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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Disfarces e máscaras

"Estamos tão acostumados a nos disfarçarmos
para os outros, que acabamos nos disfarçando para nós mesmos". Charles de Foucauld

O autor dessa frase profunda é o beato Charles de Foucauld, do qual cito uma pequena biografia, colhida no site oarcanjo.net: "Charles nasceu em 1858. Morreu assassinado na Argélia, em 1916, aos 58 anos. Tinha sido oficial do exército francês e comandou expedições militares na África. Aos 28 anos, converteu-se ao Evangelho de Jesus. Ingressou num mosteiro trapista das irmãs clarissas em Nazaré. Não satisfeito, retirou-se para uma vida simples e oculta, a exemplo de Jesus. Retornou, mais tarde, para a Argélia e ali, no seguimento radical do Mestre, tornou-se monge sem convento, em contato direto com as populações tuaregs, até ser assassinado."

Nestes tempos de novas perseguições aos cristãos em regiões onde o cristianismo não está amplamente divulgado, ou é renegado e proibida a sua prática, o Bem-aventurado Carlos de Jesus, como escolheu ser chamado, é um exemplo de fortaleza e entrega a um apostolado total, comprometido até a morte.

É muito verdadeira essa ideia de que a falta de unidade de vida tem suas raízes na própria dissimulação interna que o orgulho nos faz construir. Queremos sempre parecer melhor do que somos, ocultar nossas fraquezas, agradar ao mundo. Esquecemos que somos exatamente do jeito que Deus Pai nos vê, nem mais nem menos. Já disse magistralmente S. Paulo  "nem eu me julgo mais". Claro, pois nos avaliamos com muita benevolência, ou do modo oposto, com excessivo rigor e escrúpulos nocivos. A verdadeira face de nossa alma só Deus a contempla.

Então, como podemos ser sinceros
conosco mesmos, em primeiro lugar? Podemos começar dizendo, como indicou S. Josemaria, no ponto 595, de Caminho: “Se te conhecesses, alegrar-te-ias com o desprezo, e choraria teu coração ante a exaltação e o louvor.”


Não se trata de menosprezar-se simplesmente, mas ter a noção real do que cada um pode e vale: vale muito, pois é filho ou filha de Deus, que lhe concedeu o dom da vida, e da vida eterna; a redenção dos homens foi comprada pelo sacrifício de Cristo na cruz, que acabamos de contemplar, por um preço incalculável - "pretio magno", nas palavras do mesmo apóstolo. Por outro lado, nada podemos, se nos apoiarmos somente em nós mesmos. Porém, amparados na filiação divina e nas graças que nos são conferidas abundantemente pela misericórdia divina, tudo alcançamos, tudo vencemos, pois pertencemos ao Amor, acima de tudo e em primeiro lugar.

                                                      Maria Teresa Serman

terça-feira, 9 de abril de 2013

Saber educar no tempo livre faz parte de uma educação integral

Não há dúvida de que os pais desejam que a educação de seus filhos seja em tempo integral, e que afete todos os âmbitos de seu ser.

O que é importante entender, é que tudo faz parte de um processo, cada dia um ânimo renovado para empenhar essa tarefa. E é bom que os pais a realizem, caso contrário, ninguém a fará em seu lugar, ou o ambiente se encarregará disso. Será que é o que querem?

O trabalho é árduo, mas bastante recompensador. Todo o empenho que vocês, pais, colocam nessa educação, fará com que seus filhos sejam adultos livres e responsáveis, que saberão trilhar seu próprio caminho e não serão apenas arrastados pelos ambientes que os cercam.

É uma educação ampla, que abrange o corpo, a inteligência, a vontade, os sentimentos e a transcendência. O seu tempo é constante, durantes todos os dias do ano, sempre tendo em mente que o tempo gasto nisto, nunca é tempo perdido.

Não pode haver dias livres na agenda dos pais quanto a isso. Não podem educar de segunda a sexta, acreditando que as únicas coisas com que devem se preocupar são o trabalho, o estudo e as notas dos filhos, e em relação ao resto deixá-los fazer o que quiserem, para tirarem um descanso. O resultado disso não é positivo.

Uma criança ou adolescente em época escolar tem, em média, 189 dias livres por ano e 176 dias letivos. Isso mostra que se os pais decidem deixar de
educar no tempo livre, estarão sendo descuidados em mais de 50% do tempo da vida deles. Uma educação completa dos filhos exige também a educação de seu tempo livre.

Mas, o que fazer com eles nesse tempo livre? Bem, os filhos, nesse tempo, podem realizar diversas atividades boas e saudáveis, como esporte, leitura, excursões, música, idiomas, teatro, e por aí vai. Pois devem se lembrar que se o tempo livre não os forma, não levará muito tempo para deformá-los.

Os jogos e os esportes permitem que explorem o mundo e desenvolvam, se socializem, cresçam em virtudes e ao mesmo tempo se divirtam. A leitura traz novas informações, diverte, educa a vontade e a concentração, fomenta a imaginação, melhora a compreensão escrita e a capacidade de expressão, ensina a pensar e a desenvolver senso crítico.

Assim como as mencionadas acima, as demais atividades sugeridas também apresentam muitos pontos positivos, basta saber encontrá-los e aproveitá-los. Desse modo, é possível enxergar que o tempo livre não foi feito para ser perdido, mas para ser conquistado e fazer cada um crescer em suas dimensões.

Thalita Antunes - Revista Ser Família -  29 de maio de 2012

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Comprar pela internet

Está é uma confissão: é um vício!

Devido a certas circunstâncias, tenho ficado mais em casa, trabalhando no computador. Então, as tentações chegam a todo o momento, com renovação instantânea, e tentadora. A visualização dos produtos está eficientíssima - podemos, em alguns casos, enxergar (ou seria "enchergar", como propõe o Enem?) o interior das bolsas. Até agora não me arrependi em quase nenhum item, incluindo bolsas e até sapatos, sendo que meu pé, 34 mais ou menos, me causa problemas in loco, quer dizer, quando experimento ao vivo, pois é magro, e às vezes o sapato demanda uma palmilha.

Gostaria que este texto fosse interativo, seria muito bom conhecer experiências alheias, pois assim sabemos onde erramos e em quê podemos melhorar. Ou comprar... Brincadeira,  não queremos que ninguém perca emprego nas lojas, ainda mais porque ir ao shopping distrai e nos proporciona um contato visual com o produto que não conseguiremos ter jamais na tela, ainda que esteja melhorando a cada dia. O mais importante, porém, não é o contato com o produto, e sim com as vendedoras, na sua maioria mulheres, como nós, também mulheres e consumidoras. Conheço muitas - e digo "conheço" porque converso e tenho algumas como amigas. Quando estive doente, recentemente, com uma forte crise de coluna, muitas ligaram para saber se melhorei, e disseram que rezavam por mim. É claro que não faltou a ironia dos filhos: "Claro, que ela ligaram, mamãe, você está fazendo falta!"

