logo

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Caldinho para levantar o doente



Hoje vi várias amigas falando desse caldo da carne, para dar uma melhorada nos doentinhos da casa. Assim me lembrei de quando os meus eram pequenos e eu fazia um caldo de carne como minha sogra ensinou. Fazia um bem enorme para as crianças.  

 
Era fácil de fazer, porem precisava de um vidro refratário que ficasse hermeticamente fechado. 

Minha sogra chamava de “beeftea”, traduzindo seria um chá de carne, o caldo fica perfeito.

Coloca-se 200g de músculo, com uma pitada de sal, puro, dentro do vidro. Sem adicionar mais nada. 

Coloca-se o vidro numa panela em banho Maria. Com um anteparo entre o fundo da panela e o vidro, para evitar que quebre o recipiente da carne. 

Deixa por uns 40 minutos no fogo brando para que o sumo solte todo da carne. 

Dá para ver o líquido dentro do vidro, e a carne ficar sem cor. 

Depois disso é só tirar do fogo e deixar esfriar. Usar esse caldo puro ou em um caldo de feijão.  O importante é que a criança consiga comer toda a porção. 

Eu chamo de levanta doente. A criança logo se reanima e levanta suas forças. 

Atualmente encontramos esses vidros com mais facilidade. Pode ser esses de compotas.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

As tristezas também unem as pessoas.

Fui a um enterro ontem de uma amiga de muitos anos. Com isso revi muitas pessoas amigas também, que o tempo foi nos levando para longe. Vi neste momento que a dor faz nos reaproximar dessas antigas amizades. É um alento pela perda de um. 

Chorar junto, ter outro ombro amigo para liberar a sensação de falta que aquela morte nos obriga a sentir. É um carinho de Deus neste momento difícil.  

Posso estar dizendo uma incoerência, mas o velório passa a ser um momento alegre, no meio de muita tristeza por aquela perda. Choramos e sorrimos em pouca variação de tempo. Ora lembrando-se de coisas boas que o falecido nos proporcionou, ora lembrando o quanto é dolorida aquela perda. Porém ao chegar a casa o coração estará mais conformado, sentindo a perda, porém acalentado por tantos abraços recebidos.

Neste momento é que vemos o quanto somos queridos: quantas pessoas estarão presentes no nosso velório? Será que em vida essas mesmas pessoas nos acompanharam de perto, na nossa jornada? Quantas perguntas não poderemos nos fazer porque já estaremos longe deste corpo, estaremos face a face com nosso Pai celestial, prestando outras contas da nossa vida.

Com certeza, ao chegar diante de Deus, teremos muitas coisas pra justificar. As nossas faltas serão muitas, mas aquele soar de vozes pedindo por nós, vai nos ajudar a minimizar o peso dos nossos erros, e nos impulsionar para junto de Deus.

Vamos vencer nossos medos, vamos ensinar aos nossos filhos a se vencer, e ir ao último adeus aos nossos amigos, parentes e conhecidos. Não para ser uma presença a mais, mas para somar ao coro de vozes que pede ao Pai que receba em seus braços aquela pessoa que já não está mais entre nós.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Um filme divertido: QUE MAL EU FIZ A DEUS!

Achei esse filme na TV, e me diverti numa tarde chuvosa. Alegre e descompromissado. Sugiro que se for ver com os filhos a partir de 12 anos, tenha o controle remoto a mão, para cortar umas duas cenas que não acho boas para crianças. Com certeza o filme agradará mais a jovens e adultos.

 Qu'est-ce qu'on a fait au Bon Dieu? - é um filme francês, laçado em 2015, no Brasil. Conta a história de um  casal  que tem quatro filhas. Católicos, conservadores e um pouco preconceituosos, eles não ficaram muito felizes quando três de suas filhas se casaram com homens de diferentes nacionalidades e religiões. Quando a quarta anuncia o seu casamento com um católico, o casal fica nas nuvens e toda a família vai se reunir. Mas logo eles vão descobrir que nem tudo é do jeito que eles querem.

Em uma época, como a de hoje, onde tudo virou preconceito, essa família consegue driblar os mitos e os tabus, e todos chegam a uma harmonia, com muito humor e boas risadas.


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Faça você mesmo

Em épocas de vacas magras, tempos difíceis economicamente falando, é a melhor época para exercer a criatividade, e treinar todos em casa para entrar no mesmo ritmo de aproveitar tudo, e dar a volta por cima da inflação.

Quem mora no Brasil, e vive em grandes cidades, entende bem que precisa fazer seus próprio consertos, em casa, sem a ajuda de profissionais que aproveitando da situação de inflação acabam cobrando cada vez mais caro por seus serviços.

Com uma pequena máquina de costura, portátil, simples, de pontos retos, podemos fazer desde bainha nas roupas, até pequenas reformas de cortinas e estofados. Assim evitamos os gastos com estofadores e costureiras. 

Uma ideia boa é fazer um mutirão em casa e comover a todos a ajudar nos consertos da casa, em um dia de um final de semana. Programar o que precisa ser feito, comprar os materiais necessários para os consertos e estar com tudo em casa no dia combinado. 
 
Aqui em casa fizemos uma reforma geral em um dos quartos. Foi espetacular a colaboração de todos, para o maior conforto de um. Até os que já estão casados e moram fora vieram ajudar de alguma forma. Resultado: quarto pintado, armários embutidos pintados, faxina feita, mobília recolocada, tudo pronto, com cara de novo.

A empolgação foi tal que continuamos fazendo nós mesmos outras pequenas reformas. Partimos para um sofá, de linhas retas, que estava em estado crítico, e colocamos ele novinho em folha, com cara de saído da fábrica. 

