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domingo, 16 de dezembro de 2012

O massacre em Sandy Hook: algumas considerações


Ontem foi um dia triste nos EUA e isto repercutiu em todo o mundo. O massacre na escola em Connecticut trouxe tristeza e preocupação, mas também foi usado por oportunistas que, vampiros do sangue alheio, aproveitam uma situação trágica para vender suas idéias, no caso o desarmamento.
A constituição americana, em sua segunda emenda garante que os cidadãos tem o direito de ter armas. Sendo a primeira emenda a liberdade de expressão e de religião, ler algo logo em seguida como o que vai abaixo:
A well regulated militia being necessary to the security of a free state, the right of the people to keep and bear arms shall not be infringed
Nos mostra que é um direito que está nos fundamentos da sociedade americana. Você poderá dizer: que sociedade retrógada! E pode estar seguro que estará falando uma bobagem.
Sem contar a de San Marino, a constituição dos EUA é a mais antiga em vigor. Além das 10 emendas iniciais (1789) sofreu apenas mais 17 emendas desde que foi promulgada em 1788. Só em termos de comparação, o Brasil teve sete constituições sendo que a atual tem 250 artigos e já foi emendada 70 vezes. Portanto, pode-se inferir que a fidelidade aos fundamento do sonho americano:  direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade estão bastante arraigados e não serão mudados por mais que a imprensa tupiniquim insista em dar pitacos sobre como eles deveriam viver.
Não digo que a sociedade americana seja perfeita, admiro a sociedade americana, mas ela tem muitos defeitos como em todos os lugares. O direito de ter armas não é um dos defeitos dela.
Você poderá dizer: se não houvesse armas não teria acontecido o massacre de ontem. Será? Ou então, se não houvesse armas liberadas haveria menos mortes. Não é bem assim que a coisa funciona; vamos ver?
Na Venezuela do ditador Chavez há 45 homicídios para cada 100.000 habitantes. No Brasil há 21 / 100k. Nos EUA há apenas 4.2 / 100k. No Brasil onde comprar uma arma legalmente é mais difícil que conseguir um doutorado houve em 2011 o maior número de homicídios no planeta: 40974!
Mas eu me desviei do tema. Queria fazer uma consideração sobre uma medida simples mas eficaz para reduzir massacres como este.
Muitos, senão todos, os indivíduos que fizeram massacres como este são psicopatas e/ou com um distúrbio narcisista de personalidade. Para eles, o grande ganho da matança é a publicidade que terão após a sua morte durante o massacre. Se cortarmos a divulgação de seus feitos, eles perdem um dos seus importantes motivos.
Então devemos proibir a imprensa de reportar estes eventos? Não! De forma alguma. Sou defensor da total liberdade de imprensa. No entanto, nada impede que cada veículo de comunicação pense numa política interna de dar a notícia sem destacar o assassino. Deixar ele no ostracismo, nem mencionar seu nome pode ser uma forma de evitar que outras pessoas perturbadas como ele busquem inspiração para fazer atos similares.
O massacre em Sandy Hook nos deve levar a pensar na formação dos adolescentes, em rezar pelas famílias afetadas, não em fazer proselitismo barato pregando o controle de armas sobre o cadáver de 20 crianças.

P.S.: Aos leitores do blog: tenham claro que esta é minha opinião. Se você pensa diferente a área de comentários está aberta para você expor suas idéias e colocar argumentos favoráveis ou não à minha opinião.

Fonte: Zeletron

sexta-feira, 2 de março de 2012

A mulher em cargos públicos

Por Maria Teresa Serman

Em face de uma declaração que eufemisticamente classifico como infeliz, da recém nomeada ministra para políticas femininas, Eleonora Menicucci, de que legalizar o aborto é questão de saúde pública, pois evita mortes de gestantes devido a práticas ilegais, lembrei-me de uns trechos da entrevista concedida por S. Josemaria Escrivá a jornalistas de origem variada, eternizada no livro Questões Atuais do Cristianismo, que passo a reproduzir.

