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sábado, 16 de março de 2019

Fidelidade temporizada?

Atualmente fazemos plano com operadoras de celular, com tempo de fidelidade determinado. Constantemente ouço pessoas falando que : “estou esperando minha fidelidade com a operadora X acabar para ir para a operadora Y”. Fala-se tanto em fidelidade que banalizaram a virtude; até o nosso banco nos oferece cartão de fidelidade. Na verdade o que todos querem é que sejamos exclusivos ao serviço.
Na vida de família é importante viver a fidelidade entre marido e mulher, e não só ensinar aos filhos esse valor, como também dar exemplo de vida, para que num futuro esses jovens venham a viver sua própria fidelidade. 

Ser fiel aos seus objetivos para sua vida:  Sua profissão, seu trabalho, seus ideais, sua fé, seu namorado,  seu cônjuge. Nunca se viu tanta infidelidade como nesta geração atual. Uma triste constatação. 


A fidelidade aprende-se em casa, mas também se cultiva para que tenhamos felicidade. Palavras parecidas na grafia e também complementares na virtude. 

Vamos ajudar nossos filhos nessa busca pela felicidade, com exercícios de fidelidade. Mostrar que num namoro é importante que seja fiel enquanto dure, mas num casamento essa mesma virtude tem tempo de eternidade. Até que a morte nos separe. Ser fiel a uma pessoa é não substituí-la nem em pensamento. É um caminho de dois sentidos. 


Quando namorei meu marido, sempre fomos fiéis um ao outro, resolvemos nos casar porque vimos que nos amávamos e queríamos construir uma família juntos. Permanecemos fiéis até hoje, já estamos com quase 45 anos de casados, e, podemos afirmar que em todo esse tempo não faltaram ocasiões para vacilar, mas sempre fugimos desses momentos, porque queríamos cultivar nosso amor para o “ até que a morte nos separe”, que prometemos no dia do nosso sim. Este legado e esse valor da fidelidade deixaremos de exemplo aos filhos.

 Assim temos que ir caminhando em cada fase da nossa vida. Sem plano com tempo para fidelidade. Deixemos isso para a CLARO, TIM, VIVO, etc....

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O "Sim!" nosso de cada dia

Por Maria Teresa Serman
Acabamos de comemorar o nascimento de Jesus, o Filho Unigênito de Deus, como confessamos no Credo; o Salvador, o Messias tão esperado pelo povo eleito, a partir daí toda a humanidade. E essa alegria que os anjos comunicaram aos pastores e aos homens de boa vontade; aos Magos que de longe vieram para prestar homenagem ao recém-nascido rei; àqueles de nós que O recebemos em nossos corações, mais do que no presépio, que tem lugar de honra em nossas casas nesse tempo jubiloso; enfim, essa incomparável graça que a criação esperava ansiosamente desde a queda dos nossos primeiros pais, Adão e Eva, só foi possível por um "Sim!", "Fiat!", "Faça-se em mim segundo a Sua palavra", que uma jovem pura e cheia de graça proferiu ao arcanjo que lhe manifestou a intenção divina, não uma ordem do Todo-Poderoso.

E para que se faça a redenção que o Menino, depois de trinta anos de trabalho cotidiano e oculto, em uma aldeia sem importância na Galileia, e de três anos de ensinamento e milagres pelos caminhos que percorreu, consumou na cruz, é imprescindível que continuemos dizendo o "Sim!" da Virgem Santíssima, essa entrega que ela também compartilhou ao pés da mesma cruz a que seu filho estava pregado. De pé, com uma coragem nunca vista em um coração materno transpassado pela dor.

Apesar do drama da crucificação, o sim de Maria, e o nosso de cada dia, é simples, despercebido, em seu montante total. É o sim de cada dia indo à fonte pegar água para cozinhar e manter limpa a casa onde viviam seu filho e seu esposo; é o sim de lavar, na mesma fonte, as roupas; de cozer o pão e preparar a comida que alimentaria os três; de tecer as túnicas e cerzir as roupas; de sorrir aos seus amores, assim como às outras pessoas por perto, com carinho e benignidade, apesar do dia cansativo e quente que teria tido.

Seu amor - nunca mera conformidade - à vontade do Pai transcendia o seu especial círculo familiar. Era mais amplo, antecipava-se às necessidades, como bem demonstrou nas bodas de Canã, quando percebeu que o vinho havia acabado e, a pedido seu, Jesus fez seu primeiro milagre. Desse modo, também podemos apurar nossa sensibilidade, ficando atentos ao que os outros, próximos ou não, precisam, no plano material e principalmente no espiritual. As almas têm sede do vinho especial que só Jesus lhes pode dar, da água que Ele prometeu à Samaritana. Esse vinho, essa água, é através de nós que se derramará. Não por nossas qualidades, mas porque o Senhor assim o quer, pela nossa vocação, recebida no batismo.

