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terça-feira, 11 de março de 2014

Sons da infância

As cidades vão ficando cada vez maiores, e o progresso caminhando a todo vapor, tudo isso contribui para nos afastarmos cada vez mais das coisas simples do dia a dia e nos centrarmos nos nossos afazeres.

Até que ouvimos ao longe alguém gritando " vassoureiiiiiro" , fazendo com que nos reportemos ao passado, a nossa infância, onde era comum haver um homem vendendo vassouras pelas ruas da cidade e muitos outros vendedores, como o padeiro, o leiteiro, o vendedor de pamonha, que dizia: pamonhas, pamonhas fresquinhas!

Lembro- me do trilili, era um homem que vendia pirulitos de açúcar colorido e biscoitos folhados, compridos como uns charutos. Era a alegria da criançada. Ele tinha um sininho que ia tocando pra atrair a molecada que brincava nas ruas livres de carros. Esses sons nos trazem um contentamento interior, um gostinho da criança que ainda existe dentro de nós.

Cada um desses homens tinha seu som peculiar. E os escutávamos ao longe e logo sabíamos se era a hora do lanche, ou dia de colocar o lixo nas calçadas.

Atualmente esses sons foram substituídos pelos motores dos carros que passam a toda velocidade pelas nossas casas. Mas, contudo, nos restou a acuidade auditiva, para percebermos novos sons e podermos diferenciar um carro de um caminhão, ou um roncar de trovoada de uma rajada de metralhadora vinda de alguma localidade próxima mais conturbada.

Quem aqui não se recorda dos sons que ouvia na infância?

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

EmContando – 53 - Memórias (continuação) - Maçãs Secas

 (continuação, clicar aqui)
Mariana estava sentada no tapete com suas perninhas cruzadas segurando um saquinho metalizado do qual retirava pedacinhos de maçãs secas enquanto assistia a um desenho na televisão.

Essa imagem tão simples e doce levou-me de volta a Weidenberg. Já não morávamos no barracão da estrada de ferro. Havia na cidade uma grande marmoraria. Ocupava um terreno perto dos barracões. Os enormes blocos de mármore e granito formavam ruelas, cruzamentos, verdadeiros labirintos perfeitos para brincadeiras de crianças como nós.

A proprietária da marmoraria, uma senhora misteriosa que raramente se deixava surpreender, morava numa bela casa de dois andares na Rua Principal. A marmoraria começava nos fundos de seu quintal. Junto à casa foi construído um anexo, não sei quando nem com que fim. Esse anexo constava de dois cômodos bastante amplos. Era lá que morávamos agora. Não era bom, nem ruim, mas ganhamos mais um pouco de privacidade e independência.

Eram tempos difíceis aqueles anos pós-guerra. Faltava tudo, principalmente para os intrusos habitantes oriundos de outras terras. Éramos estrangeiros num país arrasado por bombardeios, invasões e desordens de todo tipo. A reconstrução exigiria a liderança de homens empreendedores. Herr Schiller, prefeito de Weidenberg, era um homem assim. Não sei se obedecia a ordens superiores ou se as iniciativas com que se pôs a reorganizar  seu pequeno império eram fruto de sua criatividade.Certa manhã todos os estrangeiros que engordavam a lista de habitantes da pequena Weidenberg receberam uma estranha e lacônica ordem.

“Todos devem estar, sem falta, no dia x, às y horas, na estrada na saída da cidade.”

O susto foi geral. Só se falava disso. O medo tomou conta dos mais pessimistas. Alguns chegaram ao pânico e outros até passaram mal, suponho.

No dia e na hora marcados, todos estavam lá, inclusive curiosos locais que nada tinham a ver com a intimação. A saída da cidade estava congestionada por pedestres de todas as idades. Suspense e curiosidade pesavam no ar. Atrás de Herr Schiller iniciava-se uma  inusitada procissão. Em ambos os lados da estrada estavam plantadas macieiras. Algumas eram belas e frondosas, outras mirradas como crianças mal nutridas. Herr Schiller tinha o  nome de todos os seus novos tutelados e conforme seguia a procissão, as macieiras eram  sorteadas entre os que estavam na lista. Palmas, e abraços foram a resposta a tal estranha convocação.

