logo
Mostrando postagens com marcador moral. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador moral. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de abril de 2014

Conversão aos 20: Megan Hodder

Começamos hoje uma série de posts que tratam de pessoas que se converteram ao Catolicismo por volta dos 20 anos de idade.



Megan Hodder, 21 anos, nascida na Ilha de Wight no sul da Inglaterra atualmente mora em Londres e há pouco tempo se converteu ao catolicismo. Ela gentilmente deu uma entrevista para o blog Negócios de Família que publicamos traduzida abaixo. Você pode seguir Megan no twitter ou acompanhar o blog dela.

Negócios de Família: Você pode nos contar o seu caminho até a fé Católica e como as pessoas próximas a você reagiram?

Megan Hodder: Eu comecei a me interessar por outras crenças nos meus dois últimos anos na escola quando percebi que o ateísmo, no qual eu havia sido educada e que tinha como algo certo e seguro, não possuía os conceitos necessários para lidar em profundidade com questões éticas complexas, em particular questões bioéticas como aborto e eutanásia. Eu comecei a ver que o utilitarismo leva ou a respostas que são intuitivamente antiéticas ou cai na completa subjetividade; o raciocínio moral coerente requer a existência de um princípio objetivo de bem que não existe num modo de ver as coisas completamente materialista. Para minha surpresa, e encontrei os pensamentos mais profundos e as concepções mais objetivas da moralidade em teorias que pressupõem a existência de um Deus.

Quando eu comecei a pensar desta forma eu procurei tornar a me convencer o quão errado era acreditar em Deus lendo o Papa Bento XVI. Ironicamente o tiro saiu pela culatra. Não só não me convenci da superioridade do ateísmo, como isto me introduziu ao conceito de Deus como Logos, um padrão autoexplicativo de bondade e verdade objetiva para o qual nossa razão é orientada. Não tinha mais certeza do que eu acreditava agora. Então fiquei amiga de vários católicos que me ensinaram com seu exemplo como era possível integrar a fé cristã na nossa vida cotidiana moderna. E eu decidi pedir para ser batizada.

Minha família e amigos ficaram muito surpresos com minha decisão, alguns até foram contrários. No entanto, a maioria deles, já se acostumou com o fato de eu ser católica e o aceitam, mesmo que algumas vezes as coisas fiquem um pouco constrangedoras. Eu penso que isto é inevitável, o Evangelho, afinal de contas, não é algo que deixa as pessoas indiferentes. Eu falo muito abertamente sobre a minha fé com minha mãe que conheceu já meus amigos católicos e se dá bem com eles.

NF: A conversão é um primeiro passo, o que você acha que será a história da sua vida nos próximos anos? Já considerou quais são os planos de Deus para você?

MH: A conversão não é apenas o primeiro passo na minha história como católica, é o segundo, e o terceiro e todos os passos posteriores. A contínua conversão a Cristo, através da oração e dos sacramentos, é essencial em todos os estágios da vida cristã.

No presente estou procurando me familiarizar com a Igreja, os sacramentos a liturgia, os santos e as formas de oração. Meu foco é desenvolver a vida interior e encontrar a minha espiritualidade antes de discernir com honestidade minha vocação.

Recentemente eu comecei a sentir-me particularmente inclinada pela ordem Dominicana, mas se seria como uma pessoa casada de uma ordem terceira ou como uma freira ainda não tenho nem ideia. Por enquanto, estou apenas aprendendo como fazer oração, crescer em virtudes e melhorar na caridade com os outros. Para descobrir o que deus quer me dizer eu preciso primeiro aprender a escutar melhor!

NF: Como você vê este movimento conhecido como "Novo Ateísmo"? Como os jovens católicos devem se preparar para estes debates?

MH:  Eu penso que o apelo do Novo Ateísmo é mais político que filosófico. Em termos intelectuais, não há nenhum argumento colocado por Dawkins (Richard), Harris (Sam) ou Dennett (Daniel) que não tenha sido antes desenvolvido por pensadores ateus muito mais importantes como Bertrand Russell, David Hume, Karl Marx ou Friedrich Nietzsche. A diferença é que enquanto os primeiros pensadores ateus enxergavam o ateísmo como um componente da sua visão de mundo, os "Novos Ateus" enxergam a sua falta de crença em Deus como algo central e totalmente absorvente. Isto compensa sua falta de profundidade e visão pouco desenvolvida do mundo; sua popularidade vem não da sua utilidade como meio de buscar a verdade ou guiar o agir humano, mas da habilidade de se aproveitar do medo e preocupação que as pessoas tem sobre o papel da religião na situação do mundo. Não há dúvida que o extremismo religioso é um sério problema no mundo hoje. No entanto igualar extremismo com a religião em si mesma, como os Novos Ateus fazem, é algo teologicamente e historicamente ignorante.

