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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Arrumação para a escola – a saga!

Por Raquel Suppi

Nós temos três filhos, dois príncipes e uma princesinha. Por enquanto, somente os meninos vão à escola. Como estudam no turno da manhã, o nosso dia já começa bem animado e corrido!
Na realidade, os instantes que antecedem a saída para o colégio são marcados por muita preguiça e enrolação, por parte dos pequenos. Não importa o quanto tenham dormido a noite – e nós procuramos ser bastante diligentes com a hora de irem para a cama –, quando chega o momento de se arrumar para a aula, a sonolência impera!

O curioso – e ainda vou descobrir alguma razão cientificamente comprovada para isso – é que, nos finais de semana, férias e feriados, a moleza matinal é reduzida de forma considerável, bem mais do que gostaríamos! Despertam logo cedo, sem ninguém precisar chamar, e ficam ansiosos para a primeira atividade do dia.

Para ser franca, acordar não é a maior dificuldade. Raramente eles dão trabalho para isso. O problema é quando escutam: “É hora de se arrumar para a escola!”. Não sei bem o que acontece quando pronunciamos esta frase, mas por mais que já tenham perdido totalmente o sono, levantar e fazer qualquer movimento parece simplesmente a coisa mais difícil e torturante da face da terra, para eles. E aí começa a luta: contra a preguiça e contra o tempo!

Nesses momentos, dependendo do dia, da pressa, de como foi a noite e do humor (dos pais e dos filhos), meu marido e eu podemos reagir de três maneiras diferentes. A primeira: com paciência e criatividade, tentando convencer os filhos a se levantarem numa boa, através de brincadeirinhas, mesmo sabendo que isso pode levar mais tempo (mas, pelo menos ninguém começa o dia se estressando). A segunda: agimos de forma mais dura e menos tolerante, sabendo que a resposta deles será mais rápida, mas que provavelmente vai ter muita cara feia e talvez algumas brigas, também (e ninguém quer começar o dia assim). A terceira: ficamos no meio termo, com umas gracinhas aqui e umas broncas acolá.

Deu para perceber o nível da animação? Pois é! Fazia tempo que eu vinha pensando em uma maneira de tornar as nossas manhãs mais ágeis e menos corridas. Queria encontrar uma forma de conseguir motivar as crianças a corresponderem e colaborarem mais rapidamente. Então, numa bela tarde, enquanto mexia na agenda do celular, tive um “estalo”! Estava justamente checando os meus compromissos do dia, quando tive a ideia de incluir, no mesmo aplicativo, as atividades das crianças, como forma de alertá-las. Explico melhor.

Fiz uma espécie de passo a passo, desde a hora de acordar até sair de casa, para a escola. Dividi as atividades em 6 etapas, cada uma com aviso sonoro e tendo espaço de 10min entre elas. Tipo, às 6h10min toca para levantar e tomar leite; às 6h20min, para ir ao banheiro, lavar-se e escovar os dentes; às 6h30min, tirar o pijama, vestir o uniforme e se calçar... E assim vai, até arrumar a cama e aguardar a hora de sair.

Na noite daquele dia, antes de dormirem, conversei com eles sobre a programação e o aplicativo, explicando como seria, ao acordarem. Fiz parecer um jogo, e eles encararam exatamente assim, especialmente o primogênito, de 7 anos. Eu sabia que se conseguisse a atenção do mais velho, o do meio, de 4 anos, seguiria os passos do irmão. Não deu outra! A manhã seguinte virou uma disputa animada e saudável contra o “bipes” do celular. Queriam estar sempre adiantados, concluindo uma tarefa e passando para a próxima antes do alarme tocar. Ficaram prontos com antecedência e, o melhor, sem estresse! 

Eu até pensava que essa ideia, simples e acessível, acabaria nos ajudando de alguma forma, mas confesso que não imaginava que seria tanto assim, tampouco que a criançada iria aderir tão fácil e rapidamente. A tal agenda do celular, que já me auxiliava bastante, fez e continua fazendo sucesso com os filhos. E espero que continue bombando por muito tempo. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A responsabilidade que a escola tem - ideologia de gênero

Este filme é um ótimo esclarecimento aos pais, sobre um assunto que afeta de perto as nossas famílias. Foi feito pelo Procurador da República no Brasil, em Brasília - Dr Guilherme Schelb
Vale a pena assistir. Precisamos ter argumentos para atuar junto a escola do nosso filho ou da nossa filha.






Os professores precisam ser responsabilizados pelo que ensinam em sala de aula.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Esta chegando a hora - as aulas já vão começar

Faltando poucos dias para o início das aulas precisamos sair correndo atrás de bons preços para o material escolar dos nossos filhos.

Esta é uma época de muitos gastos: crianças em casa gastam mais com alimentação e passeios, com o verão aumentam as despesas com as contas de luz e água, e, para completar temos as imensas listas de materiais escolares, com livros caríssimos que nos tiram o couro.

Resolvi este ano comprar em livrarias virtuais, livros usados, esperando ardentemente que estejam em bom estado e de edições atualizadas,  assim conseguindo dar uma driblada nos preços dos livros novos.

