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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Colocando ordem com as crianças

Que mãe que não está sempre atribulada e tendo que se desdobrar com seus filhos? Que tal dividir as tarefas do lar com as crianças? Eles aprendem brincando e ajudam ao mesmo tempo.

É muito simples: partimos do princípio de que se são capazes de aprender tal coisa, estão imediatamente prontos para executá-la sempre. Quando a criança consegue executar um pedido como: pegue água na geladeira, ela poderá sempre buscar sua própria água, ou até mesmo pegá-la para um irmão menor.

Conforme os filhos vão crescendo, podem ir aprendendo pequenas tarefas que serão de grande auxílio para as mães. Guardar meias e cuecas nas gavetas, brinquedos no cesto, roupas sujas na área de serviço. 

Como meu pai gostava de repetir para nós quando éramos pequenas: “cada coisa em seu lugar, poupa tempo e muito falar”, isso pode ser uma brincadeira entre as crianças,  ver quem recolhe mais brinquedos, ou ver quem consegue guardar mais roupas na gaveta certa. Tudo isso estimula a ordem e a colaboração dos nossos filhos com as tarefas, e ainda ajuda a responsabilizá-los por seus pertences e pela arrumação do ambiente onde vivem. 

Podemos ter certeza de que com o passar do tempo, eles gostarão de viver sempre em ambientes limpos e arrumados. Sentirão também que são tão donos da casa quanto seus pais, e farão o possível para que tudo fique organizado. 

Para nós mães e pais, parece que passamos a vida repetindo a mesma ladainha, mas o tempo mostrará que valeu a pena essa insistência.

Pra completar, e refletirmos um pouco, diante de toda essa modernidade em que vivemos, segue um ditado que minha sogra adorava usar: " trabalho de criança é pouco, mas quem não aproveita é louco".

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Começando a por ordem na casa

Quem, em alguma etapa da vida não acumula/acumulou coisas? Aquele costume de aproveitar umas embalagens de presente, que, quem sabe um dia, vai precisar para embalar alguma coisa? Tem os que acumulam para de fato dar utilidade aos objetos, como por exemplo, os que juntam garrafas pet para fazer alguns enfeites no Natal, ou o que junta vidros com tampas, para colocar aquelas geleias deliciosas que sabe fazer. O que precisamos fazer é saber ver a diferença entre guardar e acumular.

O acumulador compulsivo ao extremo é apelidado de “colecionador de lixo”, uma vez que reúne determinados artigos que até atraem insetos e roedores. Como: juntar livros, revistas, ferramentas, recipientes, metais, móveis, eletrodomésticos, entre outros materiais, também pode reunir um número exagerado de animais de estimação, e nem sabe como os alimentar.

Em um lar luminoso e alegre, como deve ser a nossa casa, devemos cuidar para que não caiamos nesse processo, e sempre que pudermos tirar um tempo para fazer essa faxina, retirando o que não nos serve mais, ou o que não usamos faz tempo.

Nossa casa é um lugar onde todos os membros da família se sentem acolhidos, aconchegados. Onde, no escuro, podemos encontrar os itens básicos, sem dificuldades.

Já me aconteceu de ficar sem luz e precisar achar velas e fósforos, e saí andando como uma cega, apalpando as paredes até o local onde guardo esses itens. Imaginem se pelo chão houvesse brinquedos espalhados, sacolas com coisas acumuladas, coisas fora do lugar ou sem lugar para estar? Meu pai gostava de um ditado popular que repetia sempre: “cada coisa em seu lugar, poupa tempo e muito falar”, de fato é uma constatação perfeita para a ordem no lar.

Todo fim de ano tenho por costume fazer essas faxinas, como o objetivo de doar coisas e assim aproveito para retirar coisas que vou acumulando para uma ocasião, que nunca chegou, e jogar fora sem pena. Parece que a casa fica mais leve, mais clara e mais alegre.