Quando se debate com eles é importante conhecer os argumentos filosóficos que eles usam; eu recomendo a leitura de teólogos como Edward Feser e o Pe. Thomas Crean. No entanto, cuidado com o fato que o ponto a ser combatido é a crença deles que indivíduos que crêem não contribuem com o debate e que as ideias religiosas apenas atrasam o progresso humano. Saiba como os ensinamentos cristãos podem ser aplicados a situações éticas concretas, saiba os aspectos dos ensinamentos e o legado da Igreja que os Novos Ateus apresentam de forma falsa. Eu recomendaria que procurassem o Catholic Voices caso haja em seu país.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

ALEXANDRE O GRANDE : Seus 3 últimos desejos

Uma boa reflexão....

Por isso que ele era chamado de 'O GRANDE'
        
Os 3 últimos desejos de ALEXANDRE O GRANDE:
   
1, Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;

2, Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistado como prata , ouro,  e pedras preciosas ;

3, Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.
 
 Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a ALEXANDRE quais as razões desses pedidos e ele explicou:

1, Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;
 
2, Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;
 
3, Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

Pensemos nisso.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

EmContando – 68 - A Espada de Dâmocles

 Adaptação de James Baldwin

Era uma vez um rei chamado Dionísio, monarca de Siracusa, a cidade mais rica da Sicília. Vivia num palácio cheio de requintes e de coisas bonitas, atendido por  criadagem sempre disposta a fazer-lhe as vontades.

Naturalmente, por ser rico e poderoso, muitos siracusanos invejavam-lhe a sorte. Dâmocles estava entre eles. Era um dos melhores amigos de Dionísio e dizia-lhe frequentemente:

“Que sorte a sua! Você tem tudo que se pode desejar. Só pode ser o homem mais feliz do mundo”. 

Dionísio foi ficando cansado de ouvir esse tipo de conversa.

“Ora, essa! Você acha mesmo que eu sou mais feliz do que todo o mundo?”

O amigo respondeu:

“Mas é claro!  Olhe só os seus tesouros e todo o seu poder! Você não tem absolutamente nada com que se preocupar. Poderia sua vida ser melhor do que isso?”

“Talvez você queira trocar de lugar comigo” – disse Dionísio.

“Ora, eu nem sonharia com uma coisa dessas! Mas se eu pudesse ter  sua riqueza e desfrutar de todos esses prazeres por um dia apenas, não desejaria felicidade maior.”

“Pois bem! Troque de lugar comigo por um dia apenas e desfrute disso tudo.”

E então, no dia seguinte, Dâmocles foi levado ao palácio e todos os criados receberam instruções para tratá-lo como amo e senhor. Vestiram-no com mantos reais e puseram-lhe na cabeça uma coroa de ouro. Ele sentou-se à mesa na sala de banquetes e foi lhe servida uma lauta refeição. Nada lhe faltou ao seu bel-prazer. Havia vinhos requintados, lindas flores, raros perfumes e música maravilhosa. Recostou-se em almofadas macias. Sentiu-se o homem mais feliz do mundo.

“Ah, isso é que é vida!” – confessou a Dionísio, que se encontrava sentado à mesa, na outra extremidade.  – “Nunca me diverti tanto.”

Ao levar a taça de vinho à boca, levantou o olhar para o teto. O que era aquilo ali pendurado, com a ponta quase tocando sua cabeça?

Dâmocles enrijeceu-se todo. O sorriso fugiu-lhe dos lábios e o rosto empalideceu. Suas mãos estremeceram. Esqueceu-se da comida, do vinho, da música. Só quis saber de ir embora dali, para bem longe do palácio, para onde quer que fosse. Pois pendia bem acima de sua cabeça uma espada, presa ao teto por um único fio de crina de um cavalo. A lâmina brilhava, apontando diretamente para seus olhos. Ele foi se levantando, pronto para sair correndo, mas deteve-se, temendo que um movimento brusco pudesse arrebentar aquele fiozinho fino e fizesse com que a espada lhe caísse em cima. Ficou paralisado, preso ao assento.

“O que foi, meu amigo?” – perguntou Dionísio – “Parece que você perdeu o apetite.”

“Essa espada! Essa espada!” – disse o outro num sussurro. “Você não está vendo?”

“É claro que estou. Vejo-a todos os dias. Está sempre pendendo sobre minha cabeça e há sempre a possibilidade de alguém ou alguma coisa partir o fio. Um dos meus conselheiros pode ficar enciumado do meu poder e tentar me matar. As pessoas podem espalhar mentiras a meu respeito, para jogar o povo contra mim. Pode ser que um reino vizinho envie um exército para tomar-me o trono. Ou então, posso tomar uma decisão errônea que leve à minha derrocada. Quem quer ser líder precisa estar disposto a aceitar esses riscos. Eles vêm junto com o poder, percebe?”

“É claro que percebo!” – disse Dâmocles – “Vejo agora que eu estava enganado e que você tem muitas outras coisas no que pensar além de sua riqueza e fama. Por favor, assuma seu lugar e deixe-me voltar para a minha casa.”

Até o fim de seus dias, Dâmocles não voltou a querer trocar de lugar com o  rei, nem por um momento sequer.

(Em o LIVRO DAS VIRTUDES – uma antologia de William J. Bennett)

Agnes G. Milley

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

EmContando – 66 - Milagre de Natal

Em agosto de 1914 teve início uma das mais sangrentas guerras mundiais. De ambos os lados combatia-se sem piedade, e a  morte e a destruição assolavam o mundo. Os inimigos disputavam o terreno, palmo a palmo, entre cenas indescritíveis onde o sacrifício e o heroísmo estavam lado a lado com a morte.

