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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Qual o problema com a idade?

Desde criança aprendi que faz parte das boas maneiras jamais perguntar diretamente a idade de uma pessoa aparentemente mais velha, especialmente se esta pessoa for mulher. Embora eu seja muito ligada a coisas de etiqueta e boas maneiras, essa é uma regra que eu não consigo compreender nem aceitar naturalmente, pois acredito que ela é baseada em conceitos distorcidos sobre a vida.

Quando perdemos nossa essência e não temos noção da nossa dignidade, acabamos dando valor excessivo a coisas exteriores que camuflam o que somos de verdade. Sempre penso nisso quando ouço sobre essa regrinha de não perguntar a idade de certas pessoas. As fases da vida existem e não podemos negá-las: fingir que não existem ou que não chegarão pra nós é um erro.

Claro que há pessoas bem mais velhas e com disposição de um jovenzinho. E pessoas mais jovens com tantas limitações físicas quanto as de um idoso. Mas isso não inverte as idades reais e ser jovem não é mais importante que ser velho. A virtude está em se reconhecer e viver com dignidade cada fase - com suas vantagens e desvantagens.

Como resultado de uma mentalidade segundo a qual envelhecer só traz coisas ruins, dissemina-se a ideia de que as pessoas mais velhas devem ser descartadas, e a vida começa a não ser mais pensada mais para essa fase da vida. No que tange ao físico até se pode disfarçar a ação do tempo, mas não para sempre – uma hora haveremos de encará-la... mas devemos nos comportar segundo a nossa fase – que triste é constatar que existem pessoas aos 60 anos se comportando como adolescentes!

Se aceitar é fundamental e viver com dignidade cada etapa da vida é o auge da maturidade. Vivamos cada dia conforme nos é permitido e extraiamos o que de bom cada idade proporciona.

Lívia W. de Melo Costa - paraibana, católica, casada, mãe de um bebê que hoje mora com Deus,  tem formação em Gestão Financeira,  embora atualmente tenha decidido se dedicar exclusivamente ao lar. Gosta de bordar nas horas vagas e ler sobre cuidados com o lar, etiqueta,  moda e política.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Avós e Avôs em outras culturas

Por Agnes Gabriella Milley

Nas culturas africanas, as avós e os avôs são as pessoas mais importantes da família. Na tradição Bantu, quando precisam tomar alguma decisão importante,as avós e os avôs se reúnem ao redor de uma árvore especial para se aconselharem com seus antepassados. Chamada de Árvore dos Antepassados, geralmente é plantada pelo homem mais velho da família.

Os povos lorubás que vieram para o Brasil do Benin, Nigéria e Tongo, tinham em sua cultura akpalô, palavra que significa "fazedora de alô".As akpalôs eram senhoras idosas que andavam de engenho em engenho contando histórias para outras negras e para os meninos brancos - eram "vovós" negras que ajudaram a transmitir sua cultura e a transformar a língua portuguesa. Muitas das palavras usadas pela linguagem infantil nasceram dessa troca entre as akpalôs e os meninos brancos: dodói, miau, au-au, dindinha, pipi, bumbum.

As crianças indígenas têm uma relação muito próxima com suas avós e avôs. Com eles aprendem muitas coisas, como, por exemplo, cuidar bem da natureza, dos animais, dos rios e das plantas. Desde cedo, as meninas cozinham com suas avós, e meninos e meninas aprendem muitas brincadeiras com os avôs.

Para os povos orientais, as avós e os avôs são considerados os guardiões do saber familiar e, por isso, têm um papel fundamental na educação de seus netos. Quando os filhos se casam procuram morar próximo aos pais, para que os netos convivam com os avós cotidianamente. No Japão, diz-se que a morada dos filhos deve ficar a uma distância dos pais que permita levar o missoshio - sopa feita com pasta de soja - sem esfriar.

Texto impresso em folheto que acompanhou produtos da Natura em 2011, por ocasião do dia das Avós e dos Avôs - www.natura.net

Agora fica a pergunta: como nos relacionamos, atualmente, com os idosos, em nossa cultura? Não seria um bom tema para estudo e discussão?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Honrar e agradecer

Por Maria Teresa Serman

O quarto mandamento é honrar pai e mãe. Não amar diretamente, é interessante observar isso. Como foi Deus quem ditou o Decálogo a Moisés, e Ele escolheu precisamente essa palavra, é bom aprofundarmos no seu sentido. Honrar significa prestar honra e respeito a; venerar, reverenciar. Mas por que será que o Pai do céu preferiu honrar a amar? Este não seria mais simples?