" A mulher que queira dedicar-se ativamente à direção dos assuntos públicos está obrigada a preparar-se convenientemente, a fim de que sua atuação na vida da comunidade seja responsável e positiva. Todo trabalho profissional exige uma formação prévia, e depois um esforço constante para melhorar essa preparação e acomodá-la às novas circunstâncias que apareçam. Essa exigência constitui um dever particularíssimo para os que aspiram a ocupar postos de direção na sociedade, pois são chamados também a um serviço muito importante, de que depende o bem estar de TODOS."( A ênfase é minha.)

Uma dirigente, principalmente por ser do sexo feminino, deve ter a necessária sensibilidade e competência para perceber que uma gestação, planejada ou não, atinge a mulher como um todo, seu corpo, sua personalidade, sua saúde, sim, física, mental, emocional e espiritual. Uma mulher grávida não é uma barriga prenhe, desculpem as palavras cruas. Não deixa de ser um indivíduo que, por maravilha da criação, abriga e alimenta em vários sentidos um ser que dela depende visceralmente, e mais, que é SEU FILHO. Nunca vai deixar de sê-lo, nem se ela infelizmente não aceitá-lo como tal. Mas não é ela, é outra vida, o que tampouco lhe permite descartá-lo.

Entendemos que muitas mulheres se veem desesperadas ao engravidarem em situações de risco, de pobreza extrema, de abandono. Há, porém, muitas saídas menos infelizes para ambos, mãe e filho, do que a morte. A vida não aceita ser destruída sem implicações indeléveis, mais do que no corpo, na alma de quem o faz, todos nós sabemos, conhecemos casos. O remorso é o pior castigo nesses casos, e só desejamos que essas mães voltem a confiar na misericórdia do Pai.

Continuamos com o texto: "Em virtude dos dons naturais que lhe são próprios, a mulher pode enriquecer muito a vida civil. Isso salta à vista, se nos detivermos no vasto campo da legislação familiar ou social. As qualidades femininas proporcionam a melhor garantia de que serão respeitados os autênticos valores humanos e cristãos, no momento de se tomarem medidas que de algum modo afetem a vida da família, o ambiente educativo, o futuro dos jovens."

Lamentavelmente, esses valores citados por S. Josemaria não têm tido a salvaguarda necessária quando se fala em políticas públicas atuais, e, principalmente, em critérios para ocupação de cargos na esfera pública. É urgente que se respeitem as exigências básicas para preenchimento destes, de não só uma ficha limpa, mas de comprovada competência moral e prática ilibada.

O argumento da nova ministra - nossa, como esse termo perdeu completamente o seu significado histórico e a sua importância de uns tempos pra cá! - é de que descriminar a prática abortiva protegerá a saúde das mulheres, suas vidas serão poupadas. Obviamente as vidas dos bebês abortados não preocupam à política, são acidentes de percurso, desastres que podem ser resolvidos. Ela se considera, ao que tudo indica, a ministra das mulheres adultas, não levando em consideração que outros representantes desse sexo podem estar entre os inocentes eliminados.

Não custa lembrar que a vida humana é de uma grandeza só, não importando o sexo, posição social, nível intelectual, origem geográfica. E saúde pública não é privilégio das mulheres de qualquer idade. Isso seria um sexismo às avessas, tão nefasto ou pior do aquele que as próprias mulheres sempre combateram.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Boa vontade=vontade boa

Por Maria Teresa Serman

Este texto me veio como um desagravo à infame declaração do governador do RJ, nos jornais de hoje.

Fala-se muito, neste tempo natalino, em boa-vontade. Estimulados pelo anúncio dos anjos aos pastores, em Belém da Judéia, quando nos nasceu o Salvador, gostamos de exibir essa "boa-vontade" nesse período, para depois submergi-la nos nossos afazeres e egoísmos o resto do ano.

