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sábado, 18 de outubro de 2014

Mamãe fútil


Conheci a Aline e seu marido – então namorado – pelo falecido Orkut, em uma comunidade da qual nós participávamos dos debates. Desde então mantemos uma amizade virtual que é bem real, e como sou fã dos blogs dela (Femina e Domestica Ecclesia, esse último em conjunto com o marido), decidi pedir a ela que escrevesse um post como convidada. Espero que gostem!!!! (Maite Tosta)

Mamãe Fútil

Por Aline Brodbeck, 33 anos, advogada, gaúcha, casada e mãe de quatro filhos, blogueira de moda - www.blogfemina.com.

É sabido que vivemos em um mundo hedonista e extremamente despreparado para enfrentar as vicissitudes do dia a dia. E refiro-me especialmente a nós mulheres.

Há uma geração, crias do feminismo, mesmo sem querer, talvez até sem que isso tenha sido um desejo do referido movimento, que incentiva, na prática, as mulheres a ser mulherzinhas. São aquelas que se preocupam tanto consigo mesmas que nem conseguem olhar para o lado - ao menos se não tiver espelho ou espectadores para as aplaudir.

Não cabe somente julgá-las ou rotulá-las, achando que nós, que percebemos esse fenômeno, somos melhores do que elas. Infelizmente, todos carregamos uma tendência a esse mal dentro de nós. Eva mesmo foi uma mulherzinha egocêntrica ao ceder à tentação. Compete-nos a luta diária.

O grande problema - e isso vem dessa quase divisão estritíssima entre mulherzinhas fúteis, de um lado, e mulheres desleixadas, de outro - não é termos essa tendência ao egoísmo e à futilidade, mas quando somos a própria encarnação da frescura. E isso se agrava quando a mulher resolve ser mãe.
É tema já batido, até nas campanhas publicitárias do mês de maio, que ser mãe é um ato de doação. Como um ser que foi egoísta a vida toda vai aprender, de da noite para o dia, a se doar? E se doar integralmente!

Ser mãe não significa nem é desculpa para andar de abrigão de moletom o dia todo, cabelo despenteado, pantufas e cara de mau humor. Por outro lado, não acho que sempre seremos mães esteticamente perfeitas. Perfeição só em Nossa Senhora.

Devemos, contudo, nos espelhar na perfeição e a buscarmos. Isso é evidente. É uma vocação. E essa perfeição se reflete também no exterior, nas roupas, na maquiagem, na elegância, no modo como nos apresentamos, na mensagem que passamos aos outros mediante o nosso semblante. Temos que olhar para cima e não para baixo (só se for para tirar foto do look e postar no Instagram). Paremos com as desculpas e com a autocomiseração.

Claro que temos nossos momentos de queda, unha feia, cabelo preso para disfarçar quão terrível ele está porque não o cuidamos, uma roupa mais velhinha.

A mulher de verdade, entretanto, ama a luta, não a queda, e procura se superar e vencer. A mulherzinha, ao contrário, senta, chora, reclama aos quatro cantos do mundo que não dorme uma noite inteira, que se embarangou.

E quem sofre, no fundo, não é ela, pois a egoísta está no seu papel perfeito, no qual ela até tem certo prazer, o de vítima. Quem sofre mesmo é aquela criaturinha que precisa de uma adulta, uma que pessoa que a direcione, que a ensine, que a eduque e a ame com gestos concretos, mais do que com palavras.

Não acredito no chavão de que quando nasce uma criança, nasce também uma mãe. Assim como uma dama, uma mãe não nasce, mas se forma, se contrói. A mãe de verdade vai aprendendo a cada dia, lê, conversa, se informa, e se forma - intelectual, humana, moral e espiritualmente. Ser mãe é maravilhoso, mas é preciso aprender a enxerger além, e só fazemos isso quando cessamos de olhar para o próprio umbigo.

O exterior deve ser reflexo do interior. Do contrário, como toda casca, um dia cai.
Filhos nos ensinam a perder a preguiça, a exercitar a paciência, a controlar a gula, a gerir melhor nosso tempo e com mais inteligência.

E o melhor de tudo é que filho nos ensina que somos gente, humanos, que erramos, e que ainda assim, como o Pai do Céu, eles, os filhos, vão seguir nos amando e nos mostramos que nossos acertos, ainda que pequenos, valem mais do que nossos erros.

Para enxergar tanta beleza temos que parar de olhar tanto para nós e direciarmos nossa atenção para os outros, para os nossos filhos, para as coisas belas da vida. É o mandamento do amor, dado por Cristo.


E o meu exterior de mãe feliz, bem arrumada, maquiada, elegante, altiva, e em paz comigo mesma e com Deus, será uma grande vontade de mostrar a todos como esse amor invadiu completamente a minha alma e, em vez de uma mamãe fútil, serei uma mamãe útil!

*Fotos: Acervo Pessoal Aline Brodbeck e Blog Femina.

4 comentários:

Pat disse...

Que texto maduro e jovem ao mesmo tempo! Denota a profundidade e leveza com que as jovens mães preenchendo seus dias (e muitas noites também!)com o bom humor e cuidado pessoal podem iluminar o ambiente do lar. Qual marido e que filhos/as não se orgulhariam de poder dizer que sua mãe e seu pai são modelos de finura e elegância(looonnnge da vaidade!)e que têm uma casa bem organizada, funcional e muito espaço(não necessariamente físico) para compartilharem momentos de lazer e novidades no dia a dia.

Que amizade bonita essa de vocês, Maitê, com o casal amigo que também pode ajudar a propagar o companheirismo e AMOR DENTRO DO LAR!

Liana Clara disse...

Aline querida, suas sugestões são sempre atuais e de muito bom tom. Sou leitora assídua do Femina e do Domestica Ecclesia, ambos ajudam muito a sociedade a formar melhor nossas famílias.
Obrigada por essa sua colaboração e seja bem vinda pra muitas outras.
Beijos nessa linda garotada.

Maite Tosta disse...

Olá Pat, que bom que gostou! Sou fã da minha amiga Aline e da família dela!! Você vai gostar dos blogs dela, dá uma conferida! Bjs bjs !!!!

Raquel Suppi disse...

Texto inspirado e que inspira!!!!

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