Não, seria mais complicado! O Senhor, que nos conhece bem, e é mais amoroso do que a melhor das mães, dignou-se reconhecer a nossa incapacidade crônica - que podemos transformar em dom magnífico, se O tivermos como fonte e modelo - para levar a cabo tarefas movidos unicamente por um sentimento, por melhor que seja. Precisamos do dever, do elo do fazer com a consciência.

Há o aspecto desagradável e felizmente raro, de pais que não inspiram amor a seus filhos. Mesmo assim devem ser honrados, sem exceção. Mandamentos divinos não são cláusulas contratuais em que os advogados inserem brechas. Permitem-se, no máximo, atenuantes.

Colocamos, junto a esta introdução, um link para um texto em inglês que circula na internet, sob o título * What She Has to Offer (O que ela tem a oferecer ). Trata desse assunto com muita delicadeza e emoção, principalmente para aqueles que cuidam de idosos amados, que já não são tão ativos quanto costumavam ser. Faz-nos pensar também no nosso futuro, quando nossa velocidade e iniciativa para servir estiverem comprometidas. E a conclusão é um bálsamo para ambos os corações, dos cuidados e dos cuidadores.

A autora resume essa mensagem em uma frase inesquecível, para mim: "I know it must be terrible to grow old and infirm and to lose your intellect, but I want my mother to know she is valuable because she is loved, not because she is useful. ( Eu sei que deve ser terrível envelhecer, perder o vigor e o intelecto, mas eu quero que minha mãe saiba que ela é valiosa porque é amada, não porque é útil".

Eu acrescentaria: "e porque continua amando". É importante dar tarefas àqueles que já não fazem seus trabalhos como antes; porém, mais fundamental ainda é que se sintam amados e que percebam que sua capacidade de amar e dar exemplo de dignidade não corresponde à atual fraqueza de seu corpo. Ser ouvido e admirado por sua experiência de vida fortalece muito seu amor próprio.

Minha mãe me agradece cada coisa que tenho o privilégio de fazer por ela ( e o de tê-la comigo), e nesses momentos eu me lembro de quanto trabalho e dedicação ela sempre teve com a minha saúde, na minha infância e adolescência (sou asmática). Mas eu a deixo agradecer, embora brinque com ela, como essa autora. É vital e benéfico para as pessoas agradecer, pois pressupõe que há quem as ame e as mime (um pouco de mimo é delicadeza, não faz mal). A gratidão reconhece um ato de amor que aconteceu antes. É, portanto, um duplo bem.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

10 Mandamentos para a 3ª Idade

Por Maria Teresa Serman

Estes são mandamentos para os que estão na maturidade se prepararem para a chamada 3ª Idade. Foram adaptados de um e-mail que circula na internet:

1- Não se aposente para se tornar a praga da família: a gente se aposenta do trabalho profissional externo, não das outras atividades, nem da vida. E não pode exercer uma nova profissão - a de chato do lar.

2- Preserve sua independência. "Melhor é usar suas economias para ter uma vida feliz e tranquila. Não economize no item moradia. Usufrua de conforto e segurança, não seja mesquinho consigo mesmo. Há coisas que não são luxo em certa idade, mas bem-estar.

3-Mantenha o governo de usas finanças. Ajude os filhos e quem precisar, seja generoso, porém prudente. Reserve um montante para emergências e pague o melhor plano de saúde que puder.

4-Cultive as amizades, faça novas, não fique recluso e macambúzio, achando que não há mais nada a acrescentar à sua vida. Você se surpreenderá se sair do casulo e se comunicar.

5-Cuide da aparência e da mente, mantenha-se ativo e interessante, interna e externamente. Continue indo regularmente ao cabeleireiro, barbeiro, pedicure, manicure. Vá ao teatro e ao cinema.

6-Seja cordial com os vizinhos. Não se torne o (a) “mala" do condomínio, aquele que reclama de tudo e a todos critica. Aprenda a usar um MP3 e afaste-se dos ruídos indesejáveis, mas não das pessoas. Sorria, cumprimente, ajude.

7-Não se intrometa na vida alheia, nem na dos filhos. Deixe seu nariz no rosto e a língua dentro da boca. Só dê conselhos quando solicitado e, mesmo assim, com parcimônia e delicadeza. Elogie, faz bem, principalmente noras, genros e netos.

8-Mais idade não significa presunção. Seja moderno, atualize-se, sem bancar o garotão ou a gatona. Demonstre humildade e aprenda com os jovens, pois isso rejuvenesce a mente e pacifica a alma.

9-Fora com a ranzinzice. A idade não nos dá o direito de sermos desagradáveis, reclamadores. Não queira que os outros desejem vê-lo(a) pelas costas, ou pior, a sete palmos.

