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quarta-feira, 9 de março de 2016

O que nos faz chorar?

Não tem muito tempo presenciei uma cena inusitada: a jovem chegara de viagem, depois de 48 h em diversos aviões, ainda assim, falante e sorridente. Porém ao chegar em casa e sentar-se à mesa para almoçar, se depara com várias comidas gostosas e começa a se servir. Até que pega a farofa, aquela de bacon e cebola frita. Neste momento para e começa a chorar.

Os que estavam a sua volta começam a brincar dizendo que era a saudade da farofa! A mãe brinca e diz “não chorou quando me viu, e agora chora com a farofa!". A verdade era que a farofa foi a gota d'água no copo transbordante. Ela representava estar de novo em seu lar, na sua família. Entre todos que a amavam de verdade.

A farofa transformou-se em piada entre todos os que presenciaram a cena. Passou a ser vista como ícone e elo da terra natal, mas na realidade ela apenas serviu de razão para transbordar todas as emoções dos últimos meses longe de todos.

Outra cena que assisti foi comigo, ao fechar uma janela de guilhotina, a dita despencou e caiu direto em meu braço e mão. Chorei, chorei muito, aproveitei pra chorar todas as lágrimas por todos os erros que já cometi na vida. Pelos que sofrem, pela crise no nosso país, pelo mundo tão sofrido.
 O engraçado é que na hora, com toda a dor, ainda tive esses pensamentos para justificar tanto choro. As lágrimas nos ajudam a lavar a alma. Quando terminam nos trazem um relaxamento, uma calma, quase que igual a uma anestesia. Chorar  também faz bem, mas é preciso uma causa, uma razão.

Quando as crianças eram pequenas e começavam a chorar à toa eu sempre perguntava: “querem umas palmadas pra chorar com razão?". Quase sempre surtia efeito e o choro terminava.

Hoje podemos nos perguntar: "o que me faz chorar?" Até de alegria se chora. Sem lamentos, apenas como transbordamento, uma válvula de escape que está bem nos nossos olhos.  Como estão nossas emoções?

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A dor de um filho na UTI

Hoje conversando com uma amiga sobre outra amiga que está com o filhinho na UTI, desde que nasceu, está me perguntou se a mãe pode estar doente logo depois do parto. Porque reparou que ela está com dores até para sentar.

Lembrei-me um pouco do que vivi com nossa 9ª filha, quando nasceu prematura, e ficou na UTI neonatal.  É fato, realmente sentimos dores. Nos Mães de UTI Não tivemos tempo para um resguardo, ficamos de pé quase o dia todo, ao lado da incubadora, tentando fazer-nos presente para o nosso frágil bebê. Sofremos a dor irreal de sentir-nos culpadas por nosso filhinho ter essa ou aquela deficiência. Ficamos nos perguntando o tempo todo o que poderíamos ter feito melhor para que essa pequena criança não tivesse este sofrimento. Isso dói muito, no fundo da nossa alma.

Além do desgaste físico existe o desgaste moral, da espera "do sabe lá o quê", o que vai acontecer ao nosso indefeso bebê. Quando sairá desta situação, que futuro podemos ver dentro de uma UTI com vários bebês requerendo cuidados especiais. Alguns até não resistindo aos tratamentos; presenciar tudo isso é sobre humano. Só mesmo com uma fé, uma confiança ilimitada no nosso Pai Deus para levarmos cada dia para frente, com paciência e oração.

Cada melhora é uma vitória, um motivo de alegria sem fim. É cada queda é mais um calvário que vivemos.

Este filho é o que mais necessita de nós a seu lado, mesmo que tenhamos outros, será este o que vai nos consumir o maior tempo que pudermos dar a ele. Este calor humano tem um efeito sobrenatural, e nem a medicina sabe explicar bem o porquê da criança, que tem atenção e carinho, se desenvolver melhor do que os que ficam mais sozinhos nas encubadoras.

A dor nos fortalece, nos aproxima do calvário de Cristo. É o que no futuro nos deixará mais fortes, mais resistentes.