Outubro já é o anúncio do final de mais um ano, a mostra de que vamos dar partida em breve a outro ano em nossas vidas, assim sendo é o momento ideal para nos desapegarmos de cacarecos que acumulamos, de roupas que não nos servem mais, bolsas e sapatos. Os brinquedos que as crianças não usam, ou tem de mais.

Vamos reorganizar nossa casa para iniciarmos o próximo ano com um lar bem arrumado. Acumular só milhas, para poder no futuro desfrutar de férias com a família!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Família, a melhor parte de mim.

Por Raquel Suppi

Os meus meninos voltaram às aulas há quase duas semanas e, por incrível que possa parecer para algumas mães, eu ainda não consegui me acostumar com a ausência deles, durante as manhãs. Os primeiros dias, então, foram bem esquisitos! Até a caçula estranhou. Ia de cômodo em cômodo, a procura dos irmãos e, por fim, corria para a porta da casa, querendo abri-la.

As férias foram ótimas! Agitadas, divertidas e, em alguns momentos, caóticas! (Risos). Confesso que, em certas ocasiões, contava os dias para o reinício das aulas! Mas, na última semana da folga escolar, o meu coração já começou a ficar apertadinho... Coisas de mãe!

A verdade é que eu amo a casa cheia! Entrar em um quarto, na sala, cozinha e dar de cara com um dos filhos. Vê-los brincando no meio do corredor ou me chamando, com o sonoro e doce: “mamãe”! E o que dizer dos inúmeros abraços e beijos lambuzados?! Delícias do dia! Claro que, muitas vezes, o rojão me deixa exausta, mas prefiro esse cansaço do que qualquer outro! Chegar ao final de um dia difícil sabendo que gastei as minhas forças, energia e paciência na melhor parte da minha vida – minha família –, deixa o meu coração feliz e com a maior sensação de dever cumprido do mundo!

Eu gosto tanto desse ritmo que até produzo melhor na correria! Isso explica o fato de ainda não ter conseguido retomar a rotina de antes, como comentei no início. A casa quase vazia e meio silenciosa pode ser relaxante por um dia, especialmente quando necessito de uma pausa para descansar; mas não diariamente! Tanto silêncio me desconcentra! (Risos). Loucura? Eu diria, costume.

Os meus filhos me ensinaram a ser mais objetiva, prática e a manter o foco em meio a movimentação cotidiana. Eu me acostumei a ser interrompida diversas vezes, entre as várias atividades, e continuar a executá-las, sem problema – talvez até melhor e com mais atenção do que se tivesse feito ininterruptamente. Aprendi a realizar várias coisas – algumas delas, ao mesmo tempo – em um curto espaço de tempo. Então, deparar-me com tanta tranquilidade me deixa meio perdida! (Risos). “O que fazer com tanto tempo livre?”, eu me pego pensando. E nessa de “tanto tempo livre”, tenho feito menos coisas do que antes!

Chega a ser hilário! Este texto é um grande exemplo disso. Eu tentei escrevê-lo de manhã, quando tudo está mais calmo. Consegui? Não! Estou escrevendo de tarde, com as três crianças em casa, ensinando a tarefa de um, dando o lanche do outro e distraindo a pequena! (Risos).

Mas, longe de querer ser enaltecida com os famosos clichês: “você é uma heroína”, “supermulher”, “nasceu para ser mãe” e por aí vai; meu maior orgulho é constatar o quanto a maternidade me fez e me faz bem! Sem falsa modéstia, afirmo que estou anos-luz de ser perfeita, mas encontro nos meus filhos e esposo a grande motivação que preciso para me esforçar sempre mais, todos os dias, por amor eles. Como já disse, a minha família é o que tenho de melhor, portanto, para ela, o meu melhor, sempre!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Pequenas dicas para ajudar no dia a dia

Por Carol Balan

Nos últimos textos, falei sobre algumas mudanças que fui fazendo aqui em casa para melhorar a rotina e fazer o tempo render mais. Hoje vou falar um pouco sobre alguns pequenos hábitos que fui incluindo e que me ajudam muito.

