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sábado, 27 de julho de 2013

Fazendo a nossa história

Atualmente, estamos sempre acompanhando todas as novidades lançadas. Aconteceu, virou notícia e logo saímos copiando e aperfeiçoando. Estamos em mais um novo milênio e as atenções andam bem direcionadas para os acontecimentos que estão fazendo história. As mudanças são muito rápidas - e cada vez mais rápidas. E, dentro dessa nova realidade, cabe perguntar: que história estamos construindo?

É hora de colocar as mãos à obra e construir uma história melhor - corrigindo o seu caminho, começando a mudança em nossos lares, com nossas famílias. Mudando pequenos aspectos no dia a dia, certamente, dentro de alguns anos desse novo milênio, estaremos realmente fazendo uma nova história. Porque a família é a célula-mãe da sociedade: se ela vai bem, tudo à volta melhora também. E aí surge uma nova pergunta: como podemos melhorar a vida da nossa família?

Vivemos reclamando do mundo, da violência, da corrupção, dos políticos - e essas são boas razões para pensarmos em alterar certos costumes em casa. Outra razão é o grande amor que temos pelos membros da nossa família. Ela é o bem mais precioso que temos, afinal, nosso lar é onde se juntam as pessoas que mais amamos e mais nos amam.

Não podemos ter a esperança de que tudo vai mudar de um dia para o outro, ou apenas porque um ano mudou. As pequenas mudanças virão da nossa luta diária para colocar muitas coisas nos eixos no nosso lar. Ao final de um período, esse esforço trará grandes mudanças para todos da casa, que, aos poucos, irão se consolidar e se transformar em hábitos.

.Podemos dizer que estas mudanças no lar agem como os ingredientes de uma receita em um bolo - para ser considerado delicioso, ele precisa ser cuidadosamente preparado e ter os ingredientes bem dosados.

Não existe uma receita que sirva para todas as casas. Cada família terá sua própria receita. Apenas sabe-se que algumas mudanças, quando bem dosadas, dão um sabor especial e ajudam a tornar a nossa luta mais fácil, sendo capazes de superar pequenos problemas familiares.

Numa família onde se exercita a alegria, o bom humor, a generosidade, o companheirismo e a comunicação, inevitavelmente consegue-se transformar o lar em um lugar especial, alegre e aconchegante. E todos aprendem a doar-se, com o exemplo dos pais.

A nossa luta para mudar o rumo da história pode durar anos. Mas, se formos perseverantes em nossos objetivos, teremos um futuro melhor, um amanhã alegre e luminoso para muitos, porque seremos como uma pedrinha caindo num lago, formando uma onda e outra e outra... E assim sucessivamente, dando ao mundo seres bem formados e com horizontes maiores.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Centro Diurno para Idosos Necessitados em Roma

Ajudar os outros é um compromisso que implica passar das palavras aos fatos. Os responsáveis pelo Campus Biomédico de Roma - uma obra corporativa do Opus Dei - e o ator de cinema Alberto Sordi compartilhavam o desejo de ajudar aos idosos da cidade. E assim surgiu o CESA.

Uma revista em cores, uma companhia de teatro, um ateliê de alta costura; excursões culturais, passeios pela natureza, férias de verão; um ambiente agradável, um grupo de amigos, uma ocasião para trabalhar em equipe...

Esta é uma pequena amostra do que o Centro Diurno para Idosos Necessitados de Trigoria oferece; mas — e isso é o mais importante— o centro é um lugar onde o ancião é valorizado e recebe ajuda para continuar crescendo como pessoa.

Em 2002, Ruggero, Ennio e Adriano constituíram com alguns amigos a Associação Alberto Sordi. Na sua origem, está o desejo de ajudar as muitas pessoas de idade avançada que já não podem viver completamente por si mesmas. 

Nesta iniciativa, o idoso é valorizado e recebe ajuda para continuar crescendo como pessoa.
Em não poucas ocasiões, pelo ritmo de vida acelerado que se leva na sociedade ocidental atual, os anciãos acabam não recebendo a devida atenção por parte das suas famílias; e, não raro, os problemas econômicos e assistenciais que costumam aparecer nessas situações levam ao esquecimento de que o idoso, em primeiro lugar é uma pessoa frágil e necessitada.
Em consequência disso, muitos idosos sentem-se sós ou inúteis, vivem enclausurados num mundo de preocupações, de insegurança afetiva ou econômica, e vislumbram o futuro com medo ou sem qualquer perspectiva.

