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domingo, 20 de julho de 2014

Os benefícios dos Métodos Naturais – O relacionamento familiar

Por Luciana Aguilar*

A Igreja Católica, com vistas a possibilitar o espaçamento entre as gestações e os filhos em conformidade com a vontade de Deus, orienta ao uso de Métodos Naturais como forma de planejamento da família. Entretanto, podemos observar que o uso dos Métodos Naturais oferece diversos benefícios aos casais e às famílias, independentemente da fé que professam, bem como à sociedade em geral.

Um importante benefício diz respeito ao relacionamento familiar, tanto o conjugal, entre os esposos, quanto na relação destes com os filhos. A base dos Métodos Naturais é o diálogo entre os esposos, pois, para que tenham êxito, é necessária uma boa comunicação entre eles. Ao dialogarem sobre suas necessidades e anseios, constroem uma relação baseada na troca e no conhecimento mútuo, possibilitando respeito, carinho e companheirismo.

Do mesmo modo, permitem que o casal assuma a responsabilidade da sua fertilidade, fortalecendo as tomadas de decisão e pensando nos filhos como consequência do amor conjugal. Assim, é possível que se preparem para a chegada dos filhos, acolhendo-os desde o início da gestação e encarando-os como um dom.

Por fim, o casal que consegue se beneficiar do diálogo necessário para o uso dos Métodos Naturais como instrumento para a harmonia conjugal, tende a levar esta forma de relacionamento para a educação dos filhos. Estes, além de terem pais treinados para o diálogo, experimentam os benefícios de uma vivência familiar harmoniosa e com isso, tendem a desejar para si a formação de uma família nos mesmos moldes.

Ou seja, mais do que o mero planejamento familiar e – no caso dos católicos - a obediência aos ditames da Igreja, o casal que utiliza os Métodos Naturais pode, por meio da vivência das regras dos métodos, construir uma família baseada no diálogo e no respeito das necessidades de todos, sendo modelo de família para os filhos e aqueles que se encontram próximos. Nos próximos textos falaremos de outros benefícios que os Métodos oferecem às famílias e à sociedade.

Luciana Aguilar - é católica, casada com Wander e mãe de três. Socióloga, servidora pública federal. É uma brasiliense encantada por Brasília, cidade onde mora. Tem duas grandes paixões: o Fluminense e uma boa comida.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Os valores mais importantes do matrimônio

Numa entrevista, com o então prelado do Opus Dei, São  Josemaria Escrivá, falou com muita propriedade sobre o matrimônio. E aqui transcrevo uma parte, onde ele fala mais diretamente ao casal.

“O matrimônio existe para que aqueles que o contraem se santifiquem através dele: para isso os cônjuges têm uma graça especial conferida pelo sacramento instituído por Jesus Cristo. Quem é chamado ao estado matrimonial encontra nesse estado — com a graça de Deus — tudo o que necessita para ser santo, para se identificar cada dia mais com Jesus Cristo, e para levar ao Senhor as pessoas com quem convive.

Por isso penso sempre com esperança e com carinho nos lares cristãos, em todas as famílias que brotaram do Sacramento do Matrimônio, que são testemunhos luminosos desse grande mistério divino — sacramentum magnum! (Ef 5, 32), sacramento grande — da união e do amor entre Cristo e a sua Igreja. Devemos trabalhar para que essas células cristãs da sociedade nasçam e se desenvolvam com ânsia de santidade, com a consciência de que o sacramento inicial — o batismo — confere já a todos os cristãos uma missão divina, que cada um deve cumprir no seu próprio caminho.

O esposos cristãos devem ter a consciência de que são chamados a santificar-se santificando, de que são chamados a ser apóstolos, e de que seu primeiro apostolado está no lar. Devem compreender a obra sobrenatural que supõe a fundação de uma família, a educação dos filhos, a irradiação cristã na sociedade. Desta consciência da própria missão dependem, em grande parte, a eficácia e o êxito da sua vida: a sua felicidade.