Agenda diária

Ter uma lista de afazeres para ir riscando conforme eu cumpro foi algo que me ajudou de maneira surpreendente! Tarefas longas ou grandes quantidades de tarefas são ainda um desafio para mim: Quando me deparo com uma situação assim, eu travo, não sei por onde começar e acabo não fazendo nada ou fazendo muito pouco. A maneira que mais funciona para mim é um arquivo no Word, coloco o dia e a lista de itens que preciso cumprir. Conforme vou realizando as tarefas, pinto a linha de vermelho. Essa lista tambem pode ser feita em agenda, papel pregado à geladeira, celular.


Post it


Aqueles bloquinhos de papel amarelo que tem um adesivo atrás são uma excelente ajuda para lembrar de coisas importantes. Você anota o que não pode esquecer e coloca em lugares estratégicos: Espelho do banheiro, porta de saída da casa etc.


Cumprir grandes tarefas em pequenas partes

Como falei, tenho dificuldade com tarefas muito grandes, por exemplo, em um dia que foi meio puxado e acabei deixando a louça do dia todo acumular na pia. Divido essa louça em partes, lavo um pouco, paro, faço outra coisa, volto para lavar mais um pouco e vou fazendo assim até terminar. Isso me levou a adquirir outro costume: Sempre que entro na cozinha, mesmo que não tenha tempo, lavo alguns copos ou uma panela, nada mais que um minuto, mas fazendo isso várias vezes, a louça não acumula. (Depois da lava-louças não preciso tanto desse recurso). Aplico isso a todos os cômodos: Recolho um pouco de bagunça do quarto dos meninos, na próxima vez recolho roupas do chão, na outra guardo os sapatos etc.

Quando é a roupa para passar que acumula, separo em algumas pilhas e vou passando aos poucos, ainda que o faça no mesmo dia, só de pegar pequenas pilhas em lugar de uma montanha já me faz muita diferença.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Priorizando as tarefas domésticas

Por Carol Balan

Hoje vou falar um pouco sobre as tarefas que separei para cumprir em cada dia. Eu as separei em grupos: essenciais, principais, talvez e luxo.

As tarefas essenciais precisam ser cumpridas todos os dias, custe o que custar!

São elas: dar banho, escovar os dentes, oferecer 3 refeições principais (café, almoço e jantar) e rotina da manhã (para a casa). Parece até que consigo ver o sorriso no canto do lábio do leitor, seguido do pensamento: "uau, só isso? Que drama, nem precisava listar como tarefas a serem cumpridas!". Mas, sério, se nunca aconteceu com você, comigo já aconteceu e não foi só uma vez! Aquele dia que junta absolutamente tudo: noite sem dormir, humor de dragão, bebê chorando, filhos brigando, o gás acabou, o telefone não para de tocar... nesse dia eu simplesmente abandono qualquer pretensão de ser gente e viro bicho preguiça. Para não passar o dia inteiro sem fazer NADA (afinal, não sou mais adolescente e não posso me dar esse luxo), defini essas tarefas como essenciais e que TÊM que ser cumpridas. De preferência, seguindo um horário fixo, que aqui é banho do bebê por volta das 15h, dos mais velhos por volta das 18h. Refeições principais são às 8h, 12h e 19h. Os lanches da manhã e da tarde os meninos já sabem preparar lanches simples: como montar sanduíches e preparar frutas (banana, maçã etc. Algumas já deixo lavadas na geladeira). Escovar os dentes após as refeições (eles escovam sozinhos) e a última da noite eu reviso e passo fio dental. A rotina da manhã, sigo as dicas da FlyLady, que consiste em: levantar e se vestir, arrumar a cama. Ela coloca mais algumas atividades, mas nesses dias só sigo essas.

