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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Providência divina e destino

Por Maria Teresa Serman
Não é que seriados policiais de TV podem ser fonte de sabedoria e ocasião de meditar em alguma coisa mais profunda? Gosto muito de um que sempre finaliza com uma frase de alguém famoso, com certa profundidade. Vejam uma delas, que provocou esta reflexão que escrevo: "Os homens juntam erros de suas vidas e criam um monstro a que chamam destino." John Hobbes

Francamente não acredito em destino, mas em uma combinação do cuidado do Pai para com seus filhos, a que chamamos Providência Divina, com o nosso livre arbítrio. Desse tecido é formada nossa vida, e por meio dela interferimos, direta ou indiretamente, na vida dos que estão próximos e até de desconhecidos afastados, pela internet, por exemplo. O fatalismo do "Tinha que acontecer!", "Estava escrito!", e afins, soa-me como inércia ou tentativa de desculpar exatamente os erros a que o sr.Hobbes se refere.

Por sinal, o "sr.Hobbes", de acordo com minha pesquisa, foi Pearl Mary Teresa Craigie, nascida em 3 de novembro  - coincidência, meu aniversário! de 1867, e falecida em 13 de agosto (não sei se caiu em uma sexta) de 1906, novelista e autora de dramas, que adotou o pseudônimo de John Oliver Hobbes. Converteu-se ao catolicismo em 1892, tendo sido praticante e devota até o fim da vida.

Voltando à sua frase, considero-a muito perspicaz, porque é lamentavelmente comum as pessoas atribuírem ao destino o efeito catastrófico que seus desatinos causam a si mesmos e aos que os amam, e que eles dizem amar. Ou então culpar Deus e pedir-lhe conta de desastres que atitudes mais responsáveis e menos egoístas poderiam ter evitado.

É triste, e muitas vezes trágico, que alguns cegos de alma desprezem e joguem fora a felicidade verdadeira, indo atrás de coisas fugazes e enganadoras. Trocam joias raras que possuem, como dádiva de Deus, por vidros cintilantes, mas de material falso e valor nenhum. Quando descobrem o engano, muitas vezes é tarde demais. Como dizia minha bisavó, muito citada em família nesse aspecto de ditos da sabedoria popular, "Quem bem estiver e mal se achar, do mal que vier não vá reclamar." É bom que meditemos nisso com vagar e atenção.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Atividade dos Negócios de Família de 2012

No último sábado, dia 8 de dezembro, fizemos um gostoso (literalmente, aliás!) encontro para mulheres de todas as idades, em preparação do Natal. Constou de um Showroom da estilista Alessandra Senna, uma deliciosa degustação de pratos para a ceia de Natal, com várias receitas saborosas, e uma pequena palestra para meditarmos sobre importantes aspectos da cena do presépio.


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Tudo aconteceu na residência da  Maria Teresa, com muita alegria e diversão.
Tivemos uma tarde bem agradável e ainda fizemos novas amizades. Vamos repetir outras vezes! E para as que não puderam estar presentes, postaremos o texto da palestra e algumas receitas.Infelizmente não puderam provar no dia, então façam e nos digam o que acharam.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Como conviver com a artrite

As causas da artrite reumatoide são desconhecidas, as pesquisas mais recentes indicam somente que se trata de uma doença inflamatória e autoimune, isso significa que o próprio corpo produz anticorpos que atacam as articulações - sobretudo as menores, como os dedos, punhos e articulações dos pés e dos tornozelos. A reumatologista Lícia Maria Henrique da Mota, coordenadora da Comissão de Artrite Reumatoide, da Sociedade Brasileira de Reumatologia, explica que, se não for adequadamente tratada, a artrite reumatoide destrói as articulações, aumentando a sua dependência para realizar as tarefas diárias. E quando as deformidades progridem, é hora de lançar mão de alguns hábitos e até dispositivos que facilitam a sua vida. Em 30 de outubro, o calendário marca o Dia Nacional de Luta contra as Doenças Reumáticas. Conviver bem com a doença é o primeiro passo vencê-la, informe-se a seguir e junte-se a nós nesse combate!

Substituir maçanetas e torneiras arredondadas
Uma mudança simples que faz toda a diferença. As torneiras e maçanetas em formato de bolinha são muito mais difíceis de serem giradas por quem tem artrite reumatoide. Isso porque esse tipo de dispositivo exige o movimento de prensa da mão, que solicita exatamente as articulações mais prejudicadas. Para abrir maçanetas e torneiras em formato de cabo, basta um empurrão, para baixo ou para cima, bem mais fácil de ser realizado. O reumatologista Fábio Leandro Parmigiani, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, explica que essa alteração faz muita diferença na qualidade de vida dos pacientes, que podem fazer atividades básicas com mais independência.

Usar velcro nas roupas
Vestir-se sozinho parece simples? Pois pode ser um desafio para quem tem artrite reumatoide. Adquirir roupas que tenham velcro no lugar de zíperes, botões e laços - ou até mesmo fazer a mudança com a ajuda de um costureiro - aumenta a independência do paciente com artrite reumatoide, já que exige menos o chamado movimento de pinça dos dedos, de difícil execução nesses casos. O reumatologista Fábio conta qual é a maior vantagem do uso desse aparato: "Ele permite que os pacientes não se sintam limitados para atividades básicas de cuidado pessoal, o que melhora, e muito, a autoestima".

Usar mais os braços
O educador físico Diego Roger, professor da Universidade Gama Filho e mestrando em ciências aplicadas à reumatologia, explica que, na fase de adaptação à doença, é fundamental resguardar articulações comprometidas e tentar utilizar os acessórios (neste caso, o braço) para realizar as atividades diárias. "Contudo, é preciso cuidado para não sobrecarregar as articulações que estão boas, comprometendo-as no longo prazo, ou assumir posturas viciosas, como manter a coluna curvada".