Se nos recusamos, seremos profundamente infelizes, e comprometeremos nossa salvação e a daqueles que Ele nos destinou como rebanho. Também nós somos pastores, bons pastores, que precisam carregar muitas ovelhas nos ombros, sentindo o seu peso, conduzindo-as, mesmo que se percam e fujam para longe. E isso frequentemente acontece, por ironia, com os que estão mais perto de nós, por afeto ou consanguinidade. Esses nos custam muito, rasgam nossa carne e exaurem nossas forças. Mas, não podemos desistir, porque são nossa responsabilidade, e, sem eles, não entraremos no paraíso.

sábado, 24 de novembro de 2012

CORAÇÃO FALSO SEMPRE SE MUDA; O BOM É SEMPRE UM.

"Eis a ligação entre a fidelidade, por um lado, e a falsidade e inconstância por outro; entre a adesão plena a um feixe de princípios e normas bem amadurecidos, e o borboletear entre várias inclinações que não merecem o nome de compromissos; entre um amor entendido como doação e o pavor ante a simples perspectiva do sacrifício, que induz ao cálculo egoísta, sempre instável e flutuante, de lucros e perdas.

A fidelidade sempre exige esforço; não há fidelidade, por assim dizer, "fácil". E por que mudam com tanta facilidade os corações de alguns e de algumas? Porque não se dispõem a manter a coerência, a palavra dada, no meio de um fluir de pequenos fracassos, de despontamentos em certa medida inevitáveis, de uma compulsão de mudança. Quando desabem idealismos inconsistentes - o namorado "príncipe", o emprego que preenche todas as expectativas de realização, o marido ou a esposa ideais, os filhos espetaculares, etc. - desponta nas pessoas algo a que poderíamos chamar "fadiga do coração", semelhante ao fenômeno físico da "fadiga do metal".

O coração "cansa-se" - E qual será o roteiro desse "cansaço"? O provérbio ensina-o claramente: é o roteiro da falsidade da mentira. Não necessariamente de uma mentira lúcida e intencionalmente maldosa, mas de uma gradativa falsificação dos fatos com que tentamos enganar-nos a nós mesmos: o empenho de fidelidade torna-se excessivamente pesado, o compromisso começa a ser asfixiante e aparecemos com manuseados eufemismos: "Não era o que eu esperava", "Na verdade não conhecia bem essa pessoa", "Estava numa fase ruim da vida e só fazia bobagens", "O casamento ficou sem graça"< "Peço que me seja concedido o direito de errar", ("Tenho direito de procurar minha felicidade"), etc, etc.

Quando o coração não se entrega com a sua melhor capacidade, quando se "poupa" ou se procura a si mesmo, aparece aquilo a que um jurista italiano, Adolfo di Argentine, chamou a síndrome da subjetividade:

- "um casamento não pode ter problemas": ou é maravilhoso ou se desfaz:
- "um trabalho não pode ter dificuldades": ou é gratificante ou a pessoa muda de emprego;

- "uma amizade não pode ter momentos difíceis: ou é total ou se transforma em indiferença ou ódio;

- "o empenho social não pode ser a paciente construção de uma sociedade melhor": ou é rapidamente triunfante ou confina-se na utopia. No melhor dos casos, refugia-se no âmbito da vida privada.

São ideias plenamente atuais: por toda a parte encontramos, e bem ativa, essa síndrome da subjetividade, que no fundo não consiste senão em conferir às emoções pessoais o primeiro lugar à hora de decidir. É isso o que cansa o coração e o leva a ansiar por contínuas mudanças, e é isso também o que o torna presa  fácil de uma certa falsidade. Por isso escreve Thibon, com certeira metáfora: "Olhai para esse homem. A sua alma, vazia de ideais, é como um deserto, e num deserto é impossível deter-se; é-se obrigado a correr."

Do livro PROVÉRBIOS E VIRTUDES, de José Lino C. Nieto. Ed. Quadrante.

domingo, 22 de janeiro de 2012

O que nos diz São Josemaria sobre o casamento – parte 2

Colocaremos aqui, algumas respostas do santo da atualidade: São Josemaria Escrivá, sobre o casamento. O texto é uma coletânea de repostas de uma tertúlia no Chile.

Ele responde a perguntas sobre o matrimonio, o amor, o namoro, a fidelidade, a educação dos filhos, os principais valores para conseguir a unidade familiar, o que acontece quando não se têm filhos…

1. Há hoje em dia pessoas que afirmam que o amor justifica tudo, e concluem que o namoro é como que um casamento à experiência. Não seguir o que consideram imperativos do amor, pensam que é inautêntico, retrógrado. Que pensa desta atitude?

