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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sabonete não é só pra banho!

Todos o conhecem e o usam, nas mil variedades e tipos que em que o encontramos: barra, líquido, cremoso, hidratante para banho, esfoliante, desengordurante, etc, etc, etc. Porém, poucos e poucas exploram suas outras possibilidades. Então, vejamos:

1- Tira-manchas poderoso: aproveite pedacinhos de sabão, principalmente do branco, mais eficiente, colocando-os em uma vasilha e despejando água quente para formar uma mistura como geleia. Esfregue as manchas resistentes ou colarinhos sujos com essa papa e esfregue-os, ou leve à máquina. Sairão impecáveis! O branco é muito eficiente para remover manchas de sangue no tecido úmido também.


2- Limpa unhas: se vai fazer aquela faxina e não quer usar luvas, para impedir que suas unhas fiquem sujas por dentro, raspe-as na superfície de um sabonete e depois trabalhe desse modo, sem lavá-las. Isso impedirá que a sujeira penetre nelas.


3- Gavetas deslizando: a madeira acaba inchada pela umidade, dificultando seu deslizar. Retire as gavetas dos trilhos e passe sabão nos trilhos, deixando uma fina camada. Isso só pode ser feito, porém, nos trilhos de madeira ou acrílico, pois os de metal enferrujam com o tempo.


4- Fios protegidos: se você tem um animal em casa que adora roer fios, passe sabonete neles - nos fios, não nos animais, é claro! Os bichinhos não vão apreciar o gosto amargo e desistirão do projeto. Passe um pouco, não exagere, para que ele não engulam muito.


5- Sobrancelhas fixadas: sempre usamos rímel incolor para fixá-las como queremos, principalmente os fios rebeldes. Mas, se este acabar, ou não estiver por perto, pode pentear com a escovinha umedecida e passada de leve pelo sabonete. Mas cuidado pra não ficar branca e nem cair nos olhos.
6- Alívio para picadas de mosquitos: depois que eles atacam, fica aquela coceira e incômodo! 


Esfregue suavemente lascas de sabonete nos lugares, e o hidróxido de sódio contido nele "secará" as picadas.

7- Sachê nos armários: para espantar traças, coloque umas lasquinhas de sabonete em um saco de papel, feche-o com o grampeador e fure-o em vários pontos, para o cheiro sair. Ele espantará os insetos: contudo, não use sabonete de ervas ou frutas, pois atrairá os bichinhos, ao invés de repelir.


8- Prazer com economia: outro modo de aproveitar as sobras dos sabonetes é abrir um buraco pequeno em uma esponja para banho e introduzi-los ali. Você terá um banho cheio de espuma!


9- Costura e reparos: para fazer entrar com mais facilidade uma agulha em um tecido grosso, esfregue sabonete nela antes de começar. Os mesmos ácidos graxos atuarão também nos parafusos e pregos que queira colocar em uma parede.


10- Amaciante caseiro: para quem gosta de fazer coisas artesanais, aí vai a receita: 1/2 sabonete ralado grosseiramente + 1 litro de água. Deixe amolecer para levar ao fogo baixo até derreter totalmente, sempre mexendo. Antes de esfriar, adicione 2 colheres de sopa de glicerina líquida, 1/2 litro de de leite ou água de rosas e 5 litros de água fria. Pode completar com algumas gotas de um perfume suave, que lhe agrade.

                                                          Maria Teresa Serman 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O carnaval acabou e agora?

Estamos sempre em busca de feriados para descansar o corpo e repor as energias. Assim sendo, não podemos deixar de explorar o calendário e catar datas que prolonguem um final de semana.

O trabalho na vida diária preenche quase todo o nosso tempo, e é a mola do mundo; porém, o descanso e a mudança de atividade, se fazem necessários para recarregarmos nossas baterias internas e nos dar força e coragem para levar adiante as atividades incessantes do dia a dia.

Apesar disso, não podemos passar para os nossos filhos a imagem de que só  o descanso tem valor e de que o trabalho é um opressor, do qual devemos nos livrar sempre que possível.

O trabalho é muito importante e tem seu valor , sabendo guardar as devidas proporções. Ele é necessário para o nosso crescimento, seja em forma de trabalho remunerado, em trabalho no lar ou em estudo, todos são importantes e podem ser prazerosos,  na medida em que o fazemos com o coração e oferecemos a Deus por nós ou pelos próximos .

Férias e feriados são bons, mas voltar pra casa, viver a rotina diária, também é muito bom para o nosso relógio interior, com seu tic tac  funcionando sincronizado com as nossas tarefas e realizações .
Agora é a hora de tocarmos pra frente a vida, com galhardia e alegria tal qual fizemos durante estes dias de lazer e diversão. É o momento de fazermos nossas tarefas diárias com mais força e coragem, deixando a preguiça, oriunda de tantos descansos, de lado.

Vamos fazer de nossos lares lugares de paz e aconchego, com tudo em seus lugares, listando as prioridades e pondo tudo em prática. Agora sim, o ano começou de fato!

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Uma mulher de peso – Evelyn Billing

Perdemos nestes dias uma grande figura da humanidade, uma mulher que fez um bem enorme a todas as mulheres, propiciando-lhe a capacidade de conhecer melhor  sua fertilidade, a Drª Evelyn Billings.

Era uma mulher inspiradora, capaz de grandes realizações. Nasceu em 08 de fevereiro de 1918, em Melbourne, Austrália. Trabalhou durante sessenta e quatro anos junto com seu esposo, o Dr. John Billings, e foi a pioneira do Método de Ovulação Billings, o qual ensinou as mulheres, casais, estudantes de medicina e médicos, desde a década de 50, divulgando-se em mais de 100 países. É o único método natural oficial, para a regulação da fertilidade na China e foi aprovado pela Organização Mundial da Saúde, com comprovado êxito. Também conta com o apoio da Igreja Católica, dada a sua metodologia natural para a regulação da fertilidade.

Eu não poderia deixar passar em branco essa notícia de seu falecimento, e não falar da enorme admiração e gratidão que tenho por ela.

Eu, casada, com três filhos pequenos, e vinte e dois anos, tomei conhecimento do método, através de uma apostila que uma amiga me trouxe da Austrália. Infelizmente não a possuo mais, emprestei e nunca mais a tive de volta. Mas hoje, há muitos livros seus publicados, com todas as explicações sobre o método. E existem também muitos grupos por todo o mundo, explicando o funcionamento do método e tirando dúvidas. Com a minha apostila, pude aprender o método, e assim espaçar o nascimento dos outros filhos que desejávamos ter. 

O mais interessante da história da  Dra. Billings é que ela dizia que o maior orgulho da sua vida não eram seus feitos médicos ou pesquisas, e sim a felicidade de ter sua família. Junto com o Dr John, já falecido, que conheceu em uma aula de anatomia, enquanto estudava medicina na Universidade de Melbourne, criou nove filhos. Evelyn também era avó de tinta e nove netos (dois faleceram) e bisavó de trinta e um bisnetos.

Que Deus a receba em seus braços com muito carinho e a recompense por todo o bem que espalhou na terra.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Na primeira pessoa do plural - parte 1

Dois males estão adoecendo as consciências e os relacionamentos: o relativismo e o individualismo. O primeiro é grave, traiçoeiro, e travestido de tolerância. Tudo é bom, desde que feito com boa intenção; tudo pode ser aceito; nada pode ser criticado, a não ser aqueles que não adotam essa gelatina moral, que se amolda ao recipiente que a contém. Estes são odiados como "conservadores", "fundamentalistas" e intolerantes. Nada mais distante da verdade que essa visão deturpada e injusta sobre quem defende valores e critérios. 