A terra de ninguém, esse espaço que separava as trincheiras, era atravessada apenas pela metralhadora. E quando esta já falara o suficiente, irrompiam os homens para completar o quadro de destruição. A ordem era avançar e morrer pelo dever ...

E assim, ingleses e alemães, separados por essa estreita faixa de terra de ninguém, atiravam noite e dia, até que a baioneta lhes permitisse desalojar o inimigo. Hoje, eram uns que conquistavam esse pedacinho de terra, amanhã, os outros. A fatigante ação da guerra repetia-se monótona, incessante.

Dezembro chegou, e encontrou os soldados na mesma luta dilacerante. A neve cobria os campos com seu manto gelado, trazendo aos corações de todos recordações de outros dias felizes. A família, os pais, os filhos ... que fariam àquelas horas, tão perto do Natal? Eles já estavam recebendo pacotes que muitos não abriam, esperando pelo santo dia ...

O dia 25 de dezembro de 1914 amanheceu em meio a um silêncio impressionante. A neve reinante não conseguia ocultar o movimento dos homens em seus esconderijos. De repente, algumas sombras saindo das trincheiras alemãs avançaram cautelosamente.
Os ingleses puseram-se de prontidão, mas não dispararam suas armas. Alguma coisa estranha pairava  sobre a terra de ninguém. Alguma coisa inexplicável, mas que todos podiam sentir. Momentos depois, também deste lado surgiram figuras  silenciosas que iam ao encontro das que se aproximavam; mais alguns instantes e aqueles vultos confundiam-se, silenciosamente, num estreito abraço.

Os outros não se contiveram mais e, como que inspirados por um mesmo sentimento, os homens de ambos os lados, sem poder entender-se, pois falavam duas línguas diferentes, uniram seus corações na linguagem universal do amor fraterno em comemoração a um dos mais empolgantes mistérios: o Nascimento do Menino Jesus.

Foi um verdadeiro milagre de Natal! E ali, naqueles campos um  pouco antes povoados pelo ódio e morte, ingleses e alemães abriram os pacotes que há tanto vinham guardando e dividiram os presentes entre si ...

Diversões Escolares  Ano 1  Número 5  1960  Editora Abril Didática Ltda. SP



Agnes G. Milley

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

EmContando – 62 - “Meu Reino por um Cavalo!”

                                  Adaptado do original de James Baldwin
                    
O Rei Ricardo III estava se preparando para a maior batalha de sua vida. Um exército liderado por Henrique, Conde de Richmond, marchava contra o seu. A disputa determinaria o novo monarca da Inglaterra.

Na manhã da batalha, Ricardo mandou um cavalariço para verificar se seu cavalo preferido estava pronto.

“Ferrem-no logo” – disse ao ferreiro. “O rei quer seguir em sua montaria  à frente dos soldados.”

“Terás que esperar” – respondeu o ferreiro. “Há dias que estou ferrando todos os cavalos do exército real e agora preciso ir buscar mais ferraduras.”

“Não posso esperar” – gritou o cavalariço, impacientando-se. “Os inimigos do rei estão avançando neste exato momento e precisamos ir ao  seu encontro no campo. Faze o que puderes agora com o material de que dispões.”

O ferreiro, então, voltou todos os esforços para aquela empreitada. A partir de uma barra de ferro, providenciou quatro ferraduras. Malhou-as o quanto pôde até dar-lhes formas adequadas. Começou a pregá-las nas patas do cavalo. Mas depois de colocar as três primeiras, descobriu que faltavam-lhe alguns pregos para a quarta.

“Preciso de mais um ou dois pregos” – disse ele, “e vai levar tempo para confeccioná-los no malho.”

“Eu disse que não posso esperar” – falou, impacientemente, o cavalariço. “Já se ouvem as trombetas. Não podes usar o material que tens?”

“Posso colocar a ferradura, mas não ficará tão firme quanto as outras.”

“Ele cairá?” – perguntou o cavalariço.

“Provavelmente não” – retrucou o ferreiro, “mas não posso garantir.”

“Bem, usa os pregos que tens” – gritou o cavalariço. “E anda logo, senão o Rei Ricardo se zangará com nós dois.”

Os exércitos se confrontaram e Ricardo participava ativamente, no coração da batalha. Tocava a montaria, cruzando o campo de um lado para outro, instigando os homens e combatendo os inimigos. “Avante! Avante!”, bradava ele, incitando os soldados contra as linhas de Henrique.

Lá longe, na retaguarda do campo, avistou  alguns de seus homens batendo em retirada. Se os outros os vissem , também iriam fugir da batalha. Então, Ricardo meteu as esporas na montaria e partiu a galope na direção da linha desfeita, conclamando os soldados de volta à luta.

Mal cobrira metade da distância quando o cavalo perdeu uma das ferraduras. O animal perdeu o equilíbrio e caiu, e Ricardo foi logo jogado ao chão.