Um dos sites de venda de usados é a  Estante Virtual, um site que vende livros  de vários lugares do país e entrega em nossas casas, tipo um "sebo" de antigamente, só que on line. O que precisamos fazer é garimpar bem essas livrarias de sebo e conseguir o melhor entre custo e benefício.

Quanto aos cadernos, lápis, canetas, e outras dessas miudezas de escola, sugiro a Kalunga, costuma ter preços bem em conta. Aqui no Rio de Janeiro existe a Casa Cruz, uma grande papelaria que também tem preços que cabem nos nossos bolsos.

Vamos correr, porque o calor é grande, o cansaço aumenta e as obrigações do dia a dia nos deixam mais elétricas e cansando muito mais fácil.O ideal é sair cedo de casa e pegar as lojam ainda abrindo, assim as encontraremos mais vazias e com seus atendentes com mais boa vontade.


sábado, 27 de dezembro de 2014

AS FORMATURAS DOS FILHOS


Quando um filho se forma, seja no antigo C.A., no nono ano, no ensino médio, ou na faculdade, uma fase da vida dele fica para trás, e uma nova fase se inicia, com um gostinho de nostalgia e de dever cumprido, ao menos em parte.

As minhas filhas já passaram por muitas formaturas, e, com a graça de Deus, todas elas foram muito comemoradas e celebradas com muita alegria e com o sentimento de gratidão eterna ao Pai do céu que nos leva no colo quando mais precisamos, quando ficamos noites em claro com elas estudando e conquistando, junto delas, mais uma vitória e um canudo para colocar na estante, e enfeitar a nossa alma com toda felicidade de vê-las completando ciclos, e iniciando novos; mesmo com toda insegurança e com todo receio de não saber se elas irão ou não ter o sucesso esperado, ou se irão se apaixonar pela profissão pretendida ou se decepcionarão com a carreira escolhida, tudo isso, causa nelas, (e em nós também), um medo danado, dá um frio na barriga, e uma só certeza: de que cada passo que nossas filhas derem será guiado por Deus que ouve as nossas orações, como aquele que bate à porta de madrugada e não vai embora enquanto não for atendido.
      
Assim são as preces das mães pelos filhos, incessantes e constantes, para que eles possam seguir em frente, na vida deles, na carreira que escolheram e na família que formarão. Confesso que pensar no futuro me trás aquela dorzinha no coração em saber que a roda da vida e o seu real sentido é que elas se distanciarão pouco a pouco, porque assim nós,  também fizemos com nossos pais; e quanto a isso, não há o que fazer, a não ser continuar como aquele andarilho batendo, e batendo à porta do Senhor para que Ele sempre guie, ampare, fortaleça e segure firme nas mãos delas e, quando precisar, as leve no colo para que elas nunca desanimem e nunca desistam dos seus sonhos, pois quando elas os realizarem, eu também me realizarei plenamente.

Louvado seja Deus pelo dom da vida dos nossos filhos e por todas as conquistas deles e nossas também!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Filho único: como educá-lo? Parte V – a escola

Oi, mães!

No quarto artigo sobre como educar o filho único, conversamos sobre os erros e os acertos na educação. Hoje, falaremos um pouquinho sobre a vida escolar dos nossos pequenos.
Figura 1 - Bernardo aos três anos realizando atividades de pintura em grupo na escola

Vamos falar a verdade: é um sofrimento enorme para nós quando levamos nossos filhos para a escola a primeira vez, não é mesmo? Parece que a gente sofre mais que eles. É verdade que algumas crianças têm mais facilidade para encarar a vida escolar que outras. Algumas choram semanas; outras choram quando os pais aparecem para buscá-las, pois não querem ir embora.

Meu filho fazia parte do grupo dos que davam tchauzinho enquanto eu ficava chorando. Ele nunca estranhou ninguém. Era sempre receptivo, encarava com um sorriso e encantava a todos ao redor. Para ele, a escola era (e ainda é) um parque de diversões.

Ele começou a ir à escola cedo. Um ano e meio, para ser mais precisa. É que eu não pude ficar em casa, pois o orçamento era insuficiente para o sustento. E ele começou a frequentar justamente no ano em que foi o mais tresloucado da minha existência: dava aulas pela manhã, fazia estágio de bolsista à tarde, fazia faculdade à noite e, nas “horas vagas”, fazia o estágio obrigatório de conclusão de curso, cuidava da casa, do filho, do marido, de mim, escrevendo TCC, (Trabalho de Conclusão de Curso), e diagramando um livro de um projeto de pesquisa do qual fazia parte para ter as horas complementares de curso (ufa!). Foi um ano em que eu vi muito pouco meu filho, mas hoje eu colho bons frutos. Naquele ano, quem mais cuidou dele foi o pai, e isso ajudou a estreitar mais os laços entre os dois. Entretanto, eu não me acomodei: assim que essa fase passou, retomei todo o tempo “perdido” em prol dele. Depois que me formei, ele passou a frequentar a escola em meio período. É que, como professora, não leciono em período integral, justamente para ter mais tempo com o meu filho.

