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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Mudança alimentar - partilha de uma mãe

Por Raquel Suppi
 
Há pouco mais de um ano, minha família vem passando por uma importante mudança alimentar. Embora não tivéssemos exatamente um “plano”, receita ou cardápio elaborado, tínhamos consciência de que precisávamos mudar e, mais que isso, uma grande motivação.

Despertamos para isso quando o nosso filho do meio, na época com 2 anos, começou a passar mal, com certa constância. Volta e meia aparecia com dores, enjoos e crises frequentes de vômitos e diarreia. Foi quando nos demos conta do quanto estávamos falhando não apenas com a alimentação dele, mas de toda a família. Percebemos que, especialmente ele, pouco a pouco foi mudando seus hábitos e gostos alimentares, substituindo alimentos naturais e saudáveis pelos industrializados e cheios de conservantes. Sem que nos déssemos conta, nossa geladeira e despensa passaram a ser abastecidas principalmente por comidas com baixo valor nutricional. Era tão mais “prático” e tão mais fácil de “conquistar” o paladar da criançada, que muitas vezes pensava: “pelo menos estão comendo alguma coisa”. No entanto, isso começou a nos incomodar. Precisávamos mudar, só não sabíamos como, e tínhamos certeza de que não seria fácil.

Comecei lendo livros, conversando com algumas pessoas (entre elas, o pediatra das crianças) e pesquisando muito sobre como adquirir novos hábitos alimentares e reintroduzir alimentos saudáveis na família. Assim, bem devagar, demos os primeiros passos. Mais de um ano depois, eu me alegro em poder constatar que, entre altos e baixos, acertos e deslizes, fizemos progressos significativos.
Antes de prosseguir, gostaria de deixar claro que minha intenção é apenas a de partilhar um pouco sobre a nossa experiência particular, como família. Não pretendo, de modo algum, impor um estilo de vida ou passar a imagem de “expert” no assunto (aconselho, inclusive, a consultarem um médico ou nutricionista). Sei muito bem que cada família tem um meio próprio de lidar com as coisas, seja de qual for a natureza. Portanto, além da minha, não estou apta e nem tenho a pretensão de dar diretrizes e palpites para nenhuma outra. Penso apenas que, talvez (quem sabe?), este simples relato possa ajudar alguém, de alguma forma, assim como tantos outros nos serviram de inspiração.

Nosso maior medo, virou a nossa grande motivação: evitar que nossos filhos crescessem com um péssimo hábito alimentar. O objetivo era (e continua sendo) que toda a família voltasse a consumir uma grande variedade de frutas, verduras, sucos naturais e todo tipo de comida saudável. Como pais, sentimo-nos responsáveis de apontar o caminho certo e sermos o modelo, em todas as áreas, inclusive na da alimentação. Portanto, toda a família seria alcançada e beneficiada com a mudança. 

Mesmo envolvendo todo mundo, o nosso principal alvo, a princípio, era o nosso filho do meio. Não apenas pela suspeita de alergia alimentar e frequentes reclamações de dores e mal-estar, mas também porque era ele quem mais precisava de uma boa reeducação alimentar. Dos três, era quem menos comia frutas (praticamente nenhuma) e comida natural. Se permitíssemos, só se alimentava de chocolate, biscoitos e doces. Somando tudo isso a uma forte personalidade, sabíamos que ele seria o nosso grande desafio. Mas, uma coisa era certa, se conseguíssemos reconquistar o seu paladar, com os demais seria menos complicado.

Inicialmente, ficamos entre dois caminhos: cortar logo tudo e radicalizar, ou mudar com moderação. Não demorou muito para perceber que, com a gente, a segunda opção seria mais viável, ainda que demorasse mais para vermos os resultados.

Começar foi o mais complicado. Ainda tínhamos muitos alimentos que gostaríamos de cortar, em casa. Mas, de certa forma, eles acabaram nos ajudando: serviram de negociação. Na hora do lanche, por exemplo, quando eu oferecia fruta ou outra coisa saudável e nutritiva, e as crianças rejeitavam, pedindo algo que não deveriam comer, eu fazia a seguinte proposta: se comer primeiro isto, depois a mamãe dá um pouco do que você quer. E funcionou! Às vezes, davam apenas uma mordidinha de nada, mas pelo menos provavam, coisa que não acontecia antes.

Aos poucos, as mordidas foram aumentando e a “recompensa” diminuindo. Devagar, nossa despensa e geladeira passaram a estocar alimentos muito mais saudáveis. E, naturalmente, os filhos foram esquecendo e deixando de pedir para comer o que antes parecia ser indispensável! Assim, sem tanta radicalidade e sofrimento, estamos conseguindo adquirir novos hábitos, muito mais saudáveis!

Estamos longe de ser exemplo de alimentação. Ainda temos muito o que aprender e inserir no nosso dia a dia. Mas estamos muito felizes com os progressos realizados! Tem sido desafiante, mas muito gratificante! Ouvir o filho do meio, por exemplo, que até pouco tempo dava tudo por um alimento processado, pedir uma maçã de lanche, sem que eu precise fazer nenhum tipo de “combinado”, não tem preço!

3 comentários:

Anônimo disse...

Relato mt interessante e motivador! Minha família está passando por algo parecido e ler textos positivos assim com certeza é um grande incentivo. Espero que continuem fazendo progressos! Boa sorte para todos nós! Abçs, Rebeca.

Renata Melo disse...

Queeel, que máximo! Estou acompanhando as mudanças super feliz e encantada! Vocês são demais, grande exemplo! Amoooo! 😍🙏🏼❤️👏🏼

Raquel Suppi disse...

Olá, Rebeca! Fiquei muito feliz por saber que minha partilha serviu de incentivo! Decidi escrever sobre isso com esse intuito! Agradeço por sua torcida e saiba que tbm estarei torcendo e rezando por sua família! Deus abençoe vcs! Abraço!

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