10-Não fique falando de si mesmo(a), pois corre o risco de repetir “trocentas” vezes aquela história que ninguém mais aguenta ouvir. Fale menos, ouça mais. Sua vida será mais útil, e divertida.

A esses acrescento mais um, que considero o primeiro. Reze, aproxime-se de Deus, ou reaproxime-se, se andou distante. O Pai acolhe sempre os seus filhos, pródigos ou não. Ele é a fonte da eterna juventude e nos faz andar por "verdes pastagens" e caminhos seguros. Feliz quem a Ele se confia.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Doce encargo

Por Maria Teresa Serman - dia do idoso
Quando menos esperamos, a vida nos inverte a nossa vida. Passamos de filhos para mães ou pais de nossos pais. Viramos "cuidadores", que é o termo usado para essa função, sejam os filhos ou pessoas contratadas para ajudá-los nesse doce encargo. Assumimos, então, contra a vontade mas com amor, o papel de zelador, comprador, gestor, administrador, e muitas vezes provedor. O afã é de tal monta, que precisamos estar atentos para não descuidar do carinho pessoal, do beijo, do afago, da conversa.

O momento de se tornar cuidador pode ser o de uma doença de um dos pais, ou dos dois.Ou simplesmente com sintomas de que o fluxo normal de consciência deles está se alterando. Não é fácil, pois ninguém se prepara para essa reviravolta, mas devíamos. Fica mais doloroso encarar o fato de que somos responsáveis pela vida, em vários sentidos, daqueles que sempre cuidaram de nós, se não aceitamos isso como o curso natural da existência. A preparação para essa fase deve saudavelmente passar por uma adequação interior para a própria velhice.

Não se trata de fatalismo ou qualquer sentimento correlato.Refiro-me a um projeto de vida que leve em consideração a ação do tempo sobre nós, como acontece com todos os viventes. Precisamos nos preparar para envelhecer com saúde, dignidade, boa situação material, e, principalmente, com um espírito jovem e bondoso. Este pode suplantar até mesmo os casos mais graves de senilidade, pois a boa-vontade da alma atenua a decadência da mente. Só fica mais ranzinza na idade avançada quem já deixou o mau- gênio se instalar em tenra idade e segue cultivando tal atitude como erva-daninha, que vai estar frondosa quando menos a desejamos.

Precisamos - não só DEVEMOS, percebam a diferença - amar, respeitar e cuidar dos nossos idosos, porque eles são nossa fonte de sabedoria; onde bebemos em primeiro lugar da nascente do amor; o espelho, para melhorar ou imitar, do nosso ocaso. Quantas lições perdemos quando desprezamos essa herança! E quanta felicidade advém, quando a aproveitamos! Pais, avós, bisavós, tios e tias, padrinhos, agregados, empregados, amigos: todos podem fazer parte de nossa família, no sentido mais profundo do termo. Da família que transcende o parentesco e cria ligações mais afetivas que as genéticas.

Aos cuidadores, recomendo que se cuidem muito bem. Que se preparem diariamente para essa tarefa. Que estejam atentos para mudanças repentinas nos seus idosos, desde a temperatura até uma quase imperceptível mudança de humor. Que percebam suas mais sutis necessidades e tratem seus corpos, suas mentes e suas almas com muita delicadeza e prontidão. E estejam sempre, cada dia mais, muito atentos para dar-lhes amor incondicional, paciente e benigno, pois "quem honra pai e mãe apaga uma multidão de pecados", e honrar significa tratar como ao maior dos reis, servir e amar.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Casais com diferença de idade: dá certo?

Depois de estar 36 anos casada com um homem 13 anos mais velho do que eu, acho que já dá pra ter alguma idéia sobre o assunto.

Atualmente vemos acontecer o contrário, mulheres muito mais velhas do que os homens querendo ter uma vida normal de casados.

Bem, as duas situações são delicadas e com certeza é preciso um ingrediente muito consistente para que o casamento dure e vá até o fim da vida.

É preciso pensar que as pessoas envelhecem, e cada um no seu tempo; logo, uma jovem que casa com alguém 20 anos mais velho saberá que quando estiver com 50 anos, seu marido terá 70 anos, matemática simples e exata! Serão interesses bem diferentes e cada um vai precisar se adaptar ao modo de viver do outro e das suas necessidades.

Já um jovem que se casa com uma mulher 20 anos mais velha terá, com certeza, muito mais diferenças no seu casamento e precisará de muito mais tolerância e boa vontade, e também uma dose extra de muito amor, porque, infelizmente, a mulher tem um envelhecimento mais notório que o do homem.