Entretanto, por ser filho único, a criança sofre um bocadinho quando começa a ir à escola. É que ela pensa que, ao chegar lá, a atenção será exclusiva, mas não é bem assim... mas logo ela começa a entender que precisa esperar a sua vez; que é importante compartilhar com os amiguinhos; que birras não surtirão efeitos positivos. E meu filho passou por tudo isso. Quantas vezes fui chamada à escola porque ele havia feito alguma birra? Não quis comer tal comida, chutou um amiguinho, gritou com a professora, jogou a cadeira no chão...  
 Figura 2- aos 4 anos, realizou atividades de culinária e levou o suquinho de cenoura que fez para a mamãe aprovar

Eu sempre adotei uma regra e a deixo muito clara na escola: quero que a escola dê continuidade ao que acredito ser melhor ao meu filho. Diante disso, nunca passei a mão nem justifiquei nenhuma atitude do meu filho quando ele esteve errado. Para exemplificar, dia desses eu fui chamada porque ele cortou um chumacinho de cabelos de uma coleguinha de classe. A diretora fê-lo assinar o “livro preto”, mostrando o quão grave foi a conduta. Ao saber do fato, chamei-o e conversei sobre o ato: “é que o cabelo dela estava muito feio, mamãe!” justificou. E então eu expliquei que não devemos fazer esse tipo de coisa, que ele jamais gostaria que alguém lhe fizesse isso e que a sua atitude merecia atenção. No outro dia eu fui à escola e, diante dele, disse à diretora que caso essa atitude se repetisse, era para privá-lo durante a semana da aula que ele mais gostasse. Perguntem-me se ele repetiu o ato?

Como mãe e como professora, digo que a gente tem que seguir juntinho com a escola para que nosso filho entenda que aquela escola é, de algum modo, extensão da nossa casa. Que os valores que ali estão sendo desenvolvidos são os que os pais aprovam e adotam.

Outro detalhe importante é a agenda escolar. Eu confesso que sou um cadinho relapsa com a agenda (desculpa, gente, mas eu também falho.). No começo, eu não era. Mas agora que meu menino me fala tudo, absolutamente tudo o que a professora pediu, o que tem que ser feito, e até as datas;  e também porque nesta escola os recados são pouquíssimos, e sempre que chego para buscá-lo, a professora comenta o que está na agenda, passei a deixá-la um pouco de lado. Quando sento e pego a agenda (geralmente nos finais de semana), vejo lá todos os recados dados pelo meu garoto. Porém, esta atitude me custou tão caro (é que um dia eu levei meu filho para a escola e ele não tinha aula. E estava o recado lá na agenda, e eu não olhei nem meu filho comentou nada. Pensa...) que agora vou me organizar mais e melhor para verificá-la prontamente. Se você também tem este mesmo problema, bora mudarmos juntas.
 Figura 3- Ele também adora pintar e fazer atividades quebra-cuca em casa.

Aprendi em minha profissão um truque valioso: o reforço positivo. Todo dia que eu chego à porta da sala do meu filho, pergunto como ele foi naquele dia. Já tem um tempinho que não ouço reclamações, apenas elogio. Então eu uso esse argumento e digo: “Que bacana, filho! Siga assim!”. Com as tarefas, sempre o elogio quando executa bem feito, e sempre o corrijo, não com a intenção de feri-lo, e sim de auxiliá-lo a melhorar. E ao corrigir, digo: “parabéns! Ficou joia!”. Esses reforços positivos entusiasmam a criança a prosseguir bem. Mas seja sincera no elogio! Eles manjam quando a gente está falando por dizer.

Por fim, lembre-se que a vida escolar do seu filho, seja a escola pública ou privada, é o melhor investimento que você pode dar. Por isso, acompanhe-a de perto!

Beijos, meninas!

Evelyn Mayer  é católica, consagrada à Virgem Maria, casada, mãe, professora de Língua Portuguesa e palestrante de recursos humanos em indústrias.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Educação singular: o que é e quais as vantagens?

Por Luciana Nóbrega*

A educação singular ou “single sex”, como é mais conhecida, consiste em um modelo pedagógico, em que, a partir do ensino fundamental até o ensino médio, meninos e meninas estudam em escolas separadas. A educação singular permite uma real igualdade de oportunidades dos alunos, sem limitar as suas capacidades nem condicionar as opções de futuro para meninos e meninas. Além disso, há uma personalização da educação adaptando-se aos estilos de aprendizagem de meninos e meninas.

A biologia nos mostra que a evolução dos meninos e das meninas, tanto física como psicologicamente é totalmente diferente - ou seja, um menino de 12 anos continua sendo um menino, enquanto uma menina da mesma idade é praticamente uma mulher. A educação diferenciada, nesse sentido, acerta ao se adaptar aos tempos de cada um dos sexos, ao tratar um menino ou uma menina de acordo com suas características, seu processo de aprendizagem, seu processo evolutivo etc.

