logo

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dez motivos para não deixar de ir à Bienal do Livro do Rio de Janeiro

Texto de Márcia Ribeiro Oliveira
Não deixe de ir e levar toda a família à Bienal, que acontece no Rio de Janeiro até o dia 20 de setembro. Lembre-se que outro evento como esse só daqui a 2 anos!

1) Enorme variedade de livros: Além dos inúmeros lançamentos que acontecem no evento, é possível encontrar obras clássicas, bestsellers e livros que já estão esgotados, assim como uma grande diversidade de gêneros: desde literatura de cordel até os modernos audiobooks. Há também descontos atrativos e preços especiais para estudantes e professores.

2) Promoção de livros infantis: Stands espalhados por toda exposição oferecem livros infantis a preços muito baixos (quase de graça). Com R$4,50, é possível presentear seu pimpolho com um lindo livro de contos de fadas ou de fábulas, por exemplo. Uma ótima oportunidade para começar a compor uma biblioteca para seus filhos!

3) Eventos para a criançada: A pecinha infantil na Floresta dos Livros é muito estimulante e criativa. Quem quiser

assisti-la, deve pegar uma senha no próprio local. Há também contadores de histórias e teatrinho de fantoches nos stands das editoras (confira a programação do dia). Diversão certa para as crianças!

4) Valor da entrada: O ingresso custa apenas R$12,00 para adultos e só R$6,00 para os estudantes que apresentam carteirinha ou comprovante de que estão matriculados na escola. Não se paga mais nada lá dentro pelas atividades oferecidas - apenas pelo que é consumido, é claro! Além disso, a entrada de crianças com altura menor que 1 metro é gratuita e idosos acima de 60 anos também pagam meia.

5) Gastronomia: Uma enorme praça de alimentação foi montada no último pavilhão da Bienal. As opções atendem a todos os gostos e bolsos: desde comida árabe e japonesa até o tradicional pão de queijo. Há também restaurantes e quiosques de guloseimas espalhados pela feira. Sem falar no cheirinho de pipoca que está por todo o lado! Assim, além de "devorar" livros, é possível se deliciar com as maravilhas gastronômicas da Bienal!

6) Atividades interativas: Os adultos também se divertem na Bienal! No stand da Ediouro, por exemplo, eles podem ajudar a completar a maior palavra-cruzada do mundo. Sem falar nos monitores sensíveis ao toque que permitem que o visitante faça uma viagem ao mundo dos recordes do Guiness Book. Há também as concorridas palestras e debates no Café Literário, no Auditório Euclides da Cunha e no Espaço Mulher e Ponto. Para participar, é preciso chegar cedo e pegar senha.

7) Contato direto com livros: Os stands das editoras proporcionam ótimas experiências sensoriais em uma época em que boas livrarias físicas estão em extinção: neles, é possível folhear livros, sentir o cheiro da impressão e a textura do papel, apreciar a encadernação, passar os olhos pelos capítulos e até mesmo dar uma rápida e curiosa conferida no desfecho da história. Uma experiência bem diferente da que temos hoje em dia ao comprar um livro pela Internet!

8) Boa organização: Percebe-se, logo ao chegar, que a organização do evento é um dos seus pontos fortes. Há inúmeras bilheterias para compra de ingressos (pagamento com dinheiro ou cartão de débito), seguranças cuidando do estacionamento, quiosques de informação em cada pavilhão, pontos de encontro, praça de leitura, boa sinalização e funcionários bastante solícitos posicionados em pontos estratégicos.

9) Tamanho da feira: O evento ocupa três pavilhões do Riocentro, que é o maior centro de convenções da América Latina. Em nenhum outro lugar será possível encontrar uma programação cultural e literária tão rica e diversificada quanto na Bienal.

