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sábado, 1 de agosto de 2015

Pais, contem-nos...

Recebi essa entrevista de uma amiga que encontrou na internet, e publico aqui uma parte.

Daniel Plazek é um gestor de vendas natural de Pittsburg, Pensilvânia (Estados Unidos). Ele e a mulher, Luisa, têm sete filhos, de idades compreendidas entre os 12 e os 26 anos.

Fale-nos um pouco de si e da sua família.
Nasci e cresci em Pittsburg, Pensilvânia. De sete irmãos, sou o do meio. Fui educado pelos meus pais na Igreja e tive uma vida simples… as nossas férias consistiam, quando muito, em visitar os avós em Milwaukee, Wisconsin. Parecia-me tão distante e exótico!
Graças à divina providência, conheci a Luisa, que viria a ser minha mulher, quando estudava na Universidade de Pittsburg. Ela era de uma família numerosa. Estava a especializar-se em Engenharia Eletrotécnica, e faltava-lhe um ou dois anos para se formar quando casámos. Tomou a valente decisão de deixar os estudos de engenharia e fazer um doutoramento em ser mãe a tempo inteiro. Estamos casados e felizes há 31 anos e temos sete filhos de idades compreendidas entre os 12 e os 27 anos (três filhas maravilhosas e quatro talentosos filhos). Continuamos a viver em Pittsburg e encanta-nos ter o Seminário Católico Bizantino como vizinho do lado. Fomos verdadeiramente abençoados com a possibilidade de a Luisa ficar em casa e poder educar os nossos filhos. Sou testemunha diária dos frutos do seu trabalho no crescimento dos nossos filhos.

A que se dedica profissionalmente e como concilia a sua profissão com o facto de ser pai?

Durante os últimos 16 anos tenho trabalhado como gestor de vendas para uma empresa que desenha e produz testes e simulações de equipa aeroespacial e outras indústrias. Este trabalho tem-me obrigado a viajar e estar longe da minha família. Tem sido duro. Contudo, tenho a certeza de que a vocação que Deus tem para mim é a de ser o provedor e protetor da minha família. Resultado: o meu casamento e a experiência como pai fortaleceram-me e tornaram-me melhor no que faço no meu trabalho.
Como vê o seu papel de pai em relação aos filhos?
Durante estes anos, houve alturas em que me sentia mais como motorista para os meus filhos do que como pai. Regressava a casa, vindo de fora, e passava as tardes e os fins-de-semana a levá-los de carro de aqui para ali. Mas olhando mais profundamente posso concluir que as nossas pequenas conversas no carro à ida e no regresso do futebol, da lacrosse, do campo de hóquei, basquete, etc. todas foram oportunidades de ensinar, amar, compreender e ajudar os meus filhos.
O que mais faço é rezar, e deste modo mostro-lhes um exemplo de como todos devemos viver do Evangelho, apoiando e amando a Igreja Católica e vivendo em obediência ao plano que Deus tem para nós. Embora seja imperfeito, confio na graça do Espírito Santo e no amor e paciência da minha mulher para me ajudar a lutar por ser melhor pai e marido.

Após quase 30 anos de experiência, que conselhos pode dar aos pais jovens?
Após 30 anos de casamento abençoado, continuo a cometer erros e a aprender com eles. Mas a traços largos, ofereço uma lista de conselhos:

1) Considera Deus como centro da tua vida; no teu casamento, família e trabalho diário.
2) Ele deu-te uma Igreja: utiliza-a, participa nela, beneficia dela.
3) Acolhe os Sacramentos. Todas as graças que derramam te fortalecem.
4) Rezem juntos em família: mesmo uma pequena oração ao sair de casa num dia ocupado é boa e saudável.
5) Cumpre todos os dias as obrigações do teu casamento; amar e estimar-se um ao outro. Nem sempre é fácil e divertido. Haverá ocasiões em que te sentes ferido ou feres aquele que amas. Quando isso acontecer… olha para os pontos 1, 2, 3 e 4.
6) Descobre a tua Fé, lê as vidas dos Santos e procura que os teus filhos as aprendam em casa e numa escola católica, se possível. As pessoas perguntam: Como alimentar um milhão de crianças com fome? … Uma por uma. Como converter o mundo?… Família por família… começa em casa.
7) Todos os problemas, critérios e adversidades que este mundo te lançar são controláveis com a ação de Deus na tua vida.
8) Finalmente, como nota prática, mais do que não viver acima das tuas possibilidades, vive ABAIXO delas. Ficarás surpreendido com o que podes fazer, e sentir-te-ás abençoado não só por ter um pouco mais de poupança no banco, mas também por teres possibilidade de ser mais caritativo.

Qual é a sua parte importante em ser pai?

Não tenho a certeza de poder dizer que haja uma parte importante em ser pai. Juntei tantas experiências e recordações enquanto os meus filhos cresciam: receber nos braços o filho recém-nascido, adormecer enquanto lês histórias, todas as festas de aniversários que a mãe magicamente organizou no mesmo dia, os Batizados, simples excursões familiares ao campo, disfrutar de jantar juntos em família, rir às gargalhadas enquanto jogamos jogos de mesa, as primeiras Comunhões, o primeiro dia de colégio, subir para um trenó, ensiná-los a conduzir, treinar as suas equipes e até as viagens para a urgência do hospital. Embora cada filho seja uma bênção única, por vezes parece que tenho uma grande recordação de bebés em que todas as recordações dos diferentes filhos se fundem numa jubilosa recordação familiar.
Suponho que é a paternidade no seu todo que constitui a melhor parte. Ajuda-me a ser melhor servidor, melhor marido, melhor cristão, melhor pessoa.

domingo, 31 de agosto de 2014

Enfermagem: Uma vocação iluminada

 Por Julia Melo*
Desde que me entendo por gente, sempre quis seguir a área da saúde. Diferente de muitos jovens, nunca tinha nenhuma dúvida sobre isso; e quando entrei na minha amada Escola de Enfermagem Anna Nery (UFRJ) pude/posso reafirmar, a cada dia que passa, essa necessidade avassaladora de aprender, de maneira que minha vida seja um instrumento de Deus para ajudar outras vidas. Particularmente, acho que nada vai ser tão engrandecedor quanto isso.

Além disso, sempre tive uma “quedinha’’ (na verdade é quase um tombo mesmo, hahaha) pela área de obstetrícia. Ajudar a colocar novas vidas do mundo me parece muito gratificante, e depois que entrei na faculdade, esperei ansiosamente pelo o momento em que aprenderia mais sobre o assunto e sobre a importância do enfermeiro/a obstetra.

A formação do enfermeiro obstetra oferece capacitação para ser um profissional adequado e competente, que possa dar à mulher uma assistência de qualidade, respeitando sua fisiologia, seu corpo, sua saúde mental e psicológica.

Hoje, posso afirmar que o enfermeiro obstetra tem toda a capacidade, competência e autonomia necessária para conduzir um parto normal sem distócias, ou seja, sem grandes complicações. Uma prova disso são as casas de parto, onde são os enfermeiros obstetras quem realizam os partos normais, cabendo a eles, privativamente, a direção e coordenação destas instituições.
Durante o puerpério (período após o parto) o enfermeiro realiza os cuidados necessários à puérpera, aplicando seus conhecimentos técnico-científicos, para que seu organismo volte o mais rápido possível às condições pré-gravídicas, e também orientações de autocuidado e ao cuidado com o recém-nascido e ainda planeja e executa ações de conforto para mãe e para o neonato.