No ano de 2001, a Universidade Campus Biomédico de Roma - uma obra corporativa do Opus Dei - pôs em andamento em Trigoria o CESA: Centro para a Saúde do Ancião, dedicado à assistência médica e à pesquisa sobre patologias da terceira idade.

Juntamente com a atenção médica e sanitária, nessas instalações desenvolve-se também um trabalho de caráter social.
Ninguém duvida de que vale a pena investir na formação das crianças, dos adolescentes e dos adultos. No Centro Diurno, dá-se um passo a mais: também se aposta na formação do idoso, que retém muitas potencialidades e que sempre pode crescer como pessoa.

O objetivo primário é ajudar a manter — e, quando, é possível recuperar e potencializar — as capacidades psicofísicas, para que, na medida de suas possibilidades, o idoso tenha uma vida ativa e gratificante. No fundo, trata-se de conseguir que as pessoas idosas recuperem sua dignidade, se sintam úteis e vivam felizes.

Muitos estudos demonstraram que a perda das faculdades mentais não se deve tanto à elevada idade, mas à falta de exercício, de estímulos intelectuais e de vida social. Por isso, seguindo a metodologia do fazer, são organizadas atividades que ajudam a manter em exercício as faculdades pessoais. São atividades variadas, desenvolvidas em grupo.

A ênfase das atividades é posta no fazer, e busca-se que todos sejam protagonistas e não meros espectadores. Não são um fim em si mesmas, nem servem meramente para ocupar o tempo; o objetivo é contribuir para o desenvolvimento da pessoa em todas as suas dimensões: espiritual, relacional-afetiva, intelectual e corporal.

"Após muito tempo, minha mãe quis voltar ao cabeleireiro. Há um ano, lia poesias ao meu avô... Agora sou eu quem o escuta recitá-las". Frases como essas são comuns na boca dos parentes dos idosos que vêm ao Centro. É um fenômeno que se comprova uma e outra vez: com o passar do tempo, muitos anciãos recuperam a alegria de viver. Em princípio, os frequentadores vão ao Centro três dias por semana, mas é possível ampliar para cinco, se o idoso assim o quiser. A inscrição nunca é inferior a três meses: tempo mínimo para introduzir-se no ambiente e aproveitar as atividades oferecidas.
Mais informações sobre o Centro Diurno Anziani Fragili (em italiano).
http://www.fondazionealbertosordi.it/auto.asp?sID=3&sF=3
 Artigos relacionados
  http://www.opusdei.org.br/img/ra.gif    Vídeo exibido em 2011 pela Rede de Televisão RAI sobre o Centro de Anciãos (em italiano).
http://www.opusdei.org.br/art.php?p=51849

sábado, 12 de janeiro de 2013

Uma constelação de famílias – parte 2

Continuação do texto postado pelo padre Francisco Faus, conhecido por suas numerosas obras pela Editora Quadrante, em seu site www.padrefaus.org , no dia 8 de dezembro passado, dia da Imaculada Conceição. 

 A família, sim, a família já foi e deveria ser agora o caldo de cultura mais propício para a descoberta, a valorização, o aprendizado e a prática das virtudes. Mas, em que pé está a família entre nós? Será que há algum empenho dos poderes do Estado em fortalecê-la como estrutura vital e moral indispensável para a construção do bem da sociedade. Creio que não está longe da verdade afirmar que, aparentemente – a julgar pela evolução do direito de família e dos projetos de lei em trâmite –, nota-se mais um empenho, por parte das cúpulas do poder, em desestruturar a família e em desferir-lhe golpes de morte.

Estamos numa encruzilhada, e, além de honesto, é necessário não esconder a cabeça debaixo da asa. Não duvidemos. A futura sociedade brasileira encaminha-se para uma dessas duas possibilidades, apontadas pelo jurista Pedro J. Viladrich: ou ser uma “constelação de famílias”, dessas células primárias, vitais, naturais, sadias, que constituem o bom tecido social; ou ser um “aglomerado de indivíduos”, preso cada um deles ao  interesse particular e ligado aos demais pelo que Gustave Thibon chamava um “egoísmo compartilhado”.