Um dos filhos começou a se equipar de pequenos instrumentos para facilitar os serviços que foram de grande valia: grampeador de estofados, parafusadeira,  furadeira, rolinhos de pintura, pincéis, lixadeira elétrica, e por aí foi se equipando. Fizemos uma grande economia, mesmo com esses novos gastos.

Para se ter ideia, um estofador nos cobrou , por reformar um sofá de três lugares, todo reto, o valor equivalente a 550 dólares. No valor de hoje, R$1800,00. Com todo o material que compramos só gastamos 76 dólares, R$250,00. Conseguimos terminá-lo em um dia apenas.Sendo , na maior parte do tempo, apenas duas pessoas fazendo.

Várias amigas, com filhos pequenos, partiram para o mesmo esquema: confeccionando roupinhas de criança, preparando os enfeites das festas de seus filhos, assim diminuindo bastante os gastos. 

Cada família se quiser fazer economia e ao mesmo tempo ajudar no equilíbrio da economia da sua cidade, pode aproveitar a crise e tirar bons proveitos dela, basta ter um pouquinho de habilidade e colocar mãos a obras.

Trocar lâmpadas, trocar uma torneira, consertar o fio do abajur, são coisas bem fáceis de fazer, basta tomar os cuidados certos, como, desligar o interruptor, antes de trocar; fechar o registro de água, antes de tirar a torneira, tirar o fio da tomada, para consertar o abajur. 

Vamos começar fazendo coisas pequenas que logo estaremos pintando o sete em casa!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O desejo de possuir

Todos nós gostamos de possuir. Gostamos muito. Até a pessoa mais desprendida tem esse desejo, ele varia de pessoa para pessoa: possuir o saber, possuir bens materiais, possuir o controle das situações, possuir a atenção de alguém, e por aí seguem os nossos desejos de ter.

Possuir é um meio de comunicar-se. O bebê leva à boca os objetos, e examina-os para conhecê-los; choram quando lhes tiramos algo. Já por volta dos 3 a 4 anos conhecem o "meu". Tudo quer para si. Do pai ao cachorro, brinquedos velhos. Por que?

As crianças tendem a ser egocêntricas. Estão acostumadas com tudo girando a seu redor, e como ainda não é muito sociabilizada se sente o centro do mundo. Quando as famílias são numerosas esse egocentrismo se dilui, porque há desde sempre na vida das crianças uma divisão: a mãe não fica o tempo todo por conta dela, tem outros para olhar e atender; num dia um está doente, dia seguinte é um que precisa de apoio nos estudos, deste modo vão aprendendo de forma mais fácil a dividir e a ceder. O que não quer dizer que por nossa natureza uns não sejam mais egocêntricos que outros. A convivência em família, com muitos irmãos, é benéfica.

A medida que a criança vai crescendo, torna-se assustador, pelos limites que vamos impondo a ela, e pela própria dificuldade de domínio da maior parte das situações.

Cada vez mais, então, teremos que trabalhar com nossas crianças os limites do ter, de possuir algo novo. De aceitar aquilo que a está sendo oferecido. Seja carinho, ou a quantidade de alimento, tudo terá uma quantidade e precisará ser aceito com alegria e conformidade, para que aprendam a dar valor ao que tem e satisfazer-se, para chegar a felicidade.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Alegria do Amor” – parte 4- A REALIDADE E OS DESAFIOS DAS FAMÍLIAS

Nosso Papa Francisco escreveu uma bela carta apostólica, em abril deste ano. Vou transcrever aqui aos poucos, algumas partes, para que reflitamos sobre os pontos que mais tocam as famílias.

A REALIDADE E OS DESAFIOS DAS FAMÍLIAS

O bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja. Inúmeras são as análises feitas sobre o matrimônio e a família, sobre as suas dificuldades e desafios atuais. É salutar prestar atenção à realidade concreta, porque «os pedidos e os apelos do Espírito ressoam também nos acontecimentos da história» através dos quais «a Igreja pode ser guiada para uma compreensão mais profunda do inexaurível mistério do matrimônio e da família». 

A situação atual da família

«Fiéis ao ensinamento de Cristo, olhamos a realidade atual da família em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras. Hoje, a mudança antropológico-cultural influencia todos os aspectos da vida e requer uma abordagem analítica e diversificada». Já no contexto de várias décadas atrás, os bispos da Espanha reconheciam uma realidade doméstica com mais espaços de liberdade, «com uma distribuição equitativa de encargos, responsabilidades e tarefas (...). Valorizando mais a comunicação pessoal entre os esposos, contribui-se para humanizar toda a vida familiar. Nem a sociedade em que vivemos nem aquela para onde caminhamos permitem a sobrevivência indiscriminada de formas e modelos do passado». Mas «estamos conscientes da direção que vão tomando as mudanças antropológico-culturais, em razão das quais os indivíduos são menos apoiados do que no passado pelas estruturas sociais na sua vida afetiva e familiar».

Por outro lado, «há que considerar o crescente perigo representado por um individualismo exagerado que desvirtua os laços familiares e acaba por considerar cada componente da família como uma ilha, fazendo prevalecer, em certos casos, a ideia dum sujeito que se constrói segundo os seus próprios desejos assumidos com caráter absoluto. «As tensões causadas por uma cultura individualista exagerada da posse e fruição geram no seio das famílias dinâmicas de impaciência e agressividade». Gostaria de acrescentar o ritmo da vida atual, o stress, a organização social e laboral, porque são fatores culturais que colocam em risco a possibilidade de opções permanentes. Ao mesmo tempo, encontramo-nos perante fenômenos ambíguos. Por exemplo, aprecia-se uma personalização que aposte na autenticidade em vez de reproduzir comportamentos prefixados. É um valor que pode promover as diferentes capacidades e a espontaneidade, mas, se for mal orientado, pode criar atitudes de permanente suspeita, fuga dos compromissos, confinamento no conforto, arrogância. A liberdade de escolher permite projetar a própria vida e cultivar o melhor de si mesmo, mas, se não se tiver objetivos nobres e disciplina pessoal, degenera numa incapacidade de se dar generosamente. De fato, em muitos países onde diminui o número de matrimônios, cresce o número de pessoas que decidem viver sozinhas ou que convivem sem coabitar. Podemos assinalar também um louvável sentido de justiça; mas, mal compreendido, transforma os cidadãos em clientes que só exigem o cumprimento de serviços.

