são a razão do nosso viver, com mais intensidade, com mais demonstrações de amor verdadeiro. Nunca é demais. Sem esquecer-nos de que as nossas atitudes também falam por nós.



Quantas coisas deixamos de dizer aos nossos filhos, justamente pela correria em que vivemos, por querermos fazer o melhor, o mais bem feito, e esquecemos dessas pequenas palavras que fazem toda a diferença, e acalenta o coração dos nossos ente queridos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Amor e respeito - como vão nos dias atuais?

Achei o filme que segue abaixo, na internet, e gostei muito das reflexões feitas  por esse  psicólogo Paulo Silva. Não o conheço e nem sei sua linha de conduta, porém sobre este assunto do amor dos pais e o respeito dos filhos ele foi muito claro e bem incisivo.

Vale a pena assistir e refletir sobre essas considerações.



sexta-feira, 4 de novembro de 2016

“Tem sempre um pé de chinelo velho para um pé doente calçar.”

Este ditado popular, muito falado pelos antigos, define bem a situação de cada um de nós. 

Nunca devemos desistir de encontrar a nossa felicidade ao lado de um grande amor. Também nunca devemos desistir de um amor que está ao nosso lado, porque ele é o nosso pé de chinelo, o nosso complemento. Velho ou novo é o que se encaixa ao nosso lado. 

Quando somos jovens e estamos à procura de alguém para ser nosso marido ou esposa, tendemos a por muitos itens de necessidades nesta pessoa. Bonito, alto, louro, magro, atlético, perfumado, gentil, alegre, rico, e por aí vão os nossos pré-requisitos para o príncipe ou a princesa. Muitas vezes esquecemo-nos de nos examinar também com o mesmo rigor. Sendo assim ficamos com um olhar distante, procurando tão além que não reparamos na pessoa bem perto de nós que tão bem pode ser o verdadeiro companheiro para toda uma vida, aquela pessoa que vamos amar e vai nos amar com todo o seu coração.

É o nosso “pé de chinelo para o nosso pé calçar". É o nosso complemento, aquele ou aquela que preenche, não uma lista interminável de requisitos, mas a pessoa que podemos amar e que nos amará apesar das diferenças e dificuldades. Esta pessoa, real, concreta, junto da outra formará a família que tanto cada um de nós quer para si. 

Os sonhos são bons, preenchem o tempo, distraem, mas são sonhos, a realidade é mais natural, feita de pessoas do dia a dia. Aquelas que andam pelas ruas, que trabalham, estudam, as que têm virtudes e defeitos, as feias e as bonitas, mas cada uma vai se encaixar como uma luva em outro alguém. 

Vamos dar uma segunda chance a quem se aproxima de nós. Dos que buscam o matrimônio como sua forma de ser feliz.  Olhar o outro ou a outra com olhos do coração, vendo o interior. É com essa parte que vamos conviver a maior parte da nossa vida. A beleza acaba, a juventude acaba, mas o conteúdo, a bagagem que cada um tem dentro si, essa vai continuar até o fim. 

Vemos tantas pessoas belas, deslumbrantes e infelizes. Não vamos colocar nossos desejos em coisas vãs. Vale a pena investir no chinelo que se adapta a nós.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Aprendendo a agradecer desde as primeiras palavras.

Devemos ensinar aos nossos filhos, desde bem pequenos a serem gratos e a agradecer por tudo que recebem. Eles apreenderão com nosso exemplo, e com nosso estímulo para que agradeçam a todas as coisas, como: a água que recebem, a comida, os presentes; que saibam pedir e saibam agradecer.

Encontrei essa explicação no filme que coloco abaixo, sobre os níveis de agradecimento. Vale a pena ver, e posteriormente explicar a garotada maior, que já tem entendimento, o valor do agradecimento.

Hoje falam muito em "gratidão”, como algo vago, meio fora do contexto. Vale a pena compreender o sentido concreto de ser grato e de se sentir obrigado.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Como o mau humor aparece em nós

No dia a dia, pode ser que o mau humor se apresente com frequência.  Revestido de faces diferentes:

- Reações bruscas

Com uma brincadeira do filho, fechada no trânsito, uma gaveta que enguiça.
-Silêncio
Silêncios do mau humor → não diz nem “Bom Dia”.  Atende ao telefone monossilábica.  Refugia-se no canto, vendo TV ou ouvindo música. São os isolamentos do mau humor que nos fecham no quarto e nos impedem de sair.
-Tristeza
Um azedume interior.  Uma insatisfação consigo mesma.  Uma dificuldade para sorrir e ver o lado bom das coisas.
-Brigas
Já começa no café da manhã a discutir com a filha. Uma briga interior com a vizinha: “Não agüento mais esse gato!”