Como disse S. Josemaria, "temos de agradecer a este Senhor que veio trazer a paz na terra aos homens de boa vontade, a todos os homens que querem unir a sua vontade à Vontade boa de Deus." Só Deus é bom e, portando, só Sua vontade é perfeita e santa. A nossa, por mais que lutemos, sofre os repuxos da concupiscência, da fome de saciar nossos desejos egocêntricos.

Essa constatação - não minha, mas da Santa Igreja - não deve nos amedrontar, é só para ficar de sobreaviso vigilante (aqui quanto mais redundância melhor) contra a arrogância de nos julgarmos safos, por qualquer motivo que seja, das tentações do eu.

É sempre tempo de esperança nos corações que desejam ser bons. É alentador saber que um menino indefeso pode mais do que um Herodes ambicioso e sanguinário. Ainda hoje, e até o fim dos tempos, uma criança nos traz o alento da inocência, do recomeço, da entrega total.
Benditas sejam as criancinhas que nascem diariamente, para renovar a boa vontade no mundo e neutralizar a infelicidade daqueles que não as querem! Estes nunca serão vitoriosos porque a vontade boa de Deus as deseja, acolhe e protege.

E podemos, com um "endeusamento bom", sermos seus protetores e assim sermos crianças também.

sábado, 4 de setembro de 2010

Um filme para a família: Nunca sem minha filha

Baseado em fatos reais, este filme mostra com emoção a historia verídica de Betty Mahmoody, relata ao escritor William Hoffer.

Passada nos Estados Unidos, a historia desta fita irá contar o trágico casamento de Betty com um médico iraniano que vive há vinte anos na América.

Querendo visitar sua terra natal, ele convence a esposa a uma viagem, levando também a filha. Betty fica relutante, pois o Irã não é lá um país muita amigável, especialmente se a visitante for americana e mulher. Chegando lá o médico revela sua verdadeira personalidade... Convertido ao islamismo ele fará de sua esposa uma prisioneira que manterá sob o seu poder.

A luta e a coragem desta mulher surpreendente transformam esta historia num envolvente relato com muitos momentos de suspense e apreensão. Sua grande dificuldade para conseguir voltar ao seu país com sua filha, sem contar com a ajuda de ninguém.


O elenco do filme conta com Sally Field e Alfred Molina como atores principais e com uma interpretação maravilhosa e envolvente.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Perguntas e Respostas: Dra Mannoun Chimelli - Adolescentes - Como educar? (Parte 53)

As perguntas estarão apenas com as iniciais dos nomes, para deixar bem à vontade nossas amigas.

Perda do controle com o filho
1 - C. G.diz: Meu filho tem 16 anos e todas as vezes que falo com ele ,se acha sempre o melhor que tudo e todos ,minha preocupação é que fica até tarde no quarto dele jogando vídeo game com amigos,nunca admite estar errado,as vezes vou a escola e ele não esta lá, porque pirou,dou castigo e ele quer fazer trocas, diz que se eu for muito ruim ele vai ser pior ainda. O que eu faço? Não sei como lidar e minha vontade é dar uma boa surra.Ele faz uns bicos de dia e estuda a noite e é muito querido entre os amigos. O pai era drogado e hoje ele anda em más companhias, um grupo de rap. E vai muito mal nos estudos.

RESP: Cara C.G. Seu filho necessita ser levado a um bom profissional - se informe sobre um psiquiatra com segura formação, preferentemente. Sua personalidade corre riscos, mas o temperamento amigável, o fato de ser bem visto por todos, ajudará numa recuperação boa, caso seja logo tratado. É desafiador, com características de liderança e está no limite de se marginalizar...

Sugiro também que você procure logo o Conselho Tutelar, comunicando as faltas dele às aulas além de também contar sobre as companhias, o péssimo rendimento escolar, os grupos de rap, e os antecedentes do pai. Estará ele também envolvido com drogas?

A escola com certeza não está agindo corretamente, talvez por ele já trabalhar e estudar à noite - não conheço o sistema escolar daí, mas imagino que deva ser esta a razão de não avisarem `a mãe sobre as faltas. Onde e em que trabalha? Que faz com o salário? Ajuda em casa ou fica com o que ganha?