Se estes riscos se transpõem para o modo de compreender a família, esta pode transformar-se num lugar de passagem, aonde uma pessoa vai quando lhe parecer conveniente para si mesma ou para reclamar direitos, enquanto os vínculos são deixados à precariedade volúvel dos desejos e das circunstâncias. No fundo, hoje é fácil confundir a liberdade genuína com a ideia de que cada um julga como lhe parece, como se, para além dos indivíduos, não houvesse verdades, valores, princípios que nos guiam, como se tudo fosse igual e tudo se devesse permitir. Neste contexto, o ideal matrimonial com um compromisso de exclusividade e estabilidade acaba por ser destruído pelas conveniências contingentes ou pelos caprichos da sensibilidade. Teme-se a solidão, deseja-se um espaço de proteção e fidelidade, mas, ao mesmo tempo, cresce o medo de ficar encurralado numa relação que possa adiar a satisfação das aspirações pessoais.

Como cristãos, não podemos renunciar a propor o matrimônio, para não contradizer a sensibilidade atual, para estar na moda, ou por sentimentos de inferioridade face ao descalabro moral e humano; estaríamos a privar o mundo dos valores que podemos e devemos oferecer. É verdade que não tem sentido limitar-nos a uma denúncia retórica dos males atuais, como se isso pudesse mudar qualquer coisa. De nada serve também querer impor normas pela força da autoridade. É-nos pedido um esforço mais responsável e generoso, que consiste em apresentar as razões e os motivos para se optar pelo matrimônio e a família, de modo que as pessoas estejam mais bem preparadas para responder à graça que Deus lhes oferece.

 Ao mesmo tempo devemos ser humildes e realistas, para reconhecer que às vezes a nossa maneira de apresentar as convicções cristãs e a forma como tratamos as pessoas ajudaram a provocar aquilo de que hoje nos lamentamos, pelo que nos convém uma salutar reação de autocrítica. Além disso, muitas vezes apresentámos de tal maneira o matrimônio que o seu fim unitivo, o convite a crescer no amor e o ideal de ajuda mútua ficaram ofuscados por uma ênfase quase exclusiva no dever da procriação. Também não fizemos um bom acompanhamento dos jovens casais nos seus primeiros anos, com propostas adaptadas aos seus horários, às suas linguagens, às suas preocupações mais concretas. Outras vezes, apresentámos um ideal teológico do matrimônio demasiado abstrato, construído quase artificialmente, distante da situação concreta e das possibilidades efetivas das famílias tais como são. Esta excessiva idealização, sobretudo quando não despertámos a confiança na graça, não fez com que o matrimônio fosse mais desejável e atraente; muito pelo contrário.

sábado, 6 de agosto de 2016

Alegria do Amor – parte 3 - A ternura do abraço

Nosso Papa Francisco escreveu uma bela carta apostólica, em abril deste ano. Vou transcrever aqui aos poucos, algumas partes, para que reflitamos sobre os pontos que mais tocam as famílias.
A ternura do abraço

A ternura do abraço


Como distintivo dos seus discípulos, Cristo pôs, sobretudo a lei do amor e do dom de si mesmo aos outros (cf. Mt 22, 39; Jo 13, 34), e fê-lo através dum princípio que um pai ou uma mãe costumam testemunhar na sua própria vida: «Ninguém tem maior amor do que quem dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15, 13). Frutos do amor são também a misericórdia e o perdão. Nesta linha, é emblemática a cena que nos apresenta uma adúltera na explanada do templo de Jerusalém, primeiro, rodeada pelos seus acusadores e, depois, sozinha com Jesus, que não a condena mas convida-a a uma vida mais digna (cf. Jo 8, 1-11).

No horizonte do amor, essencial na experiência cristã do matrimônio e da família, destaca-se ainda outra virtude, um pouco ignorada nestes tempos de relações frenéticas e superficiais: a ternura. Detenhamo-nos no terno e denso Salmo 131, onde – como se observa, aliás, noutros textos (cf. Ex 4, 22; Is 49, 15; Sl 27/26, 10) – a união entre o fiel e o seu Senhor é expressa com traços de amor paterno e materno. Lá aparece a intimidade delicada e carinhosa entre a mãe e o seu bebé, um recém-nascido que dorme nos braços de sua mãe depois de ter sido amamentado. Como indica a palavra hebraica gamùl, trata-se dum menino que acaba de mamar e se agarra conscientemente à mãe que o leva ao colo. É, pois, uma intimidade consciente, e não meramente biológica. Por isso canta o Salmista: «Estou sossegado e tranquilo, como criança saciada ao colo da mãe» (Sl 131/130, 2). Paralelamente, podemos ver outra cena na qual o profeta Oseias coloca na boca de Deus, visto como pai, estas palavras comoventes: «Quando Israel era ainda menino, Eu amei-o (...), Eu ensinava Efraim a andar, trazia-o nos meus braços (...). Segurava-o com laços de ternura, com laços de amor, fui para ele como os que levantam uma criancinha contra o seu rosto; inclinei-me para ele para lhe dar de comer» (Os 11, 1.3-4).