Meses se passaram até que as macieiras produzissem frutos. Quase diariamente fazíamos passeios até nossa árvore querendo ver os primeiros brotos. Crescidas e maduras nossas eram as maçãs mais vermelhas e perfumadas da estrada. Colhê-las foi uma festa regada de emoção.

Mamãe descascava e cortava-as em finas rodelas.  Estendemos largas tábuas sobre alguns dos blocos mais baixos de granito e os cobrimos com panos limpos.  Ali espalhamos as rodelas de maçãs para secarem ao sol. Nossa tarefa de crianças era virar e revirar as rodelinhas algumas vezes ao dia e recolhê-las depois do por do sol. Comemos muitas maçãs frescas naquele outono e guardamos as secas para o inverno.

Mariana mastigava, sem muita atenção, os pedacinhos de maçã sem desconfiar dos pedacinhos de história que alimentavam a memória de sua avó sentada a seu lado enquanto assistia ao “Boo”.

Agnes G. Milley

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

EmContando – 52 - Memórias

Morávamos em Weidenberg, na Alemanha, em 1946. Nosso lar era um quarto em um dos compridos barracões ao lado d
a estrada de ferro. Esses barracões tinham sido erguidos para alojar trabalhadores da estrada de ferro. Envelhecidos e abandonados agora abrigavam grupos de refugiados da guerra oriundos de vários países da Europa.

Minhas duas irmãs e eu cumpríamos juntas uma tarefa, diariamente. Anyi, nossa mãe, costurou três sacolinhas de pano florido e com elas íamos ao campo todas as manhãs para colher “sóska”. Da janela de nosso quarto, Anyi podia ver-nos trabalhando. Entre a grama alta e fina, escondiam-se folhas de “sóska”. Essas folhas eram comestíveis e lembravam as folhinhas de bertalha. Creme de “Sóska” era saboroso com batatas cozidas.

O campo das batatas ficava mais adiante. Anyi não podia ver-nos de casa. Colher batatas era um trabalho árduo. Os camponeses as recolhiam, mas sempre ficavam algumas para trás. Nós seguíamos em linha reta pelos sulcos deixados pelos arados, e revolvendo a terra, procurávamos as batatas perdidas. Sempre achávamos algumas. Depois de cozidas, guardávamos as cascas das batatas para tocá-las por um pouco de leite. Fazer essa troca era tarefa minha.

Depois da campina onde colhíamos “sóska” havia uma pequena plantação de hortaliças. Uma vez ou outra eu encontrava um velhinho lá, regando seus canteiros. Ele nunca se dirigiu a mim e eu também não lhe dizia nada. Seguindo adiante eu atravessava um pequeno regato de águas limpíssimas que cantava suavemente enquanto banhava as  pedras. Era ele que fazia as hortaliças crescer. Eu até gostava desse trecho de minha viagem.

Logo depois, meus passos me levavam para dentro de uma floresta que subia pela encosta de uma colina. Meus pés afundavam no espesso tapete formado por folhas e agulhas de pinheiros caídos no chão. O musgo verde me fazia escorregar e os galhos quebrados atrasavam meu caminhar. Muitas vezes surgia na minha frente um  coelho selvagem ou um veado mais assustado do que eu. Eram sustos, mas não medos, ainda. Medo me causavam os humanos. A alguma distância havia lenhadores trabalhando. Falavam alto, gritavam, diziam coisas que eu não compreendia. Não queria vê-los, não queria encontrá-los.

Depois das últimas árvores do bosque eu já podia ver a fumaça que subia mansamente da chaminé da casa da camponesa. Antes de chamá-la eu descansava um pouco. Precisava tomar fôlego. Frau Frida pegava as cascas e derramava um pouco de leite  fresco na minha leiteira de alumínio. Não me lembro se ela era gorda ou magra, bonita ou feia. Não me lembro se me sorria ou não. Recordo, apenas, que lhe  agradecia com tímido “Danke schön” e depois só pensava em estar em casa.

Numa tarde ensolarada decidi-me por uma aventura. Em vez de passar pela floresta pensei em alongar minha caminhada e voltar pela estrada. Chegaria mais tarde em casa, mas eu queria muito fazer algo diferente, mesmo que levasse uma reprimenda.