Claro que, se a intenção propulsora do ato é agir corretamente, isso é importante. Só Deus conhece a nossa alma em profundidade, os outros só desconfiam de sua essência pelo que fazemos. Por tal fato, duas coisas se afirmam: que somos o que somos, não o que acham de nós, e o seguinte texto da Imitação de Cristo é perfeito para entender essa certeza reconfortante:

"Não és mais santo porque te louvam nem mais pecador porque te injuriam. És aquilo que és; e tudo o que disserem de ti não te fará maior do que és aos olhos de Deus. Se atenderes ao que és interiormente, não te preocuparás com o que os homens dirão de ti. «O homem vê a cara, mas Deus o coração» (1Sm 16,7)."

Contudo, o testemunho que damos  com nossa vida cotidiana é fundamental. "Não basta ser bom, é preciso parecê-lo." A bondade que germina no coração deve brotar nas ações comuns, não excepcionais. Do mesmo modo, deve-se reconhecer o erro, e aqueles que tem dever de estado receberam a missão de alertar e corrigir, pela correção fraterna, sempre com entranhado amor e atitude carinhosa e benigna, pois "detesta-se o pecado, mas ama-se o pecador", que somos todos nós.
O segundo "mal do século" é o egocentrismo, que se manifesta pelo afã de obter tudo que o egoísta acha que merece, não obstante o sofrimento que possa causar, a um ou a muitos. A trilha dolorosa que o individualismo abre é larga, extensa e profunda. Afeta as relações humanas mais viscerais, como a união familiar; a fidelidade matrimonial; a paz nos ambientes de trabalho;, o amor confiável entre as pessoas; e até as atividades de lazer comunitário e particular. Acabamos de ter um exemplo disso no comportamento destruidor e irresponsável de foliões que, com seu frenesi carnavalesco desrespeitoso, destruíram propriedade alheia, inundaram a cidade de lixo, e deixaram um rastro nauseabundo de que nem animais são capazes.

O incontestável princípio "o direito de um acaba quando começa o do outro" foi pras cucuias! É cada um por si; quem mandou ser otário; perdeu, mané - e a glória maior dessas aberrações está bem alto, nos poderes constituídos da nação, com eleições espúrias, conchavos viciados pelos mesmos que escaparam da punição devida, mensalões, trimestralões e semestralões! E gente vil com pose de defensores dos pobres e desvalidos, haja óleo de peroba!

Continuamos no próximo texto. Este é um intervalo para limparmos a sujeira que nos jogam em cima.

                                                         Maria Teresa Serman

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

EmContando - 21 - Duas parábolas

Queridas amigas e amigos!

Trago para vocês, hoje, duas parábolas    para uma saudável reflexão. Eu as tenho guardadas  há um bom tempo. Copiei-as de um livro de minha netinha Mariana, que vocês já conhecem bem por seu grande amor a livros e histórias. Espero que gostem.

Podia Ser Pior 

Isaac, um judeu pobre, foi pedir conselho a um rabino.
“Rabino, diga-me o que fazer - exclamou. - Sou um homem pobre. Tão pobre, que minha mulher, meus seis filhos, meus sogros e eu temos que viver  todos  juntos. Estamos tão cheios uns dos outros que brigamos  o tempo inteiro. É um inferno ter que viver com tanta gente num barraco de um cômodo. Não agüento mais. Eu preferiria me enforcar a voltar para casa. “
O rabino pensou no problema por alguns instantes.
“Meu filho” - disse ele então -, “se você fizer o que vou lhe dizer, garanto que sua condição irá melhorar.”
“Faço o que o senhor disser, se for para acabar com essa loucura” - prometeu Isaac.
“Quantos animais você tem?” - perguntou o sábio rabino.
“Uma cabra, uma vaca e algumas galinhas.”
“Vá para casa e ponha os animais para dentro, para que vivam com você.”
Isaac ficou horrorizado com a idéia, mas ele queria manter sua promessa. Então voltou para casa e seguiu o conselho do rabino.
Dois dias depois Isaac voltou ao rabino.
“Rabino” - ele exclamou. - “Eu fiz como o senhor mandou: pus todos os animais dentro de casa. Agora me arrependo de ter prometido lhe obedecer, pois as coisas estão ainda piores. Não agüento mais um dia dessa loucura. Por favor me ajude!”
“Bem, filho” - respondeu o rabino -, então vá para casa e ponha as galinhas para fora. Que Deus o ajude.”
Assim o pobre Isaac voltou para casa e enxotou as galinhas. Dois dias depois ele voltou ao rabino.
“Rabino” - exclamou -, “não agüento mais. A cabra está destruindo tudo dentro de casa. Quero que ela saia!”
“Então vá para casa e ponha a cabra para fora” - disse o rabino. -
“Que Deus o ajude.”
Isaac voltou para casa e enxotou a cabra. Dois dias depois ele voltou ao rabino.
“Rabino” - suplicou -, “não agüento mais. A vaca está fazendo uma bagunça na minha casa. Ela precisa sair.”
“Então vá para casa e ponha a vaca para fora” - aconselhou o rabino.
Mais uma vez Isaac foi para casa e pôs a vaca para fora.
Muito tempo se passou. Então, um dia, Isaac voltou ao rabino, radiante de felicidade.
“Obrigado, rabino” - ele sorriu. “ O senhor mudou minha vida! Desde que pus os animais para fora, minha casa tornou-se limpa e tranqüila. Estamos todos muito felizes agora. Deus realmente nos abençoou.”

O Tesouro na Lareira de Isaac

Havia um pobre judeu chamado Isaac, que vivia numa cabana, muito longe da cidade. Certa noite, ele teve um sonho estranho. Sonhou que havia um grande tesouro enterrado sob a ponte que levava ao principal portão da cidade.
Bem cedo, na manhã seguinte, Isaac começou sua longa jornada até a cidade. Após vários dias de caminhada, ele chegou à ponte. Mas ela estava fortemente guardada por soldados. Isaac decidiu esperar até que escurecesse para começar a procurar pelo tesouro. Então ele se esgueirou para baixo da ponte e começou a cavar.
“Quem está aí?” - rugiu o capitão da guarda. Isaac se arrastou de sob a ponte.
“O que está fazendo aí, velho?” - o capitão exigiu saber.
Na simplicidade de sua pobreza, Isaac contou a ele seu sonho sobre o tesouro enterrado sob a ponte.
“Seu velho tolo” - o capitão riu -, “onde estaríamos todos se fossemos prestar atenção aos nossos sonhos? Ora, noite passada tive um sonho parecido com o seu. Sonhei que bem longe, num casebre pobre, que pertence a um homem chamado Isaac, havia um tesouro enterrado sob a lareira. Agora dê o fora daqui, seu velho tolo!”
Isaac voltou para casa o mais rápido que pode. Ao chegar, tirou as cinzas da lareira  e começou a cavar. Lá, bem debaixo de sua própria lareira, havia um grande tesouro.

(Em “Fábulas do Mundo Todo” Ed. Melhoramentos 2004 - Adaptadas por Bem Alex e traduzidas por Antônio Carlos Vilela)

Por Agnes G Mylles

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A quem tem, dar-se-lhe-á mais

A quem tem, dar-se-lhe-á; e a quem não tem, mesmo aquilo que parece ter ser-lhe-á tirado. E a este propósito comenta São João Crisóstomo: “A quem é diligente e fervoroso, dar-se-lhe-á toda a ajuda que depende de Deus; mas a quem não tem amor nem fervor, nem faz o que está ao seu alcance, também não lhe será dado o que depende de Deus. Porque perderá – diz o Senhor – ainda aquilo que parece ter; não porque Deus lho tire, mas porque se incapacita para novas graças”.

