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terça-feira, 23 de abril de 2013

Dez histórias do Papa Francisco antes de ser Papa - parte 2

Continuação de ontem, dia 15/4/2013
6 - Educação sexual - “A Igreja não se opõe à educação sexual. Pessoalmente, acredito que ela deve existir ao longo de todo o crescimento das crianças, adaptada a cada etapa. Na verdade, a Igreja sempre proporcionou educação sexual, ainda que, concedo, não o tenha feito sempre de um modo adequado. O que acontece é que, atualmente, muitos dos que levantam as bandeiras da educação sexual concebem-na separada da pessoa humana. Então, em vez de contar-se com uma lei de educação sexual para a plenitude da pessoa, para o amor, cai-se numa lei para a genitalidade. Essa é a nossa objeção. Não queremos que se degrade a pessoa humana. Só isso.” (El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubin y Francesca Ambrogetti, Vergara editor, pág. 92-93)

7 - Cozinha
— Cozinha atualmente?
— “Não, não tenho tempo. Mas quando vivia no colégio Máximo, de San Miguel, como aos domingos não havia cozinheira, eu cozinhava para os estudantes.”
— E cozinha bem?
— “Bem, nunca matei ninguém…”(El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubin e Francesca Ambrogetti, Vergara editor, p. 31)

8 - Pingue-pongue de perguntas e respostas
Como se apresentaria diante de um grupo que não o conhece?
— “Sou Jorge Bergoglio, sacerdote. É que gosto de ser sacerdote.”
Um lugar no mundo?
— “Buenos Aires.”
Uma pessoa?
— “Minha avó.”
Como prefere saber das notícias?
— “Lendo jornal. Ligo o rádio para escutar música clássica.”
Viaja muito de metrô? É seu transporte predileto?
— “Pego quase sempre pela rapidez, mas gosto mais do ônibus, porque vejo a rua.”
Teve namorada?
— “Sim. Formava parte do grupo de amigos com que costumávamos dançar.”
Porque terminou o namoro?
— “Descobri minha vocação religiosa.”
Tem algum parente que também abraçou a vocação religiosa?
— “Sim, o filho de minha irmã Marta. É sacerdote jesuíta como eu.”
Algum hobby?
— “Quando jovem eu colecionava selos. Agora, ler, que gosto muito, e escutar música.”
Uma obra literária?
— “A poesia de Hölderlin me apaixona. Igualmente, muitas obras da literatura italiana. Já li I promesi sposi umas quatro vezes. Outro tanto A Divina Comedia. Agradam-me Dostoievsky e Marechal.”
Borges? O senhor já se relacionou com ele.
— “Não sei o que dizer. Além de que Borges tinha a genialidade de falar praticamente de qualquer coisa sem alardear.”
Borges era agnóstico.
— “Um agnóstico que todas as noites rezava o pai-nosso, porque o prometera a sua mãe, e que morreu assistido religiosamente.”
Uma composição musical?
— “Entre as que mais admiro está a abertura Leonora nº 3 de Beethoven, na versão de Furtwängler. É, a meu entender, o melhor diretor de algumas de suas sinfonias e das obras de Wagner.”
Agrada-lhe o tango?
— “Muitíssimo. É algo que me sai de dentro. Acho que conheço bastante de suas duas etapas.”
Sabe dançar tango?
— “Sim. Dancei quando jovem, ainda que eu prefira a milonga.”
Seu esporte preferido?
— “Quando jovem, praticava o basquete, mas gostava de assistir futebol no estádio. Íamos toda a família, incluída minha mãe, para ver o San Lorenzo, o time de nossos amores. Meus pais eram de Almagro, o bairro do clube.” (El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, Vergara editor, pp. 118-120)

9 - Nomeação — “[Depois de uma conversa com o Núncio, ele] me informa: ‘Ah… uma última coisa… o senhor foi nomeado bispo auxiliar de Buenos Aires e a designação se tornará pública no dia 20…’ Assim, sem mais, ele me comunicou.”
— E qual foi a sua reação?
— “Fiquei bloqueado. Como expliquei antes, sempre fico bloqueado diante de um golpe, bom ou mau.”
— Pelo menos, diga-nos o que sentia quando via o seu nome entre os grandes candidatos a Papa… [sobre o conclave de 2005].
— Pudor, vergonha. Pensava que os jornalistas estavam loucos.  (El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, Vergara editor, pp. 125-126)

10 - Dor e ressentimento - “A dor, que é também outra chaga, é um campo aberto. O ressentimento é como uma casa lotada, onde vive muita gente amontoada que não tem céu. Enquanto que a dor é como uma vila onde também há excesso de gente, mas se vê o céu. Noutras palavras, a dor está aberta à oração, à ternura, à companhia de um amigo, a mil coisas que dignificam as pessoas. Ou seja, a dor é uma situação mais sã. Assim de diz a experiência.” (El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, Vergara editor, pp. 143)

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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dez histórias do Papa Francisco antes de ser Papa - parte 1

O tango, San Lorenzo, Borges, seu bairro e seu primeiro trabalho com uma chefe próxima ao comunismo, a cozinha, sua vocação, a dor e o ressentimento, o drama do aborto e a educação sexual… E, não poderia faltar, a nova evangelização. Extraídos do livro “El Jesuita”, de Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, transcrevemos dez fragmentos particularmente reveladores.

1 - Trabalho - “Agradeço tanto o meu pai que me mandou trabalhar. O trabalho foi uma das coisas que me fez mais bem na vida e, particularmente, no laboratório aprendi o bom e o mau de toda tarefa humana (…). Ali tive uma chefe extraordinária, Esther Balestrino de Careaga, uma paraguaia simpatizante do comunismo, a qual sofreu anos depois, durante a última ditadura, o sequestro de uma filha e um genro, e depois foi raptada (…) e assassinada. Atualmente está enterrada na igreja de Santa Cruz.  Eu gostava muito dela. (…) Ensinou-me a seriedade do trabalho. Realmente, devo muito a essa grande mulher” (El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, Vergara editor, pág. 34)

2 - Vocação - Quando rondava os 17 anos, em um 21 de setembro (dia em que na Argentina os jovens celebram o dia do estudante), preparava-se para sair e festejar com seus companheiros. Mas decidiu começar o dia visitando sua paróquia. Quando chegou, encontrou-se com um sacerdote que não conhecia e que lhe transmitiu uma grande espiritualidade, pelo que decidiu confessar-se com ele. “Nessa confissão me aconteceu algo estranho, não sei o que foi, mas que me mudou a vida; eu diria que me surpreenderam de baixa guarda.” Mais de meio século depois, interpreta assim o fato: “Foi a surpresa, o estupor de um encontro; dei-me conta de que me estavam esperando. Isso é a experiência religiosa: um estupor de encontrar-se com alguém que está esperando você. Desde esse momento, Deus é para mim quem ‘se faz primeiro’. Você busca a Deus, mas Deus procura você primeiro. Você quer encontra-lo, mas ele o encontra primeiro”. “Primeiro, eu contei ao meu pai e a ele lhe pareceu muito bom. Mas a reação de minha mãe foi diferente. A verdade é que a boa velha ficou chateada. (El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, Vergara editor, pp. 45-47)

3 - Nova Evangelização - “A Igreja, por vir de uma época em que era favorecida pelo modelo cultural, acostumou-se a que seus pedidos fossem atendidos, as portas lhes fossem abertas, suas instâncias fossem secundadas. Isso funcionava numa comunidade evangelizada. Mas na atual situação, a Igreja necessita transformar suas estruturas e modos pastorais orientando-os de modo a que sejam missionários. Não podemos permanecer num estilo ‘clientelista’ que, positivamente, espera que venha ‘o cliente’, o freguês, mas precisamos ter estruturas para ir aonde precisam de nós, aonde estão as pessoas, àqueles que mesmo desejando não se aproximarão das estruturas e formas caducas que não respondem a suas expectativas e a sua sensibilidade.
Temos de ver, com grande criatividade, como nos fazemos presentes nos ambientes da sociedade fazendo que as paróquias e instituições sejam instâncias que lancem a esses ambientes. Revisar a vida interna da Igreja para alcançar o fiel povo de Deus. A conversão pastoral nos chama a passar de uma Igreja ‘reguladora da fé’ a uma Igreja ‘transmissora e facilitadora da fé’. (De las Orientaciones para la promoción del Bautismo, de la Arquidiócesis de Buenos Aires, en El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, Vergara editor, p. 77-78)