Usar um carrinho

Sabe esses carrinhos usados para fazer compras no supermercado? Eles podem ser ótimos aliados no lar de quem convive com a artrite reumatoide. Fábio Parmigiani explica que o transporte excessivo de peso evita que estes pacientes desencadeiem lesões musculares e agravamento do quadro de dor nas juntas. Por isso, use os carinhos e evite essas agressões.

Forrar utensílios manuais
Facas, garfos e escova de dente não precisam ser um desafio para o portador de artrite reumatoide. Lícia Maria explica que atualmente existem dispositivos que se encaixam a esses, e outros, objetos, garantindo a sua usabilidade por quem tem a doença. "Os adaptadores melhoram muito a capacidade dos pacientes terem uma vida normal, muitas vezes um simples adaptador colocado no cabo de uma faca facilita a utilização do utensílio e evita que o paciente se sinta incapaz de ter uma vida normal", afirma o reumatologista Fábio. Para quem quiser um método diferente de fazer a adaptação, a reumatologista Lícia dá a dica: "Vale colocar aqueles espaguetes usados na piscina em torno do cabo da faca, por exemplo, para isso, basta introduzir o objeto dentro do espaguete e descascá-lo até que ele chegue ao diâmetro ideal para a pegada".

Usar a tecnologia a seu favor
Fábio Parmigiani explica que tudo que ajuda o paciente a proteger a junta inflamada e, desta forma conservar a energia, é uma opção benéfica. Escovas de dente e facas elétricas são algumas das opções que ajudam a evitar a lesão das articulações - aposte nelas.

Evitar as quedas
A reumatologista Lícia Maria explica que o risco de osteoporose é maior nos pacientes com artrite reumatoide. Por isso, além do acompanhamento médico e avaliação da densidade óssea constantes, a especialista recomenda que sejam feitas algumas adaptações na casa desse paciente, a fim de evitar quedas: "Colocar barras no banheiro, preferir sabonetes líquidos (em vez da versão em barra, que pode escorregar e cair no chão) e evitar o uso de tapetes são medidas simples que previnem o problema".

Pedir ajuda quando precisar
Nem todo esse aparato substitui a ajuda - e o carinho - que um amigo, um familiar ou mesmo um cuidador pode te dar. "Todos que convivem com uma pessoa que tem artrite devem se esclarecer sobre as possíveis limitações causadas pela doença e, portanto, melhorar o convívio", afirma o reumatologista Fábio Parmigiani. Sinta-se confortável em solicitar a ajuda de outros sem sentir constrangimento, pois a exigência de ser independente, às vezes, pode ser excessiva e acabar em frustração.
Do site www.msn.minhavida.com.br

sábado, 8 de dezembro de 2012

Caridade e generosidade

"Conta-se da vida de São Martinho que, certa noite, Cristo lhe apareceu em sonhos vestido com a metade da capa de oficial romano que poucas horas antes o Santo tinha dado a um pobre. Martinho olhou atentamente para o Senhor e reconheceu a capa. Ao mesmo tempo, ouviu Jesus dizer aos anjos que o acompanhavam, num tom de voz que nunca esqueceria: “Martinho, que é apenas um catecúmeno, cobriu-me com estas vestes”. Imediatamente o Santo lembrou-se de outras palavras de Jesus: Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes. A visão encheu-o de paz e de alento, e pouco tempo depois administravam-lhe o Batismo.

Não devemos fazer o bem esperando uma recompensa nesta vida. Devemos ser generosos (no apostolado, na esmola, nas obras de misericórdia...), mas sem esperar receber nada por isso. A caridade não busca nada, a caridade não é interesseira. Devemos dar, semear, dar-nos, ainda que não vejamos nem frutos, nem correspondência, nem agradecimento, nem benefício pessoal algum. O Senhor ensina-nos nesta parábola a dar liberalmente, sem calcular retribuição alguma. Um dia recebê-la-emos em abundância.

NÃO SE PERDE NADA do que levamos a cabo em benefício dos outros. Quem dá em abundância dilata e enriquece o seu coração, torna-se jovem e aumenta a capacidade de amar. O egoísmo encolhe a pessoa, limita o seu horizonte pessoal, tornando-o pobre e estreito. Quando não vemos os frutos do nosso sacrifício, nem colhemos dele agradecimento humano algum, basta-nos saber que o objeto da nossa generosidade é o próprio Cristo. Nada se perde. “Não vedes agora – comenta Santo Agostinho – a importância do bem que realizais; o lavrador, ao semear, também não tem diante dos olhos a colheita; mas confia na terra. Por que não confias tu em Deus? Chegará um dia que será o da nossa colheita. Pensa que nos encontramos agora nas fainas de semeadura; mas plantamos para colher mais tarde, conforme diz a Escritura: Vão andando e choram, espalhando as suas sementes; quando voltarem, virão com alegria, trazendo os feixes (Sl 125)”7. A caridade não desanima se não vê resultados imediatos; sabe esperar, é paciente.

A generosidade abre caminho à necessidade vital de dar. O coração que não sabe espalhar o bem entre os que o rodeiam, no ambiente em que vive, inutiliza-se, envelhece e morre. Quando damos, o nosso coração alegra-se e estamos em condições de compreender melhor o Senhor, que deu a sua vida em resgate por todos.

É MUITO o que podemos dar aos outros. Podemos dar-lhes bens materiais – ainda que seja pouco, se dispomos de pouco –, tempo, companhia, cordialidade... Trata-se de pôr ao serviço dos outros os talentos que recebemos do Senhor. “Eis uma tarefa urgente: sacudir a consciência dos que creem e dos que não creem – fazer uma leva de homens de boa vontade –, com o fim de que cooperem e proporcionem os instrumentos materiais necessários para trabalhar com as almas”.