O mundo tem assistido a um aumento significativo do número de escolas do mesmo sexo. O crescimento ocorre, principalmente, pelos bons resultados escolares obtidos por alunos dessas escolas nos Estados Unidos e na Inglaterra. No Brasil, a volta da educação diferenciada nos ensinos fundamental e médio ainda é pouco conhecida e vista com cautela em muitos setores – apesar de o país já ter 503 instituições, segundo o Ministério da Educação.

Mas, quais as reais vantagens sobre a educação singular?

1-    Igualdade de oportunidade para meninos e meninas: este modelo de organização escolar oferece, para meninas e meninos, as mesmas oportunidades educativas, ou seja, o mesmo currículo, a mesma exigência acadêmica, a mesma qualidade de instalações escolares e um corpo docente qualificado.

2-    Melhora o clima escolar: a educação singular oferece aos alunos um ambiente de aprendizagem livre de pressões sociais, estereótipos e convencionalismos. Assim ambos os sexos podem explorar com mais autoconfiança os seus pontos fortes e relacionar-se com os âmbitos acadêmicos de uma maneira mais desinibida, ou seja, na alfabetização, por exemplo, a parte do cérebro destinada às habilidades linguísticas permite às meninas mais facilidade para ler e escrever nos primeiros anos escolares. Os meninos requerem uma atenção diferenciada, fazendo com que, em uma sala mista, as comparações sejam inevitáveis.

3-    Facilita o sucesso escolar: alguns países como Estados Unidos, Austrália, Grã-Bretanha, Alemanha, Noruega e França introduziram experiências e/ou programas específicos de educação singular como meio para reduzir o fracasso escolar e melhorar os resultados acadêmicos entre os meninos. Os dados publicados pelos organismos internacionais refletem que o componente sexual é determinante nos números do fracasso escolar, cada vez maior entre os rapazes, com especial incidência em países como: Malta (38,9%), Espanha (31%), Portugal (28,2%), Islândia (22,2%) e Itália (21%).

A educação singular, ao respeitar os ritmos de maturação e os estilos de aprendizagem de meninos e meninas, consegue bons resultados acadêmicos, contribuindo para a redução do fracasso escolar.

4-    Para a excelência acadêmica: a educação singular não só pode ajudar a reduzir o fracasso escolar como também melhorar o rendimento dos alunos. Os bons resultados acadêmicos são um dos motivos pelos quais as famílias escolhem a educação singular.

5-    Amplia as opções profissionais: a educação singular revela-se efetiva para a liberdade pessoal na assunção de papéis considerados próprios do outro sexo, minimiza os estereótipos e abre a porta à escolha de matérias consideradas tradicionalmente de “meninas” ou de meninos”, com menos pressões sociais.

Algumas pessoas podem questionar se essa separação não dificultaria a convivência com o outro sexo; a resposta é não, pois a escola representa, em geral, apenas 25% da vida social de um estudante. Se uma criança ou adolescente pertence a uma família saudável, ele não deixa de frequentar outros ambientes – esportivos, sociais etc., nos quais acaba tendo contato com o outro sexo.

Luciana Nóbrega,* católica, bióloga, atua como coordenadora de estudos, casada com o Emerson e mãe da Catarina. Adora cozinhar, viajar e passear com a família.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O vilão do mês: material escolar

No início do ano as famílias sofrem um grande ataque com a compra do material escolar das crianças.
É de se esperar que os livros do segundo grau sejam mais caros, mas o que acontece atualmente são livros do ensino fundamental 1 muito mais caros. Talvez por conta das inúmeras ilustrações, mas nem tanto pelo conteúdo escrito.

Com 1 filho no fundamental 1 podemos gastar só em livros em torno de R$800,00 , isso contando que já se tenha em casa um ou outro aproveitável de outro filho. E o pior disso tudo é quando o colégio tenta exigir cadernos de um determinado tipo, materiais como folhas A4 para a copiadora do colégio, copos descartáveis e uma série de outros detalhes para aulas de artes. E os famosos blocos com o logotipo do colégio? Estes e outros materiais marcados com o logo, só são comprados em lugares determinados pela escola.

Sentimos uma facada no bolso quando somos obrigados a comprar outra gramática porque a professora deste ano exige que seja a X e não a Y, quando quer o dicionário Y e não X que já temos em casa. E por aí vão às exigências das escolas particulares, transformando o ensino numa tarefa quase impossível de se levar adiante. E colocando os pais numa corda bamba e sem saída.

Nós brasileiros ainda somos um povo em desenvolvimento, que não deveria dar-se ao luxo de tantas coisas jogadas fora. O desperdício com o material escolar é imenso e os editores são os que mais lucram com tudo isso.

E para completar ainda temos os livros “consumíveis”, para a criança escrever nele e depois ir para o lixo!  Eu poderia fazer uma lista de coisas completamente dispensáveis que os colégios exigem. Eu pergunto qual é a necessidade de encapar um caderno ou livro de capa dura e descartável? E por aí seguem as minhas indagações.