A quem tem, dar-se-lhe-á... É um ensinamento fundamental para a vida interior de cada cristão. Àquele que corresponde à graça, dar-se-lhe-á ainda mais graça; mas quem não faz frutificar as inspirações, moções e ajudas do Espírito Santo, ficará cada vez mais empobrecido. Os que negociaram com os talentos que tinham recebido em depósito, vieram a receber uma fortuna ainda maior; mas aquele que enterrou o seu, perdeu-o. A vida interior, tal como o amor, está destinada a crescer; exige sempre que se progrida, que se esteja aberto a novas graças. “Se dizes «basta», já estás morto”; quando não se avança, retrocede-se.

Deus prometeu-nos que nos concederia sempre as ajudas necessárias. Podemos dizer a cada instante com o Salmista: O Senhor anda solícito por mim. As dificuldades, as tentações, os obstáculos internos ou externos nada mais são do que ocasiões para crescer; quanto mais forte for a dificuldade, maior será a graça; e se as tentações ou contradições forem muito fortes, maiores serão as ajudas de Deus para convertermos aquilo que parecia dificultar ou impossibilitar a santidade num motivo de progresso espiritual e de eficácia na ação apostólica.

Só o desamor e a tibieza é que fazem adoecer ou morrer a vida da alma. Só a má vontade, a falta de generosidade com Deus, é que atrasa ou impede a união com Ele. “Conforme for a capacidade que o cântaro da fé leva à fonte, assim será o que dela há de receber”. Jesus Cristo é uma fonte inesgotável de ajuda, de amor, de compreensão: com que capacidade – com que desejos – nos aproximamos dEle? Senhor – dizemos-lhe na nossa oração –, dai-me mais e mais sede de Vós, que eu Vos deseje mais intensamente que o infeliz que anda perdido no deserto e a ponto de morrer por falta de água.

As causas que levam a não progredir na vida interior e, portanto, a retroceder e a dar lugar ao desalento, podem ser muito diversas, mas por vezes podem reduzir-se a poucas: ao desleixo, à falta de vigilância nas pequenas coisas que dizem respeito ao serviço e à amizade com Deus, e ao recuo perante os sacrifícios que essa amizade nos pede.

Tudo o que possuímos para oferecer ao Senhor são pequenos atos de fé e de amor, ações de graças, uma breve visita ao Santíssimo Sacramento, as orações costumeiras ao longo do dia; e esforço no trabalho profissional, amabilidade nas respostas, delicadeza ao prestar ou ao pedir um favor... Muitas pequenas coisas feitas com amor e por amor constituem o nosso tesouro deste dia que levaremos para a eternidade. 

 Normalmente, a vida interior alimenta-se, pois, do corriqueiro realizado com atenção e com amor. Pretender outra coisa seria errar de caminho, não achar nada, ou muito pouco, para oferecer a Deus. “Vem a propósito – diz-nos Mons. Escrivá – recordar a história daquele personagem imaginado por um escritor francês, que pretendia caçar leões nos corredores da sua casa e, naturalmente, não os encontrava. A nossa vida é comum e corrente: pretender servir o Senhor com coisas grandes seria como tentar ir à caça de leões pelos corredores. Assim como o caçador do conto, acabaríamos de mãos vazias”, sem nada que oferecer.

As nossas pequenas obras são como as gotas de água que, somadas umas às outras, fecundam a terra sedenta: um olhar a uma imagem de Nossa Senhora, uma palavra de alento a um amigo, uma genuflexão reverente diante do Sacrário, um movimento imperceptível de domínio da vista pela rua, um pequeno ato de força de vontade para fugir de um dissimulado convite à preguiça... criam os bons hábitos, as virtudes, que conservam e fazem progredir a vida da alma. Se formos fiéis em realizar esses pequenos atos, quando tivermos de enfrentar alguma coisa mais importante – uma doença mais séria, um fracasso profissional... –, saberemos também tirar fruto dessa situação que o Senhor quis ou permitiu. Cumprir-se-ão então as palavras de Jesus:Aquele que é fiel no pouco também o é no muito.
Meditação diária de Falar com Deus - TEMPO COMUM

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sempre teremos um Papa!

Sempre teremos o trono de Pedro ocupado por aquele que o Espírito Santo designar. Não é uma questão de realeza, magia, ou outras fantasias mundanas. Foi Cristo quem constituiu Pedro a rocha sobre a qual construiria e confirmaria Sua Igreja até a Sua vinda.

O Papa é outro Cristo, o "doce Cristo na Terra", como amavelmente denominou Santa Catarina de Sena. Não importa que homem o represente, ele será o próprio Bom Pastor.

Tivemos agora um perfeito exemplo disso, do pastor, que, esgotado pelos muitos anos de serviço ao próximo, e sentindo suas forças lhe faltarem, preparou com prudente antecedência o seu sucessor. Não se agarrou a um pretenso poder, como o fazem muitos que vemos atualmente, mas abdicou com dignidade exemplar, para o bem maior das suas ovelhas.

Obrigada, Santo Padre Bento XVI, por sua dedicação heroica,  por sua bondade transbordante no seu sorriso tímido e doce, por sua humildade e sabedoria, por tudo que generosamente ofertou de seu, o que permanecerá em nossos corações como a imagem de Nosso Senhor. Deus o abençoe e o proteja, estamos rezando unidos por Vossa Santidade e por seu sucessor.
                                                                                                                Maria Teresa Serman








terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Centro Diurno para Idosos Necessitados em Roma

Ajudar os outros é um compromisso que implica passar das palavras aos fatos. Os responsáveis pelo Campus Biomédico de Roma - uma obra corporativa do Opus Dei - e o ator de cinema Alberto Sordi compartilhavam o desejo de ajudar aos idosos da cidade. E assim surgiu o CESA.

Uma revista em cores, uma companhia de teatro, um ateliê de alta costura; excursões culturais, passeios pela natureza, férias de verão; um ambiente agradável, um grupo de amigos, uma ocasião para trabalhar em equipe...

Esta é uma pequena amostra do que o Centro Diurno para Idosos Necessitados de Trigoria oferece; mas — e isso é o mais importante— o centro é um lugar onde o ancião é valorizado e recebe ajuda para continuar crescendo como pessoa.

Em 2002, Ruggero, Ennio e Adriano constituíram com alguns amigos a Associação Alberto Sordi. Na sua origem, está o desejo de ajudar as muitas pessoas de idade avançada que já não podem viver completamente por si mesmas. 

Nesta iniciativa, o idoso é valorizado e recebe ajuda para continuar crescendo como pessoa.
Em não poucas ocasiões, pelo ritmo de vida acelerado que se leva na sociedade ocidental atual, os anciãos acabam não recebendo a devida atenção por parte das suas famílias; e, não raro, os problemas econômicos e assistenciais que costumam aparecer nessas situações levam ao esquecimento de que o idoso, em primeiro lugar é uma pessoa frágil e necessitada.
Em consequência disso, muitos idosos sentem-se sós ou inúteis, vivem enclausurados num mundo de preocupações, de insegurança afetiva ou econômica, e vislumbram o futuro com medo ou sem qualquer perspectiva.