Na verdade, é perfeitamente compatível, na prática, ficar apregoando ideais   comunitários e metas sociais – de resto legítimas – e, simultaneamente,  viver obcecados pela exaltação idolátrica do “indivíduo” com seu acúmulo de “direitos intocáveis”, como hidras que a cada dia criam uma nova cabeça. A maioria vive aos pés de um ídolo nitidamente egoísta, ao qual se sacrifica, como nos ritos pagãos, a família, os filhos, a razão, a moral, a  ética, o respeito… e a virtude.

Por isso, pergunto-me se não terá chegado já o momento em que os responsáveis pelos destinos do Brasil, em vez de se dedicarem a lançar lenha na fogueira onde se incineram os valores familiares,  voltem a sua atenção para a família, conscientes de que está – em boa parte por culpa deles mesmos – frágil e doente. Eu não duvido de que é na família, na autêntica família, mais do que em qualquer outro quadro de convivência, o “lugar” onde podem ser cultivados os valores, as virtudes e as sábias “tradições”, que constituem o melhor embasamento da educação cidadã.

Quando a família for valorizada e defendida como um ideal, quando for uma meta prioritária do poder; quando for protegida e defendida como verdadeira “célula-base” da sociedade, então poderemos confiar em que as nossas crianças e adolescentes consigam aprender, como quem respira, o que significa amar  e ser amado, conviver, compartilhar, respeitar, abraçar o desprendimento  e conquistar o autodomínio e a capacidade de doação; e, assim,  tornarem-se justos, amantes da verdade e da palavra, responsáveis pelos demais… Que consigam aprender, em suma, as virtudes que capacitam as pessoas para serem construtoras de uma sociedade justa e “respirável”.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Uma constelação de famílias – parte 1

Este texto foi postado pelo padre Francisco Faus, conhecido por suas numerosas obras pela Editora Quadrante, em seu site www.padrefaus.org , no dia 8 de dezembro passado, dia da Imaculada Conceição.  Leiam e meditem, é muito profundo e rico em mensagens verdadeiras.

É conhecida a sentença que, com pequenas variantes, afirma: «Família sadia, sociedade sadia. Família em crise, sociedade em crise».
A rotundidade dessa afirmação é, sem dúvida, discutível. Mas é inegável que encerra um grande núcleo de verdade.(...)
Eu desejaria agora, concretamente, frisar apenas uma das razões que, a meu ver, evidenciam o nexo de causalidade existente entre família sadia e sociedade sadia.

Refiro-me ao fato de que, na sociedade, não há nenhum âmbito de crescimento humano e moral, nenhum ambiente educativo, nenhum   “coletivo” tão propício e eficaz para o cultivo das virtudes como a família bem estruturada. E isso parece-me de suma importância,  levando em consideração que, no mundo atual, cada vez parece mais evidente que a sociedade precisa, como de um oxigênio vital, das virtudes, de virtudes mesmo: aprendidas, arraigadas, exercitadas e desenvolvidas até a maturidade. Decadência social e ignorância ou desprezo pelas virtudes são a mesma coisa. (...)

 A sociedade atual, com suas mazelas, com os preocupantes desvios de uma parte não pequena da juventude (basta pensar nas drogas) é de molde a reacender uma autêntica “saudade das virtudes”. Mas, pergunto-me, será isso possível ao mesmo tempo em  que se exalta como nunca a “liberdade ilimitada” como único valor moral, ao passo que se desprestigia a família?

Penso que, nos nossos dias, muitas vezes pode ser bom mergulhar  um pouco na sabedoria dos antigos. Remontemos a 2.500 anos atrás e ouçamos Confúcio  dizer: «Para governar deliberadamente um reino é necessário dedicar-se primeiramente a estabelecer a família e o ordenamento que lhe convém … Uma família que responda às exigências humanas e pratique o amor bastará para infundir no reino estas mesmas virtudes» (Confúcio: Studio integrale,IX.3. Milão 1960).