O noivado deve ser uma ocasião de aprofundar o afeto e o conhecimento mútuo. E, como toda a escola de amor, deve ser inspirado não pela ânsia de posse, mas por espírito de entrega, de compreensão, de respeito, de delicadeza. Por isso, há pouco mais de um ano quis oferecer à Universidade de Navarra uma imagem de Santa Maria, Mãe do Amor Formoso, para que os rapazes e raparigas que frequentam aquelas Faculdades aprendessem d'Ela a nobreza do amor - do amor humano também.

Matrimonio à experiência? Que pouco sabe de amor quem fala assim! O amor é uma realidade mais segura, mais real, mais humana. Algo que não se pode tratar como um produto comercial, que se experimenta e depois se aceita ou se deita fora, segundo o capricho, a comodidade ou o interesse.

Essa falta de critério é tão lamentável, que nem sequer parece necessário condenar quem pensa ou procede assim porque eles mesmo se condenam à infecundidade, à tristeza, a um isolamento desolador, que sofrerão mal passem alguns anos. Não posso deixar de rezar muito por eles, amá-los com toda a minha alma e tratar de lhes fazer compreender que continuam a ter aberto o caminho de regresso a Jesus Cristo, e que, se se empenharem a sério, poderão ser santos, cristãos íntegros, porque não lhes faltará nem o perdão nem a graça do Senhor. Só então compreenderão bem o que é o amor: o Amor divino e também o amor humano nobre; e saberão o que é a paz, a alegria, a fecundidade.
Temas atuais do cristianismo, 105

2. Que conselhos daria para que, com o passar do tempo, a vida matrimonial continue feliz, sem ceder à monotonia? Pode parecer uma questão pouco importante, mas recebem-se muitas cartas sobre este tema.

A mim parece-me que, com efeito, é um assunto importante, e por isso o são também as possíveis soluções, apesar da sua aparência modesta. Para que no matrimonio se conserve o encanto do começo, a mulher deve procurar conquistar o seu marido em cada dia, e o mesmo teria que dizer ao marido em relação à mulher. O amor deve ser renovado em cada novo dia, e o amor ganha-se com o sacrifício, com sorrisos e com arte também. Se o marido chega a casa cansado de trabalhar e a mulher começa a falar sem medida, contando-lhe tudo o que lhe parece que correu mal, pode-se surpreender que o marido acabe por perder a paciência? Essas coisas menos agradáveis podem-se deixar para um momento mais oportuno, quando o marido esteja menos cansado, mais bem disposto.

Outro pormenor: o arranjo pessoal. Se outro sacerdote vos dissesse o contrário, penso que seria um mau conselho. À medida que uma pessoa, que deve viver no mundo, vai avançando em idade, mais necessário se torna melhorar não só a vida interior como - precisamente por isso - procurar estar apresentável. Evidentemente, sempre em conformidade com a idade e as circunstâncias. Costumo dizer, por brincadeira, que as fachadas, quanto mais envelhecidas, mais necessidade tem de reparação. É um conselho sacerdotal. Um velho refrão castelhano diz que la mujer compuesta saca al hombre de otra puerta, a mulher bem posta tira o homem de outra porta.
Costumo dizer, por brincadeira, que as fachadas, quanto mais envelhecidas, mais necessidade tem de reparação. É um conselho sacerdotal. Um velho refrão castelhano diz que la mujer compuesta saca al hombre de otra puerta, a mulher bem posta tira o homem de outra porta.

Por isso atrevo-me a afirmar que as mulheres têm a culpa de oitenta por cento das infidelidades dos maridos, porque não sabem conquistá-los em cada dia, não sabem ter pequenas amabilidades e delicadezas. A atenção da mulher casada deve-se centrar no marido e nos filhos. Assim como a do marido se deve centrar na mulher e nos filhos. E para fazer isto bem é preciso tempo e vontade. Tudo o que torne impossível esta tarefa é mau, não está bem.

Não há desculpa para não cumprir esse amável dever. Para já, não é desculpa o trabalho fora do lar, nem sequer a própria vida de piedade, a qual, se não é compatível com as obrigações de cada dia, não é boa, Deus não a quer. A mulher casada tem que se ocupar primeiro do lar. Recordo uma antiga da minha terra, que diz: La mujer que, por la iglesia, / deja el puchero quemar, / tiene la mitad de ángel, / de diablo la otra mitad. - A mulher que, pela igreja, / deixa esturrar a comida, / tem metade de anjo, / de diabo a outra metade. A mim parece-me inteiramente um diabo.
Temas atuais do cristianismo, 107
http://www.pt.josemariaescriva.info

sábado, 21 de janeiro de 2012

O que nos diz São Josemaria sobre o casamento – parte 1

Colocaremos aqui, algumas respostas do santo da atualidade: São Josemaria Escrivá, sobre o casamento. O texto é uma coletânea de repostas de uma tertúlia no Chile.