É uma situação extremamente delicada e seria bom ter algum familiar ( tio, cunhados, irmãos ) ao seu alcance para ser modelo do seu filho. Não terá ele a sorte de ter um bom padrinho, um bom professor, um sacerdote ou pastor a quem a mãe possa recorrer?
Com carinho, Mannoun

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Violência doméstica- Filhos sem limites

Parece que as coisas andam ficando invertidas na família. Filhos violentos, sem limites, e em prol de uma pseudo-educação, as crianças estão " deitando e rolando" com os pais.

Não podemos deixar de usar a nossa autoridade de pais e transferir a outros a tarefa que é nossa: Educar os filhos para o mundo.

Hoje me enviaram este filme do Yotube que retrata muito bem a situação de algumas famílias que abdicam do uso da sua autoridade.

Mesmo estando em alemão, dá perfeitamente para entender pelas cenas que vão passando.



É muito triste ver um filho tratando seus pais e irmãos desta forma. E ainda pior é ver os pais amorfos, deixarem isso acontecer. E isso não é uma situação ímpar nas famílias, atualmente tem chegado a nós muitas pesquisas querendo saber o que fazer com seu filho sem limites ou sem educação. Não existem fórmulas prontas, mas existe o bom censo que nos mostra o que esta ou não funcionando na educação moderna das crianças.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Perguntas e Respostas: Dra Mannoun Chimelli - Adolescentes - Como educar? (Parte 23)

As perguntas estarão apenas com as iniciais dos nomes, para deixar bem à vontade nossas amigas.

Namoro por interesse?
1 - C. L. diz: Dra o namoro da minha filha esta causando muitas brigas na família. Meu marido não gosta do rapaz, diz que ele é confiado, cara de pau e oportunista. Temos uma boa situação financeira e só esta filha, temos medo de que o rapaz só esteja de olho no dinheiro e bens. O que sugere que façamos para demovê-la desta idéia de namorar este rapaz. Ela tem 17 anos e ele 23. Ele nem trabalha e ainda esta fazendo o primeiro ano de uma faculdade mixuruca. Eu pessoalmente acho que o rapaz não é bom, mas não acho oportunista, acho sim, um cara sem muitos desejos de melhorar na vida. Muito desleixado. Obrigada desde já.
RESP: Cara Sra. C.L. Sua filha tem amigas? Convive com elas ou devido ao namora, afastaram-se? Faz esportes, estuda, viaja com os pais?
Com relação ao namoro, penso que já devem ter conversado bastante com ela e o momento agora é de silenciar. Não imaginem as pretensões do rapaz- a imaginação é traiçoeira e pode obscurecer uma observação menos apaixonada e mais real.
Acalmem-se e silenciem por algum tempo, apenas observando, esforçando-se por ser simpáticos ao rapaz, convidando os dois para saírem com vocês e assim poderem avaliar sua reações,quando estão juntos, como se comportam à mesa, como se relacionam com estranhos. Isto porque se vocês enquanto pais insistem em falar com a filha apenas o negativo do namorado e que não gostam dele, só reforçarão a posição radical dela a favor dele e contra vocês.
Se tentarem não falar, não fazer comentários deixando que ela mesma reflita, pode ser que espontaneamente ela pondere o que já foi falado pelos pais e se decida por aguardar um tempo antes de namorar.
Por outro lado, esforcem-se por abrir os horizontes do rapaz, acenando com cursos paralelos, oportunidades de estágio dentro do curso que faz, querendo ser simpáticos e acolhedores, sem pré-julgamentos.
Sobretudo, se tem uma Religião, rezem. A oração dos pais pelos filhos é sempre muito preciosa!
Estejam serenos, não dêem ao fato um caráter se drama- afinal ela é uma adolescente, filha única e certamente quer ser sempre o centro das atenções da família, mesmo que seja por algo que desagrade os pais... Um abraço e pode voltar a falar comigo se desejar. Mannoun

Falta de educação ou doença?
2 – A. diz: Dra Mannoun, gostaria de uma resposta sobre filha adolescente que enfrenta mãe, com palavras muito grosseiras e uma atitude totalmente hostil. Estou no meu limite e tudo o que eu diga gera brigas de proporções gigantescas. Já a levei ao psicólogo, psiquiatra, pediatra, e nenhum achou nada grave nela. E agora ela se nega a ir a qualquer médico. Preciso de uma luz, para agir ou para deixar tudo de lado. Agradeço sua atenção.