As tarefas principais fazem parte da rotina diária, devem ser feitas todos os dias, mas, em caso de emergência, podem ser deixadas de lado, se for apenas por um dia. Que são, além das anteriores: rotina da manhã completa, estudos dos meninos, lanche da manhã e da tarde, organizar ou limpar a casa. A rotina da manhã completa inclui fazer maquiagem (não tenho feito), colocar roupa pra lavar e limpar o banheiro (rapidamente, você usa um produto em spray para o vaso e limpa com um pano ou papel toalha, faz o mesmo no lavatório). Os estudos dos meninos têm um horário especial que seguimos, quando falha um dia, compensamos no outro. Os lanches, que são sempre uma fruta pela manhã e um lanche mais caprichado à tarde. E organizar ou limpar a casa é colocar em ordem um cômodo que esteja muito bagunçado, passar vassoura ou mop (esse é um salvador!) nos quartos ou na cozinha e lavanderia. Também procuro deixar sempre a sala principal da casa arrumada e sem a presença das crianças, como já comentei no texto sobre a sala sem televisão (veja clicando aqui).

As tarefas que talvez serão cumpridas são as que já fariam parte de uma rotina normal: organizar o armário da cozinha, arrumar uma gaveta, separar brinquedos para jogar fora, cozinhar algo mais demorado, fazer as unhas, cortar as unhas das crianças (gente, três crianças são 60 dedos!)

E, finalmente, naquele dia que tudo está indo às mil maravilhas, eu faço aquelas coisas que entram na categoria luxo: um bolo com recheio e cobertura para o lanche, um jantar romântico pro marido, montar quebra-cabeça de mais de 1000 peças (amo!) etc.


Como o bebê ainda é muito pequeno, não incluí as saídas de casa, mas quero colocar ao menos três passeios por semana em praças e parques, sendo um deles no final de semana para o pai poder ir também. Outro item que ainda não sei como vou acrescentar à rotina é um horário para os meus estudos, pois iniciei na segunda quinzena de março um curso online de filosofia e preciso garantir entre 7 e 20 horas de estudos semanais.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Colocando ordem na vida – parte 1


Hoje em dia contamos cada vez menos com apoio em casa, tanto de funcionárias, como da família. Para isso precisamos otimizar o nosso tempo o máximo possível, para poder dar conta de tudo que precisamos fazer, mas também para sobrar tempo para fazer outras coisas, como curtir nossa família, por exemplo!

Já faz quase dois anos que não conto mais com ajuda frequente de uma funcionária. Já tive algumas que vinham duas ou três vezes por semana, cuidavam da casa e da roupa, e eu sempre fiquei com os cuidados das crianças e a cozinha. Quando a última pediu demissão, decidi que não contrataria mais ninguém e entrei numa busca desenfreada por métodos de organização da casa e otimização do tempo, para poder cumprir com todas as minhas obrigações.

Para não deixar ninguém com muitas esperanças, já vou logo adiantando: não pense que será um caminho rápido e fácil de percorrer! Primeiro porque tudo vai depender do ritmo de cada um: quem tem mais facilidade para se organizar ou for mais disciplinado, provavelmente conseguirá perceber mudanças mais rapidamente. Se for como eu, um pouco menos organizada e disciplinada, a caminhada será mais longa. Segundo, porque para conseguir isso é preciso quase que a mudança da nossa filosofia de vida e todo mundo sabe que mudar não é nada fácil!

Para aumentar as esperanças, ninguém precisa seguir métodos ou técnicas à risca! O que vou mostrar aqui são os resultados das minhas pesquisas, o que fui mudando aqui, e funcionou pra mim. Acho que o principal é conhecer as opções e ir aplicando em casa para saber o que funciona e o que não vai dar certo.