10) Programa para toda a família: A Bienal do Livro é um programa diferente que mostra que cultura e diversão são grandes aliadas. Solicite nos quiosques de informações um jornalzinho com a programação do evento e passe um dia inteiro desfrutando as maravilhosas atrações da feira, que aproxima toda a família do maravilhoso universo literário.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

PARATY uma visão linda do passado.

Hoje dia 16/9 • Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio
Vamos aproveitar e curtir um passeio a Parati onde a preservação é assunto sério!


Texto de Stella Daudth

Paraty é programa para toda família. As casas coloniais do preservado centro histórico são uma viagem ao passado. Para que seja segura, lembre de usar sapatos confortáveis. As pedras do calçamento pedem um tênis bem confortável. A cidade conta com programação atraente o ano inteiro. Como é fundo de baía, quem quiser ir à praia deve buscar os vilarejos próximos, como Trindade, onde ainda é possível praticar surf. Confira o horário de visita das Igrejas. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário é singela e linda. Foi construída para uso dos escravos. Renata, a encarregada das entradas, gosta de enriquecer a visita com trilha sonora de canto gregoriano. Muito apropriado.

Há bons restaurantes (Hiltinho e Punto Divino, por exemplo) e a imperdível sorveteria Miracolo. Além das delícias geladas, você pode escolher crepes, refeições ou sanduíches. Passagem diária obrigatória. Fica perto da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, na Praça da Matriz, onde costumam ocorrer os eventos na cidade.

Pousadas há para todos os orçamentos. Na beira do rio Perequê-Açu é possível tratar passeios de barco pelas praias e ilhas, a partir de R$ 50,00. Os hotéis também dão indicações. Ficamos na "Pousada do Príncipe", na rua de entrada. Com muros altos, voltada para um jardim interno, mantém isolado o barulho de carros. Logo adiante, na entrada do centro histórico, há um posto de Informações bem abastecido de mapas e folhetos. A sensação de segurança em Paraty é tal que circulamos com a câmera pendurada no pescoço e voltamos com ela para o hotel.

Como a cidade favorece os eventos, é bom reservar as pousadas com antecedência, na época dos mais concorridos, como a FLIP.

Calendário Cultural de Paraty - 2009:

JANEIRO Paraty Cultural e Folia de Reis
FEVEREIRO Carnaval, Bloco da Lama e Aniversário de Paraty
ABRIL Semana Santa, Procissão do Fogaréu, Festival de Frutos do mar
MAIO Festa do Divino Espírito Santo
JUNHO Corpus Christi, Festival do Camarão (Ilha do Araujo), Festival do Camarão (Praia Grande), VI Dança Paraty, Festa de São Pedro e São Paulo
JULHO Festa de S. Pedro e S. Paulo, Procissão Marítima de S. Pedro, FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), Festa de Santa Rita, Encontro de Redatores e Publicitários
AGOSTO Encontro de Redatores e Publicitários, Festival de Música de Tarituba, Encontro Cultural de Caiçara, Festival da Pinga, Semana Caminho do Ouro, Festa de Nossa Senhora dos Remédios
SETEMBRO Festa de Nossa Senhora dos Remédios (01 a 09), V Paraty em Foco - Festival Internacional de Fotografia (23 a 27)
OUTUBRO III Oficinas de Idéias Celebrai Jesus é Paraty (01 a 04), II Festival Internacional de Cinema de Paraty (09 a 12), YMAGUARÉ - Mitos e Lendas Indígenas (09 a 11)
NOVEMBRO Festa de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito (06 a 15), VII Festival da Primavera (18 a 21), XI Encontro da Cultura Negra (20 a 22), I Festival da Gastronomia Caiçara (26 a 29)
DEZEMBRO Abertura do Natal (dia 15), Reveillon (dia 31)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

As vantagens de um bichinho de estimação para o desenvolvimento das crianças

Márcia Ribeiro Oliveira
http://gatomiabr.blogspot.com

A existência de uma relação afetiva entre os animais e os humanos é comprovada cientificamente há muitas décadas. Mas, quem convive com bichinhos, sabe que não é necessária nenhuma pesquisa para ter certeza de que eles efetivamente se envolvem de uma maneira muito especial com quem os acolhe com carinho.