Antes que o rei pudesse agarrar de novo as rédeas, o cavalo assustado levantou-se e saiu em disparada. Ricardo olhou em torno de si. Viu seus homens dando meia volta e fugindo, e os soldados de Henrique fechando o  cerco ao redor. Brandiu a espada no ar e gritou:

“Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!”

Mas não havia nenhum por perto. Seu exército estava destroçado e os soldados ocupavam-se em salvar a própria pele. Logo depois, as tropas de Henrique dominavam Ricardo, encerrando a batalha.
Desde então, as pessoas dizem:

Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura,
Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo,
Por falta de um cavalo, perdeu-se uma batalha,
Por falta de uma batalha, perdeu-se um reino,
E tudo isso por falta de um prego na ferradura!

Obs.: Ah! Os pequenos detalhes!

Agnes G. Milley
A história  está no Livro das Virtudes, uma antologia de William J. Bennett. Ed. Nova Fronteira.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

EmContando – 61 - O Burro, o Avô e o Neto

Vale a pena  reler essa velha  historinha e pensar na lição que nos ensina. 

Anos atrás, bem antes das nossas  cidades estarem cheias de carros e caminhões, um homem já idoso decidiu fazer uma viagem com o seu neto de quatro anos de idade. Ele tinha em mente levar alguns dias nessa viagem, e por isso decidiu levar um burro e alguns mantimentos.

O homem decidiu caminhar ao lado do seu neto,  e levaria o burro amarrado numa corda que segurava na sua mão para que o animal não ficasse muito cansado de levar os mantimentos e mais duas pessoas em cima.

Depois de caminhar uns trinta minutos eles passaram por uma aldeia. Algumas pessoas que estavam sentadas na entrada da aldeia começaram a zombar do homem dizendo: “Olha como esse homem é estúpido. Ele tem um burro para carregá-lo e fica cansado de caminhar sem necessidade.” Ouvindo essas palavras o homem decidiu montar no burro enquanto o seu neto ia caminhando a seu lado.

Uma hora depois eles passaram por outra aldeia. Algumas pessoas que moravam ali perto começaram também a criticar o pobre homem dizendo: “Olha como esse homem é egoísta. Ele vai montado no burro e faz a criança andar a pé o caminho inteiro.” Ao ouvir essas palavras o homem saiu do burro, montou o seu neto no animal, e desta vez o avô andava a pé.

Passado algum tempo entraram noutra aldeia e adivinhe o que aconteceu? É isso mesmo; algumas daquelas pessoas conseguiram encontrar algo para criticar outra vez. Desta feita, criticavam a criança porque ela tinha pernas jovens e cheias de vida e fazia o seu avô andar a pé.

Por último, resolveram montar os dois no animal (avô e neto). Isso também não deu certo. Ao que diziam: “ ... dois marmanjões montados num pobre animal já cansado...”

(Se você passar a sua vida mudando o que faz, para tentar agradar aos outros, você nunca conseguirá chegar a lugar algum. Sempre haverá alguém insatisfeito com você e com o que você faz.)

Agnes G. Milley

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

EmContando – 60 - O velho e seu neto

                           (Irmãos Grimm, tradução de Ana Maria Machado)

Era uma vez um velho muito velho, quase cego e surdo, com os joelhos tremendo. Quando se sentava à mesa para comer, mal conseguia segurar a colher. Derramava sopa na toalha e, quando, afinal, acertava a boca, deixava sempre cair um bocado pelos cantos.

O filho e a nora dele achavam que era uma porcaria e ficavam com nojo. Finalmente, acabaram fazendo o velho se sentar num canto atrás do fogão. Levavam comida para ele numa tigela de barro e – o que era pior – nem lhe davam bastante.

O velho olhava para a mesa com os olhos compridos, muitas vezes cheios de lágrimas.

Um dia, suas mãos tremeram tanto que ele deixou a tigela cair no chão e ela se quebrou. A mulher ralhou com ele, que não disse nada, só suspirou.

Depois ela comprou uma gamela de madeira bem baratinha e era aí que ele tinha que comer.

Um dia, quando estavam todos sentados na cozinha, o neto do velho, que era um menino de quatro anos, estava brincando com uns pedaços de pau.

“O que é que você está fazendo? – perguntou o pai.

O menino respondeu:

“Estou fazendo um cocho, para papai e mamãe poderem comer quando eu crescer.

O marido e a mulher se olharam durante algum tempo e caíram no choro. Depois disso, trouxeram o avô de volta para a mesa. Desde então passaram a comer todos juntos e, mesmo quando o velho derramava alguma coisa, ninguém dizia nada.


Agnes G. Milley

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Um bom documentário para mostrar às crianças

Hoje assisti a um documentário do canal National Geografhic, de alta qualidade e com várias lições de vida, para nós pais de família.

Uma bela lição é a da sobrevivência e da luta no reino animal, pela vida dos pequeninos, os filhotes; como uma mãe leoa se desdobra para que seus filhotes sobrevivam numa selva cruel, onde predomina a luta pelo poder e pela lei do mais forte. O filme "The Last Lions" apresenta a história de Ma di Tau ("Mãe de Leões").

