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terça-feira, 29 de março de 2011

A arte da compreensão

Por Rafael Carneiro Rocha

Dialogar. Eis uma arte necessária.

Penso que crises podem ser apaziguadas por boas conversas. Escute a reclamação do outro. Faça a sua ponderação. Se o outro ainda reclamar, peça que ele problematize a ponderação feita por você. O diálogo no momento de crise deve ser inventivo. Para cada ponderação, uma nova pergunta. Nesse sentido, a quantidade de ponderações e perguntas tende a ser progressiva a tal ponto que, em determinado momento, pelo menos um consenso se aproxima. Ambos os conflitantes são criaturas com queixas legítimas. As pessoas em guerra se imitarão pelo bem. No momento da boa mimese, poderá haver um irresistível convite à caridade. Um lado, gratuitamente, poderá ceder.

O fator de imitação é interessante, porque nos conflitos ele tende muitas vezes a ser infrutífero. Mas o fato é que, irreversivelmente, nós nos imitamos. Como criaturas que dialogam, se dialogamos é porque existe algo de muito comum entre nós. Nós nos expressamos. Quando ouvimos o outro, retrucamos com uma imitação de tom de voz, linha de raciocínio e estilo de linguagem.

Abrandar paulatinamente o tom de voz e se interessar pelo problema alheio farão com que a outra pessoa (imitadora por natureza, como todos nós) seja mais doce conosco e que nos compreenda melhor. A mimese é inevitável. Mas a permanência do conflito, não.

2 comentários:

Stella Halley disse...

Gostei da dica, vou por em prática, sobretudo abrandar o tom de voz.

Rafael Carneiro disse...

Oi Stella. Depois você me conta se deu certo, rs... Se não der, eu vou ter de mudar o texto urgentemente, rs! Abraços!

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