4 - Divorciados na Igreja
— Que diria aos divorciados que estão numa nova união?
— “Que se integrem à comunidade paroquial, que trabalhem ali, porque há coisas numa paróquia que eles podem fazer. Que procurem ser parte da comunidade espiritual, que é o que aconselham os documentos pontifícios e o Magistério da Igreja. O Papa assinalou que a Igreja os acompanha nessa situação. É certo que alguns deles se doem de não poder comungar. O que lhes falta nesses casos é que as coisas lhes sejam bem explicadas. Existem casos em que isso é complicado. É uma explicação teológica que alguns sacerdotes expõem muito bem e as pessoas entendem.” (El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín e Francesca Ambrogetti, Vergara editor, pág. 91)

5 - Aborto e direitos da mulher — “A batalha contra o aborto a situo na batalha a favor da vida desde a concepção. Isto inclui o cuidado da mãe durante a gravidez, a existência de leis que protejam a mulher no pós-parto, a necessidade de assegurar uma adequada alimentação das crianças, como também de brindar uma atenção sanitária ao longo de toda a vida, o cuidado dos nossos avós e não recorrer à eutanásia. Porque tampouco deve ‘submatar-se’ com uma insuficiente alimentação ou uma educação ausente ou deficiente, que são formas de experimentar uma vida plena. Se há uma concepção a respeitar, também há uma vida a cuidar.”
— Muitos dizem que a oposição ao aborto é uma questão religiosa.
— “Ora vamos… Uma mulher grávida não leva no ventre uma escova de dentes; tampouco um tumor. A ciência ensina que desde o momento da concepção, o novo ser tem todo o código genético. É impressionante. Não é, portanto, uma questão religiosa, mas claramente moral com base científica, porque estamos na presença de um ser humano.”
— Mas a graduação moral de uma mulher que aborta é a mesma que a de quem o pratica?
— “Não falaria de graduação. De fato, uma mulher que aborta — sabe lá por que pressões tenha passado! — a mim me dá, não digo lástima, mas muita compaixão no sentido bíblico da palavra, ou seja, de compadecer e acompanhar, do que aqueles profissionais — se é que são profissionais — que atuam por dinheiro e com singular frialdade. (…) Essa frialdade contrasta com os problemas de consciência, os remorsos que, ao cabo de uns anos, têm muitas mulheres que abortaram. É preciso estar no confessionário e escutar esses dramas, pois elas sabem que mataram um filho.” (El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio, SJ., Sergio Rubín y Francesca Ambrogetti, Vergara editor, pág. 91)

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domingo, 21 de abril de 2013

Diversão para a família - “DENTRO DE CASA” – suspense

"DENTRO DE CASA" – suspense

Produção francesa, 2012. 105 minutos- indicação: 14 anos

Kristin Scott Thomas e Fabrice Luchini (como o professor Germain), excelentes atores, assim como os dois adolescentes colegas de classe, Ernst Umhauer (Claude), e Rapha (Bastien Ughetto), se destacam nesse filme.

É um drama intrigante e hipnótico, com roteiro extraído de uma peça espanhola. A estória tem como centro a relação entre um professor e seu aluno de 16 anos, com forte inclinação para a literatura.

Seus temas, nas redações pedidas como trabalho de casa pelo professor, envolvem sempre a vida íntima, cotidiana, familiar de um colega de classe (Rapha) e chega ao extremo de parecer que o aluno, Claude, já faz parte daquele lar. Essa intromissão permanente como observador nos assuntos da família se deve em parte aos convites feitos pelos pais do colega para que fique até mais tarde para jantar, após ajudar o filho nos deveres de matemática.

O final da trama é tão surpreendente quanto o de um livro eletrizante.

sábado, 20 de abril de 2013

Aproveite suas tristezas

A ciência (ainda) não comprovou a relação entre o surgimento de um câncer e uma grande mágoa, mas já estabeleceu o efeito nocivo que emoções negativas, principalmente por um longo período, aumentam a produção do hormônio  cortisol no organismo, debilitando o sistema imunológico e predispondo a doenças. É óbvio que dores físicas e emocionais fazem parte da vida, não há como evitá-las e não se deve guardá-las ou camuflá-las também. Todavia, podem ser trabalhadas e delas extraídos benefícios psíquicos, morais e espirituais.

A famosa abreviação da máxima paulina, "omnia in bonum", tudo concorre para o bem (dos que amam a Deus)" pode ser o ponto de partida. Ninguém acha bom uma perda, traição, doença grave, mas deve se motivar a tirar disso sua própria receita de sobrevivência, para seu bem e dos que cercam. Ficar enjaulado em seu próprio sofrimento só faz aumentá-lo; ele se agiganta e domina a pessoa e tudo que ama. Fácil é falar, mas como fazer?

Identificar o sentimento, as várias sensações negativas e seus motivos ajuda a traçar um rota de "trabalho". É ressentimento? De quem  ou do quê? O motivo persiste ou já ficou no passado? A pessoa responsável se desculpou, retificou? Então está o sofredor se alimentando de "carne" fora da validade, podre, como uma hiena histérica? Terapia; bons conselhos; conversa franca mas amável com o(a) ofensor(a;, confissão; humildade para perdoar como quer ser perdoado; essas são boas rotas de salvação.

A perda de alguém muito amado nos dá o direito
de chorar e nos debater; sofrer é mais do que natural, é normal, saudável, desde que esse luto não se prolongue indefinidamente, ainda que a saudade nunca acabe. Procurar a companhia de outras pessoas queridas ajuda, e também sair com elas, permitir-se alguma diversão amena, mudar de ambiente.

Atividades relaxantes e prazerosas, mesmo usufruídas sozinha, como colocar um DVD de que goste e dançar à vontade em casa, até ir a um show ou sambar até cansar (serve dançar rock, tango, o que for) trazem um alívio enorme, insuspeitado. E o que mais bem faz, muitos já comprovaram, é falar com o Pai, confiar na sua infinita Misericórdia, agradecer-lhe pelas inumeráveis graças derramadas em nossa vida a cada segundo, e entregar-lhe o passado, o presente e o futuro, para os que acreditam,  nas mãos de sua Mãe Santíssima, que está sempre pronta a nos acolher, acalmar e levar nossos necessidades a seu Filho.
                                                          Maria Teresa Serman

sexta-feira, 19 de abril de 2013

EmContando - 30 - As Narrativas Maravilhosas

Na  semana passada falei do entusiasmo  com que  redescobri, depois de adulta, a magia dessas narrativas. Hoje, comentarei sobre o surgimento delas, da diferença entre Contos de Fadas e Contos Maravilhosos, sua fusão e transformação.

Desde as origens do mundo, o homem sente a presença de poderes maiores  do que sua vontade e seu poder pessoal. A ânsia de descobrir, conhecer e harmonizar aquilo que ultrapassa os limites que nele é simplesmente humano, foi sempre expressa de forma significativa através da literatura. Essas narrativas, nascidas entre os povos da Antiguidade, chegaram até nós em forma de lendas, mitos, contos e sagas. Fundidas e transformadas, assumiram um caráter diferente em cada época e em cada lugar.

Conto de Fadas e Conto Maravilhoso

As duas denominações vêm sendo usadas indistintamente para englobar todas as narrativas que fazem parte do acervo da chamada Literatura Infantil Clássica (“Chapeuzinho Vermelho”, “O Pequeno Polegar”, “Os Músicos de Bremen”, “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa” etc. ) Os dois grupos são porém, distintos quanto à problemática que gera os contos que os formam.