Não temos ideia de quanto tempo nosso bebe ficará internado, e a medida deste tempo nos parece interminável. Mas vale a pena , pois depois veremos nosso filho alegre , saudável e feliz. Deste modo então esquecemos todo o resto.

Essa sensação ruim perdura por algum tempo dentro de nós, mas nada como o tempo para apagar essas tristes recordações.  Só não podemos desistir nunca e fazermos até o fim o máximo que pudermos fazer, mesmo que nos doa.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Primeiros dentinhos dos nossos bebês

Quando os dentes estão para nascer, nossos bebês ficam mais irritadiços e chorões, por causa do desconforto que a erupção dos dentes provoca, e acabamos preocupadas, sem saber o que fazer para acalmar o bebê.

Os dentes começam a aparecer mais ou menos aos seis meses de idade, e quase sempre são os incisivos centrais inferiores. Depois aparecem os incisivos centrais superiores, seguido pelos incisivos laterais inferiores. Por volta de um ano e meio surgem os incisivos laterais superiores. Só então começa a erupção dos dentes mais posteriores como os primeiros molares, os caninos e os segundos molares. Porém, só aos três anos, a criança terá todos os dentes de leite. Ao todo, são 10 dentinhos na arcada de cima e 10 na arcada de baixo. Nós mães não devemos ficar preocupadas se até no primeiro aninho do nosso filho, nenhum dente apareça. É normal um atraso de até oito meses.

Os primeiros sinais de que os dentinhos estão chegando são coceira na gengiva pela pressão dos dentes, gengiva mais abaulada e esbranquiçada e aumento da salivação por conta do amadurecimento das glândulas salivares e pela incapacidade do bebê engolir toda a saliva. Todos esses sintomas deixam o sono do bebê mais agitado.

Pode acontecer que neste período da dentição, o bebê coloque mais coisas na boca, para “coçar” a gengiva e ingira impurezas podendo assim ocasionar estados febris, vômitos e diarreias, sintomas sempre relacionados com o aparecimento dos primeiros dentinhos. O ideal é que tenha mordedores limpinhos para massagear a gengiva. O alívio será maior se o mordedor ficar na geladeira, o frio ajuda a confortar a região. Alimentos mais consistentes também ajudarão a massagear a gengiva além de estimular e ensinar a mastigação.

Devemos consultar o pediatra para nos orientar quando será necessário fazer uso de analgésicos e antitérmicos, no caso da irritação ser muito forte. Podemos ainda fazer uma massagem com o dedo indicador em toda gengiva, sempre com a mão bem limpa.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Não nos perturbemos com os nossos defeitos

O bom e o mau arrependimento

"A tristeza que é segundo Deus, afirma S. Paulo, produz uma penitência estável para a salvação; a tristeza do mundo produz a morte." (2 Cor 7,10) A tristeza pode, pois, ser boa ou má, conforme os efeitos que produza em nós. Mas, em geral, produz mais efeitos maus que bons, porque os bons são apenas dois: a misericórdia - o pesar pelo mal dos outros -, e a penitência - a dor de ter ofendido a Deus -, ao passo que os maus são seis: medo, preguiça, indignação, ciúme, inveja e impaciência. Por isso, diz o Sábio: "A tristeza mata a muitos e não há utilidade nela"(Ecle 30,25), já que, para dois regatos de águas límpidas que nascem do manancial da tristeza, nascem seis de águas poluídas).

"Devemos entristecermo-nos, mas com um arrependimento verdadeiro, não com uma dor mal-humorada, cheia de despeito e indignação. O verdadeiro arrependimento é sempre calmo, como todo o sentimento inspirado pelo bom Espírito: "o Senhor não está a perturbação“ (3 Re 19,11). Onde principiam a inquietação e a perturbação, a tristeza má passa a ocupar o lugar da tristeza boa.
"A má tristeza - insiste S. Francisco de Sales - deprime e perturba a alma, inquieta-a, incute-lhe temores desmedidos, tira-lhe o gosto pela oração, atordoa e fatiga lhe a cabeça, impede-a de tirar proveito dos bons conselhos, de tomar resoluções, de formar juízos, de ter coragem, e abate-lhe as forças.(...)