Com este olhar feito de fé e amor, de graça e compromisso, de família humana e Trindade divina, contemplamos a família que a Palavra de Deus confia nas mãos do marido, da esposa e dos filhos, para que formem uma comunhão de pessoas que seja imagem da união entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Por sua vez, a atividade geradora e educativa é um reflexo da obra criadora do Pai. A família é chamada a compartilhara oração diária, a leitura da Palavra de Deus e a comunhão eucarística, para fazer crescer o amor e tornar-se cada vez mais um templo onde habita o Espírito.

Cada família tem diante de si o ícone da família de Nazaré, com o seu dia-a-dia feito de fadigas e até de pesadelos, como quando teve que sofrer a violência incompreensível de Herodes, experiência que ainda hoje se repete tragicamente em muitas famílias de refugiados descartados e inermes. Como os Magos, as famílias são convidadas a contemplar o Menino com sua Mãe, a prostrar-se e adorá-Lo (cf. Mt 2, 11). Como Maria, são exortadas a viver, com coragem e serenidade, os desafios familiares tristes e entusiasmantes, e a guardar e meditar no coração as maravilhas de Deus (cf. Lc 2, 19.51). No tesouro do coração de Maria, estão também todos os acontecimentos de cada uma das nossas famílias, que Ela guarda solìcitamente. Por isso pode ajudar-nos a interpretá-los de modo a reconhecera mensagem de Deus na história familiar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Mudança alimentar - partilha de uma mãe

Por Raquel Suppi
 
Há pouco mais de um ano, minha família vem passando por uma importante mudança alimentar. Embora não tivéssemos exatamente um “plano”, receita ou cardápio elaborado, tínhamos consciência de que precisávamos mudar e, mais que isso, uma grande motivação.

Despertamos para isso quando o nosso filho do meio, na época com 2 anos, começou a passar mal, com certa constância. Volta e meia aparecia com dores, enjoos e crises frequentes de vômitos e diarreia. Foi quando nos demos conta do quanto estávamos falhando não apenas com a alimentação dele, mas de toda a família. Percebemos que, especialmente ele, pouco a pouco foi mudando seus hábitos e gostos alimentares, substituindo alimentos naturais e saudáveis pelos industrializados e cheios de conservantes. Sem que nos déssemos conta, nossa geladeira e despensa passaram a ser abastecidas principalmente por comidas com baixo valor nutricional. Era tão mais “prático” e tão mais fácil de “conquistar” o paladar da criançada, que muitas vezes pensava: “pelo menos estão comendo alguma coisa”. No entanto, isso começou a nos incomodar. Precisávamos mudar, só não sabíamos como, e tínhamos certeza de que não seria fácil.

Comecei lendo livros, conversando com algumas pessoas (entre elas, o pediatra das crianças) e pesquisando muito sobre como adquirir novos hábitos alimentares e reintroduzir alimentos saudáveis na família. Assim, bem devagar, demos os primeiros passos. Mais de um ano depois, eu me alegro em poder constatar que, entre altos e baixos, acertos e deslizes, fizemos progressos significativos.
Antes de prosseguir, gostaria de deixar claro que minha intenção é apenas a de partilhar um pouco sobre a nossa experiência particular, como família. Não pretendo, de modo algum, impor um estilo de vida ou passar a imagem de “expert” no assunto (aconselho, inclusive, a consultarem um médico ou nutricionista). Sei muito bem que cada família tem um meio próprio de lidar com as coisas, seja de qual for a natureza. Portanto, além da minha, não estou apta e nem tenho a pretensão de dar diretrizes e palpites para nenhuma outra. Penso apenas que, talvez (quem sabe?), este simples relato possa ajudar alguém, de alguma forma, assim como tantos outros nos serviram de inspiração.

Nosso maior medo, virou a nossa grande motivação: evitar que nossos filhos crescessem com um péssimo hábito alimentar. O objetivo era (e continua sendo) que toda a família voltasse a consumir uma grande variedade de frutas, verduras, sucos naturais e todo tipo de comida saudável. Como pais, sentimo-nos responsáveis de apontar o caminho certo e sermos o modelo, em todas as áreas, inclusive na da alimentação. Portanto, toda a família seria alcançada e beneficiada com a mudança. 

Mesmo envolvendo todo mundo, o nosso principal alvo, a princípio, era o nosso filho do meio. Não apenas pela suspeita de alergia alimentar e frequentes reclamações de dores e mal-estar, mas também porque era ele quem mais precisava de uma boa reeducação alimentar. Dos três, era quem menos comia frutas (praticamente nenhuma) e comida natural. Se permitíssemos, só se alimentava de chocolate, biscoitos e doces. Somando tudo isso a uma forte personalidade, sabíamos que ele seria o nosso grande desafio. Mas, uma coisa era certa, se conseguíssemos reconquistar o seu paladar, com os demais seria menos complicado.

Inicialmente, ficamos entre dois caminhos: cortar logo tudo e radicalizar, ou mudar com moderação. Não demorou muito para perceber que, com a gente, a segunda opção seria mais viável, ainda que demorasse mais para vermos os resultados.

Começar foi o mais complicado. Ainda tínhamos muitos alimentos que gostaríamos de cortar, em casa. Mas, de certa forma, eles acabaram nos ajudando: serviram de negociação. Na hora do lanche, por exemplo, quando eu oferecia fruta ou outra coisa saudável e nutritiva, e as crianças rejeitavam, pedindo algo que não deveriam comer, eu fazia a seguinte proposta: se comer primeiro isto, depois a mamãe dá um pouco do que você quer. E funcionou! Às vezes, davam apenas uma mordidinha de nada, mas pelo menos provavam, coisa que não acontecia antes.

