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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

As tristezas também unem as pessoas.

Fui a um enterro ontem de uma amiga de muitos anos. Com isso revi muitas pessoas amigas também, que o tempo foi nos levando para longe. Vi neste momento que a dor faz nos reaproximar dessas antigas amizades. É um alento pela perda de um. 

Chorar junto, ter outro ombro amigo para liberar a sensação de falta que aquela morte nos obriga a sentir. É um carinho de Deus neste momento difícil.  

Posso estar dizendo uma incoerência, mas o velório passa a ser um momento alegre, no meio de muita tristeza por aquela perda. Choramos e sorrimos em pouca variação de tempo. Ora lembrando-se de coisas boas que o falecido nos proporcionou, ora lembrando o quanto é dolorida aquela perda. Porém ao chegar a casa o coração estará mais conformado, sentindo a perda, porém acalentado por tantos abraços recebidos.

Neste momento é que vemos o quanto somos queridos: quantas pessoas estarão presentes no nosso velório? Será que em vida essas mesmas pessoas nos acompanharam de perto, na nossa jornada? Quantas perguntas não poderemos nos fazer porque já estaremos longe deste corpo, estaremos face a face com nosso Pai celestial, prestando outras contas da nossa vida.

Com certeza, ao chegar diante de Deus, teremos muitas coisas pra justificar. As nossas faltas serão muitas, mas aquele soar de vozes pedindo por nós, vai nos ajudar a minimizar o peso dos nossos erros, e nos impulsionar para junto de Deus.

Vamos vencer nossos medos, vamos ensinar aos nossos filhos a se vencer, e ir ao último adeus aos nossos amigos, parentes e conhecidos. Não para ser uma presença a mais, mas para somar ao coro de vozes que pede ao Pai que receba em seus braços aquela pessoa que já não está mais entre nós.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Vivendo o luto

 Por Verônica Lunguinho

Passei por dois momentos de luto nos últimos seis meses. Primeiro, de uma amiga. Depois, do meu pai. Viver o luto não é fácil, mas quando se passa a ter uma visão diferente da morte, é menos doloroso e nos traz, inclusive, lições para vivermos melhor a nossa vida.

Quando minha amiga de faculdade morreu do segundo câncer, aos 34 anos, eu passei a encarar a vida de outra forma. Soube que ela estava doente por uma amiga nossa em comum que, numa atitude de desespero, deixou seu número de telefone em aberto num comentário de uma postagem no meu perfil do Facebook. Quando vi, liguei imediatamente para ela. Não sei se pela minha personalidade curiosa e ansiosa. Mas achei que deveria ligar, e liguei. Era sábado. Soube que ela estava internada e já me programei com o meu marido para visitá-la no dia seguinte.

Fomos nós no domingo à noite, faltando pouco tempo para o horário de visita se encerrar. Eu tinha uma pendência com ela, no meu coração, por causa de coisas que eu pensava a respeito dela quando era bem imatura, no início de nossa amizade. Lembro que eu pedi perdão morrendo de chorar e ela ria de mim falando que aquilo não era motivo para ela me pedir perdão, que era bobeira. De coração aliviado, saí de lá. Com a sensação de que aquele teria sido nosso último encontro. Mas saí aliviada. Poucos dias depois, minha jovem amiga se foi.

Desse dia para cá, passei a prestar mais atenção nos meus sentimentos e na minha intuição. Afinal, no caso dela segui minha intuição e deu certo. Ela se foi. Deixou saudades, claro, mas tive a oportunidade de dizer a ela o que eu sentia e quem ela era pra mim. Passei a viver dia após dia, sem deixar pendências com os quais convivo. Se algum mal entendido acontecia entre mim e alguém da minha convicência, logo me vinha a lembrança da minha amiga e uma voz baixinha dizendo: “Ei, e se você morresse hoje?”. Acho até que falhei um dia ou outro, mas isso me pressionava a resolver as coisas logo.

Meses atrás meu pai começou a dar sinais de que estava perto de morrer. Deu a mim, minha mãe e meus irmãos recomendações de todos os tipos, lembrava fatos passados... Tive o prazer de levá-lo ao dentista para fazer um tratamento até o final. A última coisa que ele comeu na minha casa foi uma canjica fresquinha, bem quentinha. Eu adorava fazer comida sobrando na minha casa e levar para ele depois, porque eu me sentia bem o vendo comer. Adoro cozinhar para gente “sem frescura”, e ele era assim.