Muito nos pode dizer também a sabedoria dos gregos. Qualquer estudioso da antiguidade clássica sabe que, entre os poetas e filósofos gregos – e, posteriormente, entre seus discípulos latinos – a grandeza do ser humano estava indissociavelmente vinculada à “aretê”,  conceito de rico conteúdo cuja tradução mais aproximada, na linguagem moderna, é precisamente a de “virtude”. O homem vulgar – recorda Werner Jaeger na sua famosa “Paideia”– não tem “aretê”. E, nas pegadas de Sócrates, Platão reiterará que a virtude, a “aretê”, é a que torna a alma bela, nobre e bem formada, a que abrange e eleva o “humano” em sua totalidade … e irradia depois como glória na vida da comunidade. (...)

Pois bem, perante isso, parece preciso perguntar-nos: Onde é que a  nossa juventude aprende a “aretê”, a virtude, que deve ser, acima de tudo, um valor reconhecido e amado pela criança, o adolescente e o jovem, uma convicção enraizada, uma prática exercitada com empenho, da  qual depende o bem da pessoa e da sociedade? Será que hoje se pode dizer que a virtude se aprende na escola, em qualquer dos seus níveis e graus? É evidente que não. E em casa…?

sábado, 3 de setembro de 2011

Li por aí- (21)Vovós usam a Internet para combater solidão no Japão

Um assunto que ao mesmo tempo mostra o avanço tecnológico e a tristeza dos idosos rejeitados.

Um tema bom pra ser meditado e vermos as vantagens da tecnologia para todos estarem ligados e usufruírem da melhor maneira possível. Como vamos querer o nosso futuro familiar: deixados de lado e sozinhos como estão estes japoneses atualmente, ou inseridos numa família onde se ensinou a amar e respeitar os idosos?

Por Yuko Takeo

TÓQUIO (Reuters) - Há 15 anos, uma sensação de isolamento cada vez maior causada pelo envelhecimento levou Kayoko Okawa, então com 66 anos, a procurar um centro local de voluntários e perguntar timidamente se alguém da idade dela poderia criar uma comunidade online para idosos.

A enérgica Okawa, agora com 81, hoje é presidente do 'Grupo das Avós do Computador', e diz que usar a Internet pode aliviar a solidão do crescente número de idosos que vivem sozinhos no Japão e, mais importante, evitar uma morte solitária -- o que muitas vezes passa despercebido por longos dias.

'Gosto de lembrar da época em que escrevia cartas e enviava desenhos e fotos', diz Okawa. 'Era o toque pessoal que importava.'

Rejeitada 15 anos atrás por muitos grupos, com comentários do tipo 'não há como uma vovó como você fazer uma coisa assim', as perguntas hesitantes de Okawa terminaram por ser respondidas com entusiasmo amistoso e conselhos por dois jovens, que imediatamente se ofereceram para ajudar a montar a rede e imprimir cartões de visita para a fundadora.

Defendendo um maior uso da tecnologia da informação pelos idosos, as 'Vovós da Computação', grupo que hoje congrega mais de 250 mulheres e -- homens -- de todo o Japão, promovem duas aulas mensais para ensinar os idosos a usar a Internet. Também operam uma lista de discussões que se tornou uma movimentada comunidade online.

'Suponho que a expansão aconteceu porque todo mundo se sentia solitário. É um momento da vida em que todos, homens e mulheres, se sentem um pouco sozinhos', disse Okawa.

'Falamos sobre a 'sociedade em envelhecimento' e sobre a 'necessidade de apoio psicológico' e coisas assim... mas a verdade é que todo mundo se sente um pouco sozinho', acrescenta.

Quando Okawa começou sua jornada, os computadores pessoais ainda eram bem caros, com preços de mais de 600 mil ienes (7,8 mil dólares em dinheiro atual), bem além do alcance dos aposentados.

Ela e um grupo de voluntários solicitaram doações de computadores usados a empresas, e conseguiram o que precisavam em uma visita à subsidiária japonesa da Microsoft.

'Entrar no depósito deles foi como entrar em uma caverna do tesouro', disse Okawa.

sábado, 23 de abril de 2011

Orgulho da ciência nacional

Reproduzimos a seguir, inclusive mantendo o título, uma importantíssima matéria da internet. Resolvemos divulgar devido à sua relevância científica e alcance ético conjugados em uma só descoberta, para orgulho nosso, de cientistas brasileiros, no processo final. Vem ao encontro da certeza compartilhada por muitos de que exemplares avanços científicos e tecnológicos são possíveis sem que se ameace a existência humana. Parabéns aos cientistas que dedicam sua vida a salvar outras vidas.

