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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Arrumação para a escola – a saga!

Por Raquel Suppi

Nós temos três filhos, dois príncipes e uma princesinha. Por enquanto, somente os meninos vão à escola. Como estudam no turno da manhã, o nosso dia já começa bem animado e corrido!
Na realidade, os instantes que antecedem a saída para o colégio são marcados por muita preguiça e enrolação, por parte dos pequenos. Não importa o quanto tenham dormido a noite – e nós procuramos ser bastante diligentes com a hora de irem para a cama –, quando chega o momento de se arrumar para a aula, a sonolência impera!

O curioso – e ainda vou descobrir alguma razão cientificamente comprovada para isso – é que, nos finais de semana, férias e feriados, a moleza matinal é reduzida de forma considerável, bem mais do que gostaríamos! Despertam logo cedo, sem ninguém precisar chamar, e ficam ansiosos para a primeira atividade do dia.

Para ser franca, acordar não é a maior dificuldade. Raramente eles dão trabalho para isso. O problema é quando escutam: “É hora de se arrumar para a escola!”. Não sei bem o que acontece quando pronunciamos esta frase, mas por mais que já tenham perdido totalmente o sono, levantar e fazer qualquer movimento parece simplesmente a coisa mais difícil e torturante da face da terra, para eles. E aí começa a luta: contra a preguiça e contra o tempo!

Nesses momentos, dependendo do dia, da pressa, de como foi a noite e do humor (dos pais e dos filhos), meu marido e eu podemos reagir de três maneiras diferentes. A primeira: com paciência e criatividade, tentando convencer os filhos a se levantarem numa boa, através de brincadeirinhas, mesmo sabendo que isso pode levar mais tempo (mas, pelo menos ninguém começa o dia se estressando). A segunda: agimos de forma mais dura e menos tolerante, sabendo que a resposta deles será mais rápida, mas que provavelmente vai ter muita cara feia e talvez algumas brigas, também (e ninguém quer começar o dia assim). A terceira: ficamos no meio termo, com umas gracinhas aqui e umas broncas acolá.

Deu para perceber o nível da animação? Pois é! Fazia tempo que eu vinha pensando em uma maneira de tornar as nossas manhãs mais ágeis e menos corridas. Queria encontrar uma forma de conseguir motivar as crianças a corresponderem e colaborarem mais rapidamente. Então, numa bela tarde, enquanto mexia na agenda do celular, tive um “estalo”! Estava justamente checando os meus compromissos do dia, quando tive a ideia de incluir, no mesmo aplicativo, as atividades das crianças, como forma de alertá-las. Explico melhor.

Fiz uma espécie de passo a passo, desde a hora de acordar até sair de casa, para a escola. Dividi as atividades em 6 etapas, cada uma com aviso sonoro e tendo espaço de 10min entre elas. Tipo, às 6h10min toca para levantar e tomar leite; às 6h20min, para ir ao banheiro, lavar-se e escovar os dentes; às 6h30min, tirar o pijama, vestir o uniforme e se calçar... E assim vai, até arrumar a cama e aguardar a hora de sair.

Na noite daquele dia, antes de dormirem, conversei com eles sobre a programação e o aplicativo, explicando como seria, ao acordarem. Fiz parecer um jogo, e eles encararam exatamente assim, especialmente o primogênito, de 7 anos. Eu sabia que se conseguisse a atenção do mais velho, o do meio, de 4 anos, seguiria os passos do irmão. Não deu outra! A manhã seguinte virou uma disputa animada e saudável contra o “bipes” do celular. Queriam estar sempre adiantados, concluindo uma tarefa e passando para a próxima antes do alarme tocar. Ficaram prontos com antecedência e, o melhor, sem estresse! 

Eu até pensava que essa ideia, simples e acessível, acabaria nos ajudando de alguma forma, mas confesso que não imaginava que seria tanto assim, tampouco que a criançada iria aderir tão fácil e rapidamente. A tal agenda do celular, que já me auxiliava bastante, fez e continua fazendo sucesso com os filhos. E espero que continue bombando por muito tempo. 

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O que é ser uma pessoa com pontualidade...

Por Patricia Carol

Em algumas culturas, especialmente as européias, existe muita preocupação em se cumprir horários para tudo, e em outras, como a nossa, existe uma leniência maior com “pequenos atrasos”; por isso é importante que procuremos conhecer os costumes sociais das pessoas com quem convivemos.

Digamos, se o compromisso ou encontro marcado em determinado dia e hora for por um assunto de trabalho, para prestar prova para concurso público, uma consulta médica, e especialmente ligado a uma relação afetiva, não é difícil que sejamos pontuais, até porque seríamos nós os maiores prejudicados.

Ao recebermos um convite de um casal amigo para jantarmos em casa deles, ninguém ficaria ofendido se, por um motivo de força maior, como problemas com filhos pequenos, congestionamento no trânsito, atrasamos quase meia-hora. Dadas as devidas explicações, há espaço nessa intimidade para que nossas desculpas sejam aceitas e até contamos com preocupação dos anfitriães pelo nosso bem-estar. E do mesmo modo, não é bom que cheguemos muito antes do horário combinado, para que a anfitriã tenha tido o tempo suficiente para preparar os pratos que serão servidos, as bebidas, a mesa estar bem posta e ela própria ter podido se arrumar com calma. Entretanto, não cairia bem em nenhum tipo de contato social é se quem convida não tivesse essa mesma preocupação em ter tudo pronto e estar bem disposto à hora marcada para receber os convidados!