Andei com cuidado para não derramar o leite. Caminhava contente quando ouvi uma carroça se aproximar. Passou por mim rapidamente levantando uma grossa nuvem de poeira. Reconheci a menina que ia na boleira. Ela morava perto de nosso barracão. O pó baixou e eu continuei meu passeio até que, distraída, quase tropecei numa pequena bolsa amarela. Era linda! Eu nunca tinha tido uma bolsa. Queria muito ficar com ela.

Levei-a para casa e contei simplesmente que ela estava na beira da estrada. Anyi queria saber mais. Eu me atrapalhei e ela não se convenceu. Dormi mal naquela noite. Sonhei com os vizinhos, a estrada empoeirada e com a bolsa amarela caindo da carroça. Na manhã seguinte, Anyi fez-me levar a bolsa até a casa da menina. Bati no portão várias vezes. Era tão alto e eu tão baixinha! O portão rangeu e eu me vi frente a frente com a dona da bolsa. Ela riu com muitos “danke” agradeceu e fechou o portão.

 Agnes G. Milley

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Árvore Genealógica

Comecei a fazer a árvore da minha família e estou gostando demais.

Alguns caçoam e dizem que estou ficando doida ou é muita falta do que fazer. Realmente, com os filhos maiores, o tempo anda sobrando, e por que não aproveitá-lo com algo que será bom para meus filhos?

E por que acho que será bom? A razão é que passamos a conhecer histórias de nossos antepassados, e tomamos conhecimento de muitos parentes atuais que ainda nem conhecemos. Os antepassados podem servir de exemplo, com suas virtudes e suas conquistas.

Tive um tio avô que não cheguei a conhecer, mas sei, pelo meu pai contar, que foi um grande delegado de polícia, e, naquele tempo, colocou ordem na cidade do Rio de Janeiro, sendo até perpetuado numa música do Zeca Pagodinho.

São muitas as histórias da família que vamos
conhecendo, quando nos interessamos em pesquisar sobre ela. As coisas boas nos servem de exemplos a seguir, e as ruins são úteis para aproveitarmos e não repetirmos os feitos.

Aos poucos estou aperfeiçoando, e paralelo á árvore, vou montando um livro só de casos familiares, que cada um vai me contando, ou que já tenho guardados na memória, repassados pelos meus pais ou sogra. Esta gostava de narrar as histórias antigas de muitos parentes que nem chegamos a conhecer, mas valem a pena serem ouvidas.

É um trabalho bem facilitado pesquisar sobre nossos parentes, porque temos hoje a ajuda inestimável dos meios de comunicação virtuais.  O Facebook, por exemplo, é um site onde encontramos muita gente conhecida e muitos que nunca conhecemos, mas vale a pena saber da existência.

E existe um bom programa para armazenarmos dados sobre a família,  o http://www.myheritage.com.br . É grátis até um número X de pessoas cadastradas, e, se quisermos cadastrar mais, podemos pagar pelo serviço, a árvore fica personalizada e muito bonita. Eu ainda estou no limite grátis de pessoas e está ficando genial, pode-se colocar fotos e datas. E o programa vai montando nossa árvore. Vale a pena!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

EmContando – 35 -Memórias (continuação)


Depois da Festa

 Acabada a festa; a alegria pelo fim da guerra, os habitantes do galpão começaram a dispersar-se. Saíam cedo, todas as manhãs, a procura de abrigo mais confortável em casa de famílias alemãs.

As cidades haviam sido duramente bombardeadas e poucos prédios escaparam da destruição. Nas aldeias e nos campos  a situação era bem melhor. Famílias que possuíam casas espaçosas cediam um ou dois quartos para refugiados estrangeiros. Não sei se essas
pessoas  recebiam algum benefício das autoridades ou se os inquilinos tinham que pagar pela moradia. Vivia-se de escambo. Trocava-se tudo por qualquer coisa. O dinheiro, se existia, não tinha valor algum. Anyi (mamãe) ainda tinha cigarros que comprara antes de sairmos da Hungria. Essa sua valiosa moeda ainda durou por algum tempo, mas era insuficiente para pagar aluguel. Com os cigarros ela comprava itens essenciais para nossa subsistência. Não sei com ela se arranjaria. Coragem e audácia nunca lhe faltaram. Ela encontraria, com certeza, uma solução se achasse um lugar adequado para nós.