Quando percebi o seu comportamento diferente, uma anteninha dentro de mim ficou atenta. Na minha consciência, ouvia aquela voz baixinha falando: “Olha, seu pai pode ir a qualquer momento. Vá se preparando...” Ele dava sinais. E eu resolvi me atentar a eles. 

Não fui a melhor filha, pois ele estava esquecido e perguntava as coisas mil vezes. Não podia abrir o portão e falar que ia sair que ele ficava morrendo de preocupação. Demonstrava muito medo e insegurança, e isso às vezes me fazia perder a paciência. Mas, ao fim do dia, eu lembrava da minha amiga que faleceu e tentava corrigir.

Até que o momento chegou. Em casa, após viver um lindo dia, ter se declarado para minha mãe e cumprido sua rotina da forma mais perfeita possível, ele passou mal. Caiu nos braços da minha mãe sorrindo. Não deu trabalho algum para morrer. Ele detestava incomodar. Foi levado para o hospital e lá completou o seu ciclo.

No dia seguinte, o enterramos. Houve um momento em que eu e meus dois irmãos biológicos ficamos conversando. Refletimos e chegamos à conclusão de que nosso pai era um homem realizado. Não havia nada que ele não tivesse feito. Nenhum sonho, nenhuma pendência, nada. Dele ficou muita saudade e apenas boas lembranças de seu exemplo. E, claro, a lição: temos que saber viver bem a vida que nos foi dada.

Foi lindo. Foi sereno. Como ele...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Como superar certas adversidades da vida.

Por Viviane Canello

Todos temos muitas histórias e memórias. Umas boas outras nem tanto. Como lidar com elas?  Depende? Encolher-me? Esquecer e seguir, como se não houvesse nada?

Essas são indagações que nos fazemos, sempre que temos grandes dificuldades na vida. E a partir delas vamos deixar nossas vidas melhores ou piores do que estão.

Cada um de nós precisa pensar que “sou eu que tenho que lutar contra o que não me faz bem”. Uma decepção amorosa, o luto de um ente querido muito próximo, ou uma enfermidade, ou até mesmo uma grande falta de dinheiro, Cada um sabe bem onde aperta seu calo.

Ter espiritualidade, ser religioso é fantástico e nos fundamenta, nos conduz ao sentido de nossa existência.Mas, além disso precisamos lutar. Lutar contra nossos medos, nossos problemas e nossas dificuldades. Fomos criados para o bem, e por isso essa decisão é importante: buscar sempre a paz interior.

Devemos nos desafiar, ou melhor, nos encontrarmos como pessoas que somos para lidarmos com as adversidades da vida. Fazer um bom exame de consciência e ver por onde começar, por que pontos lutar para sair desse redemoinho de problemas ou de tristezas.

Se algo de muito terrível me atingiu e também a minha família, preciso reorganizar os pensamentos primeiro. O que significa parar para planejar: como será deste ponto em diante,  e o que realmente preciso para ser uma pessoa feliz e realizada,  e com pequenos pontos bem determinados, ir reerguendo minha vida. Assim,  por consequência, fazendo  os meus felizes também.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Quando eu digo que não, mas no fundo eu deveria dizer sim.

*Por Viviane Canello

Certa vez, devido a uma perda muito grande na minha vida, que me tirou totalmente o chão de baixo de meus pés, tive uma reação inesperada,  melhor dizendo, fiquei em estado de choque.

Pois bem, após um trauma, uma decepção muito grande, o luto, isso é possível acontecer.  Neste momento começamos a nos perguntar: “meu Deus e agora?” Mas se estamos em choque, muitas vezes não aceitamos o acontecido, ou não assimilamos. Ficamos, por assim dizer, fora da realidade, vivendo um pesadelo constante. No meu caso o luto me deixou deste modo, perdi totalmente as expectativas sobre mim; só vivia numa melancolia, numa tristeza sem fim.

Podemos nos perguntar: luto tem prazo de validade determinado? Tempo de duração?  - Não, jamais, cada um tem o seu tempo. Pode durar um ou dois anos, como pode durar cinco, dez anos, como pode durar para sempre. Depende de cada um e de suas expectativas de vida, tanto para si quanto para quem vive ao nosso redor e dependem de nós e das nossas reações, para poder seguir a vida.