Mas não esqueçam que o segredo da felicidade conjugal está no quotidiano, não em sonhos. Está em encontrar a alegria escondida de chegarem ao lar; no trato afetuoso com os filhos; no trabalho de todos os dias, em que toda a família colabora; no bom humor perante as dificuldades, que é preciso enfrentar com esportivismo; é também no aproveitamento de todos os avanços que nos proporciona a civilização, para tornar a casa agradável, a vida mais simples, a formação mais eficaz.

Àqueles que foram chamados por Deus para formar um lar, digo constantemente que se amem sempre, que se amem com aquele amor entusiasmado que tinham quando eram noivos. Pobre conceito tem do matrimônio — que é um sacramento, um ideal e uma vocação — quem pensa que a alegria acaba quando começam as penas e os contratempos que a vida sempre traz consigo. Aí é que o amor se torna forte. As enxurradas das mágoas e das contrariedades não são capazes de afogar o verdadeiro amor: une mais o sacrifício generosamente partilhado. Como diz a Escritura, aquae multae — as muitas dificuldades, físicas e morais — non potuerunt extinguere caritatem (Cant. 8, 7) — não poderão apagar o carinho.- retirado do livro - Questões atuais do cristianismo.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Brigas de casal – como lidar.

Os Filhos tem horror de verem os pais brigando, (pavor, pânico, medo). Muitas crianças têm pavores noturnos, pesadelos e a causa é que presenciaram um pequeno bate boca dos pais. A criança, com a violência atual fica muito insegura, e não sabe avaliar as consequências de uma briga do casal.

Se o que queremos é a felicidade no lar, não devemos torturar os filhos com as nossas brigas. Na família os adultos somos nos, crianças não se casam, logo, nós temos que dar o exemplo a eles, não brigando na frente deles.

Vamos brigar sim, muitas vezes, mas até para brigar tem que ter ciência: longe das crianças, sem gritos, sem agressões verbais e sem fazer dos filhos nossos reféns.

Caso não consigamos agir dessa forma correta, e brigarmos diante deles, temos que dizer-lhes que nós brigamos, mas que já nos entendemos, e que já passou. Aos poucos os filhos vão perceber que somos humanos, (eles nos imaginam deuses), e por isso temos as nossas imperfeições que nos levam a essas pequenas brigas, para apararmos nossas diferenças.

Perdoar um ao outro, sempre é necessário, fazer um esforço para saber onde errou, e mesmo com a certeza de que não erramos ter a humildade de com um jeitinho desculpar-se pela discussão. Não precisamos sempre pedir desculpas, mas é bom, ajuda a praticarmos outras virtudes, como a da humildade e da temperança.

É importante, numa discussão cuidar do espelho de aumento nas divergências, brigas; as ofensas e as palavras dos outros nos ferem muito. Costumamos dar um enorme valor ao que nos ofendeu ou magoou e não avaliamos o quanto podemos ter ofendido o outro, na hora de reclamar ou brigar pelos nossos direitos.

Sejamos mais pacientes uns com os outos, as nossas diferenças pessoais podem causar, muitas vezes, atritos desnecessários. Cada um tem um ritmo de ser. Custa para a jovem mãe acorda durante a noite dez vezes? Sim, mas torna-se fácil com o tempo. Para o pai será um inferno, durante muito mais tempo. Ai é que precisamos ajustar e  respeitar o ritmo de cada um.


Se um apoia o outro, se um pensa no bem estar do outro, com certeza as brigas diminuirão. Passamos a ser mais generosos,  usando o nosso tempo ajudando o outro.

Não é uma questão de quem tem mais tempo pra cuidar das coisas, porque todos temos pouco. A questão é de tamanho. Qual o tamanho do meu coração? Como posso fazer isso?

O primeiro passo para evitarmos as desavenças é não sendo carga pesada para o marido ou para a mulher, o segundo passo é não sendo um baú sem alça, e o terceiro é não fazer muita manha nem criar muita dependência e, por fim,  ajudar  mesmo a servir, a ser útil.