Porém, uma cliente afável faz falta além do que compra, o que já é fundamental para a renda delas, fator importante ou único nas  suas famílias. Vendedoras confiáveis são um presente,  nos aturam, nos embelezam e até sugerem itens e procedimentos que não fazem parte do seu "métier". Aquelas que
vendem cosméticos opinam, e bem!, sobre cabelo, e vice-versa. E por aí vai. E o convívio alegre de quem não as vê como simples apresentadoras dos produtos faz com que se sintam os indivíduos que são, com suas especialidades e dores, principalmente nos pés, pois ficam em pé o dia todo, já pensaram nisso? Que podem ter um grave problema na família, mas devem estar sorrindo, senão vendem menos, o que pode significar uma baixa considerável no seu salário? Ou podem estar mal de saúde, e nem têm tempo para ir ao médico, ou seguir o que ele indica, senão ficam por conta do reduzido dinheiro que o governo dá?

Pronto, este é um clássico exemplo de fuga do tema: comecei pelas compras na internet e me aprofundei no aspecto humano e social das compras ao vivo. No Enem isso não seria problema, porque levam em consideração acima de tudo coesão e coerência, virtudes fundamentais de uma redação. Eu fiz de propósito, e não cometi erros crassos e inadmissíveis de concordância e ortografia, sem falar  nos de regência e acentuação, mais comuns, inclusive na TV e nos jornais.

Como ex-integrante por muitos anos de banca de criação de provas e correção de redação em língua portuguesa de concursos, sei que devemos ver além de erros bobos, cometidos mais pelo nervosismo dos candidatos do que por ignorância. Aproveitávamos tudo, pois dar zero em uma redação ótima mas que foge ao tema, é uma punhalada no coração de um professor. Contudo, há certos casos que são claros: o sujeito tentou enrolar - vide a receita do miojo, ou é analfabeto funcional, como em muitos casos. E isso não dá para ignorar.

Opa,  agora viajei no tema!

                                            Maria Teresa Serman

domingo, 7 de abril de 2013

Filmes – sugestões de recém lançados em 2013

Dica dos dois filmes que vi no final de semana, e acho uma indicação boa para o Blog, que é voltado para famílias.

 "UMA GARRAFA NO MAR DE GAZA" é sobre dois  jovens, rapaz e moça, ambos com uns 17 anos, que tentam se comunicar por Internet,sem o conhecimento dos pais, para tentarem se entender, sendo ela judia e ele palestino, em relação ao ódio entre os  dois povos. Muito atual esse tema,  e inclusive a assisti numa aula no Centro Feminino da Lagoa(RJ) sobre esse assunto semana passada. O título da aula foi "Um olhar Cristão sobre o Problema do Oriente Médio", e foi ministrada  por uma Doutoranda da UERJ, que fez um apanhado geral sobre o assunto, desde a Idade Média até os dias de hoje.

 Lançamento - Tempo de Duração:   (2h 20min)
Classificação etária : 12 anos

O outro filme foi " Amor é Tudo o Que Você Precisa "
. Muito atual o tema, interessantíssimo, situações difíceis e bem resolvidas envolvendo famílias de mais de um país,sendo passado a maior parte do tempo nas maravilhosas paisagens da Itália. Expõe as situações de infelicidade criadas nos filhos pelo "workaholismo" dos pais,  a lealdade entre filhos e mães, as amizades boas e não tão boas;  tudo o que aflige o mundo moderno, e também  expressa a sinceridade  dos jovens em cenas importantes.

Tempo de Duração: 116 minutos
Classificação etária: 12 anos

Se vocês quiserem ver, ainda há tem informações na VEJA RIO da semana passada. VALE A PENA! Os dois filmes entraram em cartaz faz duas semanas e ainda estão nas salas de cinema.
                                                         Patricia Carol

sábado, 6 de abril de 2013

O que acontece quando os filhos têm medo?

O que acontece quando os
filhos estão com medo!? Provavelmente, eles têm algo a dizer, mas muitas vezes não sabem como.

Você já fez a experiência de se reunir com um grupo de amigos em que, em um momento de descontração, cada um pudesse compartilhar com os demais os seus medos mais íntimos? Esta é uma experiência muito interessante e, contraditoriamente, chega a ser muitas vezes muito engraçado.

Todos chegam às mesmas conclusões, de que todos os adultos têm medos que racionalmente não teriam porque senti-los, e de que muitos chegam a ter pequenas fobias que, de alguma forma, dificultam o bom andamento de determinadas atitudes ou atividades.

A palavra medo ou fobia é derivada da palavra grega “phobia”, que deu origem ao termo fobia, e que apresenta os mais medonhos sinônimos: aversão; horror; ojeriza; pavor; paúra; temor; terror, que são marcas afetivas de nossa sensibilidade, que estão marcadas com
grande intensidade em nosso coração, a ponto de sobressair às tentativas racionais de colocá-los no devido lugar, o da imaginação, que não é algo real.

As marcas afetivas podem chegar a ser tão intensas que podem levar pessoas adultas a terem medos que, aos olhos dos demais, chegam a ser ridículos, como uma pessoa que sofre de Ablutofobia  – medo de lavar-se ou de tomar banho ou, outro exemplo, a  Noctifobia – medo da noite, e até mesmo a Dextrofobia – medo dos objetos que estão do lado direito do corpo.

Um dado importante é que estes medos irracionais na vida adulta iniciaram-se na infância e seguiram um processo de marcação pelo processo de repetição. Como um caso que pude acompanhar de um adulto com mania de limpeza – ele sofre muito, só de imaginar que sua mão pode estar suja, chegando a lavar as mãos dezenas de vezes ao longo do dia. Pude verificar que, quando era criança, seus pais não admitiam que sujasse a boca durante a refeição, sendo que a cada colherada o pai expressava – “limpa a boca, que está suja”.

A mensagem que a criança estava recebendo repetidas vezes era que isto devia ser muito ruim, perigoso, e outras coisa mais que sua imaginação pudesse gerar. Era uma criança que tinha receio de colocar a mão na parede com medo de sujar sua mão.

Quando ficou mais velha, os pais puderam detectar as consequências d
e tal atitude diante do filho. Levaram-no para uma terapia que basicamente consistia em permitir que o garoto se sujasse e sujasse as paredes, jogando nelas baldes de tinta. Além de poder brincar com terra e sujar suas roupas, dentre outras técnicas.

O resultado foi razoável. Ajudou a aliviar a pressão que recaía sobre o menino, mas, infelizmente, não resolveu o problema por completo, pois as marcas afetivas geradas na infância deixam marcas permanentes, tanto que, neste caso, carrega as consequências na vida adulta.

