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segunda-feira, 7 de março de 2016

Transição profissional - de Física Nuclear a dona de casa e avó

Por Lilian Rose Sobral da Costa

Ao longo dos meus 37 anos de trabalho, eu cuidei da minha casa, e de meus três filhos, mas sempre tendo alguém que me ajudasse; no inicio meus pais e depois empregadas. Entretanto nos fins de semana e feriados não contava com ninguém, somente eu mesma. Sempre fui muito pratica e organizada, mandava deixar comidas congeladas, e o tudo mais previamente preparado.

Como as crianças iam para o colégio de transporte escolar, não participei da tarefa de levá-los e busca-los na escola. Ficava fora de casa praticamente de 7 da manhã às 19h, considerando o tempo no transporte. Monitorava-os pelo telefone, e olha que naquela época não existia celular! Todos se transformaram em homens de bem, formados, e já constituíram suas famílias!

Um dos meus filhos mora comigo, ele a esposa dois netos e mais um a caminho. Meio a isso tudo a tão sonhada aposentadoria se concretizou: no final de dezembro!

No primeiro mês de aposentada me sentia como “um estranho no ninho”, tentando colocar as coisas do meu gosto, pois deixei tudo por conta dos que moram aqui. Não é fácil fazer mudanças; tive a sensação estranha de estar sobrando na minha própria casa! Aos poucos as coisas começam a se aclimatar, e estou conseguindo, dizer o que gosto ou não, quanto às comidas, e outras coisas!

O bom de isso tudo é ver que já estão começando a se acostumar com a minha presença em casa! As crianças estão se acostumando que eu as leve e busque na escola, (ainda travo um pouco de luta para colocar o mais novo na cadeirinha). O mais velho já senta e coloca o cinto de segurança sem problemas, sentindo-se o chefe da turma. Ele entendeu que não vou mais trabalhar diariamente; às vezes fala que eu deveria voltar a trabalhar, para poder ganhar dinheiro para comprar muitos brinquedos para ele! Pois digo que agora aposentada não ganho dinheiro, e não posso comprar os brinquedos caros que ele pede!

Está sendo uma nova vida, novas tarefas, que nem da para sentir falta do trabalho, sinto falta dos amigos, dos almoços alegres. Mas não sinto nenhuma falta de acordar cedo!
O engano foi pensar que teria muito tempo pra mim, passear, ir ao cinema, viajar, etc...
Faço tudo correndo!

As atividades de uma vó aposentada são muitas! Mas as alegrias também são inúmeras: quando um se deita em cima da minha perna e diz, “vovó é tão fofinha é gostosa para deitar”, a gente morre de rir; as discussões ao voltar do colégio, pois ele quer uma irmãzinha, mas vem outro menino, eu explico que papai do céu é quem escolhe e sabe o que é melhor para ele, que um irmão vai brincar com ele de bola e de carrinho, mas nenhum argumento o convence!

Minha vida girava mais em torno do trabalho, agora gira em torno da família e dos amigos, que graças a Deus os cultivei sempre!

Física nuclear, quem é? Já nem me lembro mais!!! Ainda tenho mais outro neto, que não mora comigo, mas as vezes precisa também desse carinho da vovó.!

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Homenagem a uma pessoa que tanto amo - um exemplo de vida

Por Carol Balan

A mãe do meu pai era aquela avó com tudo que uma avó tem que ter: Fazia comida gostosa, dava doce e/ou dinheiro pra comprar doce, era fofa de abraçar, tinha uma casa com quintal maravilhoso pra brincar.

Também era excelente para dar conselhos, ouvia a todos e sempre procurava entender o problema. Ela sempre queria que todos estivessem unidos e bem, então se preocupava em fazer de tudo para a família estar unida.

Por exemplo, quando ela presenciava uma briga entre minha mãe e eu, depois que as coisas se acalmavam, ela vinha falar comigo, dizia pra eu não falar assim com a minha mãe, que devia respeitá-la e coisas assim. Eu ficava brava, resmungava com ela, mas acabava concordando. Anos depois, descobri que ela fazia o mesmo com minha mãe, dizia para ela ter paciência, que criança/adolescente é assim mesmo e por aí vai.

Quando tinha aniversário, ela ligava para o aniversariante logo cedo, para dar parabéns e já certificava que teria bolo à noite. Em seguida, ligava para as outras noras, lembrava que era aniversário do fulano e avisava que à noite ia ter bolo. Dessa forma, ela sempre garantiu que a família se mantivesse unida, pois estávamos sempre juntos nas datas importantes. Além disso, isso virou tradição pra mim: não deixo passar um aniversário sem bolo e parabéns!

Ela foi uma pessoa incrível, sempre amou demais sua família, fez de tudo para que todos sempre estivessem juntos e essa foi uma das lições mais importantes que ela me ensinou!

Essa semana, no dia 28, ela completaria 98 anos! Já faz 14 que ela se foi, mas tudo que ela nos ensinou irá nos acompanhar para sempre e por isso lhe sou eternamente grata! Parabéns vó Lydia!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

A experiência de ter dois netos

Por  Olga Lavor

Quando soube da segunda gravidez da minha filha, surgiu aquela expectativa de como seria quando da chegada do segundo neto. O que nós, avós, sentiríamos, já que amamos tanto o primogênito? Amaríamos o segundo com igual intensidade? Muitos talvez respondessem de pronto, que "é lógico que sim”, mas a lógica não é tão clara. De fato, estamos muito preocupados com os sentimentos e com o bem-estar do primeiro neto, com o impacto da chegada do novo bebê sobre ele, que pouco entende da realidade à sua volta, e com o impacto da falta da mãe, que estará às voltas com o recém-nascido.

Passados alguns dias, porém, tudo vira rotina. Logo você começa a ajudar a filha com o novo membro da família – às vezes ajudando a colocá-lo para dormir, às vezes tentando aliviar algum desconforto; por vezes, até mesmo fica com o bebezinho para que a mãe possa descansar. Nestes breves momentos, o amor vai aflorando, aflorando e, quando vamos ver, já estamos amando e achando o novo netinho a coisa mais fofa do mundo!