O Ministério da saúde também preconiza outra atribuição a esses enfermeiros: Realização de episiotomia e episiorrafia com aplicação de anestesia local, somente quando necessário. A episiotomia é uma intervenção obstétrica que consiste no corte do períneo posterior para facilitar o nascimento. Depois de feito o corte na vagina da mulher no momento do nascimento do bebê, é necessário reparar os danos à área. A episiorrafia, portanto, é a sutura da episiotomia.

Hoje, fala-se muito do parto humanizado, e é importante enfatizar que a assistência humanizada não é só condição técnica, mas prioritariamente a solidariedade, o respeito e o amor pelo ser humano. Sendo importante salientar que, de todos os profissionais da saúde envolvidos na assistência, o enfermeiro obstetra, é o que tem maior responsabilidade nessa humanização, uma vez que mantém, sob sua responsabilidade, um grande número de profissionais de enfermagem, que deverão estar comprometidos com essa assistência. O enfermeiro obstetra não deve somente resumir a sua atenção na sala de parto, deve acompanhar a gestante no pré-natal, pré-parto, parto e, por fim, no puerpério, incentivando a mulher ao aleitamento materno exclusivo. Deve, ainda, procurar assisti-la num todo, não esquecendo o seu lado emocional.

Certamente, expus de modo bem resumido a importância do enfermeiro obstetra e as mais variadas funções a ele atribuídas. É uma pena que o profissional de enfermagem não seja tão valorizado - falando agora em relação às diversas especializações; pois assim como qualquer outro profissional da saúde, não tem como haver um funcionamento sadio de qualquer unidade de saúde sem o corpo de enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares) que são a maioria em número nessas unidades.

Por fim, gostaria de salientar que apesar da falta de valorização desta profissão, o amor e a arte do cuidado transmitidos e realizados por ela são insubstituíveis, e essa essência começa a ser transmitida por nossos professores ainda durante a graduação, arrancando suspiros de nós, estudantes, a cada aula. Que os ensinamentos de Florence Nightingale (que foi uma enfermeira britânica famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra e por transmitir ao mundo o que é a enfermagem) sempre sejam repassados.

Florence ficou conhecida na história pelo apelido de "A dama da lâmpada", pelo fato de servir-se deste instrumento para iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite. Espero que a chama dessa lâmpada, que foi uma vez acendida por ela, nunca se apague nos corações daqueles que fizeram a escolha e têm a dádiva de serem enfermeiros.

*Julia Melo -  é carioca de 19 anos, católica, cursa o quarto período de Enfermagem e Obstetrícia na UFRJ e ex-aluna do CMRJ. Nas horas vagas gosta de dormir e sair com os amigos.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

“inveja boa e inveja má”.

Algumas pessoas devem ter estranhado o título desta mensagem. Será que existe uma inveja boa? Sim, existe. Ela é uma virtude e se chama eutrapélia. Na verdade, não é uma inveja no estrito senso, pois toda inveja em si é má. A eutrapélia é uma virtude que olhando uma qualidade interior ou mesmo um bem material que alguma pessoa tem, somos movidos a conquistá-lo.

Nesta virtude as coisas boas que os outros têm são um estímulo para que eu também procure este bem. Quantas vezes os outros foram e têm sido um estímulo para nós! Não há nisso nada de ruim.

Mas ao lado desta virtude, desta qualidade boa, há a má inveja ou simplesmente a inveja. O que a inveja tem de característico que a distingue da virtude da eutrapélia? Ao contrário desta virtude, onde o bem dos outros provocam sentimentos bons no nosso coração, a inveja se caracteriza por produzir sentimos ruins.

A pessoa invejosa quando vê um bem material ou espiritual em outra pessoa, sente:

- tristeza: tristeza ao ver que esta pessoa possui este bem, porque ela tem e eu não tenho, porque ao ter este bem é mais feliz do que eu, porque tendo este bem se sobressai sobre mim;
- dor: uma dor interior provocado por um sentimento de humilhação: ela tem e eu não tenho;
- raiva: uma raiva que corrói o coração e faz ter desejos ruins contra a pessoa invejada: desejar que esta pessoa se dê mal, que perca o emprego, que perca o namorado (a namorada), maquinar algo para prejudicá-la etc.

Movidos pela inveja, não só sentimos coisas ruins, mas podemos fazer ações concretas para prejudicar a pessoa invejada. Movidos pela inveja se pode inclusive, se não se luta contra este sentimento, a tirar a vida de alguém. Quantas histórias como esta já ouvimos!

A inveja pode não levar necessariamente a sentimentos explicitamente ruins mas a algo que não é tão bom, que não deveria existir: a competição entre as pessoas. Há uma competição saudável, boa, mas a competição gerada pela inveja é ruim. Esta competição nos leva a:

- estar olhando continuamente para os passos de quem começo a competir;
- olhá-lo mais como rival do que como amiga, colega;
- perder a paz toda vez que vejo que esta pessoa deu um passo, subiu um degrau etc. Esta inveja também corrói a nossa alma.

Como sabemos a inveja pode aparecer em todos os ambientes. Pode aparecer:
- em casa: numa competição entre mãe e filha;
- entre irmãos;
- no trabalho: que é um ambiente incrivelmente fértil para a inveja;
- na academia de ginástica etc.

Um esclarecimento: sentir inveja é absolutamente normal. As situações nos fazem sentir inveja. Este sentimento surge instintivamente. O erro da inveja é “deixar-se dominar, dar trela, alimentar este sentimento”. O mal não está em sentir, pois o sentir é humano, faz parte da nossa natureza. O mal está em “consentir”, isto é, uma vez que eu sinto, dar vazão livremente a este sentimento ruim.

Façamos o propósito de lutar com todas as forças para que a inveja não tome conta do nosso coração. Se cada um de nós fizer isto, a sociedade se tornará muitíssimo melhor, eliminaremos grande parte do mal que há no mundo.

Pe. Paulo M. Ramalho - www.fecomvirtudes.com.br - http://www.facebook.com/FeComVirtudes

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Os valores mais importantes do matrimônio

Numa entrevista, com o então prelado do Opus Dei, São  Josemaria Escrivá, falou com muita propriedade sobre o matrimônio. E aqui transcrevo uma parte, onde ele fala mais diretamente ao casal.

“O matrimônio existe para que aqueles que o contraem se santifiquem através dele: para isso os cônjuges têm uma graça especial conferida pelo sacramento instituído por Jesus Cristo. Quem é chamado ao estado matrimonial encontra nesse estado — com a graça de Deus — tudo o que necessita para ser santo, para se identificar cada dia mais com Jesus Cristo, e para levar ao Senhor as pessoas com quem convive.

Por isso penso sempre com esperança e com carinho nos lares cristãos, em todas as famílias que brotaram do Sacramento do Matrimônio, que são testemunhos luminosos desse grande mistério divino — sacramentum magnum! (Ef 5, 32), sacramento grande — da união e do amor entre Cristo e a sua Igreja. Devemos trabalhar para que essas células cristãs da sociedade nasçam e se desenvolvam com ânsia de santidade, com a consciência de que o sacramento inicial — o batismo — confere já a todos os cristãos uma missão divina, que cada um deve cumprir no seu próprio caminho.