"É motivo de comemoração na ciência brasileira. Um grupo de pesquisadores acaba de demonstrar, pela primeira vez, a reprogramação de células adultas de indivíduos brasileiros para um estágio pluripotente. Essas células, conhecidas como células-tronco pluripotentes induzidas (ou células iPS, do inglês), se comportam de forma semelhante a células-tronco embrionárias e tem o potencial de se especializar em outros tipos celulares. Com essa publicação, o Brasil entra para um seleto grupo de países que possuem a tecnologia. Com exceção da China, os outros são países desenvolvidos.

O trabalho pioneiro, liderado pela Dra. Patrícia Cristina Baleeiro Beltrão-Braga, da USP, acaba de ser publicado e está disponível online (Beltrão-Braga e colegas, Cell Transplantation 2011). Além da Patrícia e seu grupo da USP, o trabalho conto com o apoio do laboratório da Dra. Irina Kerkis, do Instituto Butantã.

No trabalho, o grupo inova no uso das células de origem. Ao invés de utilizar células da pele, como a grande maioria dos grupos fazem, Patrícia utilizou células imaturas extraídas da polpa de dente de crianças brasileiras. A vantagem? A técnica não é invasiva (não é necessário uma biópsia para extraí-las) e aparentemente o processo de reprogramação acontece mais rápido.(...) O fato de não haver um contato físico com a pessoa acelera a aquisição de material para estudo, especialmente no caso de doenças pediátricas, aonde é relativamente fácil de se conseguir dente-de-leite.

As primeiras células-tronco pluripotentes induzidas a partir de células já diferenciadas de humanos foram demonstradas pelo grupo japonês de Shinya Yamanaka, em 2007. O processo é atraente pois, além de extremamente simples, nenhum embrião ou óvulos humanos são destruídos. Mesmo simples, nenhum grupo da América Latina havia publicado antes. Outro trabalho pioneiro, liderado pelo Dr. Dimas Tadeu Covas, da USP de Ribeirão Preto chegou perto. O grupo de Dimas tentou reprogramar células da pele importadas dos EUA usando uma combinação nova de fatores durante o processo. Porém, as células obtidas foram apenas parcialmente reprogramadas além de apresentar instabilidades genéticas (Picanço-Castro e colegas, Stem Cells and Development 2011).

O domínio das técnicas de reprogramação celular garante ao país a chance de competir e inovar com novos modelos de doenças humanas, principalmente aquelas características no nosso povo ou que afligem países em desenvolvimento. Além disso, agora é possível estudar doenças de alta incidência, como o espectro autista, em populações brasileiras. Nosso conteúdo genético é bastante diverso e novos insights podem surgir desses estudos."

Fonte G1 - http://g1.globo.com/platb/espiral/2011/03/17/pesquisa-de-ponta-no-brasil/

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Nós e o ambiente

Por Maria Teresa Serman

Este texto foi retirado de uma palestra do bispo D. Rafael Lhano Cifuentes, autor de vários livros conhecidos, como Otimismo, Grandeza de Coração, e outros. O tema é atual e a abordagem, como sempre, esplêndida, aí vão os principais pontos.
O poder da internet faz com que as pessoas fiquem tremendamente influenciáveis. Pautam suas vidas pela opinião da maioria, pelo que ouvem dizer, pelo que os outros acham ou pensam. Deixam de ter vida própria.

O critério deve ser o da qualidade, não o da quantidade: se muitos assim, não quer dizer que todos devem imitar. Esse comportamento foi o comportamento dos primeiros cristãos, que eram uma pequeníssima minoria, diante de um mundo pagão, e esse fermento levedou a massa. A coerência de suas atitudes, apesar de liderados por rudes pescadores da Galiléia, fez com que transformassem o mundo, a partir de Roma e dos centros cristianizados.