E quais são as causas do mau humor?

Pode ser cansaço, indisposição física, dores: “Trabalhei tanto, e minha filha vem com exigências insensatas...”. A mais frequente causa do mau humor é o orgulho ferido.  Às vezes um erro, uma desatenção ou um esquecimento, um descuido.

- “Como isso acontece comigo?  Como fui deixar?”

Uma brincadeira no trabalho, um comentário da vizinha, de alguém no supermercado. Ou você pensava que conseguiria algo que fracassou. “Como não realizei isso?” Ou voltou a acontecer o mesmo erro da outra vez: “Já voltei a ser agressiva!”; “Deixei tudo em desordem...”.

São essas marcas que o orgulho ferido pode nos deixar... As decepções podem nos deixar mal-humoradas. Tal pessoa te desprezando, ou tentando te enganar.

As pessoas descobrem os caminhos para ter um bom humor habitual. Devemos buscar essa postura.
Uma atitude das que estão habitualmente voltadas para os outros e têm pouco espaço para olhar o seu problema.

Alice, em “Alice no País das Maravilhas”, encontra uma duquesa mal-humorada que dizia: _ “Cortem-lhe a cabeça!” Por qualquer contrariedade.
“-Se cada um cuidasse da própria vida, todo o mundo andaria mais depressa...”
-“Isso não  adiantaria nada!” – respondeu Alice.
E a duquesa ordenou que lhe cortassem a cabeça.

Se cada um cuidasse de sua própria vida, todo o mundo andaria de mau humor.

Temos que olhar para os outros com bons olhos. Que culpa tem a família pelo seu mau humor?  Nenhuma.  Vamos botar uma cara alegre! A vendedora da loja, por que deve aguentar uma fisionomia fechada? Podemos descarregar nossos problemas em Deus; os santos faziam isso.   Algo que você não está entendendo, busque a Deus.Só com esses meios, você poderá ter um bom humor constante.  Porque alguns momentos de bom humor e outros de mau humor, todos conseguem.

Só ter mau humor; já é motivo para ir ao médico! Almejamos estar de bom humor, em todas as circunstâncias da vida. As desilusões, o que me contraria, tudo faz parte da vida.

É importante mostrar que você não é dominado pelos humores interiores.  Sua postura mostra a fé.
Bom seria que as pessoas pudessem constatar mudanças nesse sentido.
 
Imagine um filho dizendo: antes você vivia mal-humorado, agora não.  O que aconteceu?
Seria bom que o marido notasse: “Não sei se é alguma medicação que você está tomando, mas você mudou”.

Vamos lutar para não estarmos nunca de mau humor.  Para vivermos de bom humor.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Alegria do Amor” – parte 4- A REALIDADE E OS DESAFIOS DAS FAMÍLIAS

Nosso Papa Francisco escreveu uma bela carta apostólica, em abril deste ano. Vou transcrever aqui aos poucos, algumas partes, para que reflitamos sobre os pontos que mais tocam as famílias.

A REALIDADE E OS DESAFIOS DAS FAMÍLIAS

O bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja. Inúmeras são as análises feitas sobre o matrimônio e a família, sobre as suas dificuldades e desafios atuais. É salutar prestar atenção à realidade concreta, porque «os pedidos e os apelos do Espírito ressoam também nos acontecimentos da história» através dos quais «a Igreja pode ser guiada para uma compreensão mais profunda do inexaurível mistério do matrimônio e da família». 

A situação atual da família

«Fiéis ao ensinamento de Cristo, olhamos a realidade atual da família em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras. Hoje, a mudança antropológico-cultural influencia todos os aspectos da vida e requer uma abordagem analítica e diversificada». Já no contexto de várias décadas atrás, os bispos da Espanha reconheciam uma realidade doméstica com mais espaços de liberdade, «com uma distribuição equitativa de encargos, responsabilidades e tarefas (...). Valorizando mais a comunicação pessoal entre os esposos, contribui-se para humanizar toda a vida familiar. Nem a sociedade em que vivemos nem aquela para onde caminhamos permitem a sobrevivência indiscriminada de formas e modelos do passado». Mas «estamos conscientes da direção que vão tomando as mudanças antropológico-culturais, em razão das quais os indivíduos são menos apoiados do que no passado pelas estruturas sociais na sua vida afetiva e familiar».