Os Contos de Fadas têm como fonte geradora uma problemática existencial, isto é, a realização essencial do herói ou da heroína. Aqui, para que o herói alcance sua autorrealização existencial, precisa vencer provas e obstáculos. Ex.: O príncipe encontra a princesa que representa o ideal a ser alcançado. Os Contos de Fadas  são de origem celta e são essencialmente idealistas e preocupados com os valores do espírito. Primitivamente eram poemas independentes que chegaram, como tais, até os tempos do Rei Arthur.

Já o eixo gerador dos Contos Maravilhosos se encontra em uma problemática social ou ligada à vida prática e concreta. O desejo de autorrealização do herói está em suas necessidades materiais básicas, isto é, estômago, sexo poder etc. A paixão efêmera está no lugar do amor espiritual, eterno. Estes contos originaram-se das narrativas orientais.

A  Fusão e a Transformação

Na Idade Média, todo esse acervo pagão, vindo principalmente dos países nórdicos  e das terras do oriente, modifica-se segundo a nova visão  do mundo gerada pelo espiritualismo cristão. O Império Romano foi o grande responsável por tal fusão, uma vez que trouxe para o Ocidente toda a magia, a sabedoria e o conhecimento do Oriente, incluindo o conhecimento bíblico dos hebreus e o próprio cristianismo.

Toda essa maravilhosa literatura antiga destinava-se aos adultos e é na passagem da era clássica para a era romântica que ela, já integrada à tradição oral popular, se transforma em literatura para crianças. Estão nessa área as adaptações  dos contos das
Mil e Uma Noites, os contos de Perrault  (França) , dos Irmãos Grimm (Alemanha), as fábulas de La Fontaine e outros. O início da transformação deu-se concretamente no século XVII, na França, com Charles Perrault.

Nos dias de hoje, essas histórias ganharam belíssimas ilustrações e adaptações das mais variadas; às vezes discutíveis. Quanto à sua importância    na educação infantil não há muito que discutir. Falaremos sobre isso na semana que vem.

                                                              Agnes G. Milley

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Diversão - FILME: ANNA KARENINA- drama

Produção inglesa de 2012, estreou em 15/03/13. Indicação: 14 anos

É uma moderna versão do romance do russo Leon Tolstoi. Venceu o OSCAR de melhor figurino, ao misturar teatro e dança como em um balé cinematográfico.  Keira Knightley faz o papel de Anna, casada com um aristocrata (Jude Law), e morando em São Petersburgo.

Numa viagem a Moscou, ela conhece o Conde Vronski (Aaron Taylor-Johnson), oficial de cavalaria. A paixão arrebatadora dos amantes vai criar conflitos dolorosos para todos os familiares, e animosidade entre os amigos envolvidos nessa sociedade que  frequentam.

Os episódios principais são apresentados como se os atores estivessem num palco de teatro, com cortinas abrindo e fechando ao começarem e terminarem as cenas. As mudanças de estação do ano são também apresentadas com a utilização de painéis pintados ao fundo, de forma inusitada.

Vale a pena ver as cenas de danças lindamente filmadas, e  já sabendo que é um tema mais pesado, não esperar um “conto de fadas” por mais belos que sejam os figurinos premiados, as cores e as paisagens.
                                        Patricia Carol 

Conforme nos foi sugerido - o filme é mais para ADULTOS.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Receita para o lanche da garotada - Cuca de Banana

Ingredientes:

9 colheres de sopa de farinha de trigo
6 colheres de sopa de açúcar
3 ovos
2 colheres de sopa de margarina
1 colher de sobremesa de fermento
1 xícara de leite
Banana


Modo de Fazer:

Bata a margarina com o açúcar.
Junte os ovos mal batidos.
Adicione a farinha e por último o leite com o fermento.
Despeje num tabuleiro untado com manteiga.
Sobre a massa espalhe fatias de banana.
Polvilhe açúcar com canela .
Leve ao forno até assar.
Sirva  cortada em retângulos no lanche com suco de frutas ou um chocolate quente.

terça-feira, 16 de abril de 2013

É preciso educar o coração... E coração se educa? Por quê e para quê? - 2

Importante e bela tarefa a dos pais que se educam ao mesmo tempo em que educam os corações de seus filhos! Você, Pai, Mãe, conhece de verdade, seus filhos? Sabe cada um de seus gostos, anseios, esperanças, aptidões, sonhos?

Houve um Congresso Médico no Rio de Janeiro há algum tempo, e um médico chileno alertou: “Durante muito tempo trabalhou-se o hemisfério esquerdo do cérebro humano, em busca do desenvolvimento da técnica – o que não é mau – mas devemos urgentemente tratar de desenvolver o hemisfério cerebral direito, aquele em que predominam a Arte, a Beleza, a Sensibilidade...”

E os sentimentos, afinal, que são? Em si, não são bons nem maus. Agem positiva ou negativamente nas decisões, nas reações objetivas úteis. Influem em todos os campos de nossas vidas. São movimentos da sensibilidade que nos aproximam do que é um Bem e nos afastam do que julgamos ser um Mal. Formam-se especialmente durante a infância. Desde pequenos aprendemos a amar e esta experiência é fundamental para um desenvolvimento saudável da personalidade Os pais devem ser os primeiros mestres e educadores dos filhos. Calma, serenidade, ordem, equilíbrio, vividos pelos pais se refletirão na segurança com que os filhos caminharão pela vida. O contrário – pais ausentes, que buscam “compensar” materialmente sua ausência – física e/ ou emocional junto dos filhos – são fatores geradores de insegurança, desequilíbrio, violência...

Para bem educar o coração, importa educar Inteligência e
Vontade dos filhos, desde pequeninos. Não deixar os sentimentos à solta, nem a vontade fraca, que alterna entusiasmos e alegrias passageiras com tristeza e depressão, agindo de acordo com os impulsos do momento, deixando de lado o cultivo de uma vontade firme.

Como agir em casa? Atenção às birras; ao jogar-se ao chão quando desejam as coisas e não tiveram  todas as “vontadinhas” satisfeitas; a não saber esperar sua vez; a não saber dividir nem compartilhar o que é seu... Orientar, ensinar ( dando as devidas explicações ! ) que todos temos emoções e que é preciso saber controlar os impulsos de raiva, ciúmes, mau gênio, agressividade, fazendo coisas que não prejudiquem os outros: socar um travesseiro, morder um lenço dobrado, se estão com raiva, gritar na praia ou num campo de futebol... Sempre os pais devem dar o exemplo, ir à frente dos filhos (o que infelizmente não ocorre muitas vezes...)

Para os maiores, estudar meia hora até comer o chocolate, segurar um copo d’água e contar até 10 antes de beber- devagar. Essas e outras pequeninas coisas ajudarão a que tenhamos uma vontade bem educada e um coração engrandecido... Ah, sim, e saber agradecer! Coração bem educado sabe dizer “obrigada” aos mínimos gestos que recebemos todos os dias de quem nos rodeia!

Mannoun Chimelli – médica especializada em adolescentes

segunda-feira, 15 de abril de 2013

É preciso educar o coração... E coração se educa? Por quê e para quê? - 1

Vamos observar ao nosso redor e pensar um pouquinho. O mundo está triste, não é verdade? Há talvez muito barulho, risos, muita conversa, mas as pessoas andam tristes, estamos no século da depressão, das doenças psíquicas, do uso e abuso de medicamentos.

Penso que uma das razões dessa tristeza resida no fato de que as pessoas estejam com seus corações pesados, fechados em si mesmos, decepcionados, desconfiados, sem esperança... Esse quadro de desolação se manifesta especialmente nos momentos mais significativos da existência humana – morte de um ser querido, sofrimentos, doenças, acidentes, violência, notícias assustadoras. E muitos indagam – que podemos fazer? - há possibilidade de alguma mudança? Vamos ver que é possível, sim, claro que sim!

O mundo precisa urgentemente de corações alegres, coerentes, de convicções e sentimentos firmes, dispostos a mudar dentro de si mesmos e a partir de dentro! “A boca fala daquilo de que o coração está cheio!”

Os ouvidos e corações ao redor de nós estão sedentos, ávidos da Verdade – esta que devemos trazer dentro de nossos próprios corações para espalhar à nossa volta e dar uma resposta aos que nos perguntam. E se faz necessário indagar – Meu coração é educado? Quer dizer, quais os sentimentos, virtudes e valores que abrigo dentro dele? Como foi que preparei meu coração ao longo da vida? É conhecido de todos que os povos latinos são sentimentais, como os poetas e artistas em geral, são sentimentais.