Enquanto reduzem as chances de os adultos desenvolverem problemas de coração e aumentam a expectativa de vida dos idosos, os animais de estimação trazem inúmeros benefícios às crianças.
Ter um bichinho em casa contribui significativamente para o desenvolvimento afetivo dos pequenos. Ao perceberem que estão diante de um ser vivo, e não de um brinquedo, as crianças passam a entender que precisam conter sua agressividade e tratá-lo com carinho, assim como protegê-lo e sempre zelar pelo seu bem-estar. Sem falar que elas se sentem ainda mais amadas, já que um bichinho bem tratado tende a retribuir com muito afeto todo amor que recebe.

Os bichinhos também aumentam o senso de responsabilidade e ajudam a criança a criar laços de solidariedade: eles têm suas necessidades específicas (comer, fazer suas necessidades, descansar), são inteiramente dependentes de seus humanos, nem sempre estão disponíveis para brincadeiras, exigem cuidados especiais (tomar banho, tomar vacinas, passear)... Sem contar que cada animal tem uma personalidade e características individuais que precisam ser respeitadas. Dessa maneira, o convívio com o bichinho funciona como um "ensaio" para a vida e como um aprendizado para lidar com os limites que existem nos mais diversos tipos de relacionamentos.

Para os mais tímidos, o animal pode contribuir para elevar a autoestima e aumentar a sociabilidade, atuando como um pretexto para criar novos vínculos. Ao levar seu cachorrinho para passear, por exemplo, a criança tem a oportunidade de conhecer outras pessoas que também se interessem por animais, e, assim, fazer novas amizades. Além disso, o cãozinho vira assunto para novas conversas, o que estimula o exercício da comunicação e faz a criança se sentir encorajada a interagir mais.

Além de ser uma companhia para todas as horas, os animais também ajudam a lidar com uma questão que, normalmente, ainda não é bem compreendida nesta faixa etária: a finitude da vida. Ao conviver com um bichinho, a criança percebe que ele cresce, adoece, envelhece e, inevitavelmente, morre um dia. Com a perda, ela aprende a lidar com sentimentos novos, a desenvolver estratégias para superar a dor emocional e, assim, passa a entender melhor a ordem natural das coisas.

O amor incondicional e a fidelidade dos bichos (principalmente cães e gatos) também podem ser uma lições para os pequenos e para toda a família, que, segundo pesquisas, tende a ser mais unida e a conversar mais quando tem um animal de estimação em casa.

Enfim, apesar de todos os seus inúmeros benefícios, a decisão de adotar um animal deve ser bem ponderada, pois não se trata de um brinquedo nem de um bem material que pode ser descartado caso a criança ou a família se enjoe dele: o bichinho deverá ser sempre um motivo de felicidade, e não somente enquanto é filhotinho ou até as primeiras dificuldades aparecerem. Todos na casa devem estar de acordo com a sua chegada, principalmente os adultos, que serão inevitavelmente os maiores responsáveis por ele (tanto financeiramente quanto no que diz respeito aos cuidados que o animal exigirá ao longo da vida).