Vamos nos impor ao consumismo desbragado e lutar por nossos direitos, já que cumprimos com nossos deveres. Podemos comprar o material em atacado, que sai bem mais em conta, como cadernos, canetas, apontadores, lápis, etiquetas, etc. E enfrentar o colégio para que aceitem sem a imposição de marcas. O bolso agradece e a economia dará para a merenda que se leva de casa por um bom período.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Educação Libertadora X Crise dos limites

Durante muito tempo a família e a sociedade, de modo geral, mantinham uma educação autoritária, hoje podemos verificar o oposto uma educação libertadora, onde regras e limites não são colocados.

A verdadeira liberdade é uma conquista interior, é saber escolher, é ter um critério, uma busca penosa através do amadurecimento.

O ser humano em desenvolvimento é indeterminado e imaturo, com raízes de vícios e virtudes, que a educação ou o processo de amadurecimento, bem conduzido, pode impedir que se tornem vícios reais. Por ser imatura, a criança, precisa do apoio do mais velho, alguém que fale com autoridade, ajudando-a a decidir, encontrando a segurança. Assim, a família e escola prestam uma ajuda na formação desse ser para que possa atingir a sua própria autonomia.

A educação moral acaba falhando justamente porque as virtudes como sentimentos de honra e dignidade, andam esquecidas. No mundo capitalista se valoriza a superação do outro e não a superação de si ou a sua excelência estimula-se o egoísmo e não a generosidade.

Um exemplo do que se diz acima é sobre o famoso lema: ”levar vantagem em tudo” como ferir a ética, furar fila, ultrapassar pela  direita no trânsito, sonegar  um pouco aqui, cometer  umas mentiras, receber  um mensalão ....

Como Kant e Piaget, o objetivo máximo da educação é o aperfeiçoamento da humanidade.  O nascimento de obrigatoriedade e respeito nasce de uma relação assimétrica na qual alguém exerce a função de autoridade. Os pais e professores é que colocam valores e limites à ação de seus filhos ou alunos.

Os limites devem ser colocados para manter um bom relacionamento com a família, a escola ou um determinado lugar, mas devem ser flexíveis e que possam ser cumpridos, pois regras excessivas e difíceis de serem  vividas aumentam as chances de se burlar .

Tanto a escola como a família deve se questionar sobre que tipo de educação deseja propor, que ser humano se quer formar  e qual a sociedade   que deseja para o futuro .

Podemos verificar que em alguns casos deseja-se uma felicidade baseada num jogo de compensações, depositando na criança ou adolescente uma realização pessoal , quando na verdade eles desejam apenas serem acompanhados de forma positiva nas suas atividades, receberem afeto, partilharem suas dificuldades e alegrias, podendo contar com a orientação de alguém mais velho e experiente.

Escola e família precisam caminhar juntas, com os pés no chão percebendo que somos responsáveis pela organização das nossas formas de viver, de se relacionar, pelas escolhas que fazemos e por nossas decisões.  Por isso, torna-se necessário um plano de ação educativa pessoal e uma ação transformadora em nossos ambientes sociais, profissionais e familiares.  O desafio é criar um humanismo novo para este século.

Nossas crianças e adolescentes necessitam de uma educação comprometida, vivencial, aberta ao mistério, sem disfarces diante daquilo que, de maneira mais generalizada, nossa sociedade oferece. Formando pessoas autônomas, que saibam quem são e em que sentido orientar a sua existência. Esse tipo de educação exige da família e da escola um compromisso com valores humanos e sociais.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A coordenação nos chama...

Desde que entrou para a escola era sempre a mesma situação, só mudavam os professores, ano após ano. Havia a convocação para uma conversa em particular, entre os pais, a coordenação e o professor de uma determinada matéria.

Começavam com os elogios, talvez para desarmar-nos, talvez porque  vissem características boas no menino, que valessem a pena fazer algo para melhora-lo. Diziam: “Ele é muito alegre, simpático, educado, mas...” e aí vinha um desfiar de rosário de erros cometidos em sala de aula.  “Só olha para a janela”, ou ”vive olhando os macaquinhos pulando nas árvores”,  ou “passa a aula enrolando o rolo de durex para seu lápis”, sempre coisas do gênero. Até que a conversa chegava nas notas baixas, consequência deste procedimento . Argumentávamos, ambas as partes, buscando formas de atuar com o menino de maneira a melhorá-lo.

Ao chegar em casa o arrocho era maior: Castigos, sem ver televisão por um tempo, sem usar  games, sem isto, sem aquilo. Professor particular, quando a matéria não estava a nosso alcance, ou o pai fazia carga horária dobrada e passava horas, a noite, estudando com ele, sem contar que a mão batia várias vezes com força sobre a mesa de estudo, quando o moleque desviava a atenção.

Chegava o boletim e para nosso alívio passava de ano mais uma vez.

Fomos assim levando com este filho até o último ano do segundo grau, do ensino médio. E tal não foi a nossa surpresa, quando este menino tão desatento passa no vestibular para as quatro universidades públicas que prestara concurso. E em uma delas tirando a nota máxima em matemática. Sensacional! A luta não foi em vão, e ele conseguiu se superar e vencer mais uma etapa da vida.