Vale a pena, então, refletir nas expressões SENTIMENTO,
SENTIMENTALISMO, SENSIBILIDADE, que não querem dizer a mesma coisa, são distintas entre si! Urgente se faz cultivar a sensibilidade, mas não o sentimentalismo, ou seja, as emoções pelas emoções.

Devemos, sim, ser pessoas sensíveis, mas não sentimentais. Sentimental é aquele que chora e sofre com o que vê, ouve, mas só naqueles momentos.  Fica nas lagrimas e na emoção, mas pode passar sem o perceber pelas necessidades daqueles que o cercam, na família, na escola, no trabalho... O sentimental age pelo entusiasmo- é como fogo de palha, ao vivenciar o “gosto/ não gosto”, quero/não quero, só faço o que me agrada, motiva-se ou desanima segundo o momento; vai buscar novidades, emoções cada vez mais fortes e foge ao que custa, ao esforço, ao sacrifício, à fidelidade à palavra dada... Em resumo, é um egoísta que só pensa em si mesmo e vive das sensações... Vai sofrer e fazer sofrer ao longo da existência para a qual não encontra um sentido.

A sensibilidade é fruto de um coração bem educado, que desenvolveu a arte de estar atento ao outro, mais do que voltado para si próprio, que sabe sair de si mesmo para atender o outro com delicadeza, vencendo o egoísmo tão próprio do ser humano... Encontra sempre e renova um sentido para seu viver.
Continua amanhã.

Mannoun Chimelli – médica especializada em adolescentes

domingo, 14 de abril de 2013

Deve haver clareza no projeto familiar

Prof. Eduardo Cattaneo

• Muitos dos fracassos familiares devem-se à incapacidade, por parte dos cônjuges, para fixar um projeto familiar comum. Este projeto deve começar a ser formulado desde o noivado. E deve ser reformulado depois, para adequar-se à realidade familiar.

• Já pensaste se espera de teus filhos algo semelhante às expectativas que deles tem tua esposa ou esposo? Se não o fizeste até hoje, esperamos que este artigo possa ajudar-te.Não te apresses, espera o melhor momento para falar sobre isto com tua esposa ou esposo.

Muitas vezes este projeto comum existe, ainda quando não se combinou explicitamente, subjacente no interior e no atuar de ambos os membros do matrimônio; contudo, é sempre bom levá-lo ao nível de um plano comum perfeitamente explicitado. Desta maneira evitaremos tomar caminhos contrários que desorientem nossos filhos.

• Dentro desse projeto familiar não só se deve ter em conta o que esperamos de nossos filhos, mas também o que esperamos de nosso cônjuge. Também isto deve ser explicitado, buscando o melhor momento, já que isto não deve ser causa de atritos, mas de tranquilidade.

• Muitas vezes acontece que os cônjuges chegam ao matrimônio com um projeto que inclui a própria felicidade, e os filhos como parte dessa realização pessoal. Mas deveríamos ter em conta que nossos filhos são pessoas distintas e livres, com capacidades e inclinações próprias que devemos respeitar encaminhando-as para o bem.

• Nossas esperanças a respeito dos filhos, e aquilo que nós queremos de nossa esposa ou esposo, sempre devem ser flexíveis, já que estamos diante de pessoas que atuam livremente, nosso cônjuge e filhos mais velhos, ou que se encontram conquistando sua liberdade, como nossos filhos pequenos.
• Uma vez que nos colocamos de acordo com nossa esposa ou esposo teremos que comunicar a nossos filhos o que esperamos deles. Para isto também deve-se buscar o momento adequado.

A Forma e o Momento Adequados

• Deve-se procurar, assim como para qualquer
conversa familiar, esperar que aqueles com quem temos que falar estejam tranquilos. Além disso, os temas devem ser colocados de forma amável.

• As conversas deveriam ser desenvolvidas em um clima de carinho, alegria, confiança, tranquilidade e delicadeza. Desta maneira será mas fácil que a outra parte nos escute com melhor disposição.

• Nunca devemos colocar estes temas em momentos de tensão, durante alguma briga familiar, ou diante de uma desgraça. Isto sempre soa ao outro como se lhe estivéssemos colocando a culpa.

• A confiança necessária será obtida sempre que creiamos em nosso filho e demonstremos que ele pode confiar em nós, porque cumprimos nossas promessas.

Aqui há uma questão importante: muitas vezes para nos livrarmos de um problema, ante a insistência de nossos filhos sobre algum assunto determinado, lhes dizemos que cumpriremos seus desejos depois, mas sem estar seguros se poderemos fazê-lo e, outras vezes, estando seguros de que não poderemos. Isto termina minando a confiança que nossos filhos teriam depositado em nós.

• As conversas devem ser realizadas de forma carinhosa e delicada. Sem se irritar nem gritar, e estando dispostos a admitir se nos equivocamos; mas, no caso de nossos filhos, com firmeza: exigindo e corrigindo.

• Se não estamos seguros de ter conseguido o momento adequado é preferível não dizer nada, já que bem poderemos causar efeito contrário ao que buscamos.

NOTA: Recordemos sempre que, como se disse números atrás, os conselhos só são conselhos, não devem ser tomados como normas gerais, nem sempre são bons para todos, devemos passá-los pelo filtro de nossa própria experiência.

sábado, 13 de abril de 2013

Casa de cada um

Nesta época, gosto de tratar da vida. Dou a roupa que não uso mais. Livros que não pretendo reler. Envio caixas para bibliotecas. Ou abandono um volume em um shopping ou café, com uma mensagem: "Leia e passe para frente!". Tento avaliar meus atos através de uma perspectiva maior.

Penso na história dos Três Porquinhos. Cada um construiu sua casa. Duas, o Lobo derrubou facilmente. Mas a terceira resistiu porque era sólida. Em minha opinião, contos infantis possuem grande sabedoria, além da história propriamente dita. Gosto desse especialmente. 

Imagino que a vida de cada um seja semelhante a uma casa. Frágil ou sólida, depende de como é construída. Muita gente se aproxima de mim e diz: Eu tenho um sonho, quero torná-lo realidade! Estremeço. Frequentemente, o sonho é bonito, tanto como uma casa bem pintada. Mas sem alicerces. As paredes racham, a casa cai repentinamente, e a pessoa fica só com entulho. Lamenta-se. Na minha área profissional, isso é muito comum.

Diariamente sou procurado por alguém que sonha em ser ator ou atriz sem nunca ter estudado ou feito teatro. Como é possível jogar todas as fichas em uma profissão que nem se conhece?

Há quem largue tudo por uma paixão. Um amigo abandono
u mulher e filho recém-nascido. A nova paixão durou até a noite na qual, no apartamento do 10º andar, a moça afirmou que podia voar. Deixa de brincadeira , ele respondeu. Eu sei voar, sim! rebateu ela.. Abriu os braços, pronta para saltar da janela. Ele a segurou. Gritou por socorro. Quase despencaram. Foi viver sozinho com um gato, lembrando-se dos bons tempos da vida doméstica, do filho, da harmonia perdida!

Algumas pessoas se preocupam só com os alicerces. Dedicam-se à vida material. Quando venta, não têm paredes para se proteger. Outras não colocam portas. Qualquer um entra na vida delas.

Tenho um amigo que não sabe dizer não (a palavra não é tão mágica quanto uma porta blindada). Empresta seu dinheiro e nunca recebe. Namora mulheres problemáticas. Vive cercado de pessoas que sugam  suas energias como autênticos vampiros emocionais. Outro dia lhe perguntei:Por que deixa tanta gente ruim se aproximar de você? Garante que no próximo ano será diferente. Nada mudará enquanto não consertar a casa de sua vida.

São comuns as pessoas que não pensam no telhado. Vivem como se os dias de tempestade jamais chegassem. Quando chove, a casa delas se alaga. Ao contrário das que só cuidam dos alicerces, não se preocupam com o dia de amanhã.