Nossos companheiros do galpão tinham mais facilidade para se locomover. Entre eles não havia crianças pequenas e em quase todas as famílias havia um avô ainda ativo  ou um adolescente forte. Anyi estava sozinha e nós éramos muito pequenas. Kati ainda não completara um ano de idade. Além disso, poucas pessoas eram verdadeiramente soldarias naqueles dias. Sobreviver, chegar primeiro, abocanhar o melhor pedaço era, normalmente,  a regra do jogo.

Uma das senhoras que sofrera as agruras do galpão conosco, mostrou-se amiga
. Encaminhou Anyi a uma aldeia próxima, dizendo que havia encontrado ali um quarto de bom tamanho, claro e arejado. Seria uma boa moradia para nós quatro. A proprietária era amável e a casa ficava perto da estação de trem, o que era muito conveniente. Ela só não contou por que a casa não servira para ela.

Anyi arrumou-nos o melhor que pode e fomos, as quatro, conhecer nosso futuro lar.  Estávamos alegres, saltitantes, buliçosas e cheias de esperanças. Anyi já pensava nas cortinas coloridas e nos gerânios na janela. A proprietária além de amável era, felizmente, honesta também. Explicou-nos que o quarto era bom, de fato, mas não poderia acolher-nos. O lugar era infestado de ratazanas. Kati era um bebê ainda, Zsuzsi e eu também éramos pequenas. Morar ali seria muito perigoso. Ela não dormiria em paz.

Voltamos para o galpão. Nenhuma das tentativas de Anyi foram bem sucedidas. Sempre chegávamos atrasadas. O quarto não estava mais disponível.

Todos se foram. Estávamos sozinhas na fazenda; nós e Frau Helga (a fazendeira). Anyi chorou. Deve  ter se sentido muito só, desanimada e impotente. Frau Helga não nos queria mais lá. Éramos um estorvo. Anyi não tinha a quem pedir ajuda a não ser que a própria Frau Helga lhe desse a mão. E foi o que aconteceu. Anyi conseguiu convencê-la de que era forte e saberia trabalhar bem em troca de um pequeno quarto na casa e comida para três. Kati ainda mamava no peito.

Começava, assim, um novo capítulo de nossa história. Anyi trabalhava o dia todo. Limpava, descascava batatas e, principalmente, batia o leite até virar manteiga. Frau Helga produzia muita manteiga. Provavelmente, era seu item de escambo. Nós, meninas, cuidávamos de nós mesmas e umas das outras. Ocasionalmente ganhávamos um dia de folga para que Anyi pudesse continuar a procurar uma saída melhor para nós.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

EmContando – 34 - Memórias

Maio é um mês especial. Mês de Maria, mês das noivas , clima gostoso e boas recordações do final da Segunda Guerra Mundial.

Éramos um grupo de refugiados  húngaros, albergados, temporariamente,  em uma fazenda na Alemanha. Nossa morada era fria! Pelas frestas, entre as tábuas que formavam as paredes de nosso galpão, o vento gelado encontrava caminho até cada um de nós. O feno que cobria o chão era pouco, mas seria ali, agora, o nosso lar. Sobre o feno ralo, entre o maquinário da fazenda, dormíamos, acordávamos e brincávamos.

Anyi (assim chamávamos nossa mamãe) achou um livro para nos distrair. Como, nem posso imaginar. Era a história de
Pinóquio, o boneco de madeira. O livro era escrito em alemão, com letras góticas, e as ilustrações eram apenas pequenos desenhos nos cantos de algumas páginas. Penso que Anyi não lia o livro, não entendia o que estava escrito, mas virava as páginas e contava a história da maneira como se lembrava dela. Zsuzsi (minha irmã) e eu folheávamos o livro com avidez. A parte que mais me impressionou foi a parte em que Pinóquio, transformado em burro ,  é atirado ao mar. Pobre Pinóquio! Cheguei a ter pesadelos com o pobre burro sendo comido pelos peixes. E, que mar era aquele? Como poderia uma criança tão pequena como eu imaginar o mar?

O livro, de páginas amareladas, ainda olha para mim da estante da sala. Posso brincar com ele e trazer de volta as emoções de meus quase cinco anos de idade.