Aos poucos, as mordidas foram aumentando e a “recompensa” diminuindo. Devagar, nossa despensa e geladeira passaram a estocar alimentos muito mais saudáveis. E, naturalmente, os filhos foram esquecendo e deixando de pedir para comer o que antes parecia ser indispensável! Assim, sem tanta radicalidade e sofrimento, estamos conseguindo adquirir novos hábitos, muito mais saudáveis!

Estamos longe de ser exemplo de alimentação. Ainda temos muito o que aprender e inserir no nosso dia a dia. Mas estamos muito felizes com os progressos realizados! Tem sido desafiante, mas muito gratificante! Ouvir o filho do meio, por exemplo, que até pouco tempo dava tudo por um alimento processado, pedir uma maçã de lanche, sem que eu precise fazer nenhum tipo de “combinado”, não tem preço!

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Alegria do Amor” - parte 2 – O fruto do teu próprio trabalho

Nosso Papa Francisco escreveu uma bela carta apostólica, em abril deste ano. Vou transcrever aqui aos poucos, algumas partes, para que reflitamos sobre os pontos que mais tocam as famílias.
O fruto do teu próprio trabalho

No início do Salmo 128, o pai é apresentado como um trabalhador que pode, com a obra das suas mãos, manter o bem-estar físico e a serenidade da sua família: «Comerás do fruto do teu próprio trabalho: assim serás feliz e viverás contente» (v. 2). O fato de o trabalho ser uma parte fundamental da dignidade da vida humana deduz-se das primeiras páginas da Bíblia, quando se afirma que Deus «colocou [o homem] no Jardim do Éden, para o cultivar e, também, para o guardar» (Gn2, 15). Temos aqui a imagem do trabalhador que transforma a matéria e aproveita as energias da criação, fazendo nascer o «pão de tanta fadiga» (Sl 127/126, 2), para além de se cultivar a si mesmo.

O trabalho torna possível simultaneamente o desenvolvimento da sociedade, o sustento da família e também a sua estabilidade e fecundidade: «Possas contemplar a prosperidade de Jerusalém todos os dias da tua vida e chegues a ver os filhos dos teus filhos» (Sl 128/127, 5-6). No livro dos Provérbios, realça-se também a tarefa da mãe de família, cujo trabalho aparece descrito nas suas múltiplas mansões diárias, merecendo o elogio do marido e dos filhos (cf.31, 10-31). O próprio apóstolo Paulo sentia-se orgulhoso por ter vivido sem ser um fardo para os outros, porque trabalhou comas suas mãos, garantindo-se deste modo o sustento (cf. Act 18, 3; 1Cor 4, 12; 9, 12). Estava tão convencido da necessidade do trabalho, que estabeleceu esta férrea norma para as suas comunidades: «Se alguém não quer trabalhar, também não coma» (2Ts 3,10; cf. 1Ts 4, 11).

Dito isto, compreende-se que o desemprego e a precariedade laboral gerem sofrimento, como atesta o livro de Rute e como lembra Jesus na parábola dos trabalhadores sentados, em ócio forçado, na praça da localidade (cf. Mt 20, 1-16), ou como pôde verificar pessoalmente vendo-Se muitas vezes rodeado de necessitados e famintos. Isto mesmo vive tragicamente a sociedade atual em muitos países, e esta falta de emprego afeta, de várias maneiras, a serenidade das famílias.


Também não podemos esquecer a degeneração que o pecado introduz na sociedade, quando o homem se comporta como um tirano com a natureza, devastando-a, utilizando-a de forma egoísta e até brutal. Como consequência, temos, simultaneamente, a desertificação do solo (cf.Gn 3, 17-19) e os desequilíbrios econômicos e sociais, contra os quais se levanta, abertamente, a voz dos profetas, desde Elias (cf.1Re 21) até chegar às palavras que o próprio Jesus pronuncia contra a injustiça (cf. Lc 12, 13-21; 16,1-31).

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Tornando o dia mais prático - férias!

Com as férias começam as nossas lidas, com os filhos em casa e mais boquinhas famintas querendo comer o dia todo, e a nossa atenção constante.

Precisamos de muito jogo de cintura, programando cada dia com bastante atenção, para que sobrem horas para utilizarmos com recreação e diversão.

Gosto muito de fazer planilhas que dê para ver todos os dias num conjunto, e poder ir encaixando as atividades das férias, a alimentação, os médicos e exames de rotina.

Pensar um cardápio, prático, saboroso e simples é uma arte. Precisa agradar a todos e não gastar muito do nosso precioso tempo.

Seguem algumas sugestões para uma semana de crianças em casa:

Almoço:

1º dia - Feijão*, arroz, farofa, omelete -  . Sobremesa - gelatina de morango com pedacinhos de maçã.

2º dia -  Lentilha**, arroz, farofa, frango assado no forno. Sobremesa - goiabada com queijo.

3º dia - Arroz de carreteiro, salada verde com ovos. Sobremesa - pudim de leite

4º dia - Macarrão, carne assada. Sobremesa - frutas

5º dia - Feijão, arroz, batata assada com casca, rosbife de forno. Sobremesa - Mousse de maracujá

6º dia - Arroz de brócolis, drumets na panela, suflê de cenoura***. Sobremesa - salada de frutas

7º dia - Salada de maionese, peixe assado no forno. Sobremesa - doce de leite com queijo.


* Fazer uma quantidade maior de feijão e de lentilha e congelar em porções para sobrar para outro dia.
** carne assada - pode ser feita na panela de pressão, dourar antes e depois colocar pra assar.

*** suflê de cenoura - pode ser feito de véspera e só assar pouco antes de servir.

Jantar: 

Com esse tempo mais fresco podemos fazer sopas ou cremes, todos os dias. Usar pequenos croutons para servir junto.