Agora seguiria seu caminho sem a nossa ajuda, com sua própria vontade, estava fazendo a faculdade que escolhera, Informática.

Hoje, este filho está formado, casado e é o braço direito do pai na empresa que gerencia. É admirado e respeitado na família, e nunca perdeu seu jeito alegre, seu bom humor e esta característica são uma das coisas mais importantes para seu sucesso profissional. Aqueles coordenadores tiveram olhos de artista para verem além das aparências do menino levado, e investir tempo nele.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Cortesia na escola, emprego e comércio

Nesses ambientes, precisamos ter muito cuidado com a cortesia. Ela  já deve ser ensinada, treinada e praticada em casa, para que se torne  mais fácil praticá-la exteriormente.

1 - Ao entrar e sair de uma aula, do trabalho, ou de qualquer ambiente social, cumprimentar quem está presente. Isso serve para todos os níveis, desde a gentil moça que serve café até o chefão máximo. Todos rendem mais quando são tratados como pessoas importantes, e são realmente.

2 - Atenção às aulas:– demonstrar interesse, e só fazer perguntas condizentes ao assunto que está sendo esplainado. Apresentar bem os trabalhos escolares; para no futuro, no trabalho, não sofrer a vergonha de ouvir do chefe sobre o estado do nosso trabalho, a higiene e a apresentação.

3 - Ensinar a não riscar paredes, carteiras, tudo que for de uso público.
Tratar bem os colegas, como gostamos de ser tratados. E respeitar o professor, ele não é seu coleguinha, nem seu pai. Não se deve descarregar nele frustrações domésticas.

4 - Cuidar do silêncio, tanto na aula como no trabalho. Manter o bom trato, evitar piadas de mau gosto. Lembrar que uma piada deve agradar a quem faz e a quem ouve.

5 - Importar-se com a pontualidade, com a coerência de atitudes e opiniões, com a temperança no trato geral. Quem trabalha no comércio, precisa saber lidar com o público, ser solícito, sem ser chato; oferecer ajuda; mostrar caras simpáticas, sorridentes; ter paciência, principalmente se o cliente experimentar muitas peças e não levar nada.

6 - O cliente também deve obedecer às regras de cortesia: não ser grosseiro com o vendedor, não ficar horas numa loja, fazendo o outro perder tempo, se não vamos comprar nada. Agradecer e também  ter caras alegres.

Essas atitudes vão educando os nossos filhos, e é um treinamento para o futuro de cada um. Conseguir se dominar para não se deixar levar pela irritabilidade vai nos preparar para evitarmos a cometer vários atos descorteses.

Vamos ser naturais, sem grandes afetações, para não irmos de um extremo ao outro: Nem parecer hipócritas e bajuladores, nem sermos grosseiros e desagradáveis, deixando-nos levar pelo sentimento do momento.

Melhorar no trato, na simpatia e nos bons modos tornarão nossos filhos pessoas mais sensíveis em relação aos outros, percebendo, suas necessidades.

domingo, 3 de março de 2013

A Educação Infantil e os pais

O que verificar em relação à educação de sua criança, se ela frequenta uma creche ou pré-escola.

1. Aspectos que os familiares podem verificar diretamente na creche ou na pré-escola:
•    A instituição tem autorização de funcionamento expedida pela Secretaria Municipal de Educação?
•    O alvará sanitário está afixado em lugar visível?
•    A instituição tem proposta pedagógica em forma de documento?
•    Reuniões e entrevistas com familiares são realizadas em horários adequados à participação das famílias?
•    Há reuniões com familiares pelo menos três vezes por ano?
•    Os familiares recebem relatórios sobre as vivências, produções e aprendizagens pelo menos duas vezes ao ano?
•    A instituição permite a entrada dos familiares em qualquer horário?
•    Existe local adequado para receber os pais ou familiares? E para aleitamento materno?
•    As professoras têm, no mínimo, a formação em nível médio, Magistério?
•    Há no mínimo uma professora para cada agrupamento de:
•    6 a 8 crianças de 0 a 2 anos?
•    15 crianças de 3 anos?
•    20 crianças de 4 até 6 anos?
•    As salas de atividades e demais ambientes internos e externos são agradáveis, limpos, ventilados e tranquilos, com acústica que permite uma boa comunicação?
•    O lixo é retirado diariamente dos ambientes internos e externos?
•    A instituição protege todos os pontos potencialmente perigosos do prédio para garantir a circulação segura das crianças e evitar acidentes?
•    A instituição tem procedimentos preestabelecidos que devem ser tomados em caso de acidentes?

2. O que os familiares podem verificar com a criança sobre o atendimento na educação infantil:
•    Pergunte qual é o nome das professoras e de outros funcionários.
•    Pergunte o nome dos amiguinhos mais próximos.
•    Pergunte à criança o que ela mais gostou de fazer naquele dia.
•    Incentive à criança a contar e a narrar situações vividas na instituição:
•    que músicas cantou ou ouviu;
•    quais brincadeiras aconteceram;
•    que pinturas, desenhos, esculturas ela fez;
•    qual livro a professora leu;
•    que história a professora contou;
•    o que ela está aprendendo, entre outras.

