logo

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Família na Idade Média

Texto de Luiza Zelesco Barreto - Historiadora

A família ocidental, na forma como nós a conhecemos, é, por assim dizer, uma “invenção” medieval. É claro que a família sempre existiu, mas ela aparece de formas muito diferentes de acordo com cada sociedade. Na antiga sociedade romana, uma sociedade marcada pelo individualismo, o homem é que contava; ele era o chefe da família, o proprietário de sua mulher e filhos, como se estes fossem um bem que lhe pertencia pessoalmente, e sobre os quais ele tinha poderes mais ou menos ilimitados. Sua mulher e seus filhos lhe eram inteiramente submissos e guardavam um estado de eterna menoridade. Enquanto estivesse vivo, até mesmo seus netos e bisnetos lhe deviam obediência direta, mais que a seus próprios pais.

A originalidade da Idade Média, neste contexto, é justamente a sua organização baseada na família, e em um novo modelo de família, fundado no modelo de casamento cristão. Ao compreender-se o matrimônio como um contrato a ser estabelecido entre o casal, dá-se voz também à mulher. A família se funda assim na união do homem e da mulher e nos filhos que naturalmente virão dessa união. É uma visão que toma por modelo inclusive a Sagrada Família, cuja devoção aumenta continuamente ao longo da Idade Média. Claro que os casamentos arranjados continuam a acontecer, mas valem quase sempre tanto para o homem quanto para a mulher, ou seja, os pais decidem o casamento dos filhos, em oposição ao modelo antigo, no qual o homem tomava para si uma mulher. A união não se estabelece mais, como na antiguidade romana, por uma concepção estatista da autoridade de seu chefe, mas por este novo fato de ordem tanto biológica quanto moral: todos os indivíduos que compõem uma mesma família são unidos pela carne e pelo sangue, seus interesses são solidários, e nada é mais respeitável que a afeição natural que os anima, uns pelos outros.

Todo relacionamento desta época é estabelecido sobre o modo familiar: os dos senhores com seus vassalos, os dos mestres com seus aprendizes, todos se fundamentam no estabelecimento de um contrato entre iguais. Senhores e mestres estão em posição superior apenas circunstancialmente; em essência, são todos iguais entre si. Isto se reforça ainda mais pelo fato de o vassalo de um determinado senhor poder ter seus próprios vassalos sendo, por sua vez, senhor dos mesmos. Todos, entretanto, fazem parte de uma mesma família, tanto em um sentido mais concreto – os aprendizes moram com os mestres e participam de sua vida familiar; vassalos com freqüência comem à mesa de seus senhores – quanto em um sentido mais abstrato, porém igualmente presente: são todos irmãos em Cristo, integrantes da grande família que é a Cristandade.

10 comentários:

Rafael Carneiro disse...

Texto muito bom. Não sabia de algumas coisas que foram descritas nele. São exemplos de como o cristianismo foi mais moderno séculos atrás do que vários modismos contemporâneos. Os direitos das mulheres já estavam resguardados pela própria expansão da cristandade. Hoje, a "luta" por esses direitos perde todo o sentido quando o feminismo vulgar se fixa no direito ao aborto, à ânsia pelo sexo "livre", à anulação da maternidade em prol de postos competitivos no mercado de trabalho, etc.

Anônimo disse...

texto otimooo muithoo obrigadah por escrever esse textoh vlw *0*

Anônimo disse...

Deve-se indicar as referencias bibliográficas dos artigos publicados!

Anônimo disse...

Caro anônimo também não se deve fazer comentários de forma anônima e você fez! Tudo que aqui foi escrito pertence a autora Luiza Zelesco, a fonte foi a própria historiadora com seu grande aprendizado nos seus anos todos de estudo.
Assinado: Liana Clara

Anônimo disse...

Para um boa literatura de uma cultura diferente é preciso ter paciência e ler com calma , sem correria ,para entender os significados das palavras e ter uma boa história para passar para frente .Conteúdo do texto muito bom sem palavras embaraçadas para termos uma certa dificuldade na leitura , podemos ter um bom conteúdo para um trabalho de história.Sou Eloisa tenho 11 anos e ... bem é isso.

Liana Clara disse...

Olá Eloisa, vi que você é de Goiás e muito interessada em história da idade média. Espero que tenha sido útil. Visite sempre o blog.

Anônimo disse...

Muito obrigado!!!
tenho um trabalho super importante de historia e precisava dessas informações

Anônimo disse...

o texto apresenta exatamente o que era a família antiga como eram formadas e como surgiam. a sociedade é constituída pela família ela sempre foi importante mas hoje as pessoas não dão importância a família nos hoje desprezamos a família. antigamente os casamentos eram arranjados não eram porque os pais eram maus, mas era porque se preocupavam com seus filhos e escoliam a pessoa que eles achavam que as culturas que tinha passado a seus filhos o que eles passaram a sues filhos quando eram menor. o homem via a molher alguns como um nada, mas outros sabiam que elas eram as que faziam tudo para eles e que iam criar bem os seus filhos.a família tem importância

joao marcos fragallo de souza
sou estudante instituto jesus maria jose

Anônimo disse...

sou joao marcos fragallo me mande neu texto no meu email e depois pode publica lo a todos ver o que eu escrivi

Liana Clara disse...

João Marcos eu não entendi bem o que você quer sobre o texto. Pode copiar, mantendo a autoria. Visite-nos sempre, temos muitos temas para a família.

Postar um comentário