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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A igreja não é lugar de criança?

Sou adepta a levarmos nossas crianças a igreja, desde que possam sair de casa, e conviver com outras pessoas, isto é, desde sempre. A resposta é simples e clara: a criança precisa ir à igreja desde bem pequena. Ela precisa crescer  convivendo com o sobrenatural, com naturalidade.

Ela necessita participar do cotidiano dos pais, logo, se os pais vão a igreja é natural que leve seu bebê. Desde pequenino o bebê vai assimilando a fé de seus pais, assim como também aprendem a se alimentar, tomar banho e dormir; conforme vão sendo educados para ter esses horários vão  crescendo com bons hábitos e bons costumes.

Eles entenderão melhor as coisas divinas se conviverem desde sempre com o sagrado, a ter respeito à casa de Deus, a conhecer o papai do céu, a ver as mais variadas imagens da Virgem Maria, e saber que elas representam a Mãe do nosso Salvador. Nossos filhos vão se familiarizando com as histórias da Bíblia sagrada, e aprendendo as orações mais simples para adorar a este Deus Pai que tanto nos ama.

Assim sendo, desde pequenos vão aprendendo como devem se comportar na casa de Deus. Vamos educando-os para a vida a fora. Em cada lugar que estiverem terão uma postura, mais, ou menos solene. Numa igreja não se grita, não se corre, não se briga; no parque pode correr e gritar. Uma criança que está sendo educada com limites vai saber, desde pequena como ficar presente sem perturbar a paz, e a concentração das outras pessoas presentes.

Isso é possível, não podemos desistir, nem desanimar quando nosso bebê é um chorão, com a continuidade e a frequência ele vai se familiarizar com o ambiente e vai crescendo em graça e sabedoria.

Os pais, frequentando juntos a igreja, podem limitar a criança no espaço de um banco. Levando uns pequenos brinquedos que não façam barulho, para distrai-los; também levar água, suco e algum biscoitinho. Programar um ritual de concentração para esse tempo em que ficarão na igreja. Falar baixo com a criança, mostrá-lo ao menino Jesus, mostrar as imagens de Nossa Senhora, nomeando-as. Tudo bem baixinho.

A criança tem que entender que ali ficará um tempo porque o papai e a mamãe precisam conversar com Deus, e para isso eles precisam esperar com calma e que o Papai do Céu ficará muito contente vendo-o como um anjinho. Aos poucos eles começam a participar da missa, repetindo algumas falas ou cantando alguma música mais fácil. O tempo passa muito rápido e logo eles estarão indo à igreja com a mesma naturalidade com que vão visitar seus avós ou tios.

Para esse preparo eu sugiro que busquem na igreja uns lugares mais discretos, aonde não vão incomodar as outras pessoas presentes. Principalmente ficar longe daqueles adultos que "querem ajudar" e acabam atrapalhando mais. Vale a pena este investimento de tempo e paciência. Nossos filhos verão a Deus através dos nossos ensinamentos e vivência.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Conversão aos 20: Megan Hodder

Começamos hoje uma série de posts que tratam de pessoas que se converteram ao Catolicismo por volta dos 20 anos de idade.



Megan Hodder, 21 anos, nascida na Ilha de Wight no sul da Inglaterra atualmente mora em Londres e há pouco tempo se converteu ao catolicismo. Ela gentilmente deu uma entrevista para o blog Negócios de Família que publicamos traduzida abaixo. Você pode seguir Megan no twitter ou acompanhar o blog dela.

Negócios de Família: Você pode nos contar o seu caminho até a fé Católica e como as pessoas próximas a você reagiram?

Megan Hodder: Eu comecei a me interessar por outras crenças nos meus dois últimos anos na escola quando percebi que o ateísmo, no qual eu havia sido educada e que tinha como algo certo e seguro, não possuía os conceitos necessários para lidar em profundidade com questões éticas complexas, em particular questões bioéticas como aborto e eutanásia. Eu comecei a ver que o utilitarismo leva ou a respostas que são intuitivamente antiéticas ou cai na completa subjetividade; o raciocínio moral coerente requer a existência de um princípio objetivo de bem que não existe num modo de ver as coisas completamente materialista. Para minha surpresa, e encontrei os pensamentos mais profundos e as concepções mais objetivas da moralidade em teorias que pressupõem a existência de um Deus.