 Extraído de Falar Com Deus, de Francisco Carvajal.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Natal do menino Jesus - em 2012

Todos os anos, por esta época costumamos fazer algumas reflexões sobre o Natal, esta festa tão esperada e programada, de final de ano. E em cada ano, procuramos ver a cena do Natal por um enfoque diferente. É uma cena simples, mas que contém muitos e grandiosos ensinamentos.  Deus nos transmite suas lições e ensinamentos através de sua própria vida. 

É um excelente hábito cristão que haja presépios nas casas, praças e shoppings , e sempre vamos poder tirar novas lições olhando a cena. Uma que podemos tirar é a da humildade divina. Aproveitemos o Natal para trazer a humildade à nossa vida, que é reconhecer nossa verdade, o que valemos diante de Deus e dos outros; um esvaziamento de nós mesmos para deixar que Deus aja em nós, rejeitando as aparências e superficialidades; é a expressão da profundidade do espírito humano.

E isso não significa ser tímido, ou não exercer os próprios direitos, e sim luta e dedicação. Vamos exercitar a humildade em nós através da oração, da prática e aceitando as contrariedades.

Com a oração - demonstramos que precisamos de Deus para tudo: Para resolver um problema econômico, para educar os filhos, para ter sucesso nos estudos ou conseguir um melhor emprego  -   Ele quis ser criança pequena, de colo, necessitando de muitos cuidados, para que não nos sentíssemos diminuídos por estarmos necessitados.

Praticando a humildade - é quando aproveitamos as ocasiões para servir, sem nos preocuparmos excessivamente com nossas coisas pessoais, mas enxergamos as necessidades dos outros. E oferecer a Ele toda a glória. Através dessas pequenas coisas diárias crescemos em humildade. São vários os exercícios de humildade que podemos fazer.

Aceitando as contrariedades - no dia a dia, oferecer ao Senhor, com alegria, as adversidades - sem mau humor ou impaciência.  Aproveitar as pequenas humilhações e injustiças para se parecer cada vez mais com o Menino na pobre manjedoura.

O tempo do Natal é especial - Parece que novos sentimentos ficam mais vivos e o coração mais sensível. E quem está no centro dessa festa? O Salvador ou as compras, comidas, enfeites?

Vamos aproveitar esse tempo para descobrir um aspecto da infância espiritual: sentir- nos pequenos diante da cena do nascimento de Jesus Cristo.  Ser como criança, compreende também a capacidade de corrigir quando se errou.  Isso pode ser uma ajuda boa para não estranharmos ao errar, e não persistir no erro. E ainda para compreender e perdoar os erros dos outros. Pensar que tudo que fizermos, com Deus é melhor. Ele é nosso maior Mestre.

O Natal é época boa para perdoar, esquecer as ofensas.  Boa ocasião para deletar da memória as coisas ruins que nos fizeram.  E nos abandonar nas mãos de Deus.  Vamos parar diante do presépio e, olhar por alguns minutos, e ouvir o quê o Menino que vai nascer, pobre e desprovido do mínimo conforto, -  vai nos dizer. Isso será nosso momento de Paz e de Esperança de que tudo poderemos naquEle que nos conforta. E assim teremos um lindo e santo Natal.

EmContando - 11 ( O Tempo )

Por Agnes G. Milley
Quando  ainda trabalhava em três escolas, e tinha milhares de tarefas a cumprir num  mínimo de tempo, dei-me conta, um dia,   de que estava  ficando  viciada em dizer “Ainda tenho que...” ( fazer isto e mais aquilo ). Repetia essas  angustiantes palavrinhas para mim mesma e também em voz alta até eu mesmo achar que tinha que dar um basta e aprender a lidar melhor com o  tempo.

Agora que o final do ano se aproxima , as tarefas se multiplicam  mais uma vez.   As responsáveis não são apenas as tão  recriminadas compras de Natal. O ano escolar vai terminando e  as crianças precisam de atenção especial durante seu período de provas, os convites para confraternizações   mal cabem na semana, projetos de todos os tipos precisam ser fechados, as férias planejadas... Desejamos ainda escrever cartões de Natal para os que estão mais longe,  telefonar para outros  com quem não falamos há algum tempo, abraçar os que estão mais perto e para   tudo isso parece que as 24 horas do dia  são, de fato, insuficientes.

Gostaríamos de esticar o dia para podermos dar conta de tudo com mais calma, avaliar nosso procedimentos durante o ano e esperar com muita alegria o Santo Dia do Natal.

Por falar em esticar o tempo, vou contar, hoje, uma história popular da Lituânia,  que nada  tem a ver com Festas de Fim de ano, mas talvez possa   diverti-los um pouco, se conseguirem arranjar uns minutinhos para lera  o conto.