O esposos cristãos devem ter a consciência de que são chamados a santificar-se santificando, de que são chamados a ser apóstolos, e de que seu primeiro apostolado está no lar. Devem compreender a obra sobrenatural que supõe a fundação de uma família, a educação dos filhos, a irradiação cristã na sociedade. Desta consciência da própria missão dependem, em grande parte, a eficácia e o êxito da sua vida: a sua felicidade.

Mas não esqueçam que o segredo da felicidade conjugal está no quotidiano, não em sonhos. Está em encontrar a alegria escondida de chegarem ao lar; no trato afetuoso com os filhos; no trabalho de todos os dias, em que toda a família colabora; no bom humor perante as dificuldades, que é preciso enfrentar com esportivismo; é também no aproveitamento de todos os avanços que nos proporciona a civilização, para tornar a casa agradável, a vida mais simples, a formação mais eficaz.

Àqueles que foram chamados por Deus para formar um lar, digo constantemente que se amem sempre, que se amem com aquele amor entusiasmado que tinham quando eram noivos. Pobre conceito tem do matrimônio — que é um sacramento, um ideal e uma vocação — quem pensa que a alegria acaba quando começam as penas e os contratempos que a vida sempre traz consigo. Aí é que o amor se torna forte. As enxurradas das mágoas e das contrariedades não são capazes de afogar o verdadeiro amor: une mais o sacrifício generosamente partilhado. Como diz a Escritura, aquae multae — as muitas dificuldades, físicas e morais — non potuerunt extinguere caritatem (Cant. 8, 7) — não poderão apagar o carinho.- retirado do livro - Questões atuais do cristianismo.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Serviços no lar

Os trabalhos de uma casa são ingratos. Só os notam quando não são feitos. Uma casa bem arrumada, com cada coisa em seu lugar, com a comida pronta e cheirosa na mesa, nos seus devidos horários, com as roupas bem limpinhas, passadas e guardadas, nunca é devidamente valorizado e nem notado como algo louvável.

Quando trabalhamos fora, temos tarefas específicas próprias do cargo que ocupamos, e somos cobrados por tarefas executadas; já nas tarefas domésticas, a cada dia temos novidades e tarefas extras, apesar da rotina que deve existir para tornar tudo mais factível.  Além de não ser uma tarefa remunerada, tem uma exigência de exclusividade e dedicação total. Tudo o que fazemos no lar é por puro amor. Amor à família e ao bem estar de cada membro da nossa casa.

Só mesmo por amor fazemos tantas atividades, repetindo diariamente, sem desanimar e sem deixar para depois, mantendo um alto nível de qualidade. E, em muitas vezes sem nós mesmas notarmos o quanto fizemos, e sem que os familiares também expressem seu agradecimento pela qualidade com que são tratados.

Uma mãe que se dedica ao lar,  levanta cedo para cuidar dos afazeres domésticos, prepara o café da manhã, troca as fraldas do bebê, veste o uniforme no maior, arruma as lancheiras das crianças, para em seguida sair e levá-los ao colégio.  Ao retornar a casa, as tarefas domésticas continuam lá, esperando por essa mãe dedicada: as roupas para lavar, passar, guardar; os quartos para arrumar, as louças  na pia para lavar; a casa para varrer, os banheiros para limpar, o pó a ser retirados dos móveis , as próximas refeições a fazer. E ainda deve, a noite, estar bonita e arrumada, para receber o marido ao chegar do trabalho. E tem gente que ainda  pergunta a esse mulher: - " você não trabalha?, só cuida da casa?"

Realmente se fossem pagar um salário justo às mães que cuidam com todo esse zelo das suas famílias, não seria algo fácil de fazer. Porque além de todas as tarefas domésticas, ainda tem o cuidado com a educação e a formação geral de cada filho que tem.

Devemos valorizar mais essa profissão de executiva do lar, e sempre que possível pesar mais o custo benefício de tê-la em casa, cuidando da família e respeitando-a como a qualquer outra profissional remunerada.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

"A Menina que Roubava Livros" – ótimo filme

Há dois atores nossos conhecidos, Geoffrey Rush e Emily Watson, ambos fantásticos, e especialmente, as duas crianças/adolescentes que iniciam uma amizade profunda, em meio à perseguição Nazista.

Adaptação de obra homônima de Markus Zusak, A Menina que Roubava Livros,  é um drama que enfoca a trajetória de uma menina durante a II Guerra Mundial, que passa a viver com outra família, após a morte de um irmãozinho e o afastamento da mãe. Com a colaboração do judeu refugiado, Max, tenta escapar da dura realidade na literatura. Concorre ao Oscar de melhor trilha sonora.

Apaixonada por livros, ela acaba desenvolvendo o hábito de "roubar" obras para ler para o amigo Max.

A censura é para crianças de 12 anos..., mesmo assim, falando de crianças e adolescentes, não sei se não seria um pouco pesado para essa idade. Entretanto, os valores morais são colocados de forma primorosa, e a conclusão do filme é formidável!

Patrícia Carol Dwyer

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

EmContando – 68 - A Espada de Dâmocles

 Adaptação de James Baldwin

Era uma vez um rei chamado Dionísio, monarca de Siracusa, a cidade mais rica da Sicília. Vivia num palácio cheio de requintes e de coisas bonitas, atendido por  criadagem sempre disposta a fazer-lhe as vontades.

Naturalmente, por ser rico e poderoso, muitos siracusanos invejavam-lhe a sorte. Dâmocles estava entre eles. Era um dos melhores amigos de Dionísio e dizia-lhe frequentemente:

“Que sorte a sua! Você tem tudo que se pode desejar. Só pode ser o homem mais feliz do mundo”. 

Dionísio foi ficando cansado de ouvir esse tipo de conversa.

“Ora, essa! Você acha mesmo que eu sou mais feliz do que todo o mundo?”

O amigo respondeu:

“Mas é claro!  Olhe só os seus tesouros e todo o seu poder! Você não tem absolutamente nada com que se preocupar. Poderia sua vida ser melhor do que isso?”

“Talvez você queira trocar de lugar comigo” – disse Dionísio.

“Ora, eu nem sonharia com uma coisa dessas! Mas se eu pudesse ter  sua riqueza e desfrutar de todos esses prazeres por um dia apenas, não desejaria felicidade maior.”

“Pois bem! Troque de lugar comigo por um dia apenas e desfrute disso tudo.”

E então, no dia seguinte, Dâmocles foi levado ao palácio e todos os criados receberam instruções para tratá-lo como amo e senhor. Vestiram-no com mantos reais e puseram-lhe na cabeça uma coroa de ouro. Ele sentou-se à mesa na sala de banquetes e foi lhe servida uma lauta refeição. Nada lhe faltou ao seu bel-prazer. Havia vinhos requintados, lindas flores, raros perfumes e música maravilhosa. Recostou-se em almofadas macias. Sentiu-se o homem mais feliz do mundo.

“Ah, isso é que é vida!” – confessou a Dionísio, que se encontrava sentado à mesa, na outra extremidade.  – “Nunca me diverti tanto.”

Ao levar a taça de vinho à boca, levantou o olhar para o teto. O que era aquilo ali pendurado, com a ponta quase tocando sua cabeça?