Quando eu comecei a pensar desta forma eu procurei tornar a me convencer o quão errado era acreditar em Deus lendo o Papa Bento XVI. Ironicamente o tiro saiu pela culatra. Não só não me convenci da superioridade do ateísmo, como isto me introduziu ao conceito de Deus como Logos, um padrão autoexplicativo de bondade e verdade objetiva para o qual nossa razão é orientada. Não tinha mais certeza do que eu acreditava agora. Então fiquei amiga de vários católicos que me ensinaram com seu exemplo como era possível integrar a fé cristã na nossa vida cotidiana moderna. E eu decidi pedir para ser batizada.

Minha família e amigos ficaram muito surpresos com minha decisão, alguns até foram contrários. No entanto, a maioria deles, já se acostumou com o fato de eu ser católica e o aceitam, mesmo que algumas vezes as coisas fiquem um pouco constrangedoras. Eu penso que isto é inevitável, o Evangelho, afinal de contas, não é algo que deixa as pessoas indiferentes. Eu falo muito abertamente sobre a minha fé com minha mãe que conheceu já meus amigos católicos e se dá bem com eles.

NF: A conversão é um primeiro passo, o que você acha que será a história da sua vida nos próximos anos? Já considerou quais são os planos de Deus para você?

MH: A conversão não é apenas o primeiro passo na minha história como católica, é o segundo, e o terceiro e todos os passos posteriores. A contínua conversão a Cristo, através da oração e dos sacramentos, é essencial em todos os estágios da vida cristã.

No presente estou procurando me familiarizar com a Igreja, os sacramentos a liturgia, os santos e as formas de oração. Meu foco é desenvolver a vida interior e encontrar a minha espiritualidade antes de discernir com honestidade minha vocação.

Recentemente eu comecei a sentir-me particularmente inclinada pela ordem Dominicana, mas se seria como uma pessoa casada de uma ordem terceira ou como uma freira ainda não tenho nem ideia. Por enquanto, estou apenas aprendendo como fazer oração, crescer em virtudes e melhorar na caridade com os outros. Para descobrir o que deus quer me dizer eu preciso primeiro aprender a escutar melhor!

NF: Como você vê este movimento conhecido como "Novo Ateísmo"? Como os jovens católicos devem se preparar para estes debates?

MH:  Eu penso que o apelo do Novo Ateísmo é mais político que filosófico. Em termos intelectuais, não há nenhum argumento colocado por Dawkins (Richard), Harris (Sam) ou Dennett (Daniel) que não tenha sido antes desenvolvido por pensadores ateus muito mais importantes como Bertrand Russell, David Hume, Karl Marx ou Friedrich Nietzsche. A diferença é que enquanto os primeiros pensadores ateus enxergavam o ateísmo como um componente da sua visão de mundo, os "Novos Ateus" enxergam a sua falta de crença em Deus como algo central e totalmente absorvente. Isto compensa sua falta de profundidade e visão pouco desenvolvida do mundo; sua popularidade vem não da sua utilidade como meio de buscar a verdade ou guiar o agir humano, mas da habilidade de se aproveitar do medo e preocupação que as pessoas tem sobre o papel da religião na situação do mundo. Não há dúvida que o extremismo religioso é um sério problema no mundo hoje. No entanto igualar extremismo com a religião em si mesma, como os Novos Ateus fazem, é algo teologicamente e historicamente ignorante.

Quando se debate com eles é importante conhecer os argumentos filosóficos que eles usam; eu recomendo a leitura de teólogos como Edward Feser e o Pe. Thomas Crean. No entanto, cuidado com o fato que o ponto a ser combatido é a crença deles que indivíduos que crêem não contribuem com o debate e que as ideias religiosas apenas atrasam o progresso humano. Saiba como os ensinamentos cristãos podem ser aplicados a situações éticas concretas, saiba os aspectos dos ensinamentos e o legado da Igreja que os Novos Ateus apresentam de forma falsa. Eu recomendaria que procurassem o Catholic Voices caso haja em seu país.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Você reza o Terço? - Uma oração que Nossa Senhora ama

Você reza o Terço? Já viu imagens de Nossa Senhora, representando-a tal como apareceu em Lourdes e em Fátima? Maria está com o terço na mão. Ela acompanhou silenciosamente, passando as contas, o Terço que a menina Bernadete rezava na gruta de Lourdes. E, em Fátima, Ela também com o terço na mão, pediu aos três pastorezinhos que o rezassem todos os dias.