Por isso, devemos tomar muito cuidado com os estímulos que nossos filhos estão recebendo na infância. Que podem ser por meio, principalmente, do que veem e do que ouvem, e de quem recebem. Temos que aprender a transmitir as mensagens adequadas e de forma positiva e, acima de tudo, filtrar as indesejadas que não estão partindo de nós pais, como os veículos de comunicação que hoje estão todos em um mesmo conjunto: TV, celular, vídeo game, internet.

Sempre o melhor caminho não deve estar pautado exclusivamente em fugir do ruim, mas sim oferecer o que é bom e, com isso, naturalmente, levar os filhos ao crescimento e desenvolvimento de capacidades que serão as suas ferramentas de coragem para enfrentarem eventuais medos ou obstáculos.

 Site da revista Ser Família - artigo de 27 de junho de 2007

sexta-feira, 5 de abril de 2013

EmContando - 28 - o aprendizado

Fugindo um pouco de nosso tema principal (Contação de Histórias) e pensando nos estudantes que há poucas semanas recomeçaram suas atividades, envio hoje um poema sobre o aprendizado por Içami Tiba.



Sábios Passos do Aprendizado
Quando uma pessoa nem sabe que não sabe,
traz dentro de si uma forma de tranquilidade.
Tem sua vida limitada pela falta de conhecimento,
vive aquela paz do conformado, santa ignorância!

Quando ela descobre que sabe que não sabe,
sente-se incomodada, inquieta e até excluída.
Seu cérebro não suporta ter lacunas ou dúvidas
e, buscando aprender, com prazer descobre o saber.

Agora que sabe que sabe, quer contar a todos
como um adolescente usando seu tênis novo até em cerimônias.
Expande sua autoestima, numa vaidade saudável, e
sente que agora pertence ao grupo dos que sabem.

Quando o saber acaba fazendo parte do cotidiano,
a pessoa nem se lembra de que sabe o que sabe.
Agora ela sabe que sempre existe o que ela não sabe e
sua sabedoria a leva para a humildade do aprender sempre.

Agnes G. Milley

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Consciência

A lâmpada do teu corpo são os teus olhos, diz o Senhor. A e, se estiver bem formada, ilumina o caminho, o caminho que termina em Deus, e o homem pode avançar por ele. Ainda que tropece e caia, pode levantar-se e prosseguir. Quem deixa que a sua sensibilidade interior “adormeça” ou “morra” para as coisas de Deus, fica sem qualquer ponto de referência pelo qual orientar-se. É a maior desgraça que pode acontecer a uma alma nesta vida. Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal – anuncia o profeta Isaías –, ai daqueles que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce.

Jesus compara a função da consciência à do olho na nossa vida. Se o teu olho for são, todo o teu corpo estará bem iluminado; se, porém, estiver em mau estado, o teu corpo estará em trevas. Cuida, pois, de que a luz que há em ti não sejam trevas. Quando o olho está bom, veem-se as coisas tal como são, sem deformações. Um olho doente engana a pessoa e pode levá-la a pensar que os acontecimentos são como ela os vê com a sua visão distorcida.

A consciência pode ficar deformada por não se ter procurado alcançar a ciência devida a respeito da fé, ou então por uma má vontade dominada pela soberba, pela sensualidade, pela preguiça... [...]

As paixões e a falta de sinceridade consigo próprio podem chegar a forçar o entendimento e levá-lo a pensar de outra forma, mais de acordo com um teor de vida ou com uns defeitos e maus hábitos que não se querem abandonar. Não existe então boa vontade, o coração se endurece e a consciência adormece e já não indica a direção certa que conduz a Deus: é como uma bússola avariada que desorienta aquele que a consulta. “O homem que tem o coração endurecido e a consciência deformada, ainda que possa estar na plenitude das suas forças e das suas capacidades físicas, é um doente espiritual e é preciso fazer alguma coisa para que recupere a saúde da alma”.João Paulo II, Angelus, 15-III-1981

A Quaresma é um tempo muito propício para pedirmos ao Senhor que nos ajude a formar muito bem a nossa consciência e para examinar se somos radicalmente sinceros conosco, com Deus e com as pessoas que em seu nome têm por missão aconselhar-nos.

A LUZ QUE EXISTE em nós não brota do nosso interior, da nossa subjetividade, mas de Jesus Cristo.Eu sou a luz do mundo, disse Jesus; aquele que me segue não anda nas trevas. A sua luz esclarece as nossas consciências e, mais ainda, pode converter-nos em luz que ilumine a vida dos outros: Vós sois a luz do mundo. O Senhor coloca-nos no mundo para que com a luz de Cristo mostremos aos outros o caminho.
Extraído da meditação de 2ªfeira, Segunda semana da quaresma, de Falar com Deus.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Viajar também é um aprendizado

     
As lembranças chegam de repente, e, sem menos esperar, vem à cabeça fatos vividos com as crianças que podem ser úteis a outras famílias também com filhos pequenos.

 Viajar com crianças, a princípio, é muito cansativo, sendo necessário um planejamento mais detalhado e uma bagagem maior, mas compensa, tanto para o convívio familiar ficar mais estreito como para o aprendizado da garotada.

    As viagens de carro podem ser divertidas e instrutivas, se mantivermos um ritmo de no máximo uns 500 km por dia, com paradas para as refeições e idas ao banheiro, para que todos possam aproveitar o máximo de tudo: da paisagem, das diferenças de ambiente, das conversas e brincadeiras entre todos.

    Lembro-me de uma viagem com as crianças ao sul do Brasil, quando o menor, na época, tinha três anos e saiu de casa ainda falando errado e trocando letras. Na volta já estava falando certinho, uma verdadeira gracinha.

    Uma boa diversão para o período de viagem de carro é fazer brincadeiras como contar carros: cada um escolhe uma cor e vai observando na estrada quem passa. Ganha quem conta mais carros da sua cor. Outra brincadeira que entretém bem a garotada é ADEDANHA: escolhe-se uma letra e ganha quem conseguir mais palavras com um tema previamente escolhido, que pode ser animais, partes do corpo humano, filmes, tudo de acordo com as idades dos filhos.

    Há uma diversão que não sei o nome, mas é um bom passatempo: um puxa a brincadeira com a frase: Fui à praia de.... , e cada um vai acrescentando palavras, repetindo toda a frase. Erra quem não se lembra dos acréscimos que cada um vai colocando. Por exemplo, um diz: Fui a praia de chapéu; o seguinte tem que dizer: Fui à praia de chapéu e  óculos escuros; já o próximo dirá: Fui à praia de chapéu, óculos escuros e chinelo verde; e por aí segue a brincadeira, até o último que lembrar de tudo, este ganhará.