Vejo, também, como é importante a ajuda das avós com o filho mais velho, possibilitando que a mãe fique totalmente livre para cuidar desse pequenino que requer muitos cuidados – de modo especial porque o irmão maior vai estar muito curioso com a presença do caçula, e, portanto não podemos vacilar na vigília, a fim de evitar qualquer afago mais bruto.

Como regra de convivência, busco não violar a autoridade dos pais e guardar minhas opiniões quando estas não forem solicitadas, evitando possíveis atritos (principalmente porque, neste período, os hormônios da filha estão ainda alterados. Isso, cumulado com o cansaço extremo e as noites mal dormidas, pode ser uma bomba relógio).

Fico muito feliz em poder dar mais uma vez este apoio para a minha filha. Além de ser uma oportunidade de participar de sua vida e ajudá-la, é também um momento em que testemunhamos a partilha e a renúncia – renúncia, sim!, pois temos de aprender a dividir nosso tempo e abdicar de muitas coisas do cotidiano. O importante, no fim, é todos estarem bem, fazendo a sua parte e compreendendo os limites da intromissão, sempre em respeito à liberdade do outro.

Meus netos são lindos e me alegra muito vê-los crescendo na Graça de Deus!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A última vez que falei com meu avô


Um relato de como os avós são importantes na formação dos netos e como marcam presença em suas vidas:

Estávamos em fevereiro de 1990, a família e meu avô fazíamos uma viagem de carro que saiu do Rio de Janeiro, foi até Foz do Iguaçu parando por diversas cidades e voltava até Angra dos Reis onde ficaríamos o restante das férias.

Num determinado dia, em que fazíamos um trecho grande da viagem furou o pneu do carro e a chave de boca não conseguia soltar os parafusos da roda. Pensei com meus botões: “hoje não vamos chegar à cidade em que deveríamos dormir”. Eram 15h da tarde e meu avô disse que rezássemos a devoção da hora da Misericórdia por um minuto, pois Cristo nunca negava nada àqueles que pedissem naquela hora. Do alto da sabedoria teológica dos meus 14 anos falei também com meus botões: “bobagem, isso não tem nada a ver”. O fato é que poucos minutos depois encostou um caminhoneiro que emprestou sua chave de boca, trocou o pneu, partimos e chegamos pontualmente à cidade de destino. Confesso que meu queixo caiu. Mas esqueci do assunto.

Avancemos para o ano 2009. Precisamente no dia 1 de fevereiro. Meu avô havia se submetido a uma cirurgia eletiva há alguns dias, e após a cirurgia teve um enfarto e ficou internado na UTI.

Neste dia, fora do horário de visitas, usando de alguns privilégios, eu fiquei um tempo com ele e meu relógio marcava 15h, falei: “Vô, são 15h, não quer rezar a sua devoção da hora da misericórdia?”. Ele repetiu o que havia falado em 1990, e pediu para que a situação de saúde dele se resolvesse da forma que o Senhor quisesse. No dia seguinte fui vê-lo, mas já estava inconsciente. Morreu naquela noite, já no dia 2 de fevereiro e de lá para cá todo dia às 15h eu lembro da devoção do meu avô e separo minha listinha de pedidos.

sábado, 26 de julho de 2014

Procuram-se avós!

Coisa gostosa é ter uma avó pra fazer bolinho de chuva, biscoitinho, café... Uma vovó pra dizer pra nossa mãe: “Ihh, sua mãe aprontava cada uma...” E um avô cheio de histórias pra contar! Que delícia ouvir com atenção os relatos de um senhorzinho de cabelos brancos e dobras no rosto...

Tive a oportunidade de conhecer meus quatro avós. Os avós paternos foram mais próximos de mim fisicamente. Chegaram a morar na mesma casa que eu e minha família morávamos. Já os maternos moravam distantes. A parte boa era que entrar de férias significava “ir pra casa dos meus avós”. Mas a vida é um ciclo e, com o tempo, fui perdendo meus velhinhos. Um de cada vez. A avó materna foi a última a falecer, quando eu tinha uns vinte anos.

Se você sentiu um clima de melancolia ao ler isso, saiba que meu sentimento é o oposto. Sou realizada por ter convivido com os quatro por um tempo não tão curto da minha vida. Meu irmão de treze anos não teve a mesma oportunidade, mas arrumou uma avó adotiva (uma amiga da família que o adotou como neto).

Dei essa volta toda para falar de um vovô em especial: meu pai. Ele é o terceiro filho de uma família de dez irmãos, tem quase 74 anos. Até pouco tempo atrás, apenas ele e um irmão (bem mais novo) não tinham netos. Enquanto isso, outro irmão, mais jovem que ele, já é bisavô! Como ele se casou aos 36 anos (idade um pouco avançada para a época dele) até que um filho atingisse a vida adulta, casasse e tivesse filho, ia demorar um pouco. O fato que quero destacar é: mesmo eu sendo a única filha casada (há sete anos) meu pai NUNCA me cobrou um neto!

Depois que meu filho nasceu, ele quebrou um silêncio de anos. Sempre que pega seu tão querido netinho no colo, conta: “Eu ficava me perguntando ‘Meu Deus, será que um dia eu vou ter um neto? Qual dos filhos vai me dar um neto primeiro? Eu não quero morrer sem um neto’”. Questionamentos que jamais tinham chegado aos meus ouvidos. Nem por terceiros. Ele diz que apenas rezava para que pudesse ver pelo menos um neto antes de morrer. Imaginava o neto correndo pelo quintal - agora esta cena de sua imaginação se tornou realidade. Bom, as orações foram atendidas.

Quantos pais e mães de filhos adultos não devem se fazer esses mesmos questionamentos! Nem todos com a mesma paciência que meu pai teve, de guardar em silêncio o desejo de ver os frutos de seus frutos. Acabam “cobrando” dos filhos: “Quando é que vocês vão me dar um netinho?” Já ouvi um caso de uma senhora que ofereceu uma viagem internacional a um casal para que eles lhe dessem um neto. A viagem que eles quisessem!

Mas somos uma geração tão ocupada... É o trabalho, a casa própria, a promoção no emprego, a faculdade, a pós-graduação... E nossos pais vão ficando velhos. E nós vamos ficando velhos... E um dia ficaremos mais velhos. Será que teremos netos?

Essa atitude de meu pai só me dá mais vontade de presenteá-lo com mais netos. Até porque um dia meu marido e eu também queremos ser avós e cobrir nossos netinhos de mimos, guloseimas e histórias...

A todos os papais e mamães “com açúcar”: Feliz Dia dos Avós!

Verônica Lunguinho -  é jornalista, casada, mãe do Miguel e mora em Brasília. É católica, gosta de comer e vive dando uma de quituteira nas horas vagas.

Doces Lembranças - 2 - Dia dos Avós

Quantas vezes nos paramos para lembrar aqueles momentos em que vivemos com os nossos avós, em especial aquele avô que descascava cana e fazia balanço no quintal todo arborizado, fazia carros de rolimã para descermos ladeira abaixo... E aquela avó que fazia os melhores doces do mundo, que sempre nos defendia e que estava sempre pronta para apaziguar e acalmar tudo e todos! Que alegria é ter avós!

Atualmente essa convivência que tínhamos ao ar livre é muitas vezes substituída por momentos de interatividade nas redes sociais, mas não importa, o negócio é estarem juntos, seja como for, pois pelo que se vê o corre-corre do dia a dia não permite que os avós se dediquem tanto quanto gostariam aos seus netos. A necessidade de continuar trabalhando mesmo após se aposentarem é algo que retira o tempo para a dedicação aos filhos e netos e por vezes, acaba por distanciá-los.

Outro fator que impede a proximidade de avós e netos são as separações! Por vezes, os pais se separam e os filhos saem perdendo, bem como os avós. Esses momentos de encontro, tão fundamentais na minha vida, permanecem na minha memória com riqueza de detalhes, marcaram minha vida!

Momentos como aqueles natais em que vovó cortava o pescoço de peru bêbado de cachaça (o bicho era temperado ainda vivo) e nós, os netos, saíamos numa corrida incrivelmente saudável e disputávamos quem iria pegar o peru sem cabeça que teimava em correr mais do que nós... Momentos como aprender com seu avô a subir numa jaqueira e ficar jogando caroços na cabeça dos primos que lá de baixo iniciavam uma “batalha” de caroços de jaca, até um de nós despencarmos da árvore no meio dos galhos e nos ralarmos todos, ou nos engancharmos no galho da amoreira ou da goiabeira e descer com os braços melados dos melhores sucos do mundo escorridos pelas roupas que, “coaradas” no sol, rapidamente ficavam novinhas, como só vovó sabia fazer!

Para mim, ter avós é mágico, é algo que te dá uma confiança incrível de que tudo realmente vai acabar bem. É saber que seus pais, que estão trabalhando ou viajando, serão substituídos a altura da responsabilidade porque os avós não pouparão esforços para suprir todas as nossas carências (principalmente as de doces...). Ter avós é ter a quem contar nossas travessuras, é saber que sempre eles estarão ao nosso lado, é ter a certeza que jamais um aniversário passará sem bolo ou doces com gostinho de infância, é ter se não o maior, um dos maiores amores do mundo! Dizem por aí que a melhor coisa do mundo é ser avó! Eu não sou avó ainda, mas por enquanto, eu acho que a melhor coisa do mundo é ter avó! É ter avô! Ainda que não mais estejam comigo aqui na terra, tenho a mais absoluta certeza de que tenho dois intercessores no céu!

Feliz dia dos avós a todos os avós!

Jaqueline de Oliveira Costa de Melo - carioca, católica, casada, mãe de 2 filhas, professora de religião, administradora, projetista, vendedora, dona de casa, bordadeira e costureira nas horas vagas.  

Doces lembranças: Dia dos Avós

Todo mundo gosta de dizer que as avós costumam fazer, pelos netos, tudo o que não fizeram por seus filhos. Talvez pela falta de vigor, ou mais ainda porque já se sabem não serem mais as educadoras primeiras de seus netos. Essa obrigação cabe aos pais. Sendo assim as avós e os avôs podem fazer tudo para seus netos, para que eles se lembrem deles com muito carinho e um amor sem limites.

Como hoje é o dia dos avós, justamente por ser o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Nossa Senhora, então reza a tradição comemorar com os avós e homenageá-los. Quem os tem, que aproveite bem o dia, passando com eles e dando muita atenção e retribuindo um pouco desse imenso carinho que sempre receberam deles.

Eu pude usufruir da presença de meus avós e guardo com muito carinho no coração, os inúmeros detalhes de afeto deles. Minha avó materna era exigente com os netos, mas nunca deixou de nos tratar com todo o amor que tão bem sabia dar. Uma das boas lembranças era do dia em que ia receber o pagamento do meu avô: ela levava minha mãe e uma das netas junto e sempre no final fazíamos um delicioso lanche na Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro. Era um fato marcante, para nós crianças, poder ter essa oportunidade de frequentar um lugar chique e refinado, ainda tão pequenas.

Cada presente caro que nosso pai não conseguia nos dar, acabávamos ganhando da nossa avó, coisa que meu pai não entendia muito bem e o deixava enciumado. Mas, nós, as netas, amávamos!

Vale a pena, e não me canso de dizer, dar esse tanto de amor aos netos, pelo simples fato de amá-los incondicionalmente. Os netos não ficarão deseducados por tantos mimos, saberão a diferença entre a autoridade dos pais e esse liberalismo dos avós. Mas, avós e avôs, não abusem! Tentem sempre consultar os pais antes desses arroubos de generosidade, para que todos se sintam bem e respeitados.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Minha filha voltou ao trabalho: e agora?

Por Olga Maria Lavor*

Minha filha está voltando ao trabalho depois de uma prolongada licença-maternidade e não quer colocar o bebê na creche. Como lidar com essa situação?

Bom, graças a Deus, o neném tem todas as avós vivas, e eu sou uma delas; e, apesar de morar distante, coloquei-me à disposição para ajudar. Para quem tem acesso a transporte público (de péssima qualidade, diga-se de passagem), é sempre possível dar um jeito.

Então aqui estou eu às voltas com o neto, dividindo os dias da semana com a avó paterna, que tem a sorte de morar mais perto.

Cuidar de um bebê fofo como o meu neto (avó também é coruja) é uma dádiva dos céus, e devemos sempre agradecer a Deus oportunidades como essa.

A viagem pela manhã é uma delícia: o ônibus vai fazendo seu itinerário maravilhoso pela praia da Barra, pelo Itanhangá, bairro nobre do Rio formado sobretudo por casas, e pelo Alto da Boa Vista. Depois deste percurso turístico, chego à casa do meu neto, que já me recebe com aquele sorrisão que deixa a avó bobona babando. Troco então de roupa (é importante não passar o dia com o bebê cheia de impurezas, em especial nos primeiros meses), minha filha vai para o trabalho e ficamos só eu, o bebê... e meu genro.

(Ia me esquecendo: meu genro trabalha em casa. Problema? Nada disso: solução. Ele me ajuda – e muito, apesar de meu esforço para não ocupá-lo em demasia. Minha convivência com ele é super tranquila, até porque ele é, como eu, alguém extremamente pacífico: é portanto o genro que eu pedi a Deus; para melhorar, às vezes ainda me permite ouvi-lo cantando gregoriano.)

Voltando aos meus afazeres: é essencial para as avós tentar não se meter nem mudar a rotina do casal. Assim, antes de minha filha sair já pergunto quais são os legumes da papinha do neném, incluindo o tipo de carne que devo fazer de almoço. Eu sei que o coração da filhota fica apertado por ter de deixar o filho, e por isso é meu dever mantê-la segura quanto ao andamento da casa, reduzindo assim seu sofrimento. Nessas horas, a experiência que acumulamos como mães tem de estar ao serviço de nossas filhas. Avó nunca deixa de ser exemplo.

Olga Maria Lavor – cearense, casada, mãe e avô.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

EmContando – 51 - Tempo com a Vovó 2 - Caracóis de Estimação

Vocês se lembram do Luigi? (clique aqui pra lembrar)

Pois bem. Voltei a brincar com meu neto. No ano passado, quando ele tinha quatro anos de idade, ele aprendeu a desenhar girafas, leões e outros bichos. Depois de colori-los, ele os recortava e aí começava a brincadeira. Ele era um bicho, eu era outro, e os dois ou mais iniciavam uma conversa que acabava em alguma divertida ou perigosa aventura.

Esta semana ele começou a desenhar caracóis, compulsivamente. Primeiro ele formou uma grande família e depois lhes deu  muitos amigos. Os caracóis  de estimação moravam na minha casa e andavam soltos. Os donos eram imaginários. Eu era um dos caracóis  e ele  o pai da família.

Na sala ele construiu uma casinha com blocos de madeira para que eles pudessem se reunir nela quando tivessem vontade.

“Quem construiu esta linda casinha  ?”, perguntei.

“Ninguém. Nossos  donos   compraram  ela numa loja de animais de estimação. É uma gaiolinha.”

“Eu vim da Turquia”. Comentei , querendo iniciar um diálogo.

“Então você é turquês?”

“Não, sou turco!”, mas de onde vieram os outros seus amigos?”, quis saber.

“Foram comprados em muitos outros países. Eu vim do Japão. Sou japonês.

 Passeávamos com os caracóis pra lá  e pra cá quando eu ameacei pular de um bloco de madeira. Ele levantou os braços assustado:

“Não pule. Caracóis não pulam, escalam.”  Ele aproveitou a situação e me convidou a escalar as montanhas-cama no quarto.

Escalamos montanhas-cama, cadeira, mesa, etc.  e quando descíamos de uma das montanhas muito íngremes,  um dos amigos caiu, e quando sugeri que fosse levado para o hospital,   pois sua concha  havia se quebrado, ele, prestativo e muito resoluto, se adiantou:

“Não, não precisa. Eu tenho conchas-reserva para esses casos. É só recortar uma e colar no lugar com fita durex. Foi correndo pegar seu caderno onde havia desenhado conchas de caracóis de todos os tamanhos. Até uns miudinhos para os bebês.

“Você está vendo? Não precisamos de hospital.”   Em um segundo substituiu a concha quebrada por outra e a brincadeira continuou.

Mais tarde, perguntei quem havia lhe ensinado a  desenhar aqueles caracóis tão bonitos e simpáticos, e resposta veio prontamente:

“ Foi meu cérebro que aprendeu, ele me ensinou e depois mandou a informação para minha mão.” Não é preciso dizer que fiquei com a boca aberta. Diz a mãe dele que deve ter aprendido essas coisas na aula de Expressão Corporal, na escola. Provavelmente.

Observação: Descrevi mais essa brincadeira para  partilhar com vocês essa gostosa diversão e também  para expressar minha surpresa e satisfação em constatar, mais uma vez, como as crianças pequenas  conseguem vivenciar bem suas fantasias. Os contos de fadas e a maioria das histórias infantis levam a criança para esse mundo do faz de conta, da imaginação, mas quando é ela que cria e exterioriza esse mundo fantástico das ideias, então só resta abraçá-la com carinho, continuar a brincar e dar graças a Deus por ela.

Agnes G. Milley

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Para lanchar com a vovó

Que tal preparar um lanchinho e chamar a vovó para passar uma tarde gostosa com os netinhos?

Um bolo fresquinho e um chocolate quente, já bastam para aquecer o coração da vovó no seu dia 26 de julho.

Bolo de fubá com coco fresco

Ingredientes:

- 1 xícara de chá de Qualy Cremosa
- 2 xícaras de chá de Açúcar
- 4 Ovos
- 1 xícara de chá de Farinha de Trigo
- 1 xícara de chá de Fubá
- 1 colher de sopa de Fermento em pó
- 1 xícara de chá de Leite
- 1 1/2 xícaras de chá de Coco fresco ralado

Bata a margarina com o açúcar até virar um creme claro e fofo. Junte as gemas e continue batendo. Acrescente aos poucos a farinha de trigo, o fubá e o fermento peneirados juntos, alternadamente com o leite.

Desligue a batedeira e misture o coco ralado.

Finalize adicionando as claras em neve, e misture delicadamente. Despeje em forma de buraco no meio (23 cm de diâmetro), untada e enfarinhada e leve ao forno médio (180ºC), pré-aquecido por 30 minutos.

Sirva ainda quentinho. É uma delícia.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Coisa antiga pode ser assunto cultural

Às vezes me pego cantando alguma musiquinha que me vem à lembrança, por alguma razão, de propagandas de produtos que talvez nem existam mais, mas que ficaram guardadas em algum cantinho da memória.

Com essas cantorias minhas, algumas filhas acabam aprendendo,  e passaram a cantar também, sem nem mesmo terem conhecido tal objeto ou lugar. E, quando  reproduzem  isso entre as amigas, estas ficam espantadas, por nunca terem ouvido tal coisa.

Seguem alguns com uma melodia agradável, que  podem  distrair a garotada e suscitar histórias para pais ou avós contarem a seus filhos e netos.

1 – Ao ver
um avião voando:
Estrela brasileira no céu azul// iluminando de norte a sul//
Mensagem de amor e paz// nasceu Jesus, chegou o Natal //
Papai Noel voando a jato pelo céu// trazendo um Natal de felicidade//
E um ano novo cheio de prosperidade! // VARIG, VARIG, VARIG!

2 – Na hora do tombo e de fazer o curativo:
"Tropeçou, caiu, machucou, uuiii!i, tem que ser Gelol
trombou, dividiu, foi no futebol, ui, ai, ai!, tem que ser Gelol
Não há dor que não se cure, torcicolo que perdure, tem que ser Gelol
Caiu, bateu, escorregou, aaai!, tem que ser, tem que ser, Gelol!"

3 – Ao trocarmos uma lâmpada:
Se a lâmpada queimar// Não adianta reclamar //Nem bater o pé// Pé
O que resolve é ter logo à mão //
É lâmpada GE //se você apaga //É lâmpada GE// Peça a marca e bata o pé  //
O que você precisa // É de lâmpada GE

4 – Todos no carro e paramos para abastecer:
Só Esso dá ao seu carro o máximo,
Só Esso dá ao seu carro o máximo,
Só Esso dá ao seu carro o máximo,
Veja o que Esso faz. Só Esso Extra! Extra! Extra!

5 – Quando falamos em economizar:
O tempo passa // O tempo voa
E a poupança Bamerindus continua numa boa.....
É a poupança Bamerindus!

6 – Na hora de cobrir a criançada:
Já é hora de dormir // Não espere mamãe mandar
Um bom sono pra você //E um alegre despertar.

7 –
Essa é sempre lembrada na hora de lanchar:
"É hora do lanche // Que hora tão feliz // Queremos Biscoitos São Luiz"

8 – E quando esfria não há como não cantar:
Pergunta: quem bate? // Resposta: é o frio!
Cantando: Não adianta bater // que eu não deixo você entrar
Nas Casas Pernambucanas  // é que vou aquecer o meu lar.
Lãs e cobertores eu vou comprar //nas Casas Pernambucanas
E nem vou sentir // o inverno chegar.

São pequenas lembranças que divertem e trazem assunto e grandes histórias para as crianças povoarem suas mentes e darem asas as suas imaginações.

Lâmpada GE// Se você acende

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A chegada dos filhos e a construção da nova família

Nos primeiros anos de casados, com o trabalho e estudos, o jovem casal aproveita todo o tempo que sobra pra extravasar a paixão desse amor,  e às vezes descuidam, pela falta de tempo, da conversa.  E pequenas coisas vão se acumulando e justamente por isso, na primeira dificuldade maior, acaba acontecendo uma explosão desproporcional ao acontecido.


As diferenças e as briguinhas do casal são para resolver entre os dois, nada de contar ou desabafar com os parentes. Além de ficar mais difícil pra fazer as pazes depois, é também uma chance para intromissões e parcialidades.

O casal recém-casado cria novos costumes para seu novo lar, diferente das casas paternas, um ambiente que parecia ideal para ambos. Porém, com a chegada dos filhos, muitos dos hábitos, das regras, deste novo lar, precisarão ser adaptados aos pequenos seres indefesos que estão se juntando a este casal.

Com a chegada dos filhos, os limites  para os avós e outros parentes, precisam ser novamente colocados a prova. Quando temos os filhos, surgem mais diferenças. O casal deve primeiro decidir entre si o que é o básico, o  que vão querer para o bebê, desde a cor do quarto até a educação que pretendem dar. Não se deixem pegar desprevenidos.

É comum ver casais tendo o primeiro filho e ficarem atônitos no seu dia a dia, com os acontecimentos que vão surgindo, e, por conta disso,  precipitando as brigas entre o casal por falta de fazerem anteriormente essas simples combinações das regras do jogo.

“ Meu neto não vai para o chão porque é sujo”, decreta a avó! Mas se o casal não vê mal nisso, e até sabe que é bom para o desenvolvimento do bebê, vai precisar discordar e dizer que vai sim, e o sim tem que ser de ambos.

A ajuda dos sogros com o filho pequeno é muito boa e bem vinda, desde que tenha limites. Não custa nada ouvir um pouco a voz da experiência, sem birras, e deixar aflorar o melhor para a criança.

A mãe que chega para o filho e fala mal da nora, tenha ou não razão, não merece apoio da parte dele. E vice-versa. Se ela acha que o neto não esta sendo bem cuidado, está mal vestido, que guarde a opinião para si, ou vá com jeitinho dando umas roupinhas mais bonitinhas e suprindo com delicadeza esses itens. 

Presentes que os avós adoram dar as crianças, fora de hora, precisam ser ponderados entre o casal, pois  presentear com coisas grandes, por exemplo, pode ser que seja conveniente,  só no aniversário e Natal. 

Tenham carinho com os avós, e ao mesmo tempo firmeza. Lembrem-se de que o casal tem graça de estado para saber o que é melhor para seu filho. Devem ponderar sempre entre os dois as ideias  e ver o que de fato é bom ou não na educação dos  filhos.

O ditado “Na minha casa mando eu” – deverá ser:  “Na nossa casa mandamos nós dois” . O diálogo – com a chegada dos filhos -, entre o casal, fica cada vez mais necessário e de grande valia.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Avós e Avôs em outras culturas

Por Agnes Gabriella Milley

Nas culturas africanas, as avós e os avôs são as pessoas mais importantes da família. Na tradição Bantu, quando precisam tomar alguma decisão importante,as avós e os avôs se reúnem ao redor de uma árvore especial para se aconselharem com seus antepassados. Chamada de Árvore dos Antepassados, geralmente é plantada pelo homem mais velho da família.

Os povos lorubás que vieram para o Brasil do Benin, Nigéria e Tongo, tinham em sua cultura akpalô, palavra que significa "fazedora de alô".As akpalôs eram senhoras idosas que andavam de engenho em engenho contando histórias para outras negras e para os meninos brancos - eram "vovós" negras que ajudaram a transmitir sua cultura e a transformar a língua portuguesa. Muitas das palavras usadas pela linguagem infantil nasceram dessa troca entre as akpalôs e os meninos brancos: dodói, miau, au-au, dindinha, pipi, bumbum.

As crianças indígenas têm uma relação muito próxima com suas avós e avôs. Com eles aprendem muitas coisas, como, por exemplo, cuidar bem da natureza, dos animais, dos rios e das plantas. Desde cedo, as meninas cozinham com suas avós, e meninos e meninas aprendem muitas brincadeiras com os avôs.

Para os povos orientais, as avós e os avôs são considerados os guardiões do saber familiar e, por isso, têm um papel fundamental na educação de seus netos. Quando os filhos se casam procuram morar próximo aos pais, para que os netos convivam com os avós cotidianamente. No Japão, diz-se que a morada dos filhos deve ficar a uma distância dos pais que permita levar o missoshio - sopa feita com pasta de soja - sem esfriar.

Texto impresso em folheto que acompanhou produtos da Natura em 2011, por ocasião do dia das Avós e dos Avôs - www.natura.net

Agora fica a pergunta: como nos relacionamos, atualmente, com os idosos, em nossa cultura? Não seria um bom tema para estudo e discussão?

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sugestões de presentes para dar no dia dos pais

Por Maria Teresa Serman
Cansei de listar neste blog, e na vida pessoal, presentes de "dias de todos".  São invenções comerciais algumas, muito louváveis, porém, porque congregam a família e proporcionam momentos de afeto derramado, e inesquecíveis.  Não perdem o valor e são indispensáveis.  Sem querer ser ácida, provocam também irritações e cansaço nas intermináveis filas que temos que enfrentar.

As datas são inesquecíveis, quero dizer, não o resto da pantomima que precede e enche (literalmente) o almoço. Então quero propor uma abordagem diferente, com todo o carinho que podemos antecipar, sem deixar de lado o dia principal. Podemos, por exemplo, às vésperas da próxima data - dia dos avós, 26 agora, que não decorre de  uma motivação comercial, mas sim religiosa, pois é dia de Sant'Ana e São Joaquim, os pais de Nossa Senhora, avós do Menino Jesus na terra - doses diárias de ternura, atenção e detalhes de carinho. Depois virá o dia dos pais, que podemos preparar com pelo menos uma semana de antecedência.

Telefonemas, flores, presentinhos (ia dizer docinhos mas os médicos me condenariam; contudo, um pouco não mata); chamar para almoçar; levar para passear; mandar e-mail's; SMS; preparar o prato preferido; programar brincadeiras que alegrem a família no dia D; escolher presentes pelo gosto particular, afetividade, e não preço (mas gastar, se necessário).

Além de escrever on line, o que nem sempre será possível, de acordo com as idades digitais, escrever de próprio punho, muito mais especial, pois a caneta não foi abolida e é menos fria do que o teclado e a tela. Fazer o prato preferido, evocar momentos inesquecíveis, mas que a memória e as mágoas podem ter apagado ou borrado. Visitar os lugares preferidos da infância ou da adolescência, reviver somente as recordações felizes - as tristes deixemos para a vida, que já se encarrega delas. Ou melhor, não permitamos que "a vida" tome as rédeas da nossa vida, dos nossos atos, da nossa mente e coração.

Devemos encarregar um senhor soberano, o amor, colocado e cultivado em nossos corações pelo Amor, o Senhor Pai, que também deve ser lembrado a todo instante, que não tem um dia só, mas todos os dias e seus momentos incluídos. E aí não vai ter importância a procura pelas lojas, a reserva no restaurante, o desgaste da espera e das andanças. Se saber amado, ter essa certeza, não depende de datas, isso deve se sobrepor a elas. Vale até para desculpar os atrasos na entrega dos presentes e o esquecimentos que podem ocorrer. Esse é o dado mais importante de todos, demonstrar o amor, ainda que de modo desajeitado, imperfeito, falho, como nós todos somos.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Perguntas e Respostas: Dra Mannoun Chimelli - Adolescentes - Como educar? (Parte 115)

As perguntas estarão apenas com as iniciais dos nomes, para deixar bem a vontade nossos amigos.

1 - A. diz: Dra estou me casando pela segunda vez e tenho 2 filhos , um de 10 e outro de 14 anos, muito rebeldes que detestam a minha nova esposa. Como devo agir com eles para que a aceitem? Acredito que a mãe deles colabore para esta raiva toda.

RESP: Caro A. É difícil para os filhos que os pais se separem, portanto, tenha muita paciência com eles, muito carinho e diálogo. Eles vão morar com quem? Como estão na Escola ? Tem amigos que frequentem sua casa ?

Procure sair com os dois,assentando-se em lugar calmo, de que eles gostem, e explique que o amor de pai e de mãe pelos filhos é único e especial, para a vida inteira. Os filhos não escolhem os pais e estes também não escolhem os filhos, mas é sempre um amor único, insubstituível. Amor de marido e mulher, que um dia se escolheram, pode acontecer que não dê certo -infelizmente para todos - e por isso a separação. Peça a ambos que procurem aceitar sua nova escolha com respeito e compreensão, sempre elogiando a mãe deles, sem fazer comparações. Que sua esposa de agora seja muito paciente e compreensiva com os dois, que estão em idade de rebeldia mesmo e agora com uma meta comum que é ela. Mesmo que o senhor continuasse casado, os dois se rebelariam por alguma razão contra os pais mas neste momento existe alguém concreto contra quem dirigir os atritos. Tenham calma, paciência, não os presenteiem em troca de coisa alguma. Procure ouvir suas ponderações e prometa que vai analisar com carinho e com calma as sugestões e reivindicações de ambos, sempre que necessário.

Se acreditam em Deus, rezem muito. A oração dos pais pelos filhos é especialmente poderosa diante de Deus! Fico a seu dispor para voltar a falar comigo quando desejar. Atenciosamente, Mannoun

2 - M. diz: O que posso fazer para convencer a meu filho de 15 anos a receber o avô em casa, para morar com a gente? Ele vai ter que dividir o quarto com o avô e está detestando a idéia e ficou sem falar comigo em casa e com o pai. Moramos num apto pequeno e só tem 2 qts.

RESP: Cara Sra M. Que belo gesto o de receberem o avô entre vocês! Ponderem com seu filho ( ele é único ? )a importância da generosidade que afinal nada mais é que uma retribuição para com quem deu a vida a vocês - os pais - por toda uma vida de dedicação, formação, carinho.

Sugiram a seu filho que pense na possibilidade de dormir na sala, onde vocês fariam um cantinho, com um biombo divisor, uma decoração do jeito dele... Estantes na parede com os livros e o material, uma mesinha jeitosa presa à parede e com um suporte para abrir e fechar... Sugestões - estas e outras mais que muitas famílias utilizam hoje quando os apartamentos diminuem as áreas,com bom resultado! Os jovens parecem ser egoístas mas quando bem motivados, seu coração é muito grande e generoso !

Reze para que as coisas se esclareçam bem e sugira ainda que ele comece a pensar em ocupar-se mais fazendo estágios, cursos profissionalizantes e ajude em casa para poderem partir para um apartamento maior. Creio que ele vai se motivar porque saberá apreciar o gesto de grandeza de seus pais em receber o vovô. Ele mesmo chegará a esta conclusão.Não briguem com ele e o próprio avô o irá conquistar....

Fico a seu dispor e mais uma vez, parabéns por acolher o vovô! Atenciosamente, Mannoun

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Honrar e agradecer

Por Maria Teresa Serman

O quarto mandamento é honrar pai e mãe. Não amar diretamente, é interessante observar isso. Como foi Deus quem ditou o Decálogo a Moisés, e Ele escolheu precisamente essa palavra, é bom aprofundarmos no seu sentido. Honrar significa prestar honra e respeito a; venerar, reverenciar. Mas por que será que o Pai do céu preferiu honrar a amar? Este não seria mais simples?

Não, seria mais complicado! O Senhor, que nos conhece bem, e é mais amoroso do que a melhor das mães, dignou-se reconhecer a nossa incapacidade crônica - que podemos transformar em dom magnífico, se O tivermos como fonte e modelo - para levar a cabo tarefas movidos unicamente por um sentimento, por melhor que seja. Precisamos do dever, do elo do fazer com a consciência.

Há o aspecto desagradável e felizmente raro, de pais que não inspiram amor a seus filhos. Mesmo assim devem ser honrados, sem exceção. Mandamentos divinos não são cláusulas contratuais em que os advogados inserem brechas. Permitem-se, no máximo, atenuantes.

Colocamos, junto a esta introdução, um link para um texto em inglês que circula na internet, sob o título * What She Has to Offer (O que ela tem a oferecer ). Trata desse assunto com muita delicadeza e emoção, principalmente para aqueles que cuidam de idosos amados, que já não são tão ativos quanto costumavam ser. Faz-nos pensar também no nosso futuro, quando nossa velocidade e iniciativa para servir estiverem comprometidas. E a conclusão é um bálsamo para ambos os corações, dos cuidados e dos cuidadores.

A autora resume essa mensagem em uma frase inesquecível, para mim: "I know it must be terrible to grow old and infirm and to lose your intellect, but I want my mother to know she is valuable because she is loved, not because she is useful. ( Eu sei que deve ser terrível envelhecer, perder o vigor e o intelecto, mas eu quero que minha mãe saiba que ela é valiosa porque é amada, não porque é útil".

Eu acrescentaria: "e porque continua amando". É importante dar tarefas àqueles que já não fazem seus trabalhos como antes; porém, mais fundamental ainda é que se sintam amados e que percebam que sua capacidade de amar e dar exemplo de dignidade não corresponde à atual fraqueza de seu corpo. Ser ouvido e admirado por sua experiência de vida fortalece muito seu amor próprio.

Minha mãe me agradece cada coisa que tenho o privilégio de fazer por ela ( e o de tê-la comigo), e nesses momentos eu me lembro de quanto trabalho e dedicação ela sempre teve com a minha saúde, na minha infância e adolescência (sou asmática). Mas eu a deixo agradecer, embora brinque com ela, como essa autora. É vital e benéfico para as pessoas agradecer, pois pressupõe que há quem as ame e as mime (um pouco de mimo é delicadeza, não faz mal). A gratidão reconhece um ato de amor que aconteceu antes. É, portanto, um duplo bem.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ser bi-vó

Por Maria Teresa Serman

O título vem de uma brincadeirinha de uma amiga piadista, que me chamou de bivó, porque meu segundo neto, ou neta, está a caminho. E o assunto é este, da alegria de ver um novo ramo da família nuclear aumentando e progredindo. Acredito que cada criança traz o seu pãozinho debaixo do braço, e este não foi exceção: meu filho, o pai, acabou de ser promovido.

Com esse otimismo, e muito trabalho, é claro, meu marido e eu criamos nossos cinco filhos. Ao contrário do que pensam, e dizem, clara e até grosseiramente alguns, otimismo não é irresponsabilidade. Trata-se de ver os fatos da vida sob uma ótica positiva, de esperança e entrega nas mãos de Deus Pai. Nunca nos faltou nada, nem mesmo tempo, que parecia o mais escasso, com tantos encargos e cuidados. A ordem faz maravilhas, personificada em uma preciosa agenda, como já recomendou a
Liana em um texto próximo.

Ficamos todos muito felizes: pais, avós, tios, bisavós e amigos, com essa notícia. Porém, o que mais me emocionou nesse contexto foi a alegria da minha nora, que, mesmo sem esperar, abraçou esse novo serzinho dentro de si e refletiu essa generosidade no seu rosto. É uma mãe muito dedicada e amorosa do Pedro, e tenho certeza de que será também assim com a Isabel ou o Francisco, quando chegarem, não sei em qual ordem.

Neste mundo tão voltado para o consumismo de coisas e pessoas, reacende nossa esperança que jovens casais estejam abertos à paternidade e se dediquem a melhorar o mundo, trazendo a ele crianças que serão uma benção para todos. Estamos igualmente felizes pela Clara e pelo que brevemente chegará; pela Carolina e Letícia; pela Beatriz e o neném que virá; pela Maria Clara, Tomás e o novo bebê a caminho; enfim, por todos esses exemplos de amor jovem que temos a nosso redor.

Deus os abençoe!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Manias de mãe e de avó

Por Maria Teresa Serman

O texto da Liana sobre insônia materna me fez remexer no meu próprio baú de lembranças e recordar algumas manias e características de mãe, que acabei por estender à minha mãe e minha avó. É fantástico lembrar de certos detalhes, ora sábios ou divertidos, que se conservam em nossa memória, ou por que participamos ou só por nos terem contado. Vou começar pelo mais antigo, com os ensinamentos que minha inesquecível avó, grande matriarca, deixou-nos, depois de noventa e sete anos esplendidamente vividos, por seus hábitos frutíferos e encaminhamentos sutis.

Ela tinha três filhas, que criou sozinha, pois meu avô deixou-a ainda bem jovem. Não se amargurou, nem procurou consolo em outros amores que não fossem as das filhas e da família, grande, unida, presente. Costurava, cozinhava, tricotava, fazia crochê, tudo primorosamente. Posso dizer que o que fazia era sempre de primeira classe. Havia uma escala semanal na cozinha, embora tivesse auxiliar, para que uma filha a cada vez aprendesse a fazer comida e cuidar da casa. A filosofia, que tento passar para meus filhos, é que, se não souber fazer não poderá ensinar e cobrar. Como prêmio da semana de atividades domésticas, a escolhida tinha o privilégio de acompanhar a mãe até uma confeitaria no centro da cidade, lugar chique na época, e depois olhar vitrine - não havia dinheiro para compras, no máximo um tecido (Deus me livre de escrever "fazenda", como se falava então!) para uma roupa confeccionada pelas mãos habilidosas de D. Alzira, que até camisas para os irmãos fazia. Isso ela também transmitiu às três, além das aulas de piano obrigatórias.

Como ninguém é perfeito, minha avó cassou o sonho de minha mãe de aprender violino, pois só piano era recomendável pra "moças de família". Vá entender! E também tinha mania, que pude experimentar pessoalmente, de nos acordar para ver se "estava viva", quando, doentes, conseguíamos dormir finalmente. Era terrível!

Já minha mãe sempre foi uma mulher muito prática, principalmente no dia a dia. Otimizava o trabalho, minimizava os esforços inúteis, poupava a saúde - sempre colocava sacolas de compras no alto para não ter que se abaixar, devido à sua frágil coluna. Era a rainha do "Lavoisier", da arte de aproveitar as sobras, e tinha uma receita de massa que enformar tudo em tortas, de frango até, pasmem, macarrão com molho, uma delícia! Ninguém percebia o reaproveitamento e pediam a receita! Aguardem que vou revelar esse segredo no blog brevemente.

Por outro lado, não me deixou aprender a andar de bicicleta com medo de eu ir muito longe, e também tinha - nem tem mais - pavor de tempestades, o que tentava, heróica mas infrutiferamente, esconder de mim, com umas declarações em tom pateticamente falso de "como a natureza é majestática e os raios e trovões manifestam o poder de Deus! " O pavor nos seu olhar era tão grande que tornava a cena uma pantomima, perceptível até para uma criança. Mas valeu a intenção, mãe. Não fiquei com medo na infância, só retardadamente agora!

Das minhas manias, que dão um compêndio, só vou mencionar a de cheirar os filhos ao saírem do banho, no caso específico os meninos, mais cascãozinhos, no pescoço, durante a pré-adolescência, e fazê-los voltar para o chuveiro, porque, como digo ainda, " a primeira sabonetada é pra limpar, a segunda pra perfumar". Do resto, conto outra hora, vocês não suportariam hoje.