Dâmocles enrijeceu-se todo. O sorriso fugiu-lhe dos lábios e o rosto empalideceu. Suas mãos estremeceram. Esqueceu-se da comida, do vinho, da música. Só quis saber de ir embora dali, para bem longe do palácio, para onde quer que fosse. Pois pendia bem acima de sua cabeça uma espada, presa ao teto por um único fio de crina de um cavalo. A lâmina brilhava, apontando diretamente para seus olhos. Ele foi se levantando, pronto para sair correndo, mas deteve-se, temendo que um movimento brusco pudesse arrebentar aquele fiozinho fino e fizesse com que a espada lhe caísse em cima. Ficou paralisado, preso ao assento.

“O que foi, meu amigo?” – perguntou Dionísio – “Parece que você perdeu o apetite.”

“Essa espada! Essa espada!” – disse o outro num sussurro. “Você não está vendo?”

“É claro que estou. Vejo-a todos os dias. Está sempre pendendo sobre minha cabeça e há sempre a possibilidade de alguém ou alguma coisa partir o fio. Um dos meus conselheiros pode ficar enciumado do meu poder e tentar me matar. As pessoas podem espalhar mentiras a meu respeito, para jogar o povo contra mim. Pode ser que um reino vizinho envie um exército para tomar-me o trono. Ou então, posso tomar uma decisão errônea que leve à minha derrocada. Quem quer ser líder precisa estar disposto a aceitar esses riscos. Eles vêm junto com o poder, percebe?”

“É claro que percebo!” – disse Dâmocles – “Vejo agora que eu estava enganado e que você tem muitas outras coisas no que pensar além de sua riqueza e fama. Por favor, assuma seu lugar e deixe-me voltar para a minha casa.”

Até o fim de seus dias, Dâmocles não voltou a querer trocar de lugar com o  rei, nem por um momento sequer.

(Em o LIVRO DAS VIRTUDES – uma antologia de William J. Bennett)

Agnes G. Milley

terça-feira, 22 de outubro de 2013

A fase da criança de querer tudo o que vê

Criança pequena tem fases divertidas e outras um tanto chatinhas, como a fase do quero isso, quero aquilo. Eu costumo dizer que é a fase de testar nossa paciência.

Ao sair com  crianças pequenas é bom que dizer antes o que faremos, e se for para compras, é melhor avisar o nosso limite de gasto. E, tanto pais quanto filhos, tem que respeitar as regras, se querem educá-los bem. No caso da regra ser: “temos pouco dinheiro e você não poderá pedir nada extra”, que os adultos façam o mesmo,  e se fixem a lista inicial.

Quando se leva o filho ou a filha para comprar um presente ou roupas deve-se dar também um limite de escolhas, tanto de valor, como de qualidade e de gosto. A criança tem uma tendência a escolher coisas espalhafatosas e que logo ficarão enjoadas e deixarão de usar. Estando junto ao filho, deve-se mostrar coisas que podem ser escolhidas por ele. Quando a compra é de tênis, por exemplo, mostre as opções que ache mais adequadas a ele, caso não goste de nenhuma, dependendo da idade, pode conversar sobre comprar ao gosto dele e o assumir o compromisso de usar, mesmo que depois venha a não achar tão bonito quanto achou no momento em que viu. Isso ajudará a refletir e também aprenderá a assumir responsabilidades por suas escolhas.

Quando o assunto é brinquedo, tudo fica mais delicado, os menores nunca tem noção de preço e de valor dos objetos, portanto, toda atenção é pouca, e toda paciência também, pois eles nos testarão até cansarmos, para que compremos os brinquedos X, Y e Z. Mas, se o objetivo da mãe ou do pai é apenas um brinquedo, faça com que decida por um só. Mesmo que isso custe algumas lágrimas e insistência da parte do filho.

E digo de carteirinha: não comprem quando estiverem no seu limite de cansaço. Nestes momentos de exaustão, depois de caminhar por milhares de lojas, a tendência é ceder e comprar sem medir o gasto maior, só para nos livramos da incumbência e da criança insistente. Deixe para o dia seguinte, pois ambos refletirão melhor e a decisão será mais acertada.

Todas as crianças fazem isso, não é novidade, mas é sempre causa de estresse para os pais. Temos que prepará-los para a vida, e esse aprendizado de querer e só ter quando puder e como puder, servirá para toda a sua vida futura. Precisam aprender a valorizar o que tem e o que podem, o que está dentro do orçamento da família, e ficarem felizes com as aquisições.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

EmContando – 55 - Amor: a força criadora

Um professor de sociologia da Universidade de Baltimore, nos Estados Unidos, incumbiu seus alunos de entrevistarem duzentos meninos dos bairros mais pobres da cidade e depois, através da história de cada um, determinar a sua probabilidade de sucesso no futuro. Pela avaliação feita, nenhum daqueles meninos teria chance de sucesso. Constava na ficha de cada um deles: “SEM CHANCE”.

Vinte e cinco anos depois, outro professor de sociologia, da mesma universidade, encontrou os relatórios dessa pesquisa e muito surpreso, decidiu dar prosseguimento ao projeto. Ele, por sua vez, encarregou seus alunos de procurarem os duzentos meninos, agora adultos, e de descobrirem o que havia acontecido a cada um deles. Dos duzentos, vinte ou se mudaram ou morreram. Dos cento e oitenta entrevistados, cento e setenta e seis eram advogados, médicos ou homens de negócios. Quando lhes foi perguntado a que atribuíam seu sucesso, todos, sem exceção responderam:

“Nós tivemos uma professora ...”

A professora ainda estava viva e foi encontrada. Era muito idosa, mas perfeitamente lúcida. O professor perguntou que fórmula mágica havia usado para tirar aqueles meninos das favelas e transformá-los em homens tão bem sucedidos.

Com os olhos brilhantes  e um encantador sorriso, a velhinha disse apenas:

“Na verdade foi muito simples. Eu amava aqueles meninos”.

Eric Butterworth (  In: Chicken Soup for the Soul – 1)

PARABÉNS! Um abraço amigo a todos os professores pelo seu dia. 
                                                                                                                        Agnes

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A boa mãe

A boa mãe  é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.

Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária. Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.

Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.

Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos
lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.

Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.

Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.

"Dê a quem você Ama :

- Asas para voar...

- Raízes para voltar...

- Motivos para ficar... " - Dalai Lama"

Origem do texto desconhecida, recebi por email. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Lar alegre e aconchegante - é possível?

Atualmente, o que mais ouvimos dizer é que precisamos pensar primeiro em nós mesmas. Essa é a teoria vigente. E o que mais vemos como resultado dessa atitude são pessoas mais egoístas, insatisfeitas, que formam lares cada vez mais desunidos.

Diante disso, é muito importante incutir nos filhos a generosidade. É fundamental lhes ensinar a fazer as coisas pelos outros com alegria e desinteresse, mesmo que isso lhes custe algum esforço. Além, é claro, de lhes dar exemplos que demonstrem generosidade no dia a dia - como sentar para estudar com eles após um longo dia de trabalho demonstrando uma disposição sincera em sanar suas dúvidas, mesmo estando cansado.

Quando colocamos pequenas tarefas diárias para cada um na rotina da casa, estamos lhes ensinando o sentido de propriedade e generosidade e também despertando neles este sentido de unidade, ao mesmo tempo em que aliviamos a mãe de parte das tarefas domésticas. Tudo isso é questão de combinarmos, de sabermos delegar, de abrirmos mãos da capa de "Mulher Maravilha" e aceitarmos as limitações que todos temos com simplicidade e honestidade. O amor que sentimos por nosso marido ou esposa e filhos são suficientes para fazer valer a pena todos os sacrifícios.