Além disso, para que a convivência seja harmoniosa, é necessária uma boa supervisão por parte dos pais, principalmente, nos primeiros meses de adaptação do bichinho em casa. Neste período, as crianças devem ser orientadas sobre como tratá-lo adequadamente e o bicho deve ser educado para ter noção de seus limites (eles aprendem muito rápido!). Aos poucos, ele irá se adaptando ao cotidiano da família, criando laços de amizade e conquistando todos de uma maneira muito especial e sincera.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Perguntas e Respostas: Dra Mannoun Chimelli - Adolescentes - Como educar? (Parte 12)

As perguntas estarão apenas com as iniciais dos nomes, para deixar bem a vontade nossas amigas.
Conversa sobre namoro
1 - A. diz: Olá Dra, sou a L..D. da primeira pergunta e minha filha tem 20 anos, estuda, faz faculdade e é muito boa aluna. Tenho 2 filhos, mas ela me preocupa porque não consegue ver o que todas as amigas falam dele, um cara que não faz nada para procurá-la, vive na dele e ela é quem tem que ir procurá-lo. Ela é muito bonita, meiga, todos gostam dela, não sei porque foi se apaixonar por uma pessoa tão diferente dela e tão desinteressado. Não sei mais o que falar pra ela. Agradeço sua atenção e toda ajuda será bem vinda. Abraços.
RESP: Sra L..D. eu é que agradeço seu retorno e penso que a senhora não deva mais insistir em falar à sua filha sobre o rapaz. Aos 20 anos, a formação recebida em casa dar-lhe - á bom senso e reflexão. Auxilie com seu silêncio e muita oração e carinho por ela .Conte com o tempo! É um grande aliado porque a senhora não está se omitindo, já mostrou o que pensa, já esclareceu o que devia. Paciência, carinho, acolhendo e falando apenas o necessário como faria se ele fosse um rapaz que a família toda apreciasse. Pode voltar a escrever quando e quanto quiser! Meu abraço, Mannoun
Bebida e adolescente
2 – A. diz: Vocês acham que um adolescente de 15 anos que leva cachaça (misturada com refrigerante) para tomar dentro da escola possui idoneidade moral? Eu sou colega de uma assim e ela vive querendo dá uma de sabe tudo e nos ensinar a viver. O que devo fazer por essa colega? Devo mostrar quem ela é pra todos na escola? Ela diz que a bebida não faz mal nenhum que é pura hipocrisia de adultos. Que ajuda a relaxar e a estudar melhor.

RESP: Caro A., sua colega necessita muito de uma boa amizade ! Não é ela quem vai ditar as normas de conduta e ensinamentos para vocês, mas fale apenas com ela e não com todos. Converse com uma professora que você julgue merecedora de sua confiança e peça-lhe que indique à sua colega um bom profissional porque ela necessita tratamento clínico e psicológico. Como é a família dela? Quais os hábitos deles? Será que ela tem bons exemplos por lá? Fique firme em sua posição, seja amiga de todos em sua classe, não comente sobre ela com os demais que isto se chama murmuração ( fofoca) e não ajuda a ninguém...A bebida faz mal sim, vai minando a Vontade, os sentidos ficam descontrolados e a pessoa perde o bom senso e pode cometer atos dos quais depois se arrependerá com muito sofrimento....É uma droga como as outras, embora socialmente aceita, causadora de muitos males,especialmente nos jovens Adolescentes. Obrigada por abrir seu coração e se preocupar com sua amiga - você é um amigo de verdade para ela! Fico às suas ordens ! Mannoun

Adultolescente?
3 – T. L. diz: Dra define pra mim o que é a adolescência e o tempo que ela dura. Conheço gente mais velha que parece nunca ter saído desta fase. Existe um limite real pra adolescência? Como curar um adultolescente?
RESP: Cara Sra T.L Adolescência é definida pela Organização Mundial de Saúde como a fase de vida que vai dos 10/11 anos até os 21 ( maioridade )quando se completa o crescimento físico.
Sua observação é muito procedente porque, de fato, há pessoas que parecem jamais ter deixado para trás sua adolescência...
É necessário conhecer como a pessoa foi tratada em casa, se teve oportunidade de aprender a servir, ajudar, partilhar, se recebeu e se desincumbiu de tarefas, de responsabilidades...
Primeiro compreender, ouvir, e depois, se a pessoa quiser um bom acompanhamento com profissional da área de Psicologia, pois o processo de amadurecimento é lento e deve ser desejado pela própria pessoa. Não desanime porque vale a pena sempre, ajudar alguém a descobrir seu papel na vida! Fico a seu dispor se não respondi como desejava. Atenciosamente, Mannoun