Como então faremos? Vamos passar a vida se lamentando? - Não, mas vamos descobrir, assim espero, num determinado momento,  que precisamos de ajuda, para sair desta situação que tanto nos prejudica e nos maltrata.

Mais uma vez entra a percepção de que eu não resolvo tudo sozinho, preciso de ajuda. Aonde vou encontrá-la? - Aconselho em 100% dos casos um bom psicólogo.  Porque ele estudou para isso, e está preparado para nos orientar, nos ajudar a encontrarmos soluções, com eles desabafamos e falamos do que nos angustia. Parece até que aquilo que dimensionávamos com irredutível, se dissolve.

É claro que serei eu a resolver o meu problema, a sair da inércia que fiquei. Mas, quem me auxilia e orienta, é o profissional que escolhemos com cuidado, que tenha estudado muito bem o assunto, para então poder nos ajudar. Devemos nos dar esta chance, buscar qualidade de vida. Vale a muito pena procurar essa ajuda, que sem dúvida alguma fará    toda a diferença para sejamos mais felizes e realizados em busca de nossos objetivos.

*  Viviane Canello Strapasson - Católica, mãe de um lindo menino, viúva, formação em pedagogia, servidora pública por um tempo, micro empresária, dona de casa.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Quatro milagres e um Anjo.

Por Patrícia Peixoto*
Engravidei na lua de mel. Durante a viagem, em Ubatuba, percebi que estava no período fértil, mas confesso que ignorei, afinal, por conta do SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos, com a qual fui diagnosticada aos 18 anos), a chance de ter um ciclo sem ovulação era quase 100%. Deus se utilizou disso e eis que a vida nasceu dentro de mim.

Demoramos a descobrir a gravidez. Quando finalmente meu corpo e ações passaram a gritar, ouvimos e fizemos o teste: sim seríamos pais. A confirmação da gestação veio no dia seguinte que soubemos que a empresa americana em que meu marido trabalhava há dois anos iria fechar suas portas no Brasil. Era dezembro, perto do Natal, e em janeiro ele estaria desempregado. Eu, por minha vez, havia trocado Brasília (minha cidade natal) por São Paulo, e também não estava empregada. Ou seja, estávamos grávidos, sem emprego e consequentemente sem plano de saúde.

Nunca havia tido plano de saúde antes, e nem via necessidade - nada como a ilusão da juventude. Fomos atrás de um plano, a reserva dava para pagar apenas um “meia boca”. Estava grávida pela primeira vez, sem ginecologista, sem minha família por perto, minha cabeça girava. Ora ficava feliz com a gestação, em outros momentos não a desejava mais. Nessa montanha russa de emoções, nosso bebê começava a fazer parte da nossa vida.

Eu sentia muitas dores, principalmente nos dias que andava mais, tinha pequenos sangramentos, e, em cada ida ao pronto socorro, sempre ouvia que tudo era normal, que gravidez era assim mesmo. Não tive tontura, enjoos, desejos, indigestões, azia, nada, apenas uma constante dor fina no baixo ventre, e à medida que as semanas se passavam elas aumentavam.

Fizemos todos os exames, de sangue, de urina, ultrassom, inclusive o morfológico, tudo enfim normal, apenas uma constante infecção urinária. No morfológico descobrimos que teríamos um menino - o pai ficou todo orgulhoso, o amigo e companheiro de estádio estava a caminho, a ele ensinaria a importância do alambrado, do fechar junto com o time na hora do jogo independente do que se desenrolava no campo. O primeiro nome ainda não estava escolhido, mas o segundo sim: seria César como ele e como o seu pai.

Janeiro e Fevereiro foram bem conturbados, as dores sempre aumentando e todos sempre me dizendo que era normal: sabe como é, grávidas exageram. Minha irmã viria passar alguns dias comigo, meu cunhado tinha um curso a fazer em São Paulo e ela aproveitou para passar 3 dias por aqui, chegou na 6ª e no sábado fizemos turismo no Centro de São Paulo. Quando chegamos em casa, fui descansar, a dor estava aumentando. Ao acordar, fui ao banheiro e descobri que estava sangrando e entrei em pânico. Eu, Rogério, minha irmã e meu cunhado no Pronto-Socorro, não era mesmo a noite planejada para o sábado.