A muitos custou a vida, e a nós também deve custar cotidianamente, em um martírio incruento, de negar-se a fazer o que nos impingem, a seguir a manada. Como aqueles, precisamos dar o tom nos ambientes, aquecer os corações, não com paixões descartáveis, afetos utilitários, mas com amor forte e resistente às pressões da vida e dos homens. O fermento está se massificando, perdendo seu tônus. Não podemos permitir que o volume de outros ingredientes, como a sensualidade, o orgulho, a preguiça deteriorem o bolo. Se assim acontecer, o ser humano se tornará antropofágico - devorador de si mesmo. Como um monstro mitológico, consumirá os outros e o que ele mesmo ainda conserva de bondade.

Em vez disso, nossa vocação é renovar as estruturas sociais e morais de uma sociedade adormecida, acomodada na inércia do consumismo desenfreado, não só dos bens, mas do Bem em si. Cada um de nós deve ser uma usina atômica que provoque reações rebeldes ao conformismo. Podemos gerar amor, alegria, perseverança, união, do lugar mesmo onde estamos. É preciso um novo fermento daqueles que sabem pensar por si próprios, que consultam sua consciência, não o Google (Que é ótimo, mas não pode ser formador de opinião ou guia das consciências!). Uma personalidade bem formada se manifesta com garra, não com balidos de ovelha medrosa, que segue cegamente o rebanho.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

As incoerências que atrapalham na educação

Ontem saí pra comprar um antibiótico para nossa auxiliar, receitado pela dentista que lhe extraiu 2 dentes, e me surpreendi na farmácia com a explicação de que precisava da receita com data para obter o remédio. Tudo bem que o brasileiro se automedica muito, mas daí a colocar os antibióticos com retenção de receita vai uma grande distância, num país onde o sistema de saúde é péssimo e as filas enormes nos hospitais públicos. Caso fiquemos à espera de uma receita num hospital da rede pública, muitas vezes veremos gente morrendo sem chegar a ser atendido.

Desta situação vieram-me alguns pensamentos. Um deles é o da incoerência das mentes dos nossos governantes, que pensam em liberar as drogas ilícitas e põem dificuldades pra compra de remédio que muitas vezes vai salvar uma vida.

Outra idéia foi do quanto atrapalha esta incoerência dos dirigentes que não tem princípios morais firmes, e passam para nossos filhos, através da mídia que usam para se promover, conceitos errados e distorcidos, obrigando os pais a uma atenção redobrada no dia a dia para não deixarmos estas coisas atrapalharem na formação dos nossos filhos.

Fica difícil educar quando nossos filhos adolescentes e até mesmo os pré, veem nos jornais a opinião da cúpula de que o aborto é a solução para os namoradinhos distraídos, ou que subtrair verbas e usá-las em benefício próprio é muito natural. Coisas deste gênero são nocivas à educação e minam as bases de uma sociedade que busca o bem para todos.

Forma-se uma sociedade em primeiro lugar dentro de cada família. Esta é a responsável por seus membros e deve prepará-los para conviver em grupos distintos. E ao ensinar o que é certo como bem supremo, não pode ser desvalorizado nem desrespeitado pelos que nos governam.

Vamos lutar sempre, as famílias de bem, para que os valores reais sejam respeitados e tenhamos liberdade para exercê-los. Não podemos tolerar sermos marginalizados nem que tenham preconceito com o que é certo e bom para a sociedade.

Essa inversão de valores vigente na classe que governa mostra uma sociedade doente e multiplicadora de erros . Precisamos estar sempre bem formados para formarmos bem nossos filhos, mostrando o certo e o errado e as máscaras que os dúbios gostam de colocar para encobrirem seus erros.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Filhos criados preocupações aumentadas

Quando os filhos crescem, chegam à adolescência, os nossos trabalhos diminuem radicalmente e na mesma proporção aumentam as preocupações. Mesmo que tenhamos dado a melhor educação e formação humana, com esta sociedade cheia de problemas, os jovens tendem a estar mais expostos ao sofrimento e com isso mais confusos, perdendo o rumo com facilidade. O excesso de apelos e a quantidade enorme de ofertas tanto de diversão como de produtos de consumo e de atividades extra-escolares, geram grande instabilidade e insatisfação pelo fato de estarem sempre querendo mais, deixando-os assim mais vulneráveis para caírem nas tentações das drogas e violência.

Por mais que cuidemos dos nossos, sabemos que estão inseridos nesta sociedade conturbada e passíveis de contaminações com o ambiente.
O que fazer então?