    O tempo passa mais rápido, todos se divertem e aprendem muitas coisas. Até na diversão existe aprendizado de virtudes, como a ordem; a paciência (esperando sua vez); o bom humor (aprendendo a perder); e muitas outras coisas boas que conseguimos adquirir nesse convívio familiar, em um espaço pequeno como o carro.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Quem era a mulher de Magdala?

Na realidade, trata-se de uma confusão que – na maior boa fé, aliás – dura há séculos. Para começar, é muito importante lembrar quem não era Maria Madalena. Os melhores comentaristas do Evangelho, já desde os tempos de Santo Agostinho, alertam-nos para que não a confundamos com outras duas mulheres do Evangelho. Uma é aquela pecadora pública que certa vez banhou os pés de Jesus com lágrimas de arrependimento e os ungiu com bálsamo (cf. Lc 7,37 ss.); e a outra é Maria de Betânia, a irmã menor – pura e singela - de Marta e Lázaro, que também derramou perfume sobre a cabeça e os pés de Jesus pouco antes da Paixão, num gesto de fina cortesia, muito oriental (Jo 12,3).

Além desse esclarecimento, é interessante frisar que o Evangelho nunca disse que Maria Madalena fosse uma prostituta ou que tivesse uma vida leviana. Aliás, afirma de fato algo muito pior. Diz que, dela, Jesus tinha expulsado sete demônios (Lc 8,2). Isto é muito sério. Bem sabemos que o número sete – na linguagem bíblica – significa muitos, uma multidão. Pois é isso que dela nos diz São Lucas. É, sem dúvida, algo terrível.

Só o podemos compreender se tivermos consciência de que o demônio – como ensina a Bíblia - é, acima de tudo, o pai da mentira, do orgulho e do ódio. Como deve ter sido espantosa a vida dessa pobre mulher! Um poço de ódio, de raiva, de desconfiança, de mentira, de rancor... Pode haver sofrimento maior? Um verdadeiro inferno! Uma mulher incapaz de amar, incapaz de alegrar-se, incapaz de vibrar com a verdade, de admirar a beleza e de saborear o bem; incapaz de perdoar, incapaz de sorrir com carinho para os outros...! Porque um coração afastado de Deus e entregue ao diabo – ao pecado - é como um poço escuro e fundo. Lá não pode penetrar um raio de luz divina. A pessoa chega a tornar-se incapaz de acreditar que o amor, a beleza e a bondade existam. Só conhece as trevas em que se afunda...

A tristeza no fundo do coração - Esse “poço escuro”, essas “trevas”. Atormenta-as, então, uma ânsia de infinito que as queima por dentro, mas que nenhum tesouro do mundo e nenhuma loucura do mundo e nenhum prazer do mundo conseguem satisfazer... Pode-se dizer que estão torturadas por uma esperança distorcida, por um infinito desejo de felicidade, que corre expectante atrás do vazio. É lógico que essa esperança distorcida termine no desespero. O fundo do fundo da vida delas é a ausência..., é o vazio..., e morrem sem saber por que nunca foram felizes.

E, no entanto, o porquê é claro: elas sofrem da ausência de Deus! Essas pessoas – como Madalena antes de encontrar Jesus – não sabem que o seu mísero coração está gritando aquelas palavras de um poema de Tagore: “Tenho necessidade de Ti, só de Ti”!

Deixa que o meu coração o repita sem cansar-se. Os outros desejos que dia e noite me envolvem, no fundo, são falsos e vazios. Assim como a noite esconde em sua escuridão a súplica da luz, na escuridão da minha inconsciência ressoa este grito:  «Tenho necessidade de Ti, só de Ti!”.». Assim como a tempestade está procurando a paz, mesmo quando golpeia a paz com toda a sua força, assim a minha revolta bate contra o teu amor e grita: «Tenho necessidade só de Ti!»"

O encontro que tudo mudou - Assim estava Maria Madalena, quando um belo dia – de surpresa – Jesus foi buscá-la. Não conhecemos os detalhes. Só sabemos que Jesus teve compaixão dela, e dela expulsou sete demônios, como recordávamos acima. Dá para imaginar o que deve ter sentido aquela alma, ao encontrar-se livre do Maligno, e inundada pelo dom da graça, conduzida por Jesus à descoberta deslumbrante de Deus? Que deve ter sentido quando experimentou – quiçá pela primeira vez na vida – a pureza e a grandeza do Amor, pois, como diz São João, Deus é Amor (1 Jo 4,8).

 http://www.padrefaus.org/wp-content/uploads/2009/05/meditacoes-sobre-a-ressurreicao.pdf

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Dois filmes – uma mesma história: “E se...?”

Assisti na TV  a dois filmes “água com açúcar”, mas com um bom fundo moral, que se fundamentam em valores que andam um esquecidos por alguns. Bom para vermos em família, e também podem proporcionar um bom debate no final.

 “E se....você tivesse uma segunda chance? “ é um filme feito em 2010, que conta, de forma diferente, a mesma história do filme “Um Homem de Família”, de 2000. Ambos mostram executivos muito bem sucedidos na vida que optaram por não casar com a sua princesa encantada, para irem à busca do dinheiro e da fama, como se uma coisa impossibilitasse a outra.

No filme “E se....você tivesse uma segunda chance” o ator principal, Kevin Sorbo, passa quinze anos sem ver a ex-namorada, com a qual quase casou, tornando-se um homem de negócios  altamente remunerado, noivo e dono de um Mercedes novo em folha, só pensando no futuro e nos ganhos maiores. E, no momento em que vai buscar seu carro novo, tem um encontro inesperado  com um “anjo” que o levará a uma vida que poderia ter sido a sua, caso não tivesse dito um não naquele momento decisivo de sua vida.  A história se desenrola com um chamado de Deus, dando uma segunda chance para ele rever sua vida amorosa e espiritual que deixou pra trás.

No filme “Um Homem de Família”, Nicolas Cage  é um investidor entediado com sua longa vida de solteiro, altivo e independente, que, na véspera de Natal, presencia uma tentativa de assalto a uma loja de conveniência e, com muito sangue frio, consegue evitar uma possível tragédia. Porém, o que não imagina é que o tal assaltante tem poderes que mudarão sua vida. Naquela noite, vai dormir sozinho, em Nova York, e amanhece  em um quarto no subúrbio de New Jersey, ao lado de uma esposa e dois filhos.

Quem não gostaria de ter uma segunda chance na vida? Voltar no tempo e refazer erros do passado? Quem não pensa: o que teria sido da minha vida se tivesse feito outras escolhas? Tivesse dito sim ao invés de não? Boas reflexões para fazermos após assistirmos a estes filmes.

Uma boa reflexão do que poderia ser e não foi, ou do quanto nossas escolhas podem interferir na espécie de pessoa que somos. Falar dos valores que prezamos e de quanto isso pode contribuir pra tornar nossa vida mais recompensadora. E do que, mais do que tudo, precisamos cuidar no presente, pois uma segunda chance nos é dada por Deus a cada instante.