Certa vez uma amiga conseguiu vender um terreno valioso recebido em herança. Comentei: Agora você pode comprar um apartamento para morar. Preferiu alugar uma mansão. Mobiliou. Durante meses morou como uma rainha. Quase um ano depois, já não tinha dinheiro para botar um bife na mesa!

Aproveito as festas de fim de ano para examinar a casa que construí. Alguma parede rachou porque tomei uma atitude contra meus princípios? Deixei alguma telha quebrada? Há um assunto pendente me incomodando como uma goteira? Minha porta tem uma chave para ser bem fechada quando preciso, mas também para ser aberta quando vierem as pessoas que amo? É um bom momento para decidir o que consertar. Para mudar alguma coisa e tornar a casa mais agradável. Sou envolvido por um sentimento muito especial.

Ao longo dos anos, cada pessoa constrói sua casa. O bom é que sempre se pode reformar, arrumar, decorar! E na eterna oportunidade de recomeçar reside a grande beleza de ser o arquiteto da própria vida. 

Texto de Walcyr Carrasco- escritor e jornalista

sexta-feira, 12 de abril de 2013

EmContando - 29 - Queridas e queridos leitores!

Estamos chegando ao final  da primeira fase  da série EmContando. Falamos de parábolas, fábulas, lendas, de contos populares em geral e também de contos autorais.  Antes de terminarmos  ,  no entanto, devo   falar ainda, um pouco,  sobre os Contos de Fadas  e o quanto o seu estudo me agradou e  convenceu.

Ao final de um curso de Literatura Infanto Juvenil, elaborei, assim como todos os outros  participantes, um pequeno trabalho sobre um dos  temas abordados.  Para isso, li muito, estudei bastante e meu entusiasmo ficou patente na Conclusão do trabalho. Trago esta página para vocês no desejo sincero de contagiá-los e abrir as portas desse mundo mágico para os que ainda não as abriram.

Conclusão: 

Há  uns dois meses comecei a viajar pelo
mundo encantado das Histórias da Fadas e dos Contos Maravilhosos. Com grande curiosidade e muitas surpresas fui desbravando páginas e mais páginas de muitos livros. Embrenhei-me nas florestas da velha Escandinávia e observei, espreitando por detrás das árvores, gnomos e duendes, brincando nas clareiras. Vi, também, sacerdotisas druidas celebrando   seus cultos, feiticeiros e  bruxas, com ar circunspecto, preparando suas poções mágicas.

Quis ficar mais tempo por aquelas paragens, mas o tempo era pouco e haviam me recomendado que não deixasse de ir até o Oriente; até a Arábia. Havia muito que ver por lá. Segui o conselho e fui. Tudo que vi me encantou. Aprendi muito. Fui também até o Egito, tão cheio de  mistérios, e de lá segui pelo deserto até os caminhos da Galiléia. No fim da viagem deparei-me com tropas romanas que  me trouxeram de volta daqueles confins.

Na Europa sentei-me no chão, junto às lareiras, e, por vezes, junto a fogueiras, no relento, debaixo das estrelas e ouvi, como qualquer neto, as histórias sem fim que por lá se contavam. 

Ouvi e sonhei. Por fim, a viagem terminou. Não porque eu quisesse, mas fiquei  com medo de perder o trem. Acordei e pensei em tudo que vi e ouvi. Vou contar a vocês que o que mais me deslumbrou foi constatar que dentro de cada um dos pequenos contos que nos sorriem das páginas de um livro que colocamos nas mãozinhas de nossas crianças, está presente tudo aquilo que vi e ouvi e muito mais do que eu não ouvi nem vi. Aí está contida toda a trajetória da Humanidade.

                                                                                                       Agnes G. Milley

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Diversão - FILME: “AMOROSA SOLEDAD” – comédia romântica

 FILME: “AMOROSA SOLEDAD”

Filme argentino, de 2008,  pré-estréia. Indicação: 12 anos

Inés, uma jovem que terminou recentemente com o namorado  Nicolás, resolve ficar sem nenhum tipo de relacionamento por três anos, já que a ruptura inesperada, através de um telefonema dele, a deixara muito infeliz e atordoada.

Mora sozinha e trabalha em uma loja de decoração de dois amigos. Eventualmente se encontra com os pais, que se preocupam em apoiá-la nesse momento.

Inesperadamente seus planos mudam quando conhece “outro Nicolás”. Este tem um ritmo de vida muito diferente do namorado anterior, que era roqueiro e sem estabilidade econômica, O “atual Nicolas” é um arquiteto competente e bem estabelecido financeiramente, inclusive, dono do seu próprio apartamento recém decorado.

As cenas são desenroladas bem lentamente, chamando mais a atenção do espectador para as expressões faciais, gestos e palavras não ditas, sensações intuídas, muito sobrea  sensibilidade entre o casal.
                                                     Patricia Carol

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Disfarces e máscaras

"Estamos tão acostumados a nos disfarçarmos
para os outros, que acabamos nos disfarçando para nós mesmos". Charles de Foucauld

O autor dessa frase profunda é o beato Charles de Foucauld, do qual cito uma pequena biografia, colhida no site oarcanjo.net: "Charles nasceu em 1858. Morreu assassinado na Argélia, em 1916, aos 58 anos. Tinha sido oficial do exército francês e comandou expedições militares na África. Aos 28 anos, converteu-se ao Evangelho de Jesus. Ingressou num mosteiro trapista das irmãs clarissas em Nazaré. Não satisfeito, retirou-se para uma vida simples e oculta, a exemplo de Jesus. Retornou, mais tarde, para a Argélia e ali, no seguimento radical do Mestre, tornou-se monge sem convento, em contato direto com as populações tuaregs, até ser assassinado."

Nestes tempos de novas perseguições aos cristãos em regiões onde o cristianismo não está amplamente divulgado, ou é renegado e proibida a sua prática, o Bem-aventurado Carlos de Jesus, como escolheu ser chamado, é um exemplo de fortaleza e entrega a um apostolado total, comprometido até a morte.

É muito verdadeira essa ideia de que a falta de unidade de vida tem suas raízes na própria dissimulação interna que o orgulho nos faz construir. Queremos sempre parecer melhor do que somos, ocultar nossas fraquezas, agradar ao mundo. Esquecemos que somos exatamente do jeito que Deus Pai nos vê, nem mais nem menos. Já disse magistralmente S. Paulo  "nem eu me julgo mais". Claro, pois nos avaliamos com muita benevolência, ou do modo oposto, com excessivo rigor e escrúpulos nocivos. A verdadeira face de nossa alma só Deus a contempla.

Então, como podemos ser sinceros
conosco mesmos, em primeiro lugar? Podemos começar dizendo, como indicou S. Josemaria, no ponto 595, de Caminho: “Se te conhecesses, alegrar-te-ias com o desprezo, e choraria teu coração ante a exaltação e o louvor.”


Não se trata de menosprezar-se simplesmente, mas ter a noção real do que cada um pode e vale: vale muito, pois é filho ou filha de Deus, que lhe concedeu o dom da vida, e da vida eterna; a redenção dos homens foi comprada pelo sacrifício de Cristo na cruz, que acabamos de contemplar, por um preço incalculável - "pretio magno", nas palavras do mesmo apóstolo. Por outro lado, nada podemos, se nos apoiarmos somente em nós mesmos. Porém, amparados na filiação divina e nas graças que nos são conferidas abundantemente pela misericórdia divina, tudo alcançamos, tudo vencemos, pois pertencemos ao Amor, acima de tudo e em primeiro lugar.

                                                      Maria Teresa Serman

terça-feira, 9 de abril de 2013

Saber educar no tempo livre faz parte de uma educação integral

Não há dúvida de que os pais desejam que a educação de seus filhos seja em tempo integral, e que afete todos os âmbitos de seu ser.

O que é importante entender, é que tudo faz parte de um processo, cada dia um ânimo renovado para empenhar essa tarefa. E é bom que os pais a realizem, caso contrário, ninguém a fará em seu lugar, ou o ambiente se encarregará disso. Será que é o que querem?

