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sábado, 11 de outubro de 2014

E quando o professor vira aluno?


Tive a oportunidade, em outra ocasião, de escrever sobre a minha experiência como professora de EJA – Educação de Jovens e Adultos, refletindo sobre algumas atitudes típicas dos aprendizes, independentemente da idade. Se você quiser ler, fica aqui o link.

No texto anterior, concluí que a idade não nos faz muito mais sábios quando estamos nos bancos escolares... rsrsrs... e pelo visto nem a formação e profissão. Quando somos professores e vestimos a “couraça do aluno”, a coisa fica mais séria e muito mais deselegante. É que professor, quando se torna aluno, comete os mesmos erros que critica no seu aluno. Isso se não fizer pior! Ele passa a conversar durante a aula; deixa de fazer atividades recomendadas pelo professor e, durante os cursos, quer mostrar ao professor que o rege que sabe muito mais que ele e que só está ali interessado no certificado. Óbvio que não são todos, mas muitos, infelizmente, agem assim.

Passei por essa experiência quando cursei a especialização. Uma sala com quarenta professores. Havia os mais variados tipos: o que tudo aconteceu com ele; o desinteressado; o “invisível”, que não participa de nada; o que não gosta da matéria e, por isso, não faz nada; o que só ‘mata aula’; o que sempre tem uma palavra a dar; o que conversa a aula inteira; não tem bom comportamento e, também, o que estuda. Confesso que eu ficava entre a que conversava e a que estudava. Dependia muito da matéria (mea culpa, mea culpa). Confesso que, dependendo da aula e do professor, eu matava uma aulinha. Entretanto, nunca faltei com o respeito com os meus professores depois que me tornei uma. Não os desafiava, não dizia que estava ali por conta das horas (certificadas) e sempre os ouvi quando fui corrigida. Ouvi e me corrigi.

Noto, baseada em minha rasa experiência, que ser professor é ser multifacetado! É saber lidar com as diferentes personalidades e alcançá-las todas. Mas ser aluno também o é! É entender que não dá pra fazer apenas o que gosta e que o esforço em aprender o que não lhe parece interessante pode ser-lhe útil no futuro. O aluno (seja ele aluno-aluno ou professor-aluno) precisa compreender que o conhecimento nunca é demais, e é para sempre. Aprender é uma arte que exige humildade e nobreza. Quem não possui essas qualidades, melhor fazer algo para adquiri-las, caso se interesse pelo universo dos estudos.

Professores, é melhor reconhecermos nossas dificuldades e tentar melhorar nesses pontos. Respeitar os que sabem mais que nós e também os que sabem menos. Compreender nossas dificuldades e tentar superá-las, a fim de fazer o melhor para aqueles a quem temos a responsabilidade de ensinar.

Um comentário:

Jaqueline Melo disse...

É incrível como a volta aos estudos nós faz rejuvenescer! O ato de aprender, mesmo sendo acompanhado por conversas nas aulas, é gratificante demais! Adquirir novos conhecimentos e conteúdos é instigante e boooooom demaaaaaais! Parabéns Evelyn pela delicadeza e pela percepção magnífica!

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