O longo dia do conde
Um conde gostava de ir inspecionar o trabalho dos seus empregados nos campos. As pessoas eram esforçadas, trabalhavam desde os primeiros raios do sol até o anoitecer. Mas isto não lhe bastava, queria mais rendimento e assim falou com eles:
“O dia é muito curto, precisamos esticar o dia. Se alguém achar um modo de fazer isto, receberá uma moeda de ouro.”
Um moço muito simpático ofereceu-se para construir uma máquina  capaz de esticar o dia e pegou uma grande roda que montou sobre um eixo ligado a uma manivela. A máquina estava pronta.
“Mas isto é apenas uma grande roda”, disse o conde.
“Prezado senhor, esta máquina deverá ser mantida em movimento durante o dia inteiro, e o senhor terá de fazê-lo para que nós possamos  trabalhar o máximo possível.”
“De acordo” – respondeu o conde e, no dia seguinte, ao raiar do sol, estava lá no campo. Começou a girar a manivela que era dura porque a  roda era grande e pesada. Começou a suar, mas continuava, pensando  no rendimento daquele dia esticado.
“O senhor não pode parar” – disse o moço – “senão o efeito será perdido.”
“De acordo” – disse o conde e continuou girando a manivela, já nem sentindo as mãos.
E de noite as suas costas doíam, os seus braços pareciam moídos, e  o moço veio perguntar-lhe:
“O senhor percebeu como o tempo foi esticado?”
“Pensei que não ia terminar nunca, pareceu-me uma semana” – disse o conde.
“Pena que a roda não estica o dia se for outra pessoa a girar a manivela” – disse o moço – “bem que eu gostaria de ter lhe ajudado.”
“Está bem” – disse o conde. – “Mas então acho melhor que o dia fique no comprimento em que está.
E deu-lhe a moeda de ouro.
( Recontado por Karin E. Stasch em “Um Coração Contente” )

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

SILÊNCIO!

Por Maria Teresa Serman
Conhece-se uma pessoa não somente pelo que fala, mas também pelo que cala. E essa avaliação depende do tipo e frequência do silêncio, porque é quando a voz se interioriza. Há silêncios providenciais, pausas para ordenar as ideias, ou para esfriar os ânimos, evitando brigas desnecessárias ou constrangimento. Este também pode, por outro lado, tornar-se intimidativo, se não há comunicação, se não se consegue estabelecer contato.

Outros silêncios são vitais, como aquele em que nos colocamos para rezar, escutando a voz suave de Deus, que é como a brisa em que o profeta Elias finalmente O descobriu, depois de ter sondado o vento forte em vão. Também é fundamental o calar dos pais, depois que já deram a necessária orientação, deixando os filhos darem seus próprios passos, ainda que errem e sofram. O silenciar quando se percebe que o outro, a esposa ou o marido, está de mau humor ou muito cansado, substituindo-se as palavras por detalhes de carinho  sutil, como uma bebida acompanhada de um petisco.

É inevitável lembrar, infelizmente, do silêncio que humilha, que distancia, que esmaga as pessoas e afasta os membros de uma família. Silêncio preenchido com a novela, com o computador, com o iPod: a não conversa. a indiferença, o desamor. Está cada vez mais insidioso esse inimigo dos relacionamentos afetivos, ao ponto de vermos casais à mesa dos restaurantes, cada um batucando no seu teclado "touch".

Só o ser humano é capaz, dentro da criação, de se comunicar por palavras. Estas nem sempre são a forma ideal de transmitir os sentimentos, mas são essenciais para criar pontes afetivas, alicerçadas por atitudes amorosas e serviços despercebidos. Vamos calar em muitas horas, mas falar o que os outros necessitam ouvir, com carinho, mesmo que se ressintam. É um dever de caridade orientar nas horas certas, sem omissão covarde ou intenção invasiva. Depois pode vir o silêncio do abraço e do aconchego.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sem dinheiro no Natal, e aí?

Esta é a melhor época do ano para todas as famílias cristãs. O espirito natalino é contagiante e os novos meios de comunicação instantâneos nos deixam com uma atitude de expectativa ainda maior para a comemoração magnífica do nascimento do Salvador.

Começa com a profusão de enfeites natalinos em todas as lojas e  shoppings de cada cidade; com a TV repetindo uma série de filmes sobre o Natal,  e milhares de anúncios de presentes e lojas onde comprá- los.Com tudo isso, as crianças também ficam muito animadas, e começam a fazer seus pedidos de presentes. O menino Deus faz aniversário e nós é que somos presenteados.

Conforme os dias vão passando, uma crescente ansiedade também vai tomando conta de nós, pais de família, para os preparativos das festas. Esgotamo-nos nas as idas e vindas das lojas à procura de presentes e de melhores preços . O mês de dezembro é um mês de grandes despesas, matrículas escolares; listas de materiais para o ano seguinte; muitas contas a pagar; caixinhas para lixeiro; porteiro; marcador de luz e de gás; ... e o nosso dinheiro cada vez mais curto.

É difícil resistir às tentações do comércio, com suas propagandas chamativas e hipnotizantes, e evitar o supérfluo , comprando apenas o básico e necessário para uma festa alegre e agradável, porém dentro dos padrões de cada família. É um sofrimento para os pais quando não existem condições de dar aos filhos seus desejos natalinos. Assim sendo, muitos pais terminam por fazer dívidas para não deixarem as crianças sem seus presentes.

O Natal não pode ser toldado por pequenos problemas financeiros; mesmo que falte o dinheiro, não podemos deixar faltar a alegria e a esperança de dias melhores, porque nasce o Salvador para nós.
Vamos comemorar, dentro das nossas possibilidades, ensinando aos filhos que o mais importante é estarmos unidos nessa comemoração magnânima da humanidade. O resto é o resto.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Ano da Fé

Por Maria Teresa Sermam

"Todos experimentamos uma grande alegria com a Carta apostólica Porta Fidei, em que o Papa anunciava o Ano da Fé. Bento XVI não poupou esforços para apresentar os conteúdos fundamentais do Evangelho, com uma linguagem acessível aos homens do século XXI. E nessa linha, por ocasião do quinquagésimo aniversário do início do Concílio Vaticano II, convocou para 11 de outubro de 2011 um Ano da Fé, que terá início no próximo 11 de outubro e se concluirá na Solenidade de Cristo Rei, em 24 de novembro de 2013. O início deste ano coincide com o vigésimo aniversário da Constituição Apostólica Fidei depositum, com a qual o beato João Paulo II ordenou a publicação do Catecismo da Igreja Católica, um texto de extraordinário valor para a formação pessoal e para a catequese que devemos desenvolver incessantemente em todos os ambientes.