O uso do dinheiro
4 – A. R. diz: Ao ensinar aos filhos a valorização do dinheiro,os pais,por tabela,os levarão a perceber que utilizá-lo para custear um vício é pura leviandade.Com um ensinamento,poder-se-á atingir a dois benefícios.
RESP: Cara Sra A.R. concordo plenamente! O que penso é que, mais que leviandade, é uma injustiça que se comete contra a família, não acha? Um abraço e obrigada pelo comentário! Valeu! Volte sempre, porque sempre podemos nos complementar. Um abraço da Mannoun

domingo, 13 de setembro de 2009

Sorria – para ser feliz agora

Ao comprar remédios em uma farmácia no Rio, tive a felicidade de comprar uma revista muito boa - SORRIA
Vocês podem achar curioso, mas comprei a revista na farmácia. Ela é para ajudar as crianças que tem câncer. Nós não fazemos idéia da luta que é para combater e vencer o câncer infantil.

A revista é muito otimista, bem escrita e com artigos sempre bem interessantes. Já adquiri o exemplar de agosto. Ela é bimestral. E encontra-se na Drogaria Raia.


Ao ler a revista resolvi fazer uma pesquisa e verifiquei: São associados ao GRAACC - Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer- e doam do preço que pagamos, R$2,50, descontados os impostos, 100% é para o GRAACC http://www.graacc.org.br/index3.htm

A revista conta com uma repórter muito simpática que escreve os editorias e dá a revista um tom alegre e bem familiar. Aliás a equipe esta de parabéns pela harmonia na confecção da revista. Todos os artigos estão de bom nível e pelo que pude observar até agora, só publica coisas boas, saudáveis e bem familiares.

Eu imagino que entrando em contato com eles deve haver uma forma de se obter estas revistas em outros lugares do Brasil. Vi um email de contato que pode ser acionado no próprio site da revista http://revistasorria.com.br/blog_sorria/

É preciso estar atentos a todas estas boas iniciativas, porque a saúde das crianças é assunto de primeira importância!

sábado, 12 de setembro de 2009

Relato de umas férias diferentes, de umas férias melhores

“VOLUNTARIADO EM RORAIMA”
Já imaginaram mandar os filhos a um lugar diferente nas férias para que ao mesmo tempo, divirtam-se e ajudem a outros menos privilegiados?
Então leiam o texto de Pedro Paulo Oliveira Jr e dos voluntários
“Sempre entendi o descanso como um afastar-se do acontecer diário, nunca como dias de ócio. Descanso significa represar: acumular forças, ideais, planos... Em poucas palavras: mudar de ocupação, para voltar depois - com novos brios - aos afazeres habituais.” (São Josemaria, ponto 514 de Sulco)

Em agosto do ano passado, estudantes universitários e jovens profissionais conversavam sobre as férias – as passadas e as futuras. Nesse bate-papo, surgiu a idéia de se fazer um trabalho voluntário assistencial. Lembramo-nos do amigo Major Maurício Perdoncini, que estava alocado no 7º Batalhão de Infantaria da Selva, em Boa Vista, no Estado de Roraima. Havia nos comentado, tempos atrás, sobre diversas comunidades, próximas à fronteira com a Venezuela, que viviam em condições muito precárias.
Naquela conversa, essa idéia – ir a Roraima para ajudar uma população carente – parecia ser um sonho. Bonito, mas um pouco distante (para sermos exatos, XXX km nos separavam de Boa Vista). No entanto, propusemo-nos a falar com parentes, amigos e conhecidos sobre essa iniciativa ainda embrionária. Não custava nada tentar. Qual não foi a nossa surpresa ao ver a boa acolhida com que as pessoas recebiam a nossa proposta. Dispunham-se a ajudar. Vimos que era possível. Faltava agora pôr mãos à obra.