Dois sites que uso bastante e vou indicar para vocês:

1 - Flylady: FLY significa Finally Loving Yourself, ou seja, finalmente amando a você mesma. Esse método foi desenvolvido pela americana Marla Cilley. Ela diz que quando você organiza a rotina e a casa, sobra mais tempo para fazer o que quer e você passa a se amar mais. Já vi muitas críticas a esse método, em geral, dizem que ele toma muito tempo para ser colocado em prática. Porém, ele é tão abrangente, que se você conseguir segui-lo à risca, vai resolver praticamente todos os problemas, grandes e pequenos, do dia-a-dia de uma família. Ela ensina a cuidar da casa, com dicas para organizar e limpar; a cuidar de você mesma, separando tempo diário para exercícios e tomar água e um tempo na semana para cuidar da beleza; e também cuidar da família, deixando dias separados só para curtir aqueles que mais amamos!  Voltarei em outra postagem para falar com mais detalhes, mas quem já se animar a seguir, tem o link oficial, em inglês e também um blog com as traduções para o português. Eu prefiro seguir em inglês, acho mais dinâmico (quem não sabe inglês, consegue acompanhar usando o tradutor) mas o blog em português também é bastante completo e tem todo o essencial. Um ponto negativo do Flylady é que, por ser um site americano, muitas coisas não fazem parte dos nossos costumes e a muitos dos produtos que ela indica, não temos aqui ainda. Isso não atrapalha tanto, o problema maior é que percebemos como as coisas lá são bem melhores do que aqui!! http://www.flylady.net/ - http://flyrobrasileira.blogspot.com.br/

2 - Vida organizada: esse site é da Thais Godinho, ela criou um blog com dicas de organização para facilitar a vida. O blog cresceu bastante e hoje ela já lançou um livro sobre o assunto. Ela mesma segue o método Flylady, então o blog dela, diferente do anterior, não ensina um método, mas vai dando dicas de como organizar os diversos setores. Cada postagem tem um tema, ela vai indicando sites, aplicativos etc. É muito bacana porque ela participa ativamente do site, sempre respondendo às perguntas dos leitores.  - www.http://vidaorganizada.com

Nas próximas postagens vou falar um pouco sobre o que adaptei aqui em casa, como fiz minhas mudanças e como isso modificou bastante a minha rotina e da minha família.

domingo, 7 de setembro de 2014

Sala de TV

Por Carol Balan*

Uma cena muito comum em casa era a minha mãe, muito, mas muito brava, porque a sala estava bagunçada. Ela sempre dizia que a sala é o primeiro lugar em que se entra na casa e como ela iria receber visita se a sala estivesse naquele estado. Naquela época eu achava um exagero.

A primeira casa em que moramos – eu, o marido e os filhos - era muito pequena, um ambiente comum para sala, cozinha e lavanderia, quarto e banheiro. Assim, a televisão ficou na sala porque nem teríamos outro lugar para colocá-la. A bagunça que começou a se acumular nesse local já começou a me incomodar e eu passei a me lembrar da minha mãe, achando que ela nem era tão exagerada assim. Com o nascimento do primeiro filho, a casa ficou ainda menor e mudamos para uma casa com três quartos. No quarto que ficou sobrando, fizemos um escritório.

Porém, a bagunça na sala continuou excessiva – ou eu me tornei exagerada! Marido com seus livros; filho com seus brinquedos; vídeo game, coisinhas, apetrechos. Eu, que sou perfeita, não juntava bagunça nenhuma... mentira, claro que eu também colaborava com o caos. O fato é que toda vez que eu entrava em casa, dava de cara com a sala cheia de coisas e ficava muito irritada. E lembrava sempre das cenas que aconteciam em casa – e em como eu entendia a minha mãe! E pensava como Belchior estava certo ao dizer que falamos “como os nossos paaaaaaais”, quando eu dizia, muito brava e irritada, a sala bagunçada: “como vou receber visita?!”

Decidi então juntar, ao cômodo que era o escritório, uma sala de TV. Na verdade, baixei um decreto em casa: ou a TV iria para a estante do escritório ou pro lixo. A sala principal deixaria de ser o lugar onde a família passava mais tempo, faríamos isso na outra sala e a bagunça ficaria lá, bem escondida das visitas.