O trabalho é árduo, mas bastante recompensador. Todo o empenho que vocês, pais, colocam nessa educação, fará com que seus filhos sejam adultos livres e responsáveis, que saberão trilhar seu próprio caminho e não serão apenas arrastados pelos ambientes que os cercam.

É uma educação ampla, que abrange o corpo, a inteligência, a vontade, os sentimentos e a transcendência. O seu tempo é constante, durantes todos os dias do ano, sempre tendo em mente que o tempo gasto nisto, nunca é tempo perdido.

Não pode haver dias livres na agenda dos pais quanto a isso. Não podem educar de segunda a sexta, acreditando que as únicas coisas com que devem se preocupar são o trabalho, o estudo e as notas dos filhos, e em relação ao resto deixá-los fazer o que quiserem, para tirarem um descanso. O resultado disso não é positivo.

Uma criança ou adolescente em época escolar tem, em média, 189 dias livres por ano e 176 dias letivos. Isso mostra que se os pais decidem deixar de
educar no tempo livre, estarão sendo descuidados em mais de 50% do tempo da vida deles. Uma educação completa dos filhos exige também a educação de seu tempo livre.

Mas, o que fazer com eles nesse tempo livre? Bem, os filhos, nesse tempo, podem realizar diversas atividades boas e saudáveis, como esporte, leitura, excursões, música, idiomas, teatro, e por aí vai. Pois devem se lembrar que se o tempo livre não os forma, não levará muito tempo para deformá-los.

Os jogos e os esportes permitem que explorem o mundo e desenvolvam, se socializem, cresçam em virtudes e ao mesmo tempo se divirtam. A leitura traz novas informações, diverte, educa a vontade e a concentração, fomenta a imaginação, melhora a compreensão escrita e a capacidade de expressão, ensina a pensar e a desenvolver senso crítico.

Assim como as mencionadas acima, as demais atividades sugeridas também apresentam muitos pontos positivos, basta saber encontrá-los e aproveitá-los. Desse modo, é possível enxergar que o tempo livre não foi feito para ser perdido, mas para ser conquistado e fazer cada um crescer em suas dimensões.

Thalita Antunes - Revista Ser Família -  29 de maio de 2012

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Comprar pela internet

Está é uma confissão: é um vício!

Devido a certas circunstâncias, tenho ficado mais em casa, trabalhando no computador. Então, as tentações chegam a todo o momento, com renovação instantânea, e tentadora. A visualização dos produtos está eficientíssima - podemos, em alguns casos, enxergar (ou seria "enchergar", como propõe o Enem?) o interior das bolsas. Até agora não me arrependi em quase nenhum item, incluindo bolsas e até sapatos, sendo que meu pé, 34 mais ou menos, me causa problemas in loco, quer dizer, quando experimento ao vivo, pois é magro, e às vezes o sapato demanda uma palmilha.

Gostaria que este texto fosse interativo, seria muito bom conhecer experiências alheias, pois assim sabemos onde erramos e em quê podemos melhorar. Ou comprar... Brincadeira,  não queremos que ninguém perca emprego nas lojas, ainda mais porque ir ao shopping distrai e nos proporciona um contato visual com o produto que não conseguiremos ter jamais na tela, ainda que esteja melhorando a cada dia. O mais importante, porém, não é o contato com o produto, e sim com as vendedoras, na sua maioria mulheres, como nós, também mulheres e consumidoras. Conheço muitas - e digo "conheço" porque converso e tenho algumas como amigas. Quando estive doente, recentemente, com uma forte crise de coluna, muitas ligaram para saber se melhorei, e disseram que rezavam por mim. É claro que não faltou a ironia dos filhos: "Claro, que ela ligaram, mamãe, você está fazendo falta!"

Porém, uma cliente afável faz falta além do que compra, o que já é fundamental para a renda delas, fator importante ou único nas  suas famílias. Vendedoras confiáveis são um presente,  nos aturam, nos embelezam e até sugerem itens e procedimentos que não fazem parte do seu "métier". Aquelas que
vendem cosméticos opinam, e bem!, sobre cabelo, e vice-versa. E por aí vai. E o convívio alegre de quem não as vê como simples apresentadoras dos produtos faz com que se sintam os indivíduos que são, com suas especialidades e dores, principalmente nos pés, pois ficam em pé o dia todo, já pensaram nisso? Que podem ter um grave problema na família, mas devem estar sorrindo, senão vendem menos, o que pode significar uma baixa considerável no seu salário? Ou podem estar mal de saúde, e nem têm tempo para ir ao médico, ou seguir o que ele indica, senão ficam por conta do reduzido dinheiro que o governo dá?

Pronto, este é um clássico exemplo de fuga do tema: comecei pelas compras na internet e me aprofundei no aspecto humano e social das compras ao vivo. No Enem isso não seria problema, porque levam em consideração acima de tudo coesão e coerência, virtudes fundamentais de uma redação. Eu fiz de propósito, e não cometi erros crassos e inadmissíveis de concordância e ortografia, sem falar  nos de regência e acentuação, mais comuns, inclusive na TV e nos jornais.

Como ex-integrante por muitos anos de banca de criação de provas e correção de redação em língua portuguesa de concursos, sei que devemos ver além de erros bobos, cometidos mais pelo nervosismo dos candidatos do que por ignorância. Aproveitávamos tudo, pois dar zero em uma redação ótima mas que foge ao tema, é uma punhalada no coração de um professor. Contudo, há certos casos que são claros: o sujeito tentou enrolar - vide a receita do miojo, ou é analfabeto funcional, como em muitos casos. E isso não dá para ignorar.

Opa,  agora viajei no tema!

                                            Maria Teresa Serman

domingo, 7 de abril de 2013

Filmes – sugestões de recém lançados em 2013

Dica dos dois filmes que vi no final de semana, e acho uma indicação boa para o Blog, que é voltado para famílias.

 "UMA GARRAFA NO MAR DE GAZA" é sobre dois  jovens, rapaz e moça, ambos com uns 17 anos, que tentam se comunicar por Internet,sem o conhecimento dos pais, para tentarem se entender, sendo ela judia e ele palestino, em relação ao ódio entre os  dois povos. Muito atual esse tema,  e inclusive a assisti numa aula no Centro Feminino da Lagoa(RJ) sobre esse assunto semana passada. O título da aula foi "Um olhar Cristão sobre o Problema do Oriente Médio", e foi ministrada  por uma Doutoranda da UERJ, que fez um apanhado geral sobre o assunto, desde a Idade Média até os dias de hoje.

 Lançamento - Tempo de Duração:   (2h 20min)
Classificação etária : 12 anos

O outro filme foi " Amor é Tudo o Que Você Precisa "
. Muito atual o tema, interessantíssimo, situações difíceis e bem resolvidas envolvendo famílias de mais de um país,sendo passado a maior parte do tempo nas maravilhosas paisagens da Itália. Expõe as situações de infelicidade criadas nos filhos pelo "workaholismo" dos pais,  a lealdade entre filhos e mães, as amizades boas e não tão boas;  tudo o que aflige o mundo moderno, e também  expressa a sinceridade  dos jovens em cenas importantes.

Tempo de Duração: 116 minutos
Classificação etária: 12 anos

Se vocês quiserem ver, ainda há tem informações na VEJA RIO da semana passada. VALE A PENA! Os dois filmes entraram em cartaz faz duas semanas e ainda estão nas salas de cinema.
                                                         Patricia Carol

sábado, 6 de abril de 2013

O que acontece quando os filhos têm medo?

O que acontece quando os
filhos estão com medo!? Provavelmente, eles têm algo a dizer, mas muitas vezes não sabem como.

Você já fez a experiência de se reunir com um grupo de amigos em que, em um momento de descontração, cada um pudesse compartilhar com os demais os seus medos mais íntimos? Esta é uma experiência muito interessante e, contraditoriamente, chega a ser muitas vezes muito engraçado.

Todos chegam às mesmas conclusões, de que todos os adultos têm medos que racionalmente não teriam porque senti-los, e de que muitos chegam a ter pequenas fobias que, de alguma forma, dificultam o bom andamento de determinadas atitudes ou atividades.