Adiantar-se a alguns desejos do cônjuge, o qual vai se descobrindo aos poucos – tem aqueles que tem ciúmes do carro e outros não gostam que mexam no carro. Por exemplo: a mulher pode deixar o carro para o marido no portão, ver a água, o óleo, (nem sempre, mas como um agrado). O marido pode, ao chegar do trabalho, contar uma história para as crianças, para que a mulher termine o jantar, pode se oferecer para terminarem juntos a confecção da refeição.

Se o marido é um viciado em trabalho, sugerir um happy hours diferente, abrindo mão de alguma visita familiar, e fazer o programa de que ele tanto gosta: Ir pescar!

Velho ditado oriental: “quem não sabe sorrir não abre uma loja”, quem sabe sorrir sempre, transforma situações difíceis, longas, em algo melhor e trás segurança para todos. Veremos que a vida vale a pena, é uma jornada difícil, mas segura.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Crises no matrimônio

No início do casamento aprendemos a trocar o eu pelo nós. Conhecemos os gostos e manias do outro, e é aí que vamos  encontrar equilíbrio nas relações conjugais. É uma adaptação difícil. Aos poucos, passando os anos, já há um conhecimento maior, que vai ajudando a se entrar em harmonia, e então chegam os filhos, e os dois passam a ter uma tarefa em comum. Alegrarem-se juntos pelas mesmas coisas e sofrerem pelos mesmos motivos.

Nestes momentos é que podem começar as crises: a dos interesses diferentes - marido quer ver o jogo, mulher quer fazer piquenique; acomodar-se, e pôr os filhos em primeiro lugar; achar que tudo esta seguro; os sonhos que não falamos por vergonha ou imaturidade, e deixamos o tempo passar; a crise do sentimento de estar sendo lesada com infidelidades, consequência da monotonia reinante entre o casal. Também pode ser a de já não termos o mesmo viço do casamento, achar-nos um lixo e ficar com a sensibilidade a flor da pele, por causa  do apelo do lado de fora, das jovens e saradas! Isso nos levam às crises de  insegurança. Aí nos perguntamos: por onde começar a fazer mudanças? Estou disposta a colocar todos os meios para recuperar a solidez do meu casamento?

Os remédios para as crises podem ser: dominar a tendência a controlar e vigiar o outro, ser mais alegre, tratar o outro com mais habilidade e ternura. Gratificar cada mês e cada ano com um dia a dois, ou um presente, isto é, satisfazer um capricho de sua cara metade. Colorir o matrimônio, isso precisa ser com reciprocidade, ambos devem pensar no outro e tentar fazer o melhor para agradar. Ter uma vida sexual sadia, ela é natural e, portanto boa, é mais rica e densa do que os meros contatos corpo a corpo; tirar partido tanto dos aspectos físicos como psicológicos, é o encontro do próprio eu na entrega do outro.


Toda crise precisa ser encarada, num diálogo a dois, e sempre optando por fazer tudo dar certo, sem pensamentos negativos do tipo “não vale a pena”, lutar pela família é começar lutando pelo bem comum do casal, porque quando os dois estão bem, todo o restante estará também. Não devemos desistir nunca das nossas escolhas que fizemos por livre e espontânea vontade, na nossa juventude. As melhores escolhas são as que fazemos com o nosso uso total da razão e sempre inspiradas por Deus.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A família, a esperança da humanidade

 Demetrio Fernández , bispo de Córdoba - ForumLibertas.com
Nós não somos chamados para viver em paz, como indivíduos isolados. Todos nós somos chamados a viver como uma família. Viver em familiaridade com as Pessoas divinas, e viver em contato permanente com a família humana, a Igreja encontra a sua bela expressão e realização. "A Igreja é como que o sacramento da união dos homens com Deus e os homens se juntar uns aos outros”, constituindo-se como uma única família humana, a família dos filhos de Deus.