Por outro lado, «há que considerar o crescente perigo representado por um individualismo exagerado que desvirtua os laços familiares e acaba por considerar cada componente da família como uma ilha, fazendo prevalecer, em certos casos, a ideia dum sujeito que se constrói segundo os seus próprios desejos assumidos com caráter absoluto. «As tensões causadas por uma cultura individualista exagerada da posse e fruição geram no seio das famílias dinâmicas de impaciência e agressividade». Gostaria de acrescentar o ritmo da vida atual, o stress, a organização social e laboral, porque são fatores culturais que colocam em risco a possibilidade de opções permanentes. Ao mesmo tempo, encontramo-nos perante fenômenos ambíguos. Por exemplo, aprecia-se uma personalização que aposte na autenticidade em vez de reproduzir comportamentos prefixados. É um valor que pode promover as diferentes capacidades e a espontaneidade, mas, se for mal orientado, pode criar atitudes de permanente suspeita, fuga dos compromissos, confinamento no conforto, arrogância. A liberdade de escolher permite projetar a própria vida e cultivar o melhor de si mesmo, mas, se não se tiver objetivos nobres e disciplina pessoal, degenera numa incapacidade de se dar generosamente. De fato, em muitos países onde diminui o número de matrimônios, cresce o número de pessoas que decidem viver sozinhas ou que convivem sem coabitar. Podemos assinalar também um louvável sentido de justiça; mas, mal compreendido, transforma os cidadãos em clientes que só exigem o cumprimento de serviços.

Se estes riscos se transpõem para o modo de compreender a família, esta pode transformar-se num lugar de passagem, aonde uma pessoa vai quando lhe parecer conveniente para si mesma ou para reclamar direitos, enquanto os vínculos são deixados à precariedade volúvel dos desejos e das circunstâncias. No fundo, hoje é fácil confundir a liberdade genuína com a ideia de que cada um julga como lhe parece, como se, para além dos indivíduos, não houvesse verdades, valores, princípios que nos guiam, como se tudo fosse igual e tudo se devesse permitir. Neste contexto, o ideal matrimonial com um compromisso de exclusividade e estabilidade acaba por ser destruído pelas conveniências contingentes ou pelos caprichos da sensibilidade. Teme-se a solidão, deseja-se um espaço de proteção e fidelidade, mas, ao mesmo tempo, cresce o medo de ficar encurralado numa relação que possa adiar a satisfação das aspirações pessoais.

Como cristãos, não podemos renunciar a propor o matrimônio, para não contradizer a sensibilidade atual, para estar na moda, ou por sentimentos de inferioridade face ao descalabro moral e humano; estaríamos a privar o mundo dos valores que podemos e devemos oferecer. É verdade que não tem sentido limitar-nos a uma denúncia retórica dos males atuais, como se isso pudesse mudar qualquer coisa. De nada serve também querer impor normas pela força da autoridade. É-nos pedido um esforço mais responsável e generoso, que consiste em apresentar as razões e os motivos para se optar pelo matrimônio e a família, de modo que as pessoas estejam mais bem preparadas para responder à graça que Deus lhes oferece.

 Ao mesmo tempo devemos ser humildes e realistas, para reconhecer que às vezes a nossa maneira de apresentar as convicções cristãs e a forma como tratamos as pessoas ajudaram a provocar aquilo de que hoje nos lamentamos, pelo que nos convém uma salutar reação de autocrítica. Além disso, muitas vezes apresentámos de tal maneira o matrimônio que o seu fim unitivo, o convite a crescer no amor e o ideal de ajuda mútua ficaram ofuscados por uma ênfase quase exclusiva no dever da procriação. Também não fizemos um bom acompanhamento dos jovens casais nos seus primeiros anos, com propostas adaptadas aos seus horários, às suas linguagens, às suas preocupações mais concretas. Outras vezes, apresentámos um ideal teológico do matrimônio demasiado abstrato, construído quase artificialmente, distante da situação concreta e das possibilidades efetivas das famílias tais como são. Esta excessiva idealização, sobretudo quando não despertámos a confiança na graça, não fez com que o matrimônio fosse mais desejável e atraente; muito pelo contrário.