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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

MINHA ÁNTONIA - um livro para ler nas férias

T.o. My Antónia (1918)
Willa Cather
Ed. Códex
São Paulo, 2003

“Tive uma intuição da relação entre as moças como aquelas da poesia de Virgílio. Se não houvesse meninas assim no mundo, não haveria poesia.” Willa Cather explicou dessa forma a gênese do livro que trata da vida de uma garota boêmia (tcheca, atualmente), Ántonia Shimerda.

Ainda menina, chegou com a família ao Nebraska, onde enfrentou o clima inóspito e a dureza da terra. O narrador, seu vizinho Jim Burden, passou a infância e a adolescência em Black Hawk, e partilhou com Ántonia aventuras e confidências. Viu-a trabalhar incansavelmente, ser infeliz no casamento, recomeçar a vida.

O livro é um tanto paradoxal, pois seu tom consegue ser poético e coloquial, mistura suavidade e crueza, parte de fatos corriqueiros para chegar a considerações metafísicas. Duas passagens, entre outras, ilustram essas características.

A primeira é dura, e poderia ser chamada “os noivos e os lobos”. Rússia. Planície gelada. A festa de casamento demora mais do que o previsto. A noite está avançada quando os trenós rumam de volta para a vila vizinha. No meio do trajeto, uma alcateia ataca. Um a um, os trenós são derrubados e seus ocupantes, devorados. Sobra o dos recém casados. O condutor mais forte e soturno sugere ao marido que lance sua mulher às feras, a fim de que consigam escapar. Ele recusa. Brigam, o marido perde, é jogado aos lobos; idem sua esposa. Quando o crime é descoberto, os condutores têm de fugir. Vão parar precisamente no Nebraska, perto de Ántonia. Anos depois, no leito de morte, o russo que jogou os esposos têm alucinações e vê lobos por todos os lados. O pai de Ántonia o consola. Ele morre em paz.

A outra passagem é lírica. Quando expulsos de um estado sulino, os mórmons, sem as esposas e filhos, vão à frente. Cruzam o Nebraska para chegar ao estado que os aceitou. No ano seguinte, virão suas famílias pelas mesmas estradas. Resolvem semear flores à beira do caminho, enquanto passam. Assim, as mulheres e crianças encontrarão nessa beleza acrescida o consolo para a dor do desterro.

Essa obra, enfim, é um mergulho na genuína América profunda. Ao enaltecer a vida simples e honesta da protagonista, dos seus familiares e amigos, ajuda na reflexão e assimilação de valores que talvez careçam de reflexão e assimilação.

Paulo Oriente Franciulli
Professor de Filosofia do Direito do IICS

4 comentários:

betoqueiroz disse...

Olá, Liana.
Tenho esse livro na estante, à espera de uns dias de férias...Já li 2 outros livros de Willa - Oh Pioneers! e A Morte Vem Buscar o Arcebispo (este já comentado) e gostei muito. Recomendo.
Abraços,
Beto.

Liana Clara disse...

Beto, eu ainda não li este livro, mas o nosso colaborador o Professor Paulo Oriente,com este belo relato sobre o livro, já me deixou com vontade de pedir de presente o livro, para também ler durante as férias.
Aproveite bem a sua leitura.
Fique a vontade no nosso BLOG para participar sempre. Abraço e Feliz Natal!

Marcos Josias disse...

Gostei muito deste livro. Parabéns pelo blog e ao autor do comentário

Liana Clara disse...

Obrigada Marcos, e seja bem vindo ao BLOG. O autor do comentário sobre o livro é o professor Paulo Oriente.
Visite-nos sempre, nosso BLOG tem todos os assuntos relacionados a família.Um Feliz Natal a você e sua família.

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