Eu, pessoalmente, rezo, e muito, para que meus filhos não caiam neste buraco sem volta da autodestruição, e, ao mesmo tempo tento ser exemplo, junto com meu marido, de estabilidade familiar. Importa muito para eles a confiança nos pais e a certeza de terem um chão firme a sua volta para passarem essa fase da adolescência de forma sadia.

As preocupações, daí pra frente, sempre existirão, seja com os estudos, a saúde, o comportamento, mas poderão ser atenuados na medida em que cuidamos bem da educação desde pequeninos.

O trabalho que tivemos com eles pequenos não foi em vão, se o fizemos com o objetivo de formar homens e mulheres de verdade para o futuro. Amor se mede através do esforço que fizemos e do empenho que pusemos para podermos ver à frente , estes filhos bem sucedidos na vida e felizes não por terem muitas coisas, mas por serem a diferença.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Dicas para viver bem numa sociedade de consumo

Por Rafael Carneiro da Rocha

Vivemos numa sociedade de consumo. Precisamos comprar, mas muitas vezes não sabemos como usar o nosso dinheiro. O que é necessário? O que é supérfluo? Na hora de fazer as contas, quando nos assustamos com tantas despesas é que sentimos o incômodo peso da responsabilidade (ou falta dela). Entramos numa fria, porque não soubemos resistir aos excessos consumistas.

Diante dessa realidade capitalista, somos inclinados a encarar a vida como um vai e vem de despesas. Porém, precisamos ser mais do que consumidores. Precisamos ser pessoas, criaturas com inteligência e criatividade.

Não podemos deixar que o “bom senso” pregado pela sociedade sempre dite os rumos de nossas vidas, até porque numa sociedade imperfeita os “bons sensos” são muitas vezes imperfeitos. Se a sociedade de consumo rebaixa jovens à condição de causadores de despesas, o “bom senso” pregará que os casais não tenham filhos ou, se tiveram, que respeitem as atuais taxas nórdicas de 0,8 crianças por família. É preciso ter criatividade para ter os benefícios da sociedade de consumo como acessórios para a vida e não como determinantes.

Uma medida bacana que gera economias consideráveis a longo prazo é anotar todos os gastos e fazer uma espécie de planilha orçamentária a cada mês. Não precisa nem ser algo sofisticado. Confesso que uma das minhas lacunas graves de conhecimento é não saber usar o Excel. Para pessoas pouco afeitas à tecnologia como eu, anotar tudo numa agenda e passar os gastos à limpo no fim do mês funciona da mesma forma. Assim, é possível descobrir onde gastamos de forma problemática.

Mas se o comportamento disciplinado for muito chato para você e a avareza nunca fez parte do seu vocabulário, uma recomendação é que se saiba agir em parceria com os impulsos consumistas. Às vezes é bom traçar grandes planos de consumo. Selecionar investimentos muito satisfatórias, como uma viagem dos sonhos ou a aquisição de um imóvel, é uma forma agradável e consoladora de descartar algumas despesas não fundamentais. Trocar o carro por um modelo mais barato e econômico pode significar, por exemplo, uma forma de poupar que terá grande valia no futuro.

Pesquisar cuidadosamente antes de comprar coisas caras, manter apenas um cartão de crédito, não ceder à vontade de “impressionar” os outros e dar preferência sempre que possível ao pagamento à vista são outras boas medidas para ter um pouco de sossego na administração das finanças.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Nadar contra a corrente

Por: Maria Teresa Serman

Vivemos um tempo inconstante em matéria de princípios e valores, sob o domínio do "politicamente correto" e a hegemonia do EU. EU me amo; EU me coloco em primeiro lugar; EU faço o que me dá prazer antes e acima de tudo; só EU sei o que é bom para MIM; EU sou dona do meu corpo; EU não me arrependo de nada; EU mereço; EU o amo porque ele ME faz feliz, e por aí vai, sem limites. Na verdade não há limites para o egocentrismo humano a não ser pelo bom senso, artigo de primeiríssima necessidade e bastante escasso no mercado atualmente.

O delicado equilíbrio que deve reger as relações entre as pessoas, seja na família, no trabalho, nos ambientes sociais e políticos, só se consegue pela tolerância e paciência, irmãs íntimas do citado bom senso. Este não é acessível aos diplomas do mais alto nível, se não for cultivado na humildade da mente que reconhece sua pequenez e falibilidade. Quem "se acha" não é capaz de enxergar pelos olhos do outro. E considero que, neste momento histórico, a principal agente desta instabilidade é a mulher.