Em resumo: não vos aborreçais, ou, pelo menos, não vos perturbeis por vos terdes perturbado; não vos abaleis por vos terdes abalado; não vos inquieteis por vos terdes inquietado por causa desses impulsos incômodos. Recuperai o domínio do vosso coração e colocai-o suavemente nas mãos do Senhor. Fazei, na medida do possível, que o vosso coração torne a estar em paz convosco mesma, ainda que vos saibais miserável...

Sempre que virdes o vosso coração amargurado, limitai-vos simplesmente a apanhá-lo com a ponta dos dedos, não de punho fechado, bruscamente... É necessário ter paciência e afagar o coração, animando-o; e quando estiver muito intranquilo, é preciso segurá-lo como a um cavalo desembestado, firmemente, sem o deixar correr à solta atrás dos sentimentos."

Extraído do livro “A arte de aproveitar as próprias faltas”, de Joseph Tissot

terça-feira, 11 de junho de 2013

Profissionais em contato com a dor

Não é fácil enfrentar a situação de pessoas que sofrem diariamente e, ao mesmo tempo, manter um interesse vivo por seus problemas e suas tristezas. Nestas circunstâncias existe o risco de manipular a dor de forma anônima, tentando aliviar falsamente a atmosfera na qual devem viver diariamente os profissionais da medicina. 

Podem-se encontrar enfermeiras muito competentes a quem a dor já não lhes afeta profundamente. Em lugar de ver o paciente como um ser humano, com uma visão integral de suas necessidades, centram sua preocupação no que se requer para responder às necessidades clínicas da pessoa. 

Os médicos também se encontram frequentemente em perigo de considerar aos pacientes desde um ponto de vista meramente pragmático, limitando sua atenção ao diagnóstico e as opções terapêuticas.
As palavras do Fundador do Opus Dei a um cirurgião ortopedista são significativas. O médico lhe perguntou como era possível evitar a rotina em sua profissão: “Vive na presença de Deus, como seguramente já fazes. Necessitas colocar em prática vossa alma sacerdotal! Quando  lavas as mãos, quando usas teu jaleco branco, quando colocas as luvas, pensa em Deus e em seu sacerdócio real, ao qual São Pedro se refere. Só assim evitarás a rotina no trabalho. Farás bem ao corpo e também para a alma” .
 
O trabalho dos médicos e das enfermeiras é uma realização ininterrupta e intangível do que levou a cabo nosso Senhor durante sua vida na terra. Seus milagres o demonstram: os cegos podiam ver; os mudos podiam fala; os surdos podiam ouvir; os coxos, caminhar. Curou aos epiléticos e aos leprosos, inclusive ressuscitou mortos.

Um médico ao ler o Evangelho, não pode evitar de perceber a profunda compaixão de Jesus quando se aproximava dos enfermos, tomando Ele a iniciativa para ir ao seu encontro e atendendo sempre as suas súplicas. Sem dúvida, o Senhor estabeleceu sim uma condição: fé, uma fé humana e sobrenatural nEle.

São Josemaria recordava aos médicos a dimensão única que possui sua relação pessoa com o paciente, e os estimulava a evitar cair na rotina de seu trabalho. Os incitava a manter seu coração em sintonia com o coração de Deus. Não se tratava de sentimentalismo, mas de forte convicção de que não se pode exercer a profissão médica como se fosse qualquer outra profissão, nem sequer movido meramente pelo amor à ciência.

Em uma ocasião, algumas enfermeiras lhe perguntaram como poderiam melhorar seu trabalho, e ele respondeu: “Necessitamos de muitas enfermeiras cristãs. Vosso trabalho é um sacerdócio, muito mais que o trabalho de um médico. Disse muito mais porque vós tendes a delicadeza, a proximidade de estar sempre perto do paciente. Creio que para ser enfermeira, se requer uma verdadeira vocação cristã. Para aperfeiçoar esta vocação, requer-se estar cientificamente preparada e ter uma grande delicadeza”.