A família é a "igreja doméstica”, ou seja, um espaço de vida humana, onde está presente a Igreja fundada por Jesus Cristo. Na família somos amados, cada um de nós é tratado com carinho e deferência. É na família que nascemos e crescemos, no calor dos pais e avós que nos amam, e alguns irmãos e primos que nos ajudaram a crescer. Na família aprendemos a amar. Na família são atendidos especialmente os idosos e os doentes. E quando chega um momento de crise, a família é o principal recurso para se sentir apoiado e ter sucesso. E é na família que se compreende os desígnios de Deus  para os homens.

Neste plano amoroso de Deus , a família é a base da nossa vida e da nossa sociedade .

De acordo com o plano de Deus, a família é composta de união estável entre um homem e uma mulher, que professam amar e amar por toda a vida . União santificada pela bênção de Deus no sacramento do matrimônio, cujo vínculo é fonte permanente de graça e é inquebrável, e indissolúvel. União, que por sua natureza é aberto à vida e muitas vezes levam ao nascimento de novos filhos que completam o amor dos pais e são a coroação dos pais.

Este plano de Deus, o plano da família não foi destruída até mesmo pelo pecado original  e o castigo do dilúvio , com o qual tantas coisas foram arruinados.

No princípio, Deus os fez macho e fêmea e Deus viu que era muito bom, a fim de complementar  a extensão da espécie humana . Deus  confirmou o modelo de família  levando-o  a seu Filho Jesus Cristo.

Jesus Cristo abençoou o casamento em Caná e o casamento santificado elevando-o ao status de sacramento da união de Cristo com a própria Igreja. Jesus cheio de amor, um amor crucificado, mostra ao coração dos casais como devem amar sem medida, para dar nossas vidas totalmente para o outro e ambos para os filhos, para que eles saibam perdoar.

O amor conjugal, vivido por Cristo, não um sentimento que passa, mas o mais radical do coração humano, curados pela ,  nos capacita a amar uns aos outros como Ele nos ama até o fim, para dar a vida . E isso não é um heroísmo cristão, mas a graça de Deus, que é continuamente alimentada para os sacramentos, a Palavra, a vida de cada dia. É um amor que faz com que as dificuldades, por vezes, aumentem mais o amor.

Este amor dos cônjuges deve fluir como água corrente. Se ele estagna , apodrece . O amor conjugal está fluindo em uma abertura constante para a vida com responsabilidade de receber os filhos de Deus , como o melhor presente de casamento. O Magistério da Igreja insiste que o amor conjugal humano deve ser integral, exclusivo e frutífero, porque a pessoa atinge a sua plenitude no dom de si. Qualquer redução dessa doação é uma gota no dom de si mesmo , é uma diminuição da grandeza a que o homem ( macho ou fêmea ) é chamado. Entre os cônjuges , este dom recíproco se exprime mesmo na doação corporal, na linguagem da sexualidade que o próprio Deus colocou no coração do homem .

O prazer que acompanha a relação sexual não pode se tornar valor absoluto da relação entre homem e mulher. Quando tudo o que se busca é o prazer, a satisfação de si mesmo, o outro se torna o objeto, e o amor se torna egoísmo. A sexualidade é, então, a linguagem do egoísmo, do egoísmo mais terrível, porque utiliza o outro para seu próprio benefício. O que Deus tem feito - homem- sexualidade como uma expressão de amor genuíno, o homem ( macho ou fêmea ) pode tornar a linguagem corporal em puro egoísmo , o que leva a apreciar o outro a todo o custo , mesmo à violência física ou psicológica .

A família é a escola do amor , começando com os cônjuges . Deve marca cada dia que amam a liberdade do egoísmo, pela graça do perdão de Deus, para fazer os maridos entregues cada vez com um amor renovado.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O matrimônio ( trecho de uma entrevista com S. Josemaría Escrivá)


O matrimônio existe para que aqueles que o contraem se santifiquem nele e se santifiquem através dele; para isso os cônjuges têm uma graça especial, conferida pelo sacramento instituído por Jesus Cristo. Quem é chamado ao estado matrimonial encontra nesse estado - com a graça de Deus - tudo o que necessita para ser santo, para se identificar cada dia mais com Jesus Cristo, e para levar ao Senhor as pessoas com quem convive.