O resultado foi tão bom que já está decidido aqui em casa: nunca mais fico sem uma sala de estar (mudei o nome, para tirar o foco da televisão). A sala principal da casa foi apelidada pelo filho mais velho de sala de conversar - achei tão gracioso o modo dele se referir à essa sala, que o nome acabou pegando. Eles têm total acesso a ela, mas sabem que as brincadeiras lá são limitadas e normalmente dirigidas. Quando vão brincar lá, por exemplo, levam o lego, espalham no chão, brincam e recolhem em seguida. Na outra sala, ao contrário, são liberados para pegar as caixas de brinquedos, despejar no chão e até deixar algum brinquedo esparramado, dependendo do que é e se a brincadeira vai continuar no dia seguinte. Se a bagunça me incomoda, fecho a porta.

Aqui em casa isso funcionou muito bem, e já tive amigas que realizaram a mesma adaptação em suas casas e gostaram também. Além de garantir um local da casa (quase) livre de influência das crianças, também garanto que eles aprendam que mesmo dentro de casa existem limites a serem seguidos.

*Carol Balan - pedagoga e doula, é católica, casada, mãe de 2 meninos e dona de casa em Araraquara /SP. Ama cozinhar, bordar, fazer crochê e tricô.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Serviços no lar

Os trabalhos de uma casa são ingratos. Só os notam quando não são feitos. Uma casa bem arrumada, com cada coisa em seu lugar, com a comida pronta e cheirosa na mesa, nos seus devidos horários, com as roupas bem limpinhas, passadas e guardadas, nunca é devidamente valorizado e nem notado como algo louvável.

Quando trabalhamos fora, temos tarefas específicas próprias do cargo que ocupamos, e somos cobrados por tarefas executadas; já nas tarefas domésticas, a cada dia temos novidades e tarefas extras, apesar da rotina que deve existir para tornar tudo mais factível.  Além de não ser uma tarefa remunerada, tem uma exigência de exclusividade e dedicação total. Tudo o que fazemos no lar é por puro amor. Amor à família e ao bem estar de cada membro da nossa casa.

Só mesmo por amor fazemos tantas atividades, repetindo diariamente, sem desanimar e sem deixar para depois, mantendo um alto nível de qualidade. E, em muitas vezes sem nós mesmas notarmos o quanto fizemos, e sem que os familiares também expressem seu agradecimento pela qualidade com que são tratados.

Uma mãe que se dedica ao lar,  levanta cedo para cuidar dos afazeres domésticos, prepara o café da manhã, troca as fraldas do bebê, veste o uniforme no maior, arruma as lancheiras das crianças, para em seguida sair e levá-los ao colégio.  Ao retornar a casa, as tarefas domésticas continuam lá, esperando por essa mãe dedicada: as roupas para lavar, passar, guardar; os quartos para arrumar, as louças  na pia para lavar; a casa para varrer, os banheiros para limpar, o pó a ser retirados dos móveis , as próximas refeições a fazer. E ainda deve, a noite, estar bonita e arrumada, para receber o marido ao chegar do trabalho. E tem gente que ainda  pergunta a esse mulher: - " você não trabalha?, só cuida da casa?"

Realmente se fossem pagar um salário justo às mães que cuidam com todo esse zelo das suas famílias, não seria algo fácil de fazer. Porque além de todas as tarefas domésticas, ainda tem o cuidado com a educação e a formação geral de cada filho que tem.

Devemos valorizar mais essa profissão de executiva do lar, e sempre que possível pesar mais o custo benefício de tê-la em casa, cuidando da família e respeitando-a como a qualquer outra profissional remunerada.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Cada coisa em seu lugar...

Meu pai gostava muito deste ditado popular: “cada coisa em seu lugar, poupa tempo e muito falar”, sempre que via algo fora do lugar, lá vinha ele dizendo em alto e bom som, e assim saímos a arrumar tudo em seus verdadeiros lugares.