Tomara que algum dia você possa dizer, como o Papa João Paulo II: «O Rosário é a minha oração predileta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade!».

Mas, para isso, será preciso que comece a rezá-lo e, se já o reza com frequência, que aprenda a rezá-lo cada dia melhor. Vamos ver como podemos fazer isso.

Primeiro, vencer as dificuldades.

1) Uma primeira dificuldade: “Não sei rezar o Terço”, “Não conheço os vinte “
Um esclarecimento: a pessoa que reza o Terço sem conhecer ou lembrar os “mistérios” faz, mesmo assim, uma oração válida, ainda que, naturalmente, o Terço fica incompleto (mas é melhor rezá-lo incompleto do que não rezá-lo).
mistérios” (ou seja, os cinco correspondentes a cada um dos quatro “Terços” que compõem o Rosário), não os sei de cor”. Solução: comprar logo, ou pedir a alguma pessoa amiga, algum folheto ou livrinho de orações (há muitos!) que traga a explicação do Terço: como rezá-lo, quais são os mistérios, que mistérios devem rezar-se nos diferentes dias da semana… É fácil. Pessoas muitíssimo simples aprenderam tudo isso em pouco tempo. Se você “quer”- se “quer” mesmo – não lhes ficará atrás.

2) Segunda dificuldade: “Não tenho terço” 1 (o instrumento, o terço material, com as contas, a cruzinha, etc.; ou então o terço em forma de anel, que se usa girando no dedo). Compre-o, que é baratíssimo, e, enquanto não o tiver, conte pelos dedos. Mas tenha em conta que vale a pena usar o terço material: se o seu terço (de contas ou de anel) foi bento por um padre ou diácono, ao usá-lo para rezar você ganha indulgências (Por sinal, você sabia que pode ganhar nada menos que Indulgência Plenária – com as devidas condições -, quando reza o Terço em família, ou comunitariamente, num grupo?).

3) Terceira dificuldade: “Não tenho tempo de rezar o Terço”. Essa desculpa “não gruda”. O Terço pode ser rezado, se for preciso, andando pela rua, fazendo exercício físico de corrida, indo de ônibus, metrô ou trem, guiando carro (melhor do que se irritar com o trânsito), na sala de espera do médico ou do laboratório, em casa, etc. E pode rezá-lo sentado, andando, de joelhos e até deitado (se estiver doente, ou em repouso forçado, etc.).
Por sinal, não sei se sabe que, nas livrarias católicas, vendem CDs com o Rosário, e que também há arquivos áudios para player portátil. Basta ligar o áudio e ir respondendo ou acompanhando o que ouve.

4) Finalmente, a dificuldade mais comum é a aparente monotonia. “Dizemos sempre a mesma coisa”. “A repetição de tantas Ave-Marias acaba ficando mecânica, cansativa, sem sentido”. “Que adianta fazer uma oração tão repetitiva, que fica rotineira, parece oração de papagaio…”?

Os comentários que faremos a seguir espero que sejam a resposta que dissipe essa dúvidas e objeções. Deus faça que, após tê-las lido e, sobretudo, depois de tentar aplicá-las, você dê a razão às palavras de São Josemaria: «Há monotonia porque falta Amor».

A continuação está também no site www.padrefaus.org

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dez histórias do Papa Francisco antes de ser Papa - parte 1

O tango, San Lorenzo, Borges, seu bairro e seu primeiro trabalho com uma chefe próxima ao comunismo, a cozinha, sua vocação, a dor e o ressentimento, o drama do aborto e a educação sexual… E, não poderia faltar, a nova evangelização. Extraídos do livro “El Jesuita”, de Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, transcrevemos dez fragmentos particularmente reveladores.