 Termino lembrando- me de outro filme - Cartas para Julieta - que tem como ponto central a leitura de uma carta, que fala assim: “‘E’ e ‘se’ são palavras que, colocadas juntas, podem nos assombrar a vida toda”. Portanto, temos que por limites aos desvarios de uma segunda chance, concentrando-nos no que temos, e lutando positivamente para melhorar ainda mais o que alcançamos.

domingo, 31 de março de 2013

Pecado contra o amor

Quanto a mim, penso que aqueles que são atormentados no inferno o são pelos golpes  do amor. Pois não há coisa mais amarga e mais violenta que os tormentos do amor! Os que sentem que pecaram contra o amor carregam consigo uma condenação bem maior que as mais temidas punições. O sofrimento inscrito no coração pelo pecado contra o amor é mais dilacerante que qualquer outro tormento. Sto. Isaac, o sírio.

Este comentário ao evangelho do dia calou tão profundamente em mim que resolvi meditar e escrever sobre ele. O santo citado acima, no texto completo, expressa sua opinião de que o tormento do inferno não é a falta do amor de Deus, que nunca nos tira o que concedeu, o Seu amor. Perdemos a graça, mas não o amor, que sempre nos deixa o caminho aberto para a volta ao Pai, para o arrependimento. Complementa o santo, dizendo que, para ele, o tormento dos infelizes é o remorso. Sábia conclusão! O remorso, a consciência culpada, e principalmente aquela que não quer reconhecer o erro, apesar de sofrer e fazer sofrer com seus efeitos; aquela alma que não admite o pecado, antes teima em atribuir a razão dele, ou o todo, a outrem; o infeliz ser que não consegue pedir perdão, ou aceitá-lo, ainda que este lhe seja dado pelo ofendido.


Dizem alguns que não há inferno, que ele já acontece aqui na terra. Cristo referiu-se várias vezes, explicitamente, ao "fogo da geena". No episódio desse mesmo dia do comentário, o evangelho conta uma história sobre um rico e um pobre chagado. Este, após fome e privações, diretamente atribuídos ao senhor abastado, é levado ao seio de Abraão pelos anjos. Quando morre o rico, vai "para a morada dos mortos", onde sofre tormentos. Por outro lado, o inferno e o céu começam aqui, sim. Não só porque a nossa vida, transformada ou não pelo amor, é de nossa livre escolha e definirá como será nossa existência eterna, mas também porque o modo como agimos nos joga em um ou nos conduz ao outro. Mais do isso, pode influenciar decisivamente a vida dos que nos rodeiam, dos que amamos, e até daqueles que Deus põe no nosso caminho para que os levemos ao céu, por nosso exemplo.

S. João, na sua carta, se dirige aos fiéis já em tom amoroso: "Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade." O verbo amar está muito presente, mas o verdadeiro amor, de serviço, doação e generosidade, não. As pessoas se "amam" e desamam com assustadora rapidez e aparentemente, bem aparentemente, sem sequelas. Não colocam o bem do outro em primeiro lugar, nem quando isso atinge diretamente a mais pessoas, como os filhos. São infiéis a votos que juraram cumprir, contudo consideram isso um "acidente de percurso", na sua tresloucada e egocêntrica busca pela felicidade, que acabam não encontrando nunca.

Então vamos nos rejubilar pelos que amam verdadeiramente, com fortaleza, paciência, benignidade, sacrifício alegre, no cotidiano e na rotina. Esses não aparecem na mídia, e, quando esta focaliza sua realidade, certamente é para depreciá-los, chamando-os debochadamente de "conservadores". Mal sabem esses pobres de espírito que isso é um elogio, pois felizes são os que conservam seu amor puro e forte; os que conservam a sua dignidade de filhos e filhas de Deus e respeitam-na nos semelhantes; aqueles que conservam seu coração livre de traição e vilania, enchendo-o diariamente de afeto e retificando quando falham; felizes são aqui na terra, mesmo que sofram muito, porque conservam na alma a graça do Amor, que conhecerão face a face na vida que não terá fim.

Maria Teresa Serman

sábado, 30 de março de 2013

EmContando – 27 - PÃO

Sempre gostei muito de pão. Papai ensinou-nos que o pão era alimento sagrado, e, portanto, não o podíamos jogar fora nunca.

Mamãe aproveitava, sempre, qualquer pedacinho de pão dormido. Tínhamos um saco de tecido fino, pendurado na cozinha, onde eram colocadas todas as sobras de pão. Quando as coisas iam bem, os pedaços de pão seco viravam pudim, com ameixas secas picadas, ou até mesmo passas, que eram importadas naquele tempo e muito caras. Outra alternativa era fazer farinha de rosca, ou, na pior das hipóteses, quando as coisas iam mal, o pão seco acompanhava muito bem o café com leite ... e como era gostoso!

Nos domingos de Páscoa éramos acordados por um delicioso cheiro de pão assado no forno. Era uma surpresa que mamãe nos fazia sempre. Era sua obra prima. Torcendo, estiva a massa fofa e macia até que se parecesse com  uma longa corda grossa. Depois, cortava-a em três pedaços e com leveza e muita  habilidade fazia uma bela trança dobrando as pontinhas para debaixo do pão. Depois de crescido, pincelava-o com ovos e pronto. Lá ia o pão para o forno.  Nós sabíamos como ela o fazia , mas nas madrugadas de domingo de Páscoa ela sempre  fazia o pão  sem a nossa assistência. Era surpresa!

Quando nós morávamos em Hoppetenzel, na Alemanha, depois da segunda guerra, papai conseguiu, um dia – nunca soubemos  como – um pão de trigo, todo branco. Naqueles dias só se comia pão preto, sempre duro, feito de farelos de cereais menos nobres. Papai cortou o pão branco em seis pedaços  iguais em tamanho. A minha fatia era linda! Era quase duas vezes do tamanho de minha mão aberta.

Eu tinha, então, sete anos de idade. Comi a metade de meu precioso pedaço de pão e escondi a outra metade debaixo de meu travesseiro. Seria a primeira coisa que encontraria ao acordar.

Dormi muito bem. Dormi feliz! Na manhã seguinte, antes mesmo de abrir os olhos, fui  tateando devagarzinho pegar meu pão.  Mas onde estava ele? Sumiu. Só encontrei a casca dura, em forma de ferradura, toda marcada por dentinhos miúdos. Foi um camundongo! Havia muitos naquela casa! Aliás, havia muitos ratos famintos na Europa naqueles tempos.

Chorei muito naquele dia, pois perdi meu pão para um RATO!