RESP: Olá, A. Desarme-se e não considere doença em sua filha o que é - a meu ver- conseqüência de falha educacional. Não sei a idade dela, mas a mãe necessita resgatar sua autoridade, calando-se, não discutindo nem respondendo às agressões. Silenciar - sem lágrimas ou ares de sofrimento- é sempre mostrar que não se está disposto a altercações, ao menos naquele momento. O pai não deve interferir ao presenciar cenas como as que me descrevem na pergunta, porque esta atitude só reforça o fato (diante da filha) de que a mãe não é capaz de se impor. O assunto entre mãe e filha deve ser resolvido entre elas. Sua filha deve praticar esportes, especialmente coletivos, para que aprenda a conviver, socializar-se, comunicar-se de forma saudável, utilizando na prática esportiva, as energias gastas com a agressividade. A mãe poderia procurar uma ajuda psicológica para saber como lidar a filha - que acham? Se não respondi satisfatoriamente, continuo às ordens. Atenciosamente, Mannoun

Colégio interno resolve problema de educação?
3 – M. da G. diz: Dra Mannoun, Eu vi que já há uma pergunta sobre isto, mas também é meu problema. Moro em Ribeirão Preto e minha filha de 15 anos me trata com uma agressividade muito grande. Chama-me de burra, de anta, diz que eu sou uma parasita porque não trabalho e sou dona de casa, etc. Eu me formei em medicina na USP de Ribeirão Preto, cheguei a completar a residência em cirurgia geral, mas como tivemos seis filhos (ela é a quinta) eu me dediquei ao lar e não exerci minha carreira de médica a não ser esporadicamente. Ultimamente estas agressões me fazem chorar porque é muito duro ouvir uma filha a quem amamos como mãe dizer estas coisas. Meu marido acha que deveríamos procurar um colégio interno para colocá-la até os 18 anos, eu a princípio resisti, mas estou inclinada a fazer isto. A senhora conhece alguma instituição assim?
RESP: Cara M. da G., nada de chorar, por favor! Aos 15 anos sua filha se agride a si mesma, e se usa esse palavreado, agora que está na idade de se identificar com a figura materna, pode ser que imagine não conseguir chegar aonde a senhora chegou, e não concorde em que tenha espontaneamente abdicado da profissão e do prestigio que dali poderia advir, em prol de construir uma família...
Não responda, peça ao pai que não interfira, fique silenciosa, não chore- por favor! Esta atitude só trará mais sofrimento para ambas e diminuirá sua autoridade...
Saia de perto à hora das agressões. Vá ao banheiro, saia de casa, vá para outro local- deixe-a falando sozinha para que o eco de suas palavras a ajude a refletir...
Colégio interno não é a solução. Em casa é que ela deve estar embora incomode, pois pode ser que seja exatamente o que ela deseje - mostrar o quanto suas atitudes determinam respostas dos familiares e que no fundo, ela é quem manda ou comanda... Recomendo esportes coletivos, sugeridos por alguém que tenha influência sobre ela. O contato com outras pessoas, o gasto saudável de energias, ou quem sabe, daqui algum tempo (não agora) um intercâmbio cultural?
Volte a exercer a medicina, caso lhe seja possível, num trabalho voluntário ou numa creche ou junto a idosos. Isto lhe fará muito bem e - sem dúvida- beneficiará a muitos!
Pode voltar a falar comigo. Continuo às ordens! Um abraço, Mannoun

Não quer ir a escola
4 - I. B. diz: Boa tarde.tenho uma filha de 13 anos estou passando uma face difícil com ela não quer ir pra escola mais já saiu de casa 3 vezes não sei como lidar com essa situação mais estou precisando muito de ajuda sou separada do pai dela ele não me ajuda pq moro no rio de janeiro ele mora em outro estado me ajude por favor.