No ano de 2001, a Universidade Campus Biomédico de Roma - uma obra corporativa do Opus Dei - pôs em andamento em Trigoria o CESA: Centro para a Saúde do Ancião, dedicado à assistência médica e à pesquisa sobre patologias da terceira idade.

Juntamente com a atenção médica e sanitária, nessas instalações desenvolve-se também um trabalho de caráter social.
Ninguém duvida de que vale a pena investir na formação das crianças, dos adolescentes e dos adultos. No Centro Diurno, dá-se um passo a mais: também se aposta na formação do idoso, que retém muitas potencialidades e que sempre pode crescer como pessoa.

O objetivo primário é ajudar a manter — e, quando, é possível recuperar e potencializar — as capacidades psicofísicas, para que, na medida de suas possibilidades, o idoso tenha uma vida ativa e gratificante. No fundo, trata-se de conseguir que as pessoas idosas recuperem sua dignidade, se sintam úteis e vivam felizes.

Muitos estudos demonstraram que a perda das faculdades mentais não se deve tanto à elevada idade, mas à falta de exercício, de estímulos intelectuais e de vida social. Por isso, seguindo a metodologia do fazer, são organizadas atividades que ajudam a manter em exercício as faculdades pessoais. São atividades variadas, desenvolvidas em grupo.

A ênfase das atividades é posta no fazer, e busca-se que todos sejam protagonistas e não meros espectadores. Não são um fim em si mesmas, nem servem meramente para ocupar o tempo; o objetivo é contribuir para o desenvolvimento da pessoa em todas as suas dimensões: espiritual, relacional-afetiva, intelectual e corporal.

"Após muito tempo, minha mãe quis voltar ao cabeleireiro. Há um ano, lia poesias ao meu avô... Agora sou eu quem o escuta recitá-las". Frases como essas são comuns na boca dos parentes dos idosos que vêm ao Centro. É um fenômeno que se comprova uma e outra vez: com o passar do tempo, muitos anciãos recuperam a alegria de viver. Em princípio, os frequentadores vão ao Centro três dias por semana, mas é possível ampliar para cinco, se o idoso assim o quiser. A inscrição nunca é inferior a três meses: tempo mínimo para introduzir-se no ambiente e aproveitar as atividades oferecidas.
Mais informações sobre o Centro Diurno Anziani Fragili (em italiano).
http://www.fondazionealbertosordi.it/auto.asp?sID=3&sF=3
 Artigos relacionados
  http://www.opusdei.org.br/img/ra.gif    Vídeo exibido em 2011 pela Rede de Televisão RAI sobre o Centro de Anciãos (em italiano).
http://www.opusdei.org.br/art.php?p=51849

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Nosso querido batom

O batom, nosso velho e confiável amigo, está mais poderoso e diversificado. Os tipos e infinidade de cores nos confundem, mas tal dúvida é a nosso favor, porque podemos variar e brilhar ( ou ficar nos foscos, chamados mate), nos dois sentidos. Um batom de qualidade ajuda a hidratar - cada vez mais eles contêm ácido hialurônico e outros ingredientes anti-idade, recuperando a mucosa e a pele adjunta, e também protetor solar. Quanto mais estivermos de batom, melhor.

Estamos no verão, estação que traz muito calor e chuva, embora as lojas já estejam em liquidação, trazendo antecipadamente roupas de meia estação - será que isso existe em nossa cidade? E há tempo, em relação a clima e duração, de aproveitarmos as vantagens da hora.

Claro que usamos batom o tempo todo, mas nossas preferência costumam variar nos tons, de acordo com o que nos pedem as roupas e a ocasião Então, rosa, vermelho, coral, laranja, marrom, nude, brilho transparente, qual e quando?

O rosa vai bem para qualquer cor de pele e cabelo, de dia ou de noite, mas é preciso ver o tom:

- Rosa-bebê: as de pele bem clara devem preferi-lo para o dia, pois não pesa no visual. Essa especificação não impede que usem outra tonalidade, desde que faça o mesmo efeito. Também para as mais morenas vai bem, desde que o tom de pele se destaque com a combinação de olhos e boca.
- Rosa- claro: as ruivas ficam muito bem com essa nuance, pois seu cabelo já chama a atenção. Esse tipo deve evitar muita coloração, preferindo olhos esfumados e rímel também. Isso destacará o seu ponto forte, o tom do cabelo.

- Rosa-choque: deve ser o querido das morenas, pois faz um bonito contraste, levanta a maquiagem. Não é preciso repetir que uma cor de batom marcante puxa olhos mais discretos, mas ainda depende da ocasião e da hora.

- Rosa- escuro: oportunos para a pele negra, porque aparecem mais, são mais condizentes. O ideal é o batom mate, mais fosco, o que não quer dizer que, à noite, não possam aplicar um brilho em cima dele, o que, aliás, é o ideal para todas e todos os batons, pois essa combinação batom+brilho fixa melhor.

- Vermelho-tomate: serve como uma luva para as clarinhas, pois não é tão pesado quanto o vermelho tradicional, mais forte e impactante, fica mais vibrante e combina muito bem com uma pele branca. Serve para todas, pois é um coringa.

- Vermelho-alaranjado: esse tom é o recomendado para as ruivas, pois harmoniza sem chocar com o tom do cabelo e, frequentemente, da pele.

- Vermelho-clássico: é tradicional, atemporal e um ícone, como o nome já indica. Valoriza qualquer pele, principalmente as morenas, e as roupas, desde que sejam mais discretas e não briguem com a tonalidade, o que deve ser sempre levado em conta na escolha da maquiagem. O batom vermelho rubro já chama atenção, então os olhos devem somente complementá-lo, e não brigar pelo foco.

Já falamos sobre o nude, ou cor-de-boca, e o marrom é para preferências pessoais, embora seja uma tonalidade mais invernal.
                                                                    Maria Teresa Serman

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Virtudes da Convivência -

SÃO MUITAS AS VIRTUDES que facilitam e tornam possível a convivência.

A benignidade e a indulgência levam-nos a julgar as pessoas e as suas atuações de forma favorável, sem nos determos excessivamente nos seus defeitos e erros.

A gratidão é essa evocação afetuosa de um benefício recebido, com o desejo de retribuí-lo de alguma forma, quanto mais não seja com um obrigado ou coisa parecida. Custa muito pouco sermos agradecidos, e o bem que fazemos é enorme. Se estivermos atentos aos que estão à nossa volta, notaremos como é grande o número de pessoas que nos prestam constantes favores.

A cordialidade e a amizade facilitam muito a convivência diária. Como seria formidável que pudéssemos chamar amigos àqueles com quem trabalhamos ou estudamos, àqueles com quem convivemos ou com quem nos relacionamos! Amigos, e não apenas colegas ou companheiros. Isso seria sinal de que vamos desenvolvendo muitas virtudes humanas que fomentam e tornam possível a abertura aos outros: o ânimo desinteressado, a compreensão, o espírito de colaboração, o otimismo, a lealdade. Amizade particularmente profunda é a que deve existir no seio da própria família: entre irmãos, com os filhos, com os pais.

No convívio diário, a alegria, manifestada num sorriso oportuno ou num pequeno gesto amável, abre as portas de muitas almas que estavam a ponto de fechar-se ao diálogo ou à compreensão. A alegria anima e ajuda a superar as inúmeras contrariedades que a vida nos traz. Uma pessoa que se deixe dominar habitualmente pela tristeza e pelo pessimismo, que não lute por sair desse estado rapidamente, será sempre um lastro, um pequeno câncer para os que convivem com ela.

