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domingo, 7 de setembro de 2014

Sala de TV

Por Carol Balan*

Uma cena muito comum em casa era a minha mãe, muito, mas muito brava, porque a sala estava bagunçada. Ela sempre dizia que a sala é o primeiro lugar em que se entra na casa e como ela iria receber visita se a sala estivesse naquele estado. Naquela época eu achava um exagero.

A primeira casa em que moramos – eu, o marido e os filhos - era muito pequena, um ambiente comum para sala, cozinha e lavanderia, quarto e banheiro. Assim, a televisão ficou na sala porque nem teríamos outro lugar para colocá-la. A bagunça que começou a se acumular nesse local já começou a me incomodar e eu passei a me lembrar da minha mãe, achando que ela nem era tão exagerada assim. Com o nascimento do primeiro filho, a casa ficou ainda menor e mudamos para uma casa com três quartos. No quarto que ficou sobrando, fizemos um escritório.

Porém, a bagunça na sala continuou excessiva – ou eu me tornei exagerada! Marido com seus livros; filho com seus brinquedos; vídeo game, coisinhas, apetrechos. Eu, que sou perfeita, não juntava bagunça nenhuma... mentira, claro que eu também colaborava com o caos. O fato é que toda vez que eu entrava em casa, dava de cara com a sala cheia de coisas e ficava muito irritada. E lembrava sempre das cenas que aconteciam em casa – e em como eu entendia a minha mãe! E pensava como Belchior estava certo ao dizer que falamos “como os nossos paaaaaaais”, quando eu dizia, muito brava e irritada, a sala bagunçada: “como vou receber visita?!”

Decidi então juntar, ao cômodo que era o escritório, uma sala de TV. Na verdade, baixei um decreto em casa: ou a TV iria para a estante do escritório ou pro lixo. A sala principal deixaria de ser o lugar onde a família passava mais tempo, faríamos isso na outra sala e a bagunça ficaria lá, bem escondida das visitas.

O resultado foi tão bom que já está decidido aqui em casa: nunca mais fico sem uma sala de estar (mudei o nome, para tirar o foco da televisão). A sala principal da casa foi apelidada pelo filho mais velho de sala de conversar - achei tão gracioso o modo dele se referir à essa sala, que o nome acabou pegando. Eles têm total acesso a ela, mas sabem que as brincadeiras lá são limitadas e normalmente dirigidas. Quando vão brincar lá, por exemplo, levam o lego, espalham no chão, brincam e recolhem em seguida. Na outra sala, ao contrário, são liberados para pegar as caixas de brinquedos, despejar no chão e até deixar algum brinquedo esparramado, dependendo do que é e se a brincadeira vai continuar no dia seguinte. Se a bagunça me incomoda, fecho a porta.

Aqui em casa isso funcionou muito bem, e já tive amigas que realizaram a mesma adaptação em suas casas e gostaram também. Além de garantir um local da casa (quase) livre de influência das crianças, também garanto que eles aprendam que mesmo dentro de casa existem limites a serem seguidos.

*Carol Balan - pedagoga e doula, é católica, casada, mãe de 2 meninos e dona de casa em Araraquara /SP. Ama cozinhar, bordar, fazer crochê e tricô.

4 comentários:

Patricia disse...

Ótima dica! E olha a sensibilidade do menino dando o nome perfeito: "sala de conversar"!
Abraço,
Pat

Jaqueline Melo disse...

Show Carol! Muito boa idéia!

R. Suppi disse...

Bem legal, Carol!!! E mto fofo o nome dado à sala!!!
Antes da Clara nascer, tínhamos um cômodo sobrando, que transformamos no quarto dos brinquedos. Hj, ele não existe mais. As crianças brincam em seus quartos e no terraço, com maior liberdade, e na sala, com certas restrições (parecidas com as que vc citou). A TV continua na sala, mas o ambiente tbm funciona como "sala de conversar". Adorei as dicas!!!!

Marina Gladstone disse...

Adorei a dica. Vi uma casa que tinha um esquema assim. Ao lado da cozinha tinha uma sala de brinquedos, parecia ótimo.

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