Por isso penso sempre com esperança e com carinho nos lares cristãos, em todas as famílias que brotaram do Sacramento do Matrimônio, que são testemunhos luminosos desse grande mistério divino - sacramentum magnum! (Ef. V,32), sacramento grande - da união e do amor entre Cristo e sua Igreja. Devemos trabalhar para que essas células cristãs da sociedade nasçam e se desenvolvam com ânsia de santidade, com a consciência de que o sacramento inicial - o batismo - confere já a todos os cristãos uma missão divina, que cada um deve cumprir no seu próprio caminho.

Os esposos cristãos devem ter a consciência de que são chamados a santificar-se santificando, de que são chamados a ser apóstolos, e de que seu primeiro apostolado está no lar. Devem compreender a obra sobrenatural que supõe a fundação de uma família, a educação dos filhos, a irradiação cristã na sociedade. Dessa consciência da própria missão dependem, em grande parte, a eficácia e o êxito da sua vida: a sua felicidade.

Mas não esqueçam que o segredo da felicidade conjugal está no cotidiano, não em sonhos. Está em encontrar a alegria escondida de chegarem ao lar; no trato afetuoso com os filhos; no trabalho de todos os dias, em que toda a família colabora; no bom humor perante as dificuldades, que é preciso enfrentar com esportividade. e também no aproveitamento de todos os avanços que nos proporcionam a civilização, para tornar a casa agradável, a vida mais simples, a formação mais eficaz.

Àqueles que foram chamados por Deus para formar um lar, digo constantemente que se amem sempre, que se amem com aquele amor entusiasmado que tinham quando eram noivos. Pobre conceito tem do matrimônio - que é um sacramento, um ideal e uma vocação - quem pensa que a alegria acaba quando começam as penas e os contratempos que a vida sempre traz consigo. Aí é que o amor se torna forte. As enxurradas das mágoas e das contrariedades não são capazes de afogar o verdadeiro amor: une mais o sacrifício generosamente partilhado. Como diz a Escritura, aquae multae - as muitas dificuldades, físicas e morais - non potuerunt extinguere caritatem (Cant.VIII,7) - não poderão apagar o carinho.

Extraído do livro A mulher e a família, de S. Josemaría Escrivá

sábado, 27 de outubro de 2012

A mística do "oxalá"



Por Maria Teresa Serman

Oxalá é uma palavra que tem dois significados no Brasil. Denomina uma entidade da umbanda, um orixá responsável pela criação e procriação. Mas sua origem é árabe, in shaa Allaah, significando "queira Deus"," tomara", expressando desejo de que algo aconteça, em nossa língua e o mesmo no espanhol. Dentro do assunto deste texto, o mais específico seria "quem dera eu....", denotando arrependimento, expectativas inexequíveis quanto ao passado. Ou seja, complexo de museu, atitude mumificadora, paralisante e pessimista.

A"mística do oxalá", "ojalateira" no termo espanhol, foi brilhantemente denunciada por S. Josemaria Escrivá, que aproveitava o trocadilho que seu idioma propiciava, para acrescentar outra conotação: uma teoria feita de lata, inconsistente, destrutível, sem valor. Trata-se do vício de pensar que alguma coisa fundamental, ou várias, dependendo da morbidez da vítima, deveria ter sido diferente em sua vida, o que a transformaria em uma maravilha, talvez uma perfeição, julgam os pobres enganados.

"Oxalá eu tivesse casado com o meu primeiro namorado"; "oxalá eu não tivesse casado com esta mulher"; "Oxalá eu tivesse ficado solteiro"; "oxalá eu não tivesse tido filhos (ou não tantos, ou tão poucos)"; "oxalá eu não tivesse sido só dona de casa e mãe", "oxalá eu tivesse dado mais atenção à família e menos ao trabalho": enfim, há lamentações para todos os (des)gostos. É preciso tomar consciência, porém, de que o passado já foi, o presente é agora e o futuro a Deus pertence, mas Ele quer nossa participação com qualidade.