# Crouton é um pequeno pedaço de pão, frito ou assado com óleo, azeite ou manteiga, utilizado para acompanhar sopas ou saladas.

As sopas que são sempre bem aceitas são: Sopa de ervilha com paio; canja de galinha; sopa de legumes com massinha. Os cremes de: palmito, cebola e milho verde, também são bem aceitos pela garotada.

Com o cardápio pronto vamos otimizar nosso tempo e aproveitar melhor as brincadeiras em família. Tirando as crianças da frente da TV e dos jogos de computadores.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Superação de doenças – filmes para refletir

A culpa é das estrelas - Diagnosticada com câncer, a adolescente Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) se mantém viva graças a uma droga experimental. Após passar anos lutando com a doença, ela é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio cristão. Lá, conhece Augustus Waters (Ansel Elgort), um rapaz que também sofre com câncer. Os dois possuem visões muito diferentes de suas doenças: Hazel preocupa-se apenas com a dor que poderá causar aos outros, já Augustus sonha em deixar a sua própria marca no mundo. Apesar das diferenças, eles se apaixonam. Juntos, atravessam os principais conflitos da adolescência e do primeiro amor, enquanto lutam para se manter otimistas e fortes um para o outro.


A Teoria de Tudo - contará sobre o relacionamento do famoso físico Stephen Hawking com sua esposa Jane, desafiado pela doença de Hawking, portador de esclerose lateral amiotrófica.




Flores de Aço -1989 -  Shelby Eatenton (Julia Roberts) está prestes a se casar com um rico advogado. Para se preparar para o casamento ela vai com sua mãe, M'Lynn (Sally Field), até o salão de cabeleireiro de Truvy Jones (Dolly Parton). Sabendo que por causa da festa terá serviço extra, Truvy contratou de imediato Annelle Dupuy (Daryl Hannah), para que ambas possam dar conta do trabalho. O fato de ser diabética faz com que Shelby saiba de antemão que ter um filho é também um grande risco para sua saúde. Portanto, quando meses mais tarde ela anuncia que está grávida, M'Lynn passa a ter que o corpo da filha não aguente a gestação. Apesar do risco, Shelby decide seguir adiante com a gravidez.

Um amor para recordar – Landon é um jovem sem metas e irresponsável, que foi punido por ter feito uma brincadeira de mau gosto. Como punição, o diretor da escola faz com que ele (Landon) participe da produção de uma peça que está sendo montada; durante os ensaios, Landon aproxima-se de Jamie Sullivan, filha do pastor da pequena cidadezinha onde moram. Ela é uma garota "certinha" que tem uma lista de desejos a realizar-se e que o ajuda a ensaiar para a peça com apenas uma condição: que ele não pode apaixonar-se por ela. Porém, eles se apaixonam, mas Jamie guarda um segredo: ela tem leucemia há dois anos.


Jogo da Vida - Akkie é uma garota meio durona, craque do time de futebol da escola. A jovem ainda não percebeu que está atraída por um rapaz de sua turma, com quem vive tendo discussões. Ao ser diagnosticada com leucemia, ela vai lutar para superar a doença com a ajuda dos pais e dos amigos. Akkie também vai ter a chance de abrir seu coração de uma vez por todas.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Saudades de uma batata palha? Agradando a família

Conversando com meu filho que mora na Alemanha pude constatar como pequenas coisas fazem diferença, e que só percebemos isso quando não as temos mais. 

Chegando ao Brasil para uns dias de férias, começamos a maratona de comidas para agrada-los: a ele e a minha norinha querida. (É verdade! E ela só me chama de sogrinha querida).

Lá na Alemanha a carne é artigo de luxo, produtos como Feijão, são raridades, a famosa coxinha nem sonha em existir, e a batata palha não tem por lá.  Eu nem imaginava o quanto ele sentiu falta dessa batatinha industrializada por aqui, que acompanha bem um strogonoff com arroz, ou junto a um cachorro quente de salsicha.

Comecei então a explicar como deveria fazer essa batata por lá. Para uso deles. Segue então o modo de fazer. É trabalhoso, porém dá pra matar as saudades quando estiver lá longe. Ou mesmo se quiser ter sua própria batata palha sem conservantes. 

Batatas a seu gosto – quanta quiser fazer.

Modo de preparo:
 
  • Descasque as batatas, rale no ralo grosso e colocar em água fria, numa bacia. Deixe repousar por 1 hora.
  • Na hora de fritar, seque bem as batatinhas em um pano de prato limpo, espalhe-as em óleo bem quente, em uma quantidade suficiente para a capacidade da sua frigideira, sem enchê-la demais. Não mexa.
  • Espere começar a dourar para mexer levemente com a escumadeira. Quando douradas, coloque-as sobre um papel toalha para que sequem.
  • A batata depois de fria e bem sequinhas, pode ser armazenada num pote bem fechado. Para durar vários dias. Claro, se você resistir, e não comer tudo de uma vez!
  • Tempere com sal ao servir.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

FILMES ESPECIAIS - uma reflexão para toda a família - parte 6 - Autismo

Para todos nós, que temos filhos, perfeitos ou não, (sempre há um senão num ser humano), segue alguns filmes para assistirmos e fazermos algumas reflexões em família. Tanto para a aceitação das diferenças, de algumas deficiências, quanto para a inclusão dos que nasceram fora dos padrões esperados pela sociedade. 

Nada como aprendermos a lidar com as diferenças, com amor e carinho, nunca faltando a caridade. 

 Como disse alguém numa rede social:"  Há meninos e meninas que  ninguém convida para os aniversários, por exemplo. Há crianças especiais que querem pertencer a uma equipe, mas que ninguém escolhe, porque é mais importante ganhar, certo? As crianças com necessidades especiais não são raras. Elas só querem o que todos querem: ser aceitas!".