                                                                                         Agnes. G. Milley

sexta-feira, 29 de março de 2013

O sofrimento e o amor - Dois modos de encarar a mesma dor

Faz alguns anos, no espaço de um mês, tive que ficar muito perto de dois grandes sofrimentos: dois casos de pais que haviam perdido um filho adolescente de maneira repentina e trágica. Conversei longamente com o primeiro e, uns trinta dias mais tarde, com o outro. O primeiro afundara-se numa dor insuportável, que
lhe abalou os alicerces da vida e lhe asfixiou a fé. Repetia depois, ao longo dos anos, num desabafo amaríssimo e cheio de rancor, que a sua vida tinha perdido o sentido, que não sabia se Deus existia ou não, mas que não se importava, porque já o tinha “apagado” e não queria saber mais dEle. Fechado na sua solidão desesperada definhava e tornava difícil a existência dos que conviviam com ele. E é que, sem a luz da fé, o homem fica abandonado ao turbilhão da vida, é como um cego golpeado por um mundo cruel e incompreensível, sem mais alternativa que o terror ou a revolta, a frieza estoica, a resignação gelada ou o desespero.

O segundo pai sofreu tanto como o primeiro. Perder um filho é uma das maiores dores da vida, se não a máxima. Mas não permitiu que o sofrimento lhe vendasse os olhos nem se encapsulou na sua dor. No meio das lágrimas, fixou com força o olhar da alma em Cristo crucificado e, unido a Ele, rezou: Pai, seja feita a vossa vontade! Dentro do seu coração dizia: “Não entendo essa tua vontade, Pai, mas eu creio em Ti, eu espero em Ti, eu Te amo acima de todas as coisas”. No velório, ver esse pai –e a mãe igualmente, com o mesmo espírito- a rezar junto do corpo do filho, não causava constrangimento, mas comunicava uma serenidade superior a qualquer paz que se possa experimentar nesta terra, e elevava a todos para Deus, cuja presença lá se apalpava. Era uma serenidade estranha e poderosa, misturada com uma dor muito forte, que ficava sendo um enigma para os frios e os descrentes. Era mesmo um lampejo da sabedoria da Cruz de que fala São Paulo (Cf. 1 Cor 1,18-25).

“Entender” e “saber”

Como este segundo pai, nós também muitas vezes não “entendemos” o sofrimento, e é natural. É difícil compreender a doença incurável, a incapacitação física, a ruína psicológica dos que amamos, o desastre econômico… Não “entendemos”, mas… “sabemos” – com a certeza indestrutível da fé -, que Deus é Pai, que Deus é amor (I Jo 4,8) e, portanto –como diz com cálido otimismo São Paulo-, nós sabemos que Deus faz concorrer todas as coisas para o bem daqueles que o amam (Rom 8,28); faz concorrer também, e muito especialmente, os sofrimentos que Ele mesmo nos envia, ou os que Ele permite, ainda que os não queira, porque causados pela maldade dos homens. Então, essa nossa fé –dom precioso de Deus que não queremos extinguir–, nos permite o paradoxo inefável de sofrer e ter paz, de sofrer e manter no íntimo da alma uma misteriosa e fortíssima serenidade, uma imorredoura esperança. Assim sofreu Cristo na Cruz e assim sofreram os santos.

Extraído do site do Pe. Francisco Faus, em 26/03/13

quinta-feira, 28 de março de 2013

Hábitos bons repetidos

"Por meio de diversas imagens, Jesus nos ensina que o caminho que conduz à Vida, à santidade, consiste no pleno desenvolvimento da vida espiritual: fala-nos do grão de mostarda, que cresce até se transformar num grande arbusto, onde vêm pousar as aves do céu; do trigo, que chega à maturidade e produz espigas graúdas... Esse crescimento, não isento de dificuldades e que às vezes pode parecer lento, corre paralelamente ao desabrochar das virtudes. A santificação de cada dia comporta o exercício de muitas virtudes humanas e sobrenaturais: a fé, a esperança, a caridade, a justiça, a fortaleza, a laboriosidade, a lealdade, o otimismo...

Para que possam crescer, as virtudes exigem muitos atos repetidos, pois cada um deles semeia na alma uma disposição que facilita o seguinte. A pessoa que, por exemplo, já ao levantar-se vive o “minuto heroico”, vencendo a preguiça desde o primeiro momento do dia, conseguirá com maior facilidade ser diligente nos outros deveres que a aguardam, sejam pequenos ou grandes, do mesmo modo que o esportista melhora a sua forma física e a capacidade de repetir os seus exercícios quando se treina com constância. As virtudes aperfeiçoam cada vez mais o homem, ao mesmo tempo que lhe permitem realizar mais facilmente boas obras e corresponder rápida e adequadamente à vontade de Deus em cada momento.

Sem as virtudes, cada ato bom se torna custoso e difícil, não passa de um ato isolado e não impede que venhamos a cair em faltas e pecados que nos afastam de Deus. A repetição de atos numa mesma direção deixa na alma um rasto que, conforme esses atos tenham sido bons ou maus, nos predispõe para o bem ou para o mal nas ações futuras. Daquele que se comporta bem habitualmente, pode-se esperar que, em face de uma dificuldade, continuará a comportar-se bem: esse hábito, essa virtude sustenta-o.

O exercício das virtudes indica-nos em cada instante o caminho que conduz ao Senhor. Quando um cristão, com a ajuda da graça, se esforça não só por afastar-se das ocasiões de pecado e resistir com firmeza às tentações, mas também por alcançar a santidade que Deus lhe pede, torna-se cada vez mais consciente de que a vida cristã lhe exige o desenvolvimento das virtudes. E é a isso que a Igreja nos convida, especialmente neste tempo da Quaresma: a crescer em hábitos operativos bons.

A SANTIDADE É EXERCÍCIO constante das virtudes humanas e sobrenaturais, um dia após outro, no ambiente e nas circunstâncias em que vivemos."

Recolhido da meditação diária de Falar com Deus, Tempo da Quaresma. Terceira Semana. Quarta-feira.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Água oxigenada - outra coisa utilíssima!

Do Face para vocês. Via: Projecto Apeiron - Apeiron edições

H2O2 – A ÁGUA OXIGENADA
Você acha a Água Oxigenada sem muita utilidade? Pois então, surpreenda-se!

A Água Oxigenada foi desenvolvida na década de 1920 por cientistas, com o objectivo de conter problemas de infecções e gangrena em soldados em frentes de batalhas. 


Numa solução a 3%, é um dos mais potentes desinfectantes que existem. Por que é tão pouco divulgada? Não dá lucro!

A eficácia doméstica da Água Oxigenada:

 
1. Uma colher de sobremesa do produto usada para bochechos e mantido na boca por alguns minutos, mata todos os germes bucais, branqueando os dentes! Cuspir após o bochecho.

2. Manter escovas de dentes numa solução de água oxigenada conserva as escovas livres de germes que causam gengivite e outros problemas bucais.

3. Um pouco de água oxigenada num pano desinfecta superfícies melhor do que qualquer outro produto. Excelente para usar em cozinhas e banheiros.