O tempo foi passando e eu só percebi que havia crescido quando, um dia, não consegui mais calçar meus sapatos. Estavam pequenos demais. Lá fora ainda estava frio e Zsuzsi e eu tínhamos agora apenas um par de sapatos; os dela. Passamos a usá-los em dias alternados. Foi uma solução, mas além de meus sapatos, perdemos a companhia uma da outra. Brincar lá fora, sozinha, não era nada divertido. Anyi nunca me contou como ela arranjou um novo calçado para mim.  Era um par de sandálias de tiras largas que eu usava com meias grossas para aquecer.

No galpão não havia rádio. Os adultos suspeitavam que a guerra estava por terminar, uma vez que os Aliados já estavam na Alemanha. A espera, sem notícias, o desconforto, as saudades e o medo do futuro incerto foram, aos poucos, desgastando o relacionamento entre os habitantes do galpão. Irritação, desconfianças e até brigas já eram frequentes. Os nervos estavam perto de uma explosão quando na manhã do dia 6 de maio de 1945 ouvimos  roncos de aviões. Corremos para fora para assistir ao mais emocionante espetáculo de todos aqueles anos. Era o fim da guerra. Esquadrilhas desfilavam pelo céu azul da primavera de meus cinco anos. O sol cintilava na fuselagem dos aviões que voavam muito alto, e o ronco que ouvimos no galpão era, agora, uma explosão não só dos motores, mas da alma da pequena multidão que ali chorava, ria, se abraçava e saltava de alegria.

O sol  brilhou, enfim, mas não aqueceu. No chão, havia ainda neve aqui e acolá. A grama verde teria que lutar para romper o solo congelado e os botões de flores levariam mais algum tempo para desabrochar.

                                                                                                        Agnes G. Milley

sábado, 9 de fevereiro de 2013

"Nada fixa tanto as coisas na memória quanto o desejo de esquecê-las"

Mais uma frase de seriado em que resolvi meditar e oferecer o resultado a vocês. Espero que ajude a analisar alguns fatos que frequentemente nos pesam na alma. Não porque eu seja sábia, longe disso, mas por serem algumas preocupações e dores comuns a todos nós, seres humanos. Por mais diferentes que sejam as pessoas, somos feitos da mesma matéria e à semelhança de um único Pai, que enraizou em cada um ânsia de eternidade e esperança de felicidade duradoura.

É pura verdade o que a frase constata. Quanto mais fazemos força para esquecer algo ou alguém, mais profundo e teimoso é o sofrimento que o torna inesquecível. Se centramos nossa vida em uma busca inclemente pela felicidade, descuidando dos detalhes de amor com o próximo, ou até desconhecendo totalmente sua necessidade de ser feliz também, o resultado é o oposto ao que perseguimos. Quando lutamos contra um defeito ou fraqueza de caráter só com nossas pobres forças, abrindo mão da ajuda de pessoas competentes, ou desprezando a misericórdia de Deus e os meios que nos propiciou, como os sacramentos, a direção espiritual, a oração, essa será uma batalha perdida, ainda que árdua. Só sentiremos a dor do fracasso, não a fortaleza de recomeçar.

Ninguém consegue nada sozinho, sequer com um auxílio puramente humano. E devemos a nós mesmos a paciência de permitir, e aguentar com otimismo, que o tempo aja, sobre nós e os outros envolvidos. A vida, e Aquele que a tem nas mãos, segue seu curso, cada alma tem sua resistência, e o próprio Criador respeita isso, pois foi dele que recebemos o grande dom da liberdade de escolha. Se muitas vezes a escolha é errada, já quando reconhecemos esse fato e nos colocamos à Sua disposição para que Sua graça opere em nós e nos que amamos, está ganha a primeira batalha. O exército da boa vontade invade o núcleo da dor e suaviza a espera - a espera da ação completa do Bem.

Para finalizar, nada me parece mais apropriado do que o conhecido poema/oração de Santa Teresa de Ávila, a reformadora do carmelo, a grande doutora da Igreja, profunda conhecedora das almas e da experiência constante da presença atuante de Deus em nossas vidas:
"Nada te perturbe,
nada te espante,
tudo passa,
Deus não muda,
a paciência tudo alcança;
a quem tem Deus
nada lhe falta:
só Deus basta."

 Por Maria Teresa Serman

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Alegrando o dia – Uma canção que acalenta

Recordando uma canção antiga para cantarmos para nossas crianças:

A noite do meu bem

Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero a paz de criança dormindo
E o abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! eu quero o amor o amor mais profundo
Eu quero toda beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda ternura que eu quero lhe dar

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sabor da infância

Como é gostoso de repente nos depararmos com um cheiro ou um sabor que lembre a nossa infância.