Outro ingrediente que não pode faltam em um lar aconchegante é o bom humor. A alegria é a porta aberta para a comunicação dentro de casa, e com ela removemos montanhas. Com caras alegres, fica mais fácil contornarmos as crises familiares que vêm do cansaço e do atrito entre as pessoas. Uma pessoa mal humorada contamina o ambiente e tira a alegria dos outros. O  bom humor traz alegria, esperança e ânimo.

Um excelente exercício para praticarmos quando estamos mal humorados é nos olharmos no espelho. O rosto contraído tem rugas, as feições ficam duras, e a melhor maneira para resolver estes problemas não são os cremes caros, nem os ácidos rejuvenescedores. O remédio, na verdade, é barato: basta promovermos o clima de alegria dentro de casa.

A alegria contagia e rejuvenesce. Com ela, vamos ultrapassando vários obstáculos, como o temperamento oscilante dos nossos adolescentes e de suas crises existenciais. Ela ajuda a lidar com as diferenças de idades entre os filhos e até mesmo a driblar o cansaço e a preguiça na hora de fazer uma programação de final de semana em família.

Uma amiga médica costuma dizer que uma mãe sempre deve cantar. Ao ouvir a mãe cantando, o filho se sente seguro e pensa: "Se a mamãe canta, então deve estar tudo bem". Mas, é claro, isso vale também para o pai! Todos podemos cantar quando chove, quando o cansaço nos domina, para disfarçar nossas preocupações... Dessa forma, não estaremos entristecendo os outros.

A vida tem momentos difíceis, bons momentos e momentos neutros - e precisamos vivê-la como ela é. A diferença está em escolher vivê-la com alegria e bom humor - porque sim, isso é uma escolha. Assim vamos encontrar forças para vencer os obstáculos que nos desanimam no dia a dia sempre que tivermos em mente fazer o melhor pra nossa família! E, é claro, cantar uma canção bem bonita, mesmo nos momentos mais difíceis!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Cinco passos para viver os valores na Família

 http://www.acidigital.com/familia/cincopassos.htm

Falar de valores é uma coisa, mas vivê-los é outra história. É realmente tão difícil? A reposta é não. Requer certo esforço, concentração e perseverança, mas não é tão difícil.

Com alguns passos simples você poderá conseguir que sua vida, suas ações e a sociedade tenham como coluna vertebral os valores.

Passo 1: Conhecer sua importância. Parece simples? Mas não é. O primeiro passo para viver os valores é ter consciência do quanto eles são importantes. Uma sociedade fundamentada em indivíduos com valores é a chave para uma convivência mais sadia. As leis civis não são o bastante. Nelas está estabelecido apenas o elementar para assegurar uma convivência medianamente decente, porém, não é suficiente apenas "cumprir a lei". Os valores vão muito mais além do que cumprir o regulamento de trânsito, vão à raiz das coisas. Por exemplo, o regulamento diz que não é permitido atravessar a rua quando o sinal está vermelho (bastante elementar para não se matar), no entanto, não diz que em um congestionamento de tráfego o fato de ceder a passagem a uma pessoa é algo amável, que faz com que todos estejamos mais contentes e pode, até mesmo, nos poupar um contratempo. O mesmo ocorre em outros âmbitos da vida. A lei estabelece uma pena por homicídio, mas não nos diz que tratar o próximo com atenção e educação nos ajuda a conviver ainda melhor. Para viver os valores, primeiramente, deve-se estar consciente de que estes são vitais, e são o que pode mudar verdadeiramente uma pessoa, uma família ou uma nação.

Passo 2: Analisar meu conjunto de Valores. Uma vez que se tenha aceitado a importância de viver os valores, deve-se analisar claramente quais valores são a base da sua vida.

Neste momento, poderíamos estabelecer duas classes: os que você já possui e os que deseja construir. Para saber quais são os valores, em Valores para ser melhor há informação sobre cada um deles, e continuamente estamos pesquisando e publicando mais materiais, assim, o melhor que tem a fazer é dar uma olhada em todas as seções de Valores. Por outro lado, também deve fazer um esforço e meditar lentamente em quais são os princípios, normas e comportamentos fundamentais para ser melhor, para viver melhor. Quais te ensinaram em casa? Quais tem aprendido com a vida? Quais sabe que existem, mas não os vive muito? Quais gostaria de ter? Tem a necessidade de pesquisar mais sobre eles? A idéia aqui, é que você se sente em um lugar tranqüilo, e em uma folha de papel:

 Escreva a data e faça três colunas iguais. No lado esquerdo, na primeira coluna, faça uma lista com os valores mais importantes para você, sem importar-se com a ordem e se os vive atualmente ou não, simplesmente escreva os princípios considerados fundamentais para você. Quando terminar, na coluna do meio, faça uma lista com os valores adquiridos desde criança em casa, os adquiridos com a vida, e os adquiridos ultimamente, mas que não tem vivido. Ao terminar, vá para a coluna da direita, desenhe um triângulo e escreva em cada vértice "Minhas fortalezas", "Minhas fraquezas", "O que quero ser". Faça três listras, e escreva os valores que já existem em você, que lhe definem como uma pessoa especial, e que você vive continuamente. Em "Minhas fraquezas" escreva os defeitos que você conhece e te impedem de viver melhor os valores. Por último, escreva os valores que desejaria viver em "O que quero ser". É muito importante que você guarde esta folha, pois ela é a base de teu trabalho e dos próximos passos deste guia.

Passo 3: O "Plano-mestre". Agora que já conhece teus valores, tuas fraquezas e o que deseja ser, torna-se necessário o uso de uma agenda. Qualquer uma será útil (de escritório, de bolso, eletrônica - um Palm Top será ideal para isto). Em outra folha, estabeleça três bases de tempo: anual, mensal e diária. Na anual, escreva o que espera alcançar em um ano. Os valores concretos que deseja alcançar (inclua os que você já vive e os que deseja viver). Divida esta lista em uma base de tempo mensal, fixando um mês para cada atividade. Na diária, faça uma lista com o título "O que vivo e devo reforçar" e outra "O que me falta". Em tua agenda, estabeleça uma meta concreta diária (pequena, mas significativa) de valores que irá reforçar e que quer viver. Uma meta concreta diária pode ser "Falar com João por telefone", para fortalecer o valor da amizade (talvez tenha meses que não liga para alguma pessoa), ou pode estabelecer "Ajudar alguém pobre", para fortalecer ou criar a generosidade. Faça para o primeiro mês (ou seja, o mês em que você está). A cada mês deve revisar o teu "plano-mestre", estabelecer os valores de acordo com sua atividade diária e fazer uma reflexão sobre os resultados. Se, por algum motivo, não tenha ido bem em um determinado mês, não se preocupe, coloque-o novamente em teu plano diário e analise porque não pôde cumpri-lo. Reflita sobre as razões que te impediram (falta de tempo, falta de constância, esquecimento, etc.) e estabeleça meios para que isto não ocorra de novo. Aqui, o importante é que esteja avançando, mesmo que a passos curtos.

Passo 4: O exame diário. Se deseja viver realmente os valores, durante uma parte do dia (pode ser à tarde ou à noite - se for à noite, certifique-se de não estar muito cansado) reserve 10 minutos para refletir. Deve pensar em como foi o dia, se está cumprindo tua meta (ou metas) diária, o que te falta para fazer e o que já fez. Este exame é vital, se não o fizer todo o sistema para viver os valores irá se perdendo até que se esquecerá dele. O exame te permite duas coisas: analisar de maneira realista e rápida que resultados tem obtido, e te dá propósitos concretos para fazer algo e viver teus valores.