RESP: Cara I.B. sua filha é única? Vocês têm familiares com que ela se entenda bem?
Quando ela saiu de casa, como foi que retornou? Alguém foi buscá-la ou voltou por conta própria? Contou onde esteve e com quem?
Estas questões são muito importantes porque sua atitude vai depender das respostas que puder dar.
Sugiro que procure um Serviço Público - conhece o NESA, um Serviço de atendimento ao Adolescente no Hospital da UERJ, no Maracanã ? Ali você pode ser atendida e expor a situação, pois há um Serviço de atendimento completo, com Assistente Social, Psicólogos, Médicos que lhe darão toda uma orientação. Como ela já saiu de casa por 3 vezes, necessitará um bom exame médico, exames de sangue, pesquisa de infecções, inclusive Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, o que pode ser feito lá mesmo. Além disso, não querendo mais ir a Escola, o Conselho Tutelar deve ser informado porque a responsabilidade devido ao fato dela ter 13 anos é totalmente da mãe, uma vez que os pais são separados e ela está em sua companhia.
Não pense, por favor, que estou fazendo terrorismo- situações como a que me relata estão acontecendo - infelizmente! Com bastante freqüência e este é o caminho que adotamos nos atendimentos.
É preciso agir com a maior rapidez, até porque é isto que os Adolescentes esperam de nós, sem dramas, sem lágrimas, sem reclamações ou vitimismos, mas com carinho e firmeza- ATITUDES!
Geralmente dá certo e pais e filhos se acalmam, refletem, voltam a se entender porque são acompanhados por Profissionais que querem ajudar e tem preparo técnico para o fazer .
Fico às suas ordens caso queria voltar a falar comigo. ok ? Um abraço, Mannoun

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Perguntas e Respostas: Dra Mannoun Chimelli - Adolescentes - Como educar? (Parte 14) Dra Mannoun Chimelli

As perguntas estarão apenas com as iniciais dos nomes, para deixar bem a vontade nossas amigas.
Violência com os pais
1 – A. diz: Dra o que fazer quando um filho adolescente agride o pai idoso. Meu marido já tem certa idade, casei tarde com ele e hoje nosso filho não o respeita e, além disso, é agressivo com ele sempre que o pai o repreende por atitudes erradas. Ele chegou a dar um empurrão no pai pra sair da frente dele que chegou a machucá-lo. Ele tem 17 anos e é bem forte. Nós sempre demos o melhor que pudemos a ele. Não sei o que fazer.

RESP: Cara senhora, Bom Dia! É muito importante que seu filho tenha limites e aprenda a controlar suas emoções, pois fica agressivo ao ser repreendido, como a senhora relata.Como conseguir este controle? Vocês sempre deram o melhor de si para ele. Partindo desta realidade, converse com ele a sós, e ofereça um acompanhamento com psicólogo, dizendo exatamente que nós todos, seres humanos temos emoções e que o necessário é saber utilizá-las bem, de uma forma saudável para nós mesmos e para saber conviver - em meio aos familiares na casa, com amigos, na escola e na sociedade. Com 17 anos ele já deverá estar saindo da etapa mais desconcertante da adolescência, mas precisa de uma ajuda especializada para conhecer-se melhor e ter mais compreensão de quem é ele mesmo, de suas reações e atitudes. Não só ele, mas a senhora e seu marido necessitam de ajuda para que saibam lidar com ele, com carinho, mas com firmeza, resgatando a autoridade de pais que o amam e desejam o melhor para ele. Fico a seu dispor para novos entendimentos, se desejar. Boa sorte, e não deixem de pedir ajuda a Deus- oração dos pais é muito preciosa para os filhos! Um abraço, Mannoun