Parece que voltamos no tempo.

A nossa memória gustativa consegue guardar sabores e até os aprimora, a ponto de nunca acharmos que tal comida está igual àquela da vovó.

Eu me lembro de meu marido , assim que casamos, falando de uns pastéis da “tia Eurídice” que eram deliciosos. Cansei de tentar várias receitas antigas e novas, para ver se conseguia repetir o tão afamado pastel, e ele sempre repetia: seu pastel está ótimo, mas não é igual o da tia. Assim sendo, decidi nunca mais usar aquele rolo de pastel tão pesado e cansativo, visto que nunca iria repetir o sabor que estava na memória de um homem, adquirida desde a sua infância. Hoje só uso massa pronta!

Mas a verdade é que às vezes nos deparamos com um gosto ou um cheiro que nos remete a nossa infância, e isso é muito reconfortante e agradável, é como um acalanto, um carinho da nossa mãe ou avó. Uma sensação indescritível de volta ao tempo, um saudosismo gostoso, que proporciona momentos de alegrias inigualáveis.

E isso tudo só é possível porque nossas mães e avós tiveram detalhes de carinho conosco quando crianças. Foram amorosas, fazendo aquele pão de minuto, ou um bolinho de chuva, ou um manjar de coco com doce de bananas em rodelinhas que só quem faz com amor consegue dar aquele sabor.

Quais serão os cheiros que farão nossos filhos voltarem à infância nas suas memórias? O que fazemos para acarinhá-los, que vá proporcionar estas lembranças agradáveis?

Lembro do cheiro gostoso do churrasco que meu pai fazia, e a que acrescentava umas lenhas ao carvão para dar um gostinho de defumado. Uma verdadeira delícia, um carinho e tanto conosco, filhas, genros e netos. Como seremos lembrados?

sábado, 29 de janeiro de 2011

MANIAS DE MÃE - parte 1– INSÔNIAS

Já que desaprendi a dormir, pelo fato de anos a fio, ficar fazendo a “ronda noturna” para verificar o sono das crianças, e como passei muitos anos com várias crianças pequenas (sempre havia um nascendo, ou pequenos), acostumei-me a ter um sono leve e sempre a postos para qualquer movimento diferente na casa. Bastava que alguém abrisse uma porta de um banheiro que eu já acordava e ia ver quem era. Manias de mãe!

Depois havia também resquícios da minha infância que eu guardei, como os medos de escuro e o de ser a última a dormir. Isso não era nada bom e por essa razão, no meu intimo, determinei que deveria velar o sono dos filhos, até que o último dormisse.E sem falar na luz acesa na casa para que quem acordasse sempre tivesse um rumo certo. Mania minha com certeza, para disfarçar os próprio medo do escuro.

Como transferimos para os filhos nossos medos, nossas diferenças e passamos a achar que eles também os terão; pelo sim, pelo não, hoje mantenho a tal luz acesa no corredor e os maiores, que não gostam dela, fecham suas portas para manter a escuridão da noite, na hora de dormir.

Escrevi isso durante uma das minhas insônias, às três da madrugada. No momento todos dormem. Por que o sono não vem? Com certeza pela força do hábito de me achar como um deus, com poderes de super-herói, de manter o sono tranquilo dos filhos e marido.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Entendendo um pouco mais sobre a memória! - parte 3

Texto de : Marcia Cristina Ramos Vasconcellos
Médica com formação em Otorrinolaringologia e Medicina Do Trabalho pela UFF- NIT. Professora do Projeto Profissões de serviço, no curso assistente familiar pela Adec junto a comunidade da Grota - São Francisco em Niterói Voluntária Casa Convívio assistencia a idosos em Niterói .

Continuação do dia 5 de fevereiro de 2010

São funções da memória: a aquisição e registro das informações também a retenção ou fixação que são as informações a serem conservadas ou preservadas para uma utilização posterior.
Reconhecimento ou localização é outra função da memória que nos permitem o acesso as informações, como se fosse um fichário que organiza essas informações.
A Reprodução que é a evocação ou recuperação das lembranças, podendo ser trazidas de volta pela impressão deixada nas memórias visual, auditiva, tátil, emocional, gustativa.