É virtude da convivência o respeito mútuo, que nos leva a olhar os outros como imagens irrepetíveis de Deus. No relacionamento pessoal com o Senhor, o cristão aprende a “venerar [...] a imagem de Deus que há em cada homem”, mesmo naqueles que por alguma razão nos parecem pouco amáveis, antipáticos ou insossos. O respeito é condição para contribuir para a melhora dos outros, porque, quando se esmagam os outros, o conselho, a correção ou a advertência tornam-se ineficazes.

O exemplo de Cristo inclina-nos a viver amavelmente abertos aos outros; a compreendê-los, a olhá-los com uma simpatia prévia e sempre crescente, que nos leva a aceitar com otimismo o entrançado de virtudes e defeitos que existe na vida de qualquer homem. É um olhar que chega às profundezas do coração e sabe encontrar a parte de bondade que há em todos.

Muito próxima da compreensão está a capacidade de desculpar prontamente. Viveríamos mal a nossa vida cristã se ao menor choque se esfriasse a nossa caridade e nos sentíssemos distantes das pessoas da família ou daqueles com quem trabalhamos.
 Por Maria Teresa Serman

sábado, 9 de fevereiro de 2013

"Nada fixa tanto as coisas na memória quanto o desejo de esquecê-las"

Mais uma frase de seriado em que resolvi meditar e oferecer o resultado a vocês. Espero que ajude a analisar alguns fatos que frequentemente nos pesam na alma. Não porque eu seja sábia, longe disso, mas por serem algumas preocupações e dores comuns a todos nós, seres humanos. Por mais diferentes que sejam as pessoas, somos feitos da mesma matéria e à semelhança de um único Pai, que enraizou em cada um ânsia de eternidade e esperança de felicidade duradoura.

É pura verdade o que a frase constata. Quanto mais fazemos força para esquecer algo ou alguém, mais profundo e teimoso é o sofrimento que o torna inesquecível. Se centramos nossa vida em uma busca inclemente pela felicidade, descuidando dos detalhes de amor com o próximo, ou até desconhecendo totalmente sua necessidade de ser feliz também, o resultado é o oposto ao que perseguimos. Quando lutamos contra um defeito ou fraqueza de caráter só com nossas pobres forças, abrindo mão da ajuda de pessoas competentes, ou desprezando a misericórdia de Deus e os meios que nos propiciou, como os sacramentos, a direção espiritual, a oração, essa será uma batalha perdida, ainda que árdua. Só sentiremos a dor do fracasso, não a fortaleza de recomeçar.

Ninguém consegue nada sozinho, sequer com um auxílio puramente humano. E devemos a nós mesmos a paciência de permitir, e aguentar com otimismo, que o tempo aja, sobre nós e os outros envolvidos. A vida, e Aquele que a tem nas mãos, segue seu curso, cada alma tem sua resistência, e o próprio Criador respeita isso, pois foi dele que recebemos o grande dom da liberdade de escolha. Se muitas vezes a escolha é errada, já quando reconhecemos esse fato e nos colocamos à Sua disposição para que Sua graça opere em nós e nos que amamos, está ganha a primeira batalha. O exército da boa vontade invade o núcleo da dor e suaviza a espera - a espera da ação completa do Bem.

Para finalizar, nada me parece mais apropriado do que o conhecido poema/oração de Santa Teresa de Ávila, a reformadora do carmelo, a grande doutora da Igreja, profunda conhecedora das almas e da experiência constante da presença atuante de Deus em nossas vidas:
"Nada te perturbe,
nada te espante,
tudo passa,
Deus não muda,
a paciência tudo alcança;
a quem tem Deus
nada lhe falta:
só Deus basta."

 Por Maria Teresa Serman

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

EmContando – 20 - A Dança das Cores

No Planeta Claro-Escuro, não havia cores. Ninguém tinha cor de olhos, cor de cabelo e nem cor de pele. Os adultos já estavam acostumados a viver só no branco e preto, mas a vida das crianças no Planeta Claro-Escuro era muito triste. Elas queriam colorir seus desenhos e não podiam. Elas queriam vestir roupas coloridas, mas essas roupas não existiam por lá. Nem as flores, nem as borboletas, e nem os passarinhos,   tinham cores. Era tudo muito sem graça e muito triste. 

Um dias, as crianças resolveram fazer alguma coisa para mudar essa situação. Decidiram escolher uma delas para ir até o topo da Montanha Vento Forte para procurar o  Baú das Cores. Os mais velhos  contavam que as cores foram aprisionadas nesse baú, há muito tempo, por uma bruxa malvada, e que só uma criança muito especial  poderia libertá-las.

Depois de pensarem por vários dias,   os  habitantes do  Planeta Claro-Escuro escolheram Corina para a grande missão de libertar as cores.

Corina era uma menina especial. Tinha cor no nome, era corajosa e amiga de todos. Todos ajudaram Corina a se preparar para a longa viagem. Com a mochila cheia de frutas, chocolates, biscoitos, e uma garrafa de água, além de uma lista de recomendações do que fazer para não se perder no caminho, Corina partiu em direção à misteriosa montanha.

Corina andou ... andou ... andou muito. Primeiro ela atravessou um campo florido, depois um pequeno rio de águas claras, e começando a subir a montanha, chegou até uma grande floresta escura e cheia de barulhos estranhos. Folhas e galhos caíam das árvores, e os animais corriam para se esconder ao menor ruído, provavelmente, com medo de caçadores. Corina estava apavorada, mas como havia prometido ir até o fim de sua missão, não iria desistir facilmente. 

Quando saiu da floresta, Corina encontrou um caminho cheio de pedras. Pedras pequenas, pedras grandes, pedras de todos os tamanhos. O vento soprava forte  e era muito difícil caminhar sobre elas. Corina resolveu descansar um pouco, beber e comer alguma coisa antes de continuar sua jornada.
Quando o caminho das pedras chegou ao fim,  ela  se viu em frente a uma grande gruta . Bem na entrada,   de guarda, havia um anão muito velhinho, de barba  tão comprida  que quase lhe chegava aos pés. Quando ele viu  Corina se aproximando, foi logo gritando:

“Alto lá menina! Onde pensa que vai? Ninguém pode entrar nessa gruta. É proibido. Lá dentro está o Baú das Cores e eu sou o seu guardião desde que minha barba era curta. “

“Eu me chamo Corina. Sr. Anão. Vim de muito longe até aqui só para libertar as cores presas no baú. Onde eu vivo, todos estão precisando muito delas e não vou voltar sem levá-las comigo.”

O anão achou uma petulância uma menina tão pequena querer enfrentá-lo. E gargalhou com a voz rouca e a boca sem dentes:

“Rá, Rá, Rá ! Quem você pensa que é? Acha mesmo que pode  me enfrentar?”

Eu não quero enfrentá-lo, Sr. Anão, eu só quero libertar as cores e levá-las para o meu povo. O senhor não precisa se preocupar. Nós tomaremos conta delas. Cada cor terá seu devido lugar. O mato será verde, o céu azul, a noite será preta como um Urubu. O sol será amarelo e as nuvens  brancas.

O anão que já estava muito velho e muito cansado de ficar noite e dia  guardando  as cores, pensou um pouco e disse:

“Muito bem! Vou fazer uma pergunta e se você souber respondê-la, deixarei você libertar as cores. Pense bem, pois até hoje ninguém acertou a resposta.”

Corina fechou os olhos,   concentrou-se e cruzou os dedinhos para não errar.  O anão perguntou:
“Com que cor vocês pretendem colorir a ALEGRIA?”