SEMPRE HÁ TEMPO PARA MELHORAR, para ser feliz, para corrigir os erros, para deixar de olhar para o próprio umbigo emocional e se mexer em direção aos outros. Essa auto-piedade e vitimismo de ficar se arrependendo, sem tomar providências concretas para mudar, nada mais é do que egoísmo e soberba - são uma dupla terrível, não sei qual vem primeiro - , que conduz ao comodismo infeliz e degradante que consome uma pessoa, contamina a família, o ambiente de trabalho, a convivência social, e compromete perigosamente a alma.

O tempo de ser feliz e grato ao Pai por todas as graças que nos concedeu é já. Ficar no passado é andar para trás, regredir, em vez de avançar confiante na providência divina, explorando ao máximo os talentos que Ele nos deu, e principalmente enxergando que nossa vida valeu e vale a pena, os acertos superam os deslizes e fracassos. Oxalá Deus continue a nos abençoar e correspondamos à altura. E certamente vai ser assim.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O mistério do matrimônio


Por Maria Teresa Serman
"Assim devem também os maridos amar as suas mulheres, como o seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.
De fato, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo; pelo contrário, alimenta-o e cuida dele(...). Por isso, o homem deixará o pai e a mãe, unir-se-á à sua mulher e serão os dois uma só carne." 

Este trecho de uma leitura de S. Paulo nos faz retomar o tema que já comentamos bastante aqui, mas penso que nunca esgotaremos. Sempre é bom reforçar a certeza de que o matrimônio, como o concebe a Igreja Católica, é um sacramento, "sacramentum magnum", indica o próprio apóstolo, um grande sacramento e um mistério, interroga-se ele também, meio desconcertado, não sei se casou, não temos registro, provavelmente não, o que talvez lhe tenha proporcionado o papel de observador, e que observador deve ter sido, no melhor e mais profundo sentido.

Andamos cuidando muito do corpo, mas não como deve ser, como depósito da alma, criado à imagem e semelhança de Deus. Cultuamo-lo como algo precioso, uma estátua de carrara, um bem maior, mas para exibir. Esquecemos de seu aspecto transitório e precário, por mais atividades profiláticas e alimentação orgânica e sem radicais livres com que o cuidemos. Tudo isto é bom (os cuidados profiláticos, não o culto), só não se pode inverter as prioridades, pois dar ao corpo tudo que ele pede é traiçoeiro, porque ele não para de exigir o que quer. E não somos seus servos.

Se os cônjuges se amassem como os cultuadores de corpos amam os seus próprios, "que maravilha seria viver", como diz a canção. Não haveria descuidos, e, se houvesse, logo seriam corrigidos. Cuidados carinhosos e delicados seriam constantes, como respirar; afinal, respirar é o primeiro ato responsável pela manutenção do corpo, todos praticaríamos exercícios respiratórios preconizados por mestres orientais no assunto - já que é sabido que eles são muito mais hábeis do que nós, ocidentais, nesse campo. Iríamos, também, mais assiduamente ao médico, faríamos mais exames, cuidaríamos mais dos nossos hábitos.

POR QUE, ENTÃO, JÁ NÃO SEGUIMOS ESSAS PRÁTICAS NO NOSSO CASAMENTO???  Por que não cuidamos melhor um do outro? Por que não paramos para perceber, senão ouvir, os sintomas de alguma doença? Por que não exercitamos a prática de exercícios amorosos de carinho e atenção? Por que não oxigenamos o relacionamento com atividades prazerosas e divertidas, simples, ao alcance de todos os bolsos? E, principalmente, por que não levamos o casamento ao "médico" - que pode ser um terapeuta competente, um padre, um especialista em vida matrimonial - quando a doença COMEÇA a dar seus sinais? Por que não vemos o nosso amor como nós próprios?

É bonito falar, eu sei, difícil é fazer. Mas sempre há tempo, se há amor, e sempre se pode colocar amor onde parece, às vezes, que não há. Desculpem se parece confuso; porém, pode ser simples, e também emergencial, o que sempre é, em se tratando desse "mistério".