3. O que os familiares podem observar diretamente na criança sobre o atendimento na educação infantil:
•    Observe o comportamento da criança quando ela chega na instituição (alegria, timidez ou choro).
•    Observe diária e atentamente enquanto estiver conversando com a criança, seu olhar, seus gestos, sua fala suas reações podem ajudar a avaliar o estado físico e emocional.
•    Observe as reações da criança ao ver seus colegas, isso pode demonstrar como está a relação com a turma.
•    Observe as produções e o material que ela traz da instituição.
                                       Adaptado do site do MEC.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Como evitar a recuperação

Por Maria Teresa Serman

Desde bem pequena, ao começar minha vida de estudo, meus pais, ambos professores, insistiam que eu começasse o ano letivo com toda a dedicação possível, garantindo notas altas desde o início. O argumento era de que vamos perdendo fôlego e concentração no fim do período, então o melhor é armazenar pontos e garantir a vitória completa, sem prova final  e muito menos recuperação. Isso não significava, porém, que eu podia tirar notas baixas no fim, era só por prudência, não mediocridade. Assim fiz, sempre entrando de férias antes, enquanto os incautos penavam no calor do verão em sala de aula - que não tinha ar-condicionado, não!

Usei o mesmo método com meus filhos, sempre vigiei bem de perto seu rendimento, para detectar carências, desinteresse ou preguiça. Nenhum ficou em recuperação, mas aconteceram provas finais, é normal. Acredito que cabe aos pais a responsabilidade de garantir que o estudo dos filhos transcorra nas condições propícias ao seu aproveitamento completo, desde o ambiente claro e apropriado; a fixação de horário para o trabalho de casa e outras atividades afins; a frequência dos genitores às reuniões na escola, além de conversas extras que forem necessárias com os professores - pensamos que conhecemos bem os filhos, mas nos enganamos às vezes, e como! -; conhecimento do calendário escolar e de suas eventuais alterações; verificação dos trabalhos feitos, das anotações e livros indicados.

O tempo de estudo diário deve ser equilibrado, não muito longo. E uma boa técnica é mudar as matérias, não ficar só com uma, pois cansa o cérebro, que se renova com a mudança de conteúdo. Um pouco de cafeína em forma de mate ou chá gelados turbinam a memória e o raciocínio, sem exagerar na quantidade. A postura deve ser ereta, em cadeira na altura certa em relação à mesa - nada de estudar enrolado como uma cobra na poltrona, ou deitado na cama - assim como ajudar o estudante a descobrir o melhor modo de gravar a matéria: há os que têm a memória auditiva mais afiada, então leem alto, e os que são mais visuais, preferindo fazer resumos.

A disciplina precisa ser constante, a um tempo firme e carinhosa, contrabalançando a supervisão com elogios e incentivos, nunca oferecendo presentes por passar de ano, ou prometer prêmios por notas altas, o que enfraquece a vontade e o caráter, dando uma ideia errônea do que é a vida e a responsabilidade diante dos deveres. O estudo é uma benção, um direito, uma obrigação, não um favor que os filhos fazem aos pais.

O computador pode ser um grande aliado e uma ameaça real. Olho no tempo que eles passam na frente da tela e, principalmente, no que acessam. Filtros de internet são imprescindíveis. E, apesar de ser uma tarefa obrigatória, é bom ressaltar aspectos lúdicos e prazerosos do estudo, despertando sua atenção para estes, e amenizando possíveis implicâncias com determinadas matérias.

Os pais são os primeiros e principais educadores! Seja qual for sua profissão ou nível de escolaridade, podem, melhor do que ninguém, apoiar e ajudar seus filhos a serem estudantes confiantes e profissionais competentes. E ajudar não significa de jeito nenhum fazer os trabalhos em seu lugar, ou incentivarem qualquer atitude desonesta, como a cola ou outro desvio de comportamento. Olho vivo e coração alerta!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Fazendo o dever de casa com os filhos



É muito importante acompanharmos as tarefas escolares de nossos filhos e dar apoio sempre que for necessário, mas também é muito importante que eles aprendam, desde pequenos, que os deveres são seus, para o seu próprio crescimento. Sendo assim, precisam colocar seu esforço pessoal para executá-los. Os pais devem estar atentos, saber qual matéria foi dada, saber se fizeram as lições, determinar um tempo para isso, após a volta do colégio, mas tentar não fazer com eles e nem tampouco por eles. 

Fazendo desse modo, os filhos aprenderão a ter responsabilidade e também serão mais determinados, tornando-se independentes e saberão lidar melhor com o tempo e a liberdade. Várias virtudes poderão advir desta pequena atitude dos pais.

O filho precisa entender que o dever de casa ajuda a fixar o aprendizado que ele teve em sala de aula. Através dessas tarefas, tanto os professores como os pais vão poder avaliar o aprendizado da criança e acompanhar o desenvolvimento dos filhos na escola.