 O Ano da fé apresenta-se, portanto, como uma nova chamada a cada um dos filhos da Igreja, para que tomemos consciência viva da fé, esforcemo-nos em conhecê-la melhor e colocá-la fielmente em prática e, ao mesmo tempo, empenhemo-nos em divulgá-la, comunicando o seu conteúdo – com o testemunho do exemplo e da palavra – para as inúmeras pessoas que não conhecem Jesus ou que não O tratam.

O Santo Padre lamenta que um grande número de cristãos – também entre aqueles que se consideram católicos – “sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária."

Essas inspiradas palavras de D. Javier Echevarría sobre a iniciativa do Santo Padre de promulgar um ano especial para que reavivemos nossa fé, alicerçados por uma releitura meditativa e atenta do Catecismo da Igreja Católica, aquele a que fomos apresentados na preparação para a Primeira Comunhão, são o convite carinhoso de um bom pastor ao rebanho de Cristo. Atualizar o nosso conhecimento da doutrina, do depósito da fé que a Igreja nos guardou escrupulosamente ao longo dos séculos, é imprescindível para que possamos nos considerar filhos dela e verdadeiros cristãos.

Será verdadeiro o amor da mãe que desconhece as iniciativas, atitudes e desejos dos filhos? Como amar, sem conhecer? Como descobrir sem procurar na fonte certa? Como seguir, sem o amor embasado na prática de acompanhar o objeto do amor com os olhos, o coração, a mente, a alma? Como se dizer cristão, e até querer sinceramente agir em conformidade com os ensinamentos dEle, se não O buscamos diariamente, em profundidade? A leitura do Novo Testamento - evangelhos, Atos dos Apóstolos, Cartas, Apocalipse - precisa se tornar um hábito, um compromisso de encontro íntimo com a Humanidade Santíssima de Cristo durante sua passagem entre nós. A leitura de um capítulo, ou até menos, se aquele for longo, por dia, tirando um ensinamento, uma imagem de Jesus para lembrarmos e imitarmos, não toma muito tempo e desenha com segurança o nosso caminho neste dia. É uma trilha segura, mais suave e santificadora.

Assim também podemos dedicar quinze minutos de leitura diária ao Catecismo. Vamos lembrar e aprofundar a doutrina, com uma visão atualizada, que a vivência nos permite agora, sem perder a humildade da criança que fomos, quando docilmente aceitávamos a catequese, enxergando os mistérios com pureza de espírito, prontos para fazer o que o Senhor nos ensinava por meio da catequista. Hoje podemos adquirir um conhecimento mais maduro, mas sempre cuidando para manter intacto nosso coração amoroso de criança, que se encantava diante do Menino Jesus, mandava beijos para Nossa Senhora, ajoelhava e fazia o sinal da Cruz  diante do Sacrário. Podemos recomeçar nossa vida de fé agora, já. O céu nos espera e incentiva.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Finalizando bem

Por Maria Teresa Serman

O toque sutil para manter o cabelo obediente é um finalizador adequado. Encontramos de vários tipos e preços, escolha o mais apropriado para suas madeixas e seu bolso.

Anti-frizz: todo mundo conhece (e odeia) esse tal de "frizz". Seja qual for o motivo de ele perturbar nossa vida, há dois métodos para combatê-lo, os creme e os óleos. Se optar pelo primeiro, aplique uma pequena quantidade, para não pesar e grudar, da metade do cabelo até as pontas. Trabalhe com  gotinhas do óleo (a quantidade deve ser sempre pouca, mas depende do estado e comprimento do cabelo) aquecidas, esfregando-as entre as mãos, do mesmo jeito: da metade para baixo, reforçando nas pontas. Não escove depois.

2 - Pó de volume: é denominado nos bastidores do mundo da beleza como "pozinho mágico, pois aumenta o volume na hora. Use pouco, no cabelo seco, depois de separá-lo em mechas grandes, junto à raiz. Espalhe com delicadeza e não penteie, quebra os fios. Se exagerar vai ficar opaco e com aspecto de sujo.

3- Musse modeladora: serve para todo tipo de cabelo, porque seu objetivo está no nome, modelar. Passe uma ou duas bolas pequenas na raiz, com os cabelo úmidos mas não muito, e penteie em direção às pontas. Depois faça o penteado ou escova que quiser.

4- Pomada: atinge vários graus de fixação, com ou sem brilho. É mais indicada para cabelos curtos, e deve ser aquecida nas mãos e aplicada nos fios ainda úmidos. Comece com pouco e use mais se necessário. Para lavar, comece pelo condicionador, pois, por incrível que pareça, assim sai mais rápido.

5- Spray de brilho: o nome também diz tudo. Prefira aqueles à base de queratina, tratam muito bem os cabelos. Usei um ontem e o efeito foi magnífico, acabou o frizz, amaciou e deu um brilho fantástico. Esse é importado e caro, mas há outros mais baratos. Mas não vá pelo preço. Nisso o barato sai caro, como, aliás, na maioria das vezes.

domingo, 2 de dezembro de 2012

O que os adolescentes ouvem em 2012

A geração dos jovens de hoje está vidrada em músicas estrangeiras e vivem  com fones de ouvido e Mp4, Ipods, Iphones, ou Smartphones pendurados em seus ouvidos e mochilas.

