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sábado, 26 de julho de 2014

Procuram-se avós!

Coisa gostosa é ter uma avó pra fazer bolinho de chuva, biscoitinho, café... Uma vovó pra dizer pra nossa mãe: “Ihh, sua mãe aprontava cada uma...” E um avô cheio de histórias pra contar! Que delícia ouvir com atenção os relatos de um senhorzinho de cabelos brancos e dobras no rosto...

Tive a oportunidade de conhecer meus quatro avós. Os avós paternos foram mais próximos de mim fisicamente. Chegaram a morar na mesma casa que eu e minha família morávamos. Já os maternos moravam distantes. A parte boa era que entrar de férias significava “ir pra casa dos meus avós”. Mas a vida é um ciclo e, com o tempo, fui perdendo meus velhinhos. Um de cada vez. A avó materna foi a última a falecer, quando eu tinha uns vinte anos.

Se você sentiu um clima de melancolia ao ler isso, saiba que meu sentimento é o oposto. Sou realizada por ter convivido com os quatro por um tempo não tão curto da minha vida. Meu irmão de treze anos não teve a mesma oportunidade, mas arrumou uma avó adotiva (uma amiga da família que o adotou como neto).

Dei essa volta toda para falar de um vovô em especial: meu pai. Ele é o terceiro filho de uma família de dez irmãos, tem quase 74 anos. Até pouco tempo atrás, apenas ele e um irmão (bem mais novo) não tinham netos. Enquanto isso, outro irmão, mais jovem que ele, já é bisavô! Como ele se casou aos 36 anos (idade um pouco avançada para a época dele) até que um filho atingisse a vida adulta, casasse e tivesse filho, ia demorar um pouco. O fato que quero destacar é: mesmo eu sendo a única filha casada (há sete anos) meu pai NUNCA me cobrou um neto!

Depois que meu filho nasceu, ele quebrou um silêncio de anos. Sempre que pega seu tão querido netinho no colo, conta: “Eu ficava me perguntando ‘Meu Deus, será que um dia eu vou ter um neto? Qual dos filhos vai me dar um neto primeiro? Eu não quero morrer sem um neto’”. Questionamentos que jamais tinham chegado aos meus ouvidos. Nem por terceiros. Ele diz que apenas rezava para que pudesse ver pelo menos um neto antes de morrer. Imaginava o neto correndo pelo quintal - agora esta cena de sua imaginação se tornou realidade. Bom, as orações foram atendidas.

Quantos pais e mães de filhos adultos não devem se fazer esses mesmos questionamentos! Nem todos com a mesma paciência que meu pai teve, de guardar em silêncio o desejo de ver os frutos de seus frutos. Acabam “cobrando” dos filhos: “Quando é que vocês vão me dar um netinho?” Já ouvi um caso de uma senhora que ofereceu uma viagem internacional a um casal para que eles lhe dessem um neto. A viagem que eles quisessem!

Mas somos uma geração tão ocupada... É o trabalho, a casa própria, a promoção no emprego, a faculdade, a pós-graduação... E nossos pais vão ficando velhos. E nós vamos ficando velhos... E um dia ficaremos mais velhos. Será que teremos netos?

Essa atitude de meu pai só me dá mais vontade de presenteá-lo com mais netos. Até porque um dia meu marido e eu também queremos ser avós e cobrir nossos netinhos de mimos, guloseimas e histórias...

A todos os papais e mamães “com açúcar”: Feliz Dia dos Avós!

Verônica Lunguinho -  é jornalista, casada, mãe do Miguel e mora em Brasília. É católica, gosta de comer e vive dando uma de quituteira nas horas vagas.

Um comentário:

Jaqueline Melo disse...

Que lindo texto Verônica! Me emocionei ao pensar que meus pais também só têm minhas filhas como netas e como deve ser especial para eles!

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