4. Tábuas de carne e outros utensílios são totalmente desinfectados após uso, com um pouco de água oxigenada. O produto mata qualquer bactéria ou germe, inclusive salmonelas.

5. Passada nos pés, à noite, evita problemas de frieiras e outros fungos que causam os principais problemas nos pés, inclusive os maus odores (chulé).

6. Passada em ferimentos (várias vezes ao dia) evita infecções e ajuda na cicatrização. Até casos de gangrena regrediram com o seu uso.

7. Numa mistura meio a meio com água pura, pode ser pingada no nariz em resfriados e sinusites. Esperar alguns instantes e assoar o nariz. Isso mata germes e outros micro-organismos nocivos.

8. Um pouco de água oxigenada na água do banho combate micoses e fungos e ajuda a manter a pele saudável.

9. Roupas que precisam de desinfecção (lençóis, fraldas etc.) ou aquelas em contacto com secreções corporais e sangue, podem ser totalmente desinfectadas se ficarem de molho numa solução contendo água oxigenada antes da lavagem normal.

10. Certamente você encontrará outras formas de usar a água oxigenada em sua casa.

terça-feira, 26 de março de 2013

A fruta proibida é a mais apetecida

Gosto muito dos ditados populares, eles falam, em sentido figurado, verdades em frases curtas.
Vemos muitas jovens, de boas famílias, numa eterna procura do ser amado, do seu futuro marido, quase sempre um ser utópico, criado na sua imaginação, uma cópia melhorada do pai ou do avô, com toques de Midas e Apolo. E o mesmo acontece com os rapazes: buscam meninas lindas, inteligentes, bem dotadas fisicamente e de preferência ricas.

A fruta proibida representa os sonhos inatingíveis, não porque não tenhamos capacidade para obtê-los, mas por total incompatibilidade com a realidade. É o caso daquela jovem que nunca acha o seu namorado o melhor pra si, porque simplesmente está com o olhar voltado para uma utopia, buscando o ouro sem jaça entre as pedras da vida.

Conta-se que, certa vez, um homem caminhava pela praia numa noite de lua cheia.

Pensava desta forma: Se tivesse um carro novo, seria feliz... Se tivesse uma casa grande, seria feliz... Se tivesse um excelente trabalho, seria feliz...

Foi quando tropeçou numa sacolinha cheia de pedras. Ele começou a jogar as pedrinhas, uma a uma, no mar, cada vez que dizia: Seria feliz se tivesse...

Assim o fez, ficando somente com uma pedrinha na sacola, que decidiu guardá-la.

Ao chegar a casa percebeu que aquela pedrinha tratava-se de um diamante muito valioso! Quantos não desperdiçou?


Minha mãe gostava de dizer que “não há beleza sem senão”; sempre haverá um ponto desfavorável em qualquer ser humano na face da terra. Cada um de nós tem muitas virtudes; porém, muitos defeitos também. Mesmo buscando a perfeição, estaremos muito longe de tê-la.

Essa busca incessante por alguém que possivelmente não existe, impossibilita-nos ver quem está bem ao nosso lado e que com certeza pode ser a outra metade da laranja, aquele ou aquela que nos complemente. É o diamante lançado ao mar.

Sonhar é muito bom, mas a realidade da vida é bem melhor quando temos ao nosso lado alguém que consegue nos aceitar como somos e alguém em quem possamos confiar e amar, sem limites, alguém que saiba somar com as nossas diferenças e fazer tudo ficar perfeito então. Este ou esta será a nossa gema preciosa que só precisava de uma atenção maior.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Procurando a ponta da linha

Quem já precisou ao menos uma vez na vida pregar um botão, ou soltar pipas,  sabe exatamente o que é achar a ponta, o início da linha no carretel. A tarefa muitas vezes não é fácil e requer atenção e paciência, dali sairá, então, toda a linha que vamos precisar para costurar.

Assim é também na nossa vida diária quando temos que “costurar” algo que puiu com o tempo ou com as viradas da convivência familiar.  Vamos precisar de paciência e esforço para encontrar a “ponta da linha”, o início do revés, para podermos, desse ponto, começar as mudanças ou recomeçar a luta para salvar a união de todos.

Como o centro da família é o casal, será aí o início da procura pela ponta. Nada fácil, por sinal. Temos que nos empenhar, e muito, para desembolar o carretel e tornar a por toda a “linha” no lugar.
Quando todos brigam e ninguém tem razão, teremos que instituir algum membro do lar para arrumar o jeitinho de achar a saída para recuperar a harmonia familiar. Nessa hora, entra a mulher, como sempre a famosa salvadora da pátria.

Palavrinha tão bonita, chega a soar como a uma valsa de Strauss, mas, ao mesmo tempo, muito complexa e de difícil ajuste. Harmonia....

Harmonia no samba, na pintura, no vestir-se, para tudo ela é a chave da beleza, e muitas vezes da felicidade. E a harmonia do casal deve vir a frente de tudo, a custo de luta e sacrifícios diários. Mas, como? Achando o início , a ponta das diferenças, o momento exato onde começam a ficar em desequilíbrio.

Essa receita de bolo também procuro eu todos os dias, para obter essa beleza familiar. Esse encontro de perfeição; mas , confesso, não é fácil.

Quando pensamos que estamos dominando o iceberg, descobrimos que ele é muito maior do que pensamos, e o Titanic familiar parece afundar. E aí, então, começamos tudo de novo. A vida do lar é assim mesmo, um começar e recomeçar todos os dias. Contando com nossas mudanças hormonais, de humor e de condições físicas.

A única coisa certa é o amor que deve reinar entre todos e o desejo do bem comum. O resto vamos corrigindo o rumo a cada dia que se passa. Com isso não teremos a rotina como a vilã traiçoeira que destrói muitos lares, porque estaremos sempre fazendo um esforço novo para tornar o outro dia um recomeço melhor.

domingo, 24 de março de 2013

A essência da liderança: o caráter – parte 2

Segunda parte da reprodução,  do capítulo referido na parte 1, do excelente livro Virtudes e Liderança, de Alexandre Harvard.

O que caracteriza um líder é a sua magnanimidade e a sua humildade.  O líder tem um sonho, um sonho do qual nascem invariavelmente um ideal e uma missão. A magnanimidade é a virtude que produz nele esse elevado estado do espírito.

Mas a liderança não consiste apenas em pensar grande. Um líder é sempre um servidor: um servidor dos seus companheiros, dos seus empregados, dos seus filhos, dos seus concidadãos, um servidor de toda a humanidade. A essência do serviço é a humildade. Ao praticar a humildade, o líder respeita a dignidade conatural daquele a quem serve e, em particular, a dos que participam de uma missão comum.

