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quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Vendedor de Sonhos e o Massacre ao Papa

O VENDEDOR DE SONHOS E O MASSACRE AO PAPA
Paulo Oriente Franciulli

Semanas atrás, enquanto esperava uma pessoa que está por cima de coisas triviais como a pontualidade, reparei que não trouxera nada para ler. Antes de desesperar-me, olhei ao redor. Havia poucas opções: uma revista sobre moda, um guia turístico da Grécia e o livro “O vendedor de sonhos”, do Augusto Cury.

Peguei este último e li até o fim (a pessoa esperada chegou alguns minutos depois). Confesso que, num primeiro momento, não tive o impacto semelhante ao causado pela leitura de obras como Ilíada, Crime e Castigo, Till we have faces ou a Trilogia da Fronteira do McCarthy. Também foi lamentável a minha fraqueza de interromper a leitura algumas vezes para namorar o guia da Grécia. Porém, o fato é que a curiosa figura criada por Augusto Cury voltou-me à cabeça hoje, precisamente no momento em que decidi não ler mais nada sobre a questão da pedofilia na Igreja Católica. A insistência com que o tema tem sido tratado e a natureza de ataque furioso organizado contra o Papa levaram-me à beira da exaustão.

Reparem bem: eu disse ler, não escrever. Então, prossigo.

Eis a cena do livro que surgiu na minha mente: lá pelas tantas, o Vendedor de Sonhos foi convidado a uma homenagem prestada pelos “poderosos do sistema”, que na verdade estavam insatisfeitos com a sua pregação e queriam destruí-lo. Ele resistiu, prevendo o que iria ocorrer. Mas foi conduzido quase à força pelos seus ingênuos seguidores a um estádio lotado, e assistiu à exibição de cenas da sua vida. Por sinal, cenas nada meritórias, já que ele aparecia num hospício, expondo toda a sua insanidade, berrando e babando, os olhos injetados de loucura (assumo estas últimas descrições; acho que não estão no livro). Os organizadores-detratores ficaram felicíssimos. Os assistentes, perplexos (a popularidade do Vendedor era muito alta). O atacado, sereno e silencioso.

Depois de muito pedir, conseguiram que ele falasse algo. E ele falou. Disse que tudo aquilo era verdade; explicou o seu sentimento de culpa pela morte da família; expôs o desejo de reparar; pediu perdão a Deus e ao mundo. E foi embora. O efeito, como tudo no livro, foi manejado pelo autor em favor do seu heroi, que saiu engrandecido do cenário da sua própria destruição social. Algo como um condenado à forca ser coroado rei no próprio patíbulo.

Pois bem, a vida do lado de fora dos livros de autoajuda não é assim. O estádio da difamação e da calúnia dura meses e meses. As cenas degradantes são exibidas à saciedade, de todos os ângulos possíveis. A massa grita enfurecida. Não adianta pedir perdão. É inútil tomar medidas corretivas. Qualquer tentativa de defesa é distorcida e voltada contra o alvo da ira predatória, em forma de novas agressões.

Aí entra o Papa. Penso que a analogia e a conclusão estão claras, e limito-me a acrescentar que o Papa, para uma parcela considerável dos habitantes do planeta, não é um Vendedor de Sonhos, mas o Vice-Cristo na terra. Merece respeito. Ademais, não é um homem qualquer. Raras inteligências como a sua ilustraram-nos de São Tomás de Aquino para cá. A sua carta aos católicos da Irlanda é um monumento de humanidade e misericórdia. Requer, ao menos, silêncio.

Dá para imaginar o Vendedor de Sonhos sendo apedrejado depois do seu mea culpa no estádio? Não. E se fosse o Papa? Sem dúvida que sim. Por quê? Ora, a única opção que pode ser livremente agredida hoje é a de ser católico praticante. As baleias e os tigres são mais protegidos. Como na Roma Imperial.

Acabou. Não leio nem escrevo mais nada sobre o assunto.

7 comentários:

Stella Halley disse...

Sua intenção de não ler mais nada sobre o assunto é bem interessante, já que um dos alimentadores dessa fogueira deve ser o propósito de vender notícia.

Mas Deus cuida de Sua Igreja. Contrariando os intelectuais e a mídia, enviou-nos o Cardeal Ratzinger, antipatizado por sua posição de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Um sacerdote-professor e músico, forte na fé, natural na humildade e na misericórdia. Cada dia gosto mais de Bento XVI.

Selma Frederick disse...

Gostei muito do texto, rezo muito pelo Papa, pois nestes dias ele deve estar muito junto da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo

Paula Gomes disse...

Rezo muito pelo Papa, deve estar sofrendo.

Muito bom o texto, vou difundir.

Liana Clara disse...

É muito importante, neste momento, falarmos ou lermos coisas que aumentem o nosso apoio ao Papa e a igreja.

Em toda família existe sempre uma ovelha negra, e nem por isso o pai é o maior responsável. Visto que, mesmo dando toda educação, o filho tem a liberdade de, ao crescer, fazer o que bem entender de sua vida.

Assim também é na igreja. Os sacerdotes são bem formados, o Papa dá todo o apoio, mas chega o momento em que cada um vai fazer de acordo com a sua vontade.

É triste sim, mas com certeza todos estes acontecimentos servirão para termos no futuro sacredotes mais firmes na sua fé e verdadeiros santos.

Carmem Dias disse...

Diga ao Sr Paulo Oriente, autor do texto que ele deve sim escrever muito mais , pois escreve muito bem.
Estou cansada de ler tolices e impropérios sobre este assunto de ataques a igreja e o Papa.

E o Sr Paulo escreveu que lavou a minha alma.

Mariana disse...

Madrinha, esse é um ótimo texto!!! Gostei muito! Realmente, ele escreve muito bem, analogias perfeitas, sucinto, porém profundo. E muito bom para meditarmos...

Maria Teresa Serman disse...

Muito bom, leu a nossa mente e traduziu o que nos vai na alma. A solução é ler, mas enviar comentários, sempre que possível, para demonstrar o apoio que os católicos, em sua imensa maioria, dão ao Papa.

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