A palavra medo ou fobia é derivada da palavra grega “phobia”, que deu origem ao termo fobia, e que apresenta os mais medonhos sinônimos: aversão; horror; ojeriza; pavor; paúra; temor; terror, que são marcas afetivas de nossa sensibilidade, que estão marcadas com
grande intensidade em nosso coração, a ponto de sobressair às tentativas racionais de colocá-los no devido lugar, o da imaginação, que não é algo real.

As marcas afetivas podem chegar a ser tão intensas que podem levar pessoas adultas a terem medos que, aos olhos dos demais, chegam a ser ridículos, como uma pessoa que sofre de Ablutofobia  – medo de lavar-se ou de tomar banho ou, outro exemplo, a  Noctifobia – medo da noite, e até mesmo a Dextrofobia – medo dos objetos que estão do lado direito do corpo.

Um dado importante é que estes medos irracionais na vida adulta iniciaram-se na infância e seguiram um processo de marcação pelo processo de repetição. Como um caso que pude acompanhar de um adulto com mania de limpeza – ele sofre muito, só de imaginar que sua mão pode estar suja, chegando a lavar as mãos dezenas de vezes ao longo do dia. Pude verificar que, quando era criança, seus pais não admitiam que sujasse a boca durante a refeição, sendo que a cada colherada o pai expressava – “limpa a boca, que está suja”.

A mensagem que a criança estava recebendo repetidas vezes era que isto devia ser muito ruim, perigoso, e outras coisa mais que sua imaginação pudesse gerar. Era uma criança que tinha receio de colocar a mão na parede com medo de sujar sua mão.

Quando ficou mais velha, os pais puderam detectar as consequências d
e tal atitude diante do filho. Levaram-no para uma terapia que basicamente consistia em permitir que o garoto se sujasse e sujasse as paredes, jogando nelas baldes de tinta. Além de poder brincar com terra e sujar suas roupas, dentre outras técnicas.

O resultado foi razoável. Ajudou a aliviar a pressão que recaía sobre o menino, mas, infelizmente, não resolveu o problema por completo, pois as marcas afetivas geradas na infância deixam marcas permanentes, tanto que, neste caso, carrega as consequências na vida adulta.

Por isso, devemos tomar muito cuidado com os estímulos que nossos filhos estão recebendo na infância. Que podem ser por meio, principalmente, do que veem e do que ouvem, e de quem recebem. Temos que aprender a transmitir as mensagens adequadas e de forma positiva e, acima de tudo, filtrar as indesejadas que não estão partindo de nós pais, como os veículos de comunicação que hoje estão todos em um mesmo conjunto: TV, celular, vídeo game, internet.

Sempre o melhor caminho não deve estar pautado exclusivamente em fugir do ruim, mas sim oferecer o que é bom e, com isso, naturalmente, levar os filhos ao crescimento e desenvolvimento de capacidades que serão as suas ferramentas de coragem para enfrentarem eventuais medos ou obstáculos.

 Site da revista Ser Família - artigo de 27 de junho de 2007

sexta-feira, 5 de abril de 2013

EmContando - 28 - o aprendizado

Fugindo um pouco de nosso tema principal (Contação de Histórias) e pensando nos estudantes que há poucas semanas recomeçaram suas atividades, envio hoje um poema sobre o aprendizado por Içami Tiba.



Sábios Passos do Aprendizado
Quando uma pessoa nem sabe que não sabe,
traz dentro de si uma forma de tranquilidade.
Tem sua vida limitada pela falta de conhecimento,
vive aquela paz do conformado, santa ignorância!

Quando ela descobre que sabe que não sabe,
sente-se incomodada, inquieta e até excluída.
Seu cérebro não suporta ter lacunas ou dúvidas
e, buscando aprender, com prazer descobre o saber.

Agora que sabe que sabe, quer contar a todos
como um adolescente usando seu tênis novo até em cerimônias.
Expande sua autoestima, numa vaidade saudável, e
sente que agora pertence ao grupo dos que sabem.

Quando o saber acaba fazendo parte do cotidiano,
a pessoa nem se lembra de que sabe o que sabe.
Agora ela sabe que sempre existe o que ela não sabe e
sua sabedoria a leva para a humildade do aprender sempre.

Agnes G. Milley

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Consciência

A lâmpada do teu corpo são os teus olhos, diz o Senhor. A e, se estiver bem formada, ilumina o caminho, o caminho que termina em Deus, e o homem pode avançar por ele. Ainda que tropece e caia, pode levantar-se e prosseguir. Quem deixa que a sua sensibilidade interior “adormeça” ou “morra” para as coisas de Deus, fica sem qualquer ponto de referência pelo qual orientar-se. É a maior desgraça que pode acontecer a uma alma nesta vida. Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal – anuncia o profeta Isaías –, ai daqueles que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce.

Jesus compara a função da consciência à do olho na nossa vida. Se o teu olho for são, todo o teu corpo estará bem iluminado; se, porém, estiver em mau estado, o teu corpo estará em trevas. Cuida, pois, de que a luz que há em ti não sejam trevas. Quando o olho está bom, veem-se as coisas tal como são, sem deformações. Um olho doente engana a pessoa e pode levá-la a pensar que os acontecimentos são como ela os vê com a sua visão distorcida.

A consciência pode ficar deformada por não se ter procurado alcançar a ciência devida a respeito da fé, ou então por uma má vontade dominada pela soberba, pela sensualidade, pela preguiça... [...]

As paixões e a falta de sinceridade consigo próprio podem chegar a forçar o entendimento e levá-lo a pensar de outra forma, mais de acordo com um teor de vida ou com uns defeitos e maus hábitos que não se querem abandonar. Não existe então boa vontade, o coração se endurece e a consciência adormece e já não indica a direção certa que conduz a Deus: é como uma bússola avariada que desorienta aquele que a consulta. “O homem que tem o coração endurecido e a consciência deformada, ainda que possa estar na plenitude das suas forças e das suas capacidades físicas, é um doente espiritual e é preciso fazer alguma coisa para que recupere a saúde da alma”.João Paulo II, Angelus, 15-III-1981

A Quaresma é um tempo muito propício para pedirmos ao Senhor que nos ajude a formar muito bem a nossa consciência e para examinar se somos radicalmente sinceros conosco, com Deus e com as pessoas que em seu nome têm por missão aconselhar-nos.

A LUZ QUE EXISTE em nós não brota do nosso interior, da nossa subjetividade, mas de Jesus Cristo.Eu sou a luz do mundo, disse Jesus; aquele que me segue não anda nas trevas. A sua luz esclarece as nossas consciências e, mais ainda, pode converter-nos em luz que ilumine a vida dos outros: Vós sois a luz do mundo. O Senhor coloca-nos no mundo para que com a luz de Cristo mostremos aos outros o caminho.
Extraído da meditação de 2ªfeira, Segunda semana da quaresma, de Falar com Deus.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Viajar também é um aprendizado

     
As lembranças chegam de repente, e, sem menos esperar, vem à cabeça fatos vividos com as crianças que podem ser úteis a outras famílias também com filhos pequenos.

 Viajar com crianças, a princípio, é muito cansativo, sendo necessário um planejamento mais detalhado e uma bagagem maior, mas compensa, tanto para o convívio familiar ficar mais estreito como para o aprendizado da garotada.

    As viagens de carro podem ser divertidas e instrutivas, se mantivermos um ritmo de no máximo uns 500 km por dia, com paradas para as refeições e idas ao banheiro, para que todos possam aproveitar o máximo de tudo: da paisagem, das diferenças de ambiente, das conversas e brincadeiras entre todos.

    Lembro-me de uma viagem com as crianças ao sul do Brasil, quando o menor, na época, tinha três anos e saiu de casa ainda falando errado e trocando letras. Na volta já estava falando certinho, uma verdadeira gracinha.

    Uma boa diversão para o período de viagem de carro é fazer brincadeiras como contar carros: cada um escolhe uma cor e vai observando na estrada quem passa. Ganha quem conta mais carros da sua cor. Outra brincadeira que entretém bem a garotada é ADEDANHA: escolhe-se uma letra e ganha quem conseguir mais palavras com um tema previamente escolhido, que pode ser animais, partes do corpo humano, filmes, tudo de acordo com as idades dos filhos.