Ir a Roraima ajudar uma população local ainda era uma idéia muito vaga. O Major Perdoncini, após conversar com algumas famílias da região, nos informou quais eram as necessidades mais urgentes e nos sugeriu a Vila do Trairão, no Município de Amajari, que dista 224 km de Boa Vista. Lá, por exemplo, havia mais de um ano que o último médico passara pela comunidade.

Com uma boa dose de otimismo, definimos algumas tarefas para as áreas mais necessitadas:
- medicina: obter remédios e o instrumental básico para as consultas;
- odontologia: duas cadeiras móveis de dentista e medicação; doações de escovas e
pastas de dente e material educativo;
- computação: computadores para a escola local (onde estudam mais de 300 alunos e só havia um micro); instalação de internet através de rede wire less;
- construção civil: conseguir material de construção para a reforma da capela, bem como material litúrgico e paramentos.


Havia ainda a logística: o transporte de 3 toneladas de material até a Vila do Trairão (era esse o peso estimado dos itens acima) e as passagens aéreas para 30 pessoas.
A organização era simples: através de uma lista de e-mails, cada um informava aos outros o que havia obtido na semana. Pedíamos milhagens a professores, remédios doados de um laboratório a um médico vizinho, computadores a empresa de um tio. Também procuramos algumas empresas e o pró
prio Exército Brasileiro,que nos ajudaram bastante nesse trabalho.
A nossa meta era reunir todo o material e as passagens até o dia 20
de dezembro. No dia 23, circulou o e-mail com a tão esperada mensagem – material obtido: 100%. Agora, era embarcar rumo à Amazônia e trabalhar duro.

A CHEGADA

Entre os dias 1º e 3 de janeiro, desembarcamos em Boa Vista ao todo 29 pessoas e fomos à Vila do Trairão. Eram quatro horas e meia de viagem de Boa Vista até a vila.
Nessa viagem
de ônibus, começávamos a perceber que estávamos diante de um Brasil muito bonito, exuberante, mais ainda desconhecido para nós. Tínhamos pressa em chegar – muito trabalho esperava por nós – mas parecia que a estrada não acabava. Longas eram essas quatro horas e meia. De certa forma, precisávamos dessa espera, desse tempo de transição, para tomar consciência de que estávamos na Amazônia, em Roraima, no Estado mais isolado do Brasil.
Assim que desembarcamos na escola da vila – ali seria a nossa casa por uma semana – chegaram dois garotos com uma criança menor, que estava com uma intensa febre. Souberam que ali havia médicos e pedia
m uma consulta. Essa situação inicial foi uma constante até a nossa partida: do café da manhã até o jantar chegavam pessoas, às vezes famílias inteiras, solicitando uma consulta, um remédio, a extração de um dente.
Desde o início, vinham pedir essa ajuda. Mas não só. Ofereciam ajuda. O agente de saúde se pôs à disposição para nos auxiliar nas refeições. Pessoas muito simples, às vezes descalças, traziam-nos um peixe, verduras para o almoço, um suco de açaí.
Dizia acima que estávamos num Brasil diferente do que conhecíamos – pelo clima, pela flora amazônica, por essa pobreza mais desassistida. Ao mesmo tempo, sabíamos que estávamos no Brasil. Presenciávamos a mesma cordialidade, a abertura incondicional ao outro, a alegria espontânea. Diversos, mais iguais. Não era apenas a língua que nos unia.

