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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Como reconhecer o início do trabalho de parto.

Por Ana Maria de Freitas Maia - Enfermeira Obstétrica – COREN/RJ 26.883
     
 Um dos momentos mais esperados pela gestante é o início do trabalho de parto. Como reconhecer esse momento? As informações nem sempre são muitas, ou sequer existem. Para as primíparas (mamães de primeira viagem), a confusão e o medo são paralisantes. Em primeiro lugar, manter a calma é fundamental. Como se isso fosse fácil! O momento é muito precioso para não ser valorizado, mas o pânico e a ansiedade só atrapalham.

O trabalho de parto ocorre de forma diferente, entre as mulheres. Tentaremos listar, o mais didaticamente possível, os sinais de início do trabalho de parto. Quando falamos em listar, não significa que as etapas ocorrerão exatamente na ordem em que as citarmos, mas sim que, a partir deles, é necessário buscar ajuda: (Médica, Parteira, Doula, Enfermeira Obstétrica, Maternidade, Casas de Parto, etc).

 - Um dos primeiros sinais do inicio do trabalho de parto é a perda do tampão mucoso, que pode ser observado através da presença de uma pequena mancha mucóide (muco) amarronzado ou mesmo com presença de sangue, em sua roupa íntima. O tampão mucoso serve para “fechar” o colo do útero, impedindo a entrada de microorganismos possivelmente, prejudiciais ao feto. Esse sinal, indica que o processo está desencadeado. Seu bebê está a caminho...

- As contrações, presentes durante a gestação (contrações de Braxton Hicks), nessa fase, estão mais fortes (dores na parte inferior das costas, irradiando para o abdômen; e/ou dores, como cólicas pré-menstruais); ritmadas, e com intervalos menores entre elas. A percepção do início das contrações pode levar a situações de estresse: dor e “medo”. Nessa hora, é importante lembrar que as contrações são o motor do trabalho de parto. São elas que ajudarão a empurrar o feto para o mundo exterior.

- Nem sempre, mas, na maioria das vezes, pode haver também, a rutura da bolsa d’água, com a saída de grande, ou dependendo do tamanho da rutura, pequeno a médio volume de líquido amniótico; que será primeiramente interpretado, como uma incontinência urinária. Várias vezes no banheiro, com vontade de urinar. Um “xixi” que parece não terminar. A diferença está no odor. O líquido amniótico, tem um odor característico, semelhante ao odor do esperma masculino (cheiro de água sanitária), de cor clara, com ou sem presença de grumos.

Se por ventura, a coloração do líquido amniótico for escura (verde escura ou marrom), ou houver sangramento vivo, pode indicar sofrimento fetal ou risco materno. Nesses casos, sugerimos buscar ajuda médica especializada, o mais rapidamente possível.

- Ao chegar à maternidade, você será examinada e será informada que seu colo uterino está mais macio e que já pode haver começado a dilatação do colo, dilatação essa, que deverá chegar até dez centímetros, para expulsão do feto. É claro, que os batimentos cardíacos do feto devem ser monitorados periodicamente, bem como a pressão arterial da mãe, visando garantir a saúde da mãe e do bebê.

Como o feto reage, em relação a seus batimentos cardíacos, a cada contração uterina? Para essa avaliação, utiliza-se um exame, chamado cardiotocografia.

Considerando-se um parto normal, sem intercorrências, uma mulher primípara, pode levar de 12 a 24 horas em trabalho de parto, se não houver a administração de medicamentos que levem a indução do parto e que só podem ser prescritos por Médicos Obstetras.

Ressalte-se, por fim, que é importante que no final da gestação a mulher se mantenha atenta aos sinais de seu corpo. Assim, conseguirá detectar de maneira mais fácil o início do processo do trabalho de parto. Ao perceber algum dos sinais aqui descritos, ela deverá, sem demora, ligar para o profissional que faz o seu acompanhamento, para receber as orientações pertinentes.

A todas as leitoras gestantes, desejo uma boa hora!

5 comentários:

Evelyn Mayer de Almeida disse...

Quando cheguei na maternidade, mal conseguia parar em pé. Aí o médico disse que aquelas dores não pareciam ser contrações, e sim, a barriga pesando. Fez aquele exame para verificar as contrações e disse: "Vixi, mãe! Vai nascer já!" kkkkkkkkkkkkk

Hoje eu rio, mas confesso que no dia fiquei apavorada. Ah, se eu tivesse estas dicas naquela época...

Liana Clara disse...

Excelentes dicas, Ana Maia! Pode ir nos agraciando com mais explicações para o parto e pós parto. Vamos adorar ler. Muito obrigada pelo texto tão bem elaborado. Beijos a nova vovó!

Maite Tosta disse...

Quando eu tive o Matheus, em 1998, não tínhamos acesso à internet como hoje... se eu tivesse essa informação, teria ido logo para a maternidade... fiquei perdendo líquido achando que era incontinência urinária... e o bichinho entrou em sofrimento fetal e expeliu mecônio dentro de mim... acabou que ele nasceu numa cesariana de emergência...

Jaqueline Melo disse...

Quantas informações valiosíssimas!! Q Pena q não Tive acesso a elas na minha época! Parabéns Ana! Belo texto!

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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