“Com todas as cores!”,  respondeu Corina, sem pestanejar. “Cada criança vai colorir a ALEGRIA com sua cor preferida, e tudo ficará colorido como um Arco-Iris.”

Assim que Corina acabou de falar, as cores saíram da gruta dançando livres e soltas. Deitaram-se umas ao lado das outras e formaram um lindo Arco-Iris, por onde Corina veio escorregando até cair bem diante da porta de sua casa. Não é preciso descrever a felicidade de todos ao verem Corina de volta. As crianças pegaram as cores e com elas fizeram uma grande festa    de ALEGRIA.

A Festa das Cores nunca mais acabou. Continua até hoje em todos os cantos do mundo, principalmente, no coração de todas as crianças. 

(Em Redescobrindo Sons e Gestos: Histórias para cantar e contar de Maria Cláudia S. Garcia e Agnes G. Milley – 2004 )

O Carnaval já chegou.   Sinto saudades dos Bailes Infantis! Quando eu era  novinha, os clubes esportivos promoviam bailes só para os pequenos. Criar as fantasias já era uma festa. Todos participavam e as vovós eram, quase sempre,   as costureiras. Agora, me parece, que as escolas de Educação Infantil organizam algumas horas de danças e bandinhas para seu aluninhos. Que bom!

 Seja como  for, desejo a todos alguns dias de saudável   ALEGRIA, BRINCADEIRAS    e de  BOM CONVÍVIO em família e entre amigos.
                                                                                                    Agnes G. Milley

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Um dos melhores amigos das garotas

Por Maria Teresa serman
No filme "Os homens preferem as louras", Marilyn Monroe canta a mais famosa versão da música "Diamonds are a girl's best friends", que significa a afirmação fútil e gananciosa "Os diamantes são os melhores amigos de uma garota". A frase se tornou antológica, e já foi muito parodiada. Dizem, referindo-se à maquiagem, que o batom, ou o rímel, é o melhor amigo etc.

Hoje vamos falar de um outro bom amigo, o delineador. Realmente ele dá um toque de mais realce aos olhos, e, junto com o outro amigo, o rímel, faz um dupla fantástica. Acrescentando-se um iluminador, então, não tem pra ninguém. Nós, garotas de hoje em dia, somos privilegiadas em relação às de outras décadas atrás, pois atualmente encontramos o produto com várias texturas e cores, para todos os gostos e ocasiões, desde o preto básico, mas sempre imbatível, passando pelo marrom mais discreto, berinjela, azul, dourado, prata e por aí vai.

O delineador é mais durável que o lápis, e pode ser aplicado com pincel ou vir em forma de caneta, líquido ou em creme. Este último tipo é, na minha opinião, mais fácil de aplicar, pois permite um traço fino, como o líquido, ou mais grosso, se ampliamos seu contorno. Em compensação, os pastosos demoram mais pra secar. E lembrem-se que, em ambos os casos, não precisa se desesperar se borrar; é só limpar com cuidado, com um cotonete levemente umedecido em demaquilante. O meu preferido é o maravilhoso Fluidline, da MAC, tipo musse, que desliza e facilita o trabalho do pincel e da vista cansada. Nem demora pra secar, na verdade.

Se passar a sombra na pálpebra móvel antes do delineador, esta dará mais aderência a ele, e tal procedimento evitará ter que refazer o traço, se a sombra invadi-lo. O estilo gatinho continua na moda, sempre com a ponta um pouco elevada, para levantar o olhar e dar a impressão de aumento dos olhos. Quanto menor a pálpebra, mais fino deve ser o risco, que pode ser esbatido com uma sombra do mesmo tom, ou usar uma de uma tonalidade um ponto mais clara, para não pesar. De qualquer jeito, o delineador vai dar definição ao olhar. Procure fazer traços semelhantes em comprimento e largura em ambos os olhos, para não desequilibrar o visual da face.

Não é necessário, e previne melhor os borrões, fazer o risco desde o canto interno do olho, pode-se começar mais para o meio, sempre harmonizando o traço para não ficar óbvio. E não custa relembrar que olhos mais evidenciados pedem batom ou brilho labial menos chamativo.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Ficou sem 7 filhos por recusar laqueação de trompas

Esta história chocou tanto a mídia nestes dias que resolvi colocá-la aqui, para que, nós pais, preocupados com o futuro de nossos filhos, possamos refletir sobre a atitude do governo português.

O pior ainda foram os comentários que fizeram no fim do artigo, extremamente cruéis,  racistas e desumanos. Fiz questão de não publicá-los aqui.

"Liliana Melo ficou sem sete dos seus dez filhos há sete meses. Por ordem do Tribunal de Sintra, as crianças, com idades entre os seis meses e os sete anos, foram sujeitas à medida de protecção de menores mais extrema: dadas à confiança para adopção, perdendo todos os vínculos parentais para sempre.

A sentença determinou que as filhas mais velhas ainda menores, na altura com 16 e 11 anos, ficassem com os pais. Mas o tribunal entendeu que a menor de seis meses, os gémeos de dois anos e os irmãos de três, cinco, seis e sete anos estavam em risco, e resolveu retirá-los de casa.
No processo, não há qualquer referência a maus-tratos físicos ou psicológicos ou a outro tipo de abusos. Na sentença, a que o SOL teve acesso, considera-se mesmo que há laços de afectividade fortes na família e refere-se que as filhas mais velhas têm sucesso escolar e estão bem integradas no seu ambiente social. A decisão do Tribunal de Sintra sustenta-se nas dificuldades económicas da família e no facto de a mãe ter desrespeitado o acordo de promoção e protecção de menores ao recusar-se a laquear as trompas.

Tribunal determinou laqueação de trompas
Esse acordo – proposto pelas técnicas da Segurança Social e homologado pelo juiz – obrigava os pais a tomar uma série de medidas, entre as quais realizar uma operação para não poderem ter mais filhos.
«Tinha de arranjar emprego, zelar pela higiene e vestuário das crianças, assegurar a pontualidade e a assiduidade deles na escola, ter em dia os planos de vacinação e fazer uma laqueação das trompas», conta a mãe, lembrando que deixou claro ao juiz que, por ser muçulmana, não se poderia submeter a essa operação. «O que o juiz me disse foi que tínhamos de deixar em África os nossos hábitos e tradições e que aqui tínhamos de nos adaptar»."

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=66582
18 de Janeiro, 2013 - por Margarida Davim

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Para quem fica...


Quando uma parte do casal resolve viver a própria vida exclusivamente como deseja, do seu modo individual, rompendo os laços, não só do par, mas da família como um todo, desmorona tudo para quem fica em casa. Digo tudo porque, além do seu sofrimento pessoal, da dor da distância, do silêncio, da falta de quem desaparece da casa, da cama, da mesa, tem que presenciar, mais, muito mais do que isso, VIVENCIAR, na carne, a dor dos filhos, a sua revolta, mágoa, decepção.

O equilíbrio que pai e mãe, de temperamentos e visões saudavelmente diferenciados, estabeleciam cotidianamente se torna instável, precário. E quem permanece vê isso nas relações com os filhos, principalmente se são pequenos, ou se ainda moram na casa. O caos emocional se instala, contra o qual o remanescente luta, tentando achar um ponto de resistência em si mesmo, uma força que só pode ser de origem divina, assim como o é a sabedoria para calar, para falar, para fazer tudo e nada.