Então vamos aprender a educar nossos filhos, deixando-os fazer suas tarefas, sem sentar ao lado e ficar ensinando de novo o que deveriam ter aprendido em sala de aula. Dar um apoio, uma vez ou outra, é importante, mas nunca ser uma bengala para os filhos usarem a todo o momento que acham que precisam.

Vamos orientar; participar de tudo que acontece na escola dos filhos, vamos também elogiar seus êxitos e dar ânimo na hora das pequenas quedas. Porém, deixemos que se esforcem para resolverem seus problemas diários. Isso tudo será um grande aprendizado para a vida futura de adultos em seus trabalhos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Mães que não facilitam e o sistema de cotas


Por Maria Teresa Serman

O título não está errado, embora pareça misturar alhos com bugalhos, como dizia minha avó. Refere-se ao papel fundamental da mãe de um neurocirurgião da rede pública, assunto de uma entrevista em um jornal, hoje, que me impressionou muito. Tanto ele como a mãe, não sei qual foi mais vencedor. No tema está embutido o preconceito, por ele ser negro e de família pobre, pai vendedor, ela,costureira. O médico ficou famoso recentemente por ter operado com sucesso, e cinco horas de competência e dedicação, o operário atingido por um vergalhão na cabeça, que, por um centímetro milagroso, não ficou semiparalisado.

A história é conhecida, ainda que rara, ou talvez não seja, mas não ficamos sabendo de muitos casos de empenho heroico do protagonista, somado ao investimento total, de alma e corpo (e como este corpo deve ter ficado fatigado, costurando e trabalhando pela família e pelo filho, que sonhava em ser médico!) desta mãe. Só ela e ele acreditavam que conseguiria, até mais ela do que ele próprio, pelo que se depreende do texto. A mãe teve a coragem de proibir que ele ouvisse jogos de futebol - porque era o que o afastava do objetivo; era costureira desde os doze anos de idade, outro ponto para se meditar, não se deixou moldar por uma infância pouco ou nada despreocupada; fazia uniformes escolares e, com as sobras, jalecos para o filho estudante de medicina. Não contava com o apoio do marido para o projeto, pois este dizia que o filho era "muito burro para ser médico", "seu lugar era na oficina sujando as mãos de graxa", e que, se ela acreditava em outra coisa, que "pagasse para ter filho doutor". Então, tudo acontecia contra o sonho dos dois, filho e mãe, mas não se deixaram abater.

De novo: a fé e o sacrifício da mãe foram determinantes, porque ela forneceu generosamente o apoio, que ele valorizou e aproveitou magnificamente. Dona Robélia, não  consegui perceber se está viva, ou se já admira seu filho do céu, deve ser um exemplo contra o preconceito, a acomodação e o ceticismo, que muitas vezes impedem jovens promissores de conseguirem sair da inércia com que sua situação social e a inoperância do sistema público de ensino os sufocam. E agora justifico a segunda parte do título: cotas. E não pretendo criar polêmica ou desrespeitar um opinião diversa, somente suscitar uma análise do fator que me parece mais importante, e que essa senhora e seu filho souberam driblar com louvor, que é a acomodação, tanto do cidadão quanto, e de maneira ainda mais viciosa destes últimos, dos governos, nas esferas municipal, estadual e federal.

O ensino público se orgulhava de sua qualidade. Detesto dizer isso, mas, "no meu tempo", algumas décadas atrás, aluno bom era aquele concursado pela escola pública. A professora "primária" (da primeira fase do ensino fundamental, digamos assim) era muito bem remunerada e valorizada, o melhor "partido" na época. Alunos respeitavam professores e os pais estavam geralmente em sintonia com a escola. Esse quadro, lamentavelmente, se deteriorou, e hoje somos todos testemunhas do que aconteceu, nosso país é um desastre no quesito educação, e quem são os culpados? Nós, antes de mais nada, que não priorizamos o papel da escola e do ensino em nossas vidas, e na vida dos nossos filhos, em ampla maioria. Só queremos que passem de ano, não que aprendam, e muitos pressionam escandalosamente os colégios e seus dirigentes para que isso aconteça. Quanto aos professores, coitados, levam a pior há muito tempo.

A situação se agrava pelo descaso e inoperância dos poderes públicos no setor. O dinheiro dos impostos vai para o bolso ( e outras partes do vestuário menos aparentes...) e escoa pelo esgoto da corrupção e malversação do dinheiro do povo. E para compensar os baixos salários dos profissionais de educação e falta de apoio a uma POLÍTICA honesta e competente, no sentido mais profundo e apartidário do termo, as pessoas que são, ou podem ser, alvo direto de preconceitos e desassistência recebem como esmola mofada uma chance enganosa - pois entrar no nível superior desse jeito não garante futuro a ninguém, é uma falácia - de "entrar pra faculdade", como se esse fosse o caminho e isso resolvesse o problema.

D. Robélia demonstrou com seu exemplo e seu filho, sua vida, que há caminhos, sofridos mas certamente mais eficazes, de vencer a vida e nela vencer. Como disse o eminente médico na entrevista, "(...) ignorei a vida toda os preconceitos." Vivam a mãe coragem e seu filho destemido!