Segue uma seleção das músicas que mais ouvem, para que nos atualizemos e para sabermos o que escutam:

Lista de músicas e cantores:

1.    One Direction (1D)- What Makes you beautiful ,Little things e Live while we’re young
2.    Cher Lloyd – Want U back e Superhero
3.    The wanted – Glad you came , Chassing the sun e Lightning
4.    Katy Perry – The one that got away , Wide awake e Waking up in vegas
5.    Carly Rae – Call Me Maybe e Good Time
6.    Lady Gaga – The edge of glory e Poker face
7.    Maroon 5 – Payphone , One more night e Moves like jagger
8.    Adele – Set fire to the rain, Someone like you e Rolling in the deep
9.    Rihanna – We found love e Where have you been
10.    Usher – DJ got us falling in love again e OMG
11.    Justin Bieber – As long as you love me  e Boyfriend
12.    Ke$ha – Tik tok ,Your Love is my drug e Blow
13.    Ne yo  -So sick e Mad
14.    Jessie J – Price Tag e Domino
15.    Nicki Minaj – Super bass e starships
16.    Demi Lovato – Give you heart a break e Fix a heart
17.    Back eyed peas – Don’t lie , I gotta feeling e Where is the love
18.    Fun – We are young e Some nights
19.    Selena Gomez -  Hit the lights e love you like a love song
20.    Akon – Lonely e Right now
21.    Flo Rida – Whistle e Good feeling
22.    Avril Lavingne -  Smile , Wish you were here e My happy ending
23.    Pink – Raise your glass
24.    Taio Cruz – Dynamite , Hangover e Break your heart
25.    Bruno Mars – It will rain , Marry you, talking to the moon e Grenade
26.    David Guetta – Titanium e Memories
27.    Jason Mraz – I’m yours
28.    Shakira – Estoy aqui e Addicted to you
29.    Taylor Swift–You belong with me,We are never ever getting back together e Love story
30.    Cody Simpson – Not just you e All day

sábado, 1 de dezembro de 2012

Alta costura - Coco Chanel

Gabrielle Bonheur Chanel, (1883-1971), mais conhecida como Coco Chanel, foi uma importante estilista francesa e uma das maiores da história da moda. Suas criações influenciaram a moda mundial. É a fundadora da empresa de vestuário Chanel S.A.

"Coco Chanel não estava apenas à frente de seu tempo, ela estava à frente de si mesma. Se olharmos para o trabalho de estilistas contemporâneos, veremos que muitas de suas estratégias ecoam o que Chanel já fez. Há 75 anos ela fez uma mistura do vocabulário de roupas femininas e masculinas."
Gabrielle nasceu numa família pobre. Sua mãe morreu quando ela tinha seis anos. Ela e as irmãs foram educadas num colégio interno, onde aprendeu a costurar. Aos dezoito anos saiu do internato com sua prima e começou a carreira.Com êxito, em 1903, ela trabalhou como costureira em uma loja de enxovais.  Seu apelido deve-se a seu pai, a chamava assim quando pequena.

Envolveu-se com um industrial inglês,  seu grande amor, Athur (Boy) Capel. Capel apresentou-lhe o feérico ambiente da alta sociedade parisiense, e influenciou-a de tal  modo que seu natural talento ampliou-se. Com a ajuda dele, Coco abriu uma pequena chapelaria. A morte súbita de Boy Capel em um acidente de carro inspirou a estilista a inventar o famoso "pretinho básico", que estreou no enterro do amante. A partir daí, Chanel passou a lançar roupas esportivas e a chapelaria ficou para trás. Também ousou cortar o cabelo mais curto, em um corte reto que leva seu nome, o corte e comprimento Chanel.

Nos anos 1920, Chanel já era uma designer influente. Começou a desenhar roupas confortáveis, com tecidos fluidos, peças emprestadas do guarda-roupa masculino e saias mais curtas, em contraste com a silhueta feminina rígida da época.  Lançou o tailleur, um duas peças composto de saia e casaco na altura da cintura, geralmente bicolor.  Também foi a responsável por introduzir calças compridas no vestuário feminino.Em 1922 criou o famoso perfume Chanel n° 5, que alavancou seus negócios e se tornou legendário.

Sua carreira teve um renascimento nos anos 1950. O cárdigã, o vestido preto, as pérolas tornaram-se marca registrada do estilo Chanel. A marca Chanel acabou tornando-se um grande império, que inclui bolsas, sapatos, joias, acessórios, maquiagem, cosméticos e perfumes. No ano de sua morte, aos 87 anos, Coco Chanel ainda trabalhava ativamente, desenhando uma nova coleção.

No início dos anos 20, Chanel conheceu e apaixonou-se por um príncipe russo pobre, Dmitri Pavlovich, que tinha fugido com a sua família da Rússia, então União Soviética. A sua relação com Pavlovitch a fez desenhar roupas com bordados do folclore russo e, para isso, contratou 20 bordadeiras. Neste período, Chanel conheceu muitos artistas importantes, tais como Pablo Picasso, Luchino Visconti e Greta Garbo. Desenhava sua roupas e  vestia as grandes atrizes de Hollywood, e seu estilo ditava moda em todo o mundo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Chanel fechou a casa e envolveu-se romanticamente com um oficial alemão. Reabriu-a em 1954. No final da guerra, os franceses conceituaram este romance mal e deixaram de frequentar a sua casa. Nesta década, Chanel teve portanto dificuldades financeiras. Para manter a casa aberta, Chanel começou a vender suas roupas para o outro lado do Atlântico, passando a residir na Suíça. Devido à morte do ex-presidente norte-americano John Kennedy e à admiração da ex-primeira-dama Jackie Kennedy por Chanel, ela começou a aparecer nas revistas de moda com a criação dos seus tailleurs (casacos, fato e sapatos). Depois voltou a residir na França.

Faleceu no Hôtel Ritz Paris em 1971, onde viveu por anos. O seu funeral foi assistido por centenas de pessoas que levaram as suas roupas em sinal de homenagem.