A metade que não abandonou o lar precisa lutar contra essa desestruturação, essa ruptura, tentando conciliar o que lhe resta de são com o natural estranhamento inconsolável que sente dentro de si. Quem sai não vê, não pressente a tormenta frequente se avizinhando, pelos tons de voz alterados, pelos olhares raivosos, e até pelas reações ameaçadores da paz precária que resta. Quem joga a toalha, joga-a sobre seus olhos e coração também, pois, não diz o ditado que o quê os olhos não veem o coração não sente?

Não se trata de dois virarem um; não, não existe mais um inteiro, só (re)partido em mil cacos, que insiste - até mais pelos filhos do que por si mesmo - em juntar, formando um quebra-cabeças grotesco, desencontrado, sem sentido. Gostaria ele mesmo, ou ela mesma, de ir para Pasárgada, Transilvânia, Terra do Nunca, mas não dá. Alguém tem que prestar atenção à sua consciência, tomar conta dos que ama, continuar a vida. E não adianta perder tempo remoendo como isso é injusto e fatal para o desenvolvimento emocional e espiritual dos filhos e para a continuidade - do quê mesmo??? - da normalidade a que uma família tem direito.

Todos e cada um tem uma receita e um (VÁRIOS!) conselho, cada qual mais descabido e distante do real de agora, mesmo que com as famigeradas boas intenções. Há que agradecer, ser humilde, paciente, cego, surdo, mudo, esquizofrênico, louco de carteirinha mesmo, para aguentar tanta pressão, interior, interna, externa, afetiva, moral, espiritual, física - porque quando o coração adoece o corpo inteiro padece. A dor emocional se torna mais física que fratura exposta. Mas, fazer o quê, não é assim que a banda toca? Só não dá pra cantar a música do Chico, ver a banda passar sem agir. E só Deus, unicamente Ele, para ensinar como fazer.

Por Maria Carolina Fernandes –  psicóloga e mestre em terapia de casais.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Virtudes da Convivência – AFABILIDADE será que ainda lembramos?

Por Maria Teresa Serman
Retiramos este trecho de uma meditação de Falar com Deus, de Carvajal, porque percebemos que nos faz muita falta, hoje em dia, na nossa vida corrente e corrida, esta virtude da AFABILIDADE. |Não poderíamos falar melhor sobre ela do que o texto a seguir.

BOA PARTE da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... E ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isto normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade. São pessoas muito diferentes, mas todas esperam alguma coisa do cristão: aquilo que Cristo teria feito se estivesse no nosso lugar.

Também nos relacionamos com pessoas dos mais diversos modos de ser e de comportar-se na própria família, no trabalho, entre os vizinhos...; são pessoas com temperamentos e caracteres muito diferentes dos nossos. É preciso que saibamos conviver harmonicamente com todos. São Tomás indica a importância de uma virtude particular que regula “as relações dos homens com os seus semelhantes, tanto nas obras como nas palavras”, e que reúne em si muitas outras: é a afabilidade, que nos inclina a tornar a vida mais grata àqueles que vemos todos os dias.

É uma virtude que deve formar como que a trama da convivência. Talvez não seja uma virtude chamativa, mas, quando não está presente, nota-se muito a sua falta, pois torna tensas e ásperas as relações entre os homens, e leva freqüentemente a faltar à caridade. Opõe-se pela sua própria natureza ao egoísmo, ao gesto ofensivo, ao mau humor, à falta de educação, ao desinteresse pelos gostos e preocupações dos outros. “Destas virtudes – escrevia São Francisco de Sales – deve-se ter uma grande provisão e bem à mão, porque devem ser usadas quase continuamente”.

O cristão saberá converter os inúmeros detalhes da virtude humana da afabilidade em outros tantos atos da virtude da caridade, vivendo-os também por amor a Deus. A caridade torna a afabilidade mais forte, mais rica em conteúdo e de horizontes muito mais elevados. Uma e outra devem ser praticadas também quando se faz necessário tomar uma atitude firme: “Tens que aprender a dissentir dos outros – quando for preciso – com caridade, sem te tornares antipático”. (S. Josémaria Escrivá)

Mediante a fé e a caridade, o cristão sabe ver nos seus irmãos, os homens, filhos de Deus, que sempre merecem o maior respeito e as melhores provas de consideração e de delicadeza. Como não há de estar atento às mil oportunidades que qualquer dos seus dias lhe oferece?

domingo, 3 de fevereiro de 2013

"Amélia não tinha a menor vaidade, Amélia etc, etc.'


Ai que Saudades da Amélia
Compositor: Ataulfo Alves / Mário Lago
Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Não vê que eu sou um pobre rapaz

Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai meu Deus que saudade da Amélia
Aquilo sim que era mulher

As vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
E quando me via contrariado dizia
Meu filho o que se há de fazer

Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia que era a mulher de verdade


Vou mexer em casa de marimbondo, discutindo a verossimilhança de uma das heroínas do cancioneiro popular brasileiro: a Amélia. Símbolo de mulher abnegada, solidária, companheira, precursora da dieta radical e da baranguice. Vou explicar meu polêmico ponto de vista, relembrando a letra:
"Você só pensa em luxo e riqueza, tudo que você vê você quer.
Ai, meu Deus, que saudades da Amélia (1ª observação: deve estar morta já, foi-se),
Aquilo (não aquela, virou coisa, utensílio) sim é que era mulher!
De dia passava fome ao meu lado ( porque de noite ela passava fome sozinho, ele ia jantar fora!)
E achava bonito não ter o que comer ( claro, assim emagrecia!).
E quando me via contrariado ( louco pra pular fora), dizia "Meu filho, (aí acabou o encanto), o que se há de fazer?
Amélia não tinha a menor vaidade ( não se arrumava; não se maquiava; não fazia escova, progressiva ou regressiva; não se depilava; enfim, era um dragão!), Amélia é que era mulher de verdade".

Mulher de verdade. Simples ou depressiva? Com espírito de pobreza ou preguiçosa pra se cuidar?
Não comia, morreu cedo, deixando o viúvo procurando alguma mulher que fosse de mentira.
Era a própria mãe para o marido; por isso ele saía de noite e a deixava em casa. Deve ter ficado tuberculosa de tanta compreensão.
Sua sucessora, que pensava em luxo e riqueza, fez o indolente trabalhar e ganhar dinheiro, para aproveitar com ela, e não "apesar" dela.
Bom, deixando a brincadeira de lado (parte brincadeira, parte análise séria), penso que devemos ser companheiras, amáveis, solícitas, sem perder o lado sedutor, alegre, bem-humorado, não importa quantos filhos, anos de casados, montante da conta no banco, decepções mútuas - são inevitáveis, e podem ser muito bem aproveitadas - dividimos, ou somamos, melhor dizendo. Mas, colegas, vamos deixar a Amélia só na música, porque não dá mais não. É preciso autoestima e cuidado pessoal, sem pensar só em "luxo e riqueza".
Por Maria Teresa Serman

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Minha filha vai pra Orlando

Quando os filhos crescem, surgem às oportunidades de intercâmbio e, num passe de mágica, lá estão indo passar uns meses fora do país e longe das nossas asas.
Nesse momento começam as preocupações de verdade, porque, até então, se cuidamos bem da educação dos filhos, não temos muito com que nos preocupar.

Longe de nós, pais e principalmente mães, os filhos terão que crescer a todo custo e se firmar nas responsabilidades assumidas.

Minha sétima filha vai, agora em janeiro, para Orlando, trabalhar e estuda por seis meses. Ficará num alojamento da faculdade e terá que cozinhar, lavar e passar suas roupas. Terá horário para acordar, sem usar o "despertador mamãe" para chamá-la.