Passo 5: Manutenção. A cada mês, revise teus valores, revise o que aprendeu, pense como tem ido em teus exames diários. Melhorou? Piorou? Houve um grande avanço? O fundamental neste sistema é a constância. Se fizer o teu "plano-mestre" e estabelecer tuas prioridades mas não as viver, não fizer o exame e não seguir teus propósitos concretos, então em quinze dias terá esquecido de tudo. Se realmente quiser viver os valores deve cumprir os propósitos. Este guia está feito de tal maneira que lhe permite analisar e elaborar metas de maneira ordenada, e pequenas ações para alcançá-las. É melhor fazer uma pequena ação todos os dias do que grandes ações raramente. Teu guia é pessoal, no entanto, não duvide em compartilhar com outros amigos, e especialmente, que alguém de confiança te ajude a estabelecer os valores que seriam melhores para você, porque às vezes perdemos a perspectiva de nós mesmos ou temos defeitos que simplesmente não vemos.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A moda é uma arte?

Pontos importantes recolhidos de um texto de Ana Sánchez de la Nieta .

A procura da beleza na moda faz com que o trabalho do desenhista se aproxime muito do trabalho do artista. Como este, o costureiro precisa de elementos de inspiração para criar, para confeccionar as suas coleções.

A moda é uma arte; alguns vestidos de alta costura não têm nada a invejar aos objetos de ourivesaria; no polo extremo, a semelhança entre o estilo grunge e a pintura hiper-realista é bastante evidente.
O mérito da moda como arte é que, com palavras do filósofo Manuel Fontán de Junco, " A moda é uma arte que se usa, que se leva para a rua; é uma arte de consumo a que todos têm acesso". E é fundamentalmente uma arte humana. Uma arte feita por e para o homem.

Por isso, a moda não é só uma realidade estética, mas também ética. O desenhista não pode esquecer a dignidade da pessoa ao concretizar as suas criações. A roupa tem que servir para salientar essa dignidade; por isso têm sentido as críticas que se fazem a um tipo de moda que mostra a mulher como um objeto....O desenhista veste o homem e despe a mulher, o que não deixa de ser um paradoxo numa sociedade que se presume de igualitária.

Enquanto alguns protestam energicamente contra esta forma de entender a moda, já que opinam que lesa a dignidade da pessoa - sobretudo da mulher -, outros alegam que o desnudo pode ser artístico, que pode transpirar beleza. Perante este dilema, surgem algumas perguntas: Qual é a apreciação verdadeira desta moda atual? Não serão estas críticas marcas de um puritanismo já ultrapassado? Existe uma ética no vestir?

O tema da nudez na moda, como nas restantes artes, não é simplesmente uma realidade a abordar sob o ponto de vista estético. Não se trata de avaliar se o desnudo é belo ou não. O corpo é algo intimamente ligado à pessoa: não podemos tratá-lo, portanto, como uma realidade objetiva separada do seu sentido mais amplo. O corpo é manifestação do indivíduo, da alma do homem, o corpo é uma parte, e muito importante, da própria pessoa. 

Além de ser parte do indivíduo, o corpo tem um
significado profundo quanto à comunicação das pessoas, revela-se como dom que, por sua vez, espera a resposta de uma doação. É um dom que recebe. É também a fonte de uma rica comunicação interpessoal.  Nesta comunicação é, portanto, o corpo o elemento por meio do qual se entrega a totalidade da pessoa. Por isso, quando o corpo sai desta esfera pessoal a que pertence e se converte em propriedade pública corre-se o risco de que perca a sua dignidade.

Mesmo no tema da arte, o fato de que o corpo humano se converta em objeto de consumo põe interrogações éticas. Já que, ao reproduzir-se o corpo humano ou ao mostrar-se ao público, o elemento de dom pessoal fica ameaçado, no sentido de que pode converter-se em matéria de abuso.
Todo o artista tem que encarar todas estas interrogações éticas ao tratar o corpo humano; também o desenhista, da mesma forma que os restantes artistas, tem que considerar a verdade do homem e a nudez da pessoa para respeitar certos limites éticos. Quando eu mostro uma modelo seminua numa passarela estou fazendo com que essa pessoa ofereça o seu corpo como dom de que muitos se apropriarão. É negar a evidência, rejeitar isto, quando observamos a reação de alguns indivíduos perante um vestido transparente.

No entanto, podia-se objetar que a ética não está naquele que desenha, mas naquele que olha. Isto é certo, mas só em parte. Teríamos que distinguir o "olhar para desejar" do simples olhar estético.
Todos temos a experiência de que é difícil conservar o olhar estético diante de um corpo, especialmente quando o corpo observado é de outro sexo, precisamente pelo que disse antes: um corpo não é uma realidade objetiva em si, senão que leva impresso o sentido da doação. Não sentimos o mesmo ao contemplar uma paisagem, já que o corpo humano tem um significado mais profundo que a paisagem. Por isso é mais difícil conservar o olhar estético ante uma fotografia, ou um modelo seminu, que ante uma escultura. De fato, os comentários mais ou menos soezes que se podem ouvir ante um cartaz publicitário de um filme sensual é raro ouvirem-se contemplando a Vênus de Milo.

Por isso, uma das fórmulas para conseguir que uma pessoa destrua a sua dignidade é fazer com que perca a sua intimidade e, em primeiro lugar, a corporal. É o doloroso caso dos métodos utilizados nos campos de concentração onde se obrigava os prisioneiros a desnudar-se diante dos seus verdugos e dos restantes companheiros. O homem quando se desnuda diante dos outros deixa-se ver, examinar no seu eu mais íntimo e coloca-se sem nenhuma defesa perante o mundo, perante os outros que podem ter uma ou outra reação.

Por isso, toda a pessoa para mostrar a intimidade do seu corpo tem que fazer violência sobre si mesma para destruir essa defesa que é o sentido do pudor que todos temos dentro de nós mesmos.

Ana Sánchez de la Nieta Hernández. Jornalista -  Do livro A Moda - Entre a Ética e a Estética, DIEL, 2000.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Uma mulher de peso – Evelyn Billing

Perdemos nestes dias uma grande figura da humanidade, uma mulher que fez um bem enorme a todas as mulheres, propiciando-lhe a capacidade de conhecer melhor  sua fertilidade, a Drª Evelyn Billings.

Era uma mulher inspiradora, capaz de grandes realizações. Nasceu em 08 de fevereiro de 1918, em Melbourne, Austrália. Trabalhou durante sessenta e quatro anos junto com seu esposo, o Dr. John Billings, e foi a pioneira do Método de Ovulação Billings, o qual ensinou as mulheres, casais, estudantes de medicina e médicos, desde a década de 50, divulgando-se em mais de 100 países. É o único método natural oficial, para a regulação da fertilidade na China e foi aprovado pela Organização Mundial da Saúde, com comprovado êxito. Também conta com o apoio da Igreja Católica, dada a sua metodologia natural para a regulação da fertilidade.

Eu não poderia deixar passar em branco essa notícia de seu falecimento, e não falar da enorme admiração e gratidão que tenho por ela.