O documentário realizado pela National Geografic Society, dirigido e filmado pelo casal Dereck e Beverly Joubert, nos leva ao coração da África, último local onde ainda existem leões selvagens. A narração é feita por Jeremy Irons, que conta a vida desses animais na África, e começa a história assim: “É uma velha saga da vida, vivida pelos dentes e garras. Uma leoa e seu macho, companheiro e protetor dela, e pai dos seus filhotes...”.

Assim é a vida dos leões na terra: “Lentamente, os lugares escuros da África, tornam-se o último refúgio para um dos animais mais emblemáticos do nosso planeta. Há cinquenta anos viviam aqui 450 mil leões. E hoje, poderão existir tão poucos quanto uns 20 mil...”.



Devido ao habitat reduzido, os felinos se enfrentam constantemente em busca de território, e no meio desta batalha, Ma di Tau se encontra exilada após a derrota de seu parceiro; mas, seus filhotes lhe dão a força necessária para compreender o significado de sua existência, um elo forte, belíssimo e inquebrável.

Um filme muito bem produzido, mostrando uma dura realidade: a grande luta pela sobrevivência, onde a mãe faz todo o possível para defender seus filhos até máximo das suas forças. Vale a pena assistir e mostrar as crianças.

As cenas de violência poderão chocar os menores, mas, contudo, poderão tirar muitas lições de vida e aprenderão a valorizar mais a nossa condição de ser humano racional.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Hábitos bons repetidos

"Por meio de diversas imagens, Jesus nos ensina que o caminho que conduz à Vida, à santidade, consiste no pleno desenvolvimento da vida espiritual: fala-nos do grão de mostarda, que cresce até se transformar num grande arbusto, onde vêm pousar as aves do céu; do trigo, que chega à maturidade e produz espigas graúdas... Esse crescimento, não isento de dificuldades e que às vezes pode parecer lento, corre paralelamente ao desabrochar das virtudes. A santificação de cada dia comporta o exercício de muitas virtudes humanas e sobrenaturais: a fé, a esperança, a caridade, a justiça, a fortaleza, a laboriosidade, a lealdade, o otimismo...

Para que possam crescer, as virtudes exigem muitos atos repetidos, pois cada um deles semeia na alma uma disposição que facilita o seguinte. A pessoa que, por exemplo, já ao levantar-se vive o “minuto heroico”, vencendo a preguiça desde o primeiro momento do dia, conseguirá com maior facilidade ser diligente nos outros deveres que a aguardam, sejam pequenos ou grandes, do mesmo modo que o esportista melhora a sua forma física e a capacidade de repetir os seus exercícios quando se treina com constância. As virtudes aperfeiçoam cada vez mais o homem, ao mesmo tempo que lhe permitem realizar mais facilmente boas obras e corresponder rápida e adequadamente à vontade de Deus em cada momento.

Sem as virtudes, cada ato bom se torna custoso e difícil, não passa de um ato isolado e não impede que venhamos a cair em faltas e pecados que nos afastam de Deus. A repetição de atos numa mesma direção deixa na alma um rasto que, conforme esses atos tenham sido bons ou maus, nos predispõe para o bem ou para o mal nas ações futuras. Daquele que se comporta bem habitualmente, pode-se esperar que, em face de uma dificuldade, continuará a comportar-se bem: esse hábito, essa virtude sustenta-o.

O exercício das virtudes indica-nos em cada instante o caminho que conduz ao Senhor. Quando um cristão, com a ajuda da graça, se esforça não só por afastar-se das ocasiões de pecado e resistir com firmeza às tentações, mas também por alcançar a santidade que Deus lhe pede, torna-se cada vez mais consciente de que a vida cristã lhe exige o desenvolvimento das virtudes. E é a isso que a Igreja nos convida, especialmente neste tempo da Quaresma: a crescer em hábitos operativos bons.

A SANTIDADE É EXERCÍCIO constante das virtudes humanas e sobrenaturais, um dia após outro, no ambiente e nas circunstâncias em que vivemos."

Recolhido da meditação diária de Falar com Deus, Tempo da Quaresma. Terceira Semana. Quarta-feira.

sexta-feira, 15 de março de 2013

EmContando – 25 - O Gigante Egoísta

O Gigante Egoísta - parte 1
Todas  as tardes, quando voltavam da escola, as crianças costumavam ir brincar  no jardim do Gigante.

Era um belo e vasto recanto, coberto de grama verde e macia. Aqui e ali, por sobre a relva, apontavam lindas flores, semelhando estrelas. Havia doze pessegueiros que, na primavera, se abriam em delicada floração de cor rosa e pérola: no outono, ficavam carregados de deliciosos frutos. Os pássaros, pousados nas árvores, cantavam tão docemente que as crianças costumavam interromper os seus brinquedos para escutá-los.

“Quão felizes somos aqui!” – diziam entre si.

Um dia o Gigante regressou. Fora visitar um amigo, o papão da Cornualha, hospedando-se em casa deste durante sete anos. Decorrido esse tempo, dissera tudo quanto tinha a dizer, visto que sua conversa era  pouca; e resolveu retornar ao seu próprio castelo. Ao chegar, viu as crianças brincando no jardim.