A masturbação e o adolescente

2 - W. F S. diz: Doutora, Eu semana passada entrei no quarto do meu filho que tem 12 anos e pareceu que ele estava se masturbando. Falei com uma amiga pediatra e ela disse que isto é normal, que faz parte do desenvolvimento do adolescente e que eu deveria pedir ao pai dele para conversar com ele. Falei com meu marido sobre isto e ele acha que não é algo que um garoto deve fazer. Meu marido é evangélico e o pastor da igreja que ele vai disse que isto é pecado.
A senhora pode me dar alguma instrução de modo de lidar com este tema do ponto de vista de um médico? Não quero falar para ele que é pecado porque o pastor da igreja do meu marido disse e pronto.

RESP: Cara Sra W.F.S. Sua pergunta é extremamente delicada e causa de muito sofrimento entre casais - já explico o porquê.
Muitos profissionais acham normal a masturbação como etapa do desenvolvimento.
Vamos avaliar uma criança. Ao descobrir seu corpo os pequenos tocam parte por parte como que se reconhecendo, e ao chegar em partes especiais como são os órgãos genitais, sentem algo diferente, prazeroso e podem se habituar a repetir os gestos. De nossa parte, como adultos, pais e responsáveis, devemos observar e com naturalidade distraí-los com brincadeiras, jogos, esportes, ocupação das mãos com coisas que os façam estar alegres e não preocupados e envolvidos com o próprio corpo.
Chegada a Adolescência (10/12 anos) novamente se interessam por descobrir sua nova configuração corporal, que vai ficando diferente e os órgãos genitais de novo chamam a atenção. Se ficam muito envolvidos consigo próprios, correm o risco de se fecharem, de encontrarem prazer apenas em si mesmos e prejudicarem sua abertura para o outro, o próximo, no sentido social e psicológico da maturação emocional normal. Podem se habituar, especialmente ante os conflitos, dificuldades, situações de ansiedade normais da vida de todos nós, a se fecharem em seu mundo e se isolarem, além de buscar o prazer de forma distorcida, prejudicando seu desenvolvimento emocional e psicológico.
Terão dificuldade de relacionamento com os outros, e chegando a se casar, não saberão associar AMOR / DOAÇÃO e serão como que egoístas que se bastam a si mesmos e não pensarão em dar-se integralmente ao cônjuge. O mesmo raciocínio se faz para as meninas /moças /esposas. Serão dois egoístas que buscarão o prazer em si mesmos, já se bastam e não terão as alegrias de um relacionamento sadio baseado na doação de si mesmos um ao outro. As pessoas ficam mais tristonhas, o desgaste psicológico é muito intenso e conforme o temperamento se isolam.
Vida aberta, esportes coletivos, arte- canto, música, dança. excursões em grupo,abertura para voluntariado de ajuda ao próximo, horário, vida disciplinada ( com que tantas pessoas se horrorizam ! )são caminhos sugeridos para as pessoas superarem o individualismo, os maus hábitos,o isolamento negativo em que se pode mergulhar. Converse primeiro com seu marido porque ele não está errado- para quem crê, realmente a masturbação consentida e procurada pode ser um pecado mas é necessário apresentar aos filhos também razões humanas- o porquê da necessidade de lutar para vencer as próprias tendências ao egoísmo e individualismo e conseguir ultrapassar os degraus normais do desenvolvimento e desabrochar para uma vida útil, alegre, produtiva. Os pais querem o bem dos filhos - aí uma preciosa razão de conversar e esclarecer.
Gosto muito de um autor - João Mohana, que escreveu a Vida Sexual dos solteiros e casados. Vale à pena procurar mesmo que seja nas livrarias de usados ( sebos) e ler com seu marido, oportunamente oferecendo aos filhos.
Desculpe a resposta longa- é um assunto de muita delicadeza que não se responde apenas com Sim ou Não. A seu dispor, Mannoun

