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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Proteção verdadeira

Por Rafael Carneiro Rocha

Apesar de quase todos os países economicamente desenvolvidos permitirem a prática do aborto e da ONU considerar isso como um direito humano fundamental, não podemos confundir normas políticas com senso de verdade. A opção pelo aborto sempre será uma violação absurda da liberdade das criaturas mais inocentes. Optar pelo aborto significa impedir uma criança de existir.

É preciso proteger as verdadeiras crianças, porque um dos graves problemas do mundo moderno é que as organizações de poder criam falsas crianças para serem protegidas.

De uma certa forma, todos nós somos um pouco falsas crianças aos olhos das organizações de saúde, dos planejadores estatais e de outras raças de poderosos. Quando as verdadeiras crianças deixam de existir, não estamos todos nós sujeitos aos poderosos que sofrem de algum tipo de gravidez psicológica? Não seria uma inversão como aquela em que, na ausência de uma criatura para ser protegida, sejam inventados fantasmas substitutos?

Recentemente, projetaram falsas crianças nos lutadores de boxe. A Associação Médica Mundial recomenda que a prática do boxe seja proibida.

Algumas das outras falsas crianças são os não fumantes, os comedores de sanduíches e os homossexuais – todos devidamente protegidos de substâncias tóxicas, calorias e piadas politicamente incorretas.

Eu não gosto que fumem perto de mim, não vou ao McDonald’s, nunca lutei boxe e não faço piadinhas sobre gays; mas nada disso me faz uma pessoa civicamente melhor.

Senso de civilidade é saber a quem proteger. Mas é necessário que saibamos quem, de fato, mais merece cuidados. Um marmanjo dum lutador de boxe precisa ser tratado como uma criança? Um gay que se irrita com uma piadinha precisa do apoio do Estado para se vingar de algum engraçadinho? Um obeso precisa ser alertado que comer sanduíches em excesso não é algo saudável? Uma pessoa que gosta de bares precisa denunciar os fumantes do estabelecimento para a polícia, só porque o Estado diz que por lá não se deve fumar?

Implicar com boxe, piadinhas, cigarros e sanduíches pode ter, de repente, alguma razão. Mas o mais razoável é sermos adultos. Porém, só nos tornaremos adultos quando soubermos encontrar as nossas crianças.

2 comentários:

Stella Halley disse...

Vivemos tempos estranhos, quando os filhos dos homens parecem valer menos que as tartarugas e bromélias. Salvemos a natureza, mas também os não-nascidos, que não têm como fugir da agressão dos que deveriam protegê-los.

Rafael Carneiro disse...

Bem lembrado, Stella. Muitos dos "protetores da natureza" ignoram os não nascidos, mas projetam falsas crianças na fauna e na flora.

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