“Que estais fazendo aqui?” – gritou-lhes, com voz bastante ríspida. A criançada deitou a correr.
“Meu jardim é meu jardim. Todos sabem: não permito que ninguém, a não ser eu mesmo, brinque nele” – resmungou consigo.

E ergueu uma alta muralha à volta do vergel, afixando a tabuleta de aviso: OS INVASORES SERÃO PROCESSADOS
Era um gigante deveras egoísta.

As pobres crianças não tinham, agora, onde brincar. Experimentaram fazê-lo na estrada, mas esta era poeirenta e cheia de pedras ásperas; não gostavam dela. Ao término das aulas costumavam perambular à volta das altas muralhas, conversando sobre o lindo jardim que havia ali dentro.
“Como éramos felizes ali!” – diziam-se.

A primavera chegou, então, e, por todo o campo, surgiram florzinhas e pássaros. Apenas no jardim do Gigante Egoísta era inverno ainda. Nele as aves não queriam cantar, pois não havia crianças, e as árvores não se lembraram de florir. Certa vez, uma linda flor pôs a cabeça para fora da grama; avistando, porém, a tabuleta, sentiu tanta pena dos infantes que se enfiou, novamente, de mansinho, no solo, e adormeceu. Os únicos seres satisfeitos eram a Neve e a Geada.

“A primavera esqueceu-se deste jardim.” – disseram. “Por conseguinte, ficaremos aqui durante o ano todo.”
A primeira cobriu a relva com seu extenso manto branco, e a segunda tingiu as árvores de prata. Em seguida, convidaram o Vento do Norte para vir ter com elas, e este veio. Envolto em casaco de pele, zunia o  dia inteiro pelo vergel, derribando as chaminés.

“É um lugar aprazível.” – falou-lhes o Vento. “Devemos convidar o Granizo para uma visita.”
Este último também veio e, todos os dias, durante três horas, tamborilava no telhado do castelo, até que fendeu a maior parte das telhas; e passou, então, a correr à volta do jardim tão rápido quanto era capaz. Vestia-se de cinzento e seu hálito era que nem gelo.

“Não compreendo porque a primavera está demorando tanto  para vir.” – murmurou consigo  o Gigante, ao postar-se à janela, olhando lá fora o seu vergel branco e triste. – “Espero que o tempo mude.”

A primavera, porém, jamais veio, e tampouco o verão. O outono trouxe dourados pomos a todos os jardins, mas ao do Gigante, nem um sequer.

“É egoísta demais!” – justificou.

De modo que ali era sempre inverno; e o Vento do Norte, o Granizo, a Geada e a Neve dançavam por entre as árvores.

Certa manhã, o Gigante achava-se desperto, na cama, quando ouviu uma linda melodia. A música soou-lhe tão agradavelmente aos ouvidos que pensou fossem os músicos reais passando. Na verdade, era apenas um Pintarrochozinho que cantava, de fora de sua janela; fazia porém tanto tempo desde que ouvira um pássaro cantar, em seu jardim, que lhe pareceu ser a mais linda melodia do mundo. O Granizo parou, então, de saltitar sobre o telhado, e o  Vento extinguiu o seu rugido; pela janela aberta vinha lhe um delicioso perfume.

“Creio que, por fim, a Primavera chegou.” – disse consigo, saltando da cama.

E olhou para fora ... Mas o que via?!
............................................................................................................
( Não percam a resposta na próxima sexta-feira. O final da história é surpreendente. Não percam! ) Agnes G. Miley

sexta-feira, 1 de março de 2013

EmContando – 23 - Quero Ser um Televisor

Quero Ser um Televisor
A professora Ana Maria pediu aos alunos que fizessem uma redação, falando sobre o que gostariam que Deus fizesse por eles.

À noite, em casa, corrigindo as redações, ela se depara com uma que a deixa muito emocionada.

O marido a vê chorando e diz: “O que aconteceu?”
Ela responde: “Leia.”

Era a redação de um menino que dizia:

“Senhor, esta noite te peço algo especial: Me transforme em um televisor. Quero ocupar o seu lugar.
Viver como vive a TV de minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir minha família ao redor ...
Ser levado a sério quando falo ...

Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções, nem questionamentos. Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa, mesmo que esteja cansado.

E que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de ignorar-me.

E ainda que meus irmãos “briguem” para estar comigo.

Quero sentir que minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo.

E, por fim, que eu possa divertir a todos. Senhor, não te peço muito ...Só quero viver o que vive qualquer televisor!”

Naquele momento, o marido de Ana Maria disse: “Meu Deus, coitado desse menino! Que coisa esses pais!”

E ela fala: “Essa redação é do nosso filho.”
(Autor desconhecido  -  Fonte: Internet)

 Amigas e amigos,

Encontrei essa historinha no calendário do Dizimista de minha paróquia. Quando a li pela primeira vez, fiquei chocada. Ela não me saiu da cabeça.

 É possível que ver televisão já não esteja tão em moda quanto  usar computador e outros comunicadores eletrônicos que     interferem, até mais, no relacionamento inter-pessoal do que a própria TV . Como é difícil, por exemplo, conversar   com alguém que elege seu sofisticado celular como objeto de estimação inseparável!