TIPOS DE MEMÓRIA:

MEMÓRIA LÓGICA OU ASSOCIATIVA – ESSA ESTABELECE ASSOCIAÇOES ENTRE FATOS, PESSOAS E SITUAÇÕES VIVIDOS.

MEMÓRIA EPISÓDICA OU INDIVIDUAL – É A EXPERIÊNCIA PESSOAL VIVIDA.

MEMÓRIA CRIADORA – É A QUE FIXA COM LEMBRANÇAS EVOCADAS E QUE SÃO RECRIADAS E RECOMBINADAS.

MEMÓRIA MECÂNICA – É A QUE REPRODUZ AUTOMATICAMENTE, PALAVRAS, NOMES E SITUAÇÕES VIVIDAS

MEMÓRIA SELETIVA - É A QUE REPRODUZ CONFORME O INTERESSE

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA - É A QUE REPRODUZ DETALHES COM FIDELIDADE.

MEMÓRIA ARTIFICIAL - É A QUE TEMOS COM USO DE AGENDAS E LEMBRETES.

COMO ADQUIRIMOS A MEMÓRIA?
Pela ação!
COMO CONSERVAMOS A MEMORIA?
Pela atenção, interesse, e repetição!
COMO REAPARECE?
Pela evocação!
COMO SE PERDE?
Pelo esquecimento!
COMO ACONTECE A EVOCAÇÃO?
Voluntariamente!

Daí procurar lembrar o que fiz ontem de manhã ou comi no almoço serem importantes para termos boa memória.

Involuntariamente – é a que aparece subitamente, através de um cheiro, música, palavra, uma cena, sabor...

A Memória é, portanto uma interação entre o ambiente e o organismo!

Adiante falaremos mais sobre as técnicas para melhorarmos a memória !

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

PARA AJUDAR SUA MEMÓRIA - parte 2

Texto de : Marcia Cristina Ramos Vasconcellos
Médica com formação em Otorrinolaringologia e Medicina Do Trabalho pela UFF- NIT.
Professora do Projeto Profissões de serviço, no curso assistente familiar pela Adec junto a comunidade da Grota - São Francisco em Niterói Voluntária Casa Convívio assistencia a idosos em Niterói .


A parte 1 esta no dia 18 de novembro de 2009

Existem algumas técnicas que poderão nos ajudar a gravarmos ou retermos melhor as informações na memória, porém é preciso repetir que bons hábitos ou uma boa qualidade de vida são imprescindível para termos boa memória, tais como:

1- Dieta equilibrada e diversificada conforme a pirâmide alimentar.
2- Pratica de exercícios físicos regulares como parte de um programa de vida diário.
3- Ter vida social com turma de amigos freqüentarem outros ambientes.
4- Ter religião e praticá-la.
5- Diversificar seus interesses, ser criativo.
6- Manter-se atualizado ler jornais, revistas todos os dias. Se possível como rotina.
7- Fazer lista de compras ler diversas vezes e deixar em casa, procurar confiar na memória.
8- Controlar o stress e ansiedade se necessário com técnicas de relaxamento e massagens com exercícios respiratórios
9- Evitar o uso e abuso de medicamentos.
10- Divertir-se e sorrir, VIVER INTENSAMENTE O MOMENTO PRESENTE SEM angustias ou preocupações sobre o amanhã!

Algumas técnicas que podem ajudar:

Associativa - Ao ouvir ou ler uma palavra faça uma imagem mental da mesma utilizando as impressões que lhe sugerir e faça laços mentais de uma palavra a outra, ligando- a outra, como se fosse uma corrente ou uma história narrada , tendo você como inicio e final da mesma.


Técnica para memorizar nomes: Procurar prestar o máximo de atenção e relacionar o nome com a fisionomia da pessoa, seus traços físicos marcantes, relacionar com a sua profissão, faça rimas para facilitar, na conversa verifique qual a importância da pessoa para você, este é o momento para informações sensoriais entrarem no seu sistema de processamento de informações, entender o que o outro diz é fundamental.

Memorizar recados: Ouça a mensagem com atenção e anote os seguintes pontos
O dia, a hora, o local, o assunto, quem mandou, a finalidade, a importância. Se preferir com esse arranjo visual:
Data:
Hora:
Local:
Motivo ou assunto:
Remetente:
Se empenhe para copiar mentalmente e depois num papel essas informações.