1 - Trabalho - “Agradeço tanto o meu pai que me mandou trabalhar. O trabalho foi uma das coisas que me fez mais bem na vida e, particularmente, no laboratório aprendi o bom e o mau de toda tarefa humana (…). Ali tive uma chefe extraordinária, Esther Balestrino de Careaga, uma paraguaia simpatizante do comunismo, a qual sofreu anos depois, durante a última ditadura, o sequestro de uma filha e um genro, e depois foi raptada (…) e assassinada. Atualmente está enterrada na igreja de Santa Cruz.  Eu gostava muito dela. (…) Ensinou-me a seriedade do trabalho. Realmente, devo muito a essa grande mulher” (El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, Vergara editor, pág. 34)

2 - Vocação - Quando rondava os 17 anos, em um 21 de setembro (dia em que na Argentina os jovens celebram o dia do estudante), preparava-se para sair e festejar com seus companheiros. Mas decidiu começar o dia visitando sua paróquia. Quando chegou, encontrou-se com um sacerdote que não conhecia e que lhe transmitiu uma grande espiritualidade, pelo que decidiu confessar-se com ele. “Nessa confissão me aconteceu algo estranho, não sei o que foi, mas que me mudou a vida; eu diria que me surpreenderam de baixa guarda.” Mais de meio século depois, interpreta assim o fato: “Foi a surpresa, o estupor de um encontro; dei-me conta de que me estavam esperando. Isso é a experiência religiosa: um estupor de encontrar-se com alguém que está esperando você. Desde esse momento, Deus é para mim quem ‘se faz primeiro’. Você busca a Deus, mas Deus procura você primeiro. Você quer encontra-lo, mas ele o encontra primeiro”. “Primeiro, eu contei ao meu pai e a ele lhe pareceu muito bom. Mas a reação de minha mãe foi diferente. A verdade é que a boa velha ficou chateada. (El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, Vergara editor, pp. 45-47)

3 - Nova Evangelização - “A Igreja, por vir de uma época em que era favorecida pelo modelo cultural, acostumou-se a que seus pedidos fossem atendidos, as portas lhes fossem abertas, suas instâncias fossem secundadas. Isso funcionava numa comunidade evangelizada. Mas na atual situação, a Igreja necessita transformar suas estruturas e modos pastorais orientando-os de modo a que sejam missionários. Não podemos permanecer num estilo ‘clientelista’ que, positivamente, espera que venha ‘o cliente’, o freguês, mas precisamos ter estruturas para ir aonde precisam de nós, aonde estão as pessoas, àqueles que mesmo desejando não se aproximarão das estruturas e formas caducas que não respondem a suas expectativas e a sua sensibilidade.
Temos de ver, com grande criatividade, como nos fazemos presentes nos ambientes da sociedade fazendo que as paróquias e instituições sejam instâncias que lancem a esses ambientes. Revisar a vida interna da Igreja para alcançar o fiel povo de Deus. A conversão pastoral nos chama a passar de uma Igreja ‘reguladora da fé’ a uma Igreja ‘transmissora e facilitadora da fé’. (De las Orientaciones para la promoción del Bautismo, de la Arquidiócesis de Buenos Aires, en El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, Vergara editor, p. 77-78)

4 - Divorciados na Igreja
— Que diria aos divorciados que estão numa nova união?
— “Que se integrem à comunidade paroquial, que trabalhem ali, porque há coisas numa paróquia que eles podem fazer. Que procurem ser parte da comunidade espiritual, que é o que aconselham os documentos pontifícios e o Magistério da Igreja. O Papa assinalou que a Igreja os acompanha nessa situação. É certo que alguns deles se doem de não poder comungar. O que lhes falta nesses casos é que as coisas lhes sejam bem explicadas. Existem casos em que isso é complicado. É uma explicação teológica que alguns sacerdotes expõem muito bem e as pessoas entendem.” (El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, Vergara editor, pág. 91)