    Há uma diversão que não sei o nome, mas é um bom passatempo: um puxa a brincadeira com a frase: Fui à praia de.... , e cada um vai acrescentando palavras, repetindo toda a frase. Erra quem não se lembra dos acréscimos que cada um vai colocando. Por exemplo, um diz: Fui a praia de chapéu; o seguinte tem que dizer: Fui à praia de chapéu e  óculos escuros; já o próximo dirá: Fui à praia de chapéu, óculos escuros e chinelo verde; e por aí segue a brincadeira, até o último que lembrar de tudo, este ganhará.

    O tempo passa mais rápido, todos se divertem e aprendem muitas coisas. Até na diversão existe aprendizado de virtudes, como a ordem; a paciência (esperando sua vez); o bom humor (aprendendo a perder); e muitas outras coisas boas que conseguimos adquirir nesse convívio familiar, em um espaço pequeno como o carro.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Quem era a mulher de Magdala?

Na realidade, trata-se de uma confusão que – na maior boa fé, aliás – dura há séculos. Para começar, é muito importante lembrar quem não era Maria Madalena. Os melhores comentaristas do Evangelho, já desde os tempos de Santo Agostinho, alertam-nos para que não a confundamos com outras duas mulheres do Evangelho. Uma é aquela pecadora pública que certa vez banhou os pés de Jesus com lágrimas de arrependimento e os ungiu com bálsamo (cf. Lc 7,37 ss.); e a outra é Maria de Betânia, a irmã menor – pura e singela - de Marta e Lázaro, que também derramou perfume sobre a cabeça e os pés de Jesus pouco antes da Paixão, num gesto de fina cortesia, muito oriental (Jo 12,3).

Além desse esclarecimento, é interessante frisar que o Evangelho nunca disse que Maria Madalena fosse uma prostituta ou que tivesse uma vida leviana. Aliás, afirma de fato algo muito pior. Diz que, dela, Jesus tinha expulsado sete demônios (Lc 8,2). Isto é muito sério. Bem sabemos que o número sete – na linguagem bíblica – significa muitos, uma multidão. Pois é isso que dela nos diz São Lucas. É, sem dúvida, algo terrível.

Só o podemos compreender se tivermos consciência de que o demônio – como ensina a Bíblia - é, acima de tudo, o pai da mentira, do orgulho e do ódio. Como deve ter sido espantosa a vida dessa pobre mulher! Um poço de ódio, de raiva, de desconfiança, de mentira, de rancor... Pode haver sofrimento maior? Um verdadeiro inferno! Uma mulher incapaz de amar, incapaz de alegrar-se, incapaz de vibrar com a verdade, de admirar a beleza e de saborear o bem; incapaz de perdoar, incapaz de sorrir com carinho para os outros...! Porque um coração afastado de Deus e entregue ao diabo – ao pecado - é como um poço escuro e fundo. Lá não pode penetrar um raio de luz divina. A pessoa chega a tornar-se incapaz de acreditar que o amor, a beleza e a bondade existam. Só conhece as trevas em que se afunda...

A tristeza no fundo do coração - Esse “poço escuro”, essas “trevas”. Atormenta-as, então, uma ânsia de infinito que as queima por dentro, mas que nenhum tesouro do mundo e nenhuma loucura do mundo e nenhum prazer do mundo conseguem satisfazer... Pode-se dizer que estão torturadas por uma esperança distorcida, por um infinito desejo de felicidade, que corre expectante atrás do vazio. É lógico que essa esperança distorcida termine no desespero. O fundo do fundo da vida delas é a ausência..., é o vazio..., e morrem sem saber por que nunca foram felizes.

E, no entanto, o porquê é claro: elas sofrem da ausência de Deus! Essas pessoas – como Madalena antes de encontrar Jesus – não sabem que o seu mísero coração está gritando aquelas palavras de um poema de Tagore: “Tenho necessidade de Ti, só de Ti”!

Deixa que o meu coração o repita sem cansar-se. Os outros desejos que dia e noite me envolvem, no fundo, são falsos e vazios. Assim como a noite esconde em sua escuridão a súplica da luz, na escuridão da minha inconsciência ressoa este grito:  «Tenho necessidade de Ti, só de Ti!”.». Assim como a tempestade está procurando a paz, mesmo quando golpeia a paz com toda a sua força, assim a minha revolta bate contra o teu amor e grita: «Tenho necessidade só de Ti!»"

O encontro que tudo mudou - Assim estava Maria Madalena, quando um belo dia – de surpresa – Jesus foi buscá-la. Não conhecemos os detalhes. Só sabemos que Jesus teve compaixão dela, e dela expulsou sete demônios, como recordávamos acima. Dá para imaginar o que deve ter sentido aquela alma, ao encontrar-se livre do Maligno, e inundada pelo dom da graça, conduzida por Jesus à descoberta deslumbrante de Deus? Que deve ter sentido quando experimentou – quiçá pela primeira vez na vida – a pureza e a grandeza do Amor, pois, como diz São João, Deus é Amor (1 Jo 4,8).

 http://www.padrefaus.org/wp-content/uploads/2009/05/meditacoes-sobre-a-ressurreicao.pdf

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Dois filmes – uma mesma história: “E se...?”

Assisti na TV  a dois filmes “água com açúcar”, mas com um bom fundo moral, que se fundamentam em valores que andam um esquecidos por alguns. Bom para vermos em família, e também podem proporcionar um bom debate no final.

 “E se....você tivesse uma segunda chance? “ é um filme feito em 2010, que conta, de forma diferente, a mesma história do filme “Um Homem de Família”, de 2000. Ambos mostram executivos muito bem sucedidos na vida que optaram por não casar com a sua princesa encantada, para irem à busca do dinheiro e da fama, como se uma coisa impossibilitasse a outra.

No filme “E se....você tivesse uma segunda chance” o ator principal, Kevin Sorbo, passa quinze anos sem ver a ex-namorada, com a qual quase casou, tornando-se um homem de negócios  altamente remunerado, noivo e dono de um Mercedes novo em folha, só pensando no futuro e nos ganhos maiores. E, no momento em que vai buscar seu carro novo, tem um encontro inesperado  com um “anjo” que o levará a uma vida que poderia ter sido a sua, caso não tivesse dito um não naquele momento decisivo de sua vida.  A história se desenrola com um chamado de Deus, dando uma segunda chance para ele rever sua vida amorosa e espiritual que deixou pra trás.

No filme “Um Homem de Família”, Nicolas Cage  é um investidor entediado com sua longa vida de solteiro, altivo e independente, que, na véspera de Natal, presencia uma tentativa de assalto a uma loja de conveniência e, com muito sangue frio, consegue evitar uma possível tragédia. Porém, o que não imagina é que o tal assaltante tem poderes que mudarão sua vida. Naquela noite, vai dormir sozinho, em Nova York, e amanhece  em um quarto no subúrbio de New Jersey, ao lado de uma esposa e dois filhos.

Quem não gostaria de ter uma segunda chance na vida? Voltar no tempo e refazer erros do passado? Quem não pensa: o que teria sido da minha vida se tivesse feito outras escolhas? Tivesse dito sim ao invés de não? Boas reflexões para fazermos após assistirmos a estes filmes.

Uma boa reflexão do que poderia ser e não foi, ou do quanto nossas escolhas podem interferir na espécie de pessoa que somos. Falar dos valores que prezamos e de quanto isso pode contribuir pra tornar nossa vida mais recompensadora. E do que, mais do que tudo, precisamos cuidar no presente, pois uma segunda chance nos é dada por Deus a cada instante.

 Termino lembrando- me de outro filme - Cartas para Julieta - que tem como ponto central a leitura de uma carta, que fala assim: “‘E’ e ‘se’ são palavras que, colocadas juntas, podem nos assombrar a vida toda”. Portanto, temos que por limites aos desvarios de uma segunda chance, concentrando-nos no que temos, e lutando positivamente para melhorar ainda mais o que alcançamos.