Podemos transformar a arrumação em brincadeira, assim as crianças participarão de tudo com mais alegria e ao mesmo tempo aprenderão a virtude da ordem, com nossos incentivos e ajuda.

Arrumar as gavetas das roupinhas das crianças, separando por espécie, vai fazendo com que tenham noção de espaço e de que cada coisa tem um lugar e por conta disso tudo será encontrado, até de olhos fechados. A gaveta de talheres da cozinha também é um ótimo lugar para se brincar de arrumar. Garfos separados de colheres e de facas. E, enquanto cozinhamos brincamos de cada coisa em seu lugar, misturando todos os talheres. Deste modo arrumam brincando e ainda ficam por perto de nós, sem fazer bobagens ou mexendo em coisas perigosas fora de nosso alcance de visão.

A dica é não fazer pela criança, é lógico que a habilidade manual dela será bem menor que a nossa e com certeza levará mais tempo nessa tarefa, mas deixe que faça sozinha, estimule-a a continuar até o último talher.

Para que sua ideia de ensinar a ordem tenha sucesso, escolha sempre uma hora do dia em que a criança esteja descansada, buscando atividades. Comece fazendo você mesma a arrumação, tirando tudo da gaveta e colocando-a ao alcance do filho. Diga que está tirando tudo para limpar a gaveta da poeira e então ofereça à criança a “brincadeira” de separar as coisas e ir colocando agrupadas por espécie.

Com isso vamos treiná-los com os nomes de cada peça que pegarem, pode aprender os nomes dos materiais de que são feitos: colher de pau, espátula de borracha, garfo de aço inox, colher de plástico, etc. Podem também contar quantas unidades tem de cada objeto, vão aprender qual lado da faca pode cortar e machucar; e até comparar tamanhos, como a colher de sopa e a colher de cafezinho. Todo esse aprendizado é divertido, se feito com calma e paciência, com um sorriso no rosto, sempre que nos olharem.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Experiências de família – parte 2 – educação dos filhos

Acho que talvez eu tenha sido rigorosa demais com meus filhos, principalmente os cinco primeiros. Como era muito jovem, creio que era quase de igual pra igual que combatíamos o bom combate de educar e brincar, quase que tudo ao mesmo tempo.

A mesma que sentava no chão e brincava, fazia teatrinho de sombras, ou disputava corrida de carrinhos, ou jogava “Atari” e Pac Man, era a que corrigia com bastante exigência e botava pra quebrar quando as coisas não fluíam como deveriam, nos estudos ou na ordem da casa.

Funcionava com uma lista de tarefas, até para que eu me organizasse também, e cada um tinha algo pra fazer em casa. E valia pontos! Havia sempre um espertinho que trocava suas tarefas domésticas por um dever de casa que fazia para outro, ou até comer algo que o outro não gostava em troca de uma tarefa de casa. Cada uma que inventavam... Mas tinham, todos, responsabilidades dentro da família, eu costumava dizer que era para que se sentissem mais donos da casa também.
Criei o hábito de fazer listas de tarefas, listas de atividades, listas de compras, tudo eu listava para não esquecer ou deixar de fazer. Foi a maneira que encontrei para dar conta de tudo em casa com tantos filhos; assim, priorizava as listas das coisas mais necessárias.


Um dia, uma mãe, na escola das crianças, veio me dizer: ”Duvido que você dê conta de tudo em casa” ,”Alguma coisa deve ficar por fazer!”, eu levava na brincadeira, mas por dentro me roía, porque me perguntava: “o que esta moça tem a ver com a vida da minha família?” – isso incomodava aos outros, o fato de sermos muitos, e ainda nem tinha todos os filhos que tenho hoje!

Minha resposta era que eu priorizava, na escala de importâncias, desde o marido e filhos e tarefas domésticas, e o que era menos importante ficava para quando desse, e tudo funcionava bem. E era verdade. Meu marido estava sempre em primeiro lugar; porém, às vezes, os filhos disputavam esse lugar por força de alguma necessidade maior.