Em outra oportunidade, explicou ainda mais a abordagem anterior: “...Pensais que estais cuidando da Sagrada Família de Nazaré e que a pessoa enferma é Jesus [...] Ou pensais que é sua Mãe. Tratai-os com amor, com cuidado, com delicadeza. garanta-lhes de que não precisem de nada [...] Eu rezo por vós porque penso no bem ou no mal que podeis fazer. A uma pessoa que está espiritualmente preparada, pode-se lhe falar de seu estado com franqueza. Porém se este não é o caso, deveis aproveitar qualquer oportunidade para ajudar-lhes a se aproximarem da Confissão e receber a Comunhão. E chegará o momento em que a pessoa que está enferma, desejará que lhe diga que vai ao Céu. Eu mesmo conheço alguns belos exemplos”.

Mais de uma vez, São Josemaria enfatizou a dimensão sacerdotal deste trabalho: “Impressiona-me quando me dizem algo que muitos de vós conheceis. Os médicos devem não só preocupar-se com o estado físico do paciente mas também com o de sua alma”.

Resumo de um texto do site www.opusdei.org

sexta-feira, 29 de março de 2013

O sofrimento e o amor - Dois modos de encarar a mesma dor

Faz alguns anos, no espaço de um mês, tive que ficar muito perto de dois grandes sofrimentos: dois casos de pais que haviam perdido um filho adolescente de maneira repentina e trágica. Conversei longamente com o primeiro e, uns trinta dias mais tarde, com o outro. O primeiro afundara-se numa dor insuportável, que
lhe abalou os alicerces da vida e lhe asfixiou a fé. Repetia depois, ao longo dos anos, num desabafo amaríssimo e cheio de rancor, que a sua vida tinha perdido o sentido, que não sabia se Deus existia ou não, mas que não se importava, porque já o tinha “apagado” e não queria saber mais dEle. Fechado na sua solidão desesperada definhava e tornava difícil a existência dos que conviviam com ele. E é que, sem a luz da fé, o homem fica abandonado ao turbilhão da vida, é como um cego golpeado por um mundo cruel e incompreensível, sem mais alternativa que o terror ou a revolta, a frieza estoica, a resignação gelada ou o desespero.

O segundo pai sofreu tanto como o primeiro. Perder um filho é uma das maiores dores da vida, se não a máxima. Mas não permitiu que o sofrimento lhe vendasse os olhos nem se encapsulou na sua dor. No meio das lágrimas, fixou com força o olhar da alma em Cristo crucificado e, unido a Ele, rezou: Pai, seja feita a vossa vontade! Dentro do seu coração dizia: “Não entendo essa tua vontade, Pai, mas eu creio em Ti, eu espero em Ti, eu Te amo acima de todas as coisas”. No velório, ver esse pai –e a mãe igualmente, com o mesmo espírito- a rezar junto do corpo do filho, não causava constrangimento, mas comunicava uma serenidade superior a qualquer paz que se possa experimentar nesta terra, e elevava a todos para Deus, cuja presença lá se apalpava. Era uma serenidade estranha e poderosa, misturada com uma dor muito forte, que ficava sendo um enigma para os frios e os descrentes. Era mesmo um lampejo da sabedoria da Cruz de que fala São Paulo (Cf. 1 Cor 1,18-25).

“Entender” e “saber”

Como este segundo pai, nós também muitas vezes não “entendemos” o sofrimento, e é natural. É difícil compreender a doença incurável, a incapacitação física, a ruína psicológica dos que amamos, o desastre econômico… Não “entendemos”, mas… “sabemos” – com a certeza indestrutível da fé -, que Deus é Pai, que Deus é amor (I Jo 4,8) e, portanto –como diz com cálido otimismo São Paulo-, nós sabemos que Deus faz concorrer todas as coisas para o bem daqueles que o amam (Rom 8,28); faz concorrer também, e muito especialmente, os sofrimentos que Ele mesmo nos envia, ou os que Ele permite, ainda que os não queira, porque causados pela maldade dos homens. Então, essa nossa fé –dom precioso de Deus que não queremos extinguir–, nos permite o paradoxo inefável de sofrer e ter paz, de sofrer e manter no íntimo da alma uma misteriosa e fortíssima serenidade, uma imorredoura esperança. Assim sofreu Cristo na Cruz e assim sofreram os santos.

Extraído do site do Pe. Francisco Faus, em 26/03/13