Eu, casada, com três filhos pequenos, e vinte e dois anos, tomei conhecimento do método, através de uma apostila que uma amiga me trouxe da Austrália. Infelizmente não a possuo mais, emprestei e nunca mais a tive de volta. Mas hoje, há muitos livros seus publicados, com todas as explicações sobre o método. E existem também muitos grupos por todo o mundo, explicando o funcionamento do método e tirando dúvidas. Com a minha apostila, pude aprender o método, e assim espaçar o nascimento dos outros filhos que desejávamos ter. 

O mais interessante da história da  Dra. Billings é que ela dizia que o maior orgulho da sua vida não eram seus feitos médicos ou pesquisas, e sim a felicidade de ter sua família. Junto com o Dr John, já falecido, que conheceu em uma aula de anatomia, enquanto estudava medicina na Universidade de Melbourne, criou nove filhos. Evelyn também era avó de tinta e nove netos (dois faleceram) e bisavó de trinta e um bisnetos.

Que Deus a receba em seus braços com muito carinho e a recompense por todo o bem que espalhou na terra.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Centro Diurno para Idosos Necessitados em Roma

Ajudar os outros é um compromisso que implica passar das palavras aos fatos. Os responsáveis pelo Campus Biomédico de Roma - uma obra corporativa do Opus Dei - e o ator de cinema Alberto Sordi compartilhavam o desejo de ajudar aos idosos da cidade. E assim surgiu o CESA.

Uma revista em cores, uma companhia de teatro, um ateliê de alta costura; excursões culturais, passeios pela natureza, férias de verão; um ambiente agradável, um grupo de amigos, uma ocasião para trabalhar em equipe...

Esta é uma pequena amostra do que o Centro Diurno para Idosos Necessitados de Trigoria oferece; mas — e isso é o mais importante— o centro é um lugar onde o ancião é valorizado e recebe ajuda para continuar crescendo como pessoa.

Em 2002, Ruggero, Ennio e Adriano constituíram com alguns amigos a Associação Alberto Sordi. Na sua origem, está o desejo de ajudar as muitas pessoas de idade avançada que já não podem viver completamente por si mesmas. 

Nesta iniciativa, o idoso é valorizado e recebe ajuda para continuar crescendo como pessoa.
Em não poucas ocasiões, pelo ritmo de vida acelerado que se leva na sociedade ocidental atual, os anciãos acabam não recebendo a devida atenção por parte das suas famílias; e, não raro, os problemas econômicos e assistenciais que costumam aparecer nessas situações levam ao esquecimento de que o idoso, em primeiro lugar é uma pessoa frágil e necessitada.
Em consequência disso, muitos idosos sentem-se sós ou inúteis, vivem enclausurados num mundo de preocupações, de insegurança afetiva ou econômica, e vislumbram o futuro com medo ou sem qualquer perspectiva.

No ano de 2001, a Universidade Campus Biomédico de Roma - uma obra corporativa do Opus Dei - pôs em andamento em Trigoria o CESA: Centro para a Saúde do Ancião, dedicado à assistência médica e à pesquisa sobre patologias da terceira idade.

Juntamente com a atenção médica e sanitária, nessas instalações desenvolve-se também um trabalho de caráter social.
Ninguém duvida de que vale a pena investir na formação das crianças, dos adolescentes e dos adultos. No Centro Diurno, dá-se um passo a mais: também se aposta na formação do idoso, que retém muitas potencialidades e que sempre pode crescer como pessoa.

O objetivo primário é ajudar a manter — e, quando, é possível recuperar e potencializar — as capacidades psicofísicas, para que, na medida de suas possibilidades, o idoso tenha uma vida ativa e gratificante. No fundo, trata-se de conseguir que as pessoas idosas recuperem sua dignidade, se sintam úteis e vivam felizes.

Muitos estudos demonstraram que a perda das faculdades mentais não se deve tanto à elevada idade, mas à falta de exercício, de estímulos intelectuais e de vida social. Por isso, seguindo a metodologia do fazer, são organizadas atividades que ajudam a manter em exercício as faculdades pessoais. São atividades variadas, desenvolvidas em grupo.

A ênfase das atividades é posta no fazer, e busca-se que todos sejam protagonistas e não meros espectadores. Não são um fim em si mesmas, nem servem meramente para ocupar o tempo; o objetivo é contribuir para o desenvolvimento da pessoa em todas as suas dimensões: espiritual, relacional-afetiva, intelectual e corporal.

"Após muito tempo, minha mãe quis voltar ao cabeleireiro. Há um ano, lia poesias ao meu avô... Agora sou eu quem o escuta recitá-las". Frases como essas são comuns na boca dos parentes dos idosos que vêm ao Centro. É um fenômeno que se comprova uma e outra vez: com o passar do tempo, muitos anciãos recuperam a alegria de viver. Em princípio, os frequentadores vão ao Centro três dias por semana, mas é possível ampliar para cinco, se o idoso assim o quiser. A inscrição nunca é inferior a três meses: tempo mínimo para introduzir-se no ambiente e aproveitar as atividades oferecidas.
Mais informações sobre o Centro Diurno Anziani Fragili (em italiano).
http://www.fondazionealbertosordi.it/auto.asp?sID=3&sF=3
 Artigos relacionados
  http://www.opusdei.org.br/img/ra.gif    Vídeo exibido em 2011 pela Rede de Televisão RAI sobre o Centro de Anciãos (em italiano).
http://www.opusdei.org.br/art.php?p=51849

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Como evitar a recuperação

Por Maria Teresa Serman

Desde bem pequena, ao começar minha vida de estudo, meus pais, ambos professores, insistiam que eu começasse o ano letivo com toda a dedicação possível, garantindo notas altas desde o início. O argumento era de que vamos perdendo fôlego e concentração no fim do período, então o melhor é armazenar pontos e garantir a vitória completa, sem prova final  e muito menos recuperação. Isso não significava, porém, que eu podia tirar notas baixas no fim, era só por prudência, não mediocridade. Assim fiz, sempre entrando de férias antes, enquanto os incautos penavam no calor do verão em sala de aula - que não tinha ar-condicionado, não!

Usei o mesmo método com meus filhos, sempre vigiei bem de perto seu rendimento, para detectar carências, desinteresse ou preguiça. Nenhum ficou em recuperação, mas aconteceram provas finais, é normal. Acredito que cabe aos pais a responsabilidade de garantir que o estudo dos filhos transcorra nas condições propícias ao seu aproveitamento completo, desde o ambiente claro e apropriado; a fixação de horário para o trabalho de casa e outras atividades afins; a frequência dos genitores às reuniões na escola, além de conversas extras que forem necessárias com os professores - pensamos que conhecemos bem os filhos, mas nos enganamos às vezes, e como! -; conhecimento do calendário escolar e de suas eventuais alterações; verificação dos trabalhos feitos, das anotações e livros indicados.

O tempo de estudo diário deve ser equilibrado, não muito longo. E uma boa técnica é mudar as matérias, não ficar só com uma, pois cansa o cérebro, que se renova com a mudança de conteúdo. Um pouco de cafeína em forma de mate ou chá gelados turbinam a memória e o raciocínio, sem exagerar na quantidade. A postura deve ser ereta, em cadeira na altura certa em relação à mesa - nada de estudar enrolado como uma cobra na poltrona, ou deitado na cama - assim como ajudar o estudante a descobrir o melhor modo de gravar a matéria: há os que têm a memória auditiva mais afiada, então leem alto, e os que são mais visuais, preferindo fazer resumos.