5 - Aborto e direitos da mulher — “A batalha contra o aborto a situo na batalha a favor da vida desde a concepção. Isto inclui o cuidado da mãe durante a gravidez, a existência de leis que protejam a mulher no pós-parto, a necessidade de assegurar uma adequada alimentação das crianças, como também de brindar uma atenção sanitária ao longo de toda a vida, o cuidado dos nossos avós e não recorrer à eutanásia. Porque tampouco deve ‘submatar-se’ com uma insuficiente alimentação ou uma educação ausente ou deficiente, que são formas de experimentar uma vida plena. Se há uma concepção a respeitar, também há uma vida a cuidar.”
— Muitos dizem que a oposição ao aborto é uma questão religiosa.
— “Ora vamos… Uma mulher grávida não leva no ventre uma escova de dentes; tampouco um tumor. A ciência ensina que desde o momento da concepção, o novo ser tem todo o código genético. É impressionante. Não é, portanto, uma questão religiosa, mas claramente moral com base científica, porque estamos na presença de um ser humano.”
— Mas a graduação moral de uma mulher que aborta é a mesma que a de quem o pratica?
— “Não falaria de graduação. De fato, uma mulher que aborta — sabe lá por que pressões tenha passado! — a mim me dá, não digo lástima, mas muita compaixão no sentido bíblico da palavra, ou seja, de compadecer e acompanhar, do que aqueles profissionais — se é que são profissionais — que atuam por dinheiro e com singular frialdade. (…) Essa frialdade contrasta com os problemas de consciência, os remorsos que, ao cabo de uns anos, têm muitas mulheres que abortaram. É preciso estar no confessionário e escutar esses dramas, pois elas sabem que mataram um filho.” (El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín y Francesca Ambrogetti, Vergara editor, pág. 91)

link: www.opusdei.org

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sempre teremos um Papa!

Sempre teremos o trono de Pedro ocupado por aquele que o Espírito Santo designar. Não é uma questão de realeza, magia, ou outras fantasias mundanas. Foi Cristo quem constituiu Pedro a rocha sobre a qual construiria e confirmaria Sua Igreja até a Sua vinda.

O Papa é outro Cristo, o "doce Cristo na Terra", como amavelmente denominou Santa Catarina de Sena. Não importa que homem o represente, ele será o próprio Bom Pastor.

Tivemos agora um perfeito exemplo disso, do pastor, que, esgotado pelos muitos anos de serviço ao próximo, e sentindo suas forças lhe faltarem, preparou com prudente antecedência o seu sucessor. Não se agarrou a um pretenso poder, como o fazem muitos que vemos atualmente, mas abdicou com dignidade exemplar, para o bem maior das suas ovelhas.

Obrigada, Santo Padre Bento XVI, por sua dedicação heroica,  por sua bondade transbordante no seu sorriso tímido e doce, por sua humildade e sabedoria, por tudo que generosamente ofertou de seu, o que permanecerá em nossos corações como a imagem de Nosso Senhor. Deus o abençoe e o proteja, estamos rezando unidos por Vossa Santidade e por seu sucessor.
                                                                                                                Maria Teresa Serman








sábado, 19 de janeiro de 2013

Portal de Horário de Missas

O portal Horário de Missa surgiu da necessidade de muitos fiéis católicos de encontrar uma Missa numa cidade na qual está visitando, ou de encontrar uma Missa em um bairro da sua cidade que não conhece muito bem.

“Há doze anos atrás, ao viajar para Boston, conheci um portal de horários de Missas para todas as cidades dos Estados Unidos e fiquei imaginando como seria bom ter algo similar para o Brasil”, conta um dos desenvolvedores do projeto.

“Muitas vezes queremos assistir à Missa quando estamos viajando e não é fácil encontrar os horários”, diz Luís, um dos colaboradores do projeto.

Lançado com cerca de 2.000 Igrejas, o portal Horário de Missa (www.horariodemissa.com.br) tem como missão oferecer aos fiéis católicos, de maneira gratuita, uma forma moderna de consultarem os horários e os endereços das Igrejas em todo o território Nacional.

“Nosso objetivo é ter 100% de cobertura até o fim de 2013”, afirma José Antonio Oliveira, líder de desenvolvimento do projeto. “Não é fácil porque muitas informações não estão online e é preciso fazer muitos telefonemas”, continua Oliveira.