O TRABALHO
Trabalhamos ao todo seis dias, das 8 às 18 horas. Nalguns dias até uma da manhã (precisava-se terminar a tempo a reforma da capela). Cada equipe na sua especialidade. Esse empenho diário resultou em:
- 450 consultas médicas;
- 500 kg de remédios doados;
- a vida de um bebê (a mãe havia entrado em trabalho de parto prematuro em razão de um acidente e o bebê estava apenas com 5 meses de gestação – com a medicação, conseguiu-se reverter a situação);
- 160 consultas odontológicas, com 4 procedimentos em média por pessoa;
- 10 horas de aulas sobre higiene bucal;

- 500 escovas e pastas de dente doadas;
- 6 computadores instalados em rede na escola;
- 30 horas de aula de computação à população;
- reforma da capela (pintura externa e interna, troca do piso interno e externo e do madeiramento do telhado, instalação de ventiladores e manta térmica, troca das portas, instalação da sacristia e do altar.

Além dessas tarefas, enquanto estávamos lá, surgiram outras iniciativas, como, por exemplo, aulas sobre noções básicas de economia.

Fizemos muito? O suficiente? Sinceramente, não sabemos. As necessidades da comunidade da Vila do Trairão são tão vivas e profundas que é difícil quantificar se a nossa ajuda foi grande ou pequena. Não conseguimos, inclusive, realizar tudo o que havíamos previsto. A instalação de internet não foi possível por dificuldades técnicas (nem em Boa Vista havia internet por banda larga). Voltamos às nossas cidades, no entanto, com a certeza de que valeu a pena: nossas férias tinham sido úteis, diferentes, muito melhores do que poderíamos ter imaginado naquela tarde paulista de agosto do ano passado. Havíamos recebido muito mais do que tínhamos dado.
OS: Todos os que fomos agradecemos, juntamente com a comunidade da Vila do Trairão, a tantas pessoas que não foram, mas que, com sua ajuda – sempre generosa, às vezes heróica, possibilitaram a realização dessa iniciativa.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A beleza – Como o arroz: Acompanhamento

Já ouvi alguém dizer que a beleza numa pessoa é igual ao arroz na alimentação (pelo menos para os ocidentais) – é o acompanhamento.

Vocês já viram como cai bem um arroz fresquinho, bem feito com um suculento bife ou um peixe a doré? É um alimento que combina com quase tudo, o arroz, mas sozinho não tem muita graça. Assim é a beleza, ela é importante, é bem vista quando acompanhada de outros “pratos chefes”, como simpatia, educação, docilidade, cultura, firmeza de caráter e outras virtudes também importantes.

Quem já foi ou é bonita pode nos contar "de carteirinha" sobre o assunto. Já sentiu na pele o quanto se torna desagradável e perde parte do encanto quando se é pedante, vazia, superficial, com ares de superioridade, querendo ser o prato principal e não tem conteúdo substancial.

Que o Vinícius me perdoe, mas se beleza fosse fundamental, não haveria tantas belas e tantos belos mal amados. Um homem ou uma mulher bonita precisam cultivar sua inteligência, porque não há nada mais ridículo do que um “belo=burro” ou “músculos sem cérebro”.

Por mais que a medicina avance no campo da cirurgia plástica e dos cuidados com a estética do corpo, a beleza tem seu tempo de validade. Vejam que nestes dias observei uma figura pública da TV e notei seus “reparos estéticos”. Eles não conseguiram mudar a ação do tempo, mas conseguiram transformá-la numa caricatura do que era quando mais jovem e a fisionomia ficou artificial. No caso em questão o carro chefe da personalidade era a beleza, sem outros atrativos, logo a audiência só tenderá a cair, pela falta de conteúdo, o que ainda salva é a mídia que vai dando alguns empurrões para que continue em alta.

Vamos ensinar a nossos filhos a serem cuidadosos com o físico, mas nas devidas proporções. Que o belo nunca esteja acima de um bom caráter, da inteligência ou das virtudes. A beleza interior ressalta aos olhos e embeleza o todo.

O maior problema pra quem só vive desta parte, é que um dia vai constatar que “o tempo passou na janela e só Carolina não viu” – ( Chico Buarque)