Um exemplo para isso de priorizar era: ou brincar com as crianças ou arear as panelas – simples: panelas bem lavadas, sem brilho e crianças alegres. Deixar a louça na pia para o dia seguinte e participar da tertúlia em família, após o jantar. Sempre a família em primeiro lugar.

Quanto à educação das crianças, optamos por ser eu a mais exigente e o pai, mais complacente. Assim sendo, ficaram pra mim as cobranças, as reprimendas maiores e bastava um olhar bem dado que o filho ou filha logo voltava ao normal, abrindo mão de alguma má-criação.

Comecei falando de ser muito rigorosa, mas, com certeza, (eles podem dizer melhor), estão todos muito bem equilibrados e muito bem encaminhados em suas vidas profissionais, estes cinco mais velhos. Acho que foi uma boa maneira de educar, o resultado é pessoas felizes e bem quistas por todos.

Quanto aos outros quatro, um já está muito bem encaminhado, na faculdade, e só nos dá alegria. As demais, todas meninas, ainda estão em processo de formação e amadurecimento, mas continuo aplicando as mesmas "técnicas" já testadas, e os resultados têm sido também bons.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Autoridade, hierarquia e ordem

Por Maria Teresa Serman

A palavra hierarquia é composta por hier(o), proveniente do grego hierós, que significa SAGRADO e por arquia, derivado do grego arkhé, que significa COMANDO, AUTORIDADE, como também COMEÇO, PRINCÍPIO ou FUNDAMENTO. Assim, podemos concluir, através do dicionário Houaiss de Língua Portuguesa, que uma hierarquia se refere a uma ordenação feita segundo um princípio de autoridade fundado no sagrado. Sempre que há uma hierarquia existe, mesmo que seja apenas a um nível inconsciente do uso da língua, uma referência à legitimação da autoridade hierárquica no poder do sagrado.

Podemos dizer, então, que hierarquia é ORDENAÇÃO. Há nela autoridade, mas não uma autoridade de caráter pessoal, como na noção moderna. A hierarquia é o “encaixe” em toda a ordem do universo, e existe em toda parte e em todo lugar. Não há nem poderia haver nada sem hierarquia. No sentido clássico, é sinônimo da ordem que, em seu mínimo estágio, é necessária à subsistência - é a hierarquia das ligações atômicas que faz com que o ar não se torne venenoso.

Na hierarquia clássica, a posição do superior é ao mesmo tempo uma posição de serviço, mas não de serviço a um simples homem (como o soldado serve ao cabo) ou a uma idéia (como o presidente serve ao povo). O serviço é a uma ordem muitíssimo mais transcendente que aquela minúscula instância dentro da qual compete ao superior coordenar aquilo que é de sua responsabilidade. E esta maior é quanto mais alto o cargo ou função, e isso deve estar sempre claro para quem os exerce.

A idéia moderna de uma igualdade completa é, em seu âmago, a negação da ordem. E essa mesma corrente colocou a palavra hierarquia dentro de um invólucro de autoritarismo, sob uma capa que, aparentemente, engessa o livre arbítrio. Nada mais longe da verdade, pois a ordenação é a única forma de o homem se realizar em sua plenitude. Com essa visão distorcida, contaminaram também outro princípio correlato, a autoridade, confundindo-a malevolamente com autoritarismo.

Sem autoridade, o bem se torna impossível desde os primórdios da existência humana - a criança desde cedo precisa de limites e de guia seguro. Se faltam esses desmembramentos da autoridade, instalam-se, então, a negligência e o autoritarismo, os piores inimigos de uma vida feliz e proveitosa. A autoridade paterna, o pátrio poder, como é chamado juridicamente, é de suma importância, por assegurar a segurança e a própria vida do infante.

Todos os dias os jornais nos apresentam tragédias decorrentes desta falta. Ou exemplos concretos de como não se deve fazer uso da autoridade que lhe foi conferida por muitos, em favor de facções ou partidos, ameaçando assim o bem maior, a liberdade.