Tudo será novidade, e nós mães, achamos sempre que ainda não estão prontas para tal passo, o que deveria ser natural para uma mãe como eu, que se casou com dezenove anos e teve seu primeiro filho com vinte. Mas, não é simples. Agora imagino qual deve ter sido a preocupação da minha mãe na época em que casei. Eu também, como a minha filha, era despreocupada, alegre e meio estabanada, levava tudo na brincadeira. Mas, assim que casei, fui morar longe da família e precisei assumir responsabilidades de dona de casa, de esposa e administradora do lar, e no ano seguinte, um filho também já era de responsabilidade minha.

Demorei tanto escrevendo este texto que ela já foi para Orlando! E está achando tudo maravilhoso, e telefonando de lá, com um chip mágico que comprou num plano maravilhoso, pré-pago, que diz poder telefonar ilimitado para fixo no Brasil. A mãe aqui só acredita quando vier a primeira conta. Mas, ela já está ligando a todo momento, pra contar seus avanços e suas compras incrivelmente baratas. Confesso que o medo tenta se apossar de mim, mas rezo e peço a Deus e a seu anjo da guarda que a ajudem nas dificuldades e a mantenham longe de problemas maiores.

Esse é o segundo parto que fazemos na vida, quando os filhos saem de baixo de nossas asas e seguem seus caminhos longe de nós. É a lei natural da vida e precisamos estar prontos para esse momento. Diferente do primeiro parto, agora é sem dor física, mas dói no coração, é a demonstração da nossa impotência diante da vida e da perda de nosso comando parcial para uma total liberação.

Resta-nos a certeza de que Deus converterá todos os nossos erros de educação e formação dos filhos no que Ele achar que é melhor para este que parte na sua nova jornada. E assim nosso coração volta a se alegrar pela antecipação das chuvas de bênçãos que será derramada nesse pássaro que sai de seu ninho.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

EmContando – 19 - Vitória-régia


Um programa que não pode faltar em nossas férias é  a visita a algum museu. Gostamos de museus. Neste ano fomos ao Museu de Astronomia, em São Cristóvão e ao Museu do Índio, em Botafogo. O Museu do Índio é nosso velho conhecido, uma vez que moramos bem perto dele. Meus filhos e netos brincaram lá muitas vezes.

 O Museu tem um bonito jardim, uma boa biblioteca, um  rico  acervo, salas interativas, uma lojinha com objetos de artesanato e uma interessante programação cultural durante o ano letivo.
 Eu, pessoalmente, gostava mais do Museu quando era mais simples, mais rústico. Havia três diferentes  tipos de ocas no jardim, construídas por índios e   o cheirinho da palha e da poeira no chão davam ao lugar um ar de “verdade”.  Eu conseguia fechar os olhos e me ver numa taba com bebês índios nos bercinhos  presos nas vigas da grande oca. Nos tachos no chão, eu via a mandioca moída ...  . Hoje a tecnologia tomou conta do museu. Está muito bom, mas perdeu seu ar de “verdade”.Que pena!

O Museu de Astronomia foi uma descoberta. É muito fácil chegar lá. Fica no alto de uma ladeira bem em frente à Feira de São Cristóvão.  Também fica no centro de um jardim que eles chamam de Campus.  É ali que estão os grandes telescópios e o segundo  maior meteorito que já caiu no Brasil. Vale a pena conferir.

O prédio do museu deve datar do início do século passado. É imponente com suas largas escadarias e grossas paredes de pedra. Dentro dele,   estão um sem número de interessantes instrumentos que já serviram para    vasculhar o universo.

 Não falta ,também, uma interessante sala interativa para  a garotada experimentar o que aprende nos livros sobre astros, estrelas, estações do ano, climas, dias e noites ... E, surpreendentemente, está tudo muito bem conservado, bem cuidado. Reparei até nas delicadas cortinas nas janelas e  no cheirinho limpo e lustrado dos móveis que guardam os preciosos instrumentos. A entrada é gratuita.
Para acompanhar   nosso assunto de hoje, trago  uma das mais bonitas lendas da Amazônia. Talvez a mais bela de todas.

A lenda da Vitória-régia
Regozijava em festas a aldeia dos maués. Ao som de torés, maracás e outros instrumentos musicais, os guerreiros dançavam ao centro da taba iluminada de archotes, que queimavam as mais perfumadas rezinas.
Mulheres serviam as bebidas caxiri, cauim e carne moqueada.
A razão de tanta alegria era  a celebração de uma caçada feliz.
O cacique Canuqué reuniu tribos vizinhas e amigas para festejarem o acontecimento.
No meio de tanto divertimento, apenas a bela Nacaíra, filha do cacique, se sentia triste e solitária. Sempre fora disputada pelos mais formosos e destemidos guerreiros, mas a nenhum deles dava o menor olhar ou gesto de esperança. Seu coração puro não pertencia a homens que penduravam no pescoço dentes de inimigos mortos em batalhas, numa atitude  de bravura e heroísmo.

 Quando pequenina, Nacaíra gostava de ouvir as histórias  de Janá, velha feiticeira, que conhecia os poderes misteriosos das plantas, a origem dos rios, a das serras, e sabia os  nomes de muitas estrelas do céu. Contara-lhe uma vez Janá que a Lua era um guerreiro branco, belo e poderoso. Nas noites de luar descia à Terra para se casar com uma jovem; depois a levava para o céu, transformando-a em brilhante estrela.

Nacaíra ouvia em silêncio,  olhinhos presos no espaço infinito.
“ Como seria bom viver lá no alto, transformada em estrelinha e olhar a terra pequenina e distante ...
As palavras da velha Janá ficaram na mente de Nacaíra, que, mesmo depois de jovem e dotada de surpreendente beleza, jamais se interessou pelos moços da aldeia ou de outras  tribos.

Nas noites de luar, saía pelas matas fitando o céu, braços erguidos como a querer alcançar o guerreiro bem-amado. Naquela noite de festas, ela deixou as danças e cantos, as  custosas bebidas e cheirosos assados e pôs-se a caminhar pela floresta.

No meio do céu a Lua brilhava tranquila. Tudo era sossego. Apenas o vento, que  brincava nas árvores, trazia o  rumor distante das danças e cantos da taba. Lá longe, no azul sem-fim, as estrelas eram como tochinhas brilhando serenas. Nacaíra encaminhou-se para a lagoa. Viu refletida nas águas a imagem querida da Lua. Boiava de mansinho como se dela se aproximasse sempre mais. Pensando no jovem branco que , por certo, vinha buscá-la, Nacaíra correu ao seu encontro, atirando-se nas águas profundas.

Ninguém mais viu a jovem a bela princesa  dos maués. Mas o luar, única testemunha daquela cena, se condoeu da infeliz indiazinha; em vez de transformá-la em estrela do céu, transformou-a em Estrela das Águas.

No dia seguinte, quando os maués andaram em busca de Nacaíra, encontraram no lago uma flor de radiante beleza, de um suave tom rosa pálido e de perfume delicado, semelhante ao do fruto maduro. Era a Vitória-Régia, que  desde então passou a enfeitar a  superfície dos grandes lagos e rios.
E contam que, nas noites de luar, ela abre de mansinho as suas pétalas acetinadas para receber a luz e carícias da Lua. ( Em Diversões Escolares Ano II – número 13 Setembro de 1961 Ed. Abril)
  Por Agnes G. Milley