Pensando nisso tudo, e na solidão do filho da professora Ana Maria, proponho-me a rever meu olhar não apenas sobre  meus familiares, mas  sobre todos com quem cruzo a cada hora.

O porteiro de meu edifício, o motorista do ônibus, a balconista de qualquer loja, o entregador de pizza ou do mercado, o caixa do banco ... todos  devem  sentir-se mais alegres quando percebidos , reconhecidos.

Mesmo que  não traga  o  celular  ao ouvido,   meus próprios pensamentos,   ocupações  e pré-ocupações    podem  fazer-me, simplesmente, passar pelas pessoas sem notá-las de verdade. O inverso também acontece: “Fulano passou por mim e nem me viu!”

Gostaria que nem criança, nem adulto, nem idoso precisasse sentir-se tão  ninguém como o pequeno filho de Ana Maria. Que eu faça a minha parte.
                                                                                        Agnes G. Milley

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

EmContando – 7

Na semana passada falamos sobre fábulas. Hoje trago para vocês um apólogo de Machado de Assis. Tanto a fábula como o apólogo são narrativas alegóricas de moral, geralmente dialogada, em que figuram como personagens animais ou seres inanimados. A palavra fábula vem do latim (fabula) e apólogo do grego (apólogos).


AGULHA OU LINHA, QUEM É A RAINHA?  (Um Apólogo) Recontado  por Paulo Bentancur para a Editora Projeto Ltda. Porto Alegre 1993
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
“Por que você está desse jeito, exibida, toda enrolada, fingindo que é grande coisa?”
“Me deixe em paz!”
“Ora, por quê? Digo que seu jeito é antipático, e vou dizer isso sempre que me der na cabeça.”
“Que cabeça? Você não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Por que implicar com a minha maneira de ser? Cada pessoa é diferente. Cuide de sua vida e me deixe ir adiante.”
“Que orgulhosa!”
“Sou e me garanto.”
“Não vejo razão para tanto.”
“Essa é boa! E os vestidos e enfeites de nossa  dona, quem é que os costura? Não sou   eu?”
“Você?! – ofendeu-se a agulha. – Agora não aguentei! Você não sabe que   quem os costura sou eu, e muito eu?”
“Você fura o pano, nada mais. Eu é que prendo um pedaço no outro, consigo deixar o tecido todo pregueadinho ...”
“Sim, mas e daí? Eu furo o pano, vou adiante, puxo você, que vem atrás obedecendo ao que faço e mando ...”
“Também os batedores vão na frente do imperador.”
“Você é imperador?” – perguntou a agulha, debochando.
“Não digo isso. Mas a verdade é que você não é importante: só mostra o caminho, seu trabalho é inferior. Eu é que prendo, ligo, ajunto ...”
Nesse momento a costureira chegou na casa da esposa do Ministro, onde moravam a agulha e o novelo de linha.
Não me lembro se contei que a costureira andava sempre atrás da esposa do Ministro, para que a esposa do Ministro não precisasse andar atrás dela.
Pois bem, chegou a costureira, pegou o pano, pegou a agulha, pegou a linha, enfiou a linha na agulha e começou a costurar. As duas – agulha e linha – iam andando orgulhosas, pelo pano adiante (aliás, uma seda das melhores). Entre os dedos da costureira, a agulha, ágil como uma atleta dizia:
“E aí, dona linha, ainda teima comigo? Não vê que esta distinta costureira só se importa com a mamãe aqui? É   a mim que a mãozinha dela agarra, furando embaixo e em cima.”
A linha não respondia, só ia andando. O buraco que a  agulha abria a linha enchia logo, quieta mas decidida, como quem sabe o que está fazendo e não perde tempo em escutar bobagens. A agulha, vendo que a outra não lhe dava resposta, calou também e dedicou-se ao trabalho.
Era o maior dos silêncios na salinha de costura. Se ouvia o plic, plic, plic, plic da agulha no pano e nada mais.
Já era quase de noite quando a costureira dobrou o tecido, para continuar no dia seguinte: continuou nesse e em mais outro, até que no quarto e último dia de muito esforço e, pelo jeito, alguma discussão, ficou pronto o vestido. Agora era esperar pelo baile.
Veio a noite do baile, e a esposa do Ministro vestiu-se, auxiliada pela costureira que trazia a agulha para qualquer emergência. Afinal, às vezes é necessário dar um ponto a mais.
Enquanto alisavam o vestido, puxando aqui e ali, abotoando, a linha, desafiando a agulha, perguntou:
“E agora? Quem é que vai ao baile, no corpo desta mulher, fazendo parte do vestido e da sua beleza? Quem é que vai dançar com o Ministro, enquanto você volta pra caixinha da costureira? Vamos, responda!”
Parece que  a agulha ficou bem quietinha. No entanto, um alfinete, de cabeça grande e experiência maior ainda, cochichou pra pobre agulha:
“Viu, sua boba? Você cansou de abrir caminho para ela e ela é que vai aproveitar, enquanto você volta pra caixinha de costura. Faz como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam eu fico.”
Contei esta história a um amigo que, com muita tristeza, me disse:
“Eu também tenho servido de agulha a muita linha sem valor.”    
Obs.: Acho que esta história se presta a uma larga discussão. Quem afinal tinha razão, a agulha, a linha, o alfinete, o narrador ou o amigo do narrador? Uma coisa é certa: cada pessoa pensa diferente. Eu, por mim, prefiro pensar em trabalho de equipe.
                                                                                     Agnes G. Milley

terça-feira, 30 de novembro de 2010

E se os assaltos fossem permitidos?