Em uma recepção formal, com indicação de traje especificado no convite, não dá nem para pensar em “afrouxar” um pouco na pontualidade, pois provavelmente haverá muitos outros convidados presentes; no caso de haver junto alguma cerimônia programada para antes, a movimentação de chegada de atrasados poderia causar incômodo aos anfitriões.

Uma consideração final sobre o que é ser uma pessoa pontual: no caso de encontros com amigos íntimos, de longa data, é especialmente importante não nos esquecermos de anotar na nossa agenda as datas especiais dessas pessoas e até de outras pessoas da família deles, pois, se existe essa amizade duradoura, além do motivo óbvio das afinidades pessoais e familiares, experiências alegres e tristes compartilhadas através do tempo, existe também a delicadeza de sentimentos que foi cultivada durante tantos anos. Estarmos fisicamente presentes em ocasiões especiais de uns e outros, garantindo a importância mútua nos emociona e faz sentir o quanto fazemos parte de suas vidas e que podemos contar com seu apoio, compreensão e acolhida generosa...pontualmente!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Pontualidade e compromisso

Por: Rafael Carneiro da Rocha

Eu valorizo a pontualidade, porque é sempre uma oportunidade de demonstrar respeito. Há quem diga que a pontualidade é a virtude dos entediados. De fato, para aqueles que não são muito calorosos, a pontualidade parece ser algum tipo de compensação espiritual. O sujeito é ranzinza e entediado, mas pelo menos é atencioso e pontual.

Pessoas ilustres e ocupantes de altos cargos, por exemplo, podem ser figuras carismáticas. Mas deixam muito a desejar no quesito pontualidade. Digo isto, porque, como jornalista, eu sei o sabor de vários chás de cadeira. Muitos profissionais da saúde também ignoram o que seja a pontualidade. Há algum tempo, ouvi de um dentista que não ser pontual é ensinado como algo de valor, porque trata-se de uma forma de "convencer" os clientes de que eles são tratados por profissionais compenetrados nos seus muitos afazeres.

De qualquer forma, parece que um certo desapego à pontualidade cartesiana faz bem. Nas nossas casas, pode ser ótimo para o cultivo de nosso bom humor que saibamos esperar aquela figura da família que demora um pouco mais para se arrumar. Se fizerem uma pesquisa científica, eu estou certo de que pessoas que não se importam com a falta de pontualidade dos outros vivem mais.

Para a santidade ou bem estar cotidianos, precisamos buscar a pontualidade e não se importar com a carência dela por parte de alguns. Jovens, por exemplo, passeiam muito. Combinar, "tal hora", de encontrar alguém ou uma turma é algo muito corriqueiro. Também é corriqueiro que alguém se atrase um pouco. Porém, eu penso que mesmo se houver atraso, a virtude da pontualidade pode ser exercida. Ligar para alguém ou mandar uma mensagem de celular comunicando o atraso pode ser, sim, um gesto de quem se preocupa com a pontualidade.

Mas, caso a pessoa esperada seja muito enrolada, eu penso que podemos pensar em prazos máximos de espera. Se me permitam a brincadeira, vou estipular algumas dicas para que exerçamos bem a paciência e o bom humor com a falta injustificada de pontualidade alheia.

Alguns prazos máximos de espera, sem que percamos a busca pela santidade, são:

- Demora de uma pessoa da família para se arrumar... Se for homem, 7 minutos de tolerância. Se for mulher, 31 minutos. Caso esses tempos se excedam, compete à pessoa que espera alguma manifestação de contrariedade diretamente proporcional ao tempo corrido.

- Demora de amigo(s) que não chega(m) para o local de encontro... Se for um programa que você relutou em aceitar, 11 minutos de tolerância. Se for um programa que foi de sua iniciativa, 42 minutos. No primeiro caso, compete à pessoa que espera ir embora e se justificar posteriormente, arredondando a espera para quinze minutos: "eu esperei 15 minutos e ninguém apareceu"... No segundo caso, compete à pessoa que espera se preparar para sair aos 40 minutos seguintes ao horário marcado, sendo aqueles dois minutos a mais, constituídos pela caminhada lenta rumo à saída do compromisso frustrado. De fato, 42 minutos de espera indicam que você esperou 40 minutos e gastou outros dois na esperança remota de que alguém ainda pudesse aparecer.

- Reunião de trabalho... Se foi marcada pelo(a) seu(sua) chefe, o tempo de espera, se não for justificado, coincide com o fim do expediente. E não cabe reclamação, infelizmente.

- Encontro com namorado (a)... Não me atrevo a dar pitacos.

- Espera por um profissional de saúde... Caso não se justifique a demora, 20 minutos. Caso se justifique, depende de seu estado de ânimo.

- Espera por um sacerdote... O tempo de espera coincide com a hora que, de fato, você não puder mais esperar. E não cabe reclamação.