AUTISMO

1 - Meu filho, meu mundo -
Raun era um saudável e feliz bebê. Com o passar dos meses, seus pais começam a observar que há alguma coisa estranha com ele, sempre com um ar ausente. Um dia vem a confirmação do que suspeitavam… Raun era autista. Decidem então penetrar no mundo da criança, acreditando que somente o milagre do amor poderá salvá-lo.

2 - O garoto que podia voar - Após a morte dos pais, num acidente de avião, garoto se fecha e não conversa com ninguém. Ele vive com o tio alcoólatra e é tratado como autista. Na escola, porém, se torna amigo de uma bela jovem, que conquista sua confiança e o faz "voar" sobre a cidade.

3 -  Benny e Joon: Corações em conflito -
  O filme aborda a história de uma jovem chama Juniper Pearl (que é conhecida como Joon) interpretada por Mary Stuart, que é autista, ela vive com seu irmão Benny Pearl, interpretado por Aidan Quinn, que já no início da trama, se vê em uma encruzilhada: após a morte de seus pais, ele deveria ou não internar Joon em uma clínica?

4 -  Rain man - Charlie fica sabendo que seu pai faleceu. Eles nunca se deram bem e não se viam há vários anos, mas vai ao enterro, e ao cuidar do testamento descobre que quem recebeu a herança foi seu irmão Raymond (Dustin Hoffman), cuja existência ele desconhecia. Autista, Raymond é capaz de calcular problemas matemáticos com grande velocidade e precisão. Charlie sequestra o irmão da instituição onde ele está internado para levá-lo para Los Angeles e exigir metade do dinheiro, nem que para isto tenha que ir aos tribunais. É durante uma viagem cheia de pequenos imprevistos que os dois entenderão o significado de serem irmãos.

5 -  Testemunha do silêncio - Um garoto autista testemunha o assassinato de seus pais. O Dr. Jake, um controverso terapeuta, tenta decifrar a mente do menino e resolver o caso.

6 -  Prisioneiro do silêncio -
Mulher tenta fazer o melhor que pode pelo filho autista, mas uma grande dor invalidava parte de suas conquistas: seu filho estava preso em um mundo que ela não podia atingir.

 7 - Uma viagem inesperada -
Corrine descobriu o amor com os seus filhos. Ela fica transtornada ao descobrir que não existia cura ou tratamento efetivo para a doença de seus filhos gêmeos. Para não se tornar prisioneira desta deficiência ela está determinada a propor uma vida normal aos garotos e começa uma jornada em busca desta nova vida.  A superação é inacreditável e o sucesso dos garotos vai além do esperado.

 8 - Um amigo inesperado - Kyle Gram é um menino frágil que sofre de autismo. Seus pais fazem de tudo para tentar se comunicar com ele, até que um cachorro chamado Thomas consegue criar uma relação com o menino que o ajudará a escapar do seu silêncio.

9 -  Um time especial - O técnico da liga juvenil de baseball "River Rats" Arthur Murphy (Dean Cain), convida o jovem autista Mickey Tussler (Luke Schroder) para ser o novo lançador do time. Porém, a equipe reaje de modo preconceituoso e desaprovador. O que eles não aguardavam, era de que o menino causaria uma grande comoção na equipe.

sábado, 16 de julho de 2016

A família crescendo

Hoje é mais um dia feliz para nossa família, mais um filho está casando. Ganharemos mais uma nora, alguém mais para acrescentar bons momentos a família.

Quando um filho, ou uma filha casam toda a família se alegra. Teremos mais carinho e poderemos dar mais de nós a mais alguém. Todos vibramos com a alegria de cada um. De alguma maneira cada um demonstra seu amor de irmão ou irmã, e o nosso amor de pais.

O filho estando feliz, nós também estamos, não posso entender não gostar de quem gosta dos nossos. Minha mãe tinha um bom ditado para isso: " Quem a meus filho ama, minha boca adoça". É assim que eu e meu marido nos sentimos.

A grande família, cada vez mais agregando valores, com a chegada de um novo membro. Chamo de nora e de genro, pois estes não deixaram de ter seus pais, nem sonho em tomar o lugar destes, porém não importa o nome, eles passam a ser parte de nós. Serão nossos amigos e seus pais também. Com isso nossas festas ficam cada vez mais alegres, nosso convívio muito mais rico.

Como nossa família é bem numerosa, tudo se transforma em evento. Com o casamento, teremos muitas pessoas para receber, o tempo fica curto, e a atenção a cada um fica prejudicada, mas todos entendem, e todos ajudam a acolher os parentes e amigos que estarão juntos de nós dividindo toda essa nossa alegria.

Depois conto um pouco do que se passou no casamento, tudo foi planejado com simplicidade, mas com bastante cuidado, desde os livrinhos para acompanhar o ritual do matrimônio,  o sacerdote celebrante, as flores, as músicas, a igreja, a casa de festa e seus quitutes. Tudo escolhido e resolvido pelos noivos,dentro das possibilidades deles, Com certeza aproveitarão muito de tudo, pois custou o sacrifício de ambos para oferecer o melhor aos amigos e parentes.

Vamos aos preparativos, para que todos deem o melhor de si. Cabelos, maquiagens, roupas, tudo pronto, agora só falta conter bem as emoções, com um belo sorriso no rosto, e dar início a cerimônia.

Que Deus os protejam e os façam felizes.