Magnanimidade e humildade são virtudes inseparáveis da liderança. A magnanimidade é a origem das ambições nobres; a humildade canaliza essas ambições para o serviço aos outros. A magnanimidade e a humildade são, por excelência, virtudes do coração. Conferem ao líder que as possui uma importante dose de carisma, que não é esse "dom" de eletrizar as multidões que algumas pessoas possuem. Com esse duvidoso talento pode-se gerar entusiasmo a curto prazo, mas poucas vezes confiança; ao final, acaba-se por provocar riso e desprezo. Mussolini é um bom exemplo disso. A liderança não é demagogia, mas virtude provada pelo tempo.

A magnanimidade está em crise. A estranha mistura de individualismo e coletivismo da sociedade moderna produz gerações de pusilâmines, gente sem ideal, sem missão, sem vocação:"os entrevados de coração", como disse Jacques Brel. Cada um defende as fronteiras do seu próprio ego (individualismo), desse ego que a sociedade considera como um átomo de inexistência (socialismo) Isso leva ao seguinte resultado:"Eu, eu, eu e nada mais do que eu.(...)

Também a humildade já teve dias melhores. A cultura moderna considera-a com desprezo, como a virtude do serviço. A palavra "serviço" era antigamente uma das palavras mais nobres que se podiam pronunciar. No Japão, dava-se ao "servidor" o bonito nome de samurai. Hoje em dia, quando falamos de serviço, pensamos em serviços comerciais, em serviços remunerados.

Se a magnanimidade e a humildade - que constituem os pilares da liderança - são principalmente virtudes do coração; já as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e autodomínio - que constituem os alicerces da liderança - são sobretudo virtudes da inteligência e da vontade. Dentre as virtudes cardeais, a prudência, virtude específica dos que têm que tomar decisões, é a mais importante: para dirigir com eficácia, precisa-se sobretudo da capacidade de tomar boas decisões.                                                   [...]

Assim o diz Stephen Covey: "Quando trato de usar estratégias de influência e táticas para conseguir que os outros façam o que eu quero, que trabalhem melhor, que se sintam mais motivados, que eu consiga agradar-lhes e que haja entre eles um bom relacionamento, nunca poderei ter êxito a longo prazo se o meu caráter for fundamentalmente imperfeito e estiver marcado pela duplicidade e pela falta de sinceridade. A minha duplicidade alimentará a desconfiança e tudo o que eu fizer (mesmo que aplique boas técnicas de "relações humanas") será entendido como manipulação".

sábado, 23 de março de 2013

Campos de concentração na Polônia (Parte II): Birkenau (ou Auschwitz II)

Assim como Auschwitz, o campo de concentração nazista de Birkenau (também conhecido como Auschwitz II) é muito impressionante. Ao chegar ao pórtico que é exibido em muitos filmes, é impossível não se chocar com o tamanho do lugar, que abrigava até duzentos mil prisioneiros.

O famoso pórtico de Birkenau

O famoso pórtico de Birkenau, várias vezes retratado pelo cinema em filmes
como "Lista de Schindler"
São várias alas de barracões gigantescos que você facilmente perde de vista. Alguns foram demolidos, mas uma boa parte permanece de pé.

Cerca em Birkenau com barracões ao fundo Cerca em Birkenau com barracões ao fundo
Com o passar do tempo e a lotação cada vez maior dos barracões, a função do campo de Birkenau era mesmo a de matar pessoas em grande escala. Tanto que muitos dos que desembarcavam dos trens ali dentro já iam direto para as câmaras de gás, com a desculpa de que seriam desinfectados após a longa e insalubre viagem até o campo. Havia um lugar para eles deixarem seus pertences, tirarem as roupas... Mas a verdade é que em apenas alguns minutos eles estariam mortos.

Os vagões de carga que chegavam superlotados de passageiros em Birkenau Um dos vagões de carga que chegavam superlotados de passageiros em Birkenau
Em Birkenau, foi construída uma câmara de gás gigantesca capaz de matar até 2.500 pessoas ao mesmo tempo. Essa máquina da morte trabalhou com força total entre 1943 e 1944. No mesmo prédio, havia vários incineradores nos crematórios, que foram destruídos pelos nazistas  (usando mais de 20 mil dinamites) em novembro de 1944, antes de abandonarem o campo, na tentativa de eliminar as evidências de seus crimes. Hoje restam apenas os alicerces desse lugar macabro.

Prédio em que funcionavam as câmeras de gás e os crematórios em Birkenau Reuínas de prédio em que funcionavam as câmeras de gás e os crematórios em Birkenau
Segundo a guia que nos acompanhou durante a visita ao complexo Auschwitz-Birkenau, para abafar os gritos desesperados das pessoas que ficavam confinadas nas câmaras de gás, os soldados tocavam durante todo o dia marchinhas alegres em um volume bem alto. Mas acredito muitos dos prisioneiros dos campos já conheciam o seu destino.

Homenagem aos mortos em Birkenau Homenagem da Alemanha aos mortos em Birkenau
No campo de Birkenau há também um memorial formado por várias pedras, onde homenagens são prestadas diariamente aos mortos.

Placa em homenagem aos mortos em Auschwitz-Birkenau Placa em homenagem aos mortos em Auschwitz-Birkenau
Considero que as condições de sobrevivência em Birkenau eram ainda mais cruéis do que em Auschwitz. Os barracões eram feitos em madeira e possuíam um vão de ventilação que devia tornar a temperatura do ambiente congelante no inverno. Em Auschwitz eles eram feito de tijolos e podiam ser totalmente fechados.

Dormitório em Birkenau Dormitório em Birkenau que chegava a abrigar simultaneamente 400 pessoas
Os banheiros eram coletivos e insalubres e só podiam ser usados por alguns segundos duas vezes ao dia. E o acesso à comida e a medicamentos era quase inexistente.

Banheiro coletivo em Birkenau
Banheiro coletivo em Birkenau
Como visitei o campo no inverno, pude sentir que o local é absurdamente frio. Mesmo com vários casacos, luvas e gorro senti o vento cortante que corre pelo terreno e que torna o lugar ainda mais assustador. Fiquei imaginando como as pessoas conseguiam sobreviver a essas condições somente com o uniforme listrado composto por uma calça e uma blusa de manga comprida, sem meias e com um sapato de couro.

Uma das alas do campo de Birkenau Uma das alas do campo de Birkenau
Abaixo deixo mais algumas fotos desse lugar que marcou a nossa história de uma maneira muito trágica e que hoje é considerado um Patrimônio Mundial por sua importância histórica. E se você ainda não leu o relato sobre o campo de Auschwitz, clique aqui para acessá-lo.


Cerca em Auschwitz Cerca em Birkenau com rosa em homenagem aos mortos
O pórtico de Birkenau e a cerca eletrificada O pórtico de Birkenau e a cerca eletrificada
Uma imensidão que parece não ter fim Uma imensidão que parece não ter fim