Lembrar-se sempre de algumas regras:

Sem eficiência de memória, muitas coisas necessárias não são feitas.
Sem eficiência de memória, a vida vai passando e nunca aprendemos a reconhecê-la e nem apreciá-la.
A Memória aumenta nosso motivo de quardar lembranças, o motivo mais a repetição é iqual a retenção.
A Retenção da memória aumenta proporcionalmente ao seu uso.

A Acuidade sensorial deve ser boa para termos uma boa memória:

OLFATO-VISÃO-AUDIÇÃO-GUSTAÇÃO-TATO (Devem ser utilizados para a boa formação de memória.)

As informações que nos interessam ou nos são úteis são memorizadas com mais facilidade.
A Compreensão facilita a memorização.
O Equilíbrio afetivo tem um papel muito importante no aprendizado e na memória.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Memória e os tempos modernos

Texto de : Marcia Cristina Ramos Vasconcellos
Médica com formação em Otorrinolaringologia e Medicina Do Trabalho pela UFF- NIT.
Professora do Projeto Profissões de serviço, no curso assistente familiar pela Adec junto a comunidade da Grota - São Francisco em Niterói Voluntária Casa Convívio assistencia a idosos em Niterói .


A memória é realmente uma habilidade caprichosa e impressionante, algumas vezes nos abandona quando precisamos lembrar o nome de algum amigo que acabamos de reencontrar outras vezes não nos deixa esquecer fatos ou momentos embaraçosos vividos. Ninguém sabe quando ela funcionará a nosso favor ou não!

Muito se estuda sobre a memória e ainda se continuará a estudar pois muito há que entender e decifrar !

Uma coisa muito clara porém e bem sabida, é a transformação que existe em nossa memória ao longo dos anos:- como perdemos a capacidade de registrar com rapidez os fatos e números e também a influência do mundo moderno e a agitação dos nossos dias em que muitas informações nos vem com uma grande velocidade interferindo na capacidade de reter as informações na memória,o que também dificultaria o registro!

O que se sabe é que a memória se modifica ao longo do tempo e nós envelhecemos desde que nascemos... Isso acontece e é fácil verificar a grande facilidade com que as crianças de cinco anos jogam o jogo da memória, como memorizam as posições e números das cartas com naturalidade e rapidez, enquanto os mais velhos fazem um enorme esforço consciente para memorizar as cartas e com menos sucesso!

Essas alterações são também chamadas de alterações bioquímicas cerebrais.Ocorrem também perdas celulares- no caso os neurônios que são as células cerebrais são determinantes de nossa boa saúde mental ou de nossa memória, pois na fase madura da vida o sistema nervoso se modifica bem como as funções de sentido: visão, audição, gustação, tátil ou proprioceptiva, o que afeta em cheio a memória ou nosso registro mental dos fatos, se no momento da gravação o som ou a imagem estiverem nebulosos, o registro cerebral na memória não terá nitidez bastante para consultá-lo em outro tempo.

Assim, a correção dessas alterações naturais com óculos, aparelhos auditivos e mesmo com a remoção da cera acumulada no conduto auditivo são fundamentais para que se forme uma memória com traços distintos e duradouros! Afinal não é possível lembrar aquilo que não ouvimos ou ouvimos mal... Ou o que enxergamos com defeito...

Tais perdas celulares ( mais especificamente de uma região do cérebro chamada hipocampo) são as que mais parece estarem ligadas a todas as alterações na memória e em especial na formação das novas memórias ou utilização de novas informações!

Portanto não somente as alterações biológicas que ocorrem em nosso corpo são responsáveis pelas alterações da memória, mas também outros fatores em crescente progressão na sociedade atual tais como o estresse, fadiga física e mental, falta de sono e depressão!

Assim quando percebermos que nossa memória falha, é necessário iniciar uma pesquisa revendo nosso comportamento nessa ocasião: se há muita agitação, alterações do sono, preocupações crônicas e, sobretudo refletir sobre o quem podemos fazer para modificar positivamente essas situações e transformá-las a nosso favor!

É claro que os problemas não desaparecerão, mas a sua atuação sobre nós ou nosso organismo poderá ser minimizada. É uma guerra na qual nossa saúde mental sairá lucrando.

Em outro artigo daremos algumas dicas e exercícios para estimular ou exercitar a memória!