Passamos da nulidade civil à cidadania; da total subserviência à ascensão profissional; do ambiente doméstico aos mais altos cargos. Essa revolução foi muito desejada; contudo, está sendo muito mal utilizada pelas próprias combatentes, agora tanto vencedoras quanto vítimas.

“A mulher está destinada a levar à família, à sociedade civil, à Igreja, algo de característico, que lhe é próprio e que só ela pode dar: a sua delicada ternura, a sua generosidade incansável, o seu amor pelo concreto, a sua agudeza de engenho, a sua capacidade de intuição, a sua piedade profunda e simples, a sua tenacidade...” Esta declaração de S. Josemaria Escrivá exemplifica com propriedade as principais características do eterno feminino, que se quer a todo custo sufocar.

É inegável a importância do que conseguimos; mas também lamentável é a distorção que nós mesmas nos impusemos. Sacrificamos essa "delicada ternura", essa "generosidade incansável" em troca do que mais condenávamos nos homens - a insensibilidade, o machismo, o domínio. Não se trata de voltar à idade das cavernas, mas de reagir contra esta onda poderosa de egoísmo e banalização da feminilidade. Podemos surfar, se não der pra nadar, aproveitando o que é bom e deixando para trás os detritos da insensatez que vem contaminando a família, a sociedade, a humanidade. Está na hora de uma nova revolução.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Família na Idade Média

Texto de Luiza Zelesco Barreto - Historiadora

A família ocidental, na forma como nós a conhecemos, é, por assim dizer, uma “invenção” medieval. É claro que a família sempre existiu, mas ela aparece de formas muito diferentes de acordo com cada sociedade. Na antiga sociedade romana, uma sociedade marcada pelo individualismo, o homem é que contava; ele era o chefe da família, o proprietário de sua mulher e filhos, como se estes fossem um bem que lhe pertencia pessoalmente, e sobre os quais ele tinha poderes mais ou menos ilimitados. Sua mulher e seus filhos lhe eram inteiramente submissos e guardavam um estado de eterna menoridade. Enquanto estivesse vivo, até mesmo seus netos e bisnetos lhe deviam obediência direta, mais que a seus próprios pais.

A originalidade da Idade Média, neste contexto, é justamente a sua organização baseada na família, e em um novo modelo de família, fundado no modelo de casamento cristão. Ao compreender-se o matrimônio como um contrato a ser estabelecido entre o casal, dá-se voz também à mulher. A família se funda assim na união do homem e da mulher e nos filhos que naturalmente virão dessa união. É uma visão que toma por modelo inclusive a Sagrada Família, cuja devoção aumenta continuamente ao longo da Idade Média. Claro que os casamentos arranjados continuam a acontecer, mas valem quase sempre tanto para o homem quanto para a mulher, ou seja, os pais decidem o casamento dos filhos, em oposição ao modelo antigo, no qual o homem tomava para si uma mulher. A união não se estabelece mais, como na antiguidade romana, por uma concepção estatista da autoridade de seu chefe, mas por este novo fato de ordem tanto biológica quanto moral: todos os indivíduos que compõem uma mesma família são unidos pela carne e pelo sangue, seus interesses são solidários, e nada é mais respeitável que a afeição natural que os anima, uns pelos outros.

Todo relacionamento desta época é estabelecido sobre o modo familiar: os dos senhores com seus vassalos, os dos mestres com seus aprendizes, todos se fundamentam no estabelecimento de um contrato entre iguais. Senhores e mestres estão em posição superior apenas circunstancialmente; em essência, são todos iguais entre si. Isto se reforça ainda mais pelo fato de o vassalo de um determinado senhor poder ter seus próprios vassalos sendo, por sua vez, senhor dos mesmos. Todos, entretanto, fazem parte de uma mesma família, tanto em um sentido mais concreto – os aprendizes moram com os mestres e participam de sua vida familiar; vassalos com freqüência comem à mesa de seus senhores – quanto em um sentido mais abstrato, porém igualmente presente: são todos irmãos em Cristo, integrantes da grande família que é a Cristandade.