O portal conta com uma área cooperativa onde os usuários podem fornecer informações sobre as paróquias que conhecem e ajudar a aumentar rapidamente a rede de Igrejas cobertas pelo serviço.

Algumas páginas legais do site:

Cadastre sua paróquia ou ajude pesquisando Igrejas:  http://www.horariodemissa.com.br/formcolabore.php
Todas as dioceses do Brasil: http://www.horariodemissa.com.br/paginas/dioceses.php
Curiosidades: http://www.horariodemissa.com.br/paginas/curiosidades.php

Algumas curiosidades que o site apresenta são a Igreja mais ao norte, mais ao sul, mais ao leste e ao oeste. A Missa mais cedo no Brasil e a mais tarde.





terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ano da Fé

Em 11 de Outubro de 2012 o Papa Bento XVI inaugurou o ano da fé com o objetivo de celebrar os 50 anos do concílio Vaticano II e estimular aos cristãos de todo o mundo o aprofundamento no conhecimento das verdades da fé. Para isto o Papa publicou uma carta apostólica: Porta Fidei.

Também o Vaticano divulgou um discurso que o Papa proferiu próximo à inauguração do ano da fé.

Para estimular os cristãos a viverem bem este ano especial concedeu uma série de indulgências plenárias que vão abaixo:

"Ao longo de todo o Ano da Fé, anunciado para começar em 11 de outubro de 2012 e durar até findo o dia 24 de novembro de 2013, poderão ganhar a indulgência plenária da pena temporal pelos próprios pecados, concedida pela misericórdia de Deus, aplicável em sufrágio às almas dos fiéis defuntos, todos os fiéis verdadeiramente arrependidos, devidamente confessados, em comunhão sacramental, que rezarem pelas intenções do Sumo Pontífice:

a) Sempre que participarem de pelo menos três momentos de pregação durante as Santas Missões, ou de pelo menos três palestras sobre os atos do concílio Vaticano II e sobre os artigos do Catecismo da Igreja Católica, em qualquer igreja ou local adequado;

b) Sempre que visitarem, na forma de peregrinação, qualquer basílica papal, uma catacumba cristã, uma catedral, um lugar sagrado designado pelo ordinário local para o Ano da Fé (por exemplo, entre as basílicas menores e os santuários dedicados à Santíssima Virgem Maria, aos santos apóstolos e aos santos padroeiros) e ali participarem de qualquer função sagrada ou, pelo menos, dedicarem um tempo adequado de recolhimento para orar e meditar piedosamente, terminando com a oração do pai-nosso, o credo em qualquer forma legítima, as invocações à Virgem Maria e, conforme o caso, aos santos apóstolos ou padroeiros;

c) Sempre que, nos dias determinados pelo ordinário local para o Ano da Fé (por exemplo, nas solenidades do Senhor, da Santíssima Virgem Maria, nas festas dos santos apóstolos e padroeiros, na Cátedra de São Pedro), assistirem, em qualquer lugar sagrado, a uma celebração solene da eucaristia ou à liturgia das horas, acrescentando a profissão de fé em qualquer forma legítima;

d) um dia, livremente escolhido, durante o Ano da Fé, para a visita piedosa do batistério ou de outro local em que tenham recebido o sacramento do Batismo, desde que renovem as suas promessas batismais em qualquer fórmula legítima.


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Para que todos sejamos Santos

Por Rafael Carneiro Rocha

Hoje a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. Somos convidados na liturgia a levantar nossos olhares para a comunhão que é a própria divindade. Conhecemos, pelo nome terreno, apenas uma pequeníssima parte daqueles que estão no firmamento de Deus. Além de São Pedro, São Paulo, São Francisco de Assis, Santa Catarina de Sena, Santa Teresinha e todos os santos da devoção mundial, a comunhão dos santos é formada por piedosos anônimos, gente da nossa própria família aqui na terra que também tem a glória de morrer e de renascer.

Há alguns anos, numa homilia do dia 1° de novembro, o Papa Bento XVI dizia que devemos louvar os santos, porque ao contemplarmos o exemplo luminoso deles, desperta-se em nós "o grande desejo de ser como os santos: felizes por viver próximos de Deus, na sua luz, na grande família dos amigos de Deus".