A disciplina precisa ser constante, a um tempo firme e carinhosa, contrabalançando a supervisão com elogios e incentivos, nunca oferecendo presentes por passar de ano, ou prometer prêmios por notas altas, o que enfraquece a vontade e o caráter, dando uma ideia errônea do que é a vida e a responsabilidade diante dos deveres. O estudo é uma benção, um direito, uma obrigação, não um favor que os filhos fazem aos pais.

O computador pode ser um grande aliado e uma ameaça real. Olho no tempo que eles passam na frente da tela e, principalmente, no que acessam. Filtros de internet são imprescindíveis. E, apesar de ser uma tarefa obrigatória, é bom ressaltar aspectos lúdicos e prazerosos do estudo, despertando sua atenção para estes, e amenizando possíveis implicâncias com determinadas matérias.

Os pais são os primeiros e principais educadores! Seja qual for sua profissão ou nível de escolaridade, podem, melhor do que ninguém, apoiar e ajudar seus filhos a serem estudantes confiantes e profissionais competentes. E ajudar não significa de jeito nenhum fazer os trabalhos em seu lugar, ou incentivarem qualquer atitude desonesta, como a cola ou outro desvio de comportamento. Olho vivo e coração alerta!

sábado, 24 de novembro de 2012

CORAÇÃO FALSO SEMPRE SE MUDA; O BOM É SEMPRE UM.

"Eis a ligação entre a fidelidade, por um lado, e a falsidade e inconstância por outro; entre a adesão plena a um feixe de princípios e normas bem amadurecidos, e o borboletear entre várias inclinações que não merecem o nome de compromissos; entre um amor entendido como doação e o pavor ante a simples perspectiva do sacrifício, que induz ao cálculo egoísta, sempre instável e flutuante, de lucros e perdas.

A fidelidade sempre exige esforço; não há fidelidade, por assim dizer, "fácil". E por que mudam com tanta facilidade os corações de alguns e de algumas? Porque não se dispõem a manter a coerência, a palavra dada, no meio de um fluir de pequenos fracassos, de despontamentos em certa medida inevitáveis, de uma compulsão de mudança. Quando desabem idealismos inconsistentes - o namorado "príncipe", o emprego que preenche todas as expectativas de realização, o marido ou a esposa ideais, os filhos espetaculares, etc. - desponta nas pessoas algo a que poderíamos chamar "fadiga do coração", semelhante ao fenômeno físico da "fadiga do metal".

O coração "cansa-se" - E qual será o roteiro desse "cansaço"? O provérbio ensina-o claramente: é o roteiro da falsidade da mentira. Não necessariamente de uma mentira lúcida e intencionalmente maldosa, mas de uma gradativa falsificação dos fatos com que tentamos enganar-nos a nós mesmos: o empenho de fidelidade torna-se excessivamente pesado, o compromisso começa a ser asfixiante e aparecemos com manuseados eufemismos: "Não era o que eu esperava", "Na verdade não conhecia bem essa pessoa", "Estava numa fase ruim da vida e só fazia bobagens", "O casamento ficou sem graça"< "Peço que me seja concedido o direito de errar", ("Tenho direito de procurar minha felicidade"), etc, etc.

Quando o coração não se entrega com a sua melhor capacidade, quando se "poupa" ou se procura a si mesmo, aparece aquilo a que um jurista italiano, Adolfo di Argentine, chamou a síndrome da subjetividade:

- "um casamento não pode ter problemas": ou é maravilhoso ou se desfaz:
- "um trabalho não pode ter dificuldades": ou é gratificante ou a pessoa muda de emprego;

- "uma amizade não pode ter momentos difíceis: ou é total ou se transforma em indiferença ou ódio;

- "o empenho social não pode ser a paciente construção de uma sociedade melhor": ou é rapidamente triunfante ou confina-se na utopia. No melhor dos casos, refugia-se no âmbito da vida privada.

São ideias plenamente atuais: por toda a parte encontramos, e bem ativa, essa síndrome da subjetividade, que no fundo não consiste senão em conferir às emoções pessoais o primeiro lugar à hora de decidir. É isso o que cansa o coração e o leva a ansiar por contínuas mudanças, e é isso também o que o torna presa  fácil de uma certa falsidade. Por isso escreve Thibon, com certeira metáfora: "Olhai para esse homem. A sua alma, vazia de ideais, é como um deserto, e num deserto é impossível deter-se; é-se obrigado a correr."

Do livro PROVÉRBIOS E VIRTUDES, de José Lino C. Nieto. Ed. Quadrante.

sábado, 10 de novembro de 2012

Filiação divina



"A filiação divina deve estar presente em todos os momentos do nosso dia, mas deve manifestar-se sobretudo se alguma vez sentimos com mais força a dureza da vida.

“Parece que o mundo desaba sobre a tua cabeça. À tua volta, não se vislumbra uma saída. Impossível, desta vez, superar as dificuldades.

“Mas tornaste a esquecer que Deus é teu Pai? Onipotente, infinitamente sábio, misericordioso. Ele não te pode enviar nada de mau. Isso que te preocupa, é bom para ti, ainda que agora os teus olhos de carne estejam cegos.

Omnia in bonum! Tudo é para bem! Senhor, que outra vez e sempre se cumpra a tua sapientíssima Vontade!”

A FILIAÇÃO DIVINA não é um aspecto entre muitos da vocação do cristão: de algum modo, abarca todos os outros. Não é propriamente uma virtude que tenha os seus atos particulares, mas uma condição permanente do batizado que vive a sua vocação. A piedade que nasce dessa nova condição do homem que segue os passos de Jesus “é uma atitude profunda da alma, que acaba por informar a existência inteira: está presente em todos os pensamentos, em todos os desejos, em todos os afetos”. Se considerarmos atentamente os desígnios de Deus, podemos dizer que todos os dons e graças nos foram dados para nos constituírem como filhos de Deus, como imitadores do Filho até chegarmos a ser alter Christus, ipse Christus, outro Cristo, o próprio Cristo.

Cada vez temos de parecer-nos mais com Cristo. A nossa vida deve refletir a sua. Por isso a filiação divina deve ser objeto da nossa oração e das nossas reflexões com muita frequência. Assim a nossa alma virá a encher-se de paz no meio das maiores tentações ou contratempos, pois viveremos abandonados nas mãos de Deus. Um abandono que não nos dispensará do empenho por melhorar, nem de empregar todos os meios humanos ao nosso alcance para lutar contra a doença, a penúria econômica, a solidão..., mas que nos dará paz no meio dessa luta. A vida dos santos, mesmo no meio de muitas provas, sempre esteve cheia dessa serenidade, como deve estar a nossa.

A filiação divina é também o fundamento da fraternidade cristã, que está acima do vínculo de solidariedade que existe entre os homens. Nos outros, devemos ver filhos de Deus, irmãos de Jesus Cristo, chamados a um destino sobrenatural. Desta maneira, ser-nos-á fácil prestar-lhes essas pequenas ajudas diárias de que todos necessitamos e, sobretudo, indicar-lhes amavelmente o caminho que leva ao Pai comum.

A nossa Mãe Santa Maria ensinar-nos-á a saborear essas palavras do Salmo II que líamos no começo desta meditação, e a considerá-las como realmente dirigidas a cada um de nós: Tu és o meu filho, Eu hoje te gerei."

Extraído de uma meditação de Falar com Deus, de Carvajal