Quando lá cheguei, o primeiro exame foi o do coração do bebe, que estava batendo forte, como deveria ser. Respiramos aliviados, a médica fez o exame de toque e percebeu que estava com 7 cm de dilatação. Com apenas 24 semanas de gestação, parte da placenta estava para fora do útero. Foi ali que o pesadelo - o maior dos pesadelos que os pais podem passar - começou a se delinear.  A médica, novinha, ficou desesperada: acreditava que eu teria o bebe aquela noite. Levaram-me para a enfermaria. Milhões de coisas passaram pela minha cabeça, principalmente os momentos em que questionei a maternidade junto a Deus, seria castigo? Foi uma noite longa e cheia de dores. Quando acordei pela manhã, pensei: ele continua aqui dentro, será que Deus irá mantê-lo, será que foi só um grande susto?

No domingo, passei por vários médicos, enfermeiros e auxiliares. Tinha a impressão que não sabiam o que estava acontecendo comigo. Não estava em trabalho de parto... de onde saiu aquela dilatação toda? Segunda à noite me encaminharam para o quarto e quando lá cheguei, tive a certeza que o susto havia passado, seria só esperar. Pura ilusão.

Amanheci na segunda com dores constantes e espaçadas, o trabalho de parto havia começado. As contrações foram ficando mais frequentes, e à noite aconteciam de 5 em 5 minutos. Às 5 da manhã a bolsa rompeu, e me levaram para uma enfermaria, com as dores cada vez mais fortes... e fiquei lá sozinha, nenhum médico veio me ver. Quando senti o pequeno coroando, chamei a auxiliar e informei. E ela disse que era impressão minha, mas mesmo assim eu pedi para olhar e ela o fez, displicentemente. E vejam: eu tinha razão. Foi um tal de aparecer todo tipo de gente na sala... e quando perceberam, Anderson nasceu, sozinho, e sem nenhum amparo, pedi para não vê-lo, reneguei-o ao nascer, tinha medo da dor que seria tê-lo nos braços e depois não mais.

Rogério, foi mais corajoso, além de vê-lo, fez o que de mais importante um pai pode fazer por seu filho, ministrou-lhe o batismo - e assim Anderson nasceu para ambas as vidas: a natural e a sobrenatural. A primeira durou 30 minutos, ele não teve qualquer atendimento, e a segunda durará a eternidade. Demos o mais importante, cumprimos com ele plenamente a nossa obrigação de levar os nossos pequenos a Deus.

Entrei no hospital grávida e sai mãe, mas não havia levado comigo meu filho. Não foi fácil para nós – meu marido e eu - aceitarmos essa vontade de Deus, levamos algum tempo para tal, contudo Deus nos esperou pacientemente.

Mais tarde, descobri ter incompetência do colo uterino e nas gestações seguintes, sempre de alto risco, foram tomadas as providências necessárias. Hoje são quatro milagres conosco: Catarina(7), Eduardo(6), João(1,9 meses) e Álvaro(5 meses).

A vida com eles é uma loucura total: nos divertimos, nos cansamos, vivemos e convivemos. A casa é sempre barulhenta, nada é tranquilo, uma ida ao supermercado é uma verdadeira aventura. Eles riem, choram, se batem, se cuidam, se preocupam, se amam intensamente e sentem ciúmes um do outro. O colo ficou pequeno, o tempo pessoal ficou perdido em algum lugar no passado. Agora é hora de estar e viver com eles, no futuro procurarão seguir seus caminhos, e esperamos dar todas as ferramentas para que sejam santos e irrepreensíveis diante de Deus e dos homens.

Contudo, a dor que senti me acompanha até hoje, ainda que mais cálida, sem rompantes e choros convulsivos. Há uma saudade de tudo que poderia ter sido, das alegrias e das tristezas que não foram vividas. Hoje temos um companheiro ao lado de Deus, e o que nos consola é saber que esse é o único dos cinco que temos a certeza que viverá eternamente na graça: Anderson César.

*Patrícia Peixoto, Filha de Deus, Católica, Esposa, Mãe, Mulher... nessa ordem de prioridade.