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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Mãe de Adolescente: Como nossos pais


Eu fui uma adolescente típica, que contestava a autoridade dos pais. Isso foi bastante agravado pelo fato de que meu pai perdeu o seu emprego quando eu tinha 15 anos (graças ao então presidente Collor), ao mesmo tempo em que todas as suas economias foram retidas, no confisco da poupança. Com mais de cinquenta anos, era difícil a sua recolocação no mercado, o que o levou a uma depressão e introspecção. Ele não tinha a energia, naquele momento, para lidar com uma adolescente abusada e atrevida - ainda mais quando eu comecei a ganhar o meu próprio dinheiro, da bolsa de monitoria, do CNPq:"comprei com o MEU DI-NHEI-RO!" - o resultado foi que minha mãe precisou assumir o papel de disciplinadora com mais rigor, e os conflitos foram inevitáveis.

Não culpo meus pais por nada disso. Atualmente mãe de quatro, sendo um adolescente, percebo que os pais não são super-homens nem as mães mulheres maravilha, são pessoas que fazem o seu melhor, e, quando erram, o fazem querendo acertar.

Houve uma época, porém, ainda solteira, em que idealizava a minha futura família, sempre a partir do que considerava os erros existentes na minha criação: "Jamais eu vou fazer isso com um filho meu!". A impressão para os desavisados era de que a minha família era o exemplo de tudo o que eu não queria para mim e a família que um dia iria formar.

Hoje, da minha boca saem as "clássicas" frases: "Eu não sou mãe da fulana! Eu sou a SUA MÃE!"; "Você vai fazer isso porque eu estou mandando e PRONTO!" - e claro, a campeã de audiência: "Enquanto você estiver morando sob o meu teto e comendo da minha comida vai ter que .... dançar no meu compasso / fazer o que eu mandar / viver segundo as minhas regras / (complete aqui com sua versão)... "

O tempo é outro, bem mais perigoso, os conflitos são os mesmos e universais... Creio que é possível ser amigo dos filhos sem ser "amiguinho" dos filhos, se é que me entendem... adolescentes precisam de limites para que se desenvolvam de forma saudável e para que sintam segurança em nós. Se eu não tivesse tido meus pais para "botar um freio" em mim, talvez hoje eu não estivesse aqui escrevendo esse texto, nem com essa família linda.

Em uma famosa música, cantamos:

Minha dor é perceber // Que apesar de termos
Feito tudo, tudo // Tudo o que fizemos
Nós ainda somos // Os mesmos e vivemos
Ainda somos // Os mesmos e vivemos
Ainda somos // Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais

Posso dizer que não me causa nenhuma dor nem constrangimento perceber que vivo - em grande parte - como os meus pais. Eles me ensinaram a prezar a verdade, a honestidade, o subir na vida pelo estudo e pelo mérito, respeitar os mais velhos, esperar a minha vez, negociar, cumprir meus deveres e honrar a palavra dada, e muitas outras coisas que eu também desejo ensinar aos meus filhos, esperando fazer um bom trabalho, para que um dia meus filhos possam também se orgulhar da família de onde vieram, e formar novas famílias com boas bases.

4 comentários:

Pat disse...

Que bom um dia ouvir tudo o que você disse aqui agora, de todos os filhos.
É realmente muito bom ter uma "recompensa" de ver os filhos amadurecidos reconhecerem o esforço feito pelos pais, que às vezes errando sim, outras, acredito que a maioria delas, acertando. Que tenhamos deixado uma marca indelével no seu caráter como FILHOS MUITO AMADOS DE DEUS.
Abração,
Pat

katia carneiro Lopes disse...

É verdade Maitê!! vivemos como nossos pais... e as vezes,mesmo com meus filhos, hj adultos 26 e 21 tenho a impressão que "devo" algo a eles,penso que assim será até o último dia da minha vida!! rs rs rs mas ao mesmo tempo me alegro e digo sempre:- Dei certo como mãe, mas eles sempre ouvem as célebres frases: - Tem que me dar satisfação sim,fazer o que? minha mãe dizia que " Quem sai aos seus não degenera," Bjus amore

Jaqueline Melo disse...

Com certeza todas aquelas regras e esporros q tomávamos e reclamávamos nos serviram de molde para vida! Crianças, adolescentes, jovens e adultos precisam de regras! A gente reclama, mas no fim, fazemos como nossos pais e acertamos muito mais q erramos com a ajuda de Deus!!

Eliene disse...

Então, tenho um filho de 20 anos que comenta com a namorada: pois quando tivermos nossos filhos... E faz um comentário positivo sobre como ele foi educado. Melhor ainda é ver nos olhos da namorada dele um sorriso de 'ele será um bom pai'.

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