Fotos cedidas pelo Arte Combinada - http://www.artecombinada.com.br/luisa-e-joao/

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Com os dois pés atrás

Por Raquel Suppi

Conversar com alguém que tem uma opinião autoritária e com peso de verdade absoluta sobre tudo, mesmo quando se trata de um tema muito relativo – como, por exemplo: educação dos filhos, rotina familiar, vida profissional etc. –, é bem cansativo. Mas, pior que isso, é precisar aturar uma pessoa falar mal da vida dos outros. Tem assunto mais inconveniente, improdutivo, irritante... do que esse? Neste caso, fico com os “dois pés atrás” e aplico a regra: desconfie e dê um jeito de mudar de assunto! 

Nem sempre é fácil quando nos deparamos com um jeito de ser ou agir diferente do nosso, ou do qual estamos habituados. O julgamento, ainda que silencioso, às vezes é mais rápido que o nosso esforço para tentar aceitar ou compreender. Contudo, podemos, pelo menos, pensar: “Espera! Eu não conheço a realidade dessa pessoa...” e, assim, barrar a crítica mental e não criar, precipitadamente, uma espécie de barreira. É um exercício, que nos ajuda não só a tolerar as diferenças, como também pode nos levar a refletir sobre a nossa própria conduta.

Agora, se por um lado é difícil “segurar” a crítica a nível de pensamento, por outro, controlar a língua é uma questão de auto domínio e maturidade. É no mínimo intrigante ouvir alguém maldizendo a atitude de um pai, mãe, família, qualquer pessoa, sem se preocupar em expor uma situação alheia que, além de provavelmente desconhecer os detalhes, razões e realidade; não lhe diz respeito e, por isso mesmo, não é da sua conta. Claro que, em casos mais graves – como abandono, pedofilia, espancamento etc. –, a interferência de terceiros se torna necessária e até mesmo um dever. No mais, é usar o bom senso e a regra básica: “não fazer com os outros o que não gostaria que fizessem com você” – ou, ainda: “não falar dos outros...” e “não se meter na vida dos outros...”.

Às vezes, pode até parecer um comentário bobo, sutil, inofensivo. Mas, se ele não é dito diretamente para a pessoa em questão, nada mais é do que uma deselegante e absolutamente desnecessária fofoca. E, assim como é simples evitar o fuxico, também é fácil se deixar levar e acabar participando dele. Mesmo que sem intenção ou maldade, quantas vezes nós mesmos “caímos em tentação” e colaboramos com um boato? Por isso, devemos atuar como constantes vigias pessoais, e procurar sempre nos colocar no lugar do outro. Afinal, quem gostaria de ser alvo de crítica, calúnias e acusações, ainda por cima na surdina? 

Certo dia, sentada na praça de alimentação de um shopping, enquanto aguardava o meu marido voltar com o nosso pedido, bem próxima à nossa mesa havia duas senhoras conversando. Elas falavam bastante alto e notei que muitos, além de mim, estavam se sentindo incomodados. Tentei me concentrar em outra coisa, para não escutar o que elas diziam, mas era quase impossível. Por sorte, elas foram embora antes do meu esposo chegar. Assim, conseguimos curtir o nosso momento e conversar tranquilamente. Mas, antes das duas se retirarem, acabei, quase que inevitavelmente, escutando o que uma delas dizia, sobre alguma conhecida:  

“Fulana é muito fresca com a bebê recém-nascida. Não sai para canto nenhum com menina, e não deixa ninguém ir lá na casa dela, também”!

A sua “companheira” foi um pouco mais sensata, e tentou, mais de uma vez, mostrar o lado da nova mamãe. Dizia que tal postura pode ter sido uma recomendação médica, afinal, com tanta doença perigosa para recém-nascido, todo cuidado era pouco. Mas a “fofoqueira” não se deixou convencer e continuou:

“Que nada! Ela está cheia de frescura desde que começou a emagrecer. Só nessa de alimentação saudável! Uma chata! E agora está insuportável, superprotegendo a filha”!

E não parou por aí: “Não sei o que é pior: ser fresca como ela, ou desleixada como a fulana de tal! Deixa os filhos comerem de tudo! Um horror! Os meninos passam o dia abandonados em casa ou “nas costas” da avó, porque a mãe só pensa em trabalho”.

A essa altura, a amiga parecia ter desistido de argumentar, talvez para evitar uma discussão. E eu lembrei que precisava fazer uma ligação, o que foi ótimo, porque assim consegui me desligar das duas. Não demorou muito, elas se levantaram e saíram. 

Mais tarde, lembrando-me do episódio, pensei no quanto foi feio ouvir uma senhora falar com tamanha indiscrição sobre alguém. Pensei que talvez ela nem tenha se dado conta disso. Talvez ela tenha achado tais comentários “inofensivos” e não tenha tido a intenção de expor ninguém. Entretanto, eles não deixaram de ser maldosos e ela não deixou de expor.

Tudo isso acabou servindo de alerta para mim. Não quero jamais passar uma impressão tão vulgar, desagradável e embaraçosa, envolvendo outra pessoa quem nem sequer estava lá para se defender. Foi mesmo vergonhoso, aquilo tudo. Fiquei pensando em como é fácil perder a confiança em alguém que tem sempre como assunto principal bisbilhotar a vida alheia. Como desabafar ou confiar um segredo para uma pessoa assim? Quem quer ser “rotulada” dessa maneira? 

Enfim, ninguém está livre disso. Não podemos controlar a língua dos outros, mas podemos controlar a nossa. E, se alguém chegar com algum “babado fortíssimo” para nos contar, podemos, no mínimo, mostrar desinteresse e não “dar corda” para o assunto. Se não bastar, talvez uma forma mais “direta” – e cheia de jeitinho – funcione. Quem sabe dando um “toque” caridoso nos fofoqueiros de plantão, eles caiam em si e desistam de passar adiante as suas contestáveis “informações”?!