Ele responde a perguntas sobre o matrimonio, o amor, o namoro, a fidelidade, a educação dos filhos, os principais valores para conseguir a unidade familiar, o que acontece quando não se têm filhos…

1.Poderia dizer-nos quais os valores mais importantes do matrimônio cristão?

Vou falar de algo que conheço bem e que é da minha experiência de sacerdote, de muitos anos e em muitos países. A maior parte dos sócios do Opus Dei vivem no estado matrimonial e, para eles, o amor humano e os deveres conjugais fazem parte da vocação divina. O Opus Dei fez do matrimônio um caminho divino, uma vocação, e isto tem muitas consequências para a santificação pessoal e para o apostolado. Há quase quarenta anos que prego o sentido vocacional do matrimônio. Que olhos cheios de luz vi mais de uma vez, quando - e pensando eles e elas que eram incompatíveis na sua vida a entrega a Deus e um amor humano nobre e limpo - me ouviam dizer que o matrimônio é um caminho divino na Terra!

O matrimônio existe para que aqueles que o contraem se santifiquem nele e através dele. Para isso, os cônjuges têm uma graça especial que o sacramento instituído por Jesus Cristo confere. Quem é chamado ao estado matrimonial, encontra nesse estado - com a graça de Deus - tudo o que é necessário para ser santo, para se identificar cada dia mais com Jesus Cristo e para levar ao Senhor as pessoas com quem convive.

É por isso que penso sempre com esperança e com carinho nos lares cristãos, em todas as famílias que brotaram do Sacramento do Matrimônio, que são testemunhos luminosos desse grande mistério divino - sacramentum magnum! (Ef. 5, 32), grande sacramento - da união e do amor entre Cristo e a sua Igreja. Devemos trabalhar para que essas células cristãs da sociedade nasçam e se desenvolvam com afã de santidade, com a consciência de que o sacramento inicial - o Batismo - confere já a todos os cristãos uma missão divina, que cada um deve cumprir no caminho que lhe é próprio.

Os esposos cristãos têm de ter consciência de que são chamados a santificar-se santificando, a ser apóstolos, e de que o seu primeiro apostolado está no lar. Devem compreender a obra sobrenatural que significa a fundação de uma família, a educação dos filhos, a irradiação cristã na sociedade. Desta consciência da própria missão dependem, em grande parte, a eficácia e o êxito da sua vida, a sua felicidade.

Mas não esqueçam que o segredo da felicidade conjugal está no quotidiano, não em sonhos. Está em encontrar a alegria íntima que dá a chegada ao lar; está no convívio carinhoso com os filhos; no trabalho de todos os dias, em que colabora toda a família; no bom humor perante as dificuldades, que é preciso encarar com desportivismo; e também no aproveitamento de todos os progressos que nos proporciona a civilização para tornar a casa agradável, a vida mais simples, a formação mais eficaz.

Nunca deixo de dizer aos que foram chamados por Deus a formar um lar que se amem sempre, que se queiram com o amor cheio de entusiasmo que tinham quando eram noivos. Pobre conceito tem do matrimônio - que é um sacramento, um ideal e uma vocação - quem pensa que o amor acaba quando começam as penas e os contratempos que a vida traz sempre consigo. É então que o amor se fortalece. As torrentes dos desgostos e das contrariedades não são capazes de submergir o verdadeiro amor. O sacrifício partilhado generosamente une mais. Como diz a Escritura, aquae multae - as muitas dificuldades, físicas e morais - non potuerunt extinguere caritatem (Cant. 8,7), não poderão apagar o amor.
Temas actuais do cristianismo, 91

2. Padre, que conselhos daria a um casal recém-casado que procura a santidade?

Primeiro, que se amem muito, segundo a lei de Deus. Depois, que não tenham medo à vida, que amem todos os defeitos de um e de outro quando não sejam ofensa a Deus; e depois ainda que procures não te descuidar, porque não te pertences. Já to disseram, e tu sabes isso muito bem, que pertences ao teu marido e ele a ti. Não deixes que to roubem! É uma alma que tem de ir para o Céu contigo e, além disso, dará qualidade chilena – o mesmo é dizer cristã -, e graça humana também, aos filhos que o Senhor lhes enviar. Rezem um pouco juntos. Não muito, mas um bocadinho todos os dias. Quando tu te esqueceres, que seja ele a dizer-te, e quando seja ele a esquecer-se, és tu que lho lembras. Não lhe atires nada em cara, não o aborreças com picuinhas.
Chile, julho de 1974, no Colégio de Tabancura
retirado de: http://www.pt.josemariaescriva.info