Por Rafael Carneiro Rocha

A declaração recente do Papa Bento XVI sobre a possibilidade de uso de preservativos em determinadas situações como primeiro passo para um exercício responsável da sexualidade tem sido muito mal interpretada pela mídia e até mesmo por instituições como a OMS que chegou a elogiá-lo.

Não se trata de um “avanço” da Igreja, muito menos de uma mudança de pensamento, até porque o significado da sexualidade humana não muda. A Igreja sempre vai considerar a vida sexual a partir de sua beleza criativa e unitiva, como manifestação de amor entre homem e mulher unidos, numa só carne, pelo matrimônio. Fora da perspectiva matrimonial, a sexualidade não tem sentido, não tem beleza.

Quando o Papa afirma que o uso de preservativos entre pessoas promíscuas é um primeiro sinal de responsabilidade, ele não quer endossar a prática. Ele apenas compreende que o uso de preservativos pode ser, de alguma forma, moral.

Um roubo, por exemplo, é sempre imoral, mas imaginemos a seguinte situação. Uma quadrilha entra numa casa, rende os moradores, e inicia uma série de roubos. A mulher da casa percebe que os assaltantes levarão uma jóia de família, de significado especial. Então, ela suplica aos ladrões que não levem a jóia. Um dos assaltantes se sensibiliza com o apelo da mulher e pede para seus comparsas não levarem a jóia. Este assaltante “sensível”, mesmo cometendo a falta de roubar a casa, teve uma postura moral e, quem sabe, dali surgiu um primeiro passo para que ele abandone a vida do crime.

Se assaltos a residências fossem costumes que boa parte da sociedade compreendesse como “válidos”, a Igreja, naturalmente, discordaria. Ainda que argumentassem que os roubos evitam que as pessoas tenham fome, a Igreja viria algo de muito errado nestes desvios. Ainda que os roubos fossem legalizados, a Igreja chocaria a sociedade com a sua firmeza contrária à prática.

Mas, ainda que tudo isso fosse socialmente aceito, se perguntassem ao Papa Bento XVI o que a Igreja pensa da conduta de ladrões que preservam relíquias de família, o Sumo Pontífice se utilizaria do argumento de que este cuidado específico dos criminosos deve ser tomado, como primeiro passo de responsabilidade.

domingo, 19 de setembro de 2010

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Rui Barbosa, discurso ao Senado, 1891)

Pensava neste texto de Rui Barbosa com muita frequência nos dias passados e agora que se aproxima o dia 3 de outubro penso nele com mais intensidade.

Uma mãe com vários filhos dizia outro dia que estava com nojo da política, que não queria ouvir mais falar sobre o assunto. Pensei com meus botões e com a experiência que adquiri com milhares de fraldas trocadas:trocar uma fralda dá nojo, mas é preciso fazê-lo. Da mesma forma que não seria correto deixar um filho ou uma filha com as fraldas sujas, é muito perigoso deixar um filho ou uma filha com a integridade suja por fazer com que pensem que nós não temos nada a ver com o que se passa no país.

Nos últimos dias, escrevo em 18/09, vimos o governo brasileiro se transformar num show de horrores, de coisas nunca antes vistas, coisas que fariam enrrubescer um Fernandinho Beira Mar ou um Marcola, propinas com contrato, gente surpresa ao encontrar R$ 200.000,00 em sua gaveta de trabalho e exclamar: “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?” e outras coisas de arrepiar os cabelos.

Vimos também sigilos das nossas declarações pessoais da receita serem arrombados por bandidos comuns a servço do governo e por bandidos políticos a serviço de um partido. Vimos o erário ser saqueado e o butim repartido à moda dos piratas antigos.

Neste momento o leitor pode se perguntar, puxa, pensei que era um blog de assuntos de família e não de assuntos políticos. E respondo ao leitor: tudo que escrevi acima diz respeito a sua família e a minha. A seus filhos e filhas, ao futuro deles. Provavelmente ao ver triunfar no próximo dia 3 as mulheres e os homens que tem patrocinado esta bandalheira sem precedentes, seus filhos, meus irmãos, minhas irmãs, suas netas vão receber o recado: vale a pena ser desonesto.

Ao ver triunfar as injustiças, ao ver os corruptos prosperarem, ao ver a roubalheira ser premiada, ao ver o estado Brasileiro ser colocado a serviço de quadrilhas, ao ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, as crianças e adolescentes podem seguir o triste caminho que profetizou Ruy Barbosa e desanimar da virtude, rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto.

Chegamos no nosso país a um momento de encruzilhada em que temos três escolhas como dizia o célebre Capitão Nascimento: "Ou se corrompe, ou se omite ou vai para a guerra"