Texto escrito a partir de citações da Wikipédia e do UOL Educação.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

EmContando – 10

Por Agnes G. Milley
Contos Populares
O conto popular é reflexo da memória e da imaginação dos povos.  São histórias que originalmente foram divulgadas apenas oralmente  e trazidas até nós de geração em geração. Ao longo dos séculos, essas histórias perderam pormenores e ganharam outros. Por isso mesmo encontramos  diversas versões da mesma história. A memória  conserva os traços gerais , mas a imaginação sempre modifica. O mesmo acontece conosco, e diz- se até,  que “quem conta um conto, acrescenta um ponto”. Isto é   verdade!
Os contos populares são velhos e anônimos . Falam de costumes, ideias, mentalidades, decisões e julgamentos de outros tempos .  Os  autores  dessas narrativas são desconhecidos  e nelas,  quase sempre são também omitidos os nomes dos personagens.  Localizações geográficas e datas  nunca  são mencionadas. Além dos fatos, tudo é muito vago, dando  ao  leitor ou ao ouvinte  a chance de voar e com sua própria imaginação encontrar as  descrições que a narrativa não lhe deu.

É interessante observar que apesar das diferenças culturais, povos  que viveram em tempos e lugares muito distantes uns dos outros, contam muitas vezes histórias com elementos quase idênticos. Mas isso é matéria para muita pesquisa!

(Para saber mais, sugiro ler o Prefácio de CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL)  de Luis da Camara Cascudo  -  Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1986 )
Hoje  trago um conto tradicional da Turquia:
A ILHA DESERTA
Há muito tempo, um homem rico, bom e generoso, concedeu a liberdade a seu escravo, entregando-lhe um navio carregado de mercadorias.
“Você está livre”, disse ele, “ e todo o dinheiro que receber da venda desses produtos será seu.”
O escravo agradeceu e partiu. Tinha navegado poucos dias, quando foi surpreendido por uma tempestade, que tragou o navio, as mercadorias e seus homens. Somente ele se salvou e foi levado pelas ondas até a praia de um ilha longínqua. Estava exausto, faminto, com farrapos sobre o corpo, quando viu surgir um cortejo de homens em festa, trazendo uma suntuosa carruagem, vestes reais e que gritava:
“Bem-vindo, bem-vindo!”

O escravo que nem mesmo sabia se estava morto ou vivo, se deixou levar pela multidão. Tratavam-no como rei, tinha palácio, servos e muita comida à sua disposição.

Certo dia, chamou um dos homens que julgava de confiança e perguntou-lhe qual  era a razão de tanta cerimônia, pois sabia ser apenas um escravo, vítima de um naufrágio. O homem respondeu:
“Esta ilha é habitada por espíritos, que muito rezaram e pediram que lhes fosse enviado um filho do homem, para governá-los. Todos os anos lhes chega um, que é transformado em rei, recebendo todas as honras reais. Passado esse ano, ele é despido de suas vestes, colocado num barco e enviado para uma ilha deserta. Lá o ex-rei fica à mercê da sua sorte. Os homens que o antecederam, apenas desfrutaram do poder, esqueceram que um ano passa rápido e por isso se deram muito mal.”

O escravo ouviu com atenção e aconselhou-se com o Espírito da Sabedoria que falou:
“Nu, você chegou até nós, e nu, será enviado à ilha deserta. Agora que é rei tudo pode. Reflita a aja com sabedoria.”

O escravo lamentou o tempo perdido e tratou de trabalhar. Mandou homens até a ilha deserta, para que construíssem casas, arassem a terra, lançassem sementes e habitassem aquela cidade, tornando-a acolhedora para quando ele chegasse.

O ano passou rápido e ele soube ser enérgico e também zeloso quando necessário.
Quando findaram seus meses de reinado, foi despido e colocado no barco com destino à ilha.
Ao chegar, foi recebido com festas pela população, que ele mesmo havia enviado para lá. Foi eleito o seu governante, ali viveu em paz e reinou com muita sabedoria até o fim de seus dias.

Em: Contos e Encantos dos 4 Cantos do Mundo (Seleção e Adaptação de Cléo Busatto. Editora Leitura Ltda.)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Como evitar a recuperação

Por Maria Teresa Serman

Desde bem pequena, ao começar minha vida de estudo, meus pais, ambos professores, insistiam que eu começasse o ano letivo com toda a dedicação possível, garantindo notas altas desde o início. O argumento era de que vamos perdendo fôlego e concentração no fim do período, então o melhor é armazenar pontos e garantir a vitória completa, sem prova final  e muito menos recuperação. Isso não significava, porém, que eu podia tirar notas baixas no fim, era só por prudência, não mediocridade. Assim fiz, sempre entrando de férias antes, enquanto os incautos penavam no calor do verão em sala de aula - que não tinha ar-condicionado, não!

Usei o mesmo método com meus filhos, sempre vigiei bem de perto seu rendimento, para detectar carências, desinteresse ou preguiça. Nenhum ficou em recuperação, mas aconteceram provas finais, é normal. Acredito que cabe aos pais a responsabilidade de garantir que o estudo dos filhos transcorra nas condições propícias ao seu aproveitamento completo, desde o ambiente claro e apropriado; a fixação de horário para o trabalho de casa e outras atividades afins; a frequência dos genitores às reuniões na escola, além de conversas extras que forem necessárias com os professores - pensamos que conhecemos bem os filhos, mas nos enganamos às vezes, e como! -; conhecimento do calendário escolar e de suas eventuais alterações; verificação dos trabalhos feitos, das anotações e livros indicados.