Somos todos convidados à santidade, ainda que nossas vidas não sejam marcadas por eventos extraordinários e não sintamos em nossos corações um grande fervor místico. O plano de vida para a santidade é feito de gestos pequenos, algumas quedas e uma saudável teimosia em fazer a coisa certa. Em última instância, pode-se morrer santo tendo feito apenas um gesto grandioso ao fim de uma vida desgraçada. Este é o sinal do Deus que não desiste nunca dos homens.

A amizade com Cristo que nos faz santos é envolvida por uma intimidade especial. Quando entramos na casa do Nazareno, é a Mãe Dele que nos recebe. Neste dia, devemos pedir a Nossa Senhora que nos ajude a caminhar dignamente com Ele e que Ela, a Rainha da Misericórdia, interceda pelas almas dos falecidos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A Igreja e os ataques sobre os casos de pedofilia

Esse post, apesar de, à primeira vista, não parecer ter nenhuma relação com o tema do blog, tem tudo a ver com a família, uma vez que a pedofilia a atinge diretamente.

Diante do enorme estardalhaço que a mídia vem fazendo a respeito dos casos de abusos de menores por sacerdotes católicos, acho muito justo fazermos uma reflexão mais racional sobre esse tema, para que possamos discernir o que há de verdade nisso tudo e o que há de ataque de ódio à Igreja Católica.

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que houve sim vários casos de abusos de menores dentro da Igreja, não estamos querendo negar isso e tal fato é grave. Se tivesse havido apenas um caso desses, isso já seria gravíssimo.

No entanto, é preciso deixar bem claro o seguinte:
  1. Que o número de casos não foi tão alto como se está alardeando.
  2. Que esses casos não foram acobertados pela Igreja.
  3. Que o celibato sacerdotal não tem ligação alguma com o problema.
Vamos explicar cada um dos itens acima:

1) O número de casos não foi tão alto como se está alardeando.

Talvez esse seja o pior dos três argumentos, que tenta causar um pânico moral entre as pessoas, ao desmerecer a santidade e as virtudes de todo o clero por causa dos crimes de uma pequena parte dele que se desviou da virtude e cometeu barbaridades. Além do mais, a forma como as notícias são apresentadas, acaba condenando pessoas que foram apenas acusadas de forma injusta.

Entretanto, esse argumento é facilmente combatido também com números, como veremos a seguir.

No mês passado, Massimo Introvigne publicou um artigo sobre os casos de pedofilia nos Estados Unidos no Avvenire.

Ele conta que em 2004, o John Jay College of Criminal Justice da Universidade da Cidade de Nova York, a instituição de criminologia de maior autoridade dos Estados Unidos, fez um estudo do número de casos de pedofilia no país de 1950 a 2002.

Nesses cinquenta e dois anos, o número de padres católicos norte americanos acusados de manterem relações com menores foi de 4.392, num universo de aproximadamente 109.000 sacerdotes. Apesar disso, desses 4.392 padres acusados de crimes de pedofilia, apenas 21,8% (portanto apenas 958) teriam tido relações com menores de 17 anos. Finalmente, desse total inicial de 4.392 acusados, apenas 54 foram condenados pela justiça civil. Alguns casos não puderam ser concluídos porque os acusados já estavam mortos, mas um enorme número de padres acusados injustamente foi absolvido pelos tribunais civis.

Esse número mostra que ao invés de dizerem que 4% do clero norte americano é composto por pedófilos, apenas 0,05% do clero dos EUA foi condenado por crimes de pedofilia e merecia tal classificação.

Na Alemanha houve, desde 1995 até hoje, 94 casos de suspeita de crimes de pedofilia cometidos por sacerdotes. No mesmo período, houve na Alemanha um total de 210.000 casos de crimes contra menores. Com isso, o percentual de casos de pedofilia dentro da Igreja Alemã é 0,04% do total de crimes contra menores no país.

Na Irlanda, desde 1914 até 2000, o Informe Ryan recolheu 1090 casos de violência (não só sexual) contra menores de idade no sistema de colégios internos. Nas escolas femininas, apenas três pessoas (todas leigas) foram acusadas. Nas escolas masculinas, 23 religiosos foram acusados de violência (não se informa se foi sexual) em 2 dos 12 colégios mantidos por entidades católicas. Em outros quatro colégios, foram denunciados casos de abusos sexuais não por religiosos, mas por alunos mais velhos.

