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terça-feira, 11 de novembro de 2014

A última vez que falei com meu avô


Um relato de como os avós são importantes na formação dos netos e como marcam presença em suas vidas:

Estávamos em fevereiro de 1990, a família e meu avô fazíamos uma viagem de carro que saiu do Rio de Janeiro, foi até Foz do Iguaçu parando por diversas cidades e voltava até Angra dos Reis onde ficaríamos o restante das férias.

Num determinado dia, em que fazíamos um trecho grande da viagem furou o pneu do carro e a chave de boca não conseguia soltar os parafusos da roda. Pensei com meus botões: “hoje não vamos chegar à cidade em que deveríamos dormir”. Eram 15h da tarde e meu avô disse que rezássemos a devoção da hora da Misericórdia por um minuto, pois Cristo nunca negava nada àqueles que pedissem naquela hora. Do alto da sabedoria teológica dos meus 14 anos falei também com meus botões: “bobagem, isso não tem nada a ver”. O fato é que poucos minutos depois encostou um caminhoneiro que emprestou sua chave de boca, trocou o pneu, partimos e chegamos pontualmente à cidade de destino. Confesso que meu queixo caiu. Mas esqueci do assunto.

Avancemos para o ano 2009. Precisamente no dia 1 de fevereiro. Meu avô havia se submetido a uma cirurgia eletiva há alguns dias, e após a cirurgia teve um enfarto e ficou internado na UTI.

Neste dia, fora do horário de visitas, usando de alguns privilégios, eu fiquei um tempo com ele e meu relógio marcava 15h, falei: “Vô, são 15h, não quer rezar a sua devoção da hora da misericórdia?”. Ele repetiu o que havia falado em 1990, e pediu para que a situação de saúde dele se resolvesse da forma que o Senhor quisesse. No dia seguinte fui vê-lo, mas já estava inconsciente. Morreu naquela noite, já no dia 2 de fevereiro e de lá para cá todo dia às 15h eu lembro da devoção do meu avô e separo minha listinha de pedidos.

4 comentários:

Carmem Lucia disse...

Que lindo relato! Um avô que deixou belas recordações. Me emocionei.

Jaqueline Melo disse...

As 15 horas são marcantes demais! A hora estimada q Jesus teria morrido é a hora da misericórdia como Santa Faustina nos ensina! Jesus, eu confio em vós!

Ana Beatriz disse...

que saudade do meu avô... ele nunca me falou nada assim, mas eu lembro de tudo q ele me falava, de todas as broncas e elogios... "fica quietinha se não o jacaré te abraça".

Pat disse...

Ai que saudade dos meus avós que me acompanharam sempre, contando estórias antes de dormir, levando para ver "sessão dupla" de cinema perto de casa, estimulando a vencer desafios e defendendo-nos das broncas da nossa mãe. Morando no mesmo prediozinho cada família num num andar(só tinha 3!) no Leblon, numa época em que só havia casas na nossa rua, o nosso prédio bem antigo era O ARRANHA CÉU, rs rs rs

Que consolo e alegria, saber que um dia poderemos estar todos juntos ao Pai e Nossa Mãe pra matar saudades!

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