Deficit de atenção ou manha de criança?
3 – A diz: Oi meu nome é A., tenho um filho de 11 anos, e foi diagnosticado que ele tem déficit de atenção. que foi feito através de exames com fono e neurologista do hospital São Paulo. Ele já até tomou ritalina, mas o médico suspendeu pelo fato de ele estar apresentando alguns transtornos, como depressão. Fui então encaminhada para passar com especialistas em outro ambulatório, psiquiatria infantil, cheguei fazer exames e até agora eles não me chamaram para dar um andamento no tratamento dele, porque to explicando? Para que vocês entendam o que vou lhes contar. Ele está na 5ª série e está complicado, a professora diz que ele tem preguiça, e aí fico sem saber como agir diante dessas circunstancias pois , falamos coisas que ele fica muito depressivo, não sei como cobrar, ou até onde cobrar dele, ele fala que ele é burro, que é diferente das crianças, e até nós mesmos ficamos nervosos com a situação e o pai dele fala coisas que ele fica muito magoado, aí eu não sei como agir , a gente chega até discutirmos por causa disso, o pai diz que ele é manhoso, de fato é mas o que me explicar dos 5 anos de fono que ele fez?? E não teve alta, apenas foi encaminhado para outro ambulatório eu por sinal estou até agora esperando eles me chamarem, mas o que vocês me orientam em relação a isto, preciso de uma ajuda , não sei o que fazer , não tenho como pagar um tratamento ou uma consulta pra ele , obrigada pela atenção, espero ansiosamente a resposta
RESP: Sra A. Bom dia !
A senhora só não disse onde mora, para que possa saber onde encaminhá-la com seu filho. Se for no Rio, existe no Hospital Universitário do Fundão, um excelente Serviço de Neuro Pediatria e ele pode ser tratado lá, com todo carinho e a senhora receberá, com o pai, orientação de como lidar com ele .
Se morar em São Paulo, certamente na Santa Casa ou na USP, ou nas Clínicas, conseguirá também acompanhamento para todos.
Enquanto isso procure ter muita paciência com ele. Toda a família sofre muito com o déficit de atenção de um filho. Não é assim porque ele quer, nem os pais querem e isso precisa ficar muito claro, muito bem entendido.
NÃO há culpados - todos precisam ser ajudados para que haja serenidade e ele possa aprender a conviver com esse modo de ser e não seja prejudicado. Não o trate com mimo, quer dizer, não " passe a mão em sua cabeça".Nessa fase dos 11 anos há coisas que ele pode fazer, perfeitamente. Ordem, horários, disciplina - ter a mãe do lado orientando o que fazer e como- regras que em todas as famílias são importantes. Traga os amigos dele para sua casa - brinque com eles, coordene jogos de bola, esportes, exercícios.
Que ele fique o mínimo de tempo na televisão e no computador. Jogos tipo videogame não fazem bem para ele. Melhor é fazer colagem, quebra cabeças, montar peças de brinquedos, ajudar nas tarefas de casa, arrumar a própria cama, lavar um banheiro, etc.
Se puderem, coloquem seu filho para fazer também parte de um grupo de esportes, explicando ao coordenador que ele é hiperativo, para que seja ajudado.
Não discutam ( pai e mãe ) por causa dele.Quanto maior a serenidade dos pais, melhor o resultado, porque ele é inteligente e sofre por perceber que é a causa de conflitos. Quando disser que é burro, diferente de outras crianças, explique o fato de cada pessoa é diferente mesmo, somos únicos, basta ver que cada qual tem uma impressão digital que ninguém mais tem...
Falem com ele corretamente, se falar com jeito de neném ou choramingando- sem brigar e sem elevar o tom de voz. É difícil, mas a gente consegue!
O fato de não poder pagar consulta não deve ser motivo de constrangimento - muitas vezes as pessoas preferem um atendimento nos Serviços Públicos - mas realmente devemos ter paciência e aguardar, o que não é fácil porque a procura é muito grande.
A melhora nos casos como o de seu filho é lenta, mas acontecerá, tenha fé e esperança! Peça muito a Deus por toda a família e não cruzem os braços.
Fico às suas ordens, Mannoun