Por último, Mons. Scicluna, da Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou em uma entrevista que de 2001 a 2010, a congregação trabalhou em cerca de 3.000 casos de sacerdotes diocesanos e religiosos relacionados com crimes cometidos nos últimos 50 anos. Desses 3.000 casos, somente 300 se tratavam de atos de pedofilia. Entretanto, o número de sacerdotes diocesanos e religiosos no mundo é de 400.000, resultando, portanto, num percentual de 0,08% sobre o total de sacerdotes diocesanos e religiosos.

2) Esses casos não foram acobertados pela Igreja

Existem várias instruções da Igreja que são bastante claras e duras com os crimes de pedofilia. Na instrução "Crimen Sollicitationis" (em latim), um texto de 1922 e novamente proposto em 1962 por João XXIII, chama-se essas faltas de “crimen pessimus” e é explícita no documento a obrigação de denunciar o delito.

Há ainda outro texto, "De delictis gravioribus" (em latim), escrito pelo, então Cardeal, Joseph Ratzinger e o Cardeal Tarcisio Bertone em 2001 para agir sobre o motu proprio "Sacramentorum Sanctitatis tutela" (em latim) do Papa João Paulo II, de forma a evitar os acobertamentos e designar a Congregação para a Doutrina da Fé como responsável para tratar de casos de pedofilia. Se houve omissões e acobertamentos, eles foram uma falta de lealdade às disposições do Papa e do Magistério da Igreja.

Ainda sobre esse assunto, na Carta Pastoral do Santo Padre o Papa Bento XVI aos Católicos na Irlanda, ele dirige um parágrafo duro aos que cometeram crimes de pedofilia:
"Aos sacerdotes e aos religiosos que abusaram dos jovens

Traístes a confiança que os jovens inocentes e os seus pais tinham em vós. Por isto deveis responder diante de Deus onipotente, assim como diante de tribunais devidamente constituídos."
3) Que o celibato sacerdotal não tem ligação alguma com o problema.

Por último, os "entendidos" da mídia tentam explicar tais problemas como resultado do celibato sacerdotal.

O psiquiatra Manfred Lütz, diretor do hospital psiquiátrico Alexian de Colônia na Alemanha, explicou numa recente entrevista como esta conexão não existe. Segundo ele, "todas as profissões e instituições que, de alguma forma, têm a ver com as crianças são afetadas pelo fenômeno. Por que certas profissões atraem pedófilos, temos de estar vigilantes." e continua:
"Alguns dizem que há uma ligação entre o celibato e a pedofilia e que, se você eliminar o celibato, muitos problemas seriam resolvidos.

Cientificamente, essa teoria não tem fundamento. Eu organizei em 2003, no Vaticano, na Academia Pontifícia para a Vida, um encontro com vários cientistas (muitos não-crentes) sobre "abuso de menores por sacerdotes e religiosos. Todos concordaram que cientificamente não há nenhuma conexão entre o celibato e a pedofilia.

A abstinência sexual, em particular, não causa os atos de abuso. Um cientista ateu bem conhecido na Alemanha disse que a probabilidade de sacerdotes molestadores é 36 vezes menor do que um pai."

Apesar de duras, tais palavras são o reflexo da realidade. No artigo citado acima, de Massimo Introvigne, ele diz que no estudo da John Jay College of Criminal Justice existe o dado de que foram condenados 6.000 professores e treinadores entre 1950 e 2002 por crimes de pedofilia, em sua maioria, pessoas casadas. Reparem que o termo usado não foi "acusados" e sim "condenados".

Concluo este longo post dizendo que o alarme que a mídia está fazendo a respeito dos casos de pedofilia na Igreja é injustificado. Ainda que haja esse grave problema entre os membros da Igreja, ela está colocando os meios necessários para corrigir a situação e prevenir novos casos.

Observação: A maior parte das referências desse texto foi extraída do texto em espanhol de Bruno Mastroianni publicado no portal Almundi.