O tempo de estudo diário deve ser equilibrado, não muito longo. E uma boa técnica é mudar as matérias, não ficar só com uma, pois cansa o cérebro, que se renova com a mudança de conteúdo. Um pouco de cafeína em forma de mate ou chá gelados turbinam a memória e o raciocínio, sem exagerar na quantidade. A postura deve ser ereta, em cadeira na altura certa em relação à mesa - nada de estudar enrolado como uma cobra na poltrona, ou deitado na cama - assim como ajudar o estudante a descobrir o melhor modo de gravar a matéria: há os que têm a memória auditiva mais afiada, então leem alto, e os que são mais visuais, preferindo fazer resumos.

A disciplina precisa ser constante, a um tempo firme e carinhosa, contrabalançando a supervisão com elogios e incentivos, nunca oferecendo presentes por passar de ano, ou prometer prêmios por notas altas, o que enfraquece a vontade e o caráter, dando uma ideia errônea do que é a vida e a responsabilidade diante dos deveres. O estudo é uma benção, um direito, uma obrigação, não um favor que os filhos fazem aos pais.

O computador pode ser um grande aliado e uma ameaça real. Olho no tempo que eles passam na frente da tela e, principalmente, no que acessam. Filtros de internet são imprescindíveis. E, apesar de ser uma tarefa obrigatória, é bom ressaltar aspectos lúdicos e prazerosos do estudo, despertando sua atenção para estes, e amenizando possíveis implicâncias com determinadas matérias.

Os pais são os primeiros e principais educadores! Seja qual for sua profissão ou nível de escolaridade, podem, melhor do que ninguém, apoiar e ajudar seus filhos a serem estudantes confiantes e profissionais competentes. E ajudar não significa de jeito nenhum fazer os trabalhos em seu lugar, ou incentivarem qualquer atitude desonesta, como a cola ou outro desvio de comportamento. Olho vivo e coração alerta!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Quando se precisa da ajuda dos sogros

Um ponto muito importante na vida de família é o da colaboração dos nossos pais e sogros para cuidar das crianças enquanto trabalhamos ou estudamos. Quando as crianças ficam sob os cuidados dos avós, por algumas horas do dia, sabemos que aprenderão muito deles, o que pode ser bom ou não.

Quando os avós não querem fazer do modo como queremos para os nossos filhos – vamos ter que conversar - pode ocorrer  que esperneiem, reclamem, tentem burlar as regras impostas, mas acabarão vendo o que é o melhor para o neto. E se de todo não ouvirem e desrespeitarem as regras a solução é arrumar outra pessoa para cuidar das crianças.

Todas estas conversas devem ser feitas com simpatia, calma, delicadeza, caras boas que irão dobrar qualquer um, mas sempre com firmeza. Ter sempre em mente que o objetivo é dar o melhor a sua família recém-constituída, com as metas decididas pelos dois.

Parentes não escolhemos – amigos sim -  por isso é bom escolher bem os amigos e ter um bom círculo de amizades. 

Eu ainda não tenho netos, mas tenho certeza de que no dia em que os tiver, vou ser mais benevolente e paciente com as crianças, do que fui quando mãe. Mas pretendo respeitar as orientações que filhos e genros, noras e filhas derem, pois  a bola da vez neste momento estará com eles.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O matrimônio ( trecho de uma entrevista com S. Josemaría Escrivá)


O matrimônio existe para que aqueles que o contraem se santifiquem nele e se santifiquem através dele; para isso os cônjuges têm uma graça especial, conferida pelo sacramento instituído por Jesus Cristo. Quem é chamado ao estado matrimonial encontra nesse estado - com a graça de Deus - tudo o que necessita para ser santo, para se identificar cada dia mais com Jesus Cristo, e para levar ao Senhor as pessoas com quem convive.

Por isso penso sempre com esperança e com carinho nos lares cristãos, em todas as famílias que brotaram do Sacramento do Matrimônio, que são testemunhos luminosos desse grande mistério divino - sacramentum magnum! (Ef. V,32), sacramento grande - da união e do amor entre Cristo e sua Igreja. Devemos trabalhar para que essas células cristãs da sociedade nasçam e se desenvolvam com ânsia de santidade, com a consciência de que o sacramento inicial - o batismo - confere já a todos os cristãos uma missão divina, que cada um deve cumprir no seu próprio caminho.

Os esposos cristãos devem ter a consciência de que são chamados a santificar-se santificando, de que são chamados a ser apóstolos, e de que seu primeiro apostolado está no lar. Devem compreender a obra sobrenatural que supõe a fundação de uma família, a educação dos filhos, a irradiação cristã na sociedade. Dessa consciência da própria missão dependem, em grande parte, a eficácia e o êxito da sua vida: a sua felicidade.

Mas não esqueçam que o segredo da felicidade conjugal está no cotidiano, não em sonhos. Está em encontrar a alegria escondida de chegarem ao lar; no trato afetuoso com os filhos; no trabalho de todos os dias, em que toda a família colabora; no bom humor perante as dificuldades, que é preciso enfrentar com esportividade. e também no aproveitamento de todos os avanços que nos proporcionam a civilização, para tornar a casa agradável, a vida mais simples, a formação mais eficaz.

Àqueles que foram chamados por Deus para formar um lar, digo constantemente que se amem sempre, que se amem com aquele amor entusiasmado que tinham quando eram noivos. Pobre conceito tem do matrimônio - que é um sacramento, um ideal e uma vocação - quem pensa que a alegria acaba quando começam as penas e os contratempos que a vida sempre traz consigo. Aí é que o amor se torna forte. As enxurradas das mágoas e das contrariedades não são capazes de afogar o verdadeiro amor: une mais o sacrifício generosamente partilhado. Como diz a Escritura, aquae multae - as muitas dificuldades, físicas e morais - non potuerunt extinguere caritatem (Cant.VIII,7) - não poderão apagar o carinho.

Extraído do livro A mulher e a família, de S. Josemaría Escrivá