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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sentir culpa é ruim?

Por Carol Balan

Toda mãe já passou pela situação de se sentir culpada por algo que fez ou que aconteceu com um filho. Isso é muito comum e acredito que faça parte do nosso dom materno. Para evitar esse sentimento, tem se tornado cada vez mais comum o movimento que defende que não devemos nos culpar pelas situações cotidianas da maternidade. Mas será que sentir culpa é realmente ruim?

Eu concordo que seja ruim, mas só em partes. Sentir culpa pode nos desanimar e, ainda pior, nos fazer desistir de determinada situação. Porém, sentir culpa também pode ser o que nos move para sermos pessoas melhores. Ou seja, ao sentir culpa por algo que não está bem, podemos tomar duas decisões:

- admitir que a situação é assim mesmo, que nada pode ser feito e a melhor coisa a fazer é se livrar do sentimento de culpa;

- analisar a situação e buscar uma solução melhor, sem deixar que o sentimento de culpa predomine e leve a desistir.

Um exemplo que aconteceu aqui em casa. Um dia eu fiquei muito brava com meu filho mais velho (7 anos), briguei com ele mais do que deveria, percebi que exagerei, mas não podia mais voltar atrás naquele momento. Saí de perto, o deixei de castigo e, claro, a culpa pesou na consciência. Quando saí de perto dele, parei e pensei com mais calma. A bronca já estava dada, não havia como retirar. A lição também precisava ser dada e isso eu já havia feito. Mas eu ainda não estava feliz com a maneira que o abordei, dessa forma, eu o chamei longe de todos e conversamos um pouco. Nessa idade ele já tem mais facilidade para entender certas situações, então eu disse que o que ele fez não foi correto, que ele deveria agir melhor e que eu me preocupo muito com ele. Inicialmente ele nem queria me olhar, tive que falar com firmeza para ele me olhar nos olhos, mas depois de um pouco de conversa, ele já estava muito mais confiante e aceitou “reatar os laços” comigo. Nesse momento, disse que o amava, dei beijos e abraços. Ele saiu para brincar e à noite estava dizendo para o irmão: “Sabe quem é a melhor mãe do mundo? A minha!”

Se eu não tivesse parado para pensar naquele sentimento de culpa que me invadiu, provavelmente não teria agido dessa maneira. A bronca era necessária, educar filhos sem brigar é quase impossível, mas ao refletir sobre a situação, consegui buscar uma saída para aquele momento. A partir de agora, posso refletir em como agir quando acontecer algo semelhante no futuro.

Portanto, o sentimento de culpa pode ser um grande aliado das mães, desde que saibamos lidar com ele de maneira clara, objetiva e, o mais importante, com muita sinceridade.

2 comentários:

Patricia Carol disse...

Oi, Carol,

Que boa essa informação tua. Muito bonito o gesto de humildade, teu e tb. do teu filho, que não guardou mágoa por você ter tido que manter a repreesão. É esse tipo de "correção fraterna" que traz a PAZ pra FAMÍLIA.
Bjs pros dois!
Pat Carol

Jaqueline Melo disse...

"Ser mãe é ter culpa!" Pode ser verdade, mas sabemos que essa culpa só atrapalha a criação dos nossos filhos! Q belo exemplo e que sabedoria Carol! Deus abençoe todas nós mães para sabermos dar limites aos filhos sem culpa!

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