E mesmo com todas as cirurgias plásticas, podemos notar a diferença aguda entre uma moça de 25 anos e uma mulher de 50 anos. Sem contar que a idade na mulher define seu tempo de fertilidade para constituir uma família com filhos. Por outro lado, falando da parte psicológica, as mulheres têm um amadurecimento muito maior do que a média dos homens; assim sendo, a distância entre as mentes pode ser um grande empecilho para que o relacionamento vá adiante.

Posso estar equivocada, porém, observando os relacionamentos atuais de várias artistas com homens mais jovens, temos a prova da verdade desta situação. Elas acabam traídas ou abandonadas pelos seus “garotões”, e trocadas por uma jovenzinha bem viçosa e no ardor da vida. O mesmo acontece com os homens idosos que se unem a menininhas: acabam sós e sempre em busca de outras que os agüentem por mais alguns dias.

A conclusão é que o relacionamento para durar precisa estar embasado em um sentimento forte de amor, com constante busca de aperfeiçoamento.

Aqueles que constroem uma vida juntos e levam consigo uma bagagem de lembranças construídas a dois, mesmo tendo algumas diferenças de idades, terão mais chances de permanecerem juntos até o fim. Sabendo que terão de cultivar a todo o momento o amor entre ambos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Memória e os tempos modernos

Texto de : Marcia Cristina Ramos Vasconcellos
Médica com formação em Otorrinolaringologia e Medicina Do Trabalho pela UFF- NIT.
Professora do Projeto Profissões de serviço, no curso assistente familiar pela Adec junto a comunidade da Grota - São Francisco em Niterói Voluntária Casa Convívio assistencia a idosos em Niterói .


A memória é realmente uma habilidade caprichosa e impressionante, algumas vezes nos abandona quando precisamos lembrar o nome de algum amigo que acabamos de reencontrar outras vezes não nos deixa esquecer fatos ou momentos embaraçosos vividos. Ninguém sabe quando ela funcionará a nosso favor ou não!

Muito se estuda sobre a memória e ainda se continuará a estudar pois muito há que entender e decifrar !

Uma coisa muito clara porém e bem sabida, é a transformação que existe em nossa memória ao longo dos anos:- como perdemos a capacidade de registrar com rapidez os fatos e números e também a influência do mundo moderno e a agitação dos nossos dias em que muitas informações nos vem com uma grande velocidade interferindo na capacidade de reter as informações na memória,o que também dificultaria o registro!

O que se sabe é que a memória se modifica ao longo do tempo e nós envelhecemos desde que nascemos... Isso acontece e é fácil verificar a grande facilidade com que as crianças de cinco anos jogam o jogo da memória, como memorizam as posições e números das cartas com naturalidade e rapidez, enquanto os mais velhos fazem um enorme esforço consciente para memorizar as cartas e com menos sucesso!

Essas alterações são também chamadas de alterações bioquímicas cerebrais.Ocorrem também perdas celulares- no caso os neurônios que são as células cerebrais são determinantes de nossa boa saúde mental ou de nossa memória, pois na fase madura da vida o sistema nervoso se modifica bem como as funções de sentido: visão, audição, gustação, tátil ou proprioceptiva, o que afeta em cheio a memória ou nosso registro mental dos fatos, se no momento da gravação o som ou a imagem estiverem nebulosos, o registro cerebral na memória não terá nitidez bastante para consultá-lo em outro tempo.

Assim, a correção dessas alterações naturais com óculos, aparelhos auditivos e mesmo com a remoção da cera acumulada no conduto auditivo são fundamentais para que se forme uma memória com traços distintos e duradouros! Afinal não é possível lembrar aquilo que não ouvimos ou ouvimos mal... Ou o que enxergamos com defeito...

Tais perdas celulares ( mais especificamente de uma região do cérebro chamada hipocampo) são as que mais parece estarem ligadas a todas as alterações na memória e em especial na formação das novas memórias ou utilização de novas informações!

Portanto não somente as alterações biológicas que ocorrem em nosso corpo são responsáveis pelas alterações da memória, mas também outros fatores em crescente progressão na sociedade atual tais como o estresse, fadiga física e mental, falta de sono e depressão!

Assim quando percebermos que nossa memória falha, é necessário iniciar uma pesquisa revendo nosso comportamento nessa ocasião: se há muita agitação, alterações do sono, preocupações crônicas e, sobretudo refletir sobre o quem podemos fazer para modificar positivamente essas situações e transformá-las a nosso favor!

É claro que os problemas não desaparecerão, mas a sua atuação sobre nós ou nosso organismo poderá ser minimizada. É uma guerra na qual nossa saúde mental sairá lucrando.

Em outro